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segunda-feira, abril 18, 2016

domingo, janeiro 19, 2014

Deixemos de comer cinza!


 
"O graffiti faz parte da parada urbana..."
Deixemos de comer cinza!

domingo, julho 14, 2013

No problema está a solução: em quase todos os casos, basta inverter os processos que o originam

 (sim, está em Inglês)

Os espaços que nos estão vedados são privados: de outro modo as pessoas tomariam conta deles. Para uma qualquer actividade. 
Foi para isto que os bancos e as empresas nos roubaram a terra? Para nos matarem com o vazio, com a inutilidade gritante à nossa frente?


Mudar os esquemas calcinados do pensamento:

- Não receias que te roubem a comida?
- Claro que não!! É para isso que ela está na rua!


Enquanto não mudarmos o uso do solo - e recuperarmos o solo - não mudaremos o mundo. Pois foi isso que as empresas fizeram para torná-lo na porcaria em que ele está.

Em cada engano se esconde a verdade e é, aliás, só através dele que ela pode manifestar.

quarta-feira, junho 05, 2013

Não são prenúncios, senhor: são já a coisa propriamente dita.


Ao analisar a temperatura da superfície da terra, a NASA apurou que 2012 figura como o nono ano mais frio desde 1880. Os cientistas da NASA do Instituto Goddard para os Estudos Espaciais (IGEE) comparam a média global da temperatura de cada ano com a normal climatológica que vai de 1951 a 1980. O período de 30 anos permite uma base de análise a partir da qual se pode medir o aquecimento que a Terra tem sofrido devido ao aumento de concentração de gases com efeito de estufa. 2012 foi o nono ano mais frio mas os dez anos mais frios analisados pelo IGEE foram registados desde 1998, continuando a ter temperaturas bem acima da média das registadas durante o século XX.

As medições fazem-se desde 1880 pois foi a partir dessa data que passou a haver estações meteorológicas suficientemente distribuídos no mundo para apurar a temperatura global.


Vídeo e texto da Agência Nacional Norte-Americana


Ah, para quem reparou, hoje é Dia mundial do Ambiente, mais um dia a maltratá-lo.
Malgrat os esforços dos Davids que lutam pela calada contra os engenhos da destruição.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

sexta-feira, janeiro 11, 2013

É isto.




Mas cabe perguntar... 

Em nome de quem?

sexta-feira, dezembro 21, 2012

A Intocável República dos Miguéis Frasquilhos



"Todos os anos é publicado o IPC, o Índice de Percepção da Corrupção e todos os anos também as Nações Unidas publicam o IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano.

[Portugal: 33º Lugar no IPC.

Somos melhores que Itália, onde há Máfia, e somos melhores que a Grécia, que está completamente desestruturada. É isto que os nossos governantes devem dizer lá fora, nas reuniões sobre corrupção, com grande orgulho.]

E se se derem ao trabalho de comparar as tabelas dos dois índices, ou, se quiserem, os mapas do IDH e os do IPC, vão ver que eles decalcam exactamente.
Vê-se a olho nu, mas mesmo que não se vissem, já há muitos trabalhos académicos que demonstram que há uma correlação negativa forte entre corrupção e desenvolvimento. Ou seja, a corrupção desenvolve-se ao contrário do desenvolvimento. 
Pelo que, se não há países corruptos desenvolvidos e nem há países desenvolvidos corruptos, nós sabemos que se na próxima geração queremos ter algum desenvolvimento, temos de combater a corrupção. E só combatendo a corrupção, combatemos também a crise em que estamos. Porque se foi a corrupção que gerou a crise, a única forma de evitar a crise é combater a corrupção."



Se os nossos corruptozinhos de tigela-cheia adoram mostrar gráficos lá para casa de alguém, alguém devia pintar mapas de IPC e IDH nas paredes das suas casas. 

Há alguém com capacidades de "bombing" informativo por aí?

