domingo, dezembro 30, 2007

"Peixe frito com arrozinho de tomate..."

Clica para naufragar Por LEM, 2005.



Este é último cartoon da série "Nau Fragos", feitos por LEM em 2005. No próximo ano 2008 haverá mais novidades artísticas. Estejam atentos.


Se és autor de BD/Cartoon e se estás interessado em publicar a tua obra no Georden, entra em contacto connosco georden@gmail.com.

sábado, dezembro 29, 2007

Roteiros Sonoros

Aqui fica uma boa proposta pela rede. (Mas não esquecer, fazer o trabalho de casa e depois ir para a rua, para o campo,para tirarmos as nossas impressões)

O site
Cinco Cidades traça um perfil sonoro de vários lugares de cinco cidades do continente. Braga, Porto, Lisboa, Guarda e Torres Vedras têm as suas histórias, as suas pessoas, os seus sons. O projecto está a cargo do Folk Songs Trio, que pretende usar os registos nas suas performances.


Clique na imagem para aceder ao Cinco Cidades


A propósito disto, ouvi aqui há uns tempos, num programa na Rádio 3 (RNE) chamado La Ciudad Invisible, uma ideia que vinha na mesma linha. Os convidados da edição desse dia tinham registado em fita magnética, caminhando e a diferentes horas do dia, os sons da plaza mayor de Salamanca. O resultado foi difundido no programa e traduziu um grande momento de rádio, apelando à imaginação e à vivência do lugar e das pessoas que por lá passam.

É uma leitura possível para a vivência dos espaços. Neste caso, através da componente auditiva, que Lynch também considera importante para estruturar a nossa imagem da cidade. Interessante e recomendável.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Queimar as pestanas

Já nem pestanejamos.

(Vai ficar um bocado descredibilizado por não apresentar-vos a fonte aqui e agora, mas foi num jornal local. Ou o Diário do Minho, ou o Correio do Minho, um deles. De há uns dias atrás, pouco antes
destoutro artigo, com o qual tentámos lançar o tema de tertúlia deste mês. Como sabem, ou para quem não está a par, sobre Novas Centralidades.)

O motivo do artigo do jornal era a criação de mais um espaço comercial. Mais propriamente um supermercado. Onde? Em Famalicão. E quais foram, então, as linhas que não me fizeram pestanejar?

Em resumo dizia isto:

A empresa x espera espera ter o novo espaço construído já em ________ (não me lembro... isto parece tudo hipotético... mas não desmobilizeis, que já vereis como e em que é que é perfeitamente verosímil). Primeiro vai realizar o estudo de impacto ambiental e depois avançará com as obras...

(que pena não ter aqui o texto à mão...)
Ou seja, a empresa que quer construir o espaço comercial é a mesma que vai fazer o estudo de impacto ambiental...
Isto para além de neste país os EIA serem um procedimento a preencher. Pressupõe-se sempre que não haverá quaisquer problemas que entravem o processo.

A promiscuidade já é assim tão grave para não ser (a) notícia ?

quinta-feira, dezembro 27, 2007

gvSIG


O gvSIG é uma ferramenta "open source" de manipulação e edição de dados geográficos.

Permite uma fácil utilização dos principais formatos raster e vectoriais e a visualização, em simultâneo, de dados de origem local e remota através dos serviços WMS, WCS e WFS.

É um aplicativo de "interface" amigável (o que torna a sua utilização bastante intuitiva) que se assume como uma possível alternativa ao ArcView, com a vantagem de ser totalmente gratuito e de permitir o seu desenvolvimento por qualquer pessoa.

Fazer download aqui.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Outro dado adquirido...

