quarta-feira, julho 31, 2013

E se for já neste século?

À medida que aumentam os níveis de dióxido de carbono na atmosfera, a água do mar vê baixar o nível de ph. A extinção marinha está a preparar o terreno. 
E nós seremos a seguir. Se não for antes.




A extinção, prevê-se, será este século.

Ler mais (em Inglês) aqui.

sexta-feira, julho 26, 2013

Dos exércitos (e) da farda que não desbota, renovada

Que força é essa, amigo,
que te põe de bem com os outros
e de mal contigo?

Sérgio Godinho


Somos jovens e ostentamos esta supercor na farda.
O nosso trabalho é distribuir propaganda.
Ela tem de chegar a todas as pessoas que passarem por aqui e mais àquelas a que conseguirmos chegar. 
As palermas!

(E assim começou a guerra, declarada, de uns contra todos...)

Os não-jovens queixam-se que os jovens lhes retiraram o trabalho.
Porque aceitaram ser recompensados (ahaha, ahaha, malevolamente rindo lá das alturas que os pariu) por menos dinheiros que eles.
E, já se sabe, as empresas querem é reduzir os custos fixos...

Os jovens supercoloridos vêem cada pessoa como uma pessoa a atingir.
Um cliente a abater, a fazer tilintar as moedas (Passa pra cá o guito!, o guito que eu não verei, que só vai prò meu patrão...) que são a garantia de eu continuar... a ver cada pessoa como um palerma a atingir, etc., etc.



Estes são os trabalhos indignos.
Alguém tem de o fazer, diz o falacioso capitalista merdoso instituidor do teu bem-estar. Ou, vê lá se votas bem!, na tua ruína.

Distribuidor de panfletos,
Limpador de cloacas,
Cobrador das dívidas,
Poluidor dos rios,
Triturador da inteligência,
pasmaceiro da excitação!

Tu tornaste-te no homem que trabalha.
Tu deixaste de ser o homem que também trabalhava.


(Porque o sistema de opressão económica nunca foi suprimido)


Tu és o exército e vens bem munido.
A cor da tua farda é camaleónica e adapta-se até aos sítios mais esconsos, onde aprendes a tua arte de fazer mal aos outros e de sofreres com isso e de fazeres mal a ti e de fazeres os outros sofrer com isso.

Tu pertences ao exército dos excluídos, dos deserdados, dos desapossados, dos lixos produzidos em massa pelo sistema da exclusão económica do capitalismo mais e também do menos aguerrido (não há tréguas nem quartéis).

Tu és o exército a recrutar mais exército, a fazer baixar os salários, a fazer aceitar o depauperamento da dignidade no trabalho e a impossibilidade da vida sem o trabalho.
És o promotor dos vendedores da propaganda que cada vez menos gente vai comprar.
Porque cada vez mais há exércitos de gente que não pode comprar tal ideologia.
E é por isso que os supermercados estão cheios de ideias de que cada vez mais desconfiamos, venham elas embaladas em políticos, partidos, empresas, bancos, opinadores e todos os vizinhos do lado e até a tua mãe e o teu pai, que isto é guerra que grassa sem piedade nem olhar a quem.

Aqui não se salva nem Deus: assassinaram-no!




São ideias demasiado caras para as nossas posses.
Por isso há interesse num certo equilíbrio das contas: o tal algo que mude para que tudo fique na mesma.
Mesmo que uma crescente maioria possa ir ficando de fora do sistema...

E chamar-te-ão.
Chamarão a todos.
Tu és a vítima e o sinal número um da crise: tu és o produto da crise, da instabilidade dos mercados e dos mercados da instabilidade.

Tu és fonte de lucro inteiro e do abaixamento dos salários e do rebaixamento da condição humana.

És o soldado universal que se soma às fileiras das trincheiras quinzenais dos centros de desemprego por esse mundo fora.

Sim, eu sei, tu queres lá saber se és um conceito marxista!, tu queres ser feliz agora, tu não és nada parvo, porra!
Tu existes.

Fazem com que estejas disposto a tudo.
"Que te compras, que te vendes, é o que pensa o tirano..."
A trabalhar mais horas por semana, horas extra, sem seres por tal pago, sem descanso merecido, exausto do triturar das máquinas infernais do lucro dos patrões que dão a cara para ocultar a dos accionistas.

Tu és a vergonha e o atraso que o capital criou para nós, a sociedade-cloaca!
Tu estás disposto a matar por um naco de comida cada vez mais insignificante.

Tu és o primeiro produto da economia da catástrofe e nasceste muitos anos antes da economia da catástrofe, assim designada, ter sido descoberta para nos renovar o uniforme.
O uniforme do sistema económico, político, mediático e mental do mundo.
O tal do inevitável, e do irreversívelzinho.


Mas tende cuidado, generais, para manterdes o exército bem ocupado.
Pois pode ele começar a pensar.
Em vós.
E a chacina já se desenha em cada rua, em cada praça.
Onde quer que houver um homem que ficou sem trabalho e conservou a cabeça. E que não quer alimentar uma engrenagem injusta e niveladora, por baixo, alcatrão quente e moldável no calor da crise.

