segunda-feira, março 31, 2008

Desenho urbano e espaços públicos (II)

Eis a segunda parte (ponto 4) do excerto do artigo de Miquel Martí "La renovación del espacio público en Barcelona (1979-2003)", retirado da Urbanismo #17 (Revista da Associação dos Urbanistas Portugueses), de Verão de 2004.

4 - ... Para espaços públicos transparentes e contextuais.

Em 1987, quando a renovação urbanística de Barcelona começou a centrar-se nas grandes obras do período olímpico, o Servicio de Proyectos Urbanos (SPU), criado em 1980 com o fito de implementar os projectos de espaços públicos, encetou também uma nova fase. A partir daquele momento, todos os projectos de espaços públicos seriam desenhados por arquitectos pertencentes ao SPU, quando até 1986, a metade dos projectos, especialmente os dos espaços mais importantes, tinham sido entregues a arquitectos externos de reconhedido prestígio. Com esta internalização do processo de desenho pretendia-se forjar uma cultura do espaço público a partir das experiências e explorações dos seis primeiros anos. O resultado foi uma série de espaços projectados em finais dos anos oitenta e princípios dos noventa baseados num plano horizontal unitário e totalmente legível, e um trabalho meticuloso com os elementos urbanos, meticuloso no número de elementos, no desenho de cada um deles e na sua implementação.

A Avinguda de la Catedral foi construída como protótipo dos novos projectos. Colocou-se um pavimento de pedra completamente contínuo ao longo e a toda a largura do espaço, até aos limites das fachadas que o definem. Ainda que os carros tenham acesso a certas partes da praça (para aceder ao parque subterrâneo ou para cargas e descargas), todos os desníveis dos passeios pré-existentes foram suprimidos, criando um plano horizontal integrado onde os peões têm total prioridade. Os elementos urbanos foram reduzidos ao mínimo: um alinhamento de árvores e candeeiros, alguns bancos e os acessos ao parque de estacionamento.
A junção destes elementos constitui uma parte essencial do projecto: todos estão ordenados segundo uma mesmo alinhamento paralelo às fachadas, diferenciando um espaço linear vinculado ao comércio de planta baixa dos edifícios residenciais, de grande espaço livre, unitário e aberto às edificações administrativas e institucionais.
Por último, o desenho dos elemntos urbanos é fundamental. Nos desenhos personalistas dos anos oitenta, cada projectista criava os elementos que ia utilizar, que em muitos casos ficavam estilizados para reforçar a sua imagem visual. Em 1989 criou-se uma Unidade de Elementos Urbanos (UEU) com o objectivo de desenhar elementos minimalistas e estandardizá-los. Os acessos ao estacionamento subterrâneo da Avenida da Catedral, uma estrutura de vidro que integra as escadas e os elevadores, e transparente o suficiente para permitir a visão para o outro lado, é um exemplo claro deste desejo minimalista de elementos urbanos que passem praticamente despercebidos.

Neste sentido, a primeira característica dos novos espaços é a sua transparência. Ao contrário dos projectos do primeiro período, que tentavam focar a percepção em si mesmos, os novos espaços centram a atenção na envolvente construída, e antes de tudo, nos usos e actividades que aí se desenvolvem. Já não aspiram a ser espaços públicos monumentais a partir da sua configuração do plano horizontal. São espaços desenhados para oferecer cenários apropriados à vida da cidade, tanto para a vida do quotidiano, como para os eventos colectivos singulares.
O laconismo formal dos espaços convida a cidade e os cidadãos a tomarem a palavra. Isto significa uma mudança importante na concepção da dimensão cívica dos espaços públicos, na reflexão sobre como eles podem constituir uma expressão da esfera pública.
Em vez de propor formas facilmente identificáveis que representem em si próprias o âmbito público, os novos espaços oferecem entornos legíveis aptos a gerar experiências de diversidade social de espaços públicos inclusivos, uma manifestação tangível da esfera pública contemporânea. Os espaços públicos transparentes estão concebidos para potenciar encontros e interacções, a vivência cívica de ver e ser visto, a experiência da convivência na diversidade.


Foto Eduardo F. - Almeirim, 24.10.2007
Ligação no GEOramio
A foto retrata uma das muitas ruas compridas (neste caso, a Rua do Brasil), e paralelas, de Almeirim. Note-se a diferença do piso, godos quartzíticos, quando entramos nestas ruas. O uso maioritariamente residencial talvez não seja alheio a esta tentativa de distinção (apesar de criar mais ruído quando se circula de automóvel por este piso, é um pavimento que convida / mais adequado a velocidades mais reduzidas)

Em segundo lugar, estes espaços públicos transparentes mudam também a forma como os projectistas concebem o seu desenho. A criatividade pessoal aplica-se não ao desenho de formas expressivas, mas à selecção e combinação subtil dos elementos. Não se trata de desenhar um objecto formal, mas de jogar com uma linguagem de elementos urbanos simples (incluindo pavimentos, mobiliário urbano e elementos vegetais), que podem até ser padronizados. A criatividade centra-se na sintaxe desta linguagem. Ao mesmo tempo, a transparência dos espaços contribui para a sua abertura ao entorno urbano. Desta maneira, os projectos sintáticos são muito mais contextuais. Inspiram-se mais nas condições locais, em vez de se basearem em imaginários e temáticas pessoais.

Se pegamos no exemplo da Avenida da Catedral, o alinhamento dos elementos urbanos está localizado tendo em conta as diferenças formais e funcionais da fachada residencial, os bancos concentram-se exclusivamente em frente à catedral e aplica-se um trabalho subtil ao pavimento. A orientação das lajes de pedra muda no antigo limite da pequena Plaça Nova, que desapareceu quando parte dos edifícios que ocupavam o actual espaço da avenida foram destruídos durante a Guerra Civil Espanhola. Através desta mudança praticamente imperceptível, o espaço linear dinâmico que liga o Eixample, a extensão do século XIX, com a cidade medieval, distingue-se do espaço muito mais estático e contemplativo que se extende à frente da catedral. Quando se entra no antigo recinto da cidade romana, o tipo de lajes mantém-se, mas o material muda para indicar esta mudança do percurso histórico. Da mesma forma, o pavimento de pedra é substituído por relva para pôr a sua singularidade em relevo. O diálogo com a envolvente urbana oferece ao projectista tantas ou mais possibilidades criativas que as permitidas pela inculcação de uma marca ou estilo pessoais.

(...)

Tradução do Castelhano por Eduardo F.

Penso que no texto fica elucidado o papel dos pormenores na percepção e apropriação dos espaços públicos. Criação de uma imagem identificável, sim. Mas relacionando-a com a envolvente, com os seus usos e actividades. A fragmentação é, portanto e seguindo este raciocínio, sinal de desapropriação: o carácter museológico dos centros de muitas cidades europeias (com restrições de usos, e as leis do mercado a remarem em competição) afasta-os da fonte de vida, que são os seus habitantes.