Capitalismo = Democracia

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Dado Adquirido

Capitalismo = Desenvolvimento

domingo, dezembro 23, 2007

"Uma luz... de Natal"

Clica para naufragar Por LEM, 2005.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Adamastor de Molho

Ler atentamente Ler conscientemente
Notícias Magazine, 14.10.07, pp. 124-125

O artigo é simples, bem escrito e conciso. Chama-se "Só se sabe o que é grande" é convido todos a lê-lo. Trata-se do poder que temos. Poder que tem sido mal usado.

Um prenda para nós, neste Natal e nos que aí vêm.

O Natal vai ser quando o Homem não quiser.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Filme do Festival P/ARTES Algarve 2007

Olá a todos. Para quem não compareceu ou para quem quiser recordar, aqui está a reportagem fotográfica do "Festival P/ARTES Algarve 2007".


Festival P/ARTES / Algarve

aconteceu dia 7 e 8 de Dezembro no IPJ / Faro...

Graças ao empenho de todos esta iniciativa conjunta
com o IPJ de Faro foi um SUCESSO!!

OBRIGADO A TODOS!

Registo fotográfico e sonoro já está disponível no sítio do costume
[ www.drmakete.com ]


cumprimentos e até já!

Terminal Studios
núcleo de Banda Desenhada

Nota: Os participantes e colaboradores que queiram alguns recuerdos deverão entrar em contacto connosco para receber as coordenadas.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Em que rua fica o Canadá?

Sei, por alguns amigos professores, que se afigura, hoje por hoje, tarefa quase impossível reprovar meninos na escola. Torna-se necessária uma data de explicações, justificações e papelada, não esquecendo o desejo (e amor) legítimo do governo pelas estatísticas, para consolo da OCDE. Mesmo assim, só o ano passado, lê-se no Público, mais de 120.000 alunos chumbaram no ensino básico. Mesmo assim. É claro que com as “novas oportunidades” poderão fazer em quinze dias, três anos, com ou sem lobotomia, a bem das estatísticas, menos da preocupação com verdadeira formação.

Todo o sistema se alicerça no facilitismo. Alguns pais, também o sei, não concordam nada com isso. Deveríamos, nesse sentido reflectir por que cargas de água, só nos últimos vinte anos existiram umas 300 mudanças de paradigma e umas 150 nos métodos de ensino, avaliação, e nem sequer UMA reforma concertada.
Como diria Al Capone: Em que rua fica o Canadá?

Na demanda do controlo da populaça (apanágio de sistemas acabados?), e de um mundo asséptico e forever young lá teremos o cartão único, a vídeo-vigilância, (que já aqui falamos), a propaganda oficial em constante desfile de vaidades a mostrar um país que não existe e, por fim, imagino os velhos cafés, tertúlias e bares, livres de fumo. E um bufito a cada esquina, já agora. Até existirá uma linha de denúncia desses bandidos. É verdade.

Já agora, para espreitar grandiosa e escorreita prosa, podem ler sobre o Grande Irmão, a crónica do Batista-Bastos no DN. Para quem sabe onde fica o Canadá, ou pretende saber, pelo menos.

"A Imagem da Cidade", de Kevin Lynch

Ver maior
KEVIN LYNCH
A Imagem da Cidade
Tradução de Maria Cristina Tavares Afonso
Edições 70, Colecção Arte e Comunicação, 2005


De Kevin Lynch, o livro "A Imagem da Cidade" (The Image of the City, 1960, no original) é, ainda hoje, uma pedra basilar naquilo a que hoje se chama Geografia da Percepção.

Através de um estudo de três cidades dos Estados Unidos (Boston, New Jersey e Los Angeles), Lynch tentou esboçar qual a imagem que os seus cidadãos faziam das mesmas. Para tal, a sua equipa realizou inquéritos e viagens com transeuntes, conhecedores ou não das suas cidades.

Com isso pretendia aperceber-se da imaginabilidade que os habitantes fazem do lugar onde vivem. Ou seja, perceber, através da expressão verbal e de circuitos pela cidade, quais os elementos que marcam a memória das pessoas. Porque é com essa memória que as pessoas organizam mentalmente o espaço e nele aprendem a delocar-se.

