Domingo, Novembro 15, 2009

Também virtualmente

Já tínhamos chamado à atenção para este assunto há cerca de dois meses atrás.
Estamos perante um caso de apropriação de espaço a que não podemos pôr cobro.
A que polícia ou tribunal vamos pedir para interceder?

Nas cidades, basta dar um tempo, se estivermos atentos, vemos como um mesmo espaço vai tendo diferentes usos. Isso acontece no âmbito, digamos, interno (em que a actividade é dentro do mesmo sector. E aqui o comércio será talvez o caso mais frequente) ou externo, em que uma actividade dá lugar a outra com a qual pouco ou nada tem a ver (o mais habitual, para estes casos, é vermos áreas de REN ou RAN a cederem sempre ao mesmo: cimento e betão).

No caso que aqui trazemos podemos invocar as teorias da conspiração, que têm por base o princípio básico de há um objectivo que é, como sempre foi e continuará a ser o dos poderes obscurantistas e anti-liberdade, o controlo do pensamento. O pensamento é feito daquilo que se sabe (sim, a frase é mesmo esta... vá, leia-a lá novamente: O pensamento é feito daquilo que se sabe). Daí livros como "1984", de George Orwell, ou "Farenheit 451", de Ray Bradbury, onde fica bem patente que "o conhecimento é subversivo".

Também a informação que vai contra os poderes dominantes e que querem esmagar todos os aspectos da nossa vida - os poderes totalitaristas como a música nos centros comerciais, que, onde quer que estejamos (até na casa-de-banho, onde gostamos de estar sossegados) infiltram o seu veneno - tende a ser substituído. Como uma peça avariada, um pensamento indesejado...

Também virtualmente os espaços são substituídos.
Os endereços, cujos registos supostamente deviam estar protegidos (por que autoridade? Se essa autoridade falha, que autoridade é essa?), são "roubados" e aquilo que pensávamos lá ir encontrar... já lá não está. O pior é que, em vez de nada lá estar, está outra coisa que em nada nos ajuda.

A vítima virtual é a PSL - Plataforma Sabor Livre.
As vítimas reais são aqueles que como nós, queremos divulgar e fazer respeitar os valores da sustentabilidade e da biodiversidade.


Sábado, Novembro 14, 2009

Sabor Livre - Novo passo

Decisão do Supremo Tribunal Administrativo contraria a EDP

As associações que integram a Plataforma Sabor Livre (PSL) recebem com optimismo a recente decisão do Supremo Tribunal Administrativo, que vai contra as pretensões da EDP. Esta tentou evitar a análise da providência cautelar apresentada pela PSL em relação à validade da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da construção da barragem do Baixo Sabor. O Tribunal veio agora recusar o recurso da EDP.

O referido tribunal analisou a Providência cautelar e o recurso da EDP, tendo concluído que à EDP não assiste razão. Como principal consequência, o Tribunal terá mesmo de se pronunciar sobre a validade da DIA. Recordamos que desde a instauração deste processo, antes do início das obras, os juristas da PSL apontaram a caducidade da DIA, o que obrigaria a novo estudo de impacte ambiental.

Por outro lado, apesar da decisão favorável à PSL, lamenta-se que a análise de um recurso a uma providência cautelar seja tão morosa, tendo tardado vários meses a Decisão, a qual aguardamos com expectativa. Entretanto, as obras no terreno continuam, consumando o facto antes do tribunal se pronunciar.

A PSL considera que, apesar de a EDP ter dado início às obras de construção da barragem, é ainda possível, através dos processos judiciais em curso e das diligências efectuadas junto das instâncias comunitárias, evitar a destruição dos habitats protegidos do Sítio de Importância Comunitária e Zona de Protecção Especial do Sabor.

Lisboa, 06 de Novembro de 2009


Plataforma Sabor Livre:
Associação Olho Vivo;
FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens);
GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente);
LPN (Liga para a Protecção da Natureza);
Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza)
SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves).

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Lisboa - Planos e Projectos

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Os tempos mudaram, dizem, mas a estrutura é a mesma

Dizem que os tempos mudaram.
Mas vamos ser lúcidos: a falência de um dos regimes ou sistemas económicos que dominaram o Século XX não é bem o mesmo que a falência das ideias que esse regime queria pôr em prática.

Aliás, se formos a ver bem, aquilo que criticamos, que é o capitalismo, entendido como a propriedade por (algumas) cabeças, continuou - não sei se haverá fuga, mas não somos fatalistas como os que o professam (Srs. Fukuyama e "Amayukuf", um pelo lado de que o Capitalismo é último estágio, o outro de que a sociedade sem classes atingiu a perfeição) - a prevalecer.

Vejamos bem: quem detém os meios usa-os em seu benefício. Ou, em casos mais altruístas, em benefício de terceiros, mas garantindo sempre a sustentabilidade dos mesmos e o princípio de que se mantenham nas mãos que isso assegurem.

Em tempos de boleias partilhadas (por crises energéticas, vulgo (quanto tempo demoraremos a mudar a associação?) crises do petróleo e de outros combustíveis fósseis ou finitos à escala humana, quem é aquele que irá sempre dar boleia ao colega sem não pedir o mesmo serviço ao fim de algum tempo?
Essa, a cobrança.

Os transportes públicos não são gratuitos. Mesmo que paguemos uma taxa, para uns quase insuportável, para outros insustentável ou irrisória (porque o real preço a pagar não é medido nos reais impactos que o seu uso tem), eles são usados como serviço que tenta manter-se. E além de se manter, de pagar aos que o fazem funcionar.
O princípio económico, sempre na base de tudo, a limitar-nos.

Queres, pagas!

E a maior fonte criadora de desigualdade reside nisto: é que a utilização dos meios por parte de quem não os detém, ao mesmo tempo que lhes faz ficar mais pobres - porque têm de continuar a pagar esse uso -, cerceia a possibilidade de os ter.
Nas leis da raridade e do trabalho necessário para se conseguir um meio produtivo (mesmo que só produza dinheiro, como no caso que já vamos referir), há muita gente a fazer subir os seus preços.

Só quem investe, dizem, poderá dispor de capital para adquirir, por exemplo, uma fábrica que produz um dado bem.

Um exemplo gritante de acumulação de capital (que se baseia na diferença entre os gastos e dos ganhos, e neste caso é maior) é a propriedade do espaço.
Nas nossas cidades, onde ele é escasso, os proprietários de um prédio pagam à Administração o espaço ocupado. As rendas e IMI's.

Há uma empresa, com um nome familiar, que apesar do esmagamento do cimento e do betão que nos atira para cima, consegue manter espaços vazios. É aí que reside o seu potencial.
Essa empresa é uma empresa de parqueamento de automóveis (e pequenas também as há, sob forma de garagens, por vezes decadentes, sem condições e que, descoberta a mina há muito escavada, nem para tal foi pensada) e não produz nada: a obra está feita, apenas gasta dinheiro com o pessoal e a manutenção do espaço.
O resto é dinheirinho a entrar nos bolsos dos seus detentores. É um meio que não é um recurso, pois não se esgota, não entra na categoria de ser ou não ser renovável.

Veja esta situação, com uma entrada só aparentemente absurda de grande espaço vazio, como a convidar "Entre, entre!", entre o espaço construído ali por trás do Tribunal de Braga. Uma empresa que também tem a cidade no nome e um senhor a rir-se, no alto da sua impunidade e na cadeira assim adquirida, a dizer que voltava a fazer tudo de novo.

Ao lado, há uma praça.
Qual a razão de ser das praças?
(Voltaremos a este assunto.)

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

"Remote Sensing with IDRISI Taiga: a Beginner´s Guide"

A GEOSFERA, em parceria com a Geocarto International Centre (Centro de recursos IDRISI em Hong Kong) está a promover a publicação "Remote Sensing wih IDRISI Taiga: a Beginner´s Guide", da autoria de Timothy Warner e David J. Campagna.

