Mostrar mensagens com a etiqueta PIN. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PIN. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Quanto custará (a havê-la) a anulação da prospecção de Petróleo no Algarve?

É o que se pergunta a Associação Zero.


Prospeção de petróleo frente a Aljezur.


A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, em carta enviada ao Sr. Secretário de Estado da Energia, pergunta ao Governo quanto custa o cancelamento do contrato com o consórcio formado pela Eni e pela Galp associado à prospeção e exploração de petróleo em zona profunda da Bacia do Alentejo, a cerca de 45 quilómetros no Oceano Atlântico frente a Aljezur.

Este elemento é essencial para fundamentar uma decisão e que a ZERO considera dever ser apresentado publicamente pelo Governo, depois de ter sido desperdiçada uma clara oportunidade, com argumentos suficientes, para rescindir o contrato, não atribuindo o Título de Utilização Privada do Espaço Marítimo (TUPEM). Efetivamente, a ZERO considera que a autorização conhecida na passada semana que permite realizar a sondagem de pesquisa ao largo da Costa Vicentina é inaceitável, não apenas pela opinião de dezenas milhares de portugueses que o expressaram no Verão passado, em consulta pública, mas por diversos pareceres com conteúdos e argumentos detalhados e consistentes contra a atribuição do TUPEM com razões mais do que suficientes para a administração/Governo recusarem o seu prosseguimento.

O Governo deve atuar em consonância com o que defende, assumindo politicamente que a exploração de hidrocarbonetos não é o caminho a seguir. Este é o único caminho de um país que defende uma estratégia de baixo carbono, como foi afirmado publicamente na COP de Marraquexe, em novembro passado. Se o processo do ponto de vista jurídico pode não parecer tão fácil para inviabilizar o prosseguimento do contrato como foi no caso da Bacia do Algarve (em terra, da responsabilidade da Portfuel e no mar da responsabilidade da Repsol/Partex), o Governo já perdeu uma oportunidade de bloquear o processo inviabilizando o Título de Utilização, e arrisca a tornar cada vez mais irreversível uma situação futura de eventual exploração. Custos elevados da prospeção inviabilizarão futura decisão política Tendo a operação de furo de pesquisa um custo aproximado de 60 milhões de euros ao longo de dois meses, é possível que no quadro de um tribunal arbitral, o montante de indemnização seja bem mais elevado, do que se o contrato em causa for desde já cancelado. Estudos públicos e consultados são claramente insuficientes.

A ZERO reitera que, de acordo com a documentação disponibilizada na altura da consulta pública relativa ao TUPEM, a ENI/Galp propõe-se avançar com o furo de pesquisa num local a cerca de 45 km da Costa Vicentina que tem sempre riscos evitáveis de diferente natureza. No “Relatório de caracterização ambiental para as atividades de exploração na Bacia do Alentejo”, denota-se que não existe um plano de monitorização e gestão ambiental para cada uma das três fases de mobilização e posicionamento, perfuração e desmobilização; não se apresentam resultados de modelação de um risco óbvio, mesmo que de natureza improvável, de um derrame de pequena ou grande dimensão; não se apresenta em detalhe a área a ser afetada pelos resíduos da perfuração em volta do furo e não se apresenta um plano de contingência detalhado conhecido pelo público.


Isto acontece tantas vezes - e era bom que voltasse a acontecer (a anulação da concessão) - que chegamos a pensar que faz parte da jogatana...

quinta-feira, agosto 16, 2012

Imprensa do dia (4): depois logo se vê

Grandes eventos desportivos espalham estádios-fantasma pelo mundo forain Público Online


Comentário:

Dos elefantes brancos desportivos vai continuando a oficiar a história. Não sendo um atributo de exclusividade portuguesa, longe disso, convém reflectir sobre o facto de que, apenas após a sua conclusão, estes são verdadeiramente questionados relativamente às suas valências, estruturas e futura serventia, e nem sempre devidamente avaliados. Para além do marketing agressivo, da falácia patriótica, da legitimação internacional (caso da China), dos supostos dividendos turísticos, o mínimo factor comum é que há muito dinheiro em jogo, mas muito dinheiro mesmo, e alguém lucra com isso.


