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quinta-feira, abril 07, 2016

O oportunismo dos "PRA"

"O Vale de Santo António, onde irão nascer centenas de habitações, será uma das maiores áreas de intervenção do programa", in publico.pt

Na sequência deste artigo no público...

É o momento certo para lançar este programa. As rendas em Lisboa estão elevadíssimas, o senhor Presidente da Câmara de Lisboa arranja um bom motivo para desbloquear e promover o seu investimento imobiliário...

Bota construção!
E depois falam em reabilitação e construção. Agora está na moda usar estes dois termos para falar de construção!
E a CMLisboa não foge a isto.
Do que vejo no infográfico, dos 15 projetos, 12 são para CONSTRUÇÃO e apenas 3 para REABILITAÇÃO.
E depois anda um Governo (o de Portugal? ou de Alguns...) a dizer que prioridade nesta área é a reabilitação (se é prioridade, o rácio deve ser invertido!)
Muda-se o discurso mantêm-se as políticas.
Estou mesmo a ver o Bairro das Laranjeiras, perto do Parque das Nações a rendas baixas para a classe média.
O que realmente acontecerá?
"Rendas baixas para a classe Alta, não é o mesmo que renda baixa para a classe média."

"Este programa dirige-se às verdadeiras classes médias"

Ainda estou para perceber o que são as verdadeiras classes médias? Aqueles que recebem 650€ mensais e pagam 400€ de renda são classe média para muitos...

"Dar-lhes oportunidades para que possam viver na cidade de Lisboa"

É este o objetivo principal?

Temos um presidente... "O salvador" ou será "O oportunista"?

Surge a oportunidade... logo é "O oportunista"...

Finalmente ele vai dar a mão a todos aqueles que querem viver em Lisboa.

Finalmente ele resolverá os problemas de Lisboa.
Pontes, viadutos e estações de metro Lisboa tem muitos e pelo que vejo a sua taxa de ocupação está aumentar.
Vamos lá acordar para a vida... deixem-se de papos!
É uma vergonha fazerem a vossa promoção imobiliária desta forma...

quarta-feira, setembro 02, 2015

Visões de génio

Planeamento Urbano 
O que aconteceu à Praça?

Os entraves à comunicação são formados não só por edifícios ou partes de edifícios. O próprio desenho duma cidade pode impedir a comunicação e a comunidade. Tomemos a esquina nas sequências do encontro no filme "O Eclipse". Um romance ou filme tradicional poria Vittoria e Piero a encontrarem-se num café romântico. Então porquê esta esquina anónima do EUR? A pálida intersecção não é um mero cenário. Conforma uma ideia geral. Não é só o espaço onde o par de namorados falta ao encontro mas o culpado disso. Exemplifica, ocasional e comprovadamente, a incapacidade geral de a cidade moderna proporcionar encontros.

O que divide passa de um bloco de betão (na Bolsa; nos valores que separam visões do mundo de cada personagem) para uma barra de metal. Um quase oculta a pessoa, o outro mantém a separação, quase união, mas infranqueável.

Quão distinto é um cruzamento rodoviário de uma praça, o tradicional lugar de encontro dos amantes! A intersecção evoca o que é mais transitório, casual e efémero na nossa sociedade: meros contactos, não encontros programados, entre actuais agitados como Piero, que vive na margem das coisas. A arte de marcar encontros em lugares convenientes perdeu-se para a geração apressada, com os seus carros desportivos e a sua superficial abordagem da vida. Noutros tempos, a solução arquitectónica comum para o problema do cruzamento de ruas era a praça - a piazza (Platz, Plaza, do Latim platea, rua larga) -, o locus classicus da comunidade, onde os negócios do dia dão organicamente lugar à socialização da noite. Na Roma de tantos espaços e lugares esperávamos uma alternativa mais interessante àquela pálida esquina. Nas partes antigas, mesmo o bairro mais pobre tem a sua praça e fonte ou, pelo menos, a sua torneira.