O objectivo é entender de que forma os edifícios, os monumentos, as vias, os obstáculos e os cruzamentos (aquilo a que Lynch chamou os elementos da cidade, isto é, que são comuns aos espaços urbanos) ajudam a criar a familiaridade com o espaço em que vivemos. No fundo, está em questão, mais uma vez, a identidade do espaço e o sentido de lugar. Com o qual criamos laços emotivos e vivenciais.

Daí as áreas principais tratadas ou subjacentes à obra serem a psicologia, a linguagem, o urbanismo e a arquitectura. O objectivo último é o de entender como o urbanista e o planeador pode ajudar a tornar mais viva e memorável a imagem de uma cidade.

O livro acaba por ser muito interessante, mesmo para quem, como eu, começar por torcer o nariz à tradução. E, claro, temos de ter sempre presente que o estudo se reporta aos anos 50 e ao imaginário estadunidense, bem diverso do europeu. No entanto, os princípios estão lá. Pensando o espaço para o tornarmos melhor.

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com, que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

terça-feira, dezembro 18, 2007

O Retábulo das Maravilhas

Clica para aumentarDe JACQUES PRÉVERT - Te-Atrito

20 e 21 de DEZEMBRO 2007 21h30
Teatro Lethes

Direcção Artística, tradução e encenação: Pedro Monteiro
Interpretação: André Canário, António Salvador, Filipa Rei, Igor Martins, Pedro Monteiro, Rita Neves
Assistente de encenação e operação de luz: Tânia Silva
Direcção musical: Igor Martins
Consultor artístico: José Manuel Ávila Costa
Desenho de luz: Pedro Monteiro
Assistente de produção: Isadora Justo
Design gráfico: Pedro Bolito
Guarda-roupa: Pelcor

«É um espectáculo tão espectacular, de uma beleza tão bela e de uma emoção tão emocionante que me faltam as palavras para falar dele» (Chanfalla)
Os artistas chegam à cidade pelos caminhos escritos nos cata-ventos. Como é tradição, trazem uma criança raptada que toca música enquanto apresentam aos notáveis da terra o verdadeiro, o único, o singular, o admirável Retábulo das Maravilhas de que toda a gente culta já ouviu falar… mas tais maravilhas só são visíveis para quem tiver a consciência tranquila.

PRODUÇÃO: Te-Atrito

+ info
www.teatrolethes.pt

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Já nem pestanejamos...

Ver em pormenor
Foto 1 - Telhado do Braga Parque - Feira Nova

Fonte: Eduardo F. - 17.12.07

Como deverão estar lembrados, a tertúlia deste mês é dedicada a novas centralidades. Ou seja, vamos discorrer um bocadinho sobre a construção de grandes superfícies, a criação de áreas dedicadas ao comércio e ou serviços.

Como cada um saberá, temos vindo a assistir, tão normalmente que até chateia, ao aparecimento de novas superfícies onde as pessoas, sobretudo aos domingos, costumam enfiar-se para... "manejar os cotovelos e o olhar".

O mundo é globalizado por causa da economia e "o que está a dar" é o comércio, talvez o mais visível sinal dos investimentos municipais e administrativos. A lógica "desenvolvimentista" baseada no vazio.
(Outro sector-fole é o turismo. Não, não negamos a existência, a relevância e o seu papel, fundamentais para o tecido económico e, já agora, para funcionarmos enquanto sociedade. Trata-se tão somente de ocultar, com grande movimento de capitais e agitação frenética, os desequilíbrios e a grande dependência económica do sector produtivo do país... mas essa é outra matéria.)

O consumo de espaço por que era responsável a indústria nas periferias das cidades, em tempos não muito distantes, pertence hoje, podemos dizê-lo, à construção de habitações, vias de comunicação e áreas de comércio.