Não poderás manter-te oculto e anónimo durante muito tempo.
Somos cada vez mais e nós vamos dar contigo.
Onde quer que estejas.
Fedes na tua natureza e sabemos onde te encontrar.

quarta-feira, julho 24, 2013

Dos sacrifícios (e) dos sacrificados (e da destruição, esperançosa, da tua casa)

Eu cresci aqui e agora tenho de partir.

Anónimo de muitos tempos e muitos lugares, sem lugar


Parece que há oportunidades que esperam por ti, não sejas palerma.

Correcção, piegas: não sejas piegas.

Mas eu quero morrer aqui.
Aceito que me subtraiam uma parte da minha terra para poder continuar a viver aqui.
Sim, aceito que instalem perfuradoras nos meus terrenos para fazerem prospecção de petróleo por fracturação hidráulica.

Pois, o horizonte não fica lá muito bonito, não.
E o barulho...

E as minhas vacas e os meus pastos, doentes.
E tudo aquilo de que me alimento.

Qual é o meu problema?
Ninguém me diz o que é que eu tenho??

Tenho de pagar do meu bolso (a Saúde é um direito, amigo...) (uma garantia de dinheiro que sai do teu para o bolso do conglomerado farmacêutico-industrial-saúdico com seguradoras à mistura...) para todos estes exames, para tentar perceber o que se passa comigo, o porquê destas cascas por todo o meu corpo.

Porque o negócio envolve milhões.
Correcção, milhões de corpos e almas.
E ninguém poderá, quererá, ousará demonstrar a mais pequena relação entre o teu estado de saúde deplorável com os danos da coisa que lá tens no teu quintal.

Os derramamentos e as infiltrações de petróleo e de água salinizada que tudo hão-de comer, depois de te comer a ti.
Afastado o problema, tu!, não há mais contas a prestar.

Mas até dizes:
- Sim, eu sacrifico uma parte da minha terra para continuar a viver no sítio onde nasci.
Sim, eu aceito sacrificar uma mão para continuar vivo.

Diz aquele outro:
Sim, eu também aceito sacrificar uma parte da minha terra para continuar a viver onde nasci.

E vamos recuando, recuando.
Sacrificando o quê?

Sacrificando as pernas para continuarmos vivos.
Sacrificando o corpo para nos mantermos ligados à máquina.

Sacrificando a saúde já, imediata, pura, viva da silva, em troca da morte lenta, quiçá, não é certo, os estudos não comprovam, nem desmentem...


Não, não importa a terreola onde estas histórias de vida se passam.
Tanto faz. É metáfora.

Mas os danos são reais.
As vidas são reais.

(Mas também temos boas clínicas privadas que vos asseguram uma boa esperança de vida.
Mas isso terá um preço. Tudo tem um preço, não é?
E, pode crer, vale bem a pena...!)

Estamos a sacrificar partes para... assegurar cada vez menos nada.

Estas são as massas que já pouco têm a perder.

Estes são

"os que descem cada vez mais
para subir cada vez menos"

porque

"quando mais o mal se expande
mais acham que ser grande
é lixar os mais pequenos."


E lixar é a instabilidade.
Hordas de desempregados começam a pensar em tomar o poder, de sachola, metafórica, e de picareta, metafórica, nas mãos.
Em busca do derramamento do sangue verdadeiro.
Mas dos carrascos.

segunda-feira, julho 22, 2013

Da instabilidade (e) dos mercados (e do ensanguentamento, orgulhoso, das mãos com luvas)



Público em linha, hoje, 22.07.13


Crises há muitas, e nós somos os palermas.

Parece que a convocação de eleições antecipadas representa instabilidade para os países. 
Ah, correcção, para os mercados.
Que, interligados e anónimos, não são nacionais. 
Não só, nem tampouco nacionais.

Donde se depreende que a economia e as finanças (mundiais e de trazer por casa) são inimigas da Democracia.

A Democracia, essa rameira à força, funciona.
Ponto final.
Funciona até ao momento em que vais testá-la.
Por exemplo através de eleições.
Ou de alguma petição para alterar alguma coisa que inverta o processo de desapossamento de muitos engendrado por uns quantos.

Mas... e porque seria o contrário (o desapossamento de uns quantos pelos muitos) mais legítimo?, poderiam os statusquoístas contra-argumentar, inquinando a reescrevendo toda a História e cartesiana filosofia de ser da Democracia.

Mas a questão, já falámos dela até à ponta dos cavacos.
Mesmo assim é mais importante que a nova ministra oculta ir mostrar o buraco, segundo a bela prosa e óptimos directores do Jornal de Notícias.

A instabilidade é, portanto, inimiga dos negócios.

E é aqui que se demonstra como Portugal é um país atrasado.
Porque em países mais avançados (avançados porque já passaram por esta fase) souberam as empresas fazer negócio com instabilidade.
Correcção: "...fazer negócio com A instabilidade".

Passa um anúncio a dizer o seguinte:
"Os estudos mostram que tem havido uma subida de assaltos a casas."
(Solução?)
"Agora existe o vero não sei quantos (lá o que dizem os lábios da menina espanhola cujos contornos, dos lábios, não coincidem com a fala que ouvimos), o sistema de segurança que protegerá a sua méson dos larápios.

Dos larápios à moda antiga, especifique-se.
Mas na publicidade tudo é superficial, desde os sorrisos ao convencimento.

