terça-feira, setembro 30, 2008

Inquérito à sustentabilidade

Como se fosse sequer importante à beira do que enuncia, o mini-inquérito que fizemos à sustentabilidade, e que se encontra aqui ao lado, termina amanhã.

As respostas que pusemos à escolha, sempre poucas, é certo, procuraram englobar pequenos males em grandes despoletadores - por incúria, desleixo ou vontade deliberada - da tão mal-fadada insustentabilidade.

Neste último dia, participe.
Obviamente em consciência.


segunda-feira, setembro 29, 2008

O Sétimo Selo - Desertificação

Na roleta, o deserto aposta nos homens.
Altair, 29.11.98


Decorre hoje e amanhã o I Congresso Nacional sobre Alterações Climáticas, na Universidade de Aveiro.

Clique na imagem para mais informações


A propósito, em boa hora regressamos ao tema, com mais um "estrato" do muito didático livro "O Sétimo Selo", de José Rodrigues dos Santos.
(Advertência: o texto que se segue não tem cortes, e pode ser encontrado nas páginas 248 e 249. Se não tem tempo para ler o livro, guarde mais estes ingredientes do futuro na sua cabeça...)


E ninguém vai escapar. O Midwest dos Estados Unidos, por exemplo, tem sido o celeiro da América, está em vias de se tornar um deserto. E o sul da Europa também. As vagas de calor tornaram-se mais frequentes e mais longas e um processo de desertificação gradual já se encontra em curso em Itália, na Grécia, em Espanha e em Portugal, com o Saara a crescer para norte. Isto tem implicações catastróficas. Olha o que se passou com as grandes vagas de calor de 2003 e 2007 no Sul da Europa. Para além de gigantescos fogos que consumiram em Portugal uma superfície florestal do tamanho do Luxemburgo, a onda de temperaturas elevadas em 2003 provocou uma quebra de 20% na colheita de cereais e inflacionou os preços em 50%. E em 2007 ainda foi pior, com temperaturas recorde a provocarem milhares de incêndios na Grécia, na Turquia e nos Balcãs. Dubrovnik chegou a ser evacuada e os gregos tiveram de declarar o estado de emergência em todo o país quando os incêndios descontrolados mataram mais de sessenta pessoas em três dias e chegaram aos subúrbios de Atenas.
- Achas que essas calamidades se vão tornar frequentes?
- Ah, não tenhas dúvidas. Estes incêndios foram apenas o prelúdio do que vem aí e repara que surgem numa altura em que se percebe que o planeta precisa de alimentar nos próximos 30 anos, de modo a sustentar uma duplicar a sua produçãopopulação que deverá duplicar em 60 anos. O problema é que a desertificação, a erosão dos solos e a salinização estão a reduzir a terra arável a um ritmo de 1% ao ano. - Inclinou a cabeça para sublinhar este ponto. - Um por cento ao ano significa 10% em dez anos. Há quem diga que, daqui a algumas décadas, metade do globo encontrar-se-á coberto pelo deserto. Os resultados já estão à vista: o crescimento da produção alimentar atingiu o seu pico em meados da década de 1980 e apresenta-se agora em declínio.
- Estás a falar a sério?
- Por que razão pensas tu que estamos tão preocupados? Os modelos mostram que, duplicando o dióxido de carbono na atmosfera, a maior parte dos Estados Unidos estará submetida a graves secas, com o consequente colapso agrícola. Bastará subir um grau pra que apareçam desertos no Nebraska, no Wyoming, em Montana e no Oklahoma. E acima dos dois graus Celsiusm também o sul da Europa estará transformado num deserto. Alguns cientistas franceses, por exemplo, puseram-se a projectar em quanto aumentará a evaporação da água de toda a região mediterrânica quando ocorrer uma ligeira subida da temperatura. Os modelos de computador revelaram que a evaporação diminuirá, o que é surpreendente, uma vez que o calor aumenta a evaporação. Depois de analisarem melhor os dados, os cientistas perceberam que a evaporação irá diminuir pela simples razão de que deixará de haver água no solo: sem água não há evaporação. Isso significa que o Saara cruzou o Mediterrâneo e o sul da Europa estará transformado num deserto. - Acenou com três dados. - O painel da ONU prevê que, se o limiar dos três graus for cruzado, a desertificação poderá conduzir a uma fome generalizada no planeta. A produção agrícola chinesa, por exemplo, entrará em ruptura total, com os campos de arroz, milho e trigo a decaírem 40%.

[
Imagem retirada de Ciência Hoje (clique), de um artigo cujo título é:
"Portugal entre os três países mais desertificados da Europa"


Pelo que aprendemos, a "desertificação" não é considerada um risco. Tampouco parece ser uma preocupação. Mas o termo não nos soa a algo já consumado? É um somatório de impactos humanos e climáticos que depois se traduzem no solo. De progressão lenta, vai avançando, como a súbita surdez derivada do ruído em crescendo. Quebrar o ciclo, sair "da cepa torta", consiste em alimentar o solo (de humidade, raízes, consistência, matéria orgânica, coberto vegetal...). Porque se a formação de uns míseros centímetros de solo é processo que demora muitas décadas, é melhor empenharmo-nos já. E em FORÇA!
Sem parecer ir em modas ou em alarmismos momentâneos e amanhã já arrefecidos, essa devia ser uma das prioridades de topo de qualquer Ministério da Defesa e da Administração Interna. Mas é para isso que serve esse ministério?
- Não...
- Não??? Mas, então?! O nome está mesmo a dizer!!!!!
]

(...) (p. 250)
E receio não te ter revelado ainda o pior.

World Web Map: o mapa-mundí da internet

Clica para aumentar
No World Web Map cada país foi substituído por um sítio de internet com o tamanho equivalente (com dados de 2007), o qual permite-nos ter uma ideia da dimensão de cada website.
Por exemplo, a dimensão total dos sites da Google compara-se à dimensão da Rússia, a do Time Warner à dos Estados Unidos, a da Microsoft representa o Canadá e assim sucessivamente.

Na Europa, os sites são, lógicamente, mais pequenos, pois os países têm menor superfície. Portugal corresponde ao Linkedin.com e a Espanha ao badoo.com.

Clica para aumentarMapas retirados e texto traduzido, parcialmente, do site microsiervos.com.

domingo, setembro 28, 2008

sábado, setembro 27, 2008

Salário de um licenciado...

Empresário: Bom dia Sr. Eng.º, há quanto tempo?!
Ministro: Olha, olha, está tudo bem?
Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo.
Ministro: E que habilitações ele tem?
Empresário: Tem o 12.º completo.
Ministro: O que ele sabe fazer?
Empresário: Nada, sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!
Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor, fica a ganhar cerca de 4000 euros, agrada-te?
Empresário: Isso é muito dinheiro, com a cabeça que ele tem era uma desgraça não arranjas algo com um ordenado mais baixo?
Ministro: Sim, um lugar de Secretário
se ganha 3000!
Empresário: Ainda é muito dinheiro, não tens nada por volta dos 600/700?
Ministro: Eh pá, isso não, para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês e dominar Informática!