No caso específico da construção dos estádios em Portugal (EURO 2004), nenhum estudo prévio sério foi concretizado, quer dizer, um estudo abrangente, tendo em conta factores de vária ordem, a saber:


desportivos: média habitual de espectadores e nº de associados do clube que vai utilizar o equipamento; em que divisão se encontra; a ligação dos adeptos aos denominados clubes grandes; potencial de crescimento; proximidade dos jogos dos clubes grandes (seja em casa ou fora); impacto das transmissões televisivas (praticamente todos os jogos) , etc...


Outros: nº de habitantes da cidade, concelho, região; ligação da comunidade ao clube da terra (onde se localiza o equipamento); proximidade de outros locais onde se realizam normalmente eventos (musicais, culturais, sociais) mais atractivos e enraizados; PIB da região; capacidade para atrair patrocínios; capacidade/potencial para atrair espectadores de outras regiões; localização excêntrica relativamente ao local de jogos anterior (muitas vezes central e com ligações afectivas profundas); capacidade para receber elevado nº de visitantes extra EURO 2004; o que fazer com o estádio depois do evento (manter a lotação?) …entre outros.


Estamos a falar de estádios com capacidade para cerca de 30.000 espectadores (por imposição da UEFA), localizados em cidades/concelhos com indicadores demográficos totalmente desproporcionados para a lotação, já para não falar de todos os outros factores. Pergunta-se que indicadores desportivos (ou quaisquer outros, já agora) foram tidos em conta para a construção dos estádios de Leiria, Aveiro e do Algarve, dando de barato a reconstrução do velhinho Calhabé em Coimbra, ou a ampliação faraónica do Bessa. Basta atentar na sua situação actual.

Voltaremos a este assunto em profundidade.

quinta-feira, março 08, 2012

A barragem é Tua, os lucros são da EDP

Caros amigos,

Nos últimos dias, foi tornado público o projecto de arquitectura de Souto Moura, para um edificio da Barragem do Tua. Tem como objectivo "esconder" os impactos que a construção da barragem tem no Douro Vinhateiro, enterrando todo o edifício no terreno, com custos que mais cedo ou mais tarde, serão reflectidos na factura da electricidade, paga por todos nós.

Para quem não teve ainda a oportunidade de conhecer o projecto, aqui está:
http://www.dinheirovivo.pt/Empresas/Artigo/CIECO036382.html


Claro que a imagem divulgada pela comunicação social não contempla o paredão da barragem! Como se fosse possível ignorá-lo...e como se esta construção, não fosse por si só, um dos maiores impactos no Douro Vinhateiro, assim como a instalação de Linhas de Alta Tensão ao longo do território, entre outros...

De lembrar que a Direcção Regional de Cultura do Norte, deu um parecer negativo à instalação de Linhas de Alta Tensão entre a Barragem de Foz Tua e Armamar:

http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/cultura-da-parecer-desfavoravel-a-linha-de-muito-alta-tensao-e-obriga-a-reformular-projeto-da-edp_13916392.html


Por último, segue abaixo um comunicado dos Verdes onde estes dão conta de alguns aspectos que interessa a todos conhecer, a propósito da proposta de Souto Moura e dos impactos da construção da barragem no Vale do Tua e no Douro Vinhateiro.

Atentamente,
Célia Quintas

--- On Fri, 3/2/12, Imprensa Verdes wrote:


From: Imprensa Verdes
Subject: Comentários feitos por "Os Verdes" sobre a proposta de Souto Moura para a Barragem de Foz Tua
To:
Date: Friday, March 2, 2012, 2:53 PM


Comentários feitos pelos Verdes sobre a proposta de Souto Moura para a Barragem de Foz Tua



A EDP e o Governo tentam fazer passar a ideia de que a proposta arquitetónica de Souto Moura em relação à Barragem de Foz Tua elimina os impactos ambientais do empreendimento hidroelétrico e os perigos de desclassificação que pesam sobre o Alto Douro Vinhateiro, Património da UNESCO. Para “Os Verdes”, esta mensagem veiculada pela EDP e pelo Governo, não passa de uma falácia.