É até por isso que costumamos deparar-nos com aquela típica megalomania provinciana do
"A maior superfície comercial" daqui e dali. Aliás, parece que todas essas obras precisam, sine qua non para avançarem, de um slogan desse género. Se repararem bem na foto 2 (área ainda em construção, à saida da N101 - Braga-Guimarães), podemos ler algo como "O maior centro de comércio de Braga", frase sintomática do estado a que o concelho e, até, o distrito chegou: é que com tantas superfícies, os solgans parecem estar esgotados, restando a esta nova área o "miserável" título de "centro de comércio". (Não sei em que difere esta expressão da de "centro comercial", mas aqui fica a minha dúvida.)

Ver em pormenor

Foto 2 - "O maior centro de comércio de Braga"!
Fonte: Eduardo F. - 17.12.07

O eixo retratado aqui é uma autêntica catedral do consumismo municipal, canalizando ele magotes de carros e grandes romarias de bichinhos fim-de-semaneiros. Agora, além da MediaMarket, do Carrefour, do Feira Nova (cujo telhado é retratado na primeira foto), do Aki e do Staples e do novo "retail center" (porque em Inglês é mais bonito), há também a "pseudo-elitista" Fnac.

Mas não se fica por isto. Ao longo do eixo Braga-Barcelos, já se prepara aquele que dizem vir a ser, imagino, "o maior Eleclerc do país", ou coisa que o valha. E depois há uma loja de móveis que, aquando da sua inauguração, escolhida para um domingo (lá está, nada é escolhido ao calhas...), apanhou este escriba desprevenido (de tão informado que andava destas coisas...). De qualquer forma deu para retratar um típico eixo rodoviário em terra de ruminídeos de lã virgem (fotos 3 e 4).

Ver melhor Ver melhor
Fotos 3 e 4 - Panorama paranormal - Sequeira
Fotos: Eduardo F. - 17.02.07

Mas, estarão estas novas áreas a criar espaços úteis para o desenvolvimento? Integrados e planeados? Que vai acontecer quando a oferta for (e parece que há muito já o é) maior que a procura? Que utilidade terão esses edifícios? Que novas potencialidades trazem para as regiões?

Há mais perguntas a fazer. Aproveitamos, por isso e aqui, para renovar o apelo à participação de quem nos visita e lê. Problematizemos, pois!

domingo, dezembro 16, 2007

"A recta final"

Clica para naufragar Por LEM, 2005.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

26º GeoForum

Ver em detalhe

Programa do 26º GeoForum
Difundido via correio electrónico

Este ano o GeoForum debruça-se sobre a Protecção Civil. Em discussão vão estar as suas abordagens e ferramentas científicas.


A entrada é gratuita e pode ser feita através de geografia@ulusofona.pt.
A todos os interessados aqui fica esta proposta.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Inquérito Encarnado

Servem estes breves linhas como chamada de atenção para a pergunta deste mês.
E a pergunta é:

O que faz o Pai Natal?

'Bora lá a escolher a resposta que achais mais acertada?

Com a vossa ajuda tornamos mais real a interactividade que queremos para o Georden.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Entorses e Vazios

Ler o quase vazio
Povo de Guimarães - 7-12-2007, p.3


Está bem, está bem. Serve para divulgar o evento, sobre o qual pouco se diz. Os média gostam é de tricas. Se lhes retirarmos a frasezinha polémica vai-se a ver e não há nada.
Até o insuspeito Povo de Guimarães...

domingo, dezembro 09, 2007

"Melhor que a cafeína..."

