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domingo, junho 25, 2017

O Divórcio entre o Homem e a Natureza. Um exemplo.


Via Greensavers (que não citam a origem da imagem)

sexta-feira, janeiro 16, 2015

Sim, é mensurável


Confirma-se: o ano 2014 foi o mais quente desde que há registos meteorológicos, 1880. A notícia resulta de uma análise da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) e da Administração Nacional dos Oceanos e Atmosfera (NOAA).

Notícia daqui

Atentem que uma das regiões mais quentes no mapa coincide com a Sibéria, onde há muito metano a libertar-se para a atmosfera, agudizando o aquecimento global.

Será como um cometa, que vai acelerando, acelerando...

quarta-feira, julho 31, 2013

E se for já neste século?

À medida que aumentam os níveis de dióxido de carbono na atmosfera, a água do mar vê baixar o nível de ph. A extinção marinha está a preparar o terreno. 
E nós seremos a seguir. Se não for antes.




A extinção, prevê-se, será este século.

Ler mais (em Inglês) aqui.

domingo, julho 07, 2013

És a Economia, Estúpido!

Braga, exemplo multi-exemplar à sombra e a reboque de uma esquina predial
Foto de Edward Soja - 08.05.13

Ui, que tem estado um calor!
Úfia...!

Que estranho, há dias, terem decretado ("está decretado!") alerta laranja para 3 distritos do Continente.
E quais eram eles? Évora? Beja? Viseu?
Bragança? Sim, co...rrecto!!
E os outros dois?
Leiria...

Espera, Leiria?! Leiria porquê??
Sei lá!

e qual falta?

Braga!

Ah, sempre na mó de cima.
E com certeza que não é Braga todo o distrito. Por exemplo, Esposende não contribuirá muito.
Nem Barcelos.

Encaminhemo-nos para o centro do distrito. Sim, para o concelho-sede.
Como as fronteiras são arbitrárias e podem ser desconstruídas e analisadas e então percebidas - mais uma vez  - como arbitrárias, também certas intervenções e modos de "desenvolvimento" territorial produzem seus efeitos.

Mas para mais questões ide perguntar aos acólitos que temos sustentado e que têm sustentado os políticos do betão e do cimento, da construção porca, desordenada e miserável em altura, da rarefacção das árvores e dos espaços verdes dignos desse nome, da concessão aos privados e dos favores em cadeia, da trucidação e do esvaziamento do espaço público e de intervenção cívica e democrática. Na Polis.

Braga é excelente.
É bom viver em Braga, mas à medida que nos viramos para outras formas de ver o mundo e de nos apropriarmos dele, vamos verificando que não é isto que nos está a faltar.
O cidadão de Braga sofre.
Os popós de topo com vidro fechadinho no calor abrasador são o outro lado das pobres pessoas que têm de caminhar ao sol sem sombra nem clemência que alguns destinaram, por incúria, desplaneamento, cabeça-tontismo, estupidez, inépcia, corrupção, para nós, a cloaca dos seus apetites parcos em ética e respeito.

E, mal podendo, milhares (a cidade está silenciosa e deserta e alguém pode escrever o teu nome em qualquer parte, que o calor derretê-lo-á...) se desolocam em massa para a praia, tentando sobreviver.
É o comportamento animal, entendível, e, assim, facilmente previsível. E, então, controlável e provocável.

E é destas "racionalidades" comportamentais que se faz a economia da destruição.
Esperam os titeriteiros do capital que o nosso comportamento não sofra desvios. Tal como eles planearam com todo o amor e dedicação para nós.

E assim vamos, atropelando valores que (estão em planos distintos pois criámos um modelo de existir que, para permanecer, teve de ser criado à força e afastar-se do plano original) não se regem pelo mínimo denominador comum que é o lucro.

Olhai como o lucro na imagem se materializa: poupança de tempo, compactação do solo e perda do verde.