Este é um assunto a que voltaremos em breve.

sábado, março 29, 2008

Jornadas de Geografia e Planeamento 2008

Clicar para entrarJornadas de Geografia e Planeamento 2008

29 de Abril de 2008

Palácio de Vila Flôr, Guimarães

"Imagem e ciberespaço constituem dois dos grandes temas em torno dos quais se revêem teorias e práticas geográficas, pelo modo como as tecnologias da experiência, dentro das quais se articulam cultura visual e cultura virtual, remetem para espacialidades alternativas, mas também pelo modo como tais tecnologias denotam a emergência de uma pluralidade de Outras subjectividades e de Outros quadros relacionais. Implodindo a “naturalização” de paisagens culturais que povoam o imaginário geográfico ocidental moderno, imagem e ciberespaço forçam a compreensão dos sistemas de signos geográficos que circulam como construções neutras forjadas para a legitimação de uma muito específica ética sobre a qual assenta a organização dos arquivos culturais modernos; a relação do ser humano (como sujeito activo) com o ambiente físico (como objecto passivo) enquanto categoria moral central. O debate que propomos com as presentes Jornadas pode precisamente partir desde este ponto, em que torcemos o texto geográfico até que este nos deixe perceber o que está para lá de uma tão grande construção, uma construção situada num tempo e espaço específico que herdamos como cosmovisão."

Organização

Departamento de Geografia da Universidade do Minho

Desenho urbano e espaços públicos

Em dois artigos anteriores (aqui e aqui) referimo-nos brevemente a alguns elementos urbanos que ajudam a forjar identidades e caracterizar as praças públicas (no caso de Braga).

Segue-se a primeira parte de um excerto (ponto 3) de um texto de Miquel Martí, "La renovación del espacio público en Barcelona (1979-2003)", retirado da Urbanismo #17 (Revista da Associação dos Urbanistas Portugueses), de Verão de 2004. Nele se aborda essa questão das identidades espaciais, da legibilidade do desenho urbano. São assuntos que se relacionam com a obra de Kevin Lynch "A Imagem da Cidade", que foi livro do mês em Dezembro passado.


3 - Do Desenho dos Espaços Públicos Singulares, Monumentais e Pessoais

Desenhar espaços públicos na cidade compacta existente, com envolventes edificadas consolidadas que não deviam ser substancialmente modificados pela intervenção no espaço público, aparecia nos começos dos anos 80 como um campo particular e autónomo dentro do desenho urbano para o qual não existia em Barcelona uma experiência e um saber acumulados. Os arquitectos que empreenderam o processo de renovação da cidade abordaram estes projectos como se de objectos de desenho se tratasse. Cada espaço público era tratado considerado como uma entidade autónoma que devia ser convertida numa peça única do espaço público, como uma obra marcada com o cunho próprio do seu autor.
Estas abordagens pessoais dos autores coincidiam perfeitamente com a vontade municipal daquela época de monumentalizar a cidade através da nova política dos espaços públicos. Esta ideia de monumentalidade requeria espaços que constituíssem episódios urbanos facilmente reconhecíveis. Os espaços públicos, através do impacto do seu desenho formal, deviam contribuir para que os cidadãos se apropriassem deles e se identificassem com eles. O recurso extensivo às esculturas como elemento central em muitos destes projectos era a expressão mais simples desta monumentalidade, já que rapidamente se incorporavam no imaginário urbano dos seus habitantes. Esta era a concepção cívica do espaço público neste primeiro período: espaços formalmente expressivos, facilmente identificável com a intenção de representar uma esfera pública que os cidadãos pudessem sentir como própria, valiosa e colectiva.
Estes desenhos monumentais e pessoais originaram lugares estilizados, introvertidos e não raras vezes fragmentados, que exploravam uma ampla diversidade de linguagens formais, reflexo dos estilos pessoais dos seus autores (fig. 1).

Fig. 1 - La Rambla del Carmel (Manuel Ribas Piera, 1985)
(Imagem e legenda retiradas do artigo, p.14 )

Os espaços eram estilizados, padeciam de um excesso de desenho, devido à grande quantidade de recursos expressivos utilizados: introdução de vários níveis topográficos, criação de ambientes diversos (espaços minerais [ou seja, a existência de rochas ou água), áreas de jogos, jardins...), implantação de esculturas, e sobretudo, um grande número de elementos urbanos (candeeiros, bancos, fontes...). Os espaços eram também estilizados pelo excesso de desenho na formalização dos diversos elementos empregues. A Rambla del Carmel, propondo "desenhos geométricos no pavimento, candeeiros decorativos, bancos e colunas desenhadas para o efeito, uniões simbólicas como o prolongamento de algumas malhas urbanas, muros de pedra trabalhados, uma ponte veneziana e várias esculturas, dois monumentos, uma fonte semicircular e um hemiciclo informal", constitui praticamente uma caricatura de um espaço público estilizado. Noutros casos, o excesso de desenho leva directamente a propor a introdução de estruturas arquitectónicas no espaço, como pequenas pontes historicistas, arcadas e pórticos, coretos, jardins... incorporados em muitos espaços, como na proposta de Óscar Tusquets de 1982 para a Avenida da Catedral, que acabou por não ir avante.

Certamente, a necessidade de responder a uma grande quantidade de necessidades funcionais depois de décadas de abandono do espaço público (espaços para as crianças brincarem, praças para eventos colectivos, zonas estáticas para idosos, zonas de contacto com a natureza...) levou ao excesso de desenho de alguns dos primeiros espaços renovados, que incorporaram muitos mais usos que os que a sua escala e dimensão podiam permitir. Mas em sum, a estilização foi o resultado da aproximação monumental e pessoal ao projecto de espaço público. Além disso, devido a este excesso de desenho e aos discursos pessoais que sustentavam os projectos (desde o desejo de reinterpretar elementos da arquitectura clássica até todo o tipo de temáticas de inspiração paisagista), os novos espaços públicos tendiam a competir com a sua envolvente urbana (com a envolvente edificada, mas também com os seus usos e actividades), enquanto expressão de significados e imagens.

São estas características de autonomia e falta de contextualidade dos espaços que lhes conferem o seu carácter introvertido: os desenhos copiam-se a si próprios, ignorando a envolvente urbana. Frequentemente esta introversão traduz-se no estabelecimento de limites artificiais entra o espaço renovado e os seus arredores, geralmente através do jogo com diferenças de nível ou modificações topográficas. Esta busca da autonomia espacial, e às vezes do isolamento, aumenta envolventes desconfigurados e pouco qualificados de muitos bairros populares da primeira periferia.