Mas no quarteirão do EUR, nenhum consolo desses foi planeado. Uma tradição vital ficou esquecida na amnésia geral do modernismo. As personagens, em particular Piero, precisam desesperadamente de um alívio estético (mesmo se ele provavelmente pense que do único que precisa é alívio sexual). O seu trabalho é cansativo e stressante, ele toma comprimidos e atende logo as chamadas de gente que nem se identifica. Curiosamente, o seu lugar de trabalho, a Bolsa, dá para uma das mais bonitas praças de Roma, a Piazza di Pietra. Mas o lugar tornou-se tão povoado e preenchido por carros que a socialização, embora intensa, é uma anedota do contacto inspirador que o grande arquitecto romano pretendera.

Um dos objectivos de filmar as personagens de costas é dar-nos a mesma perspectiva destes, amplificando o terceiro elemento. No caso, a passadeira.

A ideia original de Antonioni era filmar a sequência do encontro de Vittoria e Piero numa pequena e moderna praça do EUR. Mas o que acabou por ser filmado foi a intersecção marcada pelas faixas da passadeira. Piero diz que vai beijar Vittoria quando eles chegarem ao outro lado da rua. Entretanto, Vittoria pára e diz enfaticamente:
- Estamos a meio.

A decisão de Antonioni de mudar o sítio de uma praça (não importa quão pobre) para um mero cruzamento traduz claramente a sensação de que este está ainda mais abandonado. Na era dos carros desportivos, as pessoas passam por amantes como água na areia da praia. O começo de uma relação amorosa (a própria expressão denota já uma banalidade já pensada) vai já a meio, e o fim está já à vista. Não precisamos que nos mostrem como as coisas acabam. Como os corpos celestes (e o título do filme é indicativo), os amantes modernos convergem apenas durante um breve instante, já que seguem a grande velocidade e em direcções opostas.


Porquê esta esquina suburbana tão indistinta e indistinguível de milhares de outras? O que a rodeia é tão amorfo que dificilmente se pode constituir como lugar. A livre praça europeia, de Danzig a Lisboa possui propriedades visuais que não temos num cruzamento rodoviário. Por uma razão, o espaço da praça é autónomo, sui generis. Não é apenas a ausência de algo. Nem tampouco o que sobra se retirarmos os prédios à sua volta. Ele deve ser planeada, e a sua existência depende dos limites das estruturas que se impõem e lhe dão personalidade. Mas a intersecção do "Eclipse" não tem tal personalidade. É um vazio, não um espaço desejado. Os edifícios que estão à volta não têm alma. Num canto está um muro baixo entre casas indiferentes e a rua. 

Noutro estão alguns prédios de quatro andares ao acaso. Num terceiro encontramos um complexo desportivo, ilegível pelas imagens ao nível da rua. O quarto canto está dominado por prédios em construção ainda sem forma. Não só estas estruturas estão por evidenciar, como as suas relações espaciais com a passadeira estão demasiado distantes e vagas para as percebermos melhor. 

Não, a esquina não pode ser considerada como espaço humano relevante. Não tem fechamento: 
"Linhas-fronteira não servem para encerrar a praça: terminam nos cantos, mas a sua força impele-nos a continuar, não a parar", especialmente quando essas linhas direitas estão ao serviço do automóvel. O piso partilhado pelas duas ruas não foi feito para o pé humano. Demorar-se torna-se crime, uma obstrução ao trânsito. Ao contrário da calçada da praça, o asfalto não constitui um "terreno" paralelo ao céu. O cruzamento é tão-só um produto mecanizado, o mais simples e mais barato e a solução menos humana para o problema da circulação automóvel. Traduz a necessidade de carros, não de pessoas. Em vez de deambulantes, tornaram-se peões, meros piões no jogo do xadrez automóvel. O caso de Vittoria e Piero está em certo sentido condenado só pelo facto de terem marcado um encontro para ali. Não é um ponto de encontro ou de detenção, só serve para seguir rumos diversos.

Os peões que atravessam cruzamentos estão sempre na periferia, nunca no centro. Alheios ao lugar, precisam de marcas especiais - uma passagio zebrato, em italiano - postas paralelas à curva como grandes parêntesis a indicar-lhes por onde é seguro passar. Estas marcas estranhas sugerem que o peão é uma espécie em extinção (lembremo-nos das peles de zebra no apartamento de Marta e das fotos das zebras no "Deserto Vermelho"). As ruas são o habitat natural dos carros; agora são as pessoas que têm de ser conduzidas por entre eles. Estamos tão habituados à autoridade dos carros que competimos sem pestanejar por essas marcas brancas. As passadeiras quedam-se num dinamismo rígido e absurdo. Compelem-nos a avançar. Se as tomássemos à letra, ficaríamos a andar sempre pra lá e pra cá. A sua única função é levar-nos para outra coisa - mesmo que essa outra coisa não tenha sentido nem objectivo.