Difundida via e-mail

Ah! Ah! Ah!
Numa situação destas, só nos podemos rir... ;P
Pelo que tenho visto por aí, esta anedota encaixa, como uma linha na cabeça da agulha, a grande parte dos licenciados do nosso país, pelo menos em determinadas áreas de formação.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Imagem do projecto “Quadrilátero”

Logótipo do QuadriláteroNo âmbito da implementação das Redes Urbanas para a Competitividade e a Inovação, o projecto “Quadrilátero”, constituído pelos municípios de Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães, criou recentemente a sua imagem identificadora. O logótipo encontrado ilustra as sinergias regionais.

"A criação deste logo resulta da união dos quatro pólos de desenvolvimento, que juntaram esforços para desenvolver uma rede de sinergias capaz de reforçar a posição de terceira concentração urbana e de conhecimento do país.

A utilização do "q" de quadrilátero, representando cada um dos pólos, e a relação que se estabelece entre os quatro concelhos, converge numa imagem dinâmica e moderna, com quatro cores primárias, que representam os fluxos, influências e a rede de sinergias criada.

Cada um dos pólos surge, assim, interligado com todos os outros, resultando numa imagem passível de ser desdobrada mediante o contexto em que for aplicada: turismo, ciência, cultura, etc."


Ler mais aqui.

quinta-feira, setembro 25, 2008

terça-feira, setembro 23, 2008

Jornadas Europeias do Património em Cacela

O município de Vila Real de Santo António, volta a associar-se este ano às Jornadas Europeias do Património, uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, com o envolvimento de mais de 50 países, com vista sensibilização dos povos europeus para a importância da salvaguarda do Património.

Neste âmbito, o sítio histórico de Cacela Velha acolhe durante os dias 25, 26 e 27 de Setembro:
"Estórias vivas de lendas antigas. Mourinhos e mouras encantadas em Cacela", um projecto de encenação teatral de lendas da tradição oral de Cacela, com o seguinte programa:

Clica para aumentar Clica para aumentar

"As mouras encantadas aparecem, belas e enigmáticas, junto a fontes, ribeiras, penedos ou ruínas, penteando os seus longos cabelos, com preciosos pentes de ouro. Dos espaços de reclusão, onde cumprem encantamentos de muitos séculos, saem em momentos mágicos para oferecer os seus tesouros - disfarçados em coisas banais como figos, carvão ou bugalhos - ao afortunado que as desencante.
Em Cacela, ainda se ouvem, pela boca dos mais velhos, muitas destas antigas lendas, estórias de encontros e desencontros com belas mouras e pequenos mourinhos de barrete encarnado, em alguns dos lugares que a tradição oral ainda recorda como mágicos: o sítio da Ponte, o sítio da Canilha, a ribeira de Cacela, o serro dos Barros, o Maldonado...
Venha ouvi-las e vivê-las em Cacela Velha!"

+ info

Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / CMVRSA
Antiga Escola Primária de Santa Rita
Tel. / Fax: 281 952600
ciipcacela@gmail.com
ciip-cacela.blogspot.com

"Dicionário de Ciências Cartográficas", de Joaquim Alves Gaspar

Clica para aumentarDicionário de Ciências Cartográficas
Joaquim Alves Gaspar [*]

Edição: 2004
Editora: Lidel, edições técnicas
P.V.P.: Aprox. 25€
Páginas: 336


Há pouco tempo, para executar um trabalho (de ocupação de tempos livres), necessitava de ter a noção exacta dos vários tipos de cartas que existem e uma descrição detalhada de cada uma delas. Muita informação há na Internet, mas assim que encontrei este dicionário, se não estou em erro numa feira do livro, decidi comprá-lo.

“O Dicionário de Ciências Cartográficas é uma obra multidisciplinar, abrangendo temas aparentemente tão distantes como a Geodesia, os Sistemas de Informação Geográfica e a Navegação. Constitui, contudo, um elemento comum a todos eles o facto de tratarem do estudo e representação do nosso planeta, e dos fenómenos que nele se situam.” É sem dúvida um instrumento útil para a consulta por parte de alunos, professores e profissionais.

Este dicionário conta com cerca de 2000 conceitos, alguns deles acompanhados com figuras, e está organizado de acordo com as seguintes áreas científicas:
- Cartografia
- Geodesia, topografia e hidrografia
- História
- Navegação
- Geografia e Ciências da Natureza
- Ciência e Sistemas de Informação Geográfica
- Matemática, Teoria dos Erros, Metrologia e Termos Gerais

Boas leituras geográficas,

[*] Joaquim Alves Gaspar nasceu em Lisboa, em 1949. É oficial da Armada, licenciado em Ciências Militares Navais (Escola Naval), especialista em navegação marítima (HMS Dryad, Reino Unido), engenheiro hidrógrafo (Instituto Hidrográfico), Master of Science em Oceanografia Física (Naval Postgraduate School, EUA) e pós-graduado em Ciência e Sistemas de Informação Geográfica (ISEGI – Universidade Nova de Lisboa). Prestou serviço no Instituto Hidrográfico e foi professor na Escola Naval. É membro da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Albufeira mete água... de novo!

Foto de d.r. em Barlavento OnlineOlá a todos.


Como já devem saber, a baixa da cidade de Albufeira acordou novamente inundada! Isto já não é novidade para ninguém, qualquer algarvio sabe que o centro de Albufeira está construído numa área muito sensível, em especial, sob a bacia hidrográfica de um curso de água, chamado ribeira de Albufeira (corrigem-me se estiver enganado!) e entre arribas que sofrem da acção erosiva do mar (talvez, mais do homem do que, propriamente, do mar).

Albufeira candidatou-se ao programa Polis e fez muito bem…
Não vou descrever o objectivo deste programa, nem da intervenção efectuada e/ou a efectuar, mas deixo-vos a ligação onde podem consultar todos os pormenores do Programa Polis – Albufeira.

Tendo em conta o que aconteceu nesta madrugada, gostaria apenas destacar um objectivo:
“i) Articular este plano com as outras acções em curso nas áreas que lhe são adjacentes, nomeadamente no que respeita a drenagem de águas pluviais e domésticas, infraestruturas eléctricas e outras;”

Sem dúvida nenhuma que este objectivo é mesmo o último a ser concretizado!
Primeiro as obras de fachada, depois as obras de fundo…
Faz-me lembrar quando uma autarquia coloca novo piso numa estrada e passado 1 mês esburaca-a toda para colocar a rede de esgotos e saneamento básico.
Meus amigos…

Mas continuando…
Não se preocupem que os responsáveis autárquicos estão atentos…
Todas as cheias que têm acontecido estavam previstas pela autarquia.