“Os Verdes” têm o seguinte a dizer sobre esta matéria:

1. A proposta arquitectónica de Souto Moura só vem atenuar um dos impactos gerados pelo empreendimento hidroeléctrico (impactos da central hidroeléctrica). Todos os outros impactos negativos persistem, nomeadamente os impactos socioeconómicos, ambientais, impactos sobre a mobilidade decorrentes da submersão da Linha do Tua, impactos sobre a navegabilidade do Douro, cuja segurança está ameaçada, e os impactos paisagísticos e patrimoniais, nomeadamente com o paredão e o espelho de água que têm um impacto grande e danoso sobre o Vale do Tua e que se localizam na Zona Especial de Protecção (ZEP) à área classificada e para a qual a UNESCO exige as mesmas regras de protecção e ainda a Linha de Muito Alta Tensão Foz Tua- Armamar que rasga a zona classificada e ZEP com impactos impossíveis de minimizar sobre a paisagem.


2. A intervenção de Souto Moura é, ela própria, geradora de impactos ambientais que não foram avaliados. Esta proposta para enterrar a central eléctrica da Barragem implica intervenções pesadas na encosta direita do Tua, com impactos geológicos evidentes. Uma questão que não foi avaliada nos estudos geológicos do Estudo de Impacto Ambiental nem nos estudos apresentados em fase de RECAPE. Uma intervenção que obrigará, por certo, a muitos rebentamentos, geradores de instabilidade nestas encostas rochosas, tal como se tem verificado com os acidentes já ocorridos na Barragem.


3. “Os Verdes” consideram que as ameaças sobre a classificação do Alto Douro Vinhateiro (ADV) persistem, mesmo com a proposta de Souto Moura, não só pelos impactos já referidos no ponto 1, dos quais destacamos a Linha de Muito Alta Tensão e o paredão, mas porque a artificialidade desta proposta não se enquadra nos atributos que levaram à classificação da paisagem do ADV, que são o seu carácter genuíno, autêntico e integral como paisagem vinícola.


4. “Os Verdes” não podem deixar de estranhar que a EDP, que se recusou a estudar e a construir um canal ferroviário alternativo para a área a submergir da Linha do Tua - exigência do caderno de encargos e da declaração de impacto ambiental, porque esta acarretava custos que considerou demasiado elevados - venha agora propor uma intervenção de dissimulação dos impactos da Barragem que tem custos elevadíssimos. Custo que a EDP faz recair sobre os portugueses através do aumento das tarifas cobradas.


5. Esta encomenda ao arquitecto Souto Moura é a prova de que, na fase de pré-projecto e de projecto, a EDP assumiu uma postura de arrogância óbvia e nem se esforçou para minimizar alguns impactos de maior gravidade. Uma postura de arrogância que se deve também à atitude de complacência que os poderes políticos assumiram. A proposta agora apresentada é fruto da luta travada por todos aqueles que se opuseram à Barragem de Foz Tua, nomeadamente a queixa apresentada pelos Verdes junto da UNESCO, que obrigou a EDP e o Governo a reconhecerem a gravidade de alguns impactos e a apresentar soluções para os mitigar.


6. “Os Verdes” não poderiam comentar esta proposta sem fazerem também algumas considerações sobre declarações proferidas por Souto Moura a órgãos de comunicação social, nomeadamente quando diz que não compreende os ecologistas/Verdes, quando estes preferem as eólicas à energia hidroelétrica. Estas declarações são a prova de que o arquitecto tem andado bastante distraído e desconhece o que está em causa, visto que o aproveitamento hidroeléctrico de Foz Tua, tal como os restantes empreendimentos do Programa Nacional de Barragens, estão intimamente ligados aos interesses económicos que o sector hidroeléctrico obtém na utilização de energia eólica através da bombagem nestas centrais, com reversibilidade. “Os Verdes” aconselham o arquitecto a procurar novas informações, antes de se pronunciar sobre este assunto.

Com ou sem intervenção de Souto Moura, “Os Verdes” reafirmam que os impactos da Barragem da Foz Tua são inaceitáveis para a região e para o país, destroem um valioso património único, a Linha e o Vale do Tua, e ameaçam a classificação de Património da Humanidade, atribuído pela UNESCO, ao Alto Douro Vinhateiro.


Como tal, “Os Verdes” reafirmam o sem emprenho em tudo fazer para parar a barragem de Foz Tua.


O Partido Ecologista “Os Verdes"
O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”

(T: 213919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)

www.osverdes.pt

Lisboa, 2 de Março de 2012

terça-feira, fevereiro 07, 2012

sábado, julho 02, 2011

PPP? PQP!!!