(calma, não é "bombing" neles... Ide aprender a gíria, que é linguagem tecnocrática...)

sexta-feira, outubro 05, 2012

"Está a nascer um negócio na tua cabeça, Zé / Está, sim, está, sim"


"...Corta o mal antes que cresça, Zé..."
 
 
(Povinho)



(Reportagem com propaganda associada, no início:
recomendo calar o som ir ali e só voltar daqui a um minuto)

 
 
É tão engraçado que - honra lhe seja feita, que fala muito bem e tal - o analista chamado a comentar estas alterações demográficas e deslocações geográficas seja, não um geógrafo - coitados deles! onde estão eles? - mas, sim, e mais uma vez - incrível não terem ido bater ao peito de um arquitecto... - um sociólogo.
O erro fica mais ou menos mitigado, contrabalançado, com a intervenção de um ambientalista?
 
(Reparem que enquanto o sociólogo é meramente descritivo e informativo) deve ter sido o que lhe foi pedido...), o ambientalista toma posição. Nem de outra forma poderia ser! O que podia era o sociólogo... sê-lo: fornecer pistas de leitura, semear perguntas e inquietações. Isso era negar a sua demissão de analista do status quo.)
 
Muito bem. Adiante.
 
Esta reportagem destina-se a quem, afinal??

Sim, há pessoas que, mesmo que tivessem, nem teriam tempo para ver televisão...
Algumas pessoas - algumas famílias, vêm eles chamar as coisas bonitinhas pelos seus nomes atractivos - puderam dar-se ao luxo de ir viver para concelhos periféricos ao de Lisboa (são indicados Palmela, Alcochete e Mafra). Com os seus carrinhos e os seus meninos-bem, optaram "por uma vida mais tranquila" e "longe do bulício da cidade". Em moradias, pois então. Isso, ficai amarrados pela corda para o resto da vida. Há uma ideologia por trás disso, que vós seguistes...
(Como é que propalam tanto a "flexibilidade" e defendem tanto o "agarrar de oportunidades" quando o que vemos sempre é as pessoas a procurarem a estabilidade e o "sossego"? Destas duas vontades, qual dela quer, qual delas vai vencer neste jogo do gato e do rato?)

 
Essas pessoas ficaram a ganhar.
Com a população flutuante, em movimentos pendulares, a cidade ficou a perder.

Ao haver um decréscimo dos preços por m2 por ter havido uma explosão imobiliária o sistema económico continua a amordaçar a Terra. Connosco, sem outra hipótese / sem outra visão, a alimentar o monstro que tudo vai tragando.
Significarão as moradias e querer viver nelas que estamos a perder a capacidade de viver encaixotados? Quem, aliás, no-lo foi ensinando senão aquela mesma economia?
Que qualidade de vida? O Homem bem-pensante, quando pensante, estará a tornar-se anti-social? Misantropo?
Para que serve a sociedade?
Usamos a sociedade como papel higiénico?
Quem fica a cheirar mal?
Será que, nestes lugares superpovoados e densificados (pessoas e ruídos sem amortecedores possíveis) apenas temos, fomos ganhando necessidade urgente de "privacidade"?
Como se conjuga a defesa e o direito à privacidade, mais à sacrossanta "propriedade privada", ao "espaço só nosso", com a devassa da vida pública e privada nos média que tudo vão querendo devorar?
 
No entanto, por esta mesma centrifugação, as grandes cidades vão crescendo, alastrando e manchando as periferias, invadindo os campos produtivos (os que) e destruindo equilíbrios e espaços que são necessários como vazios de habitantes e pegada da besta do Homo consumericus.
E, assim, aquilo de que nos vamos queixando, é precisamente aquilo que, por uma qualquer cegueira umbiguista de que ainda não nos apercebemos, vamos alimentando.
 
As imobiliárias e os bancos estão a ganhar.
Nós, enquanto seres sociais, estamos a perder.
Saúde e poder.
 
"Estar longe da confusão e viver às portas de Lisboa".
 
