sábado, março 31, 2007

Inter Pares

O portal www.geographus.com está de parabéns. Faz hoje 3 anos de vida.

Saudações Geo,

Em redor...

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A vida...







e a morte, lado a lado... Barcelos 2006

sexta-feira, março 30, 2007

Quase fim-de-semana

Andava eu pelos jornais e fiquei-me pelo Diário de Notícias:

A vida tem destas coisas. O Sr Pinho da economia e ralis vai pregar à China a pobreza franciscana aqui do rectângulo, para depois a malta ir comprar…cortiça, sim cortiça, ao gigante asiático. Parece que é mais barata.

Entretanto, podemos informar, nem todos os tugas são “competitivos” com as massas assalariadas chinesas. Alguns, poucos, ganham mais qualquer coisinha, e ainda recebem umas indemnizações chorudas, na partida. Não, não são jogadores da bola.

De qualquer forma podemos ficar descansados, em caso de ataque terrorista, o exército propõe-se defender o território com o míssil antiaéreo “CHAPARRAL”. Ontem em exercícios não destruiu nenhum alvo.


Podemos dormir descansados…

Novidades no Georden

Olá a todos.

Informo que se encontram online mais duas funcionalidades:
- Videoteca
- GeoNotícias

Estejam atentos a mais novidades...

quinta-feira, março 29, 2007

Cabritadas às portas da cidade

O ex-responsável pela divisão de fiscalização urbanística da Câmara de Odivelas (Loures), ali às portas de Lisboa, acusado de roubar... cabritos a um pastor da Póvoa de Sto Adrião, foi ontem absolvido pelo 3º juízo do tribunal de Loures. Ficamos satisfeitos com tal facto, o qual prova, de forma inequívoca, a perfeita actualidade da dicotomia(?) cidade/campo; onde começa e onde acaba, ninguém sabe dizer. De qualquer forma, são estas notícias de relevância nacional que nos fazem acreditar na retoma...

Mais esclarecimentos no DN de hoje.

Rally de Portugal

Clique para entrar no site oficialUma suposta entrevista a um habitante local:

- Já tinha visto uma coisa destas?
- Epá! Há muito tempo que não via um carro por estas bandas e ainda por cima com tanta força!
- Mas fica contente por este aparato todo?
- Sim, trás mais emprego e facilita-me muito a vida.
- Então, porque diz isso?
- Já não tenho que lavrar a terra.
- Gostava de participar?
- Eu até participava, mas preciso do meu tractor para lavrar o resto que eles deixarem...
- Mas o ruído e poeira do rally não lhe incomoda?
- Claro que não. Vou vê-lo na TV e acompanho resultados na internet:

"Sempre abrir a noite toda..."

quarta-feira, março 28, 2007

A banalização do DIA de qualquer coisa


Parece que hoje é dia Nacional dos centros históricos. À imagem de outros “dias” já ninguém (nem a imprensa) fala do assunto. Nem outra coisa seria de esperar, quando se fazem as coisas “porque sim” ou para “não nos sentirmos mal”, ou por modinha. Já agora recomenda-se (“não são menos que os outros”) o dia nacional do subúrbio (coisa que não falta), dos centros não históricos, dos locais históricos que não são centros; o dia do campo sem gente nenhuma e das aldeias históricas ou quase. Porque como diria Karl Kraus, Desculpem-me os estetas mas a Viena velha já foi nova.

Ah, e já agora, se fosse vivo, Alexandre Herculano fazia hoje 197 anos. Afinal é um grande dia…

“ALLgarve CamaLION"

Clique para mudar de cor Por LEM.


Não estou contra a denominação da nova marca “Allgarve”. Moro no Algarve há 25 anos e sempre estive habituado a estrangeirismos. Por todo o Algarve assistimos a este fenómeno. O importante é que a marca “Allgarve, lançada recentemente pelo Sr. Manuel Pinho, tenha sucesso para bem do Algarve e todos algarvios (“Allgarvios”).

Na Serra Algarvia já há quem pense que se diz “Allfarroba” e não “Alfarroba”. Por isso, convém esclarecer que não se trata da substituição da designação “Algarve” por “Allgarve”, mas sim da promoção de eventos culturais na Região do Algarve sob a marca/desígnio “Allgarve”. Para nós, algarvios, não devemos confundir as coisas e esperamos que os turistas não pensem que estão a visitar o “Allgarve”, mas sim o Algarve.

Até penso que devíamos tentar atingir novos mercados, não apenas o inglês:
- “Algarbe” (norte português);
- “Elgarve” (espanhol e sul americano);
- “Algarvini” (italiano);

Se cada uma destas marcas investisse 3 milhões de euros para promover eventos culturais, ao logo de todo o ano, na região, seria óptimo. Quando há “cultura” no Algarve é sempre sazonal. Os apoios estatais na “cultura algarvia” surgem apenas no Verão, para inglês ver.
Vejo muito dinheiro investido em grandes eventos (muitos que pouco interessam ou passam ao lado dos algarvios), mas não vejo nada quando se trata em apoiar pequenos grupos/associações culturais da região. São eles que mostram o que é o Algarve e a cultura algarvia.

Devíamos fazer o seguinte inquérito à população algarvia:
- Sabe o que foi o Algarve Summer?
- Presenciou algum evento sob o desígnio Algarve Summer?
- Vai assistir a algum evento programado no Allgarve – Experiências que marcam?
As respostas seriam óbvias, pois o público-alvo destes investimentos foi/é, essencialmente, estrangeiro.

Mas compreendo que devemos pensar em termos económicos/políticos:
“Organizar eventos para encher hotéis. Hotéis cheios, geram dinheiro. Se há dinheiro, há emprego. Se há emprego, não há desemprego. O governo pode ficar descansado.”

Em anexo, deixo-vos três artigos publicados no “Postal do Algarve”, “Barlavento” e na "Visão", do dia 22.03.07 e


Clique para lerClique para ler
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terça-feira, março 27, 2007

Em palavras simples: JÁ REPARARAM?

Já repararam que grande parte das “notícias” relativas ao ambiente (coladas sempre à problemática da energia e/ou construção), "apresenta-se" quase sempre nos suplementos de economia dos jornais, invariavelmente encostadas a projectos, relatadas/comentadas por políticos, economistas e (alguns) engenheiros?