Clica para naufragarPor LEM, 2005.

sábado, dezembro 08, 2007

Plastificados

Caio nesse hipnótico abraço
Desta viagem entre flores plásticas (flores plásticas)

Primavera de Destroços,
Mão Morta



Luís Goes - Canções de Amor e de Esperança
Canções de Amor e Esperança - Luís Goes, 1971
(Não me importa que a imagem tenha pouca qualidade. Além de, como dá para perceber, retratar uma lixeira, serve também para lembrar o grande cantor do fado e balada de Coimbra que foi e é
Luís Goes)


Hoje apetece-me divagar sobre polímeros, mais concretamente sobre o plástico, que é o mais popular dos seus materiais.

Aqui há tempos, vi um documentário no canal francês TV5, que se debruçou sobre o plástico. Peço desculpa por não mencionar fontes e pela possível consequência que tal pode gerar no leitor (nomeadamente a falta de credibilidade).

Começou assim. Estava um investigador a olhar para as ondas baixas de uma praia (penso que era Plymouth, ou Bath... já não posso precisar. Mas, sem "subterfugir", isso não é o mais importante) e nelas rolava uma garrafa de plástico. Dessas, de água. O que acontece às garrafas vazias numa onda? Rolam ali e dali dificilmente saem.

Começou ele por dizer que o plástico demora não sei quantos anos a degradar-se e essas coisas e tal... o "tanto bate até que fura" e o "roça que desgasta" estão na base dessa degradação.

A questão é que o plástico não se degrada. Chamamos degradação à sua multidivisão em partes cada vez mais pequenas, até se tornar invisível a olho nu. A fibra de plástico continua lá, diminuta, mas não há processo natural que o degrade e o transforme num material inócuo.
Eu aprendi nas aulas de Poluição Aquática que o plástico é um material sintetizado por processos artificiais. E que é essa mesma transformação, tão díspar daquilo que encontramos no meio ambiente, que o torna tão resistente aos seus agentes degradativos: isto é, "são fraquinhos", mal o beliscam.

Ora, o investigador pôs-se a analisar a areia da praia mencionada e concluiu que 1/3



- vou repetir: 1/3 -



da areia era plástico. Só isso. Depois o documentário seguia, com estudos associados ao mesmo tema, mas noutros locais. Entre os quais o mar Mediterrâneo. Há mergulhadores que vão ao fundo do mar para encontrar tesouros e, quando não se procura uma coisa, quase sempre não o vemos. O que foi dito é que o Mediterrâneo - agravado pela sua condição de mar com pouca circulação de água - está cheio de lixo. E depois falava-se do turismo - as costas de Valência, acima de Barcelona, as de França, da Grécia, da Turquia, etc... são óptimas fontes de lixo e poluição - que assim o tornava num vazadouro de excelência.



... Onde é que eu ia? Ah, já sei. Ora - prosseguia o mesmo investigador - se o plástico se decompõe em pedaços cada vez mais pequenos, até à escala de fibras microscópicas, o que acontece é que ele vai acabar por ser tragado pelos animais marinhos (deu-se o exemplo dos moluscos), uma vez que o vão encontrando em cada vez mais quantidades e num espaço cada vez mais amplo. Daí decorre que, nós, que não vivemos fora do mundo, vamos acabar por comer esses animaizinhos.



A conclusão é esta: ESTAMOS A PLASTIFICAR-NOS POR DENTRO. Não, não, não é brincadeira nem um jogo de palavras. É isto que está a acontecer. É isto que estamos a provocar.



Vim partilhar isto convosco a propósito de, há dois dias atrás, o Governo querer impor uma lei que obrigue ao pagamento dos sacos plásticos aquando a sua compra nos supermercados. (Nos Estados Unidos - vemo-lo nos filmes - usam-se sacos de papel. Tenho conhecimento de que na África do Sul se usam sacos de pano, de grande resistência e capacidade volumétrica. Pode ser uma solução.)
Alguns supermercados já tinham
implementado essa regra, sem serem obrigados, o que se saúda. O objectivo é obviamente ensinar - indo à carteira, última esperança para a pedagogia ética - para diminuir o consumo - LOGO, a produção - de plásticos e reduzir as toneladas de lixo a que temos de dar um destino.

