domingo, março 29, 2009

"Os pássaros"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.

sábado, março 28, 2009

Fora de moda...

Como ninguém liga nada ao que realmente contribui para desmantelar este país, a CP, à socapa lá encerrou duas linhas de caminho de ferro, a saber, a do Corgo e do Tâmega. Nem um pio sobre a coisa. De ninguém. Hoje há bola e congresso leonino. Hoje há páginas inteiras a martelar corrupção sem qualquer desenroscar que se veja. Há um país incompreensivelmente distante daquilo que interessa. O zoológico do interior perfila-se cada vez mais. Faltarão, todavia, as espécies autóctones. O asfalto (não sendo gótico) reflecte a modernidade que temos: uma estranha geografia. 
Apenas encontrei mais uma referência ao assunto num post aqui.

domingo, março 22, 2009

sexta-feira, março 20, 2009

Boas intenções ou atenções boas?

Vai-não-vai, lá vem o TGV. Para grandes males, grandes obras. Sucede que este é o mesmo país em que praticamente 90% do transporte de mercadorias se faz por via rodoviária (com todas as consequências que daí advêm); o mesmo onde se encerram linhas de caminho-de-ferro (veja-se o Tua entre outras) ou são reconvertidas para fins turísticos (alegres zoológicos a céu aberto); onde uma ligação Braga/Porto demora 1h15m e Barcelos/Porto o mesmo, praticamente, que o meu pai levava na década de 1970. Este é um país pequeno onde uma planeada rede de linhas de média velocidade (por exemplo como os Inter Cidades) faria toda a diferença, mas onde há muito tempo o modelo de desenvolvimento assenta na construção de rodovias. Então para que serve (ou a quem serve) o TGV? Veremos.
Recentemente soubemos também de mais um instrumento para combater a crise disponibilizado pelo governo. As famílias com desempregados vão ter um desconto de 50% na prestação do crédito à habitação. Esta medida tem a duração de dois anos, após os quais o dinheiro terá que ser devolvido. Parece-nos bem. Observando-a reflectidamente, chegamos à conclusão que a par do apoio às famílias com dificuldades é um enorme apoio ás instituições bancárias, pois continuam a receber o seu dinheirinho. Dir-me-ão: os bancos podem sempre vender em leilão os imóveis. Respondo: podem não. Podiam. Já ninguém compra. Se o objectivo fosse ajudar a malta a ultrapassar a crise o apoio seria também para famílias com desempregados que vivem em imóveis arrendados. Não é pois não?
Também estas podem ter dificuldades em pagar. Ou ir para a rua. Mas isso é outra história…

quarta-feira, março 18, 2009

Vergonha de norte a sul

Não temos fotos para vos elucidar sobre aquilo de que tivemos de vir falar aqui.

Por um motivo ou por outro vamos nos deslocando pelo país. As vias de maiores fluxos são, provavelmente (i.e. com provas), as estradas e vias férreas do litoral. Aquela faixa ocupada a que já muitos chamaram a cidade de Viana a Lisboa. As coisas não são bem assim, bem o sabemos, mas... que diferença faz?
Para o que é necessário, o que resta é quase nada.

E nessas viagens, mais ou menos longas, cujas paisagens são condicionadas pela nossa atenção ao percurso e seus obstáculos e, por outro lado, pela localização das próprias vias por onde circulamos, vamos tendo uma ideia mais fundamentada do velho cliché que os professores de geografia nos ensinam: a ideia de Portugal ser ao mesmo tempo pequeno mas rico em diversidade paisagística. E isto tanto a nível geológico (tipo de rochas e morfologias) como - em boa medida, por consequência - a nível humano (tipos de habitação, usos do solo, etc.)

Ou seja, vamos interagindo com as principais componentes física e social através das quais poderemos depreender ou inferir os modos de vida das populações, a sua cultura, isto é, a sua inscrição no espaço ao longo da história.
(É fundamental ler o mestre Orlando Ribeiro para termos o privilégio da fluidez e do amor com que fala destes assuntos... Recuperamos para tal a recomendação de "Introdução ao Estudo da Geografia Regional")

Aquilo que vamos vendo por esse país fora nem sempre se revela. O viajante encontrará situações inexplicáveis, completamente absurdas até, que o farão perguntar-se sobre o que raio andamos aqui a fazer, ou "onde é que está o poder neste país?". Outras vezes, terá que ver e calar, à falta de preparação para saber interpretar o que se lhe é apresentado.