Será que as cidades já não são lugares para habitar?
Lugares aonde vamos apenas fazer "confusão" e que passamos o dia desesperados por deixar?
Lugares aonde vamos apenas fazer "o nosso trabalhinho", dar o nosso "contributo" para a sociedade e que depois, exigimo-lo, temos o direito de abandonar,?
Que sanidade terá então esse "trabalhinho", essa "troca económica e social" que lá vamos "obrar"?
Quem fica para trás, na "confusão"?
Quem foge? Quem pode.
 
 
Mais custos ambientais nas deslocações.
E - pasme-se, para completar o rol e tudo estar em perfeita sintonia (falaremos de que sin...fonia se trata, a musiquinha com que vamos adormecendo, embaladinhos, vitorgasparadinhos) - "os transportes públicos não são opção para muitos dos novos aldeãos".
Paga, povo-bem e não tão-bem, o combustível, já que não pagamos convenientemente a poluição-
Paga, povo-cada-vez-menos-bem, a velha salazarenta portagem sorvedora de dinheiro.

Como? O carro é mais usado em Lisboa que na maioria das metrópoles?
Com um sistema intermodal daqueles??, com metro, eléctricos, comboio, autocarros e quiçá bicla?
Que dizem que funciona tão bem... afinal!
Qual a percentagem do uso destes outros transportes, ditos colectivos (que o são mais, sim)?
Significará que apenas funcionam localmente, dentro do espaço urbano?
Mas... qual é o espaço urbano de Lisboa?
 
"Lisboa tem uma área metropolitana três vezes maior que a área metropolitana de Nova Iorque, mas SÓ a cidade de Nova Iorque tem o triplo de habitantes da área metropolitana de Lisboa"
 
Por causa do mesmo princípio económico da rapidez e ... da "economia", a construção alastra para onde forem sendo traçadas as auto-estradas e grandes alcatrões alinhados. E uma vez que não fugimos a este diktat, os agentes económicos infiltrados nas decisões que afectam a todos e enriquecem alguns já sabem como nos atacar. E sabem-no muitíssimo bem.
A paisagem, ou o que vai ficando dela, é um dano colateral, "necessário" para haver o tão prezado e dêusico "crescimento económico".
 
O ordenamento do território ri-se de nós e diz-nos que não tem nada a fazer aqui.
Portugal provisório que não invertemos e, por omissão de intervenção, vamos tornando definitivo.
Atravessando o tempo, por entre os despojos humanos empilhados que ficam para trás.
Por entre os destroços e as brumas da memória sempre cantada mas nunca entoada pelos que vivem aqui e agora.
 
No meio de toda esta confusão, quem se salva?
Quem se pode salvar?
Que mancha de óleo estamos a tentar limpar? Com petróleo??
Dizem que o petróleo - refinadinho e cor-de-rosinha, claro está, que é bem mais atractivo e vendável (O quê? derrames de petróleo?? aquela coisa com cor tão bonita??) - remove muito bem as nódoas.
Mas, once again, folks, lá estamos nós a alimentar um sistema de desenvolvimento industrial que nos trouxe até este beco populacional, ecológico e económico.
 
"Insanidade é insistir nas mesmas acções e esperar resultados diferentes."
Albert Einstein
 
E esta reconfiguração demográfica configura alguma mudança do sistema de poder até aqui empurrado a seguir?
Quantas moscas podem mudar-se para a esterqueira poder perdurar?
 
Os ditos centros deslocalizam-se, pois o bulício será replicado, tanto quanto possível, nas periferias, reproduzindo novos centros, criando, com o tempo, se o sistema reprodutivo permanece idêntico, os mesmos problemas criados lá longe, longe aonda agora só fantasmas e edifícios vazios (200 mil, em Lisboa) se erguem como cadáveres para dar nome e vida à sociedade.
 
 
Pero, que es la sociedad?...

quinta-feira, setembro 27, 2012

Primeiro pagam e depois pedem explicações?


Surpreendidos? Por acaso, alguém assinalou a manipulação, evidentemente que isso tinha que acontecer, mas tenho para mim que que o cenário era ver se a coisa passava. Afinal é um vídeo premiado e no restante está limpinho. Dizem eles. 