É preciso uma análise que nem é difícil, basta... ui... ter memória para termos capacidade de antecipação... e aprendermos com a história mil vezes, mal, repetida, para gáudio de alguns.
Que questione os valores pelos quais nos comportamos como nos comportamos.

E esta economia não é um deus.
Porque mesmo os deuses... és tu que os crias num momento de demissão de ti mesmo.

Tu és o que queres que a economia seja.
Certo, ela não muda toda só por tu mudares todo, mas muda o bocadinho que mudares. 
E é agora que muitas pessoas se manifestam contra a economia que ela está a mudar mais.
Não demos ainda os passos inteligentes que esta lucidez requer.
Mas estamos a recomeçar.

Deixa de ser estúpido: ou tens de mudar o caminho, ou tens (crítica mais profunda, crítica da estrutura) de mudar o destino. 
Sendo que, mudando o caminho, mudarás o destino ou o que lá irás encontrar.

Vê lá o que preferes: o paradigma da auto-estrada ou a sustentabilidade.

quarta-feira, junho 05, 2013

Não são prenúncios, senhor: são já a coisa propriamente dita.


Ao analisar a temperatura da superfície da terra, a NASA apurou que 2012 figura como o nono ano mais frio desde 1880. Os cientistas da NASA do Instituto Goddard para os Estudos Espaciais (IGEE) comparam a média global da temperatura de cada ano com a normal climatológica que vai de 1951 a 1980. O período de 30 anos permite uma base de análise a partir da qual se pode medir o aquecimento que a Terra tem sofrido devido ao aumento de concentração de gases com efeito de estufa. 2012 foi o nono ano mais frio mas os dez anos mais frios analisados pelo IGEE foram registados desde 1998, continuando a ter temperaturas bem acima da média das registadas durante o século XX.

As medições fazem-se desde 1880 pois foi a partir dessa data que passou a haver estações meteorológicas suficientemente distribuídos no mundo para apurar a temperatura global.


Vídeo e texto da Agência Nacional Norte-Americana


Ah, para quem reparou, hoje é Dia mundial do Ambiente, mais um dia a maltratá-lo.
Malgrat os esforços dos Davids que lutam pela calada contra os engenhos da destruição.

terça-feira, abril 09, 2013

Fafenses: somos todos Madeirenses! Terceirenses, Micaelenses, etc. etc.

Quando os erros não são pagos pelos que já se puseram a andar,

isso tem nomes: corrupção, prepotência, usurpação, desrespeito, abuso de poder, manipulação e outros procedimentos da mesma índole com que os nossos empreiteiros / autarcas / políticos / empresários sem escrúpulos e valores que não os do bolso e da bolsa aprenderam a viver, impunes.

Ordenamento do território desordenado, território vilipendiado, uma vítima é uma vítima a mais.




Para funcionar bem e fazer da prática um sistema, não basta haver corrupção nas altas instâncias que beneficiam com as infracções ao que a lei quer salvaguardar: é preciso que as bases alimentem e sustentem essa corrupção. Por exemplo, com a ignorância dos riscos, indo alimentar erros.
Depois sofrem as consequências.
Que de nada adiantará procurar culpados se o desastre já tiver destruído vidas.

Quereremos apanhá-los, nós, por entre os despojos e os detritos que deixaram para nós. Só para nós.

 Imagem do Jornal de Fafe




Imagem do Jornal Público

Importa em tudo o que tem carácter geográfico o que em si está implícito: o enquadramento. Por isso, a imagem do jornal Público é elucidativa do desnível a que as casas estão.

Isso é só a topografia. 
Que, para a força gravítica, é quase tudo.

Mas depois vem o historial daquelas terras: se eram dali, se resultaram de aterros, se eram só terras, se se encontravam solidificadas, se continham rocha-mãe...

Quanto ao clima, devemos sempre lembrar-nos que há uma quantidade de precipitação a que os sólidos passam a comportar-se como líquidos.
Esse comportamento pode ser coadjuvado pela topografia e pela composição.

Há ainda outros factores a ter em conta: 

- o impacto que o terreno estava a suportar (fundações das casas, peso por área...)

se o mesmo tinha alguma força que as contivesse face ao desnível (muro, paredão...).