Esta é a publicação que faltava para todos os utilizadores do software IDRISI, composta por um conjunto de exemplos diversificados de técnicas de processamento digital de imagens e devidamente ilustrada. Este livro contém ainda um CD-ROM com dados utilizados nos exercícios que se apresentam.

O livro está disponível para encomenda no site da GEOSFERA (http://www.geosfera.pt/clark-labs/clark-labs-publicacoes.html), a partir do preenchimento da ficha de encomenda e o seu envio para o email geosfera.comercial@geosfera.pt.

Confira já em www.geosfera.pt!

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GEOSFERA Lda
Drawing the future in GIS
Rua General Ferreira Martins, nº10, 8ºA
1495-137 Algés (Portugal)
Tel. 00351 211502004

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Para quando vai ser?

Retirado de CiênciaHoje


Se no dia 08 de Agosto de 2010 ocorresse um sismo como o de 01 de Novembro de 1755, o efeito seria o de uma "grande calamidade" porque cerca de 76 por cento da população portuguesa habita no litoral.

O alerta é dado por um especialista em geologia costeira, área de estudo que se dedica, entre outras matérias, à análise de registos geológicos consequência de Tsunamis (onda de porto, na tradução literal do japonês) para perceber a distância temporal com que estes fenómenos acontecem e as suas consequências.

O "Registo Geológico de Tsunamis em Portugal" foi o tema da conferência que hoje decorreu no auditório do Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, e que faz parte de um ciclo intitulado "O Mar nas Veias - História, Ciência, Surf", que decorre todos os sábados desde 31 de Outubro até 14 de Novembro.

De acordo com César Andrade, a vantagem de estudar os registos geológicos está sobretudo na "janela de oportunidade" que se abre para aumentar a dimensão de tempo "da informação de base que é necessária para calcular, por exemplo, intervalos de retorno de eventos extremos".


César Andrade
César Andrade
Tal como explicou este especialista do Departamento de Geologia e Centro de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, os registos documentais "podem recuar para trás no tempo alguns séculos", os registos instrumentais "obviamente são mais curtos", enquanto os registos geológicos recuam no tempo "alguns milhares de anos".

"Isto permite-nos, se formos capazes de identificar nesse registo os sedimentos que correspondem a antigas inundações motivadas por Tsunamis, constituir uma boa base de dados que depois podemos utilizar para retirar alguma informação quantitativa sobre essas inundações, que por sua vez será útil para adaptação ao risco ou para efeitos de protecção civil", explicou à Lusa César Andrade.
Impossível prever

Sublinhou que "não é possível prever um sismo ou qualquer catástrofe natural", mas é possível calcular o risco de retoma e é provável que nos próximos 3 mil anos ocorra um sismo e um tsunami com a dimensão daquele que ocorreu em Portugal no século XVIII.


"São acontecimentos muito espaçados no tempo, o que, para uma pessoa mais distraída pode resultar numa falsa sensação de segurança, mas não deve estar porque isto são estatísticas de distribuição médias e nada impede que dois acontecimentos se sucedam num intervalo de tempo muito curto", sustentou.

Razões para alarme que aumentam quando, actualmente, um terço da orla costeira de Portugal Continental está "irremediavelmente ocupada", seja por portos, habitação, turismo ou industria, e mais de três quartos (3/4) da população habita em permanência na costa.


É por isso que este especialista não tem dúvidas em afirmar que se o evento de 1755 ocorresse a 08 de Agosto de 2010 (data escolhida por ser um pico de ocupação costeira por causa do período de Verão), ocorreria uma "grande calamidade".

"Fundamentalmente pelo elevadíssimo número de pessoas que estarão a ocupar as praias, obviamente porque dentro da faixa costeira é a região mais exposta a um acontecimento desta natureza", explicou.

Graças ao estudo do registo geológico, disse ainda César Andrade, é possivel saber que houve ocorrência de tsunamis na costa portuguesa nos anos 60 a.C., 380 d.C, em 1531, em Lisboa, em 1722, em Tavira e em 1755, em Lisboa.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

1959... em 2009... Parece-me actual...

Resolução da Assembleia da República n.º 96/2009. D.R. n.º 217, Série I de 2009-11-09

Assembleia da República

Aprova, para adesão, o Tratado para a Antártida, adoptado em Washington em 1 de Dezembro de 1959


Decreto do Presidente da República n.º 107/2009. D.R. n.º 217, Série I de 2009-11-09

Presidência da República

Ratifica o Tratado para a Antártida, adoptado em Washington em 1 de Dezembro de 1959

Sábado, Novembro 07, 2009

SuperMap Deskpro 6

A GEOSFERA Lda. informa toda a comunidade que utiliza as tecnologias de informação geográfica, que o SuperMap Deskpro 6 (nova versão) já está disponível. Para informações mais detalhadas sobre as principais inovações, consulte o documento em anexo.


Para testar as novas funcionalidades do programa como versão de avaliação, poderá fazer a transferência do software SIG SuperMap Deskpro 6 e do Gestor de Licença (License Manager) a partir da secção de software SuperMap da página da GEOSFERA (http://www.geosfera.pt/supermap/supermap-produtos.html). Preencha a ficha de requisição de licença e envie para geosfera.comercial@geosfera.pt para lhe atribuirmos uma licença "trial" do software SuperMap Deskpro 6.


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Bruno Pires (Delegado Comercial)
GEOSFERA Lda
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Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Portal das Energias Alternativas

Clique para entrar

Se quiserem saber um pouco mais sobre energias alternativas sugerimos a consulta do Portal das Energias Alternativas.
É um espaço que concilia a agradável imagem gráfica com a boa organização da extensa e variada informação que disponibiliza: para além de nos dar uma resposta técnica sobre o que são energias alternativas, responde-nos também alguns mitos sobre energia e propõe várias formas como podemos poupar energia.
É sem dúvida alguma, um espaço cibernético de passagem obrigatória!

Visão Urgente

Na edição desta quinta-feira, dia 5 de Novembro, a revista Visão apresenta-nos muitas e muitas páginas para devorar e saber mais sobre a sustentabilidade no planeta.

Ver vídeo ilustrativo sobre esta edição.

Por outro lado, a página da revista fornece-nos um Guia com 25 ideias para poupar o Ambiente.


Abordando ideias, factos (população, cidades, energia, clima, habitação e arquitectura, transportes, consumo, reciclagem, ordenamento, um estudo sobre a cidade de Lisboa... tudo recorrendo a importantes textos, fotografias, gráficos, sondagens) e bons exemplos que nos enchem de esperança e nos dão força para lutarmos pela causa.
A causa para a qual temos, NECESSARIAMENTE, de dirigir os nossos esforços.
E quanto mais tempo passa, mais esforços.

Não costumamos fazer publicidade, mas aconselhamos aos nossos leitores que a leiam.
É o que faremos.
A mudança do mundo começa na nossa cabeça.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Curso Integrado de QGIS/GRASS

A Faunalia.pt organiza mais uma acção de formação em SIG Open Source:

Curso Integrado de QGIS/GRASS - software SIG Open Source
13, 14, 20 e 21 de Novembro de 2009 - Lisboa (centro).

Última semana para inscrições!

Clique para aumentar


Programa e outras informações no seguinte link:



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Para permitir um acesso mais generalizado à formação, a FAUNALIA
decidiu instituir uma política de preços nas suas acções de formação,
com descontos de 40% para estudantes e desempregados.

Confira o regulamento de inscrição e descontos em:



-
Vânia Neves
Faunalia.pt
Sistemas de Informação Geográfica Open Source
Portugal

Email & Jabber: vania.neves@faunalia.pt
PGP Key available
Tel. + 351 93 932 01 04

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

"Los domingos siempre son días tristes..."*

No domingo de 27 de Setembro passado, o tempo não esteve especialmente chuvoso. Isso até podia ser um bom prenúncio para os resultados da abstenção. Mas pronto, o défice democrático, que não se mede só em pessoas que deviam ter ido e não foram meter o boletim, é o que é.
Os resultados foram o que foram e - vamos admiti-lo - somos os votantes que somos.