Já repararam que grande parte das notícias e da informação sobre reabilitação urbana, aparece em suplementos jornalísticos relativos ao IMOBILIÁRIO, e sob o patrocínio mecenas de empresas ligadas ao ramo?

Já repararam que algumas das (milagrosas) soluções para a economia nacional (desde o Algarve ao Nordeste transmontano, passando pelas Beiras e visitando os Açores), passa pela construção à Júlio Verne de Ilhas artificiais, resorts, campos de Golf (esse desporto da preferência dos portugueses) e EVENTOS, eventos e eventos?

Já reparam que a discussão em volta da OTA ( sem contar com o quintal político do prós e contras), não é (alguma vez foi?) relativa ao ordenamento do território, planeamento ou de “estratégia” nacional, bastando para isso atentar nos convidados dos programas televisivos dos últimos 15 dias (políticos, burocratas, economistas e alguns engenheiros), à qual só falta a “obra” legitimada no empreiteiro?

Já repararam que Bruxelas “ameaça” Portugal com novos processos por incumprimentos ambientais, (por ex, EDP afirma que avança no rio Sabor independentemente do dinheiro comunitário e consequências de qualquer ordem) e, mesmo assim o governo português afirma que a sua bandeira na presidência europeia será o…ambiente?

Já repararam que a região Norte, outrora, expoente máximo de exportações em vários produtos, bateu no fundo do fundo, sendo ultrapassada (em desenvolvimento) por uma região francesa, chamada GUIANA, local sinistro, para onde eram deportados os piores criminosos, ou os indesejáveis, GUADALUPE e REUNIÃO (três departamentos ultramarinos)?...

Perguntei por perguntar…

segunda-feira, março 26, 2007

Um Passeio...

Vidal : 24.03.07

A praça da "pedra" à Arcada, em Braga, num fim de tarde. Ninguém, ou quase. Uma das ilhas de calor mais "caras" a Braga, juntamente com o inóspito Campo de Vinha, obedece às leis demarcadas do EVENTO e do turismo. Esta já não seria a hora "turística" ou do "passeio", a praça (?) (es)vazia...
Dois músicos dos Andes tocam versões (Andinas?) com amplificação, de Simon and Garfunkel, entre outros, mais adaptados ao ouvido da moda; alguns Ucranianos passeiam e um ou dois putos de skate procuram (sem resultado) olhares femininos. Ao fundo, as "túnicas" que vestem a cidade durante a celebração religiosa da Páscoa. Globalização ou banalização?...

Entretanto, perdido de pedra em pedra, soube pelo vento que estão abertas as inscrições (Velha-a-Branca e Universidade do Minho) para mais um Curso de História da Cidade de Braga. Os "séculos XIX e XX- a evolução urbana" são da responsabilidade de Miguel Bandeira- Geógrafo...


Dia do Livro Português... de Geografia!

Clique para lerAproveitamos as comemorações do Dia do Livro Português para anunciar o início da nova rubrica “Biblioteca”.

Será uma rubrica mensal com o objectivo de dar a conhecer alguns livros/publicações sobre o vasto campo da Geografia, sejam eles mais recentes ou mais antigos.

Estejam atentos já no próximo mês de Abril.

Pode enviar a sua sugestão de leitura para:
georden@gmail.com

Saudações Geográficas.

sexta-feira, março 23, 2007

Georden nas Conversas de Café

Clique para entrarOs membros do Georden falaram ao blogue Kontrastes sobre os média e a blogosfera.

Leiam as nossas respostas
aqui.

Blade Runner: Recordam-se?

O mundo está a ficar cada vez mais parecido com a representação de Los Angeles no filme Blade Runner, de Riddley Scott. Três pistas:

Miguel Pina e Cunha

As (suas) três pistas aqui



Alguns geógrafos (E. Soja e Harvey, P.e) reflectindo, obviamente, sobre estas e outras temáticas, demonstraram, a partir de análises no terreno, esta mescla "cyber", fragmentos de cidade e memória (ou ausência desta), poluição e caos urbano (em vários sentidos) e as suas diferentes linguagens; repercutindo-se em novas representações socio/culturais e económicas, que se sobrepõem e se manifestam em novas "espacialidades". Estas nem sempre se apresentam como "realidades", mas dimensões abstractas que influenciam e são influenciadas. Outras cartografias humanas (e urbanas) surgem. É no espaço, como diz Soja, que estão as respostas. Não por acaso ele começou (reflexão da geografia pós-moderna) no "laboratório" da cidade dos anjos (LA) nos idos... 1980.

Referi em trabalho académico esta tendência, enfatizando o seu sentido simbólico, salvaguardando as devidas proporções, no caso português. No entanto a semente está lançada.
A sociedade da "encenação" está aí...

Blade Runner(1982): Realização de Ridley Scott a partir de uma obra de Philip K. Dick


quinta-feira, março 22, 2007

Georden na Edit on Web

Clique para lerA Edit on Web foi criada no final do ano de 2003 e cresceu desenvolvendo diversos projectos sobre cultura científica.

O
Georden foi entrevistado para este portal, que representa uma nova forma de fazer publicação digital e jornalismo em rede.

Ler artigo
aqui.
Ler entrevista
aqui.

Dia Mundial da Água

Ribeira de Couros (na foz com o Selho), Guimarães - 6 de Maio de 2005


Hoje apetece-me falar de... vinho!
Água?? Cuidemos dela nos restantes dias do ano! (Ah! E neste também...)

O vinho, devido às suas propriedades físicas, tem a capacidade de absorver componentes dos corpos com que contacta. Como o vinho se encontra um pouco por todo o lado, e em diferentes estados (gasoso, líquido e sólido, sob a forma de gelo), ele torna-se, portanto, num bom indicador do planeta que temos.

Através do seu sabor - qual néctar dos humanos que há-de levar muitos à congestão (bem como ao afogamento) - podemos inferir todo o trabalho que dá a consegui-lo.
São tantas as actividades económicas e industriais e tantos os fenómenos naturais que se conjugam que o temos na nossa maior estima. Convém referir que no nosso Portugal tão pequenino há grandes produtores de vinho. E sabemos os seus nomes.

Mas não nos esqueçamos do vizinho do lado, que com a sua falta de esforço e zelo contribui para alcançarmos grande e internacional fama.