- se o Plano de ordenamento vedava a construção, devido à classificação da área e face ao declive. Claro que não devia ser o caso, como já não é assim tão óbvio.

(nem vamos referir a vibração da circulação rodoviária, ou outra, pois se um terreno sofresse solifluxões assim por essa palha, seria como estarem os construtores a tentar erigir castelos na areia...)


Mas quando as coisas correm mal vamos então observar se as regras foram cumpridas, para perceber o que pode ter ajudado à destrutiva festa.
Ou seja, temos o proverbial e péssimo hábito de procurar depois o que devia ter sido salvaguardado no devido tempo e em sede própria.
Na altura das intervenções humanas no terreno e modificações da paisagem e  dos usos do solo.

É o pla-ne-a-men-to!, estúpido!

E assim vai o funcionamento dos países das cabeças pequeninas.

Talvez nos contraponham:

- Cabeças pequeninas, as deles, que os meus bolsos estão cheios.
E numa terra de burros, quem tem olho prò negócio é o rei da máfia.

Assim tem dito e escrito a lei, o corrupto-tipo imperante, cabeça-de-altifalante, propagandista-asfixiante, comprador-de-almas-alienante.

Não percamos a lucidez: a posterior solidariedade para com as vítimas ou os familiares das vítimas não é justiça.

domingo, março 10, 2013

Aquecimento central


O aquecimento global de origem humana nas últimas décadas é reconhecido pelos cientistas como uma evidência. Mas ao longo dos últimos 11 mil anos, a Terra ainda foi mais quente. É isto o que sugere um estudo pioneiro, que tentou fazer uma reconstituição mais consistente da temperatura global ao longo de milénios.

O estudo, publicado na revista Science, não deixa porém margem para optimismos: os termómetros estão hoje a um nível em que nunca estiveram em 75% de todo o Holoceno –  a época geológica que se estende desde a última glaciação e que corresponde ao auge da civilização humana – e podem chegar a 2100 ao maior nível de sempre nesse período.

(ler mais AQUI)

quarta-feira, setembro 19, 2012

O outro buraco...


 
O "outro" buraco...
 
não o orçamental, criado pelos corruptos salta-pocinhas,
não o dos nossos bolsos, o dos "endividados", assim nos acusam,
 
mas o buraco do ozono,
 
...o outro buraco, dizíamos, só regrediu, isto é, só se tornou menos... gigante... por um bocadinho.
 
Por um bocadinho de tempo e de espaço mensurável lá no alto, em suspensão...
 
A notícia é-nos dada pelo CiênciaHoje
 
As condições de temperatura e a magnitude das nuvens estratosféricas polares este ano indicam que o grau de perda da camada será menor do que em 2011 mas, provavelmente, maior do que em 2010”, diz a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em comunicado. O buraco sobre a Antárctica mede, actualmente, 19 milhões de quilómetros quadrados."
 
Isto é sol de pouco raiar.
Como se, paralelamente, metaforicamente - mas grave é-o, de certeza, bem mais - o saque continuasse e os corruptos, corrompíveis, corrompidores andassem, folgazões, de óculos escuros, a passear-se na nossa praça porca.
 
E isto - questão de consumo, produção e destruição - só talvez se tenha dado por um decréscimo de cada uma dessas coisas que tu e eu, como consumidores numa sociedade de consumo, consumista, consumida legitimamos, alimentamos,  mais ou menos, a cada dia que vamos vivendo, matando, morrendo.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Vomitivo, o Poder

Em Novembro do ano passado, o furacão Michelle açoitou as Caraíbas e assanhou-se com Cuba. Segundo Ben Wisner, do Instituto de Desenvolvimento da London School of Economics, o furacao que afectou quase 25 mil habitações, destruiu totalmente 2800, causou apenas cinco mortos entre a população cubana. O governo cubano evacuou 700 mil pessoas, 6,36% da sua população, em apenas 24 horas. As Forças Armadas Revolucionárias de Cuba foram para o sul da ilha ajudar a população, e fizeram-no. Não levaram ordens de disparar a matar para «manter a ordem».