Donde se depreende que... a insegurança é boa para o negócio.
Pelo menos para este.


E a the next big idea vem da parte de um moço que, acelerando o processo que existe na natureza e que produz o inquinamento que está a arruinar o mundo, mais conhecido por petróleo.

Para isso, pega-se em biomassa, coloca-se esta num reactor, retira-se-lhe a humidade e o resultado, líquido, é um composto muito semelhante ao crude, que pode, diz o jovem de trinta anos, ser refinado com os convencionais processos usados por qualquer petroquímica do mundo.

Mas, alto, então vão pegar em biomassa verde e transformá-la em petróleo?
Calma.
Mas quem disse que era biomassa verde?
O lado bonzinho é que esta nova forma de fazer dinheiro se insere já na economia da catástrofe: a biomassa usada para tal é proveniente dos matos ardidos - ou seja, uma coisa que acontece naturalmente todos os anos em Portugal, como todos nós sabemos.
Correcção, uma coisa que acontece normalmente todos os anos.

Donde se depreende que os incêndios são, também nesta nova variante de aproveitamento, bons para o negocídio.
Pelo menos para este.


Numa Visão muito recente falava-se da extracção de petróleo por fracturação hidráulica. E que, assim, há imensas reservas à espera da nossa ganância. Incluindo na China, território delimitado enorme.

Termina o artigo o excelente propagandista a dizer:
A questão é a de saber se ainda vamos a tempo... 
A tempo para fazer baixar o preço do petróleo.

Isto é, andamos prà'qui entretidos a discutir as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, de habitats e de espaços húmidos, a poluíção atmosférica, os problemas de saúde, os refugiados ambientais, os derramamentos de petróleo, a escassez e os conflitos pela água, os milhos transgénicos, que vão salvar o terceiro (mas só o terceiro...) da fome...

Espera, nós não estamos a discutir nada disso...!
(andamos entretidos com a crise)

Mas... e o artigo não menciona uma única palavra sobre os devastadores danos ambientais que tal extracção de petróleo implica.
E andamos nós a tentar mudar de paradigma e este tipo de propaganda, o que lhes interessa, é continuar a formatar os leitores informados para que alimentemos este, destruidor e a ultrapassar urgentemente.

Só falta depois criarem empresas especializadas na limpeza (se esta fosse possível) da porcaria que as perfuradoras deixam para trás.
Limpeza paga em nome de todos, paga, portanto, por todos, a essas empresas, então, entretanto criadas.

Andamos a tapar o sol com a peneira. Rota.



As empresas de reconstrução após a catástrofe têm muito a ganhar.
Porque alguém tem de a pagar.
Porque alguém tem de lhes pagar.
A elas compete-lhes fazer o melhor serviço.

As empresas de reconstrução após as guerrinhas, travadas lá longe das suas sedes, têm muito a ganhar.
E se ganham muito, depreende-se que essas guerrinhas são boas para o negóciozinho.
Donde se depreende que, quantas mais, melhores as cotações nos mercados.
Mercados anónimos, negócios locais com chupismos de todo o lado, e vítimas globais que apenas (poderia ser doutra forma?) se manifestam a nível local.

O passo seguinte é piorarmos a visão e num momento da deslucidez para que o desespero nos empurra é depreendermos que também as catástrofes naturais (sismos, maremotos, queda de diques, Katrinas, etc.) são provocados.
Porque tudo o que for bom para o negócio tem muita força.

Portugal está a habituar-se à instabilidade há já alguns anos e as empresas estão a adaptar-se a isso.
E assim, todos os valores impostos, que são as empresas que mandam enquanto não mandarmos nós (que, por coincidência, trabalhamos nelas ou, menos, para elas) são invertidos e as sociedades passam a caminhar de costas para a frente.

Belo futuro!
Troca de favores: garantimo-vos o nosso presente em troca do futuro que prometeis para nós.

Contai com todos os cavacos mercadológicos para no-lo assegurarem.
A todo o custo.

O sangue é um osso do ofício.
Correcção: o sangue dos outros é um osso do ofício.
As mãos, com mestrado tirado nas melhores universidades internacionais, estão preparadas para lidar com os o brilhantismo dos açougues e e dos carniceiros.


Ah! Tal sistema e tais processos não são sustentáveis.
A corrupção é um beco, pois que se come por dentro, enrolada nas trapalhadas que cria.
Aceleremos isso, não pactuando com ela, ou infiltrando-nos nela e explodindo-nos, kamikaziamente, com ela.

Mas continua a ser tarde...
Somos os palermas de antanho.


sábado, julho 20, 2013

Crónica de uma morte anunciada*: cidade de Detroit declara bancarrota




A cidade que é considerada o berço da indústria automóvel norte-americana, e que foi fundada há mais de 300 anos, não consegue sair do poço de dívidas em que tem vindo a afundar-se e, por isso, pediu protecção judicial ao abrigo do capítulo 9 do código de falências, que só se aplica às entidades municipais.