A intersecção da passadeira não é um espaço próprio. O seu apelo é mecânico, mera fórmula. Como o arranha-céus espelhado, reflecte, num pleonasmo perfeito, apenas a sua função, que é a de atravessar. É uma verdadeira agonia do funcionalismo. A função arquitectónica adquire significado apenas quando joga com o sentido humano. E é precisamente isto que aqui está em questão. Que sentido podem ter vidas humanas reguladas desta forma? As faixas são o emblema da vida agitada de Piero, impulsivamente de um lado para outro, de cliente para corrector, de mulher para mulher. Talvez Vittoria não o deixe beijá-la quando chegarem ao outro lado por reconhecer estes traços.

Não teria aprofundado tanto esta esquina se a câmara de Antonioni não lhe tivesse feito caso. As elevações da câmara, por exemplo, não são inocentes. Quando acompanha a história do caso dos amantes, a câmara sobe de nível com eles, mais ou menos a reboque do enredo. Mas após o desaparecimento do par, a câmara sobe ainda mais, para um ângulo mais objectivo, a perspectiva da indagação científica. Com a perda dos protagonistas, a intersecção muda do objecto para o assunto. A nova narrativa, que termina o filme, é um documentário não-ficcionado. A protagonista é a intersecção. A técnica tinha sido aludida já na cena da vila fantasma [um conjunto de habitações idealizadas pelo regime fascista para alojar trabalhadores mas que nunca chegaram a ser habitadas] na Sicília de "A Aventura". Nele, o par deixa a vila para trás. Neste caso, é o subúrbio que deixa o par para trás. 

Se o objectivo de Antonioni tivesse sido apenas o de mostrar a separação dos amantes, ele teria filmado Vittoria ou Piero a voltar àquela esquina em solitário. O pano de fundo seria na mesma um pano de fundo, nem ser notado por estar igual. Mas com o desaparecimento de ambos, Antonioni releva aquela intersecção banal, fá-nos contemplá-la com tamanha intensidade que sentimos, mesmo sem compreendermos muito bem, a ameaçadora relação entre o tédio urbano e a procura da auto-destruição global. A intersecção do EUR torna-se o presságio da catástrofe. A banalidade do candeeiro de rua transforma-se num ícone como aqueloutra, extrema, do botão vermelho que desencadeia a guerra atómica. Antonioni consegue este efeito espantoso precisamente ao frustrar as expectativas convencionais de um desfecho, transformando o tédio do normal Devir no horror do Fim. 


"L'Avventura" e "La Notte" conduzem-nos a pensarmos as personagens com um conjunto de ansiedades modernas, maioritariamente eróticas, e depois redirecciona a nossa atenção para o aspecto das coisas, especialmente do ponto de vista da arquitectura. Mas em "L'Eclisse", Antonioni vai muito mais longe, para lá da mera aparência. O forte luz do candeeiro e o alto volume da música na cena final são difíceis de aguentar. Nenhum outro filme deixou nos espectadores a perguntar-se "É só isto?", "É só isto que fica de um caso de amor?", "Do nosso destino comum?", "Da nossa civilização?", "Da própria terra?"


Excerto de "Antonioni or, The Surface of The World", de Seymour Chatman, 1985, University of California Press, pp. 108-112
Tradução de Edward Soja.

Houve quem tenha lá ido mais recentemente, ver como a coisa estava.

terça-feira, março 24, 2015

Alegoria do Património, por Françoise Choay (2/3)