Imagem via Wikipédia

Há uma semana, o furacão Katrina assolou o Estado do Louisiana e os mortos contam-se aos milhares. A maior parte são negros e latinos, e os seus corpos flutuam nas ruas inundadas de Nova Orleães, muito perto do Superdome, o gigantesco estádio que viria a servir de centro de refúgio e evacuação. O presidente Bush estava de férias. Condoleeza Rice comprava sapatos numa loja exclusiva para mulheres como ela.

Era uma tragédia previsível. No ano 2001, a revista Scientific American chamou a atenção para o estado lastimável dos diques que continham as águas do rio Mississipi, para a obsolescência dos sistemas de bombeamento em caso de inundação, para o crescimento sem controlo de habitações em zonas de alto risco e para a insuficiência das vias de evacuação. Nesse mesmo ano, a Agência Federal de Controlo de Emergências avisou o governo de que, a não serem tomadas medidas imediatas, um furacão traria consequências catastróficas para Nova Orleães. Os engenheiros militares dos Estados Unidos recomendaram a aprovação urgente de um orçamento de 27,1 milhões de dólares para reparar os diques. O governo de Bush aprovou-o, mas, na hora de enviar o dinheiro, decidiu desviar 80 por cento para solver as despesas da ocupação do Iraque, maiores a cada dia que passa. Assim se planificam as catástrofes imperiais. Assim se condenam centenas de milhares de pessoas a morrerem de sede, por falta de assistência médica, esmagadas debaixo dos escombros, afogadas debaixo das águas, ou devoradas pelos jacarés do Mississipi. Vomitivo.

As televisões do mundo inteiro mostravam náufragos em cima dos telhados das suas casas, alguns  deles - nunca faltam - mostrando a bandeira das riscas e estrelas que nem sequer lhes serviu de toalha. Vomitivo.

Quando o Estado nos abandona, quando a necessidade se impõe, quando a sede e a fome ameaçam de morte, o instinto de sobrevivência manda violar as leis que não servem. É legítimo saquear um supermercado se a ajuda não chega. E a governadora do Estado do Louisiana, Kathleen Blanco, em vez de acelerar a ajuda humanitária, armou com espingardas M16 três mil soldados da guarda estadual. «Sabem como disparar, estão mais do que desejosos por fazê-lo e espero que o façam.» As suas palavras fazem parte da história norte-americana. Essa mulher é uma republicana de pura cepa. Vomitivo.

E o preço do petróleo sobe e volta a subir. Alguns governos, entre eles o espanhol, decidem ajudar, não os Norte-Americanos, mas Rumsfeld, Dick Cheney, a Shell, a Texaco, a Halliburton, ao enviarem milhões de barris para que a minoria opulenta dos Estados Unidos não veja alterada a american way of life. Vomitivo.


Carne de blog (1), pp. 31-37, por Luís Sepúlveda, incluído em Crónicas do Sul (Ed. Asa, 2008).
Tradução de Henriques Tavares e Castro.


O artigo foi publicado originalmente aqui (em Castelhano, do Chile, claro está), a 4 de Setembro de 2005.

Hoje passam 7 anos que alguns ficaram com o Katrina nos ouvidos e demasiados com o seu desastre nos pulmões.

terça-feira, julho 31, 2012

Bate leve, levemente...

80% do território nacional está em seca severa ou extrema e a água armazenada nas bacias hidrográficas encontra-se abaixo do habitual, revela o último relatório de Acompanhamento e Avaliação dos Impactos da Seca.


 
Via Ondas 3




quinta-feira, junho 28, 2012

Braga, cidade a querer parar a vida

Entretanto, lá veio o considerado dia mais quente do ano (de uns abafados 37 graus, talvez) e um mini-exército de jardineiros a cumprir ordens superiores dos generais habituais retirou as flores que lá estavam nos canteiros do cimo da avenida da Liberty e lavrou a terrinha.
E nem vestígio de plantas ficaram na terra, de manhã preta e à tarde seca.