A praça Sóller, construindo uma plataforma mineral elevada rodeada por um pórtico, é um paradigma destes espaços introvertidos, neste caso erigindo limites arquitectónicos. Noutros espaços também surgem limites internos, por vezes não pretendidos. O desejo de combinar num mesmo lugar diferentes usos e ambientes conduziu frequentemente a justaposições que fragmentaram o espaço público. A mesma praça Sóller divide-se num espaço plano mineral e num parque inclinado com vegetação abundante, criando um espaço fragmentado em duas partes únicas (figs. 2 e 3).

Figs 2 e 3 - Plaza Sóller (J.M Julià, J.L. Delgado, A. Arriola e C. Ribas, 1981)
(Imagens e legenda retiradas do artigo, p.16)

Os espaços públicos criados na primeira parte da década de oitenta podem parecer muito díspares devido às múltiplas linguagens formais que usam, dependendo de cada autor: desde um espaço eclético como o Moll de la Fusta inspirado em diferentes períodos históricos, no qual se combinam arcadas de ladrilho, mobiliário urbano neo-gaudiano, e pontes pós-modernas, até espaços baseados em tradições estilísticas tão diversas como o racionalismo arquitectónico na praça dos Països Catalans ou o Land-Art no Parc de la Estació Nord.

No entanto, nas múltiplas situações com as quais os projectistas se confrontam nestes primeiros anos, inicio-se uma exploração das possibilidades e das ferramentas dos projectos do espaço público: as linguagens minimalistas ofereciam alternativas aos projectos estilizados, as intervenções em envolventes edificadas altamente qualificadas (como nos "cascos" antigos como o da Gràcia), exploraram meios para articular os espaços em vez de os isolar, enquanto que a transformação de algumas ruas com diferenças de cota pré-existentes (como na Via Julia) mostraram possibilidades não de criar limites mas de os integrar. É sobre a base destas experiências que a cultura do espaço público em Barcelona estava pronta para evoluir e se distanciar do projecto do espaço público concebido como objecto de desenho.


Tradução do Castelhano por Eduardo F.

O ponto 4 (a segunda parte do "estrato" que nos propusemos trazer aqui) demonstra a importância do mobiliário urbano para, como diz Miquel Martí, a "transparência dos espaços públicos". Daqui a uns dias poderão lê-la aqui, no Georden.

sexta-feira, março 28, 2008

1.º Seminário da DREL

Clica para ver o programa

"O I Seminário da Revista Direito Regional e Local, subordinado ao tema "As unidades de execução na gestão urbanística" terá lugar no dia 4 de Abril de 2008, na Universidade do Minho, em Braga."

Ver programa aqui

quinta-feira, março 27, 2008

Estes estranhos nomes... (V)

Algures no Algarve à saída de Portimão, há um lugarejo chamado Donalda. Provavelmente foi uma última tentativa desesperada para aliciar os dinheirinhos da Disneylândia. O nome não vem referido nas fontes habituais. O que vem é pouco: uma Margarida (em Marvão) e uma alusão (discreta) ao Tio Patinhas, em Pão Duro (Alcoutim). Desilude qualquer busca no sentido de achar um Mickey ou uma Minnie. Há dois Ratos, um em Barcelos e outro em Famalicão, mas são cruelmente cancelados por duas Ratoeiras, uma em Celorico da Beira e outra em Vila Nova de Gaia. Walt Disney não acharia graça nenhuma. Quanto à pobre Minnie, o melhor é nem falar na ratinha - nem na Ratinha de Portalegre. Onde desaparece a ternura do diminutivo, o efeito é ainda mais insultuoso, como testemunha a Rata em Castelo de Paiva e Rata em Santiago do Cacém. Por estas e por outras é que preferiram construir a Disneylândia em França e não em Portugal, como chegou a ser noticiado. Fica mal nos cartazes: “Venha à Disneylândia, Venha à Rata!” É uma falta de respeito. (Faço aqui uma pausa para que os habitantes habitualmente martirizados com Picha possam dar-se ao luxo de fazer graça a estes seus compatriotas.)
O que é mais irritante é não se poder evitar os nomes dos lugares. Podemos evitar os palavrões e as palavras feias quando falamos e escrevemos, mas somos obrigados a dizer os nomes dos sítios. Há, por exemplo, uma aldeiazinha chamada Fundo da Rameira, no concelho de Vila do Rei. Qualquer conversa acerca deste local é automaticamente obscena. Se alguém perguntar se eu vou ao Fundo da Rameira, o que é que eu posso responder? Que prefiro ficar a meio? Que tenciono somente andar lá à volta? E, mais uma vez, na estrada, é tentar excessivamente um indígena ordinário perguntar-lhe: “Olhe, se faz favor, é capaz de me dizer como é que se vai para o Fundo da Rameira?”. Ele poderá pôr logo em cheque as honras da irmã e da mãe.


(O próximo "estrato" termina esta divertida crónica de MEC, extraída da compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.)

quarta-feira, março 26, 2008

Bancos (para nos sentarmos)



Fotos: Eduardo F. - Braga, 23.03.2008

Na cidade de Braga, como aliás em todas as localidades, os bancos, ditos públicos, podem ser medidores dos espaços vazios (isto é, sem construção em altura). As praças costumam ser pontilhadas por eles. E o número destes aumenta com o daqueles.
Nas aldeias, sobretudo as do interior, em Trás-os-Montes, nas Beiras e no Alentejo, é frequente vê-los encostados às paredes das casas, onde sempre uma população já envelhecida passa horas, a descansar, conversar e até a trabalhar (a fiar, coser...)

Não se trata da questão do conforto, se bem que seja um factor importante. Porque o conforto não é um valor que depende apenas do objecto "banco", porque mais convidativo a nos sentarmos num é o meio que o envolve: se há muito movimento, se há carros nas proximidades imediatas (e o fumo e o barulho associados), se há jardim, se o espaço não se encontra sujo, etc., etc.)...

A durabilidade dos materiais é algo que notamos mais nuns casos que noutros, e não parece haver qualquer razão directa entre esta característica e o conforto (mas, por exemplo, e para quem o prefere, é raro haver bancos de pedra com encosto...)

Outro aspecto sobre os lugares feitos para nos sentarmos: a sua disposição. Está mais que batida (e é tão natural e óbvia que nem a questionamos) a sua orientação para o vazio central das praças, paralelos aos bordos. Mas nem sempre tem de ser assim, podendo assumir um carácter mais livre. Sem deixar de ter uma certa ordem (ver a penúltima foto)...