Saberemos nós que um dos vizinhos do nosso vizinho somos nós próprios? Somos todos grandes produtores de vinho. Bem como de outras bebidas, doutras cores, cheiros e sabores. Todos fazemos girar a roda desta economia. Não a deixemos parar

E como estamos a falar de vinho, deixamo-vos com o ditado popular:
"Quem não bebe vinho, ou está doente ou é tolo!"

Grande sabedoria, a do nosso povo.
Bebamos vinho, então. E aprendamos a dar-lhe o seu devido valor.

quarta-feira, março 21, 2007

Descobertas

Clique para aumentarO mapa português da Austrália

Este mapa marítimo do século XVI da costa Este da Austrália prova que os portugueses foram os primeiros europeus a descobrir aquele país... Foto: Reuters

in Publico

Velhos tempos...

"Laranjas Renováveis"

Clique para aumentar
Por LEM.

Primavera - Poesia: dois em um


Pobres das flores dos canteiros dos jardins regulares.

Parecem ter medo da polícia...
Mas tão boas que florescem do mesmo modo
E têm o mesmo sorriso antigo
Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem
Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente
Para ver se elas falavam...

"O Guardador de Rebanhos"- Pobres das flores
Alberto Caeiro

terça-feira, março 20, 2007

Ano Polar desce ao centro...comercial

AS REGIÕES POLARES E O EQUILÍBRIO AMBIENTAL DA TERRA

EXPOSIÇÃO NAS AMOREIRAS (16 de Março a 8 de Abril)

O Comité Português para o Ano Polar Internacional e a Mundicenter
associaram-se na preparação de uma grande exposição que decorrerá em
vários centros comerciais do país.
Visite-nos no Centro Comercial das Amoreiras até 8 de Abril e venha
conhecer as actividades portuguesas nas regiões polares. A exposição
inclui cartazes, fotografias, materiais polares, cenários de ambientes
polares, filmes, teatro e um espaço com actividades para crianças. Há
também visitas guiadas para escolas.

Ao longo de 2007 a exposição irá ainda a:
- Odivelas Parque (1 a 22 de Junho);
- Braga Parque (28 de Julho a 19 de Agosto);
- Oeiras Parque (21 de Setembro a 19 de Outubro)
- Arena Shopping Torres Vedras (15 de Novembro a 9 de Dezembro).

Veja mais informações e horários em
http://www.mundicenter.pt/ano_polar_internacional

Difundido por Email

Ps- Não existe qualquer tipo de ironia velada no título. É excepção.


Há arte e arte...





Não confundir a imagem do post anterior com isto:
















ou isto


em Braga...

segunda-feira, março 19, 2007

Vandalismo artístico ou Arte marginalizada?

Clique para graffitar Foto de Rogério Madeira, Faro, 18.03.07.
Ligação no GEOramio

No silêncio da noite escura,
Deambulo por entre ruas e ruelas,
Becos e travessas,
De uma cidade esquecida.

Abscônditos por um conivente luar,
Descubro respeitados kings e trémulos toys!
Por vezes... apenas agitados bombers,
Que circulam em desconfiado frenesim.

Na penumbra da madrugada,
Grafitam verdadeiros walls of fame!
Marginalizados e de rostos incógnitos,
Demarcam o território com a sua arte.

Nas nuas paredes brancas, de outrora,
Já não reside a solidão, nem o vazio.
E com o raiar da manhã, o crew dispersa,
Para longe do olhar da cidade que nada viu.

Gaivota, 19.Mar.07


Para mim é, sem dúvida, uma Arte marginalizada.

Quando percorro “caminhos/trilhos urbanos”, dou logo de caras com várias manifestações deste tipo de arte. Umas agradam-me bastante e chamam-me atenção, outras não me agradam nada, desvio o olhar e penso: “onde estavam com a cabeça para gastar spray à toa? Vândalos! Jagunços, pá!”

Cabe a cada graffiter (ou writer) ter consciência daquilo que faz. Se não é bom naquilo que faz, deve seguir outro rumo. Rabiscos e assinaturas devem ser feitas no bloco de notas e não em paredes que não são nossas, mas sim “de toda a gente”.
Os que têm talento devem continuar a sua arte e nunca ser censurados (a qualidade surge da promoção e não da reprovação).
Estes devem ser apoiados através da promoção de exposições, concursos, workshops de graffiti (ou writing). Criar/disponibilizar, na própria cidade, espaços para esses mesmos fins.

”Aponto o dedo” aos políticos que criticam, apelidam esta forma de arte de vandalismo ou brincadeira de mau gosto e nada fazem!
Afinal, não são eles próprios os responsáveis pela política urbanística da sua cidade? Que medidas concretas devem ser tomadas?
Pensam eles: “Nenhumas. Isto é caso de polícia. Vândalos devem ser tratados como tais e, por isso, devem ir todos para uma casa de correcção.”

Para mim (e não só), estas "pinturas urbanas" devem/têm o seu espaço na cidade. Devemos criar/utilizar espaços para promovê-las e não deixá-las esquecidas apenas nos espaços marginalizados (túneis, becos, bairros sociais em decadência) ou nos espaços nobres da cidade (vitrinas de comércio, estátuas, mobiliário urbano, para escândalo de todos).
Em certas cidades, propícias à propagação das pinturas urbanas, quando estamos a projectar um parque radical, um jardim público, um equipamento escolar, porque não pensamos em criar/construir um espaço/mural que sirva de “tela". As pinturas vão surgindo e, de longe a longe, o espaço/mural renova-se.
As próprias paredes brancas dos equipamentos públicos escolares, desportivos, associações culturais, privados interessados, etc. devem servir de “telas urbanas”.
A cidade deve ser uma galeria de arte.
Várias são as cidades que não têm uma única galeria de arte/exposições. Querem melhor galeria de arte que a própria cidade?

Se “todos adoramos e preservamos” as pinturas rupestres, as pinturas em mosteiros/igrejas, as pinturas em azulejos, porque não preservar e incentivar as pinturas urbanas?
Não quero comparar uma coisa com a outra, apenas considero que ambas foram/são formas de expressão do Homem.
Por onde passou/habitou, o Homem sempre teve a necessidade de expressar a sua criatividade através da pintura. Outrora nas cavernas, nos vales, nas igrejas, hoje nas ruas das cidades.