No dia seguinte, hoje mesmo, lá voltaram os ditosos senhores, exército de trabalhadores, cavadores e embelezadores a pôr... flores.

Ciclicamente se dá este estranho fenómeno de retirar o que uns meses se pôs.
Porque as pessoas precisam de comer e este arranjinho-empreitada mais foi, uma vez mais, muito bem feito.


Diziam embelezar a avenida e dar panorama até ao fundo (já falámos oportunamente disto aqui há uns tempos) mas o tunelzinho que dá passagem aos motores não será corrigido por plantas de maior porte que uns amores perfeitos sempre a morrer.

Queremos mais exemplos de não-sustentabilidade?
Se nos pormenores as coisas não funcionam duravelmente, que faria nas grandes se as implementassem com as adequadas propagandas e areias pròs olhos dos ceguinhos do costume...

Vamos fazendo estas obras de meia-tigela, cegas e cegadoras, que segam quaisquer hipóteses de contrariar a tendência para a desertificação.

Sim, sabemos que nas cidades se costuma dizer "Despovoamento", mas neste caso é mesmo de "Desertificação" que queremos falar. Pois, se ele fosse levantado, o betão ou alcatrão ou pedra, por baixo só há areia, não solo.
O solo tem estrutura. O solo é composto por matéria orgânica e ar.
Com a compactação e o sufoco, deixa de haver solo.
Por isso, areia, sem estrutura, mais facilmente se formam buracos inesperados. Normalmente, junto de condutas de água.

Contrariar a tendência do deserto em que se vai transformando o país não é  connosco.

Porque nós vivemos na cidade, afastados, e nem damos conta.
Porque a água continua a jorrar na torneira, portanto, "o que é que estás pra aí a dizer com isso da seca?"


...


E as obras em curso, que vão ganhando forma e feitiozinho, absorvem o erário público e reflectem o sol e o calor e aquecem-nos a valer.
A valer.

E nem uma nesga de sombra, nem uma aragem de humidade.
Porque esta cidade está há anos a saque dos betonizadores burgo-mestres.

quinta-feira, junho 21, 2012

Em breve iremos saber o que argumenta o vulcanólogo Franck Lavigne, da Universidade de Panthéon-Sorbonne, sobre o arrefecimento global por que passou a Terra ali pelo século XIII.

(Era eu ainda muito pequenino.)

A notícia vem dada pelo Ciência Hoje, aqui.

quarta-feira, abril 18, 2012

O borbulhar e a rã...



Dados da temperatura de 1880 a 2011

Extraído daqui

terça-feira, março 20, 2012

Já repararam como vai estar amanhã? (Viagem à memória a passar-se...)

Já repararam o que vai haver no céu amanhã?

Scorchio!!

Well, I'm in love with a weather girl
She brings sunshine into my world
I expect I won't have to cry
She's dropping clouds out of the sky...

"Weather Girl", Repórter Estrábico(CD Eurovisão, 2004)

A menina da meteorologia...

Quando apareceu a sociedadeindependentedecomunicação, o terceiro canal da têvê que não tardou a transformar numa realidade mais grosseira a epistolar canção dos Táxi ("TVWC" é o nome), havia meninas a apresentar o boletim meteorológico.

Davam a cara. Uma delas era a Cristina Möller (engraçadita, até, a moçoila...).

Depois, pouco tempo depois, surgiu uma televisão muito pouco católica (e nós com isso!...) onde pudemos aprender a pensar no que é ou deveria ser um boletim meteorológico. Era apresentado pelo amigo açoriano Anthímio de Azevedo e nele se mostravam imagens de satélite, com as nuvens sobre o escuro e uns pontinhos com cruzes que delimitavam ou apontavam o território nacional.