A indústria patrimonial aperfeiçoou os procedimentos de embalagem que permitem entregar, também eles, os centros e bairros antigos, prestes ao consumo cultural. Estados e municipalidades recorrem-lhe, com reserva e discrição, ou liberalmente, em função das suas escolhas sociais e políticas mas, sobretudo de acordo com a natureza (dimensões, carácter, recursos) do produto a lançar e de acordo com a importância relativa das receitas adiantadas. Um arsenal de dispositivos testados permite atrair os amadores, retê-los, organizar a economia do seu tempo, desviá-los para a familiaridade e o conforto: sistemas gráficos de sinalização e de orientação; estereótipos do pitoresco urbano: passeios públicos, pracetas, ruas, passagens de peões, pavimentos ou lajes à antiga, equipados com mobiliários industriais padronizados (candelabros, bancos, caixotes do lixo, telefones públicos) em estilo retro ou não, são animados, de acordo com o espaço disponível, com esculturas contemporâneas, fontes, vasos de flores rústicos e arbustos internacionais. Estereótipos do lazer urbano: cafés ao ar livre com mobiliários adequados, tendas de artesanato, galerias de arte, lojas de bugigangas e ainda, sempre, por todo o lado, sob todas as suas formas, regional, exótica, industrial, o restaurante.” (pp.239-240)


 (continuação da primeira parte)



É precisamente esta revolução urbanística parida com essoutra, a industrial, que vai “aprimorar” o culto do património. Não podemos deixar de citar como já Gustavo Giovannoni prenunciava a evolução das cidades. Se a cidade do futuro será a da “comunicação generalizada”, em movimento, Giovannoni pergunta-se: 

Não é já possível imaginar o «fim do grande desenvolvimento urbano» e mesmo uma verdadeira «anti-urbanização»? (o termo transformar-se-á mais tarde em desurbanização). Quase em primeiro lugar, ele compreende o estiolamento e a desintegração da cidade, em proveito de uma urbanização generalizada e difusa. Com cinquenta anos de avanço, ele vê iniciar-se a nova era a que Melvin Weber chamará the post-city age, «a era pós-cidades»” (p.208)

O advento das indústrias culturais é vórtice que engole tudo o que, sendo cultura, possa ser transformado em produto, objecto de consumo: 

“(…) os monumentos e o património históricos adquirem um duplo estatuto. São obras que facultam saber e prazer, colocadas à disposição de todos, mas também produtos culturais, fabricados, embalados e difundidos tendo em vista o seu consumo. A metamorfose do seu valor de utilização em valor económico é realizada graças à «engenharia cultural», vasta empresa pública e privada, ao serviço da qual trabalha uma multidão de animadores, comunicadores, agentes de desenvolvimento, engenheiros, mediadores culturais. A sua tarefa consiste em explorar os monumentos por todos os meios possíveis, a fim de multiplicar indefinidamente o número de visitantes.” (pp. 225-6)

Para isso, várias técnicas e estratagemas são usados. A autora identifica os mais amplamente usados: 

- encenação (a criação de ambientes místicos, com recurso aos meios audiovisuais: iluminação e som, por exemplo),

- animação (Uma hierarquia complexa conduza da mediação por via dos efeitos especiais aos comentários audiovisuais, passando pela reconstituição de cenas históricas imaginárias com a ajuda de actores, manequins, marionetas ou imagens de síntese. (…) Levada aos seus limites, a animação torna-se no reverso exacto da encenação do monumento que ela transforma em teatro ou em cena. O edifício entra em concorrência com um espectáculo ou um «acontecimento» que lhe é imposto, na sua autonomia. Exposições, concertos, óperas, representações dramáticas, desfiles de moda são associados a um património que os valoriza e que eles podem, por seu lado, no final dessa estranha relação antagónica, potenciar ainda, depreciar ou reduzir a nada” (pp. 231-2)

- modernização (a inserção do presente no passado”, como é o exemplo simples e típico “das portas de vidro que, nos grandes monumentos franceses, substituem muitas vezes as antigas portas cheias de desprezo pela sua função arquitectónica.

- rentabilização (“denominador comum de todas as modalidades de valorização, ela vai do aluguer dos monumentos à sua utilização enquanto suporte publicitário, associando-os à venda de produtos de consumo corrente. Qualquer monumento tem agora por complemento a sua loja, herdeira dos balcões de livros e de postais do século XIX, que debita recordações diversas, vestimentas, objectos domésticos ou produtos alimentares.

e
 - entrega (O monumento deve ser entregue à mão, o mais perto possível dos veículos, privados ou colectivos, que exigem a organização de parques de estacionamento e dos seus complementos.” (p. 233)

terça-feira, março 26, 2013

É pra rir?