Em 2009, a Administração Obama ajudou financeiramente a salvar dois dos grandes nomes da indústria automóvel de Detroit, a General Motors e a Chrysler. Mas desta vez, a Casa Branca não pôs dinheiro à disposição do município para tentar inverter uma situação financeira cuja gravidade fica patente no défice orçamental anual de 100 milhões de dólares. (sublinhado meu)

(ler mais aqui e aqui; imagem daqui)


(*frase roubada a Gabriel García Márquez)

terça-feira, julho 16, 2013

Contra a Terra Queimada

The spectres scratch on window-slits, 
the hollowed faces and mindless grins 
are only intent on destroying what they've lost. 

"A Plague of Lighthouse-keepers" (SHM), Peter Hammill 

Diz-de da política da terra queimada como da doutrina do choque capitalista: arrasar tudo.
Há quem prediga Portugal a renascer da destruição: há que alimentar não a ele, mas a ela! 

Os mercenários quotidianos, caseiros e foráneos, do capital estão sempre lá, nos bastidores, pois criaram e mantêm, com a nossa cumplicidade, a economia do desperdício e da destruição para dela serem reis e senhores e amestrarem e produzirem, assim, os seus inferiores. 

Há uma cadeira afogada num rio que não é um rio. 
E ninguém vai lá sentar-se. 
Mesmo sem sofrer de rouquidão ou padecer de afonia. 
Será do frio? 

E a água que não é bem água, umas vezes tem peixinhos a querer crescer, outras leva-os, mortos, sem saberem bem o que foi que os matou. 

A saúde de uma cidade pode ver-se pela saúde das suas águas, o desenvolvimento de uma sociedade pela protecção e pelo respeito que confere aos mais velhos e o progresso duma economia aferir-se pelo grau de igualdade entre os rendimentos. 
Mas tudo isso é outra história. Na qual, nos dizem, que não podemos tocar: é inevitavelzinho. 

A política da terra queimada é para ficarmos a sorrir, já sem razão nenhuma, para os destroços que ficarão, se formos nós os assassinos incendiários e destruidores. 
Já que tudo se perdeu, para ninguém mais ficará, diz a inveja depredadora que tudo pretende esterilizar pelo caminho. Deixando para trás caminhos todos por recomeçar. 

E é com tal cinza em pedra que nos vamos confrontando pelos recantos dum país ainda com tanto encanto para cantar. A terra despida, a terra despojada de solo, sulcada e ferida, arrasada pelas chuvas tão úteis mas tão inutilizáveis. Sem estrutura, nada fica. 

Foi para combater isso que o Movimento Terra Queimada surgiu. 
Precisa das mãos de todos os que quiserem ajudar na batalha.





No âmbito de um concurso europeu, o projecto Semear a Vida em Sítios Desertificados aguarda pelo nosso apoio. Neste momento faltam 34 dias para votar os dez melhores e - adivinhem - a proposta deste movimento de Vila Nova de Gaia encontra-se em primeiro lugar. 
Será muito bom - e é bem simples - se tal posição se mantiver. 
Basta votar! 

Neste preciso momento, o Movimento Terra Queimada está a procurar voluntários para vigilância e prevenção de fogos florestais e outros danos na Serra da Freita (distrito de Aveiro), no tão pouco conhecido, pleno de potencialidades, e tão mal protegido Geoparque de Arouca (as parideiras e a Frecha da Mizarela e tal... mas há muito mais neste espaço fantástico!)

Será durante a época de Verão. 
Voluntários precisam-se! 

O Movimento Terra Queimada está no Feicebuque e espera pelo vosso contacto. 
Quem estiver interessado em ajudar no que diz respeito a todos, pode fazê-lo inscrevendo-se aqui

Bem-haja a movimentos como este, apaixonantes e congregadores de fogos criativos e boas energias. Renováveis.
O Georden associa-se-lhe e cá viremos depois dar-vos as nossas impressões da acção.

domingo, julho 14, 2013

No problema está a solução: em quase todos os casos, basta inverter os processos que o originam

 (sim, está em Inglês)

Os espaços que nos estão vedados são privados: de outro modo as pessoas tomariam conta deles. Para uma qualquer actividade. 
Foi para isto que os bancos e as empresas nos roubaram a terra? Para nos matarem com o vazio, com a inutilidade gritante à nossa frente?


Mudar os esquemas calcinados do pensamento:

- Não receias que te roubem a comida?
- Claro que não!! É para isso que ela está na rua!


Enquanto não mudarmos o uso do solo - e recuperarmos o solo - não mudaremos o mundo. Pois foi isso que as empresas fizeram para torná-lo na porcaria em que ele está.

Em cada engano se esconde a verdade e é, aliás, só através dele que ela pode manifestar.

sexta-feira, julho 12, 2013

Ó Mái Góde (OMG - Organismos Manipulados Geneticamente)

Como congrega muitos crentes, os lóbis dos trangénicos já trataram de fazer a cabeça (para não empregarmos outro verbo) à Igreja Católica. Alega a santa instituição, a parte espiritual imperante do sistema materialista imperante, vejam lá, que as culturas transgénicas podem ajudar a acabar com a fome no mundo.
Ler mais aqui.

Contradição implícita, não na frase (e por isso, de bem estão com o seu argumentário), mas no que um mínimo de atenção nos demonstra: o que as empresas precisam é de lucro. E a julgar pelos dados que não param de nos conspurcar (a nós também) é de que o sistema está a funcionar muito bem (acumulação de capital nunca visto na História).