Se a Democracia, o sistema democrático que temos, digo, nos permite eleger os nossos representantes políticos (elegermos os económicos é que era bom...), concluamos que os representantes que temos são a representatividade que quisemos, dentro da que pudemos, ter.

Os domingos de eleições, não importa de que lado se esteja, são sempre dias tristes.
No fim do dia, uns, porque ganharam, fazem a festa, outros, porque quase ganharam, fazem a festa também.
Até a abstenção faz a festa, porque a cada legislatura que passa vai tendo mais apoiantes.
Desta vez 40 % dos votantes, não tendo ido votar, votaram no PA (Partido da Abstenção), contra os cerca de 35 % de 2005.

Os resultados do dia 27 de Setembro de 2009, convém tê-los bem presentes para o que aqui se pretende, foram os seguintes (e apenas mostramos as 6 primeiras forças):


Não vamos, se bem que podíamos... e devíamos, fazer uma análise territorial dos resultados. Ou seja, tentar compreender onde se vota em quem, como quem quer arranjar bodes expiatórios e poder apontar os dedos da vergonha ou da satisfação.
Até porque, por vezes, é preconceituoso estar a associar certo tipo de rótulos a este ou àquele partido ou movimento. (Mesmo que se sinta carência, e muita, de frescura de ideias e de processos que possam levá-las avante.)

O que importa reter é que:
36,55 % da população que votou foi, no acto da votação (sabemos como isto é flutuante; mesmo sabendo de antemão que não valeria esperar pelos resultados se tudo fosse igual, sabemos também que os partidos mais votados têm vindo a alternar-se no poder para incredulidade e desmemória deste povo que, por esta, abortando aquela, continua a teimar em chamar a isto Eleições Democráticas. As eleições democráticas até vão sendo, muito do seu exercício por aqueles que nos supostamente nos representam é que nem tanto...), partidossocialista (não quisemos chamar-lhes socialistas, pois isso é outra coisa),
29,11 % da população que votou, foi, no acto da votação, partidossocialdemocratista (este nome é bem mais engravatado que o dos rosas, antes punhos: até tem democrata no nome, logo só pode ser melhor...)
10,43 % ... (blá, blá) foi centrodireitassocialistapopularista,
9,82 %, blocoesquerdista,
etc., etc.


Nas escolas (aqui um corte abrupto) ensinam-se muitas coisas às nossas crianças. Há tanta gente a escrever para as crianças aprenderem os valores da democracia, do respeito pelo ambiente, da segurança na estrada, os valores da amizade, do não-bufismo e do não-copo-de-leitismo, os valores humanistas que, caso não as obrigássemos a deitá-los fora, com os nossos mesquinhos status quo instituídos e calcinados, fariam deste um povo melhor.
Os resultados eleitorais seriam, com certeza, diferentes, mas até podiam ser semelhantes: o empenho e a abertura mental, que não se traduzem necessariamente em dígitos mas mais em actos, seriam bem maiores.

As crianças têm personalidade. Até jurídica. Mas quem manda nelas são os professores e outros que elas nem sequer vêem na sua sala de aulas. São tuteladas.

Seria bom fazer um inquérito à população escolar do 1º Ciclo sobre as suas preferências partidárias. Como seriam os resultados? Pela representatividade, os estatísticos diriam que "não andariam muito longe dos resultados das últimas eleições".
Mas - continuando a desenvolver esta questão absurda - será que a maioria se absteria de votar, de se pôr do lado deste ou daquele partido ou movimento?

A partir de que idade uma criança tem consciência suficiente, sentido da história esboçado e visão do mundo necessária para optar por este ou por aquele partido, movimento ou ideias?

Não, não: a questão é da maior importância para o que se pretende.

Falando em termos de clubes (claro, neste país, pensa-se logo em clubes de futebol...), que direito tem, quem quer que seja, mesmo sendo pais (há quem trate os filhos como alguns vão tratando o Estado: usam-no como uma propriedade, decidem o que fazer com ela, até a vendem se preciso for), de, aos 0,1 anos de idade da criança, ir "matriculá-la" ou torná-la sócia deste ou daquele clube?
Que direito?
Falando em termos de Catolicismo, que direito têm os pais de baptizar os filhos?
Mas aqui se calhar já estamos a enveredar por fundamentalismo...


O INE, nos Recenseamentos Gerais da População, questiona-nos, em cada decénio, sobre a religião. Mas só o faz à população residente com 12 ou mais anos.

Deixá-los crescer e, quando eles bem entenderem, se assim o entenderem, eles que decidam por si. Vivemos em Democracia, não vivemos? Então apliquemos esse valor também aí.
Que ninguém tenha a arrogância de defender que, como em relação aos aterros sanitários e às auto-estradas, "Democracia, sim senhor, mas no meu quintal não!" (na minha família não!). Se assim se verificar, então a herança fascista ou outro "ista" que não democrática está de pedra e cal por aí, em algumas famílias ou zonas deste país.

Depois, claro, dependendo do grau de "mesmismo" que se reproduz na sociedade e reproduz as estruturas sociais, lá iremos ter tais e tais resultados eleitorais, tais e tais ideias a governar os nossos pensamentos e actos
Como aquela senhora, entrevistada para o efeito e seleccionada para um efeito, que disse que achava mal, porque era católica.
E quem não é católico, não achará bem?


A Democracia é a coexistência das diferenças, mas o exercício da Democracia é pugnar por que essas diferenças não destruam a Democracia.
Isto é, permitindo a diferença e até a oposição, a Democracia não é neutra.
A Democracia defende valores democráticos, não os impõe.
A Democracia nem, tampouco, impõe as diferenças de ideias. Permite-as.
Esta distinção é fundamental. E só os valores humanistas e democráticos no-la podem ensinar


A confusão de valores dá sempre numa salgalhada em que todos discutem e ninguém come o pão.
A polémica que nos trouxe aqui não tem muito que se lhe diga. Aliás, parece-nos uma perda de tempo.
Nesta altura da nossa Democracia
(o que, afinal, nos leva a duvidar da sua real idade...)
andamos ainda a aprender o bê-a-bá do republicanismo?


A Constituição da IIIa República, aprovada em 1976, regula a matéria como "direito, liberdade e garantia", no seu artigo 41º que prescreve:

« 1. A liberdade de consciência, religião e culto é inviolável.

« 2. Ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa das suas convicções ou prática religiosa.

« 3. As Igrejas e comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.
(...)


Caso seja possível o diálogo, eis aqui a ideia inviolável:
Defendemos a liberdade de credo.
E com isso defendemos, claro e também, a liberdade.


É claro que a população portuguesa professa inquestionável e maioritariamente - aqui e agora - o Catolicismo. Mas esses números não contam para nada, porque estamos a falar do valor que vigora, da separação das esferas num espaço que é público.
Não venham cá com a tradição, nem com falácias bolas-de-neve.


Imagem original, da Igreja de Santa Eulália (em Tenões, Braga) retirada da Wikipédia.
Intromissão da esfera política na esfera religiosa por Eduardo F.


Acham chocante, anti-religioso até, retirar os crucifixos das escolas?
Ai é?

Então, façam o favor de,
em 36,55 % das Igrejas de Portugal colocar a rosa dos partidossocialistas,
em 29,11 % (blá, blá) colocar o setinha dos partidossocialdemocratistas,
em 10,43 % ... (blá, blá) colocar as setinhas e a bolinha dos centrodireitassocialistapopularistas,
etc., etc.

...

Não.
Isto é estúpido.

Mas é tão triste estarmos a deter-nos nisto.
Como são tão tristes estes monólogos domingueiros (do "dia do senhor")...


*Alusão ao primeiro verso de "Los Domingos", do asturiano Víctor Manuel.

