segunda-feira, maio 30, 2011

sexta-feira, maio 20, 2011

Retrato de Cidade na Cidade


Foto de Rogério Madeira, Cork (Irlanda), 13.05.2011.


+ info: m-city.org

quarta-feira, maio 11, 2011

Desculpe, importa-se de repetir?

"A África-do-Sul não era, de todo, o único país envolvido. Os detalhes da rede, que emergiam aos poucos, pareciam um diário de viagem errático.

Um fornecedor alemão tinha providenciado as bombas de vácuo.
Um intermediário em Espanha fornecera dois tornos especializados.
Um consultor suíço tinha viajado para a Malásia para produzir partes de centrifugadoras baseadas nos projectos paquistaneses que tinham tido origem na Holanda.
Um ex-responsável militar israelita, nascido na Hungria e a trabalhar na África-do-Sul, foi preso numa estância de ski em Aspen, Colorado, pelo seu papel no fornecimento ao Paquistão de interruptores de descarga eléctrica comandáveis, mecanismos que podem ser usados em detonadores de armas nucleares.
Um engenheiro britânico prepara os planos para a oficina mecânica líbia, criada para produzir componentes de centrifugadoras.
Fornos especiais foram comprados à Itália.
Conversores de frequência e outros aparelhos electrónicos haviam sido produzidos em oficinas turcas, usando componentes provenientes de outras partes da Europa.

No final, os investigadores da AIEA [Associação Internacional para a Energia Atómica] desenterrariam ligações a mais de 30 empresas em igual número de países."

"A Era da Mentira" (trad. de Carlos Santos), Mohamed Elbaradei,
Ed. Matéria Prima, 2011, p. 207

Nem me apetece fazer comentários...
Nem tampouco sei como classificar isto...

Umas breves notas, após a leitura deste recente livro:

Como no sistema-mundo, parecemos estar todos a cozinhar, com as nossas pequeninas, minúsculas acções, um monstro.
Seja ele chamado bomba atómica (este excerto foi retirado do capítulo sobre, como Elbaradei lhe chama, "O bazar nuclear de A. Q. Khan", um engenheiro que vende o seu trabalho a partir do Paquistão - um dos países com bomba atómica, a par da Coreia do Norte, Estados Unidos da América, Israel, Índia, França, Grã-Bretanha...), seja ele aquecimento global.
Isto é, todos, isolados e em rede, contribuímos, inconscientes ou não de todos os restantes elementos da rede, para uma soma que desconhecemos e que é maior que a soma das partes.
Uma espécie de inconsciente colectivo mundial.

- Ah, eu não tenho nada a ver com isso!... Eu só fabrico interruptores, vou lá saber em que é que eles são usados...!
| |
- Ah, em que é que eu contribuo para isso?... Eu só poluo / consumo / destruo um bocadinho..., vou lá levar com toda a responsabilidade (para alterar o meu mui nobre modus vivendi)...!


A outra nota é a que se prende com a repescagem do chamado "Equilíbrio do terror" que a aniquilação nuclear representa.
Está patente, na visão de Elbaradei, a quezília entre os que têm enriquecimento de urânio e os que o não têm. Sendo que os que o têm não querem que os que o não têm... tenham.

Com que direito? Qual é a superioridade moral?

Nenhuma. O Direito, quando entronca no negócio, de pouco serve. Comprovada na rede de interesses implacável e indetectável do exemplo acima.

Porque quando se trata de armas - para matar, que é isso que elas só sabem fazer... - os primeiros confiam na superioridade... da violência e do poder de a exercer.
De a exercer sobre aqueles que, não dispondo de igual força destruidora, a têm de acatar.

Com que direito?

O urânio existe na natureza.
O problema está na capacidade em enriquecê-lo, meios técnicos, materiais e humanos de que nem todos dispõem (uns têm, alguns dos que não têm, querem ter) e, depois - aqui é que realmente grave, e com isso ninguém se preocupa....- no facto de o material radioactivo (por exemplo, o principal componente das bombas atómicas, o Urânio 235, mas também outros, como o Tório, o Estrôncio, o Plutónio, o Césio...) passar a existir.

Se a algum país fosse pedido para armazenar lixo tóxico, ele aceitaria? Com que porta-voz? Representativo?

O factor disuasor da violência não pode ser baseado numa violência de igual dimensão.

A consequência é deste processo, inevitavelmente, um crescendo de violência: todos quererão dispor armas nucleares.

Mas a questão está a montante: o material radioactivo não é já, em si, existindo, um problema?