Para os mais desatentos, cito um artigo de 3 de Dezembro de 2007, publicado no jornal Barlavento, com alguns comentários meus:
Obras para resolver cheias na Baixa de Albufeira começam em 2008
"As obras de separação das redes unitárias de águas residuais domésticas e pluviais nas ruas Cândido dos Reis e 5 de Outubro, na Baixa de Albufeira, só vão começar em Outubro de 2008…"
Porque começam só em Outubro? Tendo em conta a urgência da intervenção a efectuar, suponho que só comecem em Outubro para não afectar a vida aos milhares de turistas que visitam a capital do turismo nacional na época balnear e, claro, para não se perder o "negócio da formiga" (ganhar de Verão, para hibernar de Inverno). Afinal, não serviu da nada, pois o "negócio foi por água abaixo"... destruindo todo o formigueiro comerciante!
Em Outubro começam as obras e o presidente é considerado herói municipal, porque soube responder de pronto! (uma coisa que já estava prevista há quase um ano).
Ahah Sou mesmo ridículo a interpretar as coisas, mas gosto de o ser…

“Acrescendo ao facto do centro de Albufeira ser uma zona baixa e de inundações frequentes, a condução das águas residuais domésticas e pluviais era feita por condutas unitárias, sem separação dessas águas.”
Acerca deste assunto lembro-me quando um programa de TV foi, no Verão, a Albufeira. Estavam à conversa com o repórter um grupo de pescadores, de um lado, e um vereador da Câmara, não me lembro qual, do outro. Como já passou algum tempo e não gravei o programa, vou descrever o discurso de uma forma fictícia, mas parecida ao real:
- Gostam das obras do Polis?
- Estão bonitas, mas é para inglês ver. Para nós, habitantes desta terra, não servem de nada!
- Então, porque dizem isto?
Na conversa entra um senhor mais entendido na matéria e fala das intervenções urbanísticas:
- Vamos esperar para ver, mas é certo que continuaremos com cheias à porta de casa. E sabe porquê? Está a ver a dimensão daquele cano? Não tem a dimensão para escoar todas as águas que esta zona recebe das chuvas.
- Sr. Vereador concorda com esta opinião?
- Claro que não. Todas a obras que estão a ser feitas, foram programadas da melhor forma e iremos executá-las com tempo e na melhor qualidade técnica possível.

Na altura fartei-me de rir e hoje recordo-me como os pescadores tinham razão!

Continuando…

Ainda na tentativa de melhorar o problema das cheias, está neste momento a decorrer uma auditoria, a pedido da autarquia, coordenada por João Levy, do Instituto Superior Técnico, no sentido de se efectuar um estudo rigoroso relativamente às infra-estruturas colocadas no âmbito do Programa Polis, para se apurar se, de facto, existem dificuldades que não foram previstas ou mesmo erros de projecto ou execução.”
Pelo que tenho visto, não seria necessário chamar o ISTécnico para tal, bastava consultar a população, os mais velhos, pois sempre que os vejo a falar só saem palavras sábias.
Parece-me óbvio que o projecto tem erros, erros de quem programou no gabinete, ou então, é mesmo má qualidade da equipa projectista…

No mesmo artigo:
“Quem acha que as obras pecam pela demora é José Vieira, proprietário do bar «Marmota», situado na Rua Cândido dos Reis. «Acho que deviam ter sido feitas há mais de 10 anos. A cidade cresceu e não foi feito nada para resolver a situação. Todos os anos temos cheias e inundações e estas obras fazem falta», disse ao «barlavento».
Quando dizem cheias em Albufeira, os técnicos devem associar cheias de turistas e não de água. Daí as obras demorarem…

Deixo-vos ainda outro artigo para lerem:
Polis Albufeira iniciou construção do Emissário Pluvial Submarino junto à praia
17 de Setembro de 2008

O que é isto de Emissário Pluvial Submarino?
É um sistema pluvial que tentará evitar as inundações na baixa de Albufeira.
E, já vem tarde, mais uma vez…

Vamos lá ver se será desta que se resolvem todos estes problemas:
“Desidério Silva, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, já tinha revelado ao «barlavento» que considera a infra-estrutura «um grande investimento para acabar, de uma vez por todas, com o problema da acumulação das águas pluviais, naquela zona», e consequentes inundações, as quais têm sido motivo para queixas de comerciantes e moradores.”

Estaremos atentos…

Manifesto artístico...

No Dia Europeu Sem Carros deixo-vos este pequeno manifesto artístico:


Difundido via e-mail
Fonte: Autor desconhecido, difundido via e-mail.

O Sétimo Selo - Efeito Budyko

Recapitulando: estamos na Sibéria e é nesta passagem que repescamos o conceito de albedo, que já tínhamos explicado aqui. Por acaso (ou estará cada vez mais presente?), este processo foi aflorado de forma leve e nada alarmante num documentário sobre o clima que a RTP2 exibiu ao começo da tarde de ontem, domingo.


"Nunca ouviste falar no efeito Budyko?
Mikhail Budyko descobriu que a neve reflecte para o espaço a maior parte do calor do sol que sobre ela incide, o que ajuda a manter o clima frio." Mas como a temperatura tem vindo a subir, essa "neve tem vindo a derreter, deixando emergir o solo que havia por baixo. Ora esse solo, como é escuro, absorve o calor, o que provoca mais calor, o qual provoca mais derretimento de neve, o que faz emergir mais solo escuro, que provoca ainda mais calor, numa espiral sem fim. É isso o efeito Budyko."

Para quem quiser mais previsões feitas por Mikhail Budyko pode consultar aqui, (em Inglês).

"O grave é que a temperatura cruzou um tal limite que este tipo de processo foi desencadeado em todo o planeta, incluindo o mar. Só em 2005 desapareceu 14% do gelo permanente do Árctico.
(...)
Como a água ficou mais quente, começou a derreter mais gelo, o que é um problema, porque o gelo reflecte mais de 80% do calor do sol. Já o oceano, pelo contrário, absorve mais de 90% desse calor, uma vez que é escuro.
(...)
Como o gelo está a derreter, há mais oceano a receber calor, o que torna a água mais quente e faz derreter ainda mais gelo, o que diminui mais a superfície reflectora e alarga de novo a superfície absorvente de calor, num ciclo vicioso que intensifica o efeito de estufa.
(...)
Como o oceano está mais quente, a água fica mais pobre em nutrientes e algas. Ora são as algas que atiram o dióxido de carbono para o fundo do mar. Como há menos algas, o dióxido de carbono fica à superfície." E por aí fora...

E perguntamo-nos, nós, que estamos a ler isto, com preocupação:

"Mas isso está mesmo a acontecer?
Pois está. Olha para as florestas equatoriais. (...) sem a sombra das árvores o solo aquece mais e, consequentemente, faz aquecer mais o planeta, o que provoca uma maior diminuição das florestas e retira sombra a mais solos, que assim aquecem mais e provocam maior diminuição florestal, num novo ciclo vicioso.
(...)
A Amazónia viveu em 2005 uma seca nunca vista. Secaram vários afluentes do rio Amazonas e a água potável teve de ser enviada por helicópteros para aldeias da grande floresta supostamente húmida. E sabes por que razão se utilizaram helicópteros? Porque a água dos rios estava demasiado baixa para a navegação!
A seca de 2005 pode ter sido o primeiro sinal do iminente e catastrófico colapso da Amazónia, que é inevitável se as temperaturas subirem três a quatro graus Celsius. Nessa situação, a floresta transformar-se-á num deserto."

(E convém relembrar que são as árvores que absorvem o dióxido de carbono...)

"A Terra é um ser vivo com capacidade de auto-regulação, o que significa que sempre conseguiu manter-se próxima da temperatura e da composição química mais adequadas à vida. Fez isso durante 3 mil milhões de anos."

Para acabar com uma imagem ilustrativa, uma passagem sobre os glaciares:
"Os glaciares dos Alpes já perderam 50% do seu gelo e os dos Andes triplicaram a velocidade de recuo, diminuindo um quarto da sua superfície em apenas três décadas".

Ver em detalheFrentes do glaciar Jakobshavn (de 1851 a 2006) e respectivas velocidades de deslizamento
Fonte: UNEP



A imagem, retirada de uma página do UNEP (Programa das Nações Unidas para o Ambiente, no acrónimo Inglês), mostra-nos as datas das frentes de um glaciar na Gronelândia. Em baixo, a tabela evidencia que a velocidade do seu gelo tem vindo a aumentar com os anos. E por tudo o que ficou dito e redito, não é grande empreitada perceber porquê...