Com medidas simples e pouco dispendiosas, os autarcas “teriam acesso” a este grupo/classe de pessoas. Podiam dar-lhes acções de formação e pedagogia sobre civismo e respeito pela cidade. Seriam medidas certas a adoptar para resolver um problema de difícil solução.

Não gosto de ver nenhum desenhador a pintar de noite e às escondidas de todos!
Acho que todos devíamos adorar a sua arte (em fase de construção) e contemplá-la (resultado final).

Há situações que me desagradam por completo: detesto ver pintado nas paredes assinaturas/nomes. E quando isso é feito em património, mobiliário urbano, estátuas, ou noutra forma de arte, então, fico mesmo triste. Não por eles, que são crianças ou jovens menos responsáveis, mas triste por não ver os nossos autarcas a tomarem medidas urbanísticas concretas com o intuito de resolver este "flagelo" (para uns) ou resolver a marginalização deste tipo de arte (para outros).

Acho que já perceberam a minha opinião sobre este assunto.
Antes de terminar, gostaria deixar bem claro que não sou partidário/amante de todo o tipo pinturas urbanas e não sou apologista da propagação destas por toda a cidade. Senão as nossas cidades seriam como livros de Banda de Desenhada, aos quadradinhos e muito coloridas. Vejam alguns bons e maus exemplos que registei nas cidades de Faro e Quarteira:


Por último, transcrevo o glossário (1):

Bomber - Graffiter que pratica bombing.
Bombing - Graffitis que se realizam rapidamente, pouco adornados e com letras pouco elaboradas.
Crew - Conjunto de graffiters que usualmente pintam juntos, existindo nos seus trabalhos uma assinatura ou sigla que identifica esse colectivo.
Graffiti - O mesmo que writing. Componente visual (plástica) da cultura hip-hop.
King - Graffiter experiente, com muitos skills e grande número de trabalhos realizados. O contrário de toy.
Toy - Graffiter inexperiente. O contrário de king.
Wall of Fame - Muro de grandes dimensões pintado com uma sequência longa de pieces.
Writer - O mesmo que Graffiter
Writing - O mesmo que graffiti


(1) – De Jorge Bacelar in http://bocc.ubi.pt/pag/bacelar-jorge-notas-mais-velha-arte-mundo.html


Saudações geo,

Rogério

P.S: Para mim, a colocação/afixação de placas/cartazes publicitários ilegais, por tudo o que é canto, é bem pior. Considero lixo para reciclar.

Portugal é Provisório!

Já se sabia, é verdade, já se sabia, mas é bom ver a coisa plantada no jornal. A propaganda vai dizer que não, que não... e mais a mais ninguém se interessa realmente por esta ou aquela trivialidade. PDM: serve para alguma coisa, serve?
Hoje no Público a letras gordas:Quase 200 PDM podem escapar a avaliação ambiental
E em letras pequeninas: Governo transpôs directiva europeia com atraso...
Por acaso, claro...

domingo, março 18, 2007

Sabor Livre - 3: Divagações

As experiências têm dado maus resultados. Eis porque ainda ninguém se lembrou de propor a bacia do Sabor para parque nacional. O vale do Sabor, para lá da sua riqueza biológica e humana, que, caso os barragistas levem a melhor, ficará irreversivelmente descaracterizada, tem enormes potencialidades para o turismo, e em diversas vertentes.
As suas margens, com condições edafo-climáticas específicas e raras, são óptimas para a vinha ou a cultura do azeite. Mas a EDP não se dedica ao turismo, nem à agricultura. Por isso, esse enorme potencial não conta para nada. O que conta são as contas dos pequenos deuses caseiros que nos governam. E se são pequenos e nos governam, que faz isso de nós?
Retiram-nos toda a capacidade de discussão, democraticamente, e decidem. Em nome do Estado e do bem do desenvolvimento do país, dizem. (Onde é que eu já ouvi isto?)

Em alguns países, algumas pessoas já aprenderam que tem de haver espaços que devem permanecer livres de qualquer intervenção humana directa. Isto é, devem constituir uma reserva de biodiversidade. E QUEREM DESTRUIR UMA ÁREA INCLUÍDA NA REDE NATURA 2000? A biodiversidade é crucial para o desenvolvimento económico de uma região. É apenas mais um passo no caminho até agora percorrido: o do abandono.

Os planos contra as alterações climáticas, que, julgo, visam defender o ambiente, não podem agir contra uma algo que lhe é inerente. Seria completamente absurdo.

Água é vida. Certo. Mas o maniqueísmo turva o pensamento. Pois o seu excesso promove umas condições e destrói outras. Tanto se fala da subida do nível médio do mar e do território que vai engolindo - e quanto a barragens e ao défice de sedimentos no nosso litoral estamos conversados! Assistimos à invasão do mar, mas, com causas tão afastadas (como em Entre-os-Rios), ninguém se zanga e vai pedir contas! -, tanto se fala em contrabalançar e reduzir as emissões de CO2 com os “sumidouros”, tanto se fala em proteger o os espaços naturais e querem fazer precisamente o contrário do que dizem querer. Cada vez mais inundamos o território com lagos artificiais… “venham ver o maior lago artificial da Europa!”, “venham ver, temos a ponte maior da Europa!”, “estamos a construir o maior parque solar da Europa!”… É TÃO GRANDE A NOSSA PEQUENEZ!..

Temos de cumprir as metas de Quioto, não é? São opções políticas. Teremos que viver com o que ficar decidido. Mas para isto já não parecemos invocar o futuro. E até agora, no meio disto tudo, alguém já ouviu falar em ordenamento do território? Que país queremos? Enquanto não entregarem todas as galinhas de ovos de ouro aos privados, não descansam.
O que é renovável não pode ser explorado da mesma forma que o petróleo. O que é renovável deve ser de todos! Mas os poderosos nunca deram o poder a ninguém, se isso implica perder a sua posição no trono. O futuro tem de ser sustentável e eticamente responsável. E essa ideologia estorva-nos o caminhar. Não poderá ter lugar.