Se realmente quisessem acabar com a fome, já o teriam praticado.
Ao invés, os organismos geneticamente modificados são mais um teste, levado à escala global, e em humanos, para a erradicação dos "não economicamente viáveis", os "subalternos", os "desprotegidos, frágeis e pobrezinhos" do mundo, os "excluídos do bem-estar" dos países "desenvolvidos".

Não é que tanto se lhes dê que, durante os testes, morram milhares pelo mundo fora (desde que não morram onde está o poder que controla o mundo), em testes não controlados, forjados, com corrupção como prática efectiva ou regulamentar. O que se lhes dá é isso mesmo: que morram os que não têm direito a consumir mediante pagamento. A redução da população mundial está silenciosamente em curso. Pois os efeitos, sem poderem ser directamente associados, estão pulverizados pelo espaço e pelo tempo.

Vá, ainda abrem excepções para açambarcarem mais propriedade, corpos e almas pelo mundo que, coitado, não se regula pelos mais altos padrões de legalidade internacional (o dinheiro e o capitalismo).

Mas são os ratinhos de laboratório.
A terem tomado todos os recantos da Terra.

Gostava que analisassem connosco o seguinte gráfico
(quadro adaptado e traduzido por E. Soja e publicado originalmente aqui)
(clicai para aumentar)

Mesmo leigos em química, sabemos distinguir números. E os números são muito diferentes entre um milho manipulado e outro não manipulado geneticamente.

Este gráfico é gritante e o que nos espeta na cara é demasiado grave para passar despercebido.

Vede por exemplo o teor em cálcio (ai a osteoporosezinha que afecta os habitantes do mundo rico...), em sódio (ai a hipertensãozita que afecta os habitantes do mundo rico...), o ferro, o zinco, o cobre...

E vêde também a nota número 6, referente à presença de formaldeído (o milho GM tem, o milho normal não tem). O formaldeído é, se bem se lembram e puderam ver na trapaça gigante que foi a introdução do aspartamo nos alimentos processados (tudo porque vamos todos atrás dos produtos "light", sem açúcar...) (vêde este documentário e não passareis mais a olhar os produtos da prateleira com olhos tão desatentos)

Tirai as vossas conclusões.

Uma delas, que vamos nós tirar, é que a comer daquela porcaria andamos, nutricionalmente, a fingir que comemos. É o simulacro braudillardiano ou o fingimento de vida débordiano na sua base: a alimentação.

Sobre a Capacidade de Troca Catiónica, podemos ler mais, por exemplo, aqui, mas parece-nos (alguém pode ajudar-nos?) que, aplicado à alimentação, tal CTC estará ligada à capacidade de absorção dos nutrientes por parte do organismo.

Andam, portanto, a mangar co' a tropa.

E concluímos, no final, que os Organismos Manipulados Geneticamente...
... somos nós.

quarta-feira, julho 10, 2013

Como dizia o outro: primeiro a minha mãe, depois a família...



Tribunal arquiva processo que pedia perda de mandato para Mesquita Machado. Em causa estava o facto de o presidente da Câmara de Braga ter aprovado a expropriação de prédios que foram da sua filha, para serem integrados na futura Pousada da Juventude.


(ler mais no arquivo)

[imagem]


domingo, julho 07, 2013

És a Economia, Estúpido!

Braga, exemplo multi-exemplar à sombra e a reboque de uma esquina predial
Foto de Edward Soja - 08.05.13

Ui, que tem estado um calor!
Úfia...!

Que estranho, há dias, terem decretado ("está decretado!") alerta laranja para 3 distritos do Continente.
E quais eram eles? Évora? Beja? Viseu?
Bragança? Sim, co...rrecto!!
E os outros dois?
Leiria...

Espera, Leiria?! Leiria porquê??
Sei lá!

e qual falta?

Braga!

Ah, sempre na mó de cima.
E com certeza que não é Braga todo o distrito. Por exemplo, Esposende não contribuirá muito.
Nem Barcelos.

Encaminhemo-nos para o centro do distrito. Sim, para o concelho-sede.
Como as fronteiras são arbitrárias e podem ser desconstruídas e analisadas e então percebidas - mais uma vez  - como arbitrárias, também certas intervenções e modos de "desenvolvimento" territorial produzem seus efeitos.

Mas para mais questões ide perguntar aos acólitos que temos sustentado e que têm sustentado os políticos do betão e do cimento, da construção porca, desordenada e miserável em altura, da rarefacção das árvores e dos espaços verdes dignos desse nome, da concessão aos privados e dos favores em cadeia, da trucidação e do esvaziamento do espaço público e de intervenção cívica e democrática. Na Polis.

Braga é excelente.
É bom viver em Braga, mas à medida que nos viramos para outras formas de ver o mundo e de nos apropriarmos dele, vamos verificando que não é isto que nos está a faltar.
O cidadão de Braga sofre.
Os popós de topo com vidro fechadinho no calor abrasador são o outro lado das pobres pessoas que têm de caminhar ao sol sem sombra nem clemência que alguns destinaram, por incúria, desplaneamento, cabeça-tontismo, estupidez, inépcia, corrupção, para nós, a cloaca dos seus apetites parcos em ética e respeito.