Há mais para saber - e preocupar-nos - em próximos estratos de O Sétimo Selo.

domingo, setembro 21, 2008

"CYBER-BUTEKIM" 14

Clica para aumentar Por Toni Stalker, 2005.

sábado, setembro 20, 2008

Passeio BTT pelos trilhos e veredas da Cortelha

"Pegar na bicicleta e descobrir a Serra do Caldeirão é a proposta que a Associação dos Amigos da Cortelha apresenta para o próximo dia 5 de Outubro. Num percurso desenhado para toda a família, o convívio e o contacto com a natureza são argumentos de peso para passar uma manhã de domingo diferente.

Clica para participares É já no feriado do próximo dia 05 de Outubro que a Associação dos Amigos da Cortelha organiza mais um grande Passeio BTT. Depois do sucesso de anos anteriores, com o recorde de participantes a ser consecutivamente batido, este ano o percurso foi escolhido a pensar em toda a família, desde os mais velhos até aos mais jovens.
As características naturais da Serra do Caldeirão são bastante propícias à prática de BTT, com trilhos e veredas adequados a esta modalidade, sendo que para além da natural adrenalina e aventura, o contacto com o interior será ponto forte desta iniciativa.
Para além de poder contar com uma manhã diferente, os amantes das duas rodas juntam actividade física ao contacto com a natureza, razões mais que suficientes para o levar a pegar na bicicleta e partir até ao interior da Serra.
"


ler mais aqui.

Clica para aumentarO valor das inscrições é de 15 € e inclui pequeno-almoço, seguro, abastecimentos sólidos e líquidos, banhos, t-shirt do passeio, almoço e brindes, podendo ser efectuadas até ao dia 1 de Outubro, através do site amigosdacortelha.pt ou nas lojas aderentes.


Organizado pela Associação dos Amigos da Cortelha, o Passeio de BTT da Cortelha conta com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, da Junta de Freguesia de Salir, Junta de Freguesia do Ameixial, do INATEL, da Associação de Ciclismo do Algarve, da ADJ 3 Sistemas e das Águas Caramulo. São ainda parceiras da organização as lojas Bike Land, Free Bike, On The Rocks, Casa Abilio, MotoSul, AlgarvCycles e Bike Zone.

+ info
Clica para entrares em contacto

sexta-feira, setembro 19, 2008

Apenas uma questão de tempo.

Clique para ver ainda melhorFoto de Eduardo F., Nazaré, 29.04.08.


A foto que vemos foi tirada na famosa falésia (ou, para fugir ao galicismo, a arriba) da Nazaré. Apesar do aviso, e de aquela parte do miradouro estar vedada (de forma ineficaz, é bem fácil de ver), as pessoas continuam a ignorar o que não se vê (o futuro). Através desta foto, o risco de derrocada está mais que escancarado...

Poderíamos versar sobre
+ a fragilidade dos calcários, margas e arenitos,
+ a subida do nível médio do mar (expansão térmica nele incluída)
+ a direcção da corrente marítima que banha o país (devido à orientação da costa, NNE-SSW, do Douro até à Nazaré),
+ a dinâmica sedimentar,
+ as obras humanas que facilitam a erosão (molhes, paredões, esporões, portos, barragens...)
+ os agentes de meteorização (e da reacção do que a água contém sobre o carbonato de cálcio)
+ os agentes erosivos,
+ a assustadora (bem... para alguns) taxa de recuo da linha de costa portuguesa (por se tratar de rocha e não de areia, trata-se de comer a costa a grandes pedaços)
e, em suma, podíamos tentar avaliar qual
= o grau de risco em que esta escarpa se encontra...

...mas quedamo-nos, feitos espectadores-co-autores dos acontecimentos.

Porque um dia
- as pontes ruem,
- os comboios descarrilam,
- os prédios desabam,
- os bancos abrem falência,
- as aerotransportadoras ficam em terra,
- as seguradoras fecham as portas,
- os aviões aterram mal,
- o vulcão entra em erupção,
- a vaga inesperada chega,
- o chão abre-se em fendas,
- o solo deixa de produzir,
- a fonte seca,
- o petróleo acaba,
e então,
= o mundo colapsa!


E os catastrofistas são remetidos ao silêncio.
Porque na urgência do tempo não conseguem comunicar de maneira convincente,
nem são, por conseguinte, capazes de demonstrar a validade do que aprenderam e daquilo em que acreditam...

Porque isso demoraria tempo
e requer entendimento.
E se nem uma mensagem a dizer:
"Proibida a passagem"
sabemos ler,
então perguntamo-nos,
Que fazer?


A propósito disto, acho pertinente propor a leitura do artigo "Estudo Sintético de Diagnóstico da Geomorfologia e da Dinâmica Sedimentar dos Troços Costeiros entre Espinho e Nazaré" (1994, disponível aqui.

E mais três textos relacionados:
Recuo da costa em Aveiro (2005)
Riscos de erosão na costa alentejana
Cromos do litoral (2005)

A quem vai servir o TGV?

Tenho a liberdade de publicar este manisfesto que tomei conhecimento via e-mail. Não conheço o autor, nem a data do seu envio, mas concordo que o investimento português em infra-estruturas ferroviárias deve ser feito de outro modo (não aprofundo as minhas ideias, porque não estão amadurecidas. Vou continuar a investigar).

Já tinha ficado desiludido com a realidade ferroviária portuguesa quando visitei Bélgica/Holanda e há bem pouco tempo voltei a sentir-me igual, quando viajei de comboio por terras espanholas. Ontem quase que chorei (até pedi aos ingleses para me levarem com eles para a Inglaterra) quando olhei para a estação de comboios de Portimão. "Porra! Isto está cada vez mais decadente", pensei eu! Portimão é só a segunda cidade mais importante do Algarve (senão a primeira), o Algarve é só a região mais turística do país, como é possível ter uma linha de caminho-de-ferro naquelas condições? Sabendo que não fica no Algarve, para onde vai parar o dinheiro? (ao "bolso" de quem?)
Digam o que disserem: "Pensem positivo! O fazer português é dos melhores do mundo! Somos bons! Somos isto e somos aquilo! O importante é andar sempre de cabeça erguida... Tornem-se empreendedores, criem o seu negócio, o Belmiro e o Nabeiro são exemplos a seguir, Cristiano Ronaldo é o melhor do Mundo, logo todos os portugueses são ricos como ele, etc..."
Eu digo-vos com todo o optimismo (e sou muito optimista), mas, também, com muito realismo:

"Somos mesmo uns pobrezinhos..."

Clica para aumentar

Estação de Zaragoza-Delícias, Agosto de 2008.

Deixo-vos, então, o manifesto que recebi:


"A quem vai servir o TGV?
1. AOS FABRICANTES DE MATERIAL FERROVIÁRIO;
2. ÀS CONSTRUTORAS DE OBRAS PÚBLICAS;
3. AOS BANCOS QUE VÃO FINANCIAR A OBRA.

OS PORTUGUESES FICARÃO, UMA VEZ MAIS, ENDIVIDADOS DURANTE DÉCADAS POR CAUSA DE MAIS UMA OBRA MEGALÓMANA!

Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos "Alfa" por não ser tão luxuoso e ter menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas. Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemáticos pelos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza. A resposta está:

- na excelência das suas escolas;
-
na qualidade do seu Ensino Superior;
- nos seus museus e escolas de arte;
- nas creches e jardins-de-infância em cada esquina;
- nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.

Percebe-se bem porque não:
- construíram estádios de futebol desnecessários;
- constroem aeroportos em cima de pântanos;
- nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.

O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo. É por isso que, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos).
É por razões de sensatez que não o encontramos:
- na Noruega;
- na Suécia;
- na Holanda;
- e em muitos outros países ricos.

Tirar 20 ou 30 minutos ao "Alfa" Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País. Para além de que, dado ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se:

- 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) creches (a 1 milhão de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos (a 1milhão de euros cada um).

E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências como, por exemplo, na urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

Cabe ao Governo reflectir.
Cabe à Oposição contrapor.
Cabe-lhe a si participar
Se concordar, reencaminhe esta mensagem!
"

quinta-feira, setembro 18, 2008

Semana do Mar

Clica para mergulhar
22 a 26 de Setembro de 2008

"O CCMAR em conjunto com a Biblioteca Municipal António Ramos Rosa (Faro) vão organizar ao longo desta semana uma série de actividades que servirão para comemorar o Dia do Mar (25 de Setembro).

Para além de uma exposição sobre o CCMAR, que estará patente durante toda a semana na Biblioteca, há ainda um programa de palestras que abordarão vários temas relacionados com o Mar e se destinam ao público em geral (entrada gratuita)."



Exposição «BIOMARES e CCMAR»

Ciclo de Palestras às 16h00

Dia 22
"Mapeamento dos fundos algarvios"

Orador: Jorge Gonçalves

Dia 23
"Estão as conchas a dissolver-se no mar? Consequências das alterações globais" - projecto de investigação do circle med

Orador: Pedro Range

Dia 24
"BIOMARES - um projecto LIFE para a recuperação e gestão da biodiversidade do Parque Marinho Luiz Saldanha"
Oradora: Alexandra Cunha

Dia 25
"A importância do peixe numa alimentação equilibrada"
Oradora: Laura Ribeiro

Dia 26
"Findkelp: à procura das florestas marinhas de Portugal"
Orador: Jorge Assis

Local: Biblioteca Municipal de Faro
Hora: palestras - 16:00 h
Entidade: CCMAR / CMF - Biblioteca Municipal de Faro

+ info: infoccmar@ualg.pt

O Sétimo Selo - Gaia

As personagens do diálogo seguinte encontram-se no lago Baikal, na Sibéria. Estamos no capítulo XVIII, quando o livro revela toda a gravidade e importância para poder figurar num blogue sobre a sustentabilidade. O texto, cortado e adaptado, é longo. Mas isso foi porque o que se diz não pode mais ser calado.

Isto é uma espécie de novelo de impactos ambientais que partem da hipótese de Gaia. No fim do novelo, com toda a interdependência dos factores, estão consequências gravíssimas.

(Para quem nunca ouviu falar, o lago Baikal "é o maior lago de água doce da Ásia, o maior em volume de água do mundo, o mais antigo (25 milhões de anos) e o mais profundo da terra." (bastou ir à Wikipédia...)


"A Terra tem a capacidade de se auto-regular. Mas, também como qualquer ser vivo, isso só acontece dentro de determinados parâmetros de temperatura. (...) No caso aqui da água, descobriu-se que a temperatura crítica são os dez graus. Quando a temperatura sobe acima dos dez graus, a água tende a ficar livre de nutrientes, o que prejudica a vida. Daí que as águas tropicais sejam transparentes e límpidas: não têm nutrientes, à excepção de uma limitada quantidade de algas. Essas águas estão para o mar como o deserto para a terra. Pela inversa, as florestas do mar são as águas do Árctico e do Antárctico, uma vez que esses oceanos polares estão abaixo dos dez graus e, por isso, podem encontrar-se nutrientes por toda a parte. (...)"

Só lá no fundo, onde a temperatura está abaixo dos dez graus, é que a vida encontra nutrientes. Isto significa que a maior parte dos oceanos são desertos. (...) As águas acima dos dez graus na camada superior cobrem 80% da superfície da água do mundo."

Portanto, se a temperatura global subir, o deserto expande-se.

Cá fora, a temperatura crítica são os 20 graus. Com temperaturas abaixo dos 20º, como no Inverno, a água da chuva mantém-se muito tempo na terra e facilita a vida. Mas no Verão, essa água evapora-se rapidamente e os solos secam. Quando a temperatura média supera os 25 graus, a evaporação torna-se demasiado rápida e, a não ser que a chuva seja quase contínua, a terra transforma-se em deserto.

As florestas equatoriais, como a Amazónia ou a grande floresta do Congo, constituem justamente uma nova resposta de auto-regulação da Terra. Como a evaporação com altas temperaturas é muito rápida, a Terra criou ali um ecossistema que consegue aguentar as nuvens sobre a floresta, obtendo assim chuva quase contínua.
Mas este sistema só é viável dentro de determinados limites térmicos.
Uma subida de 4 graus da temperatura média acelera ainda mais a evaporação e destrói este equilíbrio, transformando a floresta equatorial num deserto.

Sabes o que separa uma floresta equatorial de um deserto? Uns meros quatro graus célsius. O que significa que esses quatro graus cruzam algures um valor crítico. Daí que o aumento da temperatura global seja um problema muito grande se ultrapassar determinado limite térmico.

E o pior é que há indicações de que esse processo já foi desencadeado"...

quarta-feira, setembro 17, 2008

Labordeta

Uma pequena incursão num dos campos mais maravilhosos da arte, a música, nunca fez mal a ninguém. Sobretudo porque não vem a despropósito. A propósito de Labordeta, que actuou, como não podia deixar de ser, no recinto da Expo 2008 (concerto ao qual, infelizmente, não assistimos), falaremos da sua pessoa, cidadão exemplar e multifacetado.

José António Labordeta nasceu em 10 de Março de 1935 numa casa da Rua Buen Pastor, no casco antigo de Saragoça. No ano seguinte, com a Guerra Civil, o seu pai, Don Miguel, professor de Latim, é detido e expulso do ensino por causa da sua militância na Izquierda Republicana.
A partir de 1949, com o casamento do seu irmão Manolo, Labordeta passa a viver com o Miguel, importante poeta espanhol que marcará o seu percurso artístico e biográfico. (Miguel Labordeta tem uma rua na cidade, localizada aqui).

Com a morte de Don Miguel, em 1953, José António começa a escrever os primeiros poemas. Em 1958 funda e dirige a revista Orejudín e o seu primeiro livro, "Sucede el pensamiento" é editado no ano seguinte. De 1958 a 1960 dá aulas em Aix-de-Provence. Em 1960 licencia-se em Filosofia e Letras. Em 1965, então a viver em Teruel, publica mais dois livros, "Las Sonatas" e "Unamuno: diario poético en Papeles de Sor Armadans". Em 1968 grava um Epê, "Andros II", que foi apreendido pela censura.