[ou então lá no turismo ninguém reparou no(s) detalhe(s), o que ainda é bem pior...]

quarta-feira, setembro 12, 2012

Isto é sobre uma das falácias mais perversas do capitalismo



Para ver com legendas basta clicar em “cc” no vídeo

Nick Hanauer é um milionário americano especializado em capital de risco. No dia 1 de Março de 2012 deu esta palestra numa das famosas conferências TED e os responsáveis desta organização sem fins lucrativos recusaram-se a publicá-la.

Nesta palestra Nick Hanauer desmorona um dos mitos mais malignos associados ao capitalismo: de que os ricos merecem ter privilégios tais como impostos reduzidos para que possam continuar a desempenhar a sua suposta função social num sistema capitalista que é a de criar postos de trabalho.

Nick afirma que é falsa a ideia de que “os ricos são criadores de emprego e que por isso não devem pagar impostos”. Afirma antes que o verdadeiro criador de emprego é o consumidor da classe média.

Sacado daqui.

quarta-feira, maio 02, 2012

"Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno", por Serge Latouche

A propósito do tão propalado e sacrossanto crescimento económico, ou crescimento a que já caiu o económico, teríamos de voltar a este livro.

Ontem, 1º de Maio, dia do trabalhador, não foi um dia especialmente memorável para os "colaboradores" de um dado estabelecimento comercial espalhado pelo país, embora com sede fiscal fora dele.

Mediante a decisão / imposição / regulação dos preços nos seus burgos resulta um fácil controlo dos comportamentos de milhares de quase-mortos que pedincham por dignidade e vida. E que se riem, porque as suas preces foram ouvidas: haja caridadezinha...

Esta reacção automática massiva, como mihares de robôs, não é muito diferente dos apitos imbecis pela vitória de um clube ou de um partido, ou por qualquer outra manifestação alienante.
Aconteça ela em conjunto, em massa, ou individualmente.
(Como estarmos milhões, cada um em frente ao seu, a olhar para um ecrâ.
De televisão ou de ordenador.)

Que faz cada um de nós?
O primeiro passo para a reconversão desta economia e para a retracção dos valores que ela impôs está em fazer o contrário do que ela nos obriga (mediante controlos como o de ontem).
Reduzir o consumo.
Irá começar por alterar tudo.
Não será suficiente.
Depois urge não parar.
Mas primeiro temos de começar e forçar.

Ficam aqui algumas passagens interessantes deste pequeno e lúcido tratado.






Título: Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno
Edição Original: Petit Traité de la Décroissance Sereine (2007)
Autor: Serge Latouche
Tradução: Víctor Silva
Edição: Janero de 2011
Editora: Edições 70
ISBN: 978-972-44-1646-5
Paginação: 160 páginas

"Não podemos produzir frigoríficos, automóveis ou aviões a jacto «maiores e melhores» sem produzir também detritos «maiores e melhores». Nicholas Georgescu-Roegen "(...) a maximização do consumo baseia-se na predação e na pilhagem dos recursos naturais, à economia do cosmonauta, «para a qual a Terra se tornou um veículo espacial único, não possuindo recursos ilimitados, seja para dela os retirar, seja para nela vazar os seus poluentes»." Quem acredita que é possível o crescimento infinito num mundo finito ou é louco ou economista.
Kenneth Boulding
(p.28)


"Ao contrário doutras tradições religiosas como o budismo, a tradição cristã não favoreceu no Ocidente a relação harmoniosa entre o ser humano e o seu ambiente vivo e não vivo. O marxismo inseriu-se nesta tradição, o que levou Hans Jonas a dizer: «A humanização da natureza por Marx é um eufemismo hipócrita para designar a submissão total desta mesma natureza ao ser humano para uma exploração total com a finalidade de satisfazer as suas próprias necessidades.»"
(p.141)

