quarta-feira, fevereiro 25, 2009

"Constituição da República Portuguesa"


"Constituição da República Portuguesa", Edição Almedina
(Tenho também a edição 2007 actualizada com a Lei constitucional nº1/2005

Por exemplo:
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palvra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo de censura
.
Artigo 37º da Constituição da República Portuguesa

A constituição é normalmente letra morta, não raro, para políticos, inexistente para os autodidactas da sacanice e corruptos da nossa praça, e indiferente para a generalidade dos portugueses que não a conhecem e muito menos a lêem. Alguém por aí tem uma em casa?
Fico incrédulo com os últimos tempos: censura (depois emendada) no Carnaval com o caso das figuras no Magalhães; a polícia a entrar numa feira do livro em Braga e CONFISCAR vários exemplares de livros que reproduziam nas capas, segundo eles, conteúdos pornográficos (não sei se sabem mas a dita imagem é de um quadro que está exposto todo o ano no Museu d'Orsay de Paris), por sugestão e queixinha de uns (quem?) defensores da família(?), nada que eu já não tivesse aqui dito: um polícia a cada esquina e um lápis azul. Entretanto um distinto empresário cá do burgo pagou uma multinha por se ter provado corrupção activa para acto lícito (?), e o nosso D. Nuno Álvares Pereira, será canonizado por alegadamente ter cumprido (nem sei como se diz) actos milagrosos, designadamente no caso de uma queimadela com óleo.
Mas poderíamos recordar ainda a imposição pela DREN a professores para desfilarem no Carnaval e muita malta de bico caladinho para não ser, digamos, atrasado na carreira, ou coisa pior. Pelo menos nos antigamente (como se diz por aqui) a coisa era de caras. 

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Braga, cidade pornográfica

"Origine du Monde" (1866), de Gustave Courbet

Há meses que precisava de ter um pretexto para vir aqui, a um blogue sobre Geografia, falar sobre essa... gente.

Não conheço cidade com gente mais hipócrita, conservadora, retrógrada, puritana, corrupta, imbecil, atrasada, pedante, estúpida, pidesca, e arredada dos valores da liberdade como essa gentalha de Braga que acha que é "inadequado", "desnecessário" haver um livro exposto assim. "Há que proteger as crianças."

Mas essa gentalha, pequenina e mesquinha, mirradinha, estreitinha, egoísta e de intelecto inexistente... lê?
Para isto?


É essa gentalha que bufa, que contou sempre com a lei e a ordem dos bons costumes, que vai caindo, decrépita e em ruínas como os edifícios "históricos" do centro da cidade.

É essa gente que apodrece numa cidade onde "é bom dormir",
numa cidade coitadinha e amorosa que "responde com amor à eutanásia",
numa cidade sitiada que há-de fazer procissões, de vela erguida e cânticos bafientos, contra a legalização do aborto (quando descobrir que já foi legalizado...),
numa cidade vestida de luto e a cheirar a cera...
uma cidade alimentada a hóstia e betão,
na alvura do imobilismo e do provincianismo mais idiotizante à flor deste país,
também ele pequeno...


Indignada deve ter ficado essa gente.
Sua acólita PSP, já sem cónegos corruptos, fascistas e criminosos que a comprem a dinheiro, obras públicas ou empregos, afinal, temerosa, mete o rabo entre as pernas e diz au-au.
Mas muito baixinho, que é para no final da noite, connosco já a ir prà caminha, ninguém notar.

domingo, fevereiro 22, 2009

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Braga versus Liège

Vidal: adeptos do Standard de Liège a cervejar hoje de tarde (18-02-09) em Braga

Devo algum do meu conhecimento inicial, e insaciável curiosidade sobre cidades, ao jogo da bola que cultivava em pequenino. Com efeito grande parte dos clubes tem o nome da cidade plasmado no seu próprio nome e símbolo. A partir daí a viagem é imparável. E, não raro, a história de um clube agrega-se à de um bairro ou parte da cidade , tornando-se muitas vezes “bandeira” desse mesma cidade ou de uma região. Assim hoje o Sporting Clube de Braga joga com o Standard de Liège. Liège é a capital da província com o mesmo nome e a terceira maior cidade da Bélgica (primeira da Valônia), tendo aproximadamente 187.000 habitantes no município e cerca de 600.000 na região metropolitana (2006). Se quiserem comparar com Braga podem ir aqui e aqui.