A 1 de Agosto de 1969 morre o seu irmão Miguel, tragédia que o afectará profundamente na sua obra e vida. Em 1971 edita o seu livro fundamental, "Cantar y callar", edição que trazia o seu primeiro disco, apreendido. Em 1972, Labordeta e alguns amigos aragoneses, fundam a revista Andalán. Publica também "Treinta y cinco veces uno" (poesia) e escreve "Mitologías de mamá" (romance que só será publicado em 1992). No ano seguinte publica novo livro de poemas, "Tribulatorio".

Em 1974, ano do seu primeiro élepê, "Cantar i callar" (editado em França), publica "Cada qual que aprenda su juego" (reunião de pequenos romances), e recebe o Premio San Jorge, atribuído pela Diputación Provincial de Zaragoza. No ano seguinte, no seu segundo álbum, "Tiempo de espera", surge uma das suas canções mais conhecidas, "Canto a la libertad", canção que se tornará o hino não oficial de Aragão.

De 1976 a 1989 publica dez álbuns (dois deles ao vivo) e seis livros, além de artigos em revistas e jornais. Durante esse período milita no Partido Aragonesista (PSA) e, findo este, na Chunta Aragonesista (CHA) . Em 1991 abandona a vida de músico, recebe o prémio Juan de Lanuza e em 92 a Medalha de Ouro de Zaragoza. De 1991 a 1998 realiza o documentário sobre a Espanha rural "Un país en la mochila" (transmitido pela TVE2). Em 1999 é eleito deputado para a Assembleia de Aragão pela CHA.

Em 2000 é eleito deputado para o Congresso (equivalente à nossa Assembleia Nacional), pela CHA. Vai publicando discos e livros e em Junho de 2004 faz parte da comissão que investiga os acontecimentos do 11 de Março. No começo deste ano abandona a actividade política.

Além de poeta, escritor, cantor, deputado, "el abuelo" foi também actor (em dois filmes), comentador e apresentador (na rádio e televisão). Um homem ligado assim à sua terra e às suas gentes foi, podemos dizê-lo, um excelente comunicador das paisagens e da geografia humana das vastas, ricas e diversas regiões espanholas. A sua voz grave e forte canta o carácter agreste da paisagem aragonesa. Na AntenaGeo (ao fundo, no Georden) podem ouvir algumas das suas canções mais representativas e marcantes.

Num âmbito mais geral, o documentário que dirigiu e apresentou durante 8 anos, "Un país en la mochila", proporcionou a quem pôde vê-lo um maior conhecimento do país vizinho.
Documentário de grande interesse geográfico e cultural do qual vos propomos a vizualização de um vídeo, disponível no YouTube, com extrato de um episódio sobre a região e o rio Duratón (afluente do Duero). Vale bem a pena. Há outros (basta procurar por "Labordeta" e "mochila").
Para picar o ponto ao habitual queixume português, pena a RTP já não ter programas que lhe cheguem aos calcanhares...



Pequena biografia extraída do livreto da compilação "Cantar y No Callar", caixa com 13 cds que reúne os seus álbuns de 1975 a 1995 (editada em 2004, pela Fonomusic)
Imagens retiradas de 10lineas.com
+ info
10lineas.com
Blogue de Labordeta

terça-feira, setembro 16, 2008

O albedo não é um segredo

Capa de Albedo 0.39 (Lp, 1975, RCA), de Vangelis Papathanassiou


O conceito de Albedo, importante termo em Climatologia, traduz a proporção entre as radiações luminosas recebida e reflectida por um corpo não luminescente, ou seja, um corpo desprovido de luz própria. (Esses corpos podem ser planetas, como a Terra, satélites, como a Lua, ou outros (neve, nuvens...)

É um termo que aprendi pela primeira vez muito antes de o estudar nas aulas, pois o senhor Vangelis tem um álbum (de 1975) chamado Albedo 0.39, com cuja capa, aliás, me apeteceu começar este artigo. (É por estas e por outras que continuo a defender que a música nos pode ensinar muito...)

O número 0,39 (ponto é o que os saxónicos usam... nós, ao referir-nos a números decimais, usamos vírgulas...) é o mesmo que 39%. O albedo de um corpo exprime-se na grandeza de 0 a 1, ou de 0 a 100%. O 39% refere-se ao valor do albedo da Terra. Quer dizer que a Terra reenvia para o espaço 39% da luz que recebe.

É por exemplo o albedo da neve que nos obriga a usar óculos (se não quisermos ficar com queimaduras na retina), e não necessariamente a luz do sol, quando (se...) subimos a altas montanhas. Porque a neve tem um albedo muito alto. E o seu valor é mais alto quanto mais fresca ela for. Aliás, como podemos verificar numa tabela como esta, o albedo do gelo pode variar entre os 20 e os 40% e o da neve entre os 40% (se for antiga) e valores superiores aos 80% (se for acabadinha de cair). (Tomem atenção aos valores com que o asfalto se fica...)

O albedo depende, entre basicamente de 3 factores:
(um, relativo ao corpo emissor)
- da intensidade da luz,
(outro, relativo à posição entre o emissor e receptor)
- do ângulo de incidência,
(outro, relativo ao corpo receptor)
- do superfície do corpo que reflecte (ou não) essa luz.

É graças ao albedo que a Terra pode, por um lado (através das nuvens, que a filtram) proteger-se da radiação, ou, por outro, manter uma temperatura agradável (quando corpos escuros, com pouco albedo, retêm a energia recebida).


ver maiorO albedo da Terra
Imagem extraída de Visible Earth (NASA)


Da análise da imagem acima podemos perceber a importância do terceiro factor enunciado. As maiores taxas coincidem com partes do globo (no mapa não foram considerados a água, a Antárctida e parte da Gronelândia) que estão cobertas de corpos claros: neve, numas partes, areia, noutras. E a diferença entre ambas as áreas é também visível, com os extremos norte da Sibéria e da América do Norte num vermelho mais denso / carregado que o do deserto do Saara. E isso não é só por haver outros corpos nesta parte do norte de África, mas porque, vimo-lo acima, a neve reflecte mais que a areia.

E sobre o amigo albedo, para já, ficamos falados.
"Quem tem medo do albedo mau, albedo mau...?"


Este é um artigo introdutório a mais um estrato do livro de JRS, "O Sétimo Selo".

segunda-feira, setembro 15, 2008

Energias Renováveis e Mobilidade Sustentada 2008

Foto difundida via e-mail"É já a partir de dia 18 e até 22 de Setembro que Monte Gordo receberá a grande exposição ENERGIAS RENOVÁVEIS / MOBILIDADE SUSTENTADA 2008 e de ambiente em geral, integrada na Semana do Baixo Guadiana Sustentável, englobando muitas iniciativas nos Municípios de Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim.

O programa de actividades é muito interessante, sendo esperados muitos visitantes, empresários e mais de 500 alunos de diferentes escolas da Zona do Baixo Guadiana: para além de 2 seminários, demonstrações de funcionamento das energias renováveis e de veículos amigos do ambiente.

Em destaque está a divulgação pública, pela primeira vez, da HIDROGENPOWER da utilização do hidrogéneo em qualquer veículo convencional a gasolina ou a gasóleo com uma poupança considerável de combustíveis fósseis e poluentes.