Este é o argumento que está antes da defesa da segurança da energia nuclear.
Não é a questão de haver sismos que provoquem fugas de radioactividade que está em análise.
A análise está antes. Porra.
A fonte dessa radioactividade já existe. Nesse caso, ampliada, aumentada, enriquecida.

Quem conseguir compreender este raciocínio...
Sei lá...
Cada vez menos sei fazer comentários...

sábado, maio 07, 2011

Mais um terrorista

(Com opção de legendas)


Sugerido por Magda Gama.

sexta-feira, maio 06, 2011

Das notícias que não interessam

"Depois do acidente nuclear de Fukushima, no Japão, a Comissão Europeia triplicou o nível máximo de radiações permitido nos alimentos. Já fizera o mesmo depois do desastre de Chernobyl, para evitar o caos no mercado alimentar."

Visão de 5.5.2011, p.18



Esta pequenina notícia, tão pequeniiiiina que ela é, não passará na televisão.
Esta informação é só isto: duas frases, apenas.
Nem mais, nem menos.

Da mesma forma que para não se atentar contra os direitos humanos de alguns povos ou pessoas basta não se lhes reconhecer esses direitos humanos, para continuarmos dentro da lei, basta alterar-se a lei.

O que preside a esta mudança?
Podermos continuar a violentar à vontade.
Que racionalidade desumana é esta?
Diz-me, Hanna Arendt.

Quem ganha com estas mudanças?
Os seres humanos?

Em nome dos mercados alimentares.
Em nome do dinheiro.

Cada vez mais que nunca, recusar esta violência.
Glocalizar, criar redes de proximidade.


"Ser sozinho não é sina
nem de rato de porão
Faz também soprar o vento
não esperes o tufão
Põe sementes do teu peito
nos bolsos do teu irmão."


As coisas que nos afectam a vida directamente não são lançadas como bombas atómicas: para funcionarem têm de ir penetrando, como agulhas, finíssimas, a que as nossas peles não possam oferecer resistência.

Depois, claro, vem a droga e tudo o mais que lhes quiserem meter.
Que quiserem meter em nós.
E aí, amigos, esqueçamos as boas intenções: já é tarde.

"Entretém-te, filho, entretém-te.
Eles decidem por ti.
Decidem tudo por ti."

Estamos a perder.
Todos.
Porque o povo, vencido, jamais será unido.
Porque o povo, dividido, continuará perdido.

quinta-feira, maio 05, 2011

Ensaio sobre a subversão necessária (Sobre lucidez)



Em verdade, uma acção destas é mais importante que o que pensamos.
Porque não pensamos.

Apropriarmo-nos do espaço público (mesmo que fabricado para servir o capital habitual... -o económico) implica investimento mas sempre lá acaba por causar danos.
E tão maiores são esses estragos se e quanto maior e numerosa essa apropriação.

É sobre esses estragos que vimos (tentando que comecemos a ver-) reflectir um bocadinho hoje.


1. - O sujeito

1.1 - A partilha

As experiências colectivas dão-lhes existência maior.
Simplesmente porque mais pessoas a viveram.
E, como somos e existimos em relação com os outros, somos mais vivos.

1.2 - A memória

A vivência colectiva cria sensações.
E as sensações vividas em conjunto, criam uma memória mais perdurável que a apenas baseada nos conceitos que se incorporam de fora para dentro.
As expressões do corpo, ouvidas ou vistas, vão no sentido contrário: de dentro para fora.

2. - O meio

O meio existe como um espaço apropriável.
Não tem emoções, não tem forças nem fraquezas.
As vibrações não são por ele causadas: absorve-as e retransmite-as.
Mas não é neutro: tem condicionantes.
Quem tem emoções e forças, quem as extrai e as sente, ou quem as porta, de uns para outros lados, são as pessoas.
As pessoas podem escolher ser neutras, simplesmente passando, distraídas do que estão a viver.
Ou podem escolher - se a isso se levarem ou forem levadas - não ser indiferentes: tropeçando, parando para escutar e observar. Para sentir e repercutir essas sensações em si mesmas e no que as rodeia.

Os espaços são seres inanimados aguardando a nossa animação (a nossa alma, portanto) e criatividade.
Os espaços são repositórios das nossas esperanças e aspirações de existência.
Os espaços são manifestações do poder de quem os faz, fez ou fará.
Também por isso não são neutros: transmitem e simbolizam poderes e valores.