Em relação à central da Amareleja, promovem-na como se o tamanho fosse uma vantagem! Lá está, continuam a impor-nos o paradigma de pensamento que terá de ser ultrapassado. A busca da quantidade e da concentração é uma excrescência do capitalismo industrial, com o qual chegámos à situação calamitosa de que começamos a tentar salvar-nos. O paradigma civilizacional dá-nos cada vez mais sinais do erro em que estamos metidos.
A única via possível consiste em reproduzir e promover as condições ambientais e os ensinamentos da Natureza. Porque na distribuição da energia há perdas enormes. Algo que não sucederia se os painéis solares fotovoltaicos estivessem distribuídos e dispersos nas habitações, que são, ao fim e ao cabo, o destino dessa produção.
A solução não passa pela quantidade e concentração, como os senhores do mundo nos vendem. Passa pela qualidade, distribuição e diversidade.
NÃO DÊMOS MAIS TIROS NO PÉ!
Ligações:

sábado, março 17, 2007

sexta-feira, março 16, 2007

Sabor Livre - 2: A Manipulação

Esbofeteavam-no, torciam-lhe as orelhas, puxavam-lhe o cabelo, obrigavam-no a estar de pé numa perna, impediam-no de urinar, apontavam-lhe para os olhos luzes fortíssimas até as lágrimas lhe correrem pela cara abaixo; porém, o objectivo de tudo isso cingia-se apenas a humilhá-lo e a privá-lo da capacidade de raciocínio e argumentação.
1984, George Orwell

Então querem construir mais uma barragem e criar mais um grande reservatório de água? Os rios são públicos? Ou são propriedade da EDP? Porque não recorrem a micro-hídricas? Não haveria impactos ambientais significativos no frágil ecossistema. Mas, apesar de mais consentâneo com os princípios que dizemos defender, era mais dispendioso. E a EDP, e nós que lhes pagamos, quer ter um lucro sem ter de esperar tanto. Custe o que custar.
E com o dinheiro que pensam ganhar compram almas e homens. Viva o império! Também compram autarcas, que já estão comprados até, por terem propriedades nas zonas inundáveis. Até as compram a correr, se for preciso. E, todos juntos, fazem a cabeça às populações locais. Deixa de se falar em “populações afectadas” e passam a falar de “populações contempladas”…

Dizem que é bom para a região…. O QUÊ???
Em quase todos os exemplos de construção de barragens os postos de trabalho directos são uma miragem, pois fazem parte da empresa. E depois é tudo trabalho de máquinas e de pessoal especializado, difícil e propositadamente recrutado na região. A riqueza que as centrais hidroeléctricas criam escoa-se para outras regiões com uma facilidade assustadora…

É bom para a agricultura? Pois, mas… DE QUE TERRENOS ESTARÃO A FALAR? A área submersa será enorme e eu nunca vi terrenos agrícolas debaixo de água a serem úteis a quem quer que seja.

É bom para regular os caudais e evitar as cheias? ERRADO! As barragens não são capazes de reter grandes volumes de água, que é precisamente quando é necessário agir. E, nesses casos, as barragens potenciam, portanto, os efeitos destruidores dos caudais.

É bom para reduzir a emissão de CO2? A SÉRIO?... Conta-se em menos de 1% essa redução prevista. É com valores destes que fazem tanto alarido? Estudos mencionados pela Plataforma demonstram que um investimento semelhante na rede de transportes públicos resultaria numa redução 4 vezes superior. Mas não. Porque o objectivo é construir uma grande barragem.

A inconsistência dos governos que, desde o início do processo, em 1996, andam a saltar de justificação em justificação, não convence ninguém. São até capazes de encomendar estudos, científicos, dizem, a justificar as suas opções. Pois parece que surgiu um - alguém sabe quanto custa um minuto no intervalo do telejornal das 8? - no jornal Público, a falar de “estudo das alterações climáticas e seus impactos na bacia do Sabor”. Com o patrocínio, ao que nos foi dito, das Águas do Alto Douro. Deixem-nos respirar, que a manipulação é sufocante!

Meia dúzia de caciques locais, “pequenos deuses caseiros”, apoiados pelos governos que vão passando (os caciques, como faz parte da sua natureza, vão ficando…) e fortes pressões na Comissão Europeia apontam todos no mesmo sentido.
Meia dúzia de iluminados, engenheiros até, corruptos e prepotentes decidem, com toda a ligeireza e pequenez sobre um assunto de tamanha gravidade.
Em Portugal temos por hábito pôr bois a conduzir-nos a carroça…


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quinta-feira, março 15, 2007

Remodelação no Georden

Pedimos desculpa, mas o Georden entrou para obras de renovação.
O engenheiro responsável pelas obras deixou o nosso blogue cheio de infiltrações no layout. Prometemos que seremos breves.
Estejam atentos às novidades Georden.

Saudações geo.

quarta-feira, março 14, 2007

Sem rir...

Ultimamente a política portuguesa relativamente ao ordenamento do território, às grandes obras do denominado "desígnio nacional" (OTA, TGV, Alqueva -onde está este?-), às barragens para o bem do povo, aos subúrbios das nossas cidades, aos estudos realizados por entidades independentes, para citar apenas alguns exemplos, recordam-me um programa do Gato Fedorento, ainda nos tempos SIC.
Dois políticos em debate:
Olha-me este; estamos aqui, estamos a usar de um argumento. Estamos aqui, estamos a debater algo de realmente importante para o povo ou o país...

Estamos aqui estamos a tentar esclarecer as pessoas...um destes dias ainda começamos a desenvolver o país à séria..não faltava mais nada...

Sabor Livre - 1: O Encontro


O II Encontro pelo Sabor livre juntou nos passados dias 10 e 11 de Março gente de vários pontos. (Leia o programa do evento aqui) O Georden esteve lá. Além de portugueses, a maioria, contou com a participação de alguns espanhóis, franceses e belgas. Unidos pela defesa de um património natural singular que o vale do Sabor representa, não só na Península Ibérica mas à escala global. E quando se diz património natural diz-se património biológico e geológico.

Diamantino Ínsua Pereira, geólogo e docente na Universidade do Minho (ver bibliografia científica), que é das pessoas que mais bem conhecem a geologia de Trás-os-Montes, defende que o rio Sabor, por escavação remontante (em termos mais simples, uma erosão que vai retrocendo, em direcção à nascente), terá captado o rio Douro quando este drenava para o interior da Península. Para além dessa tese, as ocorrências rochosas da zona são de enorme importância. Um autêntico laboratório vivo onde se encontram testemunhos únicos que nos permitem entender processos da famosa teoria da tectónica de placas de Wegner.