Mas haverá muitos outros pontos de interesse, tais como o ALGARVE GREEN VEHICLE CHALLENGE 2008 (uma prova que se realizará pela terceira vez no Algarve, no dia 22 de Setembro, em que apenas podem participar veículos amigos do Ambiente, e que este ano percorrerá os municípios do Baixo Guadiana) e claro, a possibilidade de experimentar os novos conceitos de mobilidade sustentada, tais como Segways, Easy Glyders, Scooters eléctricas, trotinetes e bicicletas assistidas electricamente , automóveis eléctricos, automóveis solares, entre muitos outros.
Todos poderão também verificar as temperaturas atingidas pelas diferentes marcas de colectores solares térmicos a funcionar nas mesmas condições de exposição solar, entre muitas outras demonstrações de energias renováveis, nomeadamente a energia eólica, e ver fornos solares a funcionar com o magnífico Sol algarvio.

Clica para aumentar

De entre as entidades institucionais / empresariais presentes contam-se até esta data, as seguintes já confirmadas:

Entidades Institucionais
1 - CM de Vila Real de Santo António
2 - CM de Castro Marim
3 - CM de Alcoutim
4 - Associação Odiana
5 - Área de Medio Ambiente Y Energias Renovables - Diputacion de Huelva
6 - CCDR Algarve / Europe Direct
7 - CCDR Algarve PO21
8 - Globalgarve
9 - Centro de Ciência Viva de Tavira
10 - INUAF
11 - LIBERTY SEGUROS
12 - DECO
13 - ALGAR + Autocarro de Educação Ambiental

Entidades Empresariais
14 - SOLARINOX (Energias Renováveis)
15 - ECOPERL "
16 - REFRISUN "
17 - NATURAL ENERGY "
18 - GUADICLIMA "
19 - ESTELAÇÃO "
20 - JORO "
21 - AEROSOLAR "
22 - ECOSPEED (Veículos Amigos do Ambiente)
23 - SEGWAY "
24 - HIDROGENPOWER (Combustíveis alternativos)
25 - BIODIESEL EM CASA "
26 - BIOCAR "
27 - RESIVALOR "
28 - RECICLIMPA "
29 - SMART ENERGY "

Porque esta é uma exposição interactiva, onde tudo pode ser experimentado e visto a funcionar, onde inclusivamente um dos seminários será feito ao ar livre, não faltando portanto pontos de interesse, contamos com a vossa presença!"

+ info
António José Brito

964144312
algarverenovavel.com

Recordo que se encontram na Videoteca Georden dois filmes da edição de 2007:
Algarve Green Vehicle Challenge 2007 (2:59)
Algarve Green Vehicle Challenge [Filme fotográfico] (6:42)

Inquérito à sustentabilidade

Informamos que até ao final de Setembro estamos a perguntar aos nossos visitantes (mesmo aqui ao lado) sobre quais as maiores ameaças à sustentabilidade.

Colocámos 5 hipóteses de resposta, a saber:

- O consumismo
- O défice democrático
- O individualismo
- A concentração de capital
- A sobredependência energética

Bem podiam estar outros factores / razões, por isso convidamos todos os interessados a deixarem os seus comentários, complementando, explicando, reflectindo sobre a questão.
Sustentem o sustentável com o Georden.

domingo, setembro 14, 2008

Expo Zaragoza 2008

No dia do encerramento da Exposição Internacional de Saragoça, que decorreu entre os dias 14 de Junho e 14 de Setembro de 2008 (hoje), com o tema "Água e Desenvolvimento Sustentável", publicamos um breve filme fotográfico que nos mostra o centro da cidade e o recinto da Expo Zaragoza 2008.
As fotografias foram tiradas entre os dias 22.08.2008 e 25.08.2008 e a sua visualização é acompanhada pela música do cantor aragonês, Labordeta.

Em breve colocaremos mais novidades sobre Zaragoza, com destaque para a Expo2008.

Eduardo F.
Rogeriomad

"CYBER-BUTEKIM" 13

Clica para aumentar Por Toni Stalker, 2005.

sábado, setembro 13, 2008

As cores da bandeira nacional...

Antes...
Quando tinha trabalho...
Quer dizer...
Quando tinha um emprego remunerado...
Sonhava!

Sonhava...
Casar...
Viajar...
Comprar casa...
Ter filhos...
Ter sucesso profissional...

Ultimamente...
Já sem trabalho...
Quer dizer...
Já sem um emprego remunerado...
Sonho!

Sonho...
Com assaltos a gasolineiras... a bancos... a seguradoras... a supermercados... a tabacarias... a multibancos...

O desemprego torna-nos criativos!

sexta-feira, setembro 12, 2008

O Sétimo Selo - energia e hidrogénio

(Continuação)

José Rodrigues dos Santos (JRS) procura sempre a pedagogia. Está tudo nos livros, costuma(va) dizer-se. Bem, em muitos, não em todos... Pelo menos, quem leu este ficou a saber muitas coisas.

É mesmo nos últimos capítulos desta obra (não sei porque lhe chamou romance, ficava mais bem catalogado como policial...) que se explica, tal como se estivéssemos numa aula de física - boquiabertos com o entusiasmo e o interesse suscitados por tanta clareza - o processo de produção de energia através do Hidrogénio.

A utilização deste recurso para produzirmos energia vai ser - segundo o que JRS põe nas bocas dos cientistas - a salvação do planeta. Se lá chegarmos, claro.
(Ai estas últimas duas frases suscitaram alguma acusação, ao escritor, de alarmismo? Tal como nos telejornais, em que o mais importante fica para a segunda parte, esperem até próximos estratos.) É sobre ele que vamos falar aqui, porque o Georden também é pedagógico.


O Hidrogénio foi o primeiro átomo a ser criado após o Big Bang, é o mais abundante no universo, o primeiro da tabela periódica e o mais simples de todos os átomos conhecidos.

Apesar de abundante, por ser altamente reactivo, é quase impossível encontrá-lo no seu estado puro. Porque se associa aos átomos do meio em que se encontra. Ao juntar-se o hidrogénio armazena energia.

A fotossíntese provoca a cisão das moléculas da água que existe nas plantas. "O oxigénio e o hidrogénio separam-se. Mas devido àquele "ódio à solidão", o hidrogénio vai logo associar-se ao carbono, formando os hidratos de carbono. É por estarem carregados da energia solar (ganhos com a fotossíntese), que os açucares são altamente energéticos.

Ao comermos esse açúcar o nosso metabolismo vai dissociar os átomos do hidrogénio dos de carbono. O hidrogénio volta a juntar-se então ao oxigénio, originando moléculas de água, perdendo para isso o calor que tinha armazenado - "funciona como a fotossíntese ao contrário". Daí que o nosso corpo liberte calor. Mas essa energia pode assumir outras formas, como as energias eléctrica, mecânica e química.

"E o que é interessante é que essa energia, em vez de ser libertada, também pode ser guardada por milhões e milhões de anos. (...)" Se as folhas das plantas não forem comidas por nenhum animal ou queimadas num incêndio, mas, em vez disso, caírem ao chão e se forem enterrando, ao fim de muito tempo transformar-se-ão em... carvão. Ora, que uso damos nós ao carvão?"

Ao queimarmos o carvão ou qualquer outro hidrocarboneto (petróleo e gás), a energia solar liberta-se. "O hidrogénio larga o carbono e associa-se ao oxigénio, (...) e o carbono, que também ficou sozinho, também se associa ao oxigénio, criando o dióxido de carbono."
"- Se bem entendi, a
energia não está no carbono (...) Está no hidrogénio"

Depois de falar de quais os hidrocarbonetos mais energéticos o cientista pergunta:
" E se, em vez de queimarmos um combustível que tem carbono e hidrogénio, queimarmos apenas hidrogénio?"
(...)
Ou seja,
eu não preciso do carvão, do petróleo ou do gás natural para nada. Apenas preciso do hidrogénio"

A resposta àquela importantíssima pergunta é que deixamos de produzir dióxido de carbono. Simplesmente porque sem carbono, não há dióxido de carbono...