Por último, deixo-vos a reflectir sobre um móvel/imóvel demasiado habitual nas nossas cidades (visão parcial, em fundo, na última foto). Uma pessoa até se habitua. Os comerciantes queixam-se. Os turistas talvez não gostem, mas parece que isso pouco nos importa (tem de ser, não é?) (uma celeridade urgia...)

terça-feira, março 25, 2008

Móveis imóveis na urbe

Peca por tardia e talvez tímida a tertúlia de Março, que começa a escassos 6 dias do fim do mês. Mas valeu a pena andar a tirar fotos num dia pascal, pasmacento mas de saudável cavaqueira, na quase deserta cidade de Braga. Porque obrigou-me a ter tempo para olhá-la com olhos de turista, com algum espanto perante certos imóveis e situações à frente do nariz de qualquer um.

O tema sobre o qual desejamos reflectir é sobre o mobiliário urbano. E por isso, aqui trazemos algumas fotos para dar o mote. Podem parecer pormenores, mas são estes que ajudam a mudar a nossa percepção do espaço. E neste caso, pelo menos à noite, são literalmente importantes.



Fotos de Eduardo F., Braga - 23.03.2008

Os candeeiros acima representados portam marcas estéticos-culturais (que incluem, claro está, as possibilidades...) da altura em que foram feitos. A ordem por que estão apresentados os quatro últimos exemplos pode, assim, parecer cronológica. Mas não dispomos de dados para garantir que seja a correcta.

Os candeeiros devem antes de mais atingir o objectivo para que foram feitos (a iluminação). Não só porque a época contemporânea é utilitarista, mas também porque o que se pede a tudo o que se coloca nas cidades é que não estorvem. Ou que não ocupem muito espaço.

Duvido um pouco da eficácia do último candeeiro e parecem-me bem simples as formas oval e cilíndrica dos segundo e quarto exemplos, porque permitem a projecção da luz em todos os sentidos. Se o efeito pretendido for, obviamente, esse.

Porque se não for, compreendo melhor a forma do último: situa-se na Praça Conde de Agrolongo (mais conhecido como Campo da Vinha, ou como a praça com um mamarraxo que tapa a visão ampla da mesma e do Convento do Pópulo), orlada por outros postes de iluminação, pelo que uma iluminação mais discreta até dê um ar mais "espaçoso", com o seu tom amarelo... (na escuridão não se conseguem avaliar as distâncias, e penso que talvez tenha sido isso o que se procurou ali...).

E por aqui ficamos, por agora.

segunda-feira, março 24, 2008

Expo Europa e Ambiente | 9 a 11 de Maio de 2008

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"Na sequência do sucesso do ano anterior, a Junta de Freguesia de Quarteira, em conjugação com a Câmara Municipal de Loulé, a Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico, a CCDR Algarve e a Quercus vão organizar de 9 a 11 de Maio de 2008 em Quarteira, um conjunto de actividades que englobará as Comemorações do Dia da Europa (9 de Maio de 2008), uma exposição dedicada à Europa, Energias renováveis e Mobilidade Sustentável intitulada Expo Europa e Ambiente (9 a 11 de Maio de 2008), um Seminário intitulado “A EUROPA, AS ENERGIAS RENOVÁVEIS E A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA” (9 de Maio de 2008), e ainda, tal como no ano passado, o “2º Portugal de Lés-a-Lés Ecológico” (uma prova dinamizada pelo Fórum Nova Energia em conjugação connosco, em que apenas podem participar veículos movidos a biocombustíveis como o biodiesel e o óleo vegetal directo, e que pela segunda vez, começa na Guarda e termina em Quarteira (na Praça do Mar), no dia 11 de Maio.

Esta exposição contará, este ano, com cerca de duas dezenas de stands montados na Praça do Mar, em Quarteira, nos quais estarão presentes entidades públicas e privadas empenhadas na divulgação das energias renováveis, mobilidade sustentável e divulgação de energias mais limpas que ajudem Portugal a atingir os objectivos de Quioto, o desenvolvimento sustentado, e a diminuição da nossa dependência petrolífera.

Porque esta iniciativa é interessante, inteiramente dedicada às energias renováveis, e tem forte impacto mediático, proporcionando portanto um bom retorno para a Vossa Empresa, vimos convidar Vªs Exªs a participar no nosso evento, com a montagem de um Stand nesta Exposição, bem como eventualmente com a colocação de faixas publicitárias, e ou patrocínio - agradecendo que nos respondam com brevidade, impreterivelmente até ao dia 15 de Abril de 2008.
Ficando ao vosso inteiro dispor para qualquer esclarecimento adicional, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos,"

Pela Comissão Organizadora,
António José Brito (964144312)


domingo, março 23, 2008

Por onde vamos?

No "documentário-filme" Uma Verdade Inconveniente, às tantas, Al Gore mostra uma imagem que foi mostrada numa conferência do Congresso americano (isto nos princípios dos anos 90) em que - maniquísmo já tradicional na linguagem dos políticos conservadores daquele conjunto de nações - aparecia uma balança. (A conferência do Rio estava em cima da mesa e os EUA tinham de definir a sua política económica interna):

De um lado da balança estão 3 barras de ouro ("Humm... gold bars! Humm...", diz Al Gore, num dos (poucos) momentos divertidos do filme) e no outro prato está uma representação, à escala, do planeta Terra.

Os comentários subsequentes deixo-os para a memória de quem já viu o filme, ou, para quem não viu, para reflectir (agora vai passar a ser "refletir"...) um bocadinho sobre alguns valores (em poucas palavras, de um lado está o imediatismo, do outro a sustentabilidade).

(Em breve viremos cá falar um bocadinho de Uma Verdade Inconveniente)

Sempre achei absurdo quem defende que primeiro vamos desenvolver e depois tratamos do resto. E quando o "resto" é algo que pode pôr / põe o "desenvolver" em causa, então o absurdo atinge o paroxismo.
É como querer enxaguar o chão com um pano que vai absorvendo a água que continua a jorrar duma torneira que ainda não aprendemos a fechar.

Ou seja, há quem defenda que o que se faz e implanta deve respeitar certos princípios e valores. E depois, apercebendo-se de que há outros princípios, em grande medida (mas não completamente) antagónicos, eles lá arranjam forma de compatibilizar ambos. Quando um deles sai claramente a perder, pode-se dizer que não houve um planeamento eficaz. O que costuma ficar à vista é uma asneirada da grossa. E quando as asneiras grassam, após provocar o riso, costumam passar despercebidas.
É um exemplo desses que venho ilustrar hoje. À vista de toda a gente. Mas como sabemos que a nossa percepção é alterada pelo nosso posto, lá vão tornando-se invisíveis.