É que não me dá gozo bastante para vir aqui denunciar a anedota em que foi transformada a cidade de Braga.

Não disponho de testemunhos fotográficos para o demonstrar.

Desde que as "regenerativas" obras ficaram concluídas - assunto que está sempre pendente e subconsciente no Georden - que os resultados esperados aí estão. Para valer.

Há duas coisas, para começar e pelo menos, que enfastiam os moradores ou passadores frequentes no burgo.


Cidade onde é mais que habitual chover, e muito, é incrível que os engenheiros, os arquitectos, britaleiros e politiqueiros - olhem, vem agora aquele Vítor Sousa, corrupto (caso do caso da TUB, com mais, pelo menos, sublinhe-se, outra senhora) que não pudemos escolher para candidato pelo PS a substituir o dinossauro - ainda não tenham tido sequer a ideia de resolver o problema da falta de escoamento dos passeios e da Praça da República.

Chamemos-lhes ineptos, vendidos, dorminhocos (no mínimo!) ou estúpidos, desfasados, bonecos de gabinete, empecilhos, sorvedouros do nosso dinheiro... a questão é que eu e centenas de pessoas temos de levar com a água pluvial a dar com uns bons centímetros acima do chão.
E o problema assim não se resolve.

Aliás, esta água podia ser aproveitada.
Se esta cidade tivesse algum planeamento sustentável. Em termos ecológicos, claro.

Porque com estas obras houve uma sustentabilidade em que os "estrategas" não se esqueceram de pensar:

a redução de espaços de estacionamento livre.
Pois há que ir buscar receitas aonde se puder, que o poder central já anda chateado convosco e além disso pobretanas.
Olha, até com uma empresa ligada - pagamento de favores, só pode!, que é para isso que eles estão lá infiltrados. Quando não são as mesmas e únicas intervenientes - para controlar os parcómetros.

Parece que têm andado com pouca sorte, os senhores da ESSE.
MAS QUE AUTORIDADE têm estes senhores?
Quem lhes concedeu a tarefa sabemos bem quem foi, mas foi com o reconhecimento, provado, dos cidadãos sobre os quais incumbe a decisão e escolha?

Quando quiserem multar-me, chamem, DE IMEDIATO, um agente "oficial", da polícia, pois então. 
Que um sujeito com aparelho nas mãos a verificar se a avença que nós pedimos e que teima em não nos ser passada (um dos jornais do município, isto é, com infiltrados e financiamentos reversíveis, vulgo favores e enche-cefálicas ideias do status quo, falava há umas semanas que a Câmara não estava a emitir avenças há mais de dois meses... que curioso!) não é agente nenhum.
Eu não o reconheço com autoridade.
Porque eu não lha dou.

E com isto da concessão, onde não fomos chamados a meter o bedelho, até vão mais longe que o objectivo previsto que era o das pessoas irem meter o popó nos parques dos senhores Rodrigues e Névoa. E muita gente, talvez como protesto (se a lucidez já aterrou por aqui...), tem recorrido a esse esquema. 
O que vai dar no mesmo e resulta em: "Conseguimos! O plano está a funcionar na perfeição. Bela ideia esta da "regenerar Braga"!" 


Exemplo 1 - Concavidade junto ao chafariz - Praça da República
Foto de E. Soja - 23.8.12 

Exemplo 2 - Um excelente acabamento - transição da Praça da República para via de rodagem automóvel.
Foto de E. Soja - 23.8.12

Exemplo 3 - Obra por terminar - "ad infinitum" (ler texto para mais explicações)
Frente ao Banco de Portugal
Foto de E. Soja - 23.8.12

O retratado no primeiro exemplo é um problema que permanece. E que permanecerá enquanto a balança do poder estiver inclinada para o presente lado - o dos valores privados a primarem sobre quaisquer outros. É que nem a estética parece contar, eles que gostam tanto de "deves e haveres"...

Tal como o atraso dá em insurgirmo-nos contra os adeptos do clube "inimigo" e nisso esgotarmos as energias, bem úteis são, para - se quisermos continuar na mesma linha de violência - destruir uns patrimónios privados dos que nos andam a tratar da vidinha (em seu benefício, claro) - coisa para a qual era preciso mais cabeça e menos fanatismo bacoco...