"A EDP quer garantir o máximo de incorporação de mão de obra local nas obras de Foz Tua, estando já a desenvolver planos com o consórcio construtor Mota-Engil/Somague/MSF, a Direção Norte do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e o Centro de Formação Profissional da Indústria da Construção Civil Norte."

Via EDP (imagem e excerto)


Blá blá blá...
Querem envolver as pessoas locais no projecto?
Gostam muito de criar postos de trabalho, não é?

Adoram é comprar os locais para que aceitem roubar-lhes o pouco que lhes resta.
Adoram é passar os bens que são de todos para as mãos de alguns.


É urgente rever as concessões e parcerias público privadas, tal como exige a `troika´ e como anunciado pelo novo Governo, sendo as barragens a 3ª Parceria Público Privada (PPP) mais cara para o país. E estimado que o custo total das novas barragens (durante a vida da concessão) seria cerca de 15 000 milhões Euros = 4600 € por família [1].

O que ganha um país quando destrói uma linha-férrea centenária que atravessa toda a região uma região interior que não tem outra alternativa que não uma futura auto-estrada com portagens?

A Linha do Tua percorre Trás-os-Montes, lado a lado com um dos últimos rios livres de Portugal, serve as gentes locais, transporta milhares de turistas de todos os cantos do mundo e, com a sua ligação a Puebla de Sanabria e à Alta velocidade Espanhola, poderia trazer a casa, pelo Verão e pelo Natal, milhares de emigrantes transmontanos.

O que ganha um país quando destrói um vale milenar único como o vale do Tua, para aumentar a sua produção energética em algo tão insignificante como 0,7% [2]?

Os impactos da construção desta barragem são irreversíveis e hipotecam para sempre o futuro de Trás-os-Montes. É urgente um novo olhar para Trás-os-Montes e para o desenvolvimento transmontano, em particular, para o Vale do Tua.


Comunicado da Quercus (excerto) pela revisão das Parcerias Público-Privadas (parecem-me depravadamente bem mais privadas que públicas...) no que diz respeito à construção de paredões, produção de energia, projectos e a delapidação da paisagem...


Soa a muitos pês?
Soa a pês a mais para a nossa vidinha cheia de ésses e dês?

Olhem,


«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago – Cadernos de Lanzarote - Diário III – pag. 148

sábado, novembro 14, 2009

Sabor Livre - Novo passo

Decisão do Supremo Tribunal Administrativo contraria a EDP

As associações que integram a Plataforma Sabor Livre (PSL) recebem com optimismo a recente decisão do Supremo Tribunal Administrativo, que vai contra as pretensões da EDP. Esta tentou evitar a análise da providência cautelar apresentada pela PSL em relação à validade da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da construção da barragem do Baixo Sabor. O Tribunal veio agora recusar o recurso da EDP.

O referido tribunal analisou a Providência cautelar e o recurso da EDP, tendo concluído que à EDP não assiste razão. Como principal consequência, o Tribunal terá mesmo de se pronunciar sobre a validade da DIA. Recordamos que desde a instauração deste processo, antes do início das obras, os juristas da PSL apontaram a caducidade da DIA, o que obrigaria a novo estudo de impacte ambiental.

Por outro lado, apesar da decisão favorável à PSL, lamenta-se que a análise de um recurso a uma providência cautelar seja tão morosa, tendo tardado vários meses a Decisão, a qual aguardamos com expectativa. Entretanto, as obras no terreno continuam, consumando o facto antes do tribunal se pronunciar.

A PSL considera que, apesar de a EDP ter dado início às obras de construção da barragem, é ainda possível, através dos processos judiciais em curso e das diligências efectuadas junto das instâncias comunitárias, evitar a destruição dos habitats protegidos do Sítio de Importância Comunitária e Zona de Protecção Especial do Sabor.