E ele explicava, com palavras e gestos, o que se ia passar, ou o que já tinha passado e acontecido e percebíamos bem melhor os habituais fenómenos atmosféricos pelos quais vamos regendo as nossas vidas e as nossas paupérrimas conversas com os conhecidos transeuntes que insistimos em desconhecer.

(Não muito mais tarde, o amigo açoriano dava a cara a uma conhecida marca de tintas, dizendo que eram boas para resistir à agressividade das chuvas químicas das cidades... ou seja, num simples anúncio ficávamos a pensar no porquê de as chuvas, nas cidades, serem agressivas...)

Na RTP, por essas alturas (meados de noventa, acho) lembro-me bem (porque se há coisas que ficam, também há coisas que queremos que fiquem), usaram dois temas do "Antarctica", do Vangelis, nomeadamente este e este, como som de fundo. Apenas uma voz ouvíamos falar e víamos uns quadros electrónicos com o tipo de céu que se previa. Vangelis, deixem-me dizê-lo, que sempre o vi como uma espécie de filósofo, ou então, mais correctamente dizendo, um psicólogo que perscruta a nossa mente e lhe reconhece as faltas. E também a estreita ligação à natureza de que parecem brotar muitas das melodias que compôs. Daí que a música encaixava muitíssimo bem.

Impressionante e marcante, e penso que arredado ficou dos boletins (e talvez não merecesse), foi o tema que se segue... (reparem quão entranhado está na memória de alguns... já lá vão uns bons anitos que isto foi registado...1977...):




Oxygene, Jean Michel Jarre


Observar a natureza faz pensar.

Já - na maior parte dos casos - observar as montras das lojas faz deixar de pensar... Já repararam?

Dantes davam os filmes que iam passar nos cinemas do país (ajudou-me a aprender a palavra "Nimas"...). Era uma longa lista que passava, de baixo pra cima, antes do jornal da noite. Antes de este ter sido transformado no veneno nosso de cada dia.

Dantes davam desenhos animados depois do dito jornal da noite. E ríamos com o Babalú, ou com a Tartaruga Touché ("En garde!...").

Dantes, mais pra trás no tempo, para preencher aquele bocadinho de tempo que faltava até começar tal programa, davam videoclips, sim, assim, soltos, de músicas. Lembro-me tanto da "Canção dos Sapos" (como lhe chamava; ou "We All Stand Together"), do McCartney (o McCartney sempre transportou aquele ar infantil que os Beatles tinham...) ou de algumas do então tão popular e sempre grande Júlio Pereira (como a "Celtibera"...) ou do Rão Kyao...

Já repararam como todas estas pausas para respirar foram suprimidas?...

Tempo passou a ser oportunidade de negócio.
E o Espaço, idem, aspas.
E o espaço/tempo televisivo era o cobiçado alvo dos tantos ossos a um cão. Que eras tu. Raivoso ou amestrado.

E tal como deixamos de ter tempos livres quando os usamos (por exemplo a pensar ou a preparar o trabalho), os vazios deixaram de existir: passaram a estar ocupados... com o VAZIO da publicidade interminável e omnipresente.

Porque a dada altura, alguém deverá ter considerado que as imagens de satélite eram demasiado complicadas de entender.

Mas isso foi já depois de terem retirado os meteorologistas do ecrã. (De facto, assim torna-se mesmo mais difícil...!) Ou seja, foi retirada a linguagem gestual, a expressão facial, e ficou só a voz. Ficámos sem saber quem falava.

Depois, - como ia a dizer - retiraram-nos as imagens de satélite e reduziram-nas a símbolos: nuvens com gotas a cair, escuras ou brancas, com um sol atrás delas, ou um sol com os raios a pingar, rectos.

Depois - tal como os telejornais importaram a tabloidização do Mirror ou do Sunday anglófonos e puseram os hiper-resumos a passar em rodapé (e acháveis mesmo que iam interromper as outras notícias para "apanhares" e "pensares" neles?!?...) - o estado do tempo passou a ser a cauda a abanar dos telejornais e tornou-se despiciendo haver um programa chamado "Boletim Meteorológico". E os símbolos caracterizadores do estado passaram a descurar as diferenças entre céu muito nublado e céu algo nublado...