... também o panorama, ou as vistas, que temos da avenida, limpa e desobstruída de construções em altura (ali como na Praça Conde de Agrolongo), não resultam do gosto estético ou dos valores de planeamento, mas sim de não ser possível nem desejável, tal como não erguemos casas no mar, de sobrecarregar o espaço com muito peso.
Sob risco de abatimento, o que seria uma catástrofe, alguns carros esmagados, alguns mortos e tal.

Porque os túneis e os parques de estacionamento a eles associados estão a minar esta parte da cidade, impossibilitando obras. E a isto se chama o poder instalado e bem instalado, incapaz de ser removido, pois daria, além de muito trabalho, muitos problemas a quem por isso se pautasse ou isso propusesse.

Curiosamente, não é tanto pelo buraco toupêirico que há por baixo, grande galeria das térmitas do poder económico, que aquela concavidade se dá, mas sim porque, é visível e audível, há ali uma conduta de água.
Ora, se há coisa que sabemos é que os líquidos são, por natureza física, móveis. E a água, grande agente de transporte. Se as coisas não estiverem bem acauteladas e canalizadas, as pequenas areias em que se vai transformando o solo (matéria orgânica mais sais minerais e ar, não esqueçamos) serão, aos poucos, arrastadas e removidas. O resultado é um vazio que a não ser preenchido provocará um abatimento.
E, voilá, aí temos aquela concavidade. Talvez até fazer cair o mais desatento transeunte, por uma ou outra pedra mal colocada ou um erro de expectativa no andamento.

Do exemplo 2, aquele mesmo foi resolvido passados poucos dias. Pois além do desalinhamento das pedras, também houve um desnivelamento entre as pedras que separavam o passeio e via. Até isso ser corrigido algumas pessoas tropeçaram naquele mau acabamento.

O exemplo 3 serve mais como ilustrativo situante para vos vir falar da anedota de hoje.

Como podemos ver, há uma diferença de piso entre a pedra da - novamente ali posicionada, e tudo bem - passadeira e a pedra geral por onde os carros passam. Vulgo paralelo. Que não sei se serve para infiltração, estudo a ser feito (e coisa que duvido), mas serviu muito bem para aumentar o ruído emitido. Talvez tenha conduzido a uma redução da velocidade dos senhores automobilistas que se esquecem da adequação e regra imposta dentro das zonas urbanas. Ainda por cima, com tantos transeuntes em movimento.

Esta diferença de piso serve para indicar aos automobilistas e aos peões que, além da lomba (fixem esta palavra), há ali algo a apelar a uma mudança de comportamento. No caso dos peões, que é por ali que se atravessa. No caso dos automobilistas, que é por ali que os peões poderão atravessar-se. Mesmo no vermelho do semáforo, os incívicos!

Mas não só.
Esta pedra, ao longo da Avenida Central (que é dela que estamos a falar) e da Rua dos Cãos ocorre pelo cinco vezes. Quatrs lombas/passadeiras e uma não-lomba, à entrada do túnel que vai sair na Avenida da Liberdade.

Ora, se estamos bem atentos, desde que as obras foram concluídas, houve cerca de seis problemas a elas associados. Estas lombas têm pedras, todas do mesmo tamanho, muito grandes. E a pedra, já se sabe, não verga. A inclinação inicial e final de cada uma das três não estava bem segura e houve o partimento das mesmas. Do levantamento de hoje já vamos falar.

E toca os operários a substituir ou a pôr areia por baixo, para as mesmas não ficarem a balouçar. Lajes partidas vimo-las já à entrada do túnel, na lomba em frente ao Banco, na lomba / passadeira junto à entrada lateral do Centro Comercial Avenida / BragaShopping e - primeira a partir-se - no Largo dos Penedos (junto à Regina Doce e à paragem dos autocarros).

Põem umas vergas com uma fitinha vermelha e branca a sinalizar "Cuidado", não chegar perto, obra a reparar, parece dizer.
Assim, esta é a obra que nunca acaba. Como estava na legenda da foto. Pois que a estrutura está mal feita, os problemas serão recorrentes.

E tal como a mudança recorrente dos amores-perfeitos nos cântaros que escorrem areia para o fundo na Avenida da Liberdade, este é mais um tachito assegurado à fornecedora da pedra retirada do sítio onde os adeptos se inspiram para violentar pessoas, camionetas e sedes de clubes "inimigos" pelas redondezas.