Lisboa, 06 de Novembro de 2009


Plataforma Sabor Livre:
Associação Olho Vivo;
FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens);
GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente);
LPN (Liga para a Protecção da Natureza);
Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza)
SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves).

quarta-feira, agosto 12, 2009

A lenga-lenga que não destrava línguas mas deixa sabor agridoce na boca dos subalternos

Em certos países produtores de petróleo, o único caminho disponível para o enriquecimento pessoal é a apropriação privada de rendas petrolíferas; quem controla a emissão de alvarás de concessão de poços, controla quase absolutamente as fortunas e o destino do país. De Portugal poderia traçar-se uma descrição semelhante: nas últimas décadas, o caminho mais eficaz para o enriquecimento pessoal tem sido, além da especulação com fogos habitacionais, a apropriação privada de rendas (mais-valias) urbanísticas: por isso, quem controla a emissão de alvarás de loteamento controla as fortunas e o destino do país — com efeito, reina sobre os portugueses quem gozar o poder de alterar ou suspender Planos Directores Municipais (PDM), de desafectar terrenos à Reserva Ecológica Nacional (REN) ou à Reserva Agrícola Nacional (RAN), ou de autorizar urbanizações de “Potencial Interesse Nacional” (PIN).

Quem controla esta produção e distribuição de mais-valias urbanísticas tem nas mãos o verdadeiro poder político e económico de Portugal, e goza privilegiadamente das suas riquezas. Tudo o resto — incluindo os rendimentos da indústria, da agricultura e dos serviços, enfim, da genuína produção — são bagatelas comparadas com o valor dos alvarás urbanísticos nos anos de bolha imobiliária.

Se não houver uma tributação do património imobiliário que iniba o subaproveitamento dos imóveis, e uma ampla oferta de imobiliário público para arrendamento (tanto habitações como solos rústicos para cultivo), resulta fatalmente que uma grande parte da terra e dos edifícios são mantidos desocupados pelos proprietários que nem os utilizam, nem os alienam por preço justo a terceiros que desejem aproveitá-los. Um anti-mercado cujos preços são controlados unicamente pelos ofertantes, que os colocam muito acima do custo de produção e os alçam até ao limiar máximo da capacidade de pagamento dos demandantes, deixando-lhes apenas os rendimentos mínimos para subsistir.

Tanto o Estado como os cidadãos acumulam hoje dívidas de montantes raramente vistos na História. Os contribuintes são chamados a nacionalizar bancos falidos pela morosidade imobiliária; cidadãos carregam hipotecas perpétuas muito superiores ao custo real dos imóveis que compraram. Todo este oceano de dívida destina-se, em última análise, a um só fim: pagar a crédito a fortuna desta nova aristocracia — um pequeno grupo social que além de ter ascendido por via da captura política de rendas fundiárias, passou a reter centenas de milhar de imóveis vazios nas nossas cidades e outras tantas centenas de milhar de terrenos devolutos e expectantes em redor delas.

domingo, agosto 09, 2009

PIN

Os PIN são, apenas e só, o reconhecimento de que o país tem duas políticas urbanísticas para a mesma parte do território: uma para os cidadãos comuns, arrogantemente implacável e restritiva para a mais comezinha melhoria das condições de habitabilidade, e outra para os promotores dotados de elevada capacidade financeira, que permite a ultrapassagem de todas as restrições impostas pelas políticas públicas de conservação da natureza ou pela simples legislação urbanística, tout court.

José Carlos Guinote.

Ler artigo completo aqui.

sábado, julho 18, 2009

"Esta noite sonhei com Mário Lino"

"Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!"

Miguel Sousa Tavares
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

sexta-feira, março 20, 2009

Boas intenções ou atenções boas?

Vai-não-vai, lá vem o TGV. Para grandes males, grandes obras. Sucede que este é o mesmo país em que praticamente 90% do transporte de mercadorias se faz por via rodoviária (com todas as consequências que daí advêm); o mesmo onde se encerram linhas de caminho-de-ferro (veja-se o Tua entre outras) ou são reconvertidas para fins turísticos (alegres zoológicos a céu aberto); onde uma ligação Braga/Porto demora 1h15m e Barcelos/Porto o mesmo, praticamente, que o meu pai levava na década de 1970. Este é um país pequeno onde uma planeada rede de linhas de média velocidade (por exemplo como os Inter Cidades) faria toda a diferença, mas onde há muito tempo o modelo de desenvolvimento assenta na construção de rodovias. Então para que serve (ou a quem serve) o TGV? Veremos.
Recentemente soubemos também de mais um instrumento para combater a crise disponibilizado pelo governo. As famílias com desempregados vão ter um desconto de 50% na prestação do crédito à habitação. Esta medida tem a duração de dois anos, após os quais o dinheiro terá que ser devolvido. Parece-nos bem. Observando-a reflectidamente, chegamos à conclusão que a par do apoio às famílias com dificuldades é um enorme apoio ás instituições bancárias, pois continuam a receber o seu dinheirinho. Dir-me-ão: os bancos podem sempre vender em leilão os imóveis. Respondo: podem não. Podiam. Já ninguém compra. Se o objectivo fosse ajudar a malta a ultrapassar a crise o apoio seria também para famílias com desempregados que vivem em imóveis arrendados. Não é pois não?
Também estas podem ter dificuldades em pagar. Ou ir para a rua. Mas isso é outra história…