Esta actividade estava marcada / agendada / prevista?
Foi pedida autorização? (Vêem-se baias de separação, no topo, junto às escadas...)
Se sim, a partir do momento em que se acharam no dever de a pedir, automaticamente se auto-censuraram no seu poder puro e independente.

Acaso as massas que vão ao futebol pedem permissão aos polícias para passar rumo aos estádios?
Depende por onde, sim.
E a simples presença da polícia - que vigia e, portanto, age com a força coerciva que entidades lhes atribuíram (temos de questionar essas entidades e temos de nos questionar, porque o poder passa sempre por o aceitarmos) - está já a condicionar a própria acção do ser livre, espontâneo.
Estão ao serviço de quem?

Contrastar com
(vulgo "igual Vs. diferente") :

Acaso aos automobilistas lhes é pedido que não atravessem as estradas que foram feitas para atravessar?
A quem pertencem as estradas? e a quem pertencem os automóveis?
A quem pertencem as vidas dos automobilistas?
Estão ao serviço de quem?


1+2=3

Esta interacção sujeito-meio, criativa, viva e alegre, é a mais-valia que não explora nem um, nem outro: está ao nosso serviço.
Não se paga, não se compra, não se vende.
E quem não paga, não se compra, não se vende.
O dinheiro não entra aqui: as relações são humanas, não comerciais.
As trocas são directas: as ficções não se interpõem entre nós.
Sabemos e sentimos com o que contamos e fazemos.

As manifestações públicas (sobretudo as artísticas) são doenças para quem as transmite e para quem a elas se expõe.
São doenças contra a saúde amesquinhante imperante.
Amesquinhante do ser humano e da sua capacidade para ser mais justo e fraterno para com o que o rodeia, para com os que o rodeiam.

A tónica desta subversão da normalidadezinha petrificante está simplesmente em quebrar, agora e sempre, o ciclo afastador de nós mesmos que é criado pelas maiores violências que afligem o homem:

a indiferença (e, portanto, o silêncio),
a desmemória (e, portanto, a desorientação),
a solidão (e, portanto, a distância),
a incompreensão (e, portanto, o medo).

Provocar é um acto de amor.
Provocar é contrário à morte e à não existência.
É uma saída do beco que somos sem o outro.
É uma explosão do beco que somos sem o centro (o coração).
Existir é existirem em nós e fazermo-nos existir nos outros.

Como as palavras são doenças humanamente transmissíveis, a memória e a vida estarão sempre contra os totalitarismos.
Totalitarismos, que, por desleixo, facilmente vamos semeando em nós e à nossa volta.

A praça só faz sentido se for pública.
Se for usada e apropriada - através das vivências, individual ou colectivamente - pelos nossos corpos vivos e activos.

A vida é, em si mesma e já, um manifesto.
Estejamos à sua altura e sejamos homens.


Porque,
afinal de contas...
não é isto a utopia (um espaço que erguemos acima e para além de nós mesmos)?

A Natureza é tão bonita, caramba!...

Conjunto Maria Albertina - "O Emigrante" (EP, data ignorada)


Uma equipa de geólogos estrangeiros estará no próximo sábado, em Valongo, para estudar vestígios de formações geológicas existentes na Serra de Santa Justa, datadas do período do Ordovícico – na escala de tempo geológico, corresponde à Era Paleozóica. Estas formações retratam geologicamente Valongo há 490 milhões de anos, altura em que o território era ainda parcialmente coberto por mar.

Segundo os especialistas participantes, “estas formações, visíveis sem recurso a escavação, são únicas no mundo, sendo por isso um testemunho fundamental para estudos realizados e teorias formadas acerca do assunto”.
Os investigadores, provenientes dos mais diversos países como Rússia, Austrália, China, EUA, República Checa, Reino Unido, Espanha, Dinamarca e França, estudarão formações geológicas existentes no território de Valongo, mais propriamente na Serra de Santa Justa e Pias.

Em vésperas do simpósio internacional que se realizará em Espanha, especialistas provenientes da Rússia, Austrália, China, EUA, República Checa, Reino Unido, Espanha, Dinamarca e França estarão então em Valongo, na Serra de Santa Justa.

Os vestígios do período Ordovícico – durante o qual ocorreu o apogeu das trilobites –, existentes na Serra de Santa Justa e Pias, têm suscitado o interesse dos especialistas nacionais e internacionais.

Em 1994, a Câmara Municipal de Valongo, em colaboração com o Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto decidiu arrancar como projecto do Parque Paleozóico de Valongo, dedicado à importância do património geológico existente na Serra de Santa Justa.


Notícia via CiênciaHoje