"O Fundo da Linha"

“O oceano profundo é o maior ecossistema do planeta, porém, continua amplamente inexplorado. Quanto mais desvendamos os seus mistérios, mais descobrimos o quão único este mundo estranho realmente é. Longe de ser uma simples planície árida, o fundo do mar alberga habitats e formas de vida complexos.”





"Sigourney Weaver apoia este vídeo que alerta para a ameaça da pesca industrial a grande profundidade e insta os governos de todo o mundo a adoptar medidas concretas e urgentes que defendam a vida marinha nas profundezas dos oceanos.

Em Novembro deste ano a Assembleia Geral das Nações Unidas vai voltar a abordar este tema e vai decidir os próximos passos relativamente à implementação da resolução 61/105. Esta resolução pede a tomada de medidas imediatas que administrem os stocks de peixe de maneira sustentável e que protejam os ecossistemas marinhos vulneráveis de práticas de pesca destrutivas.

É urgente alertar a comunidade para a importância de proteger estes ecossistemas ameaçados antes das reuniões da AGNU.

Em Portugal a Greenpeace está a pedir aos grandes supermercados que dêem o exemplo assumindo as suas responsabilidades e deixando de comercializar espécies de profundidade. Estas empresas têm o dever de garantir aos seus consumidores a sustentabilidade de todo o peixe que comercializam e de não encorajar a destruição do fundo dos oceanos.

Desde o dia 16 de Outubro que a Greenpeace está na estrada para sensibilizar consumidores para as ameaças que os ecossistemas vulneráveis em alto mar enfrentam e para pressionar os retalhistas a tomar a liderança parando de comercializar espécies de peixe de profundidade.

Na Greenpeace acreditamos que este vídeo é uma boa oportunidade para divulgar as ameaças que os ecossistemas das águas profundas enfrentam e encorajar os portugueses a assinar a petição aos supermercados. Por isso estamos a pedir que divulguem o vídeo e a petição junto dos vossos contactos; que o coloquem nos vossos blogues ou sites, que o partilhem em redes sociais como o Facebook ou o Twitter e que o publiquem em fóruns."



+ info

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Ajudemo-nos a proteger os oceanos

A Greenpeace Portugal está a levar a cabo uma campanha de sensibilização e de angariação de assinaturas contra a comercialização de espécies de peixe de profundidade.

A quem vai ela dirigida?
Primeiro: aos grandes distribuidores de produtos de pesca (vulgo hipermercados, vendedores sem dor) mas também aos pequenos retalhistas que temos espalhados pelo país e que, sem grandes meios de escape, alimentam o sistema destruidor, indo abastecer-se àqueles.

Mas... Primeiro?

É aqui que entramos nós.
Esta campanha vai dirigida, sobretudo, a nós, os consumidores.
Não há que enganar, apenas ainda não o percebemos (QUÃO CEGOS NOS FAZEM...) :

O sistema económico capitalista baseia-se, como em tantos aspectos da vida, no simples princípio da recompensa: se um produto vende, parte do esforço (dinheiro) é investido para que ele volte ao lugar onde é vendido.

Não nos iludamos:
NÓS É QUE TEMOS O PODER!
NÓS, OS CONSUMIDORES.
(ACONTECE QUE AINDA NÃO O USÁMOS.)

Por isso, no seguimento de campanhas de sensibilização, que só com a força, o empenho comprometido e a persistência de todos poderá trazer resultados, importa manter a consciência e estar alerta.

Esta questão não é, tal como não devia ser (mas é), como depois de ir enfiar o boletim na urna e, pronto, já está: eles que decidam por nós, que agora é com eles, foi para isso que fizemos a Revolução e tal...

NÃO.
Aprendermos o que se passa implica não mais o esquecermos.
Tê-lo presente no acto de consumir.
Estarmos atentos.
Face à inexistência de informação em contrário, em caso de dúvida... RECUSARMOS FAZER PARTE.
Não alimentarmos mais esta cadeia de destruição.
Quebrar o ciclo da insustentabilidade...


Vamos pensar mais à frente?


Uma imagem sugestiva:
O leitor está a ver o campo de futebol ali ao lado?
Imagine-o coberto de árvores. Consegue?
Agora imagine uma moto-serra com uma lâmina a toda a largura, a passar de uma baliza à outra.
Se essa imagem lhe dói, como se sentiria se a multiplicássemos por 5000?


Pois...


Uma só viagem de um grande barco de pesca industrial a fazer "varrimento" com redes do tamanho de um campo de futebol arrasa, assim, em questão de segundos, o que a Natureza levou séculos a criar.


Para trás, por sabemos lá quantos séculos, fica o vazio, a esterilidade da rocha nua e o fundo do oceano morto.

O fundo das coisas não é coisa pouca - é a base de tudo o que lhe está acima e que dele depende. A base da cadeia alimentar da vida marinha sem suporte.
Os oceanos são demasiado grandes para não terem relevância.


Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Círculo de Arte e Recreio - Os primeiros 70 anos


O C.A.R. - Círculo de Arte e Recreio completa este ano a viçosa idade de setenta anos.

Um espaço de cultura, valores humanistas e de confraternização que sempre bem acolheu os mentores do projecto Georden e ao qual prestamos a nossa homenagem. E continuaremos a visitá-lo e a dar-lhe força, que são as pessoas, as que lá estão e as que lá vão, que lhe dão sentido.


No entanto, "
o edifício tem vindo a degradar-se progressivamente e de uma forma muito rápida. Se não for uma intervenção global, temos de incidir já nalguns pontos mais degradados, mesmo pela segurança das pessoas que nos visitam. A prioridade reside, assim, na reconstrução do telhado."
(...)
"
Na óptica de Ricardo Araújo, [actual presidente], a reabilitação do edifício justifica-se, cada vez mais. Para além de reclamar segurança, o imóvel localiza-se na zona tampão da cidade; representa um valor patrimonial e histórico para Guimarães e serve de sede a uma instituição, igualmente carregada de valor histórico, que presta um elevado serviço em prol da comunidade."

in Povo de Guimarães, 30-10-2009, p.7

Vamos todos apoiar o Círculo.

Programação das comemorações do 70º aniversário do C.A.R no
Blogue do C.A.R.

Domingo, Novembro 01, 2009

Semana dos Artistas | 2 a 7 de Novembro | Faro

Clique para aumentar

2, 3 e 4 de Novembro o Colectivo Terminal Studios estará presente no espaço de Os Artistas, com mostras de banda desenhada, cartoon, caricatura e ilustração. Simultaneamente, também haverá mostras de artesanato contemporâneo...


mais info e programaçao completa em artistasfaro

Sábado, Outubro 31, 2009

II SASIG

Clique para aumentar

a) Programa das II Jornadas SASIG
b) Oradores convidados e formadores workshops
c) Informações úteis no site
d) Inscrições e descontos para estudantes

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a) Programa

foi publicado o programa das II Jornadas SASIG


está disponível também em formato PDF


A lista dos posters que serão expostos encontra-se na seguinte página


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b) Oradores convidados e formadores dos workshops

Foi preparada uma página com pequenas notas bibliográficas e fotografias
dos oradores convidados e dos formadores. Aquelas que estão em falta
serão acrescentadas nos próximos dias logo que disponíveis



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c) Informações úteis no site

Nas últimas horas o site das Jornadas foi actualizado e agora
encontram-se disponíveis algumas informações úteis para os
participantes, nomeadamente acerca da ligação wireless que estará
disponível nas Jornadas e acerca dos cafés e restaurantes aconselhados,
em particular para o almoço do dia 2 de Novembro


há novidades também nas páginas dos "eventos" com video e fotos da banda
musical que nos irá entreter durante o jantar oficial das Jornadas


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d) Inscrições e descontos para estudantes

As inscrições irão permanecer abertas até ao dia 30 de Outubro e com um
desconto de 50% para os estudantes, ou seja, 45 Euros sem workshops e 75
com workshops. Atenção que se aproxima a lotação completa dos workshops.