Ou seja, o Governo quer legislar uma coisa tão simples e quase insignificante (sim, é um passo, mas... ainda vamos aqui???) e logo no mesmo dia vêm os interesses instalados protestar??

Assim não vamos a lado nenhum.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

República de bananas

Relativamente à famigerada, como se diz, festa, da cimeira UE/África, sem tabus, apenas uma nota, digna de um repasto de estrelas decadentes: Um descer de calças envolto em pragmatismo míope (é assim que eles falam, no seu sentido desmentido). Ou, como refere aquele gajo das direitas do tempo do “antigamente” João Gonçalves, com quem eu nunca iria à bola, Tudo fecha para ver passar os beduínos nas suas viaturas à prova de humanidade. Na Europa não somos melhores. Mais nada!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Rotas da Tortura e da Memória


Porta da prisão de Caxias - Fonte: Resistir.info


Ontem, na 2:, no programa Sociedade Civil, estiveram a debater a questão da memória e da nossa relação com a ditadura salazarenta que nos oprimiu e privou durante 48 anos. Isto, a propósito do Movimento Não Apaguem a Memória.

Como disse Fernando Rosas, a memória é um processo de construção social, que se faz no PRESENTE. A memória do passado constrói-se HOJE.
Portugal, sobretudo Lisboa, foi palco dos mais memoráveis acontecimentos da nossa história recente. Onde exactamente, perguntamo-nos? Por aí...

Em praças e ruas da cidade.
- Quem não viu já aquela gente toda em alegria, aqueles "sete rios de multidão", como canta o Zé Mário, a descer a Rua do Alecrim logo nos primeiros dias da revolução? Hoje em dia, passam carros. E se a memória não estiver nas pessoas, essa atenção não poderá ser dada à via.
- A praça do Carmo, na qual se foram refugiar os diversos governantes em fuga, uma praça repleta de gente, naquele dia maravilhoso. Hoje, está cheia de carros. Construídos todos eles após esse dia. Qual a memória do principal palco da revolução para quem lá passa?

Na sede de Lisboa da PIDE, na rua António Maria Cardoso, estão a construir um empreendimento de luxo. Foi esse o motivo por que o Movimento Não Apaguem a Memória se criou. Há dias, o mesmo enviou uma carta aberta ao Parlamento a reivindicar o papel do Estado no seu dever de preservar a memória.

A democracia não pode ser indiferente à história que a possibilitou. Por isso, o dever da memória é um dos deveres do Estado democrático.

Toda a memória tem de ter uma manifestação física. As praças e os edifícios estão - ou estavam - ali, ou algures, mais ou menos por estas ou aquelas bandas.
Um condomínio de luxo é o carimbo paradigmático dos poderes que nos regem: o poder económico e particular toma conta do espaço colectivo, sem que ninguém o detenha. Perde-se a memória. Limpa-se o horrendo lugar. Limpa-se a negritude, as coisas más por que passámos.

Um dia, a PIDE será considerada a melhor e mais zelosa polícia que os portugueses tiveram. Tal como Salazar foi algures considerado um bom governante, pacato, modesto, simples e inofensivo.

Fernando Rosas, Rúben de Carvalho e Nuno Teotónio Pereira disseram que António Costa e Cavaco Silva aceitaram a proposta de criar em Lisboa um itinerário dos palcos dessa e de outras histórias. E com a criação de um museu da polícia política não se pretende enclausurar a memória num espaço para poucos. Daí a importância daqueles itinerários. Por onde as pessoas normalmente passam, nos seus trajectos quotidianos.
Claro, os espaços dos acontecimentos não se limitam à capital.