quarta-feira, dezembro 10, 2008

O verbo derivado é bem mais forte...

(
- Desbloqueia aí os processos, compincha.
- Não te preocupes. Nem que seja no último dia antes de cessar funções, verás o teu PIN aprovado.
)


Portugal soma e seguePúblico, 09.12.08, p.18
(Clicar na imagem para ler)


E eu, tão mal informado estava, a pensar que PIN queria dizer Projecto de Interesse Nacional... Afinal, é menos que isso - o P é só de Potencial...
Mas as perdas, essas, não levam esse P. Levam um E, de Efectivas. E começam já nos pinheiros, que deixam de ser verticais para sempre.

Destruam o coberto vegetal, desestruturem o solo. E depois abandonem a região por falta de água com qualidade. Prever, planear... verbos que implicam visão de futuro. Prever as fases é já estruturar o calendário das nossas acções. Agora destróis, amanhã constróis, depois de amanhã foges do que construíste. Talvez para lugares onde ainda não tenhas feito nada disso.

Numa fuga prà frente, sem fim à vista? Sim, porque ciclos destes não se renovam, não são sustentáveis.
(Ah! as Cidades Invisíveis, do Calvino, sempre a virem à baila....)


Que andam os governos - nacionais e europeu - a fazer a Portugal?
(Vá lá, uma ajuda: é um verbo...)


Do título deste artigo de jornal extrai-se a errada dicotomia em que querem pôr-nos a ver o mundo: o da coexistência das actividades humanas com os espaços naturais, saudáveis, desabitados pelo Homem, com funções ecológicas...

Importa ressalvar que o que está uma vez mais em questão é o facto de que - e com projectos destes o corroboram - CRESCIMENTO é incompatível com DESENVOLVIMENTO.

Não, amigos. O que é incompatível são as visões mesquinhas e o umbiguismo fatídico da nossa curta duração por esta Terra. Só porque os filhos continuarão a viver lá porque deixou de haver uns hectares de pinhal, quer dizer que não eram necessários? E a viver, sim, mas com mais qualidade de vida? Só se for para os turistas e endinheirados desmiolados que lá forem alimentar estas ilusões.

Pelo menos, a haver uma subida do nível médio do mar, eles serão dos privilegiados, para assistir ao desmoronar da sua cara qualidade de vida. Que pena não ser selectivo um hipotético tsunami...
Que pena...

domingo, novembro 09, 2008

quarta-feira, abril 16, 2008

Como vai este país

"- Olá, Sr. Contente
- Olá, Sr. Feliz.
Diga à gente,
Diga à gente
Como vai este país"


Não me admira que haja senhores felizes e contentes. O mundo é composto da relação de contrários.
A democracia de baixa qualidade que vamos alimentando por incúria, desleixo e inacção destrói a ética com que a política devia ser praticada? (Sim, política para o povo deveria equivaler a ética... mas se calhar sou demasiado ingénuo nestas minhas noções de política...).


Ler para saber mais

Visão, 26.04.2007, pp 64 e 66

Para quem vai, com perdas (há sempre perdas...), poupar-se a ler o texto acima (datado?) deixe-me retirar duas frases sintéticas que ele contém:

"Setenta mil desses hectares jamais verão qualquer contrução. São terrenos reclassificados apenas para fazer subir o seu valor"

e

"Isto [a requalificação de solos] não se faz para obter verbas, mas sim para satisfazer interesses."