A organização teve como face visível a associação ambiental Aldeia e, quanto a nós (porque nem tudo são flores), pecou em dois aspectos, a saber:
1º. - um evento que pretende valorizar e defender uma verdadeira mais-valia para a região e para o país que não envolva a população local não a aproxima nem desfaz a incompreensão que possa sentir. O que torna inglório os intentos mobilizadores por uma causa que é justa.
2º. - a descida em canoa deveria ter sido mais bem planeada. Os participantes deveriam ter efectuado o percurso de cerca de 20 kms (entre a ponte de Remondes e Sto. Antão da Barca) em grupos de não mais de 10 pessoas, sendo que cada um deveria ser acompanhado por 2 monitores para os apoiar. Assim se teriam evitado os enormes atrasos ocorridos, com pausas muito longas e algumas desistências pelo caminho…

À partida (ao longe, a ponte de Remondes)


A passagem da noite foi animada pela presença de Paulo Meirinhos, importante gaiteiro dos Galandum Galundaina. O lugar de Sto. Antão da Barca é magnífico, como pudemos ter tempo para “respirar”. No entanto, em toda a sua margem esquerda, aquela que dali podemos avistar, tem uma plantação de eucaliptos, “ordenada” por um senhor que, segundo disse um local, tem a maior quinta acima do Mondego. Eucaliptos no Sabor!! Um exemplo peremptório do que NÃO se deve fazer. A estupidez tem consequências destas…
As palavras não valem muito ao descrever paisagens, mas, estando lá, é inimaginável aquela gigantesca área debaixo de água.
O lugar de Sto. Antão da Barca é um lugar de culto religioso, com velha tradição de reunião e festa das populações locais. A capela, a única numa extensão de muitos quilómetros, além do valor do seu conteúdo, representa todo um património antropológico, vivido e sentido, que faz parte das pessoas, e que é insubstituível.
Nas paredes podem ver-se marcas de pintura que, segundo dizem, era uma prática remota.



Pormenores do interior da Igreja de Sto. Antão da Barca

Na tarde de domingo houve palestras onde se falou da causa, da plataforma, do rio e da necessidade de cuidarmos de um património que a todos pertence e que alguns querem destruir. Mas em relação a isso falaremos nos próximos artigos sobre o Sabor.

Ligação

Pedaços...





Ontem Braga estava assim ao final do dia. Nem sempre o betão é suficiente para esquecer a Cidade.












E um destes dias assim..a poética dos telhados
não exige monumento!












Alguém quase idêntico a mim, alguém que não terá lido esta página,
lamentará as torres de cimento e o podado obelisco
J.L. Borges

terça-feira, março 13, 2007

Para reflectir e discutir

Duas temáticas, em DESTAQUE, no jornal Público de hoje. Assuntos de capital importância para o futuro do território e das suas gentes, passando pela questão energética e ecológica. Para debate:

Ministério do Ambiente já está a elaborar plano nacional anunciado por Sócrates. Mas há obstáculos no caminho, como a Lei da Água

Até ao próximo Verão, Portugal deverá saber onde o Governo entende que devem ser construídas novas barragens. Este é o prazo previsto pelo Instituto da Água (Inag) para pôr em consulta pública o Plano Nacional de Barragens, anunciado pelo primeiro-ministro em Janeiro passado como uma das medidas para fomentar o recurso a energias renováveis.
Mas compromissos para preservar a biodiversidade e proteger a própria água podem-se atravessar no caminho das intenções do Governo. Um dos obstáculos está na directiva-quadro da água, transposta pelo Governo no ano passado.
A directiva europeia obriga os Estados-membros a garantirem o "bom estado" ecológico e químico dos rios até 2015. A construção de uma barragem, porém, altera a dinâmica de um rio, normalmente resultando em pior qualidade da água.


"Se fosse no Verão, eles não podiam descer o Sabor numa canoa"

Activistas contra a barragem falam da urgência de um "rio livre" cujo significado não atinge o entendimento dos habitantes das aldeias das margens do Sabor


segunda-feira, março 12, 2007

Dos Mitos que animam o Ocidente

Dos Mitos que animam o Ocidente,ideais, tecnologia, ambiente, "os outros", a nossa história, geopolítica e muito mais, nos fala John Gray, pensador, filósofo (pessimista?). Pareceu-me de uma lucidez desconcertante e nada, mesmo nada, politicamente correcta:

Em termos de tornar a vida humana insustentável é uma ameaça maior. A humanidade sobreviveria a um atentado nuclear. A uma imensa crise ambiental, talvez não.
O consenso científico que começa a emergir diz-nos que o aquecimento global tem uma causa humana e que está a aumentar rapidamente desde o início da industrialização. Nesta matéria, sou muito crítico dos ecologistas. A sua atitude em relação à tecnologia é errada. Penso que, na fase em que estamos, a única forma de lidar com esta emergência é usar todas as tecnologias de que dispomos, mesmo aquelas que nos parecem mais arriscadas como a energia nuclear e os alimentos geneticamente modificados.

Toda a entrevista aqui.(caderno P2 Público)

domingo, março 11, 2007

Domingos de manhã

Esta é a perspectiva do meu gato ao domingo de manhã:

Sol em Braga e Barcelos. Sol em Esposende e Apúlia. Estrada (ainda) com pouco trânsito. Peixe fresco...do dia. Alguma praia (ainda) à disposição. Vendem-se (também) dunas, e outros artigos.
Aposto que vai tudo para o centro comercial...

sábado, março 10, 2007

Vendem-se dunas?

Quer comprar?Praia do Trafal (Quarteira), Março de 2006.

Nota:
Podem enviar as vossas fotos para
georden@gmail.com acompanhada com título, breve texto, localidade, autor e data. Posteriormente, todas serão publicadas no GEORDEN - Sustentar o Sustentável.

sexta-feira, março 09, 2007

Critérios sem água benta!


Ao contrário das convicções dos estatísticos censitários, a arte, a cultura e a finalidade política, não os números, é que definem uma cidade.

Lewis Mumford

A temática Maternidades, urgências, escolas, entre outros, menos falados por estes dias, é uma questão de Ordenamento de território; não pode, por isso ser observada e delineada, à luz de (apenas) critérios quantitativos baseados em estatísticas, ou parâmetros meramente economicistas. O seu país é outro.
Tempos atrás ouvi um especialista Americano afirmar, (já aqui o referi) que Portugal não teria um problema de saúde mas de transportes. E de estratégia, dizemos nós.