Um exemplo disto prende-se o "tapete vegetal". Nas palavras do professor, "só um conhecimento profundo ou uma investigação sistemática da flora de certa região, inacessível a quem não for botânico (e perito e expedito no trabalho de campo!), permite empreender uma pesquisa deste género". (op. cit. p.116). Ora, isto escapa muitas vezes ao Geógrafo e, no seu calcorrear pelo terreno, é fácil "passar por cima" de elementos que muito lhe poderiam dizer para explicar a paisagem.

Porém, neste caso, salta à vista e não é grande mister perceber a autêntica e alarmante desgraça em que o país está mergulhado: mesmo por baixo dos nossos olhos e narizes, Portugal está infestado de eucaliptos.

Ouvi dizer que a principal das concessionárias (que nomes engraçados para quem detém, para quem roubou - quiçá para sempre - aqueles milhares de hectares) das auto-estradas tem ou faz contratos com os proprietários dos terrenos adjacentes para que plantem eucaliptos. Ouvi dizer! Não sei de mais nada, nem se é verdade. Mas a avaliar pela enorme tristeza que grassa por aí não me admirava nada se fosse...

E quem ganha com isto deve ser a indústria papeleira. É a rodinha da vergonha, que gira sem parar.

Ali na Cova da Piedade (Almada) chegámos a ver eucaliptos como planta ornamental de uns retalhozinhos que para efeitos de PDM funcionam como espaços verdes e a que o comum cidadão também costuma chamar jardins. Também vimos que um desses "jardins" tinha areia (sim, como a da praia da região) em vez de terra. E as plantas que nele cresciam por abandono e desleixo, fazem-nos mesmo pensar quão forçado é o tapete da relvinha verdajante por onde passa o metro (MST - Metro do Sul do Tejo). Eu nada tenho contra a relva ali. Até é preferível. Mas apenas se contrapõe ao empobrecimento do resto.


Vimos, já entrados no Alentejo (distrito de Beja), quantidades dessa espécie como não esperávamos encontrar. (E também terrenos nus, sujeitos à erosão. Estamos, lenta, tranquila e silenciosamente a perder o suporte de vida)

De norte a sul, o país parece ter-se rendido à rendibilidade do eucalipto. No fundo, sinais dos tempos que correm: paradigma da globalização, do crescimento rápido, do lucro fácil e dos efeitos colaterais que todos pagamos: o empobrecimento (perda de diversidade) da paisagem, que assim se torna mais feia e igual.


Na região dos terrenos terciários (e falamos da faixa de Coimbra a Lisboa) vemos vertentes ravinadas, terras descarnadas, sujeitas à meterorização e à erosão que carimba, sem mais hesitações, a perda do solo. Para abrir estradas, essas "concessionárias" esqueceram-se de tratar das margens. Houve aqui há tempos, no programa Biosfera, uma reportagem sobre requalificação de terrenos degradados, cuja intervenção principal e salutar consistia em recuperar essas vertentes cobrindo-as de vegetação. Sim, é positivo. E essa iniciativa partia da principal das concessionárias. Mas onde estão esses bons exemplos? Há tanto por fazer...!

Olhando à esquerda e à direita vemos acumulações de areia e terra sem explicação. Nem um sinal de que por ali vá passar mais um viaduto...

Outras vezes, como ali bem perto de Oliveira do Douro, vemos coisas semelhantes a isto. Tal como aquele prédio inclinado na Covilhã. E tal como o edifício que prometia vir a ser a sede de uma empresa de construção, em Sequeira (Braga). Ou seja, esqueletos de edifícios. Não estamos a falar de prédios decrépitos por os seus materiais estarem envelhecidos mas, sim, de edifícios nunca habitados! Não percebemos porquê. Apenas aventamos hipóteses...

Depois há sempre os bolos por baixo das cerejas, grandalhões e inescapáveis à vista, diga-se: as escombreiras, as minas, as pedreiras, gigantescos vazios destoantes da cor da paisagem. Há-os ali a uns kms de Lisboa, há-os até em paisagens protegidas e parques naturais! Vejam só.