Pátio do Forte de Peniche - Fonte: Arte Photographica


Eu nunca estive em Auschwitz. Nem tenho qualquer desejo mórbido. Mas aconselho ao leitor uma visita a Peniche, à prisão onde alguns morreram e muitos sofreram. Lá, além do museu etnográfico, está instalado o museu da resistência. E vai ver coisas inimagináveis. Não me refiro só aos sinais das atrocidades lá cometidas, mas a coisas espantosas que os presos conseguiram fazer.

Aproveitando a sugestão do programa, faça uma viagem à memória. E traga um pouco dela para sua casa. Consigo.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Prémio Internacional Almirante Gago Coutinho

"No âmbito dos 50 anos sobre a morte de Gago Coutinho e 140 anos sobre o seu nascimento, a realizar em 2009, a Sociedade de Geografia de Lisboa decidiu atribuir no ano de 2009 o Prémio Internacional Almirante Gago Coutinho, no valor de 2.500 Euros, destinado a galardoar trabalhos originais de investigação no âmbito das Ciências da Terra, que, por algum modo, contribuam para o avanço do conhecimento nessa área científica. Podem concorrer a este Prémio cidadãos nacionais ou estrangeiros, devendo os trabalhos ser redigidos em português, francês ou inglês.

Os trabalhos a concurso devem ser inéditos e dar entrada na Secretaria da Sociedade de Geografia de Lisboa até ao dia 30 de Setembro de 2008."

Consultar regulamento

Mais informações:
Tel.: 21 342 54 01 / 21 342 50 68
E-mail: soc.geografia.lisboa@clix.pt

terça-feira, dezembro 04, 2007

Uma (ainda) criança com 11 anos.

Vidal: R. Mouzinho da Silveira, centro histórico do Porto, Nov 07

Comemora-se (comemora-se?) hoje a elevação (ou será reconhecimento?) a Património da Humanidade do centro histórico do Porto, com a cortesia UNESCO. Foi a 4 de Dezembro de 1996. Bem, na realidade, a área classificada equivale apenas a cerca de 49 hectares (correspondendo aos limites da muralha Fernandina edificada no séc XIV mais o Mosteiro de Santo Agostinho) englobados nos 102ha de Centro Histórico (cidade do Porto), e cerca de 130ha na denominada área protegida que engloba parte da zona ribeirinha de Gaia e o Mosteiro de Santo Agostinho na Serra do Pilar. Digo comemora-se, mas deveria dizer recorda-se, já que os políticos vestem traje de gala nas apresentações mediáticas e depois é o que se vê. E o que se viu o ano passado foi nada, já que a Câmara Municipal achou por bem não assinalar condignamente a data. Porque será? Este ano para não passar em claro, um movimento independente denominado “Cidadãos do Porto S.A” lançou um manifesto de discussão e mobilização para os problemas da baixa e centro histórico, como pode antever em A Cidade Surpreendente.

Em verdade, muito terá já sido feito, revestido ou não, de vã aparência, esse manto que tudo asperge, apanágio de “modernidades” discutíveis; todavia, a prática do dia a dia, alicerçada em estudos recentes demonstra, não apenas passividade, como um certo desleixo irresponsável na abordagem de tão sensível temática. Prova-o, não apenas a roupagem decadente de algum edificado, compreensível (até) à luz de difíceis relações público/privado e a uma malha urbana de traçado medieval, mas também esse esquecimento envolto em taipais envergonhados e, enfim, o despovoamento (cerca de 13.000 residentes, seriam perto de 45.000 na década de 1950) envelhecimento e empobrecimento acelerado. Embora se reconheça que esta área não padece (ainda) de Museolização celerada ou da doença da “parque tematização”, revelando apenas alguns laivos de gentrificação, normal destes espaços, o que releva dos nossos passeios é uma tristeza miudinha (até mesmo na noite IRRECONHECÍVEL da ribeira), uma decadência mansa com roupagem de turismo uniformizado. O Porto é mais que isso.