Ver melhor para acreditar
Foto de Eduardo F. - Fraião, 24.12.2007

A imagem retrata uma passadeira numa via circular periférica à parte este da cidade (Avenida Dom João II, maioritariamente localizada em Fraião, por trás do eixo onde se localizam quase todas as grandes superfícies comerciais de Braga). Por ela os automóveis costumam passar a velocidades médias superiores a 40 km/h (sei lá, digo eu!).
Outro factor importante: não há muitas moradias nas proximidades imediatas. Pelo que poucas pessoas devem, de facto, utilizar esta via para se deslocar a pé.

SÓ QUE... pormenor ainda mais importante e pertinente: esta circular está "provida" de ciclovia (sim, aquela pista verde que podeis ver na foto...). E, os bracarenses e não só sabem-no, a grande extensão da circular é muito usada como percurso de manutenção (é ver dezenas de pessoas, de bicileta ou a pé, de manhã, à tarde e de noite, num andamento mais ou menos acelerado. Sobretudo aos fins-de-semana).

Esta passadeira é logo das primeiras da avenida (em direcção a norte) e o grosso dos viandantes costuma virar logo para a / pela Av. Robert Smith (até porque se vierem para Sul o caminho puxa um bocadinho, e isso cansa...). Mas pelo que me lembro, quase todas as passadeiras ao longo dela padecem deste erro.

Bem... recentrando-me no que me trouxe cá hoje, queria dizer que o tal "planeamentozinho" pensou no automóvel. Depois, como que caída mais ou menos de pára-quedas, lá puseram a ciclovia (desde a Av. da Falperra até à Rua Luís António Correia são cerca de 2,3 kms para andar) e, já agora, não nos esqueçamos dos peões.

Bastava não ter projectado a "área verde" até à estrada e já não se cometiam atropelos destes. O verde não é muito significativo, mas ter de o pisar (quem anda de cadeira de rodas não põe lá os pés, isso é certo) é sintomático dos valores que regulam a cabeça pequenina de quem nos vai oferecendo os espaços em que vivemos.

sábado, março 22, 2008

"Mapping the Planet with Open Source", Gary E. Sherman


Mapping the Planet with Open Source
Gary E. Sherman
Edição Pragmatic Bookshelf

Livro para a iniciação à utilização de ferramentas SIG Open Source. Está direccionado para os utilizadores com maior ou menor experiência em ambiente SIG, abrindo portas para o mundo Open Source que oferece cada vez mais alternativas credíveis ao software pago.

sexta-feira, março 21, 2008

Manifestos na cidade: (des)acordo ortográfico?

Vidal: Braga, Março 08

Desde que o Homem desprezou o canivete que lhe permitia desenhar o seu amor, em corações sentidos, nos troncos das árvores, que algo irremediavelmente se perdeu. Com reflexos na paisagem. Expressa-se agora (ou talvez desde a famosa xaropada da SIC “Amo-te Teresa”) pelos muros ora em lamentos, ora em tormentos (nossos). Pena que aqueles não tenham corrector ortográfico. Não faz mal.
Ainda esta semana se lançou um dicionário com as mudanças relativas ao (controverso e necessário?) acordo ortográfico, desenhadas nos últimos anos e com aplicação progressiva nos próximos 5 ou 6. São muitas as transformações, que teremos oportunidade de futuramente abordar. No pardieiro linguístico em que vivemos, vai ser um regabofe.
Mas porké?...

Olha, apetece-me! (I)

Apetece-me começar uma crónica. Aqui começa uma crónica de poucos artigos que pretendo trazer até a este espaço que tenta pôr a Geografia no centro do assunto.

Não consiste noutra coisa que divulgar capas de discos (com tanta estandardização a música anda um bocado arredada das nossas geografias, não anda?) que retratam paisagens e delas dizer umas quantas palavras. Sim, sabemos que a matéria é imensa e a tarefa pode durar como o plástico na natureza, mas se formos andando não vamos caindo.

Ver maior

Imagem 1 - "Viagens na Minha Terra" - Rão Kyao (Lp, 1989)

Não, não sei que aldeia está retratada (é uma das coisas que pretendo descobrir através da vossa participação), mas gosto desta imagem. Apesar do tom escuro (seria das nuvens? seria também do verde da vegetação? - factores que ficam fixados no documento levantado e que, como nos mapas sobre os quais muitos trabalharão, podem levar a percepções diversas...), o que me apraz dizer é que se sente uma harmonia. O equilíbrio? Não, a justa medida, parece-me. Um crescimento lento e que, de lento, talvez tenha sido pensado. Talvez sem as megalomanias e riquezas que descaracterizam o espaço construído ou humanizado.

Estaremos a ser demasiado idílicos?
Viajemos, então, pela nossa terra.

quinta-feira, março 20, 2008

À solidão da cidade uma outra solidão...

Ó solidão do boi no campo,
Ó solidão do homem a rua!
Entre carros, trens, telefones,
entre gritos, o ermo profundo.
Ó solidão do boi no campo,
ó milhões sofrendo sem praga!
Se há noite ou sol, é indiferente,
a escuridão rompe com o dia.
Ó solidão do homem no campo,
homens torcendo-se calados!
A cidade é inexplicável
e as casas não têm sentido algum.
Ó solidão do homem no campo!
O navio-fantasma passa
em silêncio na lua cheia.
Se uma tempestade de amor caísse!
As mãos unidas, a vida salva...
Mas o tempo é firme. O boi é só.
No campo imenso a torre de petróleo.

"O Boi"

(Carlos Drummond de Andrade )

quarta-feira, março 19, 2008

Braga Revivida

Andava eu (talvez, não me recordo já muito bem, e o dito não contém as habituais referências que os livros têm: o ano de edição era o mais pertinente para precisar...) no 4º ou 5º ano escolar, quando a minha professora primária chega um dia com um saco de livros como estes à sala.

A professora Gorete dirige-se a nós, pequenos seres para quem não sabia encontrar mais que um sentido nas palavras, mais ou menos nestas palavras:

- Olhai, meninos, vou dar-vos este livro porque [e esta foi a ideia com que sempre fiquei, não sei porquê. E era isso que gostava de confirmar] vai ser retirado do mercado. Depois, não há mais.

E pronto, lá ficámos com ele. Olhando para o móvel onde tinha guardado este objecto de memória, que ficou estes perto de quinze anos na prateleira, sem lhe ligar muito, como quase que invisível e, portanto, morto (um dia abordaremos este assunto...), resgatei-o há dias e fui lê-lo. Não queria mentir, mas acho que foi a primeira vez que o li. São pouco mais 20 minutos, sem grandes pressas.


Braga Revivida,
de José Sepúlveda Macedo e Carlos Dias Tavares

Trata-se de uma pequena viagem pela história da região e, em particular, da cidade de Braga. As personagens visitam os locais e, surpreendentemente entrados numa espécie de sonho, revivem os tempos antigos.