A cidade de Braga está a ficar assim:

Vidal: centro de Braga em Fevereiro, 09

Já repararam?...

domingo, fevereiro 15, 2009

"E.T.: o extra-touro"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Mudar

Voltamos à carga!

Thomas L. Friedman, no livro de que temos vindo a partilhar alguns estratos, "Quente, Plano e Cheio", sugere-nos, num estilo simples e incisivo, por onde terá que passar o mundo com futuro. Papel fundamental desempenha, como é fácil de perceber, a forma como consumimos energia... oh! o tão falado discurso da poupança e tal... Não! Eis a mudança de paradigma, para meditarmos:


"Conforme referi (...), as utilities [o autor refere-se às empresas que nos EUA fornecem energia nos diversos Estados] eram pagas com base na quantidade de electricidade que vendiam e na quantidade de novas centrais eléctricas que construíam. À medida que cada vez mais consumidores começaram a apagar as luzes sempre que mudavam de divisão e que foram instalando electrodomésticos eficientes a nível de energia, a empresa foi penalizada pela diminuição das vendas (...)

"Existe sempre uma tensão entre os interesses dos consumidores em reduzir as suas contas ao utilizarem menos energia e os interesses das utilities e dos seus accionistas em fazer crescer os dividendos, fazendo com que se consuma mais energia"
(...)
É como conduzir com um pé no travão e o outro no acelerador". É exactamente isso que temos estado a fazer. E isso tem que mudar."

Como?

"Os lucros e as vendas têm de ser descorrelacionados.
(...)
Por exemplo, uma utility pode ajudar um consumidor a comprar um aparelho de ar condicionado que seja mais eficiente a nível energético, ou subsidiar um projectista de um novo edifício comercial para reduzir o consumo de energia. (...). O auditor faria então as contas para descobrir qual o custo dessas medidas de conservação e quanto poupariam em termos de energia que não teria de ser gerada. Imaginemos que o novo e mais eficiente aparelho de ar condicionado iria custar mais 500 dólares do que o modelo-padrão, mas que, durante o seu período de vida, pouparia à utility 1000 dólares em quilowatt / hora que não seria necessário gerar. Na verdade, está a substituir a geração que custaria 1000 dólares ao longo do tempo por conservação, que custa apenas até 500 dólares. Essa poupança total de 500 dólares seria então dividida entre a utility e o consumidor."


Nova tabela de eficiência para as empresas
Imagem, adaptada, retirada daqui.


A imposição de preços de energia mais elevados, por parte do Estado, encorajaria "as utilities a estimular melhorias em termos de eficiência.
A situação ideal é que a utility ganhe mais dinheiro quando leva os consumidores a poupar mais electricidade - para que o total dos lucros das utilities aumente e o total das facturas dos consumidores diminua, porque as poupanças de energia mais do que compensam o aumento dos custos de energia. Se tivermos um ecossistema energético que produz valor social (redução das emissões de CO2 e eficiência energética) e não valor económico (grandes poupanlas para os consumidores e lucros para as utilities), não atingirá escala. Temos de conseguir ambas as coisas. Durante demasiado tempo, muitos ficaram ricos com o negócio da energia a fazer as coisas erradas."

(pp.294-296)


"A bala que o mata nunca o atinge entre os olhos. (...) Atinge-o sempre na têmpora. Nunca sabe de onde vem, porque está a olhar na direcção errada". As empresas de energia tradicionais nunca tiveram de se preocupar com uma bala inesperada. [Mas] Quando vir algumas delas estendidas nas bermas das estradas com balas nas têmporas, saberá que finalmente se criou um mundo de "ou mudas ou morres" no sector da energia - e que existiu alguém que não mudou.