E, mal podendo, milhares (a cidade está silenciosa e deserta e alguém pode escrever o teu nome em qualquer parte, que o calor derretê-lo-á...) se desolocam em massa para a praia, tentando sobreviver.
É o comportamento animal, entendível, e, assim, facilmente previsível. E, então, controlável e provocável.

E é destas "racionalidades" comportamentais que se faz a economia da destruição.
Esperam os titeriteiros do capital que o nosso comportamento não sofra desvios. Tal como eles planearam com todo o amor e dedicação para nós.

E assim vamos, atropelando valores que (estão em planos distintos pois criámos um modelo de existir que, para permanecer, teve de ser criado à força e afastar-se do plano original) não se regem pelo mínimo denominador comum que é o lucro.

Olhai como o lucro na imagem se materializa: poupança de tempo, compactação do solo e perda do verde.

É preciso uma análise que nem é difícil, basta... ui... ter memória para termos capacidade de antecipação... e aprendermos com a história mil vezes, mal, repetida, para gáudio de alguns.
Que questione os valores pelos quais nos comportamos como nos comportamos.

E esta economia não é um deus.
Porque mesmo os deuses... és tu que os crias num momento de demissão de ti mesmo.

Tu és o que queres que a economia seja.
Certo, ela não muda toda só por tu mudares todo, mas muda o bocadinho que mudares. 
E é agora que muitas pessoas se manifestam contra a economia que ela está a mudar mais.
Não demos ainda os passos inteligentes que esta lucidez requer.
Mas estamos a recomeçar.

Deixa de ser estúpido: ou tens de mudar o caminho, ou tens (crítica mais profunda, crítica da estrutura) de mudar o destino. 
Sendo que, mudando o caminho, mudarás o destino ou o que lá irás encontrar.

Vê lá o que preferes: o paradigma da auto-estrada ou a sustentabilidade.

sexta-feira, julho 05, 2013

Os Anjos de Pureza

"- Quem foi o responsável por isto??
Quem é que o deixou entrar?
Vamos abrir um inquérito e iremos punir os culpados!
É tudo por agora.
Não haverá lugar a perguntas."


Imagem daqui

Assim falou, em conferência de imprensa, irado e furioso, inquiridor, acusador e inquisidor, o maior cego dos tempos calcinados.

O louco acabara de descobrir, coitado, acolitado e empalado, que deixaram entrar o sol na terra.


(Sim, claro, mas, obviamente, mais do que o habitual.
E sabemos do que estamos a falar...)

Ai o purista!!
Nem admite dúvidas.


(Ah, só para informar os caríssimos cegos de que os culpados irão ser punidos sem necessidade daquele inqueritozinho persecutório.)


O purismo é igual a nada: pois todas as concepções mentais separatistas acabarão a morrer na praia a debater-se entre os dualismos. Sejam os do corpo e da alma ou, primordial, o da forma e do conteúdo.

Mesmo assim, admitem, hipocritamente, quais pregadores da mortífera religião católica, que uma coisa nada tem que ver com a outra e que a independência é um facto.

Só à custa de muita propaganda é que lá chegam.

E se esta julgam necessária é já sinal de que tal ideia não decorre de cada um a descobrir.

Os sistemas fechados, física e geofisicamente, não ocorrem na Natureza. Há sempre algo que escapa, sempre algo que, mesmo que em quantidades diminutas, entra nele.

A água da Terra interage com a biosfera, ela própria tendo-a como constituinte.
E se tudo fosse fechado, sem intervenção do exterior, a luz nem sequer entrava, amigo de óculos escuros e bengala a dar a dar.


Imagina o teu ser, já que podes, antes de ser ser capaz de pensar. Pois seria isso o que serias se não interagisses com o meio, que - já nem vou falar de "ingerires" as coisinhas suculentas e sucurrápidas do meio - a luz não entrava, que o oxigénio não entrava, nem o dióxido de carbono saía...


Tu não existes, ó purista!
E eu aqui te denuncio de uma vez por todas!

As fronteiras são arbitrárias e existem apenas para não perdermos a consciência de que elas são transponíveis. E que é NECESSÁRIO que assim seja.

Para seres o que és e para sermos o que somos.

És um ideólogo quase perfeito da manipulação.
O tal da mão invisível.

Dos mercados.

Sem quaisquer intevencionismo - MANTENHAM OS ESTADOS FORA DA ECONOMIA! - assim gritou o senhor Friedman e seus sequazes petizes boys chicaganos a borrar o mundo.



Mas algo falhou, estúpido.

E não foi a economia.
Foste tu e a tua besta criada teoria.
A dita abertura, a ditadura dos mercados, da economia livre e todas as balelas que nos tens feito engolir, qual merda em vez de pão, desde a década de 50.

E vou passar a explicar-te porquê.


A economia não levou as coisas ao sítio, normalmente: apenas acelerou a transferência da riqueza para o poder. Não está na normalidade, económica ou o raio que a parta mais for, a insustentabilidade dos ciclos com becos ocultos, mas segurados, securitizados.


Imagem daqui


Essa seria a primeira explicação. Mas ainda não te chega, sei que não. 