Mas se há motivo para rir foi o de hoje.
E que pena não haver foto!
Não era tão digna como aquele engolimento junto ao Aqueduto das Águas Livres em Campolide daqui há uns tempos, mas também foi muito giro.
Conta quem passou.


A TUrBa que passou...

Uma destas pedras estava levantada a tal ponto que um autocarro da TUB... 

(daqueles que a empresa promove com a cara de uma jovem toda gira e com um sorriso de quem vai alheada de que, na realidade, os TUBs só andam, lentamente, com idosos ou crianças que outro meio não têm para se deslocar pela cidade e para irem para a escola ou dela voltarem) 

...lá ficou preso.

Isto terá sido pela manhã, talvez pelas 9h e tal, a julgar pelos apitos dos automobilistas assim imobilizados e em tensão para chegar ao trabalho escravizante ou à escolinha encaixotante do filhinho.

Na azáfama e indignação, até veio uma jornalista entrevistar os "transeuntes"...

Ah, que pena...
Não haver foto.

Mas...

Ah!, que pena esta cidade não funcionar para os cidadãos e não oferecer uma melhor qualidade de vida aos que nela vivem.

E ficar com a nítida impressão de que esta cidade só funciona para os que dela vivem e fazem negócio.

(Nota: só tivemos oportunidade de falar de alguns aspectos)

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Agora os lugares de estacionamento são propriedade de uma empresa

"A Câmara Municipal de Braga aprova quinta-feira, em reunião de executivo, a minuta do contrato referente à concessão de exploração de estacionamento pago na via pública a celebrar com a empresa Britalar — Sociedade de Construções, SA. Na mesma reunião, a autarquia deve aprovar ainda a autorização para que a Britalar cesse a posição contratual a favor da E.S.S.E., uma empresa do mesmo grupo com sede em Espinho, no distrito de Aveiro.
Quatro milhões cento e dez mil euros é quanto o Município de Braga vai encaixar de imediato com esta concessão, a título de adiantamento. O prazo de concessão é de 15 anos, contados a partir do início da exploração, mas prorrogável. A concessionária fica obrigada ao pagamento de uma renda mensal da concessão equivalente a 51,5% das receitas brutas de exploração.
 
Recorde-se que foi em Setembro último que a Britalar ganhou o concurso público relativo à concessão de estacionamento."
 
Notícia do Correio do Minho, um acólito mais do poder
 
 
Uma das empresas do costume, a quem dão o bonito e peneireiro nome de "concessionária".
 
Relembre-se que a Britalar ganhou o concurso...
Concurso? Qual concurso? Não ouvi falar de concurso "nenhum"!
 
- Ouvisses!
O guito já cá vai cantar!
 
 
Ah, convém dizer que agora que há menos centímetros quadrados com relva (que fosse!) na cidade, para onde foram eles senão ocupados com pedra estacionável ou pedra pura e simples.
 
Ah, na paisagem já esventrada e no horizonte perdido a olhar para as paredes, dizemos que esta região vai ficando cada vez e palpavelmente menos interessante para viver.
É o capital, o tal do gostinho especial.
 
E porque é que são sempre as mesmas empresas a ganhar os consórcios e as empreitadas que a Câmara, a troco do interesse dos munícipes, claro, leva a cabo na cidade cada vez menos verde?
 
Fica a pergunta.
A pergunta a que apenas os corruptos podem responder com precisão e cavalgadamente.
Mas não o fazem.
 
Já que quem o quer não o pode.
Fica, portanto, a curta pergunta interminável.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

A poc a poc

A poc a poc els nens s'adormen
A poc a poc, Pi de la Serra 




Centro Paroquial e Social de São José de São Lázaro, Braga
Foto de Edward Soja, 15.11.2012


"Pouco a pouco", cantava o Pi de la Serra (e aqui o Serrat) a canção popular catalã, "os pequenos vão adormecendo".
Diz o Kundera (e o Anselm Jappe) que a sociedade assiste à infantilização.
Crianças a assistir a criançados.
(Há dias uma notícia dizia que proliferava na publicidade o tutubear - ou seja, apelar ao consumidor tratando-o por tu: coisa que vai no mesmo sentido do que aqui vamos falar).