(p. 303)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Música do mundo / Música geográfica (I)

Música do mundo.

Que expressão mais pífia e eurocêntrica (ou, por sinédoque ou por antonomásia, ocidental) que é chamar às músicas que não são cantadas em Inglês nem são desse género tão mundializado desde a popularização da guitarra eléctrica que é o pop-rock...!!


(E perguntemo-nos se não costumamos pensar nessa expressão num outro idioma... que quer isto dizer, então?)

Pois... de onde vem a música senão do mundo? Como se o pop-rock, cantado já não só em Inglês, fosse feito num outro planeta, desconhecido...


Estes críticos musicais, jornalistas ou não, não podiam ter pensado um bocadinho melhor? Porque não música geográfica? Sim, também toda a música tem a sua origem espácio-temporal. Mas estamos, com esta designação, a querer pôr a tónica na proveniência específica das músicas que são criadas.

O que está em causa é, uma vez mais, um dos binómios levantados pela chamada mundialização (dos meios de comunicação, da economia, e, por arrasto, das expressões culturais das sociedades - pelo menos das expressões consumíveis e mediatizáveis, mediante troca económica ou não): a (suposta) abolição das fronteiras VS. a consciência das diferenças (logo, das distâncias e fronteiras).

(Já aflorámos a questão das fronteiras (aqui), e prometemos retomar este assunto, a propósito de música).

E com música geográfica estaríamos a salientar o carácter único - a valorizar a diferença (e não a estardardização, dos gostos e expressões) - da talvez mais sublime forma de arte.
A questão é que dentro dessa "nomenclatura" não tem apenas lugar a música tradicional. As coordenadas temporais também são importantes: músicas de um tempo, identificáveis, marcantes, verdadeiros documentos e testemunhos de factos históricos... seriam também música geográfica.


Voltaremos a este assunto, uma vez que o nosso inquérito já nos indicou o próximo caminho a seguir e a partilhar convosco.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Olha! Não me apetece

Microdisney - "The Clock Comes Down the Stairs" (Lp 1985)


(Não sei que entreposto ferroviário está retratado)


São carris que não parecem levar a lado nenhum,
perdido o gosto pela aventura da descoberta.
Nos caminhos já traçados parece ainda não termos encontrado o caminho para nós.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Mudar de Vida

O título deste texto alude ao filme de Paulo Rocha (de 1966), também celebrizado pela sua banda-sonora, da autoria de Carlos Paredes.

Não sabemos em que medida as mudanças de hoje nos são impostas. Urgem. E é isso que temos de compreender.

A toda a volta vemos fábricas a fechar e a despejar no vazio do sem-futuro a matéria que faz o mundo girar. Crise, dizem os seus proprietários, gestores e accionistas.
O objectivo de uma empresa cotada na bolsa de valores é garantir lucro aos seus accionistas. Soa tão bem, não soa? Já sabemos que é assim, não sabemos? E isto soa ainda melhor, não soa?

E a palavra reconversão, como nos soa?
Meditemos sobre ela.

Conta o outro, citado na citação da citação... que as palavras não se perdem quando se repetem de boca em boca:

"Mãe, quando crescer, quero mudar o mundo"

Assim falou o Homem.

E conseguiu!
O Homem mudou o mundo.

Alterou o curso da História da Terra. Se o passado nos trouxe até aqui, que diremos do futuro? Por quanto mais tempo nos é ele garantido? Garantido não é bem a palavra... permitido será mais correcta.

O Homem mudou o mundo.
Mas com o mundo agora mudado, o Homem ainda não mudou.
E tem que mudar. Quanta violência pode conter este "tem que mudar"? Não a suficiente para nos ter já obrigado a.