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Secretariado II SASIG:
Luisa Carvalho (AMDE)
Cristina Carriço (AMDE)

Telefone/Phone: 266 749 420
Fax: 266 749 425

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Com o apoio de:

Mais um pormenor, um pormenorzito... de geopolítica

"A Amnistia Internacional divulgou esta semana um relatório onde acusa Israel de monopolizar os recursos hídricos do Rio Jordão, racionando indevidamente o abastecimento de água aos palestinianos. Segundo o documento, os 450 mil colonos israelitas da Cisjordânia, por exemplo, consomem tanto ou mais água do que 2,3 milhões de palestinianos do território.
Em Gaza a situação é ainda pior pois os aquíferos estão esgotados."

De um pequeno artigo da Visão de ontem, 29 de Outubro, intitulado "As Guerras da Água", referente à situação que se vive em Israel e na Palestina. (p.78)

E perguntamo-nos: é necessário que povos de países, só por se dizerem desenvolvidos ou mais desenvolvidos, consumam mais que outros povos?
Como é que é possível, com um meio tão contrário (ou seja, onde a água não abunda) e com um factor a favor (população menor)?

Onde é que essa "obrigatoriedade" está escrita?
É óbvio que no plano do desenvolvimento sustentável (certo, não podemos sequer falar de sustentabilidade quando a situação é de pobreza), os países menos desenvolvidos estão bem mais evoluídos.
Claro, podemos contra-argumentar, se eles pudessem bem que consumiam mais. Talvez.
Mas... tem de ser assim?

Olharíamos para as necessidades, passe a redundância, realmente necessárias e só depois avaliaríamos.

Claro, com o desenvolvimento insustentável (que não tem sabido respeitar os limites do meio) logo crescem outras necessidades, ditas não básicas. É sobre essas que devemos reflectir.
Porque considerar o desenvolvimento que temos, construímos e queremos como fatalismo significa que, no fundo, não temos poder nenhum de o comandar.

Fatalismo é o beco sem saída que o meio, coitado, não é elástico e não cede às pressões, aproxima cada vez mais de nós.

Mas bem antes dessas questões tão básicas, das relações directas do Meio com o Homem, outros problemas nos entretêm. Desde há muito.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Para BTTistas e caminheiros

Um navegador GPS para os caminheiros

A empresa espanhola Outdoor Territory lançou Active 10, de Satmap, um GPS desenhado para actividades na natureza, tanto para os caminheiros amadores com para os mais rodados nos desportos de alta montanha e amantes de BTT. O navegador utiliza mapas em forma de cartão, que se introduzem numa ranhura. A cartografia é da editora Alpina e do Instituto Geográfico Espanhol (IGN). Assim sendo, o caminheiro pode planificar itinerário, marcando-o sobre o mapa, através duma página web, como também gravar percursos que faça e destacar os pontos que mais o tenham interessado. O GPS vende-se juntamente com um mapa Alpina de Ordesa Monte Perdido, um mapa de toda Espanha (1/200000) do IGN e una correia para poder fixá-lo na bicicleta, entre os accessórios. O preço é de 399 euros. IVA incluído.*

(* - Preço em Espanha)

El Periódico, Barcelona 24/10/2009, p. 52

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Tigres podem extinguir-se dentro de 20 anos

"Eh lá! Se calhar... olha, 20 anos é dentro do meu tempo de vida..."

Sábado, Outubro 24, 2009

Projecto inovador estuda novas formas da ocupação do território

"A dispersão existe, embora não tenha sido planeada e haja poucos teóricos do urbanismo que a defendam."


Interessante artigo, para ler aqui.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Isto faz de nós personagens?

Por todas as cidades é frequente encontrar uma ou outra placa toponímica homenageando escritores portugueses, uns porque aí nasceram, outros porque aí habitaram. Mas nunca o homenageado foi o próprio livro. E isso encontra-se em Pombal, ao longo de vinte e seis ruas, numa pequena biblioteca com vinte e seis livros. Imagine, caro leitor, o que é dizer aos seus amigos, quando lhes indica a sua morada, que vive na Rua das Gaivotas em Terra, referência ao primeiro romance de David Mourão-Ferreira, ou então no Beco d’Os Gatos, obra de Fialho de Almeida. Certamente ficarão estupefactos e lhe perguntarão, desconfiados, se é mesmo verdade. Pode acreditar. Mas ainda há mais. Por exemplo, a Rua d’A Musa em Férias, de Guerra Junqueiro, a Rua d’Os Adoradores do Sol, de Fernando Namora ou a Rua do Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente. Uma verdadeira biblioteca de obras portuguesas se acha pelas ruas da cidade de Pombal, no centro do país.


Tudo aconteceu em 1996, quando em reunião de Câmara, a 4 de Outubro, o Município de Pombal deliberou as denominações toponímicas a atribuir para algumas ruas da cidade de Pombal e da Charneca, privilegiando os livros em si e não directamente os seus autores. Este será talvez o melhor elogio que alguma vez se realizou em Portugal em prol da nossa literatura. Seguramente será também uma boa promoção do livro e da leitura, tão importante nos dias da iliteracia de hoje. Quantos dos seus moradores não se terão já questionado sobre aquele livro que designa a rua onde habita e não terão partido à sua descoberta.


Não querendo pecar por míngua ou omissão, prefiro correr o risco de ser fastidioso mas deixar registado em letra redonda os livros que se podem passear por Pombal. Assim, encontramos, além das referidas, a Rua d’O Fidalgo Aprendiz (D. Francisco Manuel de Melo); a Rua d’Os Lusíadas (Luís Vaz de Camões); a Rua da Cartilha Maternal (João de Deus); a Rua Só (António Nobre); a Rua dos Emigrantes (Ferreira de Castro); a Rua d’O Monge de Cister (Alexandre Herculano); a Rua Menina e Moça (Bernardim Ribeiro). Na Urbanização da Bela Vista: Rua da Mensagem (Fernando Pessoa); Rua d’A Morgadinha dos Canaviais (Júlio Dinis). Na Urbanização de São Cristovão: Rua d’O Primo Basílio (Eça de Queiroz); Rua d’A Sibila (Agustina Bessa-Luís); Rua do Leal Conselheiro (D. Duarte); Rua d’A Sobrinha do Marquês (Almeida Garrett); Rua da Estrela Polar (Vergílio Ferreira). Na Urbanização da Senhora de Belém: Rua da Peregrinação (Fernão Mendes Pinto); Rua do Memorial do Convento (José Saramago); Rua d’Este Livro Que Vos Deixo (António Aleixo); Rua do Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco); Rua do Orfeu Rebelde (Miguel Torga); Rua das Décadas da Ásia (João de Barros). E por fim, na Charneca, nada mais a propósito do que a Rua da Charneca em Flor (Florbela Espanca). Só mais um pequeno conselho, caro leitor. Antes de iniciar o seu passeio à descoberta da nossa literatura, vá munido de um sápido lanche. Procure pelas bandas do Largo do Cardal pelas queijadas da Ti Maria Rata ou pelos Cardalinhos, verdadeiros ex libris da doçaria pombalense. Vai ver que o passeio lhe sabe pela vida.

Paulo Moreiras
Escritor

Retirado do blogue da revista Ler

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Vivências urbanas e ortografia em Braga



O pardal está de volta...

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

O que é ser central?

Já contactei com várias pessoas a quem não dá jeito (entenda-se, ou entendo, a quem fica fora de mão) ir ao centro da cidade.

Ora, o que quererá isto dizer?


Vamos contextualizar.

Vias de comunicação

Em termos de circulação rodoviária, Braga está servida por uma circular onde, por dia, passam milhares de automóveis.
Essa circular, que, como todas, tem por objectivo permitir bons acessos aos lugares onde as coisas se passam (entenda-se, neste caso, serviços, bancos, o comércio retalhista... situados nas freguesias que se confundem com a cidade: Maximinos, Cividade, Sé, São João do Souto, São Vicente, São Victor... estão todas?), apresenta - talvez necessariamente - duas partes mais complicadas, uma em cada lado da cidade:
- por um lado, onde entronca com o tráfego que vem da zona da estação de caminhos de ferro;
- por outro, onde o trânsito é obrigado a abrandar (grandes fluxos), na recta que abrange Lamaçães e São Victor.

