quinta-feira, junho 14, 2007

Eleições para a OTA?

Sem prejuízo do escrito no artigo anterior, quero afirmar que, se acredito nessa “espécie de diálogo” e de hipotética abertura à discussão de alternativas à OTA, também enfatizo que não acredito (já) no pai natal nem em generosas borlas. O timing denuncia-os. Esta reviravolta coincide com o quê, meus amigos? Eleições na câmara da capital. Ora, caríssimos, na capital, este tema (novo aeroporto na OTA) é, pelo menos, pouco grato (ainda por cima revestido de escasso debate), para a população em geral, turismo, comércio, entre muitos outros. Nenhum candidato, nenhum (mesmo o que vem do poder e era um indefectível defensor da OTA), pode esquivar-se a isto. Comecei a “notar” algo na semana passada. Pelos vistos, não sou o único.

Em Lisboa, a Ota não é propriamente popular, como compreenderam as oposições, cujos candidatos à câmara, sem excepções, tiveram logo o cuidado de se inscrever no coro anti-Ota. Só António Costa ficou de fora, amarrado ao pelourinho do novo aeroporto(...). O rei Henrique IV de França converteu-se ao catolicismo porque "Paris vale bem uma missa". Sócrates terá pensado que a Câmara Municipal de Lisboa vale bem um aeroporto.
Rui Ramos Público 13-06-07

Ganhou-se, pelo menos, no debate. Seja.

7 comentários:

Rogeriomad disse...

Nem mais...

"Operação de charme político..."

Juntar a arrogância à estupidez seria muito mau neste momento...

luis Ilha disse...

a ota e os grandes projectos, em portugal, normalmente não são acompanhados de uma estratégia com âmbito nacional. são projectos políticos e empreitadas de amigos. em lisboa não vai ser diferente. O próximo governo, se tiver outra cor, vai ter outra ideia, mesmo que a anterior seja mais acertada.

Eduardo F. disse...

Em breve vai haver um artigo sobre essa tua última e sobre outras frase.

Obrigado pelo teu comentário, Luís.
Vai estando atento.

Luis Ilha disse...

O artigo eleições para a ota é que revela perspicácia rara. a gente não se apercebe das coisas, pela forma sempre exaltada como são ditas. tudo é feito sem ter em vista o interesse global do país.

Eduardo F. disse...

Então não é normal que um meio onde se possa clarificar a questão seja o primeiro alvo dos "atiradores de poeira"?

Daí...
Pensamos que sabemos.
E aí é que está o poder - é darem-nos a sensação de que estamos informados.
Quem está entretido não chateia. Nem questiona.

Vidal disse...

Caro luís, muitas das vezes a malta “não quer” perceber. Isto é, absorve convenientemente e à primeira. Também existe manipulação e, não raro, OMISSÃO. Não se diz a ver se passa. Se ninguém diz nada, ou pouca gente (neste caso, eles dizem que são sempre os mesmos!), a coisa passa, na fé.
Tentamos, por aqui, expor, informar, debater e criticar. Quem quiser deve participar.
Quanto ao resto, quer uma aposta que o filme se vai repetir com o TGV? “Ai é assim”, “tão caro?”, “ o sul blá blá”, “o norte bla´bla´”, “eu não sabia disto, eu não sabia daquilo”, dirão, na altura, e eles esfregam as mãos de contentes.
Entretanto, vão passar as eleições na capital, depois a província vai a banhos, começa a “época” de incêndios para a malta saber quando pode lançar os foguetes…
Uma festa!

Rogeriomad disse...

Eu diria...
Muito é feito tendo em vista o interesse global do país... mas não é aplicado!

O último passo compete sempre a uma decisão política... daí a nossa frustração!

Contra os "atiradores de poeira" proponho uma solução, usem óculos escuros e finjam que nada se passa... e no momento certo, retirem os óculos e apresentem-se!

Abraço,