Por todo o lado há sinais. A dita crise económica poderá ser um deles, mas tal como nos é apresentada pelo discurso dos que, ao contrário dos que deixam de ter, vêem descer os níveis do que têm (comummente chamado "lucro") e das respectivas correias de transmissão do pensamento contrário ao que "tem que mudar", essa mesma crise económica apenas parece estar a ocultar ainda mais a real gravidade da crise. Crise com letra maior.


Da forma que construímos as nossas casas e vidas - quanto mais afastadas da Natureza, mais evoluídas, dizem - ainda não percebemos que somos iguais aos animais que têm de escalar as montanhas em busca das temperaturas suportáveis pelo organismo.

A mutação - na vida que mudámos, a vida que muda, a vida que nos muda - está a transformar-nos em ursos polares. Com o gelo a derreter, já o sabemos, morreremos afogados.


Milhões de pessoas fogem para as cidades em busca de trabalho.
Milhões de pessoas buscam outras terras, aráveis, que lhes dêem de comer.
Milhares de pessoas estão a abandonar as suas ilhas de palmo e meio, porque as ondas não precisam de ser gigantes para serem demasiado altas.
Milhões de pessoas estão a ficar sem água potável.
À sombra do vulcão, milhares de pessoas aguardam as avalanchas do futuro.

Milhões de pessoas lutam por sobreviver.
Num mundo esterilizado pela poluição, pela guerra, pela delapidação dos recursos naturais e humanos... qual o caminho?


Quantos anos nos trouxeram até aqui?
-
Quantos anos demorámos a mudar o mundo?
=
Quantos anos separam estes dois conjuntos de anos?

O que se verifica nesta equação resume-se a uma palavra: insustentabilidade.
E insustentabilidade significa uma de duas coisas. Ou uma ou outra, portanto:

1 - necessidade de adaptação
X
2 - morte inescapável


O Homem mudou o mundo mais rapidamente que o tempo que esse mundo - ESTE - precisa para mudar. E para NOS mudar.

Escolhamos.


Agora, com o mundo mudado, muitos mundos deixaram de fazer sentido. Com novos olhos, com a nova concepção do mundo, deixámos - num ápice - de ter razões para sustentar esses mundos, de repente ultrapassados.

Novos esforços se requerem. A mudança necessária.
Na busca de um só objectivo. E um só, porque urgente:
a sobrevivência.

domingo, fevereiro 08, 2009

"Parque Jurássico"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

E agora aparece?


Não deixa de ser uma infâmia a forma como certas empresas, algumas pertencentes a grupos bem sólidos e que ainda há bem pouco tempo reclamavam lucros fabulosos, já para não falar dos milhões em subsídios e outros incentivos que encaixaram, aproveitam agora a onda da crise para despedir à tripa forra trabalhadores ou pedir umas massas ao governo. Para quem nos últimos anos passava a vida a reclamar menos Estado, não está nada mal. Alguns destes casos ocorrem também em pequenas e médias empresas no Minho. É certo que algumas estão completamente estranguladas (e muitas fazem das tripas coração) e sem recurso ao crédito (neste particular, não é de agora que não têm acesso, há muito que a banca e o Estado os deixou à sua sorte enquanto propagandeava planos e estratégias para o sector têxtil e vestuário), mas outras, a reboque das suas viagens ao Brasil e Caraíbas, carros de alta cilindrada e jantaradas tropicais (não sei se me entendem?...), aproveitam para humildemente reivindicar qualquer coisinha, despedindo funcionários que são como uns filhos porque já não se aguenta, e desaparecer com as máquinas. Às vezes também desaparecem os próprios sem deixar rasto. Nada disto surpreende. Quando há alguns anos uma média fábrica do distrito de Braga ao receber uns milhares para formação (tecnológica e novas maquinarias) colocou uns funcionários a dar formação a outros para Inglês (fiscalização) ver, estava tudo dito. De qualquer forma nem seria necessário maquinar a formação. O Inglês nunca aparecia…

domingo, fevereiro 01, 2009