Relativamente aos transportes, vias de comunicação e planeamento regional a coisa não é nova, mesmo nada nova. No séc XVIII e XIX, segundo Joel Serrão Quanto a estradas, havia-se ficado pela de Lisboa a Coimbra (fins séc XVIII), posteriormente prolongada até ao Porto (meados séc XIX), e pela que, através do Alentejo, ligava a Aldeia Galega a Badajoz, por onde circulavam a mala-posta e as diligências que transportavam o correio e alguns poucos viajantes e despendiam dois dias no percurso de Lisboa a Coimbra e mais dois para o Porto. (Temas Oitocentistas, II). Todos os viajantes estrangeiros confirmam a situação, quanto a viajantes portugueses…

Qualquer acção política ou governativa requer o reconhecimento das especificidades do território, reflectindo não apenas a situação socio-económica, mas também a sua raiz cultural e a sua geografia da percepção (personificada no bairrismo, na demarcação do território), e no sentido de lugar. Mesmo a percepção total do território, difere, e muito, de lugar para lugar e, não menos importante, a definição de interioridade reflecte fenómenos territoriais e espaciais, sociais e económicos (inegável) mas também valores mentais. É caso para dizer o “Interior” está dentro de nós, é uma imagem predefinida, um estado mental, que condiciona e é condicionado.
Este estado cognitivo é fundamental para percebermos, pelo menos, parte do problema.

Sendo Portugal um rectângulo estreito (250 km no máximo), e mesmo tendo em conta o nosso isolamento histórico, geográfico e condicionantes ao nível dos recursos, convém dizer que normalmente já assistimos a fenómenos de interioridade a pouco mais de 50 km do litoral, ditados por factores económicos e sociais, ausência ou concentração de equipamentos culturais, relação distância - tempo para chegar a determinados locais; mas também, assumamos de uma vez por todas, a existência de um “interior” dentro de nós (passe a redundância), com raízes históricas profundas.

Se olharmos Elvas da nossa perspectiva, é definitivamente interior, segundo vários indicadores. E Badajoz, segundo factores geográficos e territoriais não é interior? E relativamente a outros indicadores?... O sítio, a situação são o que fizermos deles. Badajoz não é interior é “exterior “, a nós, claro.

Dos bairrismos basta tentar imaginar o europeu de futebol em Guimarães ficando Braga de fora ou vice – versa. Conseguem imaginar? Transportem essas velhas rivalidades para concelhos, freguesias, aldeias, mas também o famoso Norte/Sul. No caso particular das escolas (e centros de saúde), sabemos de casos relativos a populações de freguesias com 300 habitantes e respectiva escola primária (Barcelos, Braga, Guimarães), que se recusavam, mesmo com poucos alunos, mesmo a curta distância, frequentar outra escola a pouco mais de 500m. E isto passa-se, relativamente ao saneamento, ruas, infantários, e o diabo a quatro. Temos a questão bairrista e a questão de habituação, a rotina, as políticas locais demagógicas etc…E temos também necessidades especiais das populações em muitos casos envelhecidas, condicionantes geográficas importantes e, pasme-se, rivalidades até nas forças da paz, bombeiros e protecção civil.

Obviamente, à luz da reorganização e afectação de recursos, da racionalidade na organização territorial, torna-se necessário encerrar algumas escolas e determinados equipamentos. Obviamente, tudo deve ser conduzido de forma a sustentar o sustentável. O estado não se pode abster da sua responsabilidade, pelo menos, como garante de imparcialidade (duvidoso) e solidariedade social (depende), não reagindo apenas a critérios empresariais. Não se pode querer fixar população, atrair investimento e qualificação com uma mão milagrosa, e com a outra fechar a porta da rua, serventia da casa.

Ou teremos outras intenções milagrosas?...

O Planeta (todo) agradece

Na foto Europa ficam bem estas coisas mas...
Parece que a coisa vai. Temos (acordo?) esperança (vaga) que, no processo suicidário alguém se tenha lembrado de trazer um pára-quedas ou, quem sabe, as sete vidas do gato. Penso que já gastamos algumas...

quinta-feira, março 08, 2007

BÁRBAROS EM BRAGA







Chegaram (ontem, e já com uma noite
no papo de arruaça brejeira) os Bárbaros da velha Albion, nossa aliada fiél nos
bons momentos (para eles).






Curiosamente, ao passar por entre a turva, não pude deixar de notar a ausência quase total de mulheres; são assim, uma espécie de árabes futeboleiros. Resta-nos vestir a armadura e montar a cavalo...




















Não precisa ser do Braga.Só tem que saber montar..

O sol de Braga


Hoje a cidade ressuscita da chuva, espraiando-se em ondas de luminosidade, onde já se reconhece o verde com cor...


A praça D. Pedro V, ao sol entre cânticos felizes dos pássaros, rodeada, sempre, pelos automóveis.






Mais abaixo a cidade toda numa rua, perto da Universidade Católica: A Igreja, as casas, a rua da gente, os automóveis (em todo o lado, numa esquizófrenia de faça chuva ou sol), e a cidade antiga e misteriosa, entre silvados, quintais e pássaros...

O que é preciso é dar lugar aos pássaros nas ruas da cidade. Disse um dia Ruy Belo

quarta-feira, março 07, 2007

Ainda o(s) sismo(s) em Samatra


Afinal não foi apenas um sismo, como referimos ontem ,mas dois, atingindo
fortemente a ilha de Samatra(ou Sumatra) na Indonésia, provocando mais de 80 mortos.Número a confirmar nas próximas horas. Temeu-se o pior: TSUNAMI


O primeiro sismo, de 6,3 graus, ocorreu às 10.49 horas (3.49 em Portugal Continental), tendo epicentro a 930 quilómetros a noroeste de Jacarta, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA, que informa sobre a actividade sísmica mundial. Outro terremoto, de 6,1 graus, atingiu o mesmo local duas horas depois.Segundo confirmou à Imprensa um funcionário do Serviço de Meteorologia e Geofísica da Indonésia, nenhum dos dois tremores teria força suficiente para formar um tsunami, já que não superaram os 6,5 graus de magnitude.


via Jornal de Notícias

Seco?