"Os novos heróis do nosso tempo são os cost killers, estes gestores que as empresas multinacionais atraem a preço de ouro, oferecendo-lhes grandes quantidades de stock-options e indemnizações por rescisão. Formados geralmente nas business schools, que mais apropriadamente deveriam ser chamadas «faculdades de guerra económica», estes estrategos estão empenhados em transferir ao máximo os custos para o exterior, de modo a fazê-los recair sobre os empregados, os subcontratados, os países do Sul, os seus clientes, os Estados e os serviços públicos, as gerações futuras e sobretudo a natureza, transformada ao mesmo tempo em fornecedora de recursos e em caixote do lixo. Qualquer capitalista, qualquer financeiro, mas também qualquer homo oeconomicos (e todos o somos) tende a ser um «criminoso vulgar», mais ou menos cúmplice da banalidade económica do mal."
(pp.32-33)

"A economia transforma a abundância natural em raridade com a criação artificial da escassez e da necessidade através da apropriação da natureza e da sua mercantilização. Última ilustração do fenómeno, após a privatização da água: a apropriação do domínio vivo, em particular com os OGM. Os agricultores assim destituídos da fecundidade natural das plantas em benefício das empresas agro-alimentares. A imaginação do mercado», como diz Bernard Maris, «é incomensurável. Como se fosse um cuco, instala-se em tudo o que é gratuito. «Exclui estes e aqueles, estampilha a gratuitidade, impõe-lhe logotipos, marcas, portagens e depois revende-a.»"
(p.55)

"Finalmente, é preciso pensar em inventar uma verdadeira política monetária local. «Para manter o poder de compra dos habitantes, os fluxos monetários deveriam permanecer o mais possível na região e as decisões também deveriam ser tomadas o mais possível ao nível da região. Dêmos a palavra ao especialista (neste caso, um dos criadores do Euro): "Encorajar o desenvolvimento local ou regional ao mesmo tempo que se mantém o monopólio da moeda nacional é como tentar desintoxicar um alcoólico com gin."
(p.71)

"Segundo Yves Cochet, «uma alimentação mais económica em energia seguiria assim três orientações opostas às que hoje são correntes: seria mais local, mais sazonal e mais vegetariana». Continuará a ser «mais cara» se se continuar a fazer com que as vítimas paguem e a subsidiar os poluidores."
(p.76)

"A civilização capitalista caminha inexoravelmente para a sua derrota catastrófica; já não é necessária uma classe revolucionária para derrubar o capitalismo, porque ele cava a sua própria sepultura e a da civilização industrial no seu conjunto. É uma sorte, porque se vê bem que a luta de classes se esgotou com o triunfo do capital. (...) Neste sentido, o projecto da sociedade do decrescimento é eminentemente revolucionário. Trata-se não só de uma mudança de cultura, mas também das estruturas do Direito e das relações de produção."
(p.92)

"Se a França aplicasse a directiva europeia e produzisse 20% da sua electricidade a partir de energias renováveis, como a solar ou a eólica, isso criaria 240 000 empregos. Um documento publicado em 2005 pela Comissão Europeia mostra que cada milhão de euros investido na eficácia energética cria 12 a 16 empregos a tempo inteiro, contra 4,5 numa central nuclear e 4,1 numa central a carvão. Ou seja, custa duas vezes menos economizar um quilowatt-hora do que produzi-lo."

A satisfação das necessidades de uma arte de viver convivial para todos pode realizar-se com uma diminuição importante do tempo de trabalho obrigatório, de tal forma são importantes as "reservas", porque, durante séculos, os ganhos de produtividade foram sistematicamente transformados em crescimento do produto, e não em decrescimento do esforço."
(p.110-111)