Sim. E daí nascem Srs. Felizes e Srs. Contentes.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Ultras Portugal

Tem toda a razão o RogérioMad. Quatro a três para Alcochete. E parece que só houve jogo até final, ou melhor dizendo, duas equipas, a pedido de muitas famílias.

Sem discutir (para já) a decisão, os aspectos técnicos ou as condicionantes estruturais e estratégicas, abordemos a forma leviana (e arrogante!) como este assunto de tostões foi tratado, e não é de hoje.

Ainda há uns meses atrás a OTA (já se vendiam lotes) aparecia como dado adquirido. A bem dizer não se conhecia mais estudos. Muito menos Alcochete, como ainda ontem admitiu o governo. Muito menos Alcochete. Como?

O mais interessante era a ausência de contraditório, ah(!) de estudo alternativo. Uns dizem quarenta anos, outros, e bem, referem a OTA desde o governo Guterres, que nem queria ouvir falar da margem Sul para não comprar mais nenhuma guerra com os ambientalistas (recordam-se da ponte Vasco da Gama, não da feijoada, mas da polémica???). Bem, a saber:

Primeiro só havia uma certeza, a OTA. Devidamente consolidada em estudos e tempo. Segundo, era a melhor (a única opção), alicerçada em estudos (realizados com tempo).
Terceiro, e se não existisse pressão para mais estudos? Sim, se não tivéssemos todos começado a berrar o assunto? Oposto que sabem a resposta, não?

Quarto, afirmou-se que não havia tempo a perder a vida é água a correr e o país não tinha tempo para brincadeiras e encomendazinhas que não iriam, obviamente dar em nada, blá, bla…Que não havia tempo.

Quinto, a SUL, bem a SUL aquilo “jamais”, aquilo é um deserto. Não pode ser. Não. Claro que não.
E mais festas avulso nos jornais e nas revistas cor-de-rosa, onde se opinava a favor de um lifting ao país ou pelo menos o uso de um hidratante e tónico.

Bem, afinal em seis meses e pico, (depois de quarenta anos!), em seis meses e picos, chegou-se a uma decisão. Em seis meses e pico, não sei se estão a ver a coisa? E, ironia sem tempo a perder com isto que é coisa séria, não interessa estar a bater no ceguinho, por acaso, a decisão vai para ( o resultado é…) Alcochete.

Ironia, fria e tenebrosa(!), o presidente da junta da OTA, afirmou na SIC que estava satisfeito, que se regozijava, que a freguesia estava sob grande pressão e nada preparada para receber estaleiros, obras, pessoas, que não tinha centros de saúde, escolas, hospitais…bem, foi o que ele disse. Mas…

Lá vieram também as claques e os associados das boas e más horas. E umas entrevistas em tascas. Onde não se pode fumar, claro.

Depois, lá apareceram uns tipos das oposições com desgarradas emblemáticas de “eu não disse” “estão a ver como nós qualquer coisa” e mais isto, e mais aquilo, e “propomos desde já”…e ainda ouvi qualquer coisa “consenso”, ao longe, porque nessa altura já tinha uma luta em mãos com o gato da casa…

Alguém anda a brincar ao Bob o Construtor... não anda?

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Notícias na hora?

Imagem com a cortesia do Público

Já se sabe onde vai ser o novo aeroporto internacional de Lisboa? O Público na hora online, afirma que sim, citando a SIC Notícias: O Conselho de Ministros vai anunciar hoje a construção do novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete.

Há sempre quem saiba primeiro. Aliás, a versão impressa do jornal, nada adiantava.
Será essa a decisão, amigos? Vamos ver os próximos serviços informativos...

sábado, outubro 20, 2007

A Comboio Passou...

The train's always on time
When you're late.
Lori Carson, Greener

Até há uns meses atrás, não se falava noutra coisa. Novo Aeroporto, Ota, TGV... TGV, Ota, Margem Sul, deserto, Alcochetes, etc. Tanto paleio envolto em tanta polémica e tal. Isto, antes de haver decisão.

Faz-me sempre lembrar a propaganda que se faz nas campanhas eleitorais. Mesmo que se discuta muito (às vezes...), o que é salutar, depois, uma vez vencida a meta, uma vez termos vendido o nosso poder ("Vais votar? Depois não te queixes", já li eu numa parede da cidade...), chega o deserto. Não se ouve mais falar do assunto.