A terra árida abre fendas numa barragem seca, junto à cidade de Parkes, no oeste da Austrália. O maior curso de água doce australiano, o rio Darling, perdeu nos últimos anos metade da sua corrente de águas naturais e prevê-se que venha ainda a secar mais 20 por cento devido às alterações climáticas até 2030. A Austrália vive actualmente uma das maiores secas do último século. Foto: Reuters
Via Público


Especialistas temem uma paisagem destas para o Algarve (interior), p.e nos próximos anos..A mim parece-me coisa já vista por aí..não vos é familiar?

terça-feira, março 06, 2007

Fazia falta

Fazia, faz e, acreditamos, vai continuar a fazer falta, um Ministério do Território.
Fica a ideia e a necessidade de reflexão.Voltaremos ao assunto.

SISMO na Indonésia e Singapura


Este grande país, situado entre o sudueste asiático e a Austrália (maior arquipélago do mundo) tem sido assolado sistemáticamente por catástrofes naturais.
Um sismo com alguma intensidade ocorreu hoje.
Singapura (cidade - estado)também sentiu o abalo.
.

segunda-feira, março 05, 2007

Terrorismo na Escola

Embora tenha habilitação própria, nunca exerci a actividade docente; bem o tentei, quase me voluntariei para os PALOP, e nem resposta obtive do ministério. A docência sofre, por estes dias, verdadeiros atentados terroristas nas escolas, mas também à sua (NOBRE) actividade de ensinar e como profissão igual(?) às outras. Bem sei (conheço alguns), que muitos professores não possuem, nem o talento, nem a capacidade, nem a vocação, nem o respeito pela actividade; outros, pouco ou nada sabem do que ensinam, e professam à boca cheia, essa monstruosidade analfabeta, mas mesmo assim, pouco diferentes de políticos da nossa praça, entre muitos outros, com responsabilidades neste país de bananeiras.
Quero apenas referir que quanto a atentados terroristas, por parte dos "coitadinhos" dos alunos, ou dos "coitadões" dos pais (que normalmente se demitem de qualquer responsabilidade educativa), conheço pessoalmente, casos, de professores de Geografia e outras disciplinas, verdadeiramente aterrorizados e, em algumas situações extremas, completamente perdidos para a docência, gastos e cansados, com a paciência reduzida a átomos, e claramente a "marimbar-se" para os meninos. Parece que se começa a encarar o assunto seriamente (ver também artigo ministra da Educação no Público-não disponível online); não é necessário mandar tropas para O "Iraque". Apenas reconhecer o problema.

domingo, março 04, 2007

"O desgelo"

Clique para descongelar

Por LEM.

sexta-feira, março 02, 2007

TRÊS VIAGENS

Elaborei três princípios de viagem, sendo que A VIAGEM, em si mesma, é interminável, e “ o princípio é mais de metade das coisas” (Aristóteles).
Entre as três, o denominador comum é apenas o viajante, que sou eu e, talvez alguma imaginação.

A primeira: Braga ao acaso
Ao deixarmos Máximinos e, talvez com desatenção a cidade Romana; por impulso, quem o sabe, dirigimo-nos para a cidade Medieval, o ego religioso, podendo optar por vários caminhos (não trajectos). Dei por mim na rua direita, antiga, hoje velha, e estava nesse dia assim:












Mas também assim:

Algumas das casas, poucas, estão recuperadas ou em recuperação, no entanto, o estado geral da rua é no mínimo deplorável (e não será apenas por causa das obras, mas do inevitável esquecimento), o edificado, eufemísticamente falando, é pouco menos que destroço, o comércio(?) muito longe do centro… A imagem global é morte.




Seguimos à direita e subimos a rua de S. Sebastião, pensando na Cividade ou na Sé; por descuido, não nosso, mas da rua (pouco interessante), espreitamos sem pudor os recantos e as sombras da cidade, talvez a sonhar outra rua, quem o pode saber?


Com alguma hesitação seguiu-se pela Rua do Matadouro, em pleno centro, se não demarcado pelos técnicos, histórico pelas vivências, mas com vestígios de maus-tratos e indefinição.






Chegados ao belíssimo campo das Carvalheiras foi tempo de parar e sentar na pedra merecida, observando…

Ainda se espreitou (ou tentou-se) a Magnifica Sé, vislumbrando-a de soslaio, em boa companhia, lá bem ao fundo. Não fomos por aí. Na verdade continuamos em frente ou descemos, bem entendido.







De seguida, com muito vagar, enfrentamos essa frontaria típica, uma das caras da freguesia da Sé, (antes da gentrificação e Yupificação da zona?) espraiada pela avenida de São Miguel o Anjo até ao arco da porta nova. Ora, o trajecto é mais ou menos esse…












O arco e a porta são de épocas diferentes. A porta, uma das da antiga muralha, está voltada a Oeste e foi aberta em 1512. O arco que a ornamenta é posterior, de 1773, mescla de Barroco e estilo neoclássico, projectada por André Soares.

Entramos na Praça velha, recentemente “reabilitada” e turística, mas por nós sempre vivida e, aliás, ainda assim diferenciada funcionalmente. Um dos restaurantes que por lá proliferam (hoje não para todas as bolsas) fazia umas maravilhosas pataniscas de bacalhau…

Depois começa a Braga mais conhecida, que compreende uma área razoável e de delimitação, a meu ver, postulada por critério pessoais. De várias, percorri entre muita gente, a Rua D. Diogo de Sousa, amostra do comércio diversificado que se expande escoando pela rua do Souto, sempre a fervilhar. Não cheguei aí. Passei o largo do Paço e a Reitoria, virando para a esquerda à procura, mais uma vez sem pudor, das suas traseiras e…

Chegando a este jardim soberbo, aqui registado lembrando a (sinistra) ausência de espaço verde nesta Cidade.


Por aqui fiquei a na companhia de um dos edifícios que mais me intrigam em Braga. Decrépito e mesclado de estilos. A cor resplende e atrai com a luz, conjugando-se com o verde dos jardins.





Percorremos alguns lugares comuns, obviamente. Em futura viagem se saberá...
Não podia finalizar este périplo desconexo sem uma homenagem aos céus, ou não estivéssemos em Braga…

até uma próxima viagem...