"Nas condições actuais, o tempo liberto do trabalho não passa a ser apenas por isso liberto da economia. A maior parte do tempo livre não conduz a uma reapropriação do tempo da existência e não constitui um abandono do modelo mercantil dominante. O tempo continua a ser muitas vezes utilizado em actividades que ainda são mercantis, que não permitem ao consumidor assumir a via da auto-produção. Ele é desviado para uma via paralela. O tempo livre profissionaliza-se e industrializa-se cada vez mais. (...) Fundamentalmente, é com uma reconquista do tempo pessoal que nos confrontamos. Um tempo qualitativo. Um tempo que cultive a lentidão e a contemplação, ao ficar liberto do pensamento do produto. (...) Esta reconquista do tempo «livre» é uma condição necessária da descolonização do imaginário. Diz respeito também aos operários e aos assalariados, e não só aos quadros stressados, aos patrões acossados pela concorrência e às profissões liberaris apertadas em torno da compulsão ao crescimento. Podem passar de adversários a aliados na construção de uma sociedade do decrescimento."
(pp.119-122)

"É tão fácil «convencer» o capitalismo a limitar o crescimento como «persuadir» um ser humano a deixar de respirar, escreve Murray Bookchin. O descrescimento é forçosamente contra o capitalismo, não tanto por lhe denunciar as contradições e os limites ecológicos e sociais, mas antes de mais porque lhe põe em causa "o espírito", no sentido em que Max Weber considera "o espírito do capitalismo" como condição da sua realização. Se, em abstracto, talvez seja possível conceber uma economia ecocompatível com a continuidade do capitalismo imaterial, esta perspectiva é irrealista no que respeita às bases imaginárias da sociedade de mercado, ou seja, a desmesura e o (pseudo)domínio sem limites.

O capitalismo generalizado não pode deixar de destruir o planeta tal como destruiu a sociedade e tudo o que é colectivo."
(p.125)

domingo, abril 29, 2012

A tua posição



Uma habitação para o que tem dinheiro e uma habitação para o pobre,
um meio de transporte para o que tem crédito e outro para o que não pode ter,
uma assistência de saúde para quem pode pagar e um serviço de saúde para quem não pode,
um lixo televisivo para o contribuinte e revistas de viagens para o engravatado,
um ambiente suburbano para os miúdos do colégio e um ruído de fundo para a pobreza,
uma alimentação para o rico e uma alimentação para o descamisado,
uma formação para o desempregado e um emprego para o formador,
um empréstimo para a ostentação e uma negação para a lástima,
um peditório para o distribuidor de dívidas e um pagamento para o despojado,
um boa educação para a gente de boas famílias e uma má educação para os malandros e desempregados que não querem trabalhar,
um futuro para quem pode e um presente para quem o carrega,
um seguro de vida para o investidor e uma vida insegura para o perdedor,
uma corridinha para quem faz que trabalha e um descansinho para quem se cansa a trabalhar,
um horário compatível com a luz do sol e um horário incomportável com viver,


milhões de sonhos destruídos em dias consumidos na labuta,
a trabalhar para aquecer para enriquecer outros filhos,
a perder tempo a dispender energias sem vencimento,
a ver o poder de compra a perder-se e a perder-se tanta luta
em energia desperdiçada em gente amarrada às dívidas
da casa, da luz, do gás, do méu que não é teu, do carro que te come
e se ficares doente ainda vais parar ao hospital e levas uma multa
chamada taxa moderadora que tens de pagar, para moderar a fala e o juizinho,
que o juizinho é muito lindo e é por ele que consegues ser alguém...
tanta força mal empregada, tantos braços a produzir nada,
tanta raiva mal direccionada, tantos assaltos às pessoas erradas,
tanto dinheiro gasto em dependências, medicações e demências,
investida tanta cheta em futebóis e conversas da treta,
tantos assassínios através da fome perpetrados por quem mais come...


e enquanto nos acenam com a escola pedimos um emprego-esmola,
aceitamos o que nos dão e vamos comer-lhes à mão,
honramos as hierarquias e mais as suas tias,
procuramos alcançar o poder nem que tenhamos de nos vender

país de carneirada a quem não sobra nada
senão a granada lançada pra lá da barricada.

O muro dos outros somos nós que o fazemos
pois se o poder que não temos o perdemos
importa a pedra que escolhemos.