Fora desta circular, e mais dentro do burgo, Braga tem dois eixos que rasgam, em cruz, a matriz construída de um lado ao outro:
- por um lado, podemos considerar a Av. da Liberdade (e a ela podíamos equiparar a Av. 31 de Janeiro, sua paralela)
- por outro, a linha que junta Av. João XXI (a oeste daquela) e Av. Imaculada Conceição (a este).

A estes dois conjuntos de estradas podemos acrescentar duas zonas particulares, tão próximas da cidade como já à sua saída (aqueles não-lugares, com a circulação como uso principal ):
- um que fica na direcção de Vila Verde, em que as filas são bem problemáticas mas onde ainda vão tendo espaço... para se avolumarem;
- outra, em direcção a Gualtar (e ao campus de Gualtar da Universidade do Minho), que geram também acrescidos fluxo de automóveis.

Todas as manhãs e todos os fins de tarde, por volta das horas habituais dos movimentos pendulares (entrada e saída do trabalho) é o mesmo frenesim, o mesmo ruído que nos retira qualidade ambiental, sonora e atmosférica, e que nos rouba anos de vida.

A situação é, claro, mais grave nas zonas de maior concentração habitacional e, por coincidência, onde a construção é vertical. Isso ocorre sobretudo na parte este da circular. Só no vale de Lamaçães há filas de prédios em toda a recta. A parte oeste referida está mais afastada de habitações (via desnivelada).

Quanto aos eixos centrais, por mais antigos, as habitações são, em maior medida, moradias ou prédios baixos (dois ou três pisos). A 31 de Janeiro é um bom exemplo disto. Encontram-se também antigas indústrias e armazéns, uma escola... que acabam por ocupar o espaço e funcionar como zona-tampão ou fina barreira para os prédios mais próximos.

Este breve esboço vai ao encontro da imagem da expansão do espaço construído ao longo das estradas, algumas vezes em forma de estrela (não neste caso), com as ramificações que convergem para o suposto centro (funcional) ou para o centro (histórico) da cidade.



Serviços, comércio retalhista, habitação.

Como podemos caracterizar o tipo de ocupação daquelas freguesias?
Bancos, agências de seguros, cafés, quiosques, livrarias e papelarias, mercearias, os mais antigos centros comerciais (alguns completamente desvitalizados e/ou decrépitos - seria interessante averiguarmos os porquês dessa situação), pequenos "supermercados", retrosarias, talhos, lojas de roupa (atraem muitos jovens às ruas do Souto ou dos Capelistas, por exemplo)... além das muitas igrejas, dos museus, de hospitais, centros de saúde, escolas e outras instituições ou repartições públicas...

Sim, ainda há muita gente a viver bem no centro e a tal ajudam os prédios da Av. da Liberdade e suas intersecções imediatas. Os espaços verdes e de recreio são diminutos. Não houve tempo para pensar nisso. No entanto, as zonas de protecção e certas antiguidades controlam a densidade e, ainda assim, arriscamos dizê-lo, há alguma qualidade de vida ambiental.

O problema quanto à habitação é que - e isto não é próprio da capital de distrito - os serviços e o comércio "fashion" e "good-lookin" tendem a ocupar todos os pisos térreos enquanto vamos vendo os prédios degradar-se. Basta caminhar pela zona da Câmara Municipal, pelo Jardim de Santa Bárbara, pela zona da Sé, pela Rua dos Chãos, pela Rua de S. Vicente... tudo a ficar abandonado, castanho, empoeirado e sem vida.

São políticas e valores, prioridades de investimento.
Braga está sempre em obras. Aliás, as cidades portuguesas parecem estar sempre em obras. Seja por prédios que caem, seja calcetar ruas, para criar jardins (quando), ou para restauro ou reabilitação de prédios (quando, e vai havendo algumas intervenções nesse sentido... mas insuficientes para desacelerar o definhamento e a morte por dentro que vai corroendo a cidade)...


Em jeito de conclusão


Temos então o central histórico a ficar despido de pessoas. E as pessoas a residirem mais à margem desse centro. E com a deslocação da razão de ser do razão de ser das cidades, o grande comércio, com maiores hipóteses de expansão, e já pensado para isso, sofreu um arrastamento para partes mais recentes e mais laterais. Ou seja, o centro atractivo (o consumo das massas) marginalizou-se.

Lojas de telemóveis, perfumarias, ginásios, cafés, bancos também lá nasceram. Obviamente as grandes cadeias de roupa, os hipermercados, típicos destes "subúrbios interiores".
A perder e presas ao "centro histórico" ficaram os tradicionais cafés (nas praças e espaços abertos, com estátuas ou pontos de referência, que os "novos centros" não estão a ver nascer junto de si) e as pequenas mercearias.

O que atrai ainda as pessoas ao "centro histórico"?
A necessidade de andar a pé em espaços menos ofegantes?
A inevitabilidade das repartições públicas?

Por outro lado, o que impede as pessoas de a ele acederem?
Uso abusivo do automóvel para deslocações? (Numa cidade tão pequena como Braga?)
Falta de tempo?
Falta de espaço (outra vez a primeira pergunta... espaço onde deixar o carrinho...)?

Centralidades que se vão desenvolvendo à margem da nossa reflexão.
Núcleos que se vão multiplicando, invisíveis, como bolhas de tinta.
Quando rebentam salpicam o que está à volta.

Fica confuso e feio o quadro?
Que diria o barcelonês e "ortogonal" Joan Miró sobre estas pinturas que por cá vamos criando?
Nada sonhadas, pois não, amigo?


Nota: os pormenores (duas primeiras imagens) e a montagem (nossa; terceira imagem) foram obtidos da obra que serve de capa ao disco "Cançons de la Roda del Temps", de Raimon, da autoria de Joan Miró.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Emissões de CO2 diminuíram 3% em 2009

Um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE), apresentado hoje em Banguecoque, revela que a crise mundial teve efeitos benéficos no meio ambiente, uma vez que provocou uma diminuição nas emissões de dióxido de carbono em três por cento durante o ano de 2009.

A redução da actividade industrial verificada desde Setembro de 2008, altura em que a recessão económica começou a ganhar forma, é apresentada como a principal causa da contracção mundial de emissões.
Esta descida é a mais significativa dos últimos 40 anos, visto que até ao momento tinha havido um aumento de três por cento, por ano, precisou Fatih Birol, economista-chefe da AIE.

Além disso, o relatório declara que um quarto desta diminuição é resultado das políticas públicas para a redução das emissões poluentes, nomeadamente as que foram lançadas nos EUA, as medidas de estímulo à eficiência energética na China e a meta da União Europeia em baixar as suas emissões até 20 por cento em 2020.

A última queda dos níveis de CO2 (1,3%) tinha sido registada em 1981, no contexto da recessão económica motivada pela crise do petróleo.

Via CiênciaHoje


Lá está: quando as coisas boas não decorrem do nosso esforço isso só pode continuar a saber a fracasso. O fim atingido é o mesmo a atingir, mas os meios do nosso empenho são ainda insuficientes para se fazerem sentir, para terem impacto. O que pode significar que, retirado o factor temporário do decréscimo de consumo de combustíveis fósseis, os mesmos meios continuarão a resultar na desgraça que temos tido: o aumento da concentração de gases nocivos para a atmosfera e suas consequências no desequilíbrio biótico de várias regiões do planeta.

Há muitas coisas que estão a mudar.
Há ainda muitas coisas mais a mudar.

Áreas Protegidas Privadas

Portaria n.º 1181/2009. D.R. n.º 194, Série I de 2009-10-07

Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional

Estabelece o processo de candidatura e reconhecimento de áreas protegidas privadas

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Nationalism? Nazionalismus? Radicalismo dos verdes? E porque não... um bocadinho mais de sustentabilidade?