Estaremos destinados a isto? Sem outra hipótese? Será censura nos média, os que nos esmagam o pensamento quotidiano,?

Pronto, são deixas para vos deixar com esta notícia, de... um média (JN). Para ler e... talvez rir? Fazer pensar.

Ler

Jornal de Notícias, 06.10.2007, p.35

sexta-feira, agosto 03, 2007

Das construções em Agosto

Como se pode ler no DN de hoje, a novidade (para agradar a Gregos e Troianos?) para o novo aeroporto internacional de Lisboa, passa agora, pela Portela mais…Alcochete. José Manuel Viegas (IST), vai propor a sua inclusão no estudo da CIP. Polémica. Alarido em Agosto. Alguém vai notar? Afinal não são apenas seis meses para estudos, seja da CIP, ou qualquer outro? Trinta anos não chegaram, menos de cinco meses serão o bastante. Pensamento em grande, estudo pequeno! Toda a notícia AQUI

terça-feira, julho 24, 2007

Burj Dubai

A Torre Dubai, iniciada em 2002 é, neste momento (não está ainda terminada), o edifício mais alto do mundo. Prevê-se o seu término para 2009, atingindo então, aproximadamente 700 a 800 metros(!) de altura. Será constituída por residências, hotéis, parques(?), entre outros. O seu custo: oito biliões (não é bidões) de dólares. Super condomínio de luxo para cidadãos que ganhem mais que o ordenado mínimo.

Portugal, acossado, prepara terrível resposta. Depois da maior feijoada do mundo na ponte Vasco da Gama, da construção de uma dezena de estádios para gáudio de olhares bovinos, e da maior francesinha em prato, confeccionada em Maximinos, Braga; consta que, estará para breve, a maior sandes de queijo limiano do mundo, transportada pela população de Ponte do Lima (onde se produzia o queijo original), até ao novo gigantesco aeroporto internacional de Lisboa, localizado em local incerto(?).Eles não perdem por esperar.

quarta-feira, junho 27, 2007

Pareceres...

Mais um “tecnicista”. No Diário de Notícias de ontem, Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra, ex quase candidato à Câmara de Lisboa, e ex especialista da bola, atordoa-nos com mais uma mirabolante proposta: Portela mais dois: Aqui.

Andamos a brincar aos aeroportos (para não variar). Tenho para mim que estes dislates, entre muitos outros, mais as negociatas, jogadas de bastidores e “contra informação”, servem para nos enredar no precipício da dúvida. Com isto se vão esquecendo coisas mais importantes e PRESENTES. Crescimento mais baixo dos salários na OCDE. Livro branco das relações laborais: Já ouviram por aí?

segunda-feira, junho 25, 2007

Se quiserem uma terceira parte da negociata...

Acrescento algo mais à negociata...
Pode ser a terceira parte da sequela, mas funciona como a do Star Wars. Primeiro os três últimos, depois os primeiros três.
"Neste momento o que é preciso é que a nova infra-estrutura se faça. E já vamos tarde." (Joaquim Carlos Fortunato, Presidente da AECOPS).
Podem ler o artigo seguinte e tirar as vossas próprias ideias. Seja qual for o estudo, um dos sectores que mais contribui para o PIB e oferta de emprego em Portugal exige uma obra com as dimensões do novo aeroporto. Além disso, exige, também, a área da Portela para novo uso. Que uso daremos aos terrenos da Portela após encerramento do aeroporto? Vejo muita discussão em torno da localização do novo aeroporto, mas não vejo qualquer discussão em torno de um provável projecto urbanístico (controlado, planeado, etc) para a futura área de expansão urbana da Portela.Clique para aumentar"Governo reconhece a importância do investimento em Construção." Qual o governo que não reconhece? Só um Governo tótó... ou só o "governo" da oposição sem sentido. Dia 16 de Junho (Sábado), entre anúncios, recuos, novos estudos da localização do aeroporto, Sócrates, Pinho e Lino (e outros governantes) juntaram-se à mesa com os principais representantes da Construção nacional. Enquanto uns estudam novas hipóteses para o NAL, o governo estuda como repartir dividendos com as futuras obras e equaciona novos investimentos. O que será depois do Aeroporto e TGV?
Clique para ler
In Jornal da Construção, 14.06.07 e 21.06.07.