O império da criança - não no que tem de sonho, liberdade etológica e inquirição descobridora - não veio para retemperar uma ameaça de insustentabilidade no sistema do mal-estar capitalista a cair no precipício do consumo "negativo" (consumo negativo ocorre quando era "esperado" que ele crescesse x e só cresceu y: isto é, cresceu menos, mas cresceu!).
Veio para afirmá-lo.
Depois da criança - já estamos a ver - não há mais nada.

Passamos a explicar.

A criança é o ser humano com menos memória criada.

Pronto, está explicada.
O bebé ainda não existe, praticamente.
O condicionamento de que fala o Huxley está em curso, por exemplo, nos cursos de inglês na pré-primária: quer dizer isto que, ainda antes de aprender Português, já estão - para uma integração plena na sociedade do futuro - a aprender outra língua.

A língua materna quer dizer o quê?

Aliás, com tantos ésse-éme-ésses como forma quase preponderante de comunicação - à distância e distanciada - dos nossos alunos até aos secundário (nem queremos ir mais longe), a língua sofre uma transformação que, noutros lugares, conseguimos apelidar de "crioulização".
Há piadas sobre os pais não entenderem o que dizem as mensagens dos filhos.
E chegam a casa e é toda uma nova aprendizagem para os entender e... controlá-los (que é isso a que chamamos educação, não é?)

- Atualiza-te, velhota!

(dizem eles - e nós - sem o "c")
(ah, repararam no "velhota" e escandalizaram-se, foi?
Pois, tudo é relativo, não foi isso que te ensinaram?)

A liberdade que associamos à infância - talvez devida àquela inocência que provém da falta de memória e esta de conhecimentos e, portanto, da capacidade de relacionar e formar juízos e "explodir" em ideias - é coarctada, no que aqui nos concerna, por exemplo, na limitação espacial.

O condicionamento ambiental é palpável, visível.
Só que, como vai sendo pouco a pouco, talvez nem nos apercebamos.
Às vezes, o que está mais longe dos nossos olhos é o que está mesmo à frente do nosso nariz.

Igreja e Creche de São Lázaro, via gúgal
(conservada para memória futura,
Se o mesmo paizinho gúgal assim o quiser. $alvé!)


O pátio onde gritavam e corriam - experienciámo-lo por diversas ocasiões - os miúdos no Centro Paroquial e Social de São Lázaro, que podemos ver na ainda disponível imagem de satélite do paizinho gugle (as perspectivas são distintas, mas permitem a comparação) ficará agora reduzido a insignificância. Apenas ao espaço em que já não faça sentido correr.
Apenas a uma área onde já não caibam todas as crianças na hora do recreio.
E brincarão lá dentro.
Talvez para um dia (esta é das nossas falácias predilectas!, a do "efeito bola-de-neve") estarem acostumadas a viver sem sol.
Como aliás já muitos "aprendem", obrigados, a "colaborar" (antigamente dizia-se "trabalhar"), dentro de caixotes que são autênticas cidades de consumo e destruição dos mundos além-olhos.

Com o turismo barato a crescer, normal é que aumentem e destruam mais espaço com aeroportos.
Mas, sob que pretexto estão a ampliar a creche?
Afixadas nos tapumes das obras - em todas - apenas nos informam do "quê", mas nunca do "porquê".

Como se tudo o que acontecesse tivesse que acontecer e tudo fosse irreversível ou irremediável.
E como se tudo pudesse acontecer e mudar com a condição de estarmos de acordo com os valores que presidem a essas mudanças.
E é por ainda não sermos todos crianças - elas não podem defender-se, e cada vez menos poderiam... - que não somos todos quadrados e encaixotados nas ideologias dominantes que nos fazem dizer
Amén.

Não somos todos gregos, nem somos todos troianos.
Eis porque os motivos são sempre a maçã das maiores discórdias.

Uma coisa é visível - estas mudanças têm impactos.
Nesses impactos não económicos não estão os patos bravos a pensar, que isso... "não é da sua competência"

(Eles só agem à maneira de empresas: visam o lucro.
E se mostrarem obra aos pacóvios, todos aplaudem o vício.
Assim se compram as pessoas, assim são alienadas as pessoas.

Próximo!!