Quase em suma...
... já repararam como este processo de empobrecimento da comunicação sobre um tema tão comum e comezinho (do dia-a-dia) foi acompanhando (e estimulando) a pauperização da reflexão?

Ignorar as causas das coisas é perdermos o material do pensamento. Até ao ponto em que não conseguirás pensar em nada sobre um assunto: faltam-te dados.

Sem futuro nem passado

Não se pode aferir
se nos estão a mentir
Se há mesmo novidade,
ou se é truque do mercado.
Não sabendo a verdade
do problema colocado
não se pode definir
a estratégia a seguir"

"O Fim da História", Mão Morta

O Novo Acordo Ortográfico (NAO) vai, em demasiados aspectos, neste mesmo sentido: suprime consoantes que fazem com que certas vogais sejam lidas abertas (e por isso é que dizemos as palavras como as dizemos...) e consoantes que nos fazem questionar o lá estarem (por causa da etimologia, isto é, faz-nos pensar na evolução da linguagem e na sua história...; e por causa da regra acima descrita)...

[Por conseguinte, lermos como abertas vogais que não são acentuadas é desrespeitarmos o NAO; do mesmo modo que lermos como fechadas vogais que deixaram de ser abertas pelas consoantes, suprimidas, é ridicularizarmos ainda mais o absurdo e o desmiolamento do NAO.]

Já repararam como o panorama está mais vazio de ideias e mais preenchido de porcarias e lixo e vozearias que nos levam sempre para a peçonhenta fossa dos jargões e linguajares económicos (e da escola de Chicago)?

(O NAO, como uma manifestação mais da vileza do tempo e da perfídia dos seus instituidores e líderes não eleitos, não podia deixar de acompanhar este processo de simplificação e reducionismo...).

Já repararam como estamos a perder muito mais facilmente a memória?

Já repararam como estamos a perder as raízes ao que nos dá sentido, ao contexto de sermos elementos vivos daqui e de agora?

Já repararam que os peixes mortos são levados pela corrente?

Já repararam que continuamos a cometer os mesmos erros depois de sabermos as consequências indesejáveis?

Estamos cada vez mais distanciados do que fazemos, do que sofremos, sofrendo sem cessar, abortando assim formas de saber o que fazemos e de perceber as relações entre umas coisas e as outras.

Grandes e divididos, perdidos da noção do conjunto, sem projectos comuns, ignoramos a magnitude acumulada das pequenas acções.

Já repararam como continuam "sem cometer crime (e ser presos) os que abatem árvores e reduzem a terra a areia"?

One more tree will fall how strong the growing vine.

Turn the earth to sand and still commit no crime.
How one thought will live provide the others die.

(One More Time To Live, Moody Blues, 1971)

Já repararam como o empobrecimento da linguagem empobrece o ser humano?

Já repararam como o afunilamento das visões esvazia a arte e aniquila a vida?
Já reparamos como vivemos sozinhos nas cidades?
Já repararam que a nossa memória de amanhã estará reduzida à miséria que estamos a praticar hoje?

Já repararam que Braga é das cidades com maiores amplitudes térmicas em Portugal? Porque será?

O que é a qualidade de vida, de habitação, de práticas quotidianas, de bem-estar mental e corporal?

O que é o acesso à luz solar e a espaços onde se pode respirar...?
Onde é que eu tenho o direito de não consumir?
O primeiro estudo climático aplicado ordenamento urbano (as coisas começam a religar-se...) tem na Figueira da Foz um exemplo a seguir.
Ler notícia no CiênciaHoje.

Pois...!

....Tragam essas análises para Braga!
Mas para ter consequências práticas!
Se não for para mudar alguma coisa - e quer-se para melhor -, a tão simples e senso-comunal observação desta cidade tem tanta validade como os estudos dos académicos...

sexta-feira, março 09, 2012

Ah-ah-ah.... é de morrer a rir...