Crente sou, a querer fazer ver o cego pior, o cego que não quer.
Mas alguém mais - tu nem me interessas, que nada és sem os que se te submetem - há-de ver as razões.


A tão propalada e defendida não intervenção do Estado, em nome da justiça e da liberdade - ECONÓMICA, claro, seu carecedor de definições, apto às manipulações nas omissões - :


a) "flexibilização" laboral [para despedir melhor, para pagar menos, para reduzir as férias, para impedir liberdade de associação, reivindicação (sim, quem reivindica também está a empurrar-se para a posição de submissão, pois mantém-se na situação de pedir...)... para tomar consciência de que as coisas são ordenadas e que, se assim são ordenadas, de outra forma o podem ser]


e (basicamente)


b) concessão dos serviços aos privados (dizes ser em nome da eficiência económica, mas sua besta, com ou sem ela eu já te descobri a careca!),


e tal inclui tudo o que diz respeito a todos


- a Saúde
- a Educação e o direito à diversidade de opiniões
- a Segurança Social
- a Habitação
- a alimentação
- a água
- os transportes públicos
- as estatísticas
- o DIREITO ao trabalho
- a manutenção dos espaços públicos
- a gestão dos parques florestais e reservas e recursos naturais (detesto o emprego da palavra "recursos", em "recursos naturais", pois faz depender o entendimento de os mesmos são para usarmos... ou que estão ao nosso serviço... económico, até, claro!)
- o poder de decidir sobre estes assuntos
...


Com o cerceamento exacerbado destes direitos, decorre

não o direito de fazer a guerra, que o monopólio, reparámos, está do teu lado, mas o direito de sofrer com ela...


A concessão é a delegação e esta é o princípio da não-representatividade, e, por sinédoque, do funcionamento sempre cambaleante da injustiça. Seja esta praticada em Capitalismocracia, em Comunismo, ou no que mais te apetecer chamar-lhes.


A concessão dos serviços de todos às empresas de alguns (sob as quais se escondem, vermes protegidos, os "accionistas") não é para garantir, necessariamente a sustentabilidade económica, mas - A RAZÃO ESTÁ MESMO À FRENTE DO NARIZ E É POR ISSO, A PROCURAR RESPOSTAS MAIS LONGE, QUE A NÃO VEMOS - para garantir - de imediato e na própria prática presente, sem esperar de resultados futuros - a transferência dos dinheiros públicos para o bolso dos privados.


O que distingue ambos os interesses, não queres perguntar?

É que um, simplesmente, zela pelo interesse da maioria e outro pelo interesse da minoria. Como não se podem confundir, ambos inventaram uma sua correspondente materialização: o lucro para eles, os danos para todos os outros.


O capitalismo é verme por natureza.

Por isso é que nunca deixará de ser injusto, de manter e amplificar as injustiças e as desigualdades.


Vêde bem, como Portugal é dos países onde a desigualdade económica mais tem crescido nos últimos anos.

O Junqueira explicava há dias, que, apesar da crise e da pobreza, os bilhetes dos festivais eram muito caros mas que isso se deve à capacidade para muitos poderem suportá-los, pois que a diferença de rendimentos assim lhos permite. E assim os grandes festivais vão parar às capitais, que são as capitais do capitalismo. Portanto, das maiores disparidades de rendimentos.


E, conclui, é por Portugal ser um país pobre (tratemos de redefinir que a riqueza ou pobreza de um país não é o valor da média dos rendimentos, mas a, respectivamente, menor ou maior desigualdade entre eles) que os festivais campeiam e estão cheios.

E que é por isso que tem tanto sucesso o Rock in Rio, festival exportado, mera coincidência?, de um dos países mais pobres (i.e. injustos) do mundo. O Brasil.

(Vêde como o sobrinho do Cavaco e a sua terratenente-pavilhão-atlanticizada privada empresa nos vai enojando até à exaustão com a publicidade ao maior cartaz de sempre do festival de Oeiras. É um privado a inundar a televisão e a rádio do Estado... são parasitas, como sempre foram e não PIDEm deixar de ser - está na sua natureza imperial).

Imagem daqui

O capitalismo é uma festa, mas a maior parte são convidados que não têm para onde ir, inebriados pelo espírito que não lhes resolve a pobreza, a eles, com a opulência ali escancarada à frente...


E é assim que podemos dizer que a promessa da mão invisível só resultou se este acelerar das desigualdades fosse o primeiro ou o único propalado benefício da desregulação e do esvaziamento dos Estados enquanto moderadores da economia.


Assim, sim. E a economia livre está a funcionar bem e bem de mais!

O problema (e já lá vou) é que isto equivale a dizer que economia livre é contrário de democracia.
Tal como, a par e passo, o desenvolvimento (tido como crescimento, para uns, e destruidor, para todos) é incompatível e contrário da ecologia.
Tal como, qual espelho, o exercício da democracia directa representa uma ameaça ao "normal" funcionamento depradatório e assassino dos mercados.
E é por isso que eles reagem quando algo os pode pôr em causa.
É a censura dos mercados.
Tão livre que ela é...!


Esta perversão deve-se, dizes, a que ainda não houve suficiente desregulação e privatização.