E o país sempre em obras, um país nunca acabado e a ser esburacado em tons gerais.


Quanta vergonha...

"Shame on... we!"


É assim que tratamos este país?
É agradável à vista?
Será realmente necessário?
Será preciso todos virarmos turistas para vermos, para sentirmos de outra forma?
É isto que queremos?

segunda-feira, março 09, 2009

Tasca Moca, meu?

Vidal: algures por Coruche, 06-03-09

domingo, março 08, 2009

sábado, março 07, 2009

Esqueleto solitário de edifício erigido num monte?...

Vidal: À entrada de Santarém, 06-02-09  (click para aumentar imagem)

quarta-feira, março 04, 2009

Barcelos em 3D

Dos municípios também nos chegam iniciativas interessantes. Está tudo em www.cm-barcelos.pt/earth. Um portal que disponibiliza muita informação de carácter geográfico e turístico. Ainda está no início mas o seu potencial é enorme principalmente se associar outras valências, como mais informação logística, estatísticas e dados sobre a população, tecido industrial, comércio, história e, talvez, mais sobre o património menos óbvio. Acima de tudo é uma ferramenta para todos e não uma mera brincadeira. Faltará, talvez, para que tudo não se esfume no “digital”, a requalificação da zona ribeirinha (em curso), e a abertura de alguns equipamentos essenciais para a cidade, não apenas no contexto local, como no regional e mesmo nacional, a saber: Teatro Gil Vicente e Museu do Rio. Uma visão global do centro histórico, onde cultura, turismo, história e natureza (não esquecer o rio) sejam parte efectiva e afectiva da cidade. Com gente lá dentro. 
Naveguem…

terça-feira, março 03, 2009

Enquanto andamos às voltas

Imagine que, tal como eu e muita mais gente (ninguém é perfeito...), quer deslocar-se ao centro da cidade que tem mais ao pé.

Ou imagine mesmo que vai de viagem para visitar aquela grande cidade. Respirar o ambiente, ver os monumentos, ouvir os linguajares veriegados do cosmopolitismo, sentir outra luz, ir às comprinhas, aceder aos produtos que, por razões de mercado, não é "viável" que estejam à venda noutras cidades mais próximas de si.

Vai de carro.
Sim, numa cidade de nível que se preze (e isto tem que ver com qualidade de vida), terá opção de não ir: utilizará o metro, o comboio, o eléctrico, ou o autocarro. Em último recurso, um táxi.
Estamos a falar de transportes que, pelos acessos e dimensão, possam levar-nos à porta do tal monumento, do tal café, da tal estátua, da tal loja... Ou que nos permita uma caminhada agradável até lá. Predisposição que dependerá da sua duração, da sua dificuldade (orografias e coisas que tais...), da sua paisagem envolvente, do som, dos cheiros... em suma, de um somatório de factores físicos e sociais que se manifestam no sentir do caminhante.

Mas pronto, vai de carro.

Ora, acontece que você não é o único.
Aliás, queria o quê com tanta estandardização no mundo?
Que fosse único no pensar, não?

Portanto, e porventura, não foi o primeiro a chegar à Babel.
Aliás, até consta que já lá havia quem morasse. Imagine só que curioso!

Então o senhor automobilista anda às voltas, em busca do buraquinho onde descansar os seus cavalos.

- Olha, olha, está ali um lugar!!
Ah... é para veículos com pessoas portadoras de deficiência...
(Caramba, é sempre a mesma coisa...)
...
- Olha, aquele até nem estava mau...
Mas não. É arriscado. Depois se vinha a polícia levava logo uma multa. Ou ficava sem carro... e depois como é que me ia safar nesta selva de betão? Esquece...

- Paciência, é continuar a procurar.


(Não sei se já viram. Surgiu-me esta imagem no decurso da prosa... No Truman Show, há uma cena em que a personagem principal, na sua cidadezeca, se pôe a caminho do trabalhinho no seu carrito... e logo surgem dezenas de carros, num supetão, a obstruir a estrada.

Bem... esta não era a imagem mais adequada...
Vamos a outra.