Eles Comem Tudo,
por Chullage



"E a finança enche a pança
com o aval da liderança,
despedimentos em vez de aumentos,
são os rumos da mudança,
especuladores, ladrões de ofícios,
grandes salários e benefícios,
bebem o fruto do nosso suor
e depois pedem-nos sacrifícios,
apoderam-se da gerência,
levam empresas à falência,
saem com bónus de milhões
e despedem sem clemência,
e o salário mingúa
pra que o lucro não diminua,
justificam-se com a crise
e os bancos põem-nos na rua,
saem do público prò privado
depois do futuro adjudicado,
vendem serviços a eles próprios
pilhando os cofres do Estado,
combatem o défice na nossa mesa
mas vivem à grande e à francesa,
congelam salários e subsídios
que é pra cortar a despesa
fazem-nos retenção na fonte
enquanto empresas põem-se a monte
no paraíso fiscal pra lá do nosso horizonte,
impõem um empréstimo em troca de soberania
enriquecem com os juros e sufocam a democracia.

Cortam na educação,
exigem mais avaliação,
abandonam o ensino público,
mas os seus filhos lá não estão
Saúde também leva pancada,
comparticipação cortada,
morremos na fila de espera,
eles estão na clínica privada,
falam de paz e democracia,
em igualdade, cidadania
e dão-nos o direito de escolha
prò próximo rosto da tirania
entram tanques e aviões,
chamam paz a ocupações,
deixam rasto de sangue
na riqueza das nações,
trazem servos e minérios
deixam escombros e cemitérios,
enriquecem a reconstruir
os seus velhos impérios
prò mundo levam do Ocidente
os seus restos e excedentes
em nome da ajuda humanitária
destroem a economia da gente
e entram máquinas adentro
expulsam-nos dos nossos alojamentos
(...) empresas de cimento
e fazem grandes empreendimentos
dos seus condomínios fechados
com seguranças e empregados
afastados da miséria
e ódios por eles criados.

Vêm com o grande capital
e abrem o centro comercial
catedral do consumo
e matam o comércio local,
nas terras dos outros enchem carteiras
fazem turismo com peneiras,
refugiam-se na fortaleza
e fecham as suas fronteiras
fazem crescer economias
parasitando minorias,
os últimos a quem reconhecem
liberdades e garantias,
cruzadas evangelistas
holocaustos sionistas
vão conquistando mundo
na caça aos fundamentalistas,
pregam a fé dos belicistas,
queixam-se de guerrilhas e bombistas
pela contagem das vítimas
mas eles é que são os terroristas
impunes a roubar milhões
prendem os pequenos ladrões
que neste país pilhado
digladiam-se por uns tostões,
depõem o inimigo eleito
e põem o amigo do peito
a manejar as marionetas
do colonialismo refeito,
aumentam o orçamento
prà guerra e o policiamento
pra conter o descontentamento
esse é o crime violento
pra se proteger da multidão
que só quer pão e habitação
eles comem tudo que há pra comer
e deixam-nos a estender a mão."



A luta de classes, que, sim, existem, com nomes variáveis, terá sido o motivo por que deixámos o capitalismo chegar a este ponto?
E agora, que continua a haver classes, mas já muito pouca luta, será que o sistema vai cair?

Dêmos-lhe uma ajudinha, coitadinho.
Coitadinhos de nós.

quarta-feira, abril 25, 2012

Donos de Portugal




"Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.
Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.
No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.
Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves."
Saber mais em:

domingo, abril 22, 2012

Não é na lua



Não sabemos se o filme (documentário) estará disponível online. Passou no dia 20-04-12 na RTP2, não sendo a primeira vez, e até se fala por aí. Não existe uma fórmula, mas a perversidade de um mundo supostamente moderno, repercute-se até nas áreas mais recônditas. Aqui estamos perante um povo nómada dos Himalaias, cada vez mais constrangido na sua vivência tradicional. Tudo aquilo que fazemos tem consequências; chamem-lhe o global versus local ou glocal, ou outra coisa qualquer. Neste particular, as profundas alterações climáticas, o apelo do mundo moderno, acabam por repercutir violentamente na vida destas pessoas, limitando-as nas suas possibilidades de escolha, obrigando-as muitas vezes a partir sem qualquer preparo para as cidades, a reagir a estímulos estranhos, a metamorfoses de vida e do corpo. É como assistir de camarote à destruição da sua própria cultura. Sonam tem um sonho durante a noite e pela manhã diz ao filho para trazer o cavalo. Parte em busca de respostas, na terra dos seus antepassados. E mais não dizemos.