Por isso o pequeno deus caseiro Gaspar dizia que o pior erro era aquele que ainda não tinha cometido, mas que estava prestes a cometer. ("inevitavelzinho a dar c'um pau...") Porque a ideologia do mercado não permite desvios nem intromissões e se o caminho está errado então é porque tem de ser levado até às últimas consequências. Errado para todos os outros, certo para os iluminados da mão invisível. (Mão invisível? A quererem tanta desregulação??)


Mas esta foi a única perversão quiseste iluminar para nós.


Pois o tal purismo que defendes, tu e os teus mal paridos filhos, não deu prò torto só aí: a questão é que nunca o quiseste praticar.

Pois como os sistemas puros, fechados não existem, tu sempre fizeste o teu necessitar do que pretendias combater

- Para impores a ditadura dos mercados, precisaste, helás!, da ditadura militar. 

E o EXÉRCITO é, olha, olha... uma instituição do Estado.
Sim, tens resolvido esse assunto, cortando financiamentos à Defesa e profissionalizando as Forças Armadas, mas só porque começaste a criar mercenários privados. Acaba-se com um serviço estatal e os dividendos ficam todos do teu lado.


- Para garantires os seguros de saúde, as reformas para quem trabalhou e trabalha, criaste empresas e bancos de investimento, enquanto ias depauperando o sistema de segurança social. Mas só se o ESTADO, lá está permitisse que essas tuas empresas pudessem fazê-lo e, MAIS, te pagassem para o fazeres. De que pagamento falo eu então? Não te chega esse dinheiro de todos passar a estar nas tuas mãos??

Assim, acaba-se com um serviço estatal e os dividendos ficam todos do teu lado.


Para forneceres - só a quem pagar, e BEM (leia-se MUITO)! - água, habitação, saúde e alimentação às massas, à ralé, coisas que tu é que decides e classificas e produzes e instituis, crias empresas para o efeito. Delegadas, por despacho administrativo, local e nacional, nunca internacional, que este é o somatório dos grãos a grãos de areia daqui e dali. 

E, para acelerares este processo de transferência, destruíste esses bens enquanto não estivessem ao teu serviço.
Mais uma vez, deu-se a transferência dos dinheiros. Do público para ti.
Por um punhado de milhões.
Que por só estares nisto pelo dinheiro é que te distingue do público.
E assim dita a lei do mercado.
E assim, dita ela, acaba-se com os serviços estatais e os... DIVIDENDOS ficam todos do teu lado.

PERCEBESTE???
SEU ESTÚPIDO...


O Mercado só existe se o Estado existir.

Pois que ainda não acabaste com ele de vez para continuares a chupá-lo.
A nós.


Porque és de natureza injusta, não representativa, e a tua legitimidade nunca foi referendada...


(NÃO SE ABREM INQUÉRITOS, POIS SE SE ABRISSEM DESCOBRIRIAM A RESPOSTA...
E a resposta seria oficializada: NÃO TENDES LEGITIMIDADE PARA CONTINUARDES A EXISTIR E A "funcionar normalmente".)


... é que precisas do Estado: escondes-te atrás dele para fazeres o teu trabalho sujo que é EXISTIRES.

E queres, via propaganda mil vezes repetida, fazer-nos à tua imagem e semelhança, deus vil e estuporado!
Queres reproduzir o teu sistema de pensamento dentro de nós e por todos os países, terras, povos e sociedades.


O buraco financeiro dos países é uma forma anódina e antónima de falar do dinheiro que os privados sugaram aos Estados. Sim, bancos e empresas chupam tudo e depois vêm com reacções dos mercados e sermões de agências de notificação financeira para imporem o seu pagamento.

E os juros da dívida é para os manterem para sempre acorrentados e garantirem a sua sustentabilidade. Sim, a dos bancos, que as pessoas já não querem ter nada a ver com eles. 
Por isso apelam ao Estado, o Estado de que eles sempre dizem ter querido ver-se livres, para salvar a economia. Pois a economia, tal como ela está e existe, é A DELES

Imagem daqui

Para que o Estado apenas continue a transferir o dinheirinho e o poder para os privados. 

Que o capitalismo tem de crescer e crescer, indefinidamente, sem volta atrás e sem interferências. A ritmo constante, senão... crise!!!!

A crise é o estado permanente, nos que comem muito e nos que não comem ou comem mal (de menos e de mais), por isso, não nos venhas falar que o Capitalismo é o melhor sistema com excepção de todos os outros, seu encurralador NATO implacável que tudo esterilizas...

Se não és puro
se não podes ser puro,
se não consegues ser puro,
se não queres ser puro,
Só podes ser corrupto.
E é corrompendo que te exercitas.



Mas, olha, vê lá:

é que isto está tão mau, tão mau, tão desequilibrado, levaste a um agravamento tal das desigualdades, corrompeste as relações sociais de tal forma, fodeste de tal forma o Estado que, imagina tu, é o próprio ESTADO que está agora a ser posto em causa.


E as instabilidades nos Governos não são senão a antecâmara do que pode chegar a ti. São os Governos e os ESTADOS a linha da frente, a carne de canhão que te protege a rectaguarda enquanto tentas dar à sola.


Mas nós vamos cercar-te.

Tal como nos tens feito durante estas décadas todas.
E, lamento, mas também não vamos ter piedade de ti.