Montagem e colagem de Eduardo F.
Já pensaram quanto do espaço das nossas cidades é ocupado por carros?


Sabeis daqueles videojogos em que somos como deuses, e temos de construir a cidade ou o povo e pôr aquilo tudo a funcionar (os construtores, os lavradores, as fábricas, montar a rede de energia, de esgotos... etc.). Ora acontece que nesse mundo a fingir - tudo parece correr bem - os popós lá vão circulando nas estradinhas que desenhámos. Parecem baratas tontas, de um lado para o outro. Nunca ninguém, nesses jogos, pode descer até ao vidro de um desses carros e perguntar ao seu condutor:

- Mas afinal para onde é que vai?

(E isto faz-me lembrar esse filme existencialista que é "Abre los Ojos" (de Alejandro Amenábar), em que todos são figurantes - incluindo, até determinada altura, nós próprios - e fazem precisamente o que lhes dissemos para fazer...)


Voltemos à realidade.
Imagine-se o deus dessa cidade, suba ao nível dos olhos dele:

Quantos carros como o seu estarão por ali, às voltas?
Apenas às voltas, e numa fila inconsciente (enquanto só virmos o particular nunca nos aperceberemos do absurdo de algumas situações)...

Que sentido é que isto faz?
Pois é, mas só pode pensar em pensar nessa "questão filosófica" quando parar. E na estrada o carro de trás não tarda a apitar-lhe se se distrai em pensamentos perigosos...

Pois bem. Não enveredando, apesar de sem isso nada poder ser pensado,
pela habitabilidade das cidades, pela sua ocupação, pela sua geometria e orografia, pelo uso (habitacional, industrial, administrativo, comercial...) que os agentes económicos e os decisores com poder legislativo atribuíram aos seus centros (ou seus bairros e suas avenidas)...,
...sabia que os seus habitantes, ou seja, uma parte daqueles que chegaram antes de si, podem prestar-lhe um óptimo serviço?

Numa cidade que para tal tenha sido pensada (com perspectiva de futuro, ou adivinhando os rumos que o futuro traria, coisa sempre a fazer e por fazer...), pode acontecer que as garagens das suas habitações e prédios estejam vagas.
E isto porque ou não precisam de carro para ir trabalhar e não têm um,
ou porque foram trabalhar para a outra banda e só voltam à noite.

Ou seja, você e eu andamos ali às voltas, a jogar ao tempo perdido, e mesmo ali ao lado, por trás daquele portão, está um lugarzinho - e você só precisa de um...! - onde estacionar o seu carrito...
(mas lembre-se, tenha visão: a cidade, com baratas tontas como você e eu, precisa de muitos desses lugarzinhos...)

Pois bem,
parece que houve alguém que reflectiu sobre isto.
Pelo menos, já aqui ao lado.

Tuplaza.es é um serviço de mobilidade muito útil para os automobilistas que há muito andam metidos nisto e já perceberam que o espaço é limitado, escasso, talvez até insuficiente.
Façamos as contas das quantidades de carros que entram nas cidades todos os dias, pelo espaço que os pode conter...
Se tivermos tudo muito bem calculado, talvez descubramos muitas vezes que esse produto é negativo.

Como funciona?
Basta indicar para onde vai e poderá deixar a sua viatura (alugando por metade do preço, ou pelo valor acordado com o proprietário do espaço àquela hora vago) mesmo ali ao pé. Caminhe o resto que lhe falta.
Claro, do outro lado, estarão outros, talvez mais, mas normalmente menos, a disponibilizar as suas garagens.

(É normal que não estando nós inscritos nesse serviço não podemos dar-nos conta das suas potencialidades e possibilidades.
Mas o princípio é tão simples, tão simples...)


Ou seja, o serviço nada mais faz que atender aos princípios de gestão, supervisão, compartilha e rendibilização do espaço. O planeamento também se faz disto.

(E claro que isto ajuda a que continuemos a atafulhar as nossas cidades com carros.
Adiando uma mudança maior. Ou de paradigma.)


Mas é que enquanto andamos às voltas andamos a queimar tempo e combustível. E isso também não é lá muito saudável.
Nem para nós, nem para as cidades, nem para o planeta.

domingo, março 01, 2009

"Portugaleconomic"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.