Então, voltamos ao princípio: aonde vamos nós buscar hidrogénio em estado puro?
A resposta é também simples: à água. Vamos buscar o hidrogénio da água, através da electrólise, que não é mais que um processo de decomposição química através de uma corrente eléctrica.
Submetidos a essa energia os átomos de hidrogénio separam-se dos de oxigénio e juntam-se aos seus semelhantes, com essa energia armazenada. Se invertermos o processo, voltamos a ter água. Com a vantagem de podermos usar aquela energia armazenada, que então se liberta.


Imagem animada extraída de Hydrogen-FC


Para podermos fazer isso precisamos de uma caixa, com duas partes que separam oxigénio e hidrogénio. Na parte deste elemento "posicionamos um metal especial, designado catalista, de modo a provocar uma reacção química que forçará os átomos de hidrogénio a soltarem-se." Como "não suportam a solidão", vão associar-se ao oxigénio, através de um segundo corredor, "instalando um fio metálico entre os dois lados da caixa".
"- O protão do átomo de hidrogénio passa pelo electrólito e o electrão tem de ir pelo fio metálico."
"(...) Um electrão é, na prática, uma descarga de corrente eléctrica, o que significa que a sua deslocação liberta energia sob uma forma que pode ser usada para o que quisermos".

Para o que quisermos!
Se TODOS quisermos, porque se os que têm os meios não quiserem, continuaremos a percorrer este caminho sem futuro e que não muda.

Ponto de água da Penha

"A Câmara Municipal de Guimarães levou a cabo um considerável investimento com a construção do Ponto de Água da Penha, na senda do trabalho que tem vindo a realizar na Prevenção de Fogos Florestais. (...)

O Ponto de Água da Penha é uma infra-estrutura de abastecimento de água com capacidade de armazenamento de 2600 m3 de água, fundamentalmente proveniente de minas e de um furo artesiano. (...) É devidamente impermeabilizado, vedado para protecção de pessoas e fauna.

Constitui-se como um precioso meio para ser utilizado pelos Bombeiros, quer para meios terrestres, quer para meios aéreos (helicópteros pesados) e destina-se a defender a Montanha da Penha, mas também as manchas florestais do concelho de Guimarães, assim como a região envolvente."


Publicado a 09 de Setembro 2008, no cm-guimaraes.pt

quinta-feira, setembro 11, 2008

Coimbra: próxima paragem

Vidal: Rua da Matemática, Maio 08

Coimbra B: Estação velha. “Tem que ir até Coimbra A, no centro”, presume-se, então que no centro é a estação nova(?). Não Parece. Desde o início da década de 1990 que a distinção me faz pasmo. E continua. Mas eu não continuo a ir a Coimbra. Ou vou muito pouco, raramente mesmo e, das últimas vezes, por motivos de doença de pessoa conhecida. Despojei-me de Coimbra. Lambi as feridas, voltei, fui não sei onde e voltei.
Coimbra foi a minha geografia humana durante uns bons cinco anos. Base de partida para outras descobertas e assim continuou mesmo quando já lá não vivia. Mas tudo isso foi há muito tempo, tanto que ainda existia o “Abismo” perto do Norton de Matos e o “Moçambique” panque na Praça da República, onde eu comecei a rasgar as calças e passei com distinção nas viagens pendulares ao WC. A “minha” Coimbra era pequenina, a das repúblicas (algumas), das viagens intermináveis, dos desvarios previsíveis, das tasquisses mundanas; não era a Coimbra académica, era a estudantil sim, mas a Coimbra dos coimbrões (não são forricas, não!), estava lá a estudar como se estivesse a trabalhar e era de “lá”, como todos os outros.
Lá aprendi a beber absinto, genebra, martini gin e a deambular mesmo sentado numa esplanada. Lançavam-se (literalmente) fanzines para a rua, escavacavam-se argumentos entre “facções” nas mesas de café. O Carlinhos velhote despia-se num happening/perfomativo (hoje em voga) de rua e vendíamos todos os fanzines.
Em Coimbra os empregados de mesa eram companheiros de mesa, da noite e da serventia, se necessário fosse. Os empregados tinham nome. E alguns eram amigos. Em Coimbra aprendi a beber absinto com favas estufadas às cinco da manhã e, de certa forma aprendi a amar, ou desaprendi, já não recordo bem. Era a Coimbra da “cave das químicas” com concertos e festas fabulosas, da “States”, dos Tédio e do tédio, das iscas de fígado ao fim da noite no “mija cão” ao som dos Nirvana; da Venda do Sr. João que era do Belenenses e na qual não se podia dizer palavrões. A minha geografia Coimbrã carrego-a tatuada no corpo e confunde-se-me, por vezes, com a alma.

Durou pouco, um, dois anos, antes da mordaça pós-moderna enlatar-nos os dias. Apenas ficou algum refugo dos anos “loucos” da década de 1970/80. Depois veio o teatro, mais no café que no palco; os esquerdismos balofos e de fancaria e um conservadorismo sem lastro. O casario da alta e da baixa, antigo, velhote, digno, por vezes taciturno, outras alegrete foi-se tornando decrépito e sujo. A cidade, ainda mais, se enquistou na colina sagrada. Uma caricatura de si própria. Pior: cada vez mais parecida com “outras”.

Este é o primeiro de uma série de artigos sobre a (minha) geografia de Coimbra.

quarta-feira, setembro 10, 2008

O que não vemos...

Clique para lerPúblico, 04.09.2008, p.16

Não há como contornar: o que nasce, nasce de algo. (Deixemos de lado as explicações criacionistas religiosas...).

Vários factores contribuem para um dado resultado. Os fenómenos regionais podem ter (e muitas vezes têm) causas exteriores à região. Já o aplicamos quando se falou de globalização. Os furacões, como outros factores que representam um risco (até que ponto meramente natural?) para as populações, ENGLOBAM-SE na tão propalada questão das alterações climáticas.

As coisas que não sentimos, podem ser tão pequenas como 0,3 graus célsius, mas em certos fenómenos, o factor multiplicador é grande e incontornável.
Que são 0,3 graus? O nosso corpo nem o sente...

Mas a frequência e a intensidade dos furacões cada vez mais noticiados nos últimos tempos deixam marcas, em forma de estatísticas e danos materiais e humanos.

Quando deixamos de olhar para o lado, deparamo-nos com cenários de destruição.
De menosprezarmos o que não se vê, passamos a não conseguir evitar o que se abate sobre nós.

terça-feira, setembro 09, 2008

Braga: acidente grave II

Rua dos chãos, 9 Set. 08. O edifício em requalificação e a seu lado o que ruiu. No local confundem-se.

Fachada do edifício em ruínas

Se eu bem percebi, pelas imagens é difícil, a cratera por detrás dos dois edifícios é significativa. Acresce que estes, e aliás, todos os outros edifícios desta rua confinam uns com os outros. Sem especulações, não se pode mexer num sem conhecer o estado dos outros. E mesmo assim…
A rua mantém-se encerrada ao tráfego.