"A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, revelou recentemente que não iria accionar ainda os fundos de emergência europeus para casos de seca, preferindo aguardar pelas chuvas."

Via
CiênciaHoje

quarta-feira, outubro 26, 2011

Para hoje há...



Mais previsões e ideias sobre os modelos usados em ESTOFEX.

terça-feira, outubro 18, 2011

Portugal - Sempre a superar marcas

Pelo que ouvi ontem de manhã (17.10.11), já não foi quinta-feira, dia 14.10.11, o dia com mais fogos este ano.


Foi anteontem, domingo, 16 de Outubro.

Olhemos para longe para não vermos o que se passa aos nossos pés.
Somos o particular, extensão do mundo e exemplo do que nele está a acontecer.

Alguém disse já que a crise ambiental vai apanhar-nos na pior altura: depauperados e nus.
Assim, nem tratamos da crise social e de valores - queimar todo o dinheiro e os seus produtores e aduladores num vulcão -, nem nos vamos resolvendo a mudar os nossos comportamentos e inacções.

Nem vamos precisar de guerras.
A fome e a destruição do ambiente à nossa volta causam muito mais mortes.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Um buraco na cabeça (lá dentro...)

Este ano, a camada de ozono sobre o Ártico ficou tão rarefeita que, pela primeira vez, se pode considerar um novo buraco, a juntar ao da Antártida. Na faixa dos 20 km de altitude, a perda do gás chegou aos 80%, garante um estudo publicado na revista Nature. Os culpados foram os ventos de alta altitude, que baixaram as temperaturas na estratosfera, durante vários meses. A camada de ozono protege a superfície da Terra de raios ultra-violeta - e, ao contrário do buraco da Antártida, que não tem uma população residente, o do Ártico deixa muita gente vulnerável.

Visão, 6.10.2011, p.85


1 - Com que então os culpados foram os ventos... Muito bem. Continuemos, então, a deixá-los ser, coitado...

2 - A nossa preocupação para com o buraco do ozono mede-se com a existência de seres humanos que podem sofrer com ele. ... Se nós pudéssemos, fazíamos uma permuta e colocávamos o buraco todo lá em baixo, então. Assim, já não deixaria ninguém vulnerável.


... Ah... mas que interesse tem isto tudo, quando, num canal de economia, 4 pessoas em torno de uma mesa discutem quanto vai custar a reconstrução da Líbia e do dinheirinho, vampiros, que poderão ganhar com isso?

terça-feira, abril 12, 2011

Menos estranho...

Imagem: NASA/MODIS Rapid Response Team [GSFC])


Tínhamo-lo referido aqui há uns dias e eis novamente o fenómeno, desta vez com a explicação para o que afectou tantos terráqueos que não souberam a quantas andaram...
(Imaginam-se as lentas, paulatinas e progressivas alterações que se avizinham a tirar do sério as formigas... tão inocentes que elas... somos...)


Basicamente aquela nuvem enorme que na fotografia de satélite bem se vê no Atlântico causou o calor abafado que se fez sentir na semana passada.


"Portugal foi atingido, na semana passada, por “um dos mais intensos”episódios de aerossóis do deserto do Sahara da última década, provocando um acentuado decréscimo da visibilidade e o agravamento da qualidade do ar."

Notícia via CiênciaHoje

quarta-feira, abril 06, 2011

Estranho...

Hoje foram batidos máximos de temperatura na Galiza (para a época). Valores nunca registados (Corunha, por exemplo) em toda a história (dos registos).

Uma massa de ar quente africano, apontam.

Estima-se que a camada de ozono está 40% mais fina que o normal e que este "buraco" que anda ali pelo Ártico "desça até às nossas latitudes.

Por isso, a recomendação é a de evitar a exposição solar.

(notícia, há poucos minutos, da TVG)

Quem andou pelo Norte e Centro litorais de Portugal sentiu o ar abafado e a temperatura alta.
No sul, as temperaturas foram mais "normais" (20º em Faro)...