Desde o tempo castrejo (na Citânia de Briteiros), passando pela época romana (com a acção a passar-se ali pelos lados de Maximinos e pela Cividade), vivendo a Idade Média (dentro e à volta da Sé, bem no centro da então jovem cidade), pelos séculos da emergência do Barroco (por locais como a praça do município, o Museu dos Biscainhos, o Largo do Paço, pela Igreja dos Congregados e Santa Cruz do Monte (i.e. o monte do Bom Jesus)), até chegarem aos finais do século XIX (pela escola Sá de Miranda, pela Arcádia e junto ao velhinho Posto de Turismo), lá vamos vagueando pela História e por alguns acontecimentos que marcaram a cidade.

É giro reconhecer os espaços retratados e saber um bocadinho mais da nossa terra.


A tiragem do livro foi de 5500 exemplares, o que me leva a duvidar da "ameaça" da minha professora primária. Seria, por isso, interessante saber quantos dos amigos que nos visitam guardam este livro lá por casa...

terça-feira, março 18, 2008

Ameaças Biológicas

Ameaças Biológicas
Crónica do quotidiano
(A propósito da minha ida às finanças.)

Aguardava a minha vez, e deu-me para olhar os papéis que normalmente se afixam nos estabelecimentos públicos. Havia um que alertava para correio suspeito. A circular datava, salvo erro, de 2002. Dizia mais ou menos o seguinte:

"Se receber um carta...
a) proveniente do estrangeiro
b) com muitos selos
c) com uma caligrafia péssima
d) com pedaços de metal a sair do envelope
e) se o envelope tiver um cheiro estranho
f) se o envelope for pesado e volumoso
...
contacte a PSP e descreva a situação.
Aguarde a chegada dos agentes sem abrir o envelope."

Um comunicado destes decorria, parece-me, da senda de alarmismos pós 11 de Setembro (o de 2001, que o de 73 não é aqui chamado).
Os biólogos sabem-no e bem o alertam: há espécies animais e vegetais que invadem territórios até então estranhos e cujas consequências se enquadram nas seguintes hipóteses:

a) benéficas
b) prejudiciais
c) inócuas

Um exemplo que cai na alínea a) é a introdução da batata no continente europeu nos finais do século XVI. Por cá comia-se castanha, antes de a batata se expandir. Hoje há batatais em muitas regiões do país. E daí não parece ter vindo mal ao mundo...
Bem... o abuso - como em tudo - das batatas fritas não é coisa lá muito saudável. E a produção em série, a falta de tempo para almoçar e a proliferação de restaurantes de comida rápida ajudaram a mudar a nossa fisionomia. E as estatísticas da saúde. E outras coisas mais. (Uma agricultura intensiva tem recorrido a pesticidas e "o corpo é que paga. O NOSSO corpo. estamos a falar de ameaças biológica, mas aqui está um exemplo de ameaça química).

Um exemplo que cai na alínea b), para alternar na espécie, é a introdução do lagostim americano nos cursos de água europeus. Muito resistente à poluição, o lagostim prolifera e - como costuma acontecer - reduz a disponibilidade de alimento para as espécies autóctones. (Não, não estou a demonstrar uma faceta chauvinista ou nacionalista aplicada à biologia.) Veja-se o caso da lagoa de Bertiandos, na qual as (poucas) lontras lá existentes gostam muito deste pitéu. Concluindo: porque a Natureza é evolutiva, as leituras maniqueístas têm sempre de ser feitas com reservas.

De exemplos inócuos
a) desconheço (mas chegue-se à frente quem conhecer)
ou
b) não me apetece falar...

Todos os anos, os animais de estimação exóticos,
a) porque já não têm tanta piada, ou
b) porque cresceram demasiado, ou
c) porque a sua alimentação se tornou demasiado onerosa
...
são lançados no meio natural. (O tráfico ilegal de espécies grassa porque envolve dinheiro, esse material sem cor nem ética que muitos compra)

"Deixai vir a mim... as consequências", diz Deus.
Depois ele (ela) responde-nos torto!

Ora...
Isto veio a propósito da intenção do governo de proibir a importação de algumas raças de cães. A questão é que é a perigosidade das mesmas o motivo de legislação. Perigosidade em relação a efeitos físicos (mordeduras e por aí). Claro. (Não consta ainda que alguém se tenha lembrado de considerar um pitbull uma espécie perigosa para a diversidade biológica das famílias caninas existentes por cá...).


Mesmo assim gostava de dizer que:
Nunca passaria pela cabeça de ninguém proibir a espécie Eucalyptus. Ora aí está uma ameaça biológica com que, de norte a sul do país, toda a gente se depara sem pestanejar. (A proliferação de espécies exóticas constitui- já o dissemos e voltamos a dizer - uma forma de poluição.) É gravíssima a indiferença. Como se todos trabalhássemos na indústria do papel. Mesmo aqueles que se vêem ameaçados pela chegada dos fogos às suas casas, durante os habituais incêndios do Verão.

Na biologia como na política,
Contra os totalitarismos, a diversidade!

Enfim...
Fica-se por aqui esta crónica...

segunda-feira, março 17, 2008

"Uma descoberta do Mundo"

Cartaz do congresso"Nos dias 2, 3 e 4 de Maio realiza-se em Vila Real de Santo António a primeira sessão de um Congresso Itinerante Internacional que terá, posteriormente, continuação temática em Sevilha e Ceuta.

Sob o título "Itinerários e Reinos: uma descoberta do mundo. O Gharb al-Andalus na obra do geógrafo al-Idrisi", este congresso, uma co-organização da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e da Fundação Al-Idrisi Hispano Marroquí, propõe-se realizar uma análise da obra desta grande figura da geografia árabe medieval e da importância do seu trabalho para o desenvolvimento posterior de algumas ciências na época moderna: Geografia, Botânica e Cartografia, esta última fundamental no arranque das viagens europeias dos finais da Idade Média.

Neste encontro de diálogo entre Oriente e Ocidente, que reúne especialistas de países europeus e do mundo árabe das duas margens do Mediterrâneo (Portugal, Espanha, França, Marrocos, Argélia, Egipto, Síria, Iraque e Arábia Saudita), afinal do mundo sem fronteiras que al-Idrisi retratou na sua obra, far-se-á também homenagem a outra grande figura da poesia e cultura luso-árabes: Ibn Darraj, natural de Cacela. Por isso se realizam em Cacela Velha algumas importantes actividades deste congresso: visita guiada ao seu património histórico, recital poético em várias línguas e descerramento de placa evocativa, em homenagem ao poeta ali nascido.

Vimos por este meio divulgar o programa, informar que se encontram abertas as inscrições, e convidá-lo(a) a participar no congresso. Junto enviamos programa / folheto e ficha de inscrição."