Domingo, Outubro 04, 2009

Geopolítica é zelar pelos interesses fora de portas

Já tínhamos trazido este assunto aqui há uns tempos atrás.
A situação não se alterou. Nem parece que se vá alterar...

Mais um pormenor de como funcionam estas coisas da geopolítica mundial é-nos dado pelo sucinto "estrato" (retirado da última Visão 1-10-2009, p.92):


Suu Kyi Aceita Diálogo

Os EUA vão tentar dialogar com a Junta Militar e, talvez, reforçar a ajuda humanitária e aliviar as sanções à antiga Birmânia. A oposicionista Aung Suu Kyi - que amanhã, 2, conhece a decisão do recurso sobre o prolongamento da sua prisão domiciliária - apoia a estratégia americana, desde que a oposição seja incluída no diálogo.


1- Como li há dias já não sei onde, dizia-se que a Democracia só funciona se houver um líder. O que pressupõe, sempre, regras e convenções a que todos se devem submeter ou que todos devem aceitar.
A capacidade, o poder de dialogar com criminosos significa uma coisa muito simples: que quem dialoga tem também poder. Talvez mais. Isso torna-os criminosos também?

2- Por conseguinte, as sanções são uma dessas expressões de um poder maior, imposto a outro poder.

3 - Que curioso, os EUA vão "talvez, reforçar a ajuda humanitária". Na outra notícia (clique aqui, se não clicou lá em cima) chamávamos à atenção para o pormenor de financiar a mesma Junta Militar com armas. E agora vão, "talvez, reforçar a ajuda humanitária". Que curioso.

Última nota: é tão curiosa e tão bem orquestrada esta forma de fazer política que até a prrópria a vítima está de acordo.
- Ou seja, podeis continuar a financiar os militares que me mantêm na prisão... "desde que a oposição seja incluída no novo diálogo".


Esqueçam esta parvoíce, que não nos leva a lado nenhum.


Imagem retirada daqui.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Regime aplicável às contra-ordenações ambientais - alteração

Declaração de Rectificação n.º 70/2009. D.R. n.º 191, Série I de 2009-10-01

Assembleia da República

Rectifica a Lei n.º 89/2009, de 31 de Agosto, que procede à primeira alteração à Lei n.º 50/2006, de 29 de Agosto, que estabelece o regime aplicável às contra-ordenações ambientais, publicada no Diário da República, 1.ª série, n.º 168, de 31 de Agosto de 2009

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Já estamos a regressar?


Investigadores europeus afirmam que, desde 1997, houve um pequeno acréscimo da camada do ozono. Esta convicção resultou da análise de dados atmosféricos obtidos ao longo de mais de uma década pelos satélites ERS-2 e Envisat, da Agência Espacial Europeia, e do MetOp-A, da Organização Europeia de Satélites Meteorológicos.


“Verificámos uma tendência global positiva. Houve um ligeiro aumento de um por cento por década na quantidade total de ozono”, afirmou Diego Loyola, do Centro Aeroespacial Alemão, que colaborou na realização deste estudo.

Apesar das boas notícias, os investigadores não se iludem, referindo que se trata de uma tendência nula de crescimento. “Ainda assim, esperamos ver uma recuperação significativa do ozono na estratosfera superior nos próximos anos”, afirmou Joachim Urban, da Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia.

A camada de ozono não é distribuída de maneira uniforme pela atmosfera e as maiores mudanças são verificadas sobretudo nas camadas mais elevadas da estratosfera. Os dados foram recolhidos horizontalmente e não apenas de maneira vertical, o que, segundo os autores do estudo, permitiu obter medidas mais exactas.
Apesar de os dados terem demonstrado resultados positivos, também indicaram que houve uma diminuição da camada de ozono entre 1979 e 1997. “A nossa análise demonstrou um declínio do ozono estratosférico nas latitudes médias dos hemisférios Norte e Sul de sete por cento, por década, de 1979 a 1997”, referiu o investigador sueco.

Os resultados do estudo foram apresentados este mês na Conferência de Ciência Atmosférica, organizada em Barcelona, pela Agência Espacial Europeia.


Via CiênciaHoje

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Trabalho de geólogo da UTAD homenageado em Arouca

Artur Sá com uma trilobite gigante
Artur Sá com uma trilobite gigante
A Câmara Municipal de Arouca atribuiu a Medalha de Honra a Artur Abreu Sá, geólogo e docente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e um dos mentores do Arouca European Geopark, integrado na Rede Europeia de Geoparques da Unesco.

O projecto, gerido pela Associação Geoparque Arouca (AGA), que é presidida por Campelo de Sousa, tendo como coordenador executivo o economista António Carlos Duarte, ex-aluno da UTAD, foi idealizado e implementado por Artur Sá, a quem cabe a coordenação científica.


Este especialista tem vindo, há anos, a dirigir trabalhos louváveis em Arouca em torno de um conjunto importante de espécies de natureza única, tais como as designadas “Pedras Parideiras da Castanheira” ou as “Trilobites gigantes de Canelas”.

O Geoparque de Arouca é composto por área de 327 quilómetros quadrados, onde estão inventariados 41 geo-sítios, de rara qualidade no mundo interior e com elevado interesse educacional e paisagístico, onde se destaca, para além das chamadas pedras parideiras, fosseis marinhos com 480 milhões de anos, a cascata da Mizarela, aldeias tradicionais, etc. Trata-se de um verdadeiro livro aberto da história da Terra.

Via CiênciaHoje

Terça-feira, Setembro 29, 2009

Rede Nacional de Centros de Recuperação para a Fauna

Portaria n.º 1112/2009. D.R. n.º 188, Série I de 2009-09-28

Ministérios do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional e da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas

Cria a Rede Nacional de Centros de Recuperação para a Fauna

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

A Manifestação


Eu, nos cartazes que marcam, para em frente do Palácio de Belém, um encontro entre o sr. Presidente da República e a maioria silenciosa, só adianto dúvidas a dois pontos.
Que seja a maioria.
Que seja silenciosa.
De resto, está tudo bem.
Ou quase. Na medida em que, sendo uma regra elementar da vida democrática, e da saúde moral, assumir as atitudes, um cartaz anónimo é uma ambiguidade.
De resto, está tudo bem.
Ou quase. Na medida em que, sendo uma regra elementar da colocação de cartazes numa sociedade democrática, e não só, a utilização da cola, um cartaz colado à ponta de pistola é uma originalidade.
De resto, está tudo bem.
Ou quase. Na medida em que, sendo uma regra elementar do cartazismo uma leitura a razoável distância, e só podendo ler-se esse cartaz à distância de um jornal, o cartaz é um amadorismo.
De resto, está tudo bem.
Ou quase.

É interessante saber que há, neste país, atrás de um cartaz, uma silenciosa maioria.
Até porque, não tendo ainda dito ninguém, nem o sr. Sottomayor Cardia, nem o sr. Manuel Alegria, nem o sr. Octávio Pato, nem o sr. Melo Antunes, que eram a maioria, é extremamente interessante saber que quem tem, consigo, a maioria, é o sr. Quito Hipólito Raposo.
O sr. Quito Hipólito Raposo.
É interessante saber que essa maioria é contra os extremismos mas é a favor do sr. Presidente da República.
Logo, a favor do Movimento das Forças Armadas.
Logo, a favor da democratização.
Logo, a favor do Governo Provisório.
Logo, a favor do sr. Vasco Gonçalves.
Logo, a favor do sr. Álvaro Cunhal.
Uma pergunta:
O sr. Quito Hipólito Raposo é, por acaso, comunista?