As viagens marítimas do sec. XVIII

Ler mais em Visão.

sábado, abril 21, 2012

A produção é a coroa e a destruição é cara.

A destruição sai cara, sim. Mas temos de pensar sempre: A QUEM sai cara? O motor é o consumo, e na descoincidência geográfica e económica (a mais antiga variante da injustiça) entre os pagadores e os compradores, a produção oculta a destruição que a implica. Uns são os reis (a Coroa), outros a cara. Da moeda que gira... Que gira. Atentem: que GIRA... É sobre isto que importa reflectir.
As coisas que nos escapam ao entendimento, talvez apenas careçam de um pouco de detenção, de um pouco de análise. De ver o outro lado.
Apenas de irmos por aí fora, sempre um pouco mais longe, de pergunta em pergunta, pelo rio das coisas acima.

Se a cabeça é redonda para as ideias circularem,
se o mundo é redondo para poder girar (a verdade talvez seja é que por ser obrigado a girar se foi tornando redondo o planeta), as coisas que cá estão, muito lavoisieranamente, andam de um lado pra o outro, a circular, transformando-se.

De onde vêm? Para onde vão? Como? O que implicam essa viagem?, essa transformação?,
E depois, que acontece? Onde se fecha o ciclo? É um ciclo?

O que é um ciclo? - Um percurso fechado, que se conclui e - aqui é que está - que pode voltar a começar. (Daí sempre o eterno retorno da questão da sustentabilidade)

Quantas fases do ciclo passam por nós? De quantas fases não estamos conscientes? Mas... em quantas podemos intervir? e... INTERVIMOS, de facto,?
Aqui há uns anos, talvez mais de 15 anos, o Boaventura escrevia, na Visão, um texto genial.
Não se tratava de um mero jogo de palavras. Mas o mais importante que ressaltava (não sei onde pára esse texto) era que "nos falta a consciência da consciência que nos falta". A noção de que há coisas que nos escapam. Tal como o "só sei que nada sei" socrático.
Ou seja, o primeiro passo e o estímulo inicial para irmos mais além no saber. No querer saber.
Porque, com a imaginação atrofiada pela mesquinhez apontada à cabeça, não vemos para além do que nos está à frente. E por todo o lado nos estimulam a que não pensemos, retirando-nos os materiais de que precisamos para pensar e ver o que não vemos, que não temos ali, agora, no imediato, e está longe, bem lá longe, onde não podemos pôr a manápula.

Vêde o vídeo. O vídeo volta, a moeda gira, o mundo roda, as chapadas voltam a bater naquela porta. Que o mundo é o mesmo e único. E o preço, caro, que volta à cara, vem ampliado. Pois não é verdade que a nossa maior fraqueza é a nossa maior força infligida contra nós? Estes são os estímulos que temos injectado no sistema e o feiticeiro está tão-somente a ficar sem mais ninguém a quem pedir contas.

Olhem, eu sou um chato e o palavreado que brota, querendo encher-vos a taça, só vo-la esvazia. (Ah! esta é do Nietzsche..) Vêde o vídeo.



(Há quem lhe chame coltan... coltan... mas o que é isso? Eu sempre ouvi falar em "cobalto", que é isso o que é. Dantes era Bombaím, depois passou, não sei por que carga de água transnacionalista ou anglo-saxofonista, a ser chamada Mumbai... Estão a brincar connosco. Porque quer as palavras, quer o silêncio, não há neutralidade possível. Se houver dois seres comunicantes...)

quarta-feira, abril 18, 2012

O borbulhar e a rã...



Dados da temperatura de 1880 a 2011

Extraído daqui