ORGANIZAÇÃO
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Fundación al-Idrisi Hispano Marroquí para la Investigación Histórica, Arqueológica y Arquitectónica


INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Catarina Oliveira
Antiga Escola Primária de Santa Rita
8900-059 Vila Nova de Cacela – Portugal
Tel. / Fax: 00351 281 952 600
ciipcacela@gmail.com

http://www.cm-vrsa.pt/

http://www.ciip-cacela.blogspot.com/



Fundación al-Idrisi Hispano Marroquí para la Investigación Histórica, Arqueológica y Arquitectónica
Fatima-Zahra Aitoutouhen Temsamani
Apartado 4.359 - 41080 Sevilla – España
Tel./Fax: 0034 955717926 Móvil: 0034 639853337
fal_idrisi@hotmail.com

sábado, março 15, 2008

Onde vivemos - Inquérito

Pois é, vindo em pezinhos de lá, o inquérito deste mês instalou-se ali ao lado.
Como as mudanças à nossa volta. E quando formos a ver, já a procissão passou.

Pensar sobre o l(ug)ar em que moramos é afirmar o nosso existencialismo. É reflectir sobre a saúde, a geografia, a economia, a política (ou seja, a ética). Sobre o nosso papel enquanto seres passantes, fugazes, em muitos casos, não indiferentes.

Os indicadores da qualidade de vida incorporam, sem dúvida, uma componente material (acesso aos cuidados de saúde, a infra-estruturas básicas, condições de habitabilidade...).

Contudo, a pergunta ali ao lado (não, não estamos a partir do princípio de que já todos a temos garantida!, porque ainda não ultrapassámos essa fase...) pretende (foi com esse mais com esse objectivo que a postulámos) que a avaliemos em função do meio que nos rodeia. Busca, portanto, uma abordagem mais ligada à saúde ambiental. Alguns dos marcadores que usamos aqui no Georden podem dar umas pistas para a sua leitura.

Olhando à nossa volta, as condições disponíveis permitem-nos uma boa qualidade de vida?

No fim do inquérito, poderemos discutir melhor este assunto, com os vossos comentários e as vossas apreciações e abordagens.
A pergunta está lançada.

sexta-feira, março 14, 2008

Manifestos na cidade


Manifestos na cidade e... degradação, paredes meias com construção a granel.
Vidal: Rua de Santa Cruz. Braga.Março 08

quinta-feira, março 13, 2008

O Georden está nomeado para o Logo Design Love Awards

Olá a todos.

O logótipo Georden foi recentemente nomeado, na categoria de blogs de ambiente, para o Logo Design Love Awards.

Clica para aumentar
Vejam mais em logodesignlove.com

quarta-feira, março 12, 2008

Estes estranhos nomes... (IV)

Recomecemos a viagem pela nossa terra. Que dizer de um país onde é perfeitamente possível ir de Cabeça Perdida (em Portimão) para a Cornalheira (em Meda)? Como é que os habitantes de Cabeça Perdida conseguem aguentar as piadas dos forasteiros que perguntam de onde é que eles vêm (“Nós vimos de Cabeça Perdida”) só para lhes poderem dizer “Está bem, filhos, mas aqui tenham calma, que não estão na vossa terra” e porem-se todos a rir dos pobres desgraçados de Cabeça Perdida.
Em Ponte da Barca há um lugar cujo nome dispensa os habituais apelos camarários do estilo “Este jardim é seu, conserve-o” ou “Este jardim é nosso - ponha-se a andar!”. Chama-se Cuide de Vila Verde. O problema é que há outras aldeias chamadas Vila Verde para cuidar e a única maneira de ser absolutamente claro é dizer “Cuide de Cuide de Vila Verde”. Há até nomes de terras que parecem títulos de LPs de cantoras portuguesas rascas, como Cima de Pele (Famalicão).
Blearggh!

Nesta linha pretensiosa há alguns lugares que parecem títulos de livros de poesia de terceira ordem, daqueles que agora abundam, com poeminhas muito limpinhos e sérios. Como Nave e Casas (em Loulé). E quem não chamaria um figo a Nave de Haver (em Almeida), a Água Longa (Paredes de Coura), a Entre-Ambos-os-Rios (Ponte da Barca) ou a Logo de Deus (Coimbra)?
Os nomes de que eu mais gosto são aqueles que se devem a quem não esteve para pensar muito. No concelho de Angra do Heroísmo há lugares que, numa admirável atitude de indiferença filosófica, se definiram pelos lugares que lhes estão próximos. Assim, temos Das Quebradas ao Solto e depois Do Solto às Duas Ribeiras, Da Ribeira do Mouro à Canada da Praia e Da Ribeira do Mouro à Canadinha. De facto, porque é que se hão-de complicar as coisas? Não é mais claro, por exemplo, dizer De Algés a Belém em vez de estar a insistir no confusionismo chauvinista de Pedrouços? No continente, onde cada terreola se acha com suficiente importância para merecer um nome só para ela, os únicos lugares que mostram um enfado aristocrático com a onomástica são sítios como Entre Bouças (Braga), Entre Latas (Guimarães) e Entre Valas (Soure). O nome mais notável de todos, guardo-o para o fim e vem, obviamente, dos Açores. É Caminho para Além (Angra do Heroísmo). Como quem diz “É um sítio que fica no caminho para outro”. É pena não haver prémios.
Para que o concelho de Angra do Heroísmo não se fique a rir, lembremo-nos de um lugar que há lá que soa pior ainda que a Buraca e Chelas (Lisboa) ou que Vilar de Porro (Ponta do Sol) - já alguém pensou no que seria passar uns dias connosco à Grota da Chouriça? Que amigos responderiam ao convite “Venham passar uns dias à Grota!”. É que O de Grota, para além da Chouriça, torna impossível uma resposta afirmativa.
Por outro lado, é inegável que a Angra tem os nomes mais estilosos. Compare-se o estilo continental com o insular. Em Famalicão, conta-me um amigo, há uma terra chamada Nine, porque dantes correspondia ao quilómetro Nove (em Inglês, Nine) da linha férrea. Na Angra do Heroísmo, num golpe de inspirada secura que só faz lembrar o bom gosto de Noel Coward, há um lugar chamado Às Nove. Só faltam os coctails! (Também há dois sítios na Angra do Heroísmo chamados Às Dez, mas, não sei porquê, não soam tão bem.).

(Está quase a terminar esta divertida crónica de MEC, extraída da compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.)

segunda-feira, março 10, 2008

Ironia da perspectiva

Clica para aumentarFoto de Rogério Madeira, Portalegre, 22.01.2007.

domingo, março 09, 2008

Passeio em Ansião

No dia 29 de Março a Al-Baiaz (Associação de Defesa do Património) vai organizar a sua primeira actividade pedestre em 2008 no concelho de Ansião.