Qualquer cartaz pode dizer qualquer coisa.
Que a manifestação.
Que ao Presidente.
Que da República.
Que em Belém.
Que às tantas.
Que ao Caudilho.
Que de Espanha.
Que no Pardo.
Que às tantas.
Que à Rainha.
Que da Inglaterra.
Que em Buckingham.
Que às tantas.
O que um qualquer cartaz não pode dizer é que o papel é da maioria, a cola é silenciosa, a pistola é democrática, as letras são MFA, o boneco é do Quito.
E que o saldo é do sr. Presidente da República.
E isto porque a democracia não é exactamente um carnaval.
E isto porque, podendo, em democracia, qualquer cidadão produzir, e afixar, qualquer cartaz, deve esse cidadão obedecer às regras elementares que são: dizer a verdade, fazer a verdade, ser a verdade.
Onde está a prova de que o sr. Quito Hipólito Raposo tem, consigo, a maioria?
Como é que o sr. Quito Hipólito Raposo, que grita esta cartaz, prova que não grita, e que está silencioso?

O sr. Quito Hipólito Raposo é um fait-divers. Mesmo com cola, e pistola, e maioria, e silenciosa.
O que não é um fait-divers é que a reacção não desarma.
E que não se limita a atacar de fora para dentro mas de dentro para fora.
E que assume a maioria silenciosa.
E que crê dever usar o nome do sr. Presidente da República.
E que crê poder marcar, com o sr. Presidente da República, na Praça do Império, um encontro.
O que não pode ser um fait-divers é a reacção da democracia a esta manifestação.
O que não pode ser um fait-divers é a reacção do sr. Presidente da República a esta manifestação.

A maioria é uma coisa que está para ver nas próximas eleições.
Se é silenciosa ou não é uma coisa que está para ver nas próximas abstenções.
De resto, a democracia não proíbe a abstenção. Torna-a imoral. Pelo que a abstenção é, politicamente, a imoralidade.
Pelo que este cartaz é, talvez, prematuro. Quer dizer, não é.
Que a reacção pense poder usar o nome do sr. Presidente da República levanta alguma inquietação.
O sr. Presidente da República é, neste cartaz, a função ou o homem?
O sr. Presidente da República é, neste cartaz, um alibi ou uma ideologia?
O sr. Presidente da República é, neste cartaz, um desespero ou um investimento?
Claro que o sr. Presidente da República não tem nada a ver com este cartaz.
A não ser com o facto de este cartaz o citar.
A não ser com o facto de, havendo, neste país, algumas leis, e protegendo essas leis, da inverdade, e do ridículo, o Presidente da República, continuar colado, à esquina da Avenida António Augusto de Aguiar, e na base do monumento ao Marquês de Pombal, um cartaz que envolve o Presidente desta República na inverdade do ridículo e no ridículo da inverdade.
A não ser com o facto de, não havendo, contra este cartaz, uma acção clara, imediata, decidida, ninguém poder evitar, amanhã, que o sr. Elmano Alves mande colar, nas estradas deste país, um cartaz marcando encontro com o sr. Marcello Caetano, e São Bento, e que o sr. Henrique Tenreiro mande afixar um cartaz aprazando encontro com o sr. Américo Tomás, e que o sr. Paulo Rodrigues mande apor um cartaz preparando encontro com Oliveira Salazar, no Panteão.
O maior risco de uma democracia excessivamente permissiva não é tanto que os srs. Elmano Alves, Henrique Tenreiro e Paulo Rodrigues sejam autorizados a afixar encontros com os srs. Marcello Caetano, Américo Tomás e Oliveira Salazar, mas que, indo por eles os srs. Elmano Alves, Henrique Tenreiro e Paulo Rodrigues, encontrem, já realmente reinstalados em São Bento, em Belém, e no Panteão, os srs. Marcello Caetano, Américo Tomás e Oliveira Salazar.
Coisa que produziria, no Estádio Nacional, a mais gigantesca enchente de todos os tempos.
Não me refiro a um comício de protesto.
Refiro-me à conversão do Estádio Nacional, de todos os estádios deste país, em gigantescas prisões.
Pelo que é urgente que esta República defina, e faça funcionar, um aparelho legal que defenda, na guerra dos cartazes, as instituições democráticas e a dignidade do Presidente desta República, não apenas contra a agressão, mas também contra a hipocrisia.
Pelo que importa que o sr. Presidente da República desautorize, imediatamente, não apenas este cartaz, que é pobre, e mau, e mal, e frouxo, e rabo escondido com gato de fora, mas tudo quanto ameaça a democracia.
Isto é, a República.
Isto é, a Presidência da Democracia.
Isto é, a Presidência da República.

A democracia não é, só, a maioria, mas é, também, e sobretudo, a maioria.
A democracia não é, só, a voz da maioria, mas é, também, e sobretudo, a voz da maioria.
Uma democracia que seja a minoria, a voz da minoria, o silêncio, o silêncio da maioria, é uma democracia doente.
O cartaz do sr. Quito Hipólito Raposo é um cartaz doente.
Um que aviva, e promove, a doença.
O cartaz do sr. Quito Hipólito Raposo precisa de ser isolado.

A reacção só pode ser uma plasticidade.
Pelo que não é de estranhar que a antidemocracia apoie a democracia.
E que o sr. Álvaro Cunhal, uma destas manhãs, tenha, ao abrir a janela, na rua, o sr. Cazal Ribeiro gritando:
- Pê-Cê-Pê! Pê-Cê-Pê! Pê-Cê-Pê!
E que o sr. Raul Rêgo, uma tarde destas, tenha, à saída deste jornal, ao assestar, no crânio, a bóina basca, o sr. Barradas de Oliveira* berrando:
- Viva a "República". A voz do Povo é a voz do Rêgo!
E que o sr. Francisco Balsemão, uma destas madrugadas, tenha, à saída do "Caberetíssimo", o sr. Kaúlza de Arriaga soltando:
- Francisco, sentiúpe!
Mas se a reacção é uma plasticidade, a democracia tem de ser uma firmeza.
Pelo que é de estranhar que a democracia se deixa apoiar pela antidemocracia.
Porque, se todo o cidadão tem liberdade para apoiar a democracia, nenhum cidadão tem liberdade para se camuflar de democrata com o fim de assestar, na democracia, o seu golpe.

A democracia portuguesa não está feita.
Estamos a fazê-la.
A democracia não é um suicídio.
Tem de ser uma coerência.
A democracia é, simultaneamente, o ódio, e a oportunidade do fascismo.
Não porque a democracia queira ser, fundamentalmente, a oportunidade do fascismo, mas porque, para ser a oportunidade da liberdade, tem de ser a oportunidade de várias liberdades.
Mas não da liberdade de destruir a liberdade.
Mas não da liberdade de desacreditar a liberdade, parodiando-a, caricaturando-a, povoando-a de silêncio, de medo, de ódio.
Colando-a.
À piscola.

Artur Portela Filho, Setembro de 1974
(A Funda, 5º volume, pp. 175-182)

*
Barradas de Oliveira foi fundador do jornal "A Revolução".

Há sempre uma data no presente que nos faz esquecer uma data do passado.
O 28 de Setembro de 1974 será, hoje, esquecido por ser hoje o dia que se seguiu às eleições legislativas. De ontem.

Domingo, Setembro 20, 2009

Quem cala consente

A maioria é uma coisa que [se] está para ver nas próximas eleições.
Se é silenciosa ou não é uma coisa que [se] está para ver nas próximas abstenções.

De resto, a democracia não proíbe a abstenção.
Torna-a imoral.
Pelo que a abstenção é, politicamente, a imoralidade.


Artur Portela Filho, Setembro de 1974
(A Funda, 5º volume)


Dia 28 de Setembro, o "estrato" integral aqui no Georden.

Imperdível.

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Vamos todos virar verdes?



Como as cheias rápidas, que tudo arrasam, não podemos virar verdes assim de repente. Se o verde está na moda, quantas irracionalidades não temos observado nas modas da História?
É que depois há confusão de conceitos.

Verde, sim. Mas com qualidade.
Porque depressa e bem, costuma-se dizer, não há quem.


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Vídeo retirado daqui

Como a Wikipédia vai definindo a Eutrofização