Trata-se do Passeio Pedestre: Nos trilhos de Alcalamouque.

O ponto de encontro será às 9:20 no largo do Castelo de Santiago da Guarda, compartida para a Freguesia de Alvorge, perto de Alcalamouque, onde se iniciará opasseio guiado pelo Professor Doutor Mário Lousã (ISA).
Neste percurso, os interessados terão a oportunidade de passar por caminhos tradicionais, lugares perdidos no tempo e o extenso carvalhal de Alcalamouque, onde se podem encontrar carvalhos centenários, entre outros pontos de interesse.

A taxa de participação inclui seguro e águas e apenas serão aceites até 35 inscrições.
Inscrições via e-mail: albaiaz@sapo.pt
Contacto directo: 939314417 / 933124101

Difundido via correio-e.

quarta-feira, março 05, 2008

Sem memória

A propósito das cheias que nos acordaram (terão mesmo?) para, nem que seja, nos lembrar que vivemos na Terra, eis aqui esta crónica cómica, ao melhor jeito de Ricardo Araújo Pereira (vulgo RAP).


Aumente e leia
Visão de 21 de Fevereiro de 2008, p. 114




Já lá diz a canção "O Fim da História?", dos Mão Morta:

Não sabendo a verdade
do problema colocado,
não se pode definir
a estratégia a seguir.
(...)
Sem futuro nem passado
o presente é instante
a outro instante colocado
sem futuro nem passado.


(Voltaremos a este assunto.)

terça-feira, março 04, 2008

Livro Verde

Há já algum tempo que tomámos conhecimento desta iniciativa. Aqui fica o nosso modesto contributo para que ele seja mais alargado. A ilustrar, aqui fica um exemplo mais de mobilidade condicionada (neste caso, aos peões, privados do seu espaço).

Braga - Rua do Sardoal
Foto: Eduardo F. - 10.05.07

Está ainda a decorrer o processo de Audição Pública do “Livro Verde – Para uma Nova Cultura de Mobilidade Urbana”, que pretende contribuir para a criação de uma política europeia consistente em matéria de mobilidade urbana.

Cidadãos, autoridades públicas (locais, regionais e nacionais), empresas de transporte, sindicatos, associações representativas de interesses diversos na área da mobilidade, universidades e centros de investigação, todos são chamados a participar, podendo e devendo estar no centro deste debate. Penso que, neste âmbito, o nosso papel enquanto geógrafos e planeadores é essencial.

Não existindo soluções únicas e simples para os complexos problemas com que as sociedades urbanas de hoje se debatem, e de que são indispensáveis os contributos de vários saberes e experiências, convido-vos a participar nas iniciativas desta consulta pública. Essa participação poderá ser feita através do site criado para o efeito pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, I.P., em http://livroverde.imtt.pt/

A resposta portuguesa deverá ser dada até ao dia 15 de Março (devendo os comentários chegar algum tempo antes desta data para poderem ser considerados) tendo por base os comentários inseridos nesta página e os resultados dos Workshops realizados.


Difundido via correio-e.

segunda-feira, março 03, 2008

Estes estranhos nomes... (III) (continuação)

Ver melhor
Foto: António J. M. Correia


Há alguém que sabe se há ou não um lugar chamado Não Há? Na edição de 1889 do Dicionário Chorographico de F. A. de Mattos, há. Há um Não Há na freguesia de Cardosas no concelho de Arruda dos Vinhos. Na recente edição do Novo Dicionário Corográfico é que não há Não Há. Como é que deixaram desaparecer esta terra? Será que nunca houve Não Há? Ou será que ainda há? Nem se pense que o nosso carolliano niilismo onomástico fica por aqui, porque também houve, algures, um lugar chamado Nenhures. A fonte consultada, uma obra de Fausto Caniceiro da Costa, não diz onde fica. Se calhar nem sequer fica em Cascos de Rolha, que também não existe. (Escusado será dizer que nas últimas edições do Dicionário Corográfico não vem Nenhures em lado nenhum).
Se já não há Não Há nem Nenhures, talvez ainda haja Talvez, na freguesia de Vidais, no concelho de Caldas da Rainha. Tanto Não Há como Talvez aparecem no Dicionário Corográfico de 1889, mas não no de 1981. Há Talvez ou Não Há? Ou não há nem um nem outro?

Começo assim para não começar logo a falar em Picha. Não queria falar dela. A semana passada consegui chegar ao fim da crónica sem referi-la. Porém, a insistência de uma mão-cheia de leitores atentos, informados e boçais, forçaram-me a mencionar o notório lugarejo, vergonha eterna da freguesia e concelho de Pedrógão Grande. Espanta-me como os visitantes continuam sem se revoltar. Parece impossível que se percam nomes engraçados como Não Há, Talvez e Nenhures, todos de bom recorte literário, e se persista teimosamente em manter o nome deste lugar. Já em 1942, um estudioso local, um Frei Humberto, escrevia no seu opúsculo O Nome da Picha, que era tempo de altertar as autoridades no sentido de mudar o nome para qualquer coisa menos ofensiva, como Pénis, por via erudita, ou, por via popular, Pilinha.

Picha tem as casas mais baratas do país, só porque os potenciais residentes são incapazes de enfrentar uma morada tão rasca. Não é um nome que torne distinto um cartão de visita. Mesmo com uma nota de rodapé a explicar que picha significa “galheta; ou cartão pequeno”. Imagine-se também o incómodo do viajante que se ponha a caminho e seja obrigado a pedir indicações para lá chegar. Sujeita-se a que o mandem para o sinónimo.
Se fosse um caso isolado, passaria. Infelizmente, não é. Nem quero pensar na trabalheira e no embaraço dos nossos nobres e honrosos tradutores e intérpretes da CEE, ao procurar equivalentes nas outras línguas europeias (como se diz Não Há? Il n’y a Pás? No Such Place?).
De facto, para além de Picha, Portugal conta igualmente com dois lugarejos denominados Venda da Gaita. Uma fica em Almoster e outra em Tomar, e isto não pode continuar assim.


(Prosseguimos com a divertida e informativa crónica de MEC, extraída da compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.)

domingo, março 02, 2008

Inquérito defumado

Polémicas à parte (sem que isso sirva de bode expiatório para não discutirmos o que quer que seja), o resultado do nosso inquérito de Fevereiro, sobre a nova lei do tabaco, mostra um posicionamento inequívoco de quem nos visita.

Sim 38 (80%)
Não 8 (17%)
Sem opinião 1 (2%)


De realçar a cada vez mais forte participação por parte dos nossos leitores. Só vós tornais possível e com sentido esta iniciativa.
A todos os que votaran, e em nome da Georden, muito obrigado.