Não li ainda os jornais do dia. Não sei por isso, de comemorações “oficiais” ou oficiosas. Sei que, no ano passado o Jornal de Notícias publicava uma reportagem muito pouco abonatória, 10 anos passados, aliás, reconhecido nas palavras de um responsável da SRU (sociedade de reabilitação urbana), Porto vivo.

Uma (ainda) criança de 11 anos. Para o ano há mais…

Descubra as diferenças...

No dia 2 de Julho de 2007 escrevi sobre um passeio em forma de cascata com 4 faixas de rodagem. Imaginei-me numa cadeira de rodas e o que pensaria ao ver tal obstáculo. Hoje mostro-vos duas fotos do mesmo local e peço-vos para descobrirem as diferenças. As diferenças são muitas, mas há uma fundamental que facilitará a vida a muito povo.

O Portugal Provisório precisa de muita coisa, mas principalmente de paciência...

Obrigado...

Clica para aumentarQuarteira, 01.07.2007.

Clica para aumentar Quarteira, 02.12.2007.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Aldeia "global" em compras



Somos anjos de pureza
evadidos dos lazeres
carregamos a tristeza
não trazemos mais haveres

Era tudo em vão
um brincar sem dor
sem qualquer paixão
que nos desse ardor

Nosso sonho era o arrepio
deste mundo a ser mudado
Só tivemos o fastio
de um objecto a ser comprado

(...)
Foi apenas um lugar
onde à falta de faca
aprendemos a manejar
os cotovelos e o olhar

Anjos de Pureza, Adolfo Luxúria Canibal


(Então a DECO viu o seu número de associados aumentar por causa da naturalização do jogador...)
Muita gente diz não gostar de política. E dos políticos. Sobretudo destes. Compreende-se.
Fora de discussões já tidas, hoje apetece-me falar da política comum.


No longo processo industrial - que alguns dizem que ainda atravessamos, outros dizem que agora estamos na fase pós-industrial...

Estas concepções são sempre centradas no espaço. O que quer dizer aquela expressão? Que já não há indústrias? Talvez não seja isso. Mas o que acontece actualmente é que os países ricos transferiram a produção para os países pobres. Como uma fábrica suja que vende os seus equipamentos bem limpinhos na parte da frente e se pudéssmos ver por uma nesga, lá atrás a realidade arrepia e repele - as traseiras da aldeia global, já alguém lhe chamou...

... - vimos povos a ser enjaulados, em nome da sobrevivência e do lucro (impondo esta forma de "funcionamento" fica a parecer que nenhuma outra existe!), vimos povos a lutar por um bocadinho de dignidade e respeito. Depois pelo exercício da sua opinião, pela escolha da sua vontade, a conquista dos direitos, árdua e sangrenta, com tanto fascismo e barbárie em forma de governos políticos e repressão militar...


("- Haver emprego duradouro era dantes. Agora JÁ NÃO PODE ser assim.")


Hoje, a aldeia global (aquela, esta, que Adolfo diz ter sido sempre "sinónimo de isolamento e conformismo, de mesquinhez, aborrecimento e mexerico e que, de qualquer modo, o que verdadeiramente importa se mantém secreto") tomou conta das nossas vidas e em todos os aspectos da sociedade recebemos instruções para não a questionarmos (a propósito disto, tenhamos atenção ao livro "A Formação da Mentalidade Submissa, de Vicente Romano (Ed. Deriva, 2006).

Perdemos os direitos políticos. E para constatarmos isto, basta querermos usá-los. Basta isso. E logo nos veremos confrontados com pensamentos de resignação (tais como "Não compensa", ou "Não tenho tempo nem dinheiro para pagar a um advogado que me defenda...").

A violência por parte do cidadão é reprimida, agora com violência pura e dura só se for realmente preciso (que é para isso, tantos estímulos mediáticos servem. Para nos amolecer e limpar de pensamentos perigosos). As manifestações e os confrontos nas reuniões dos 7 países (mais os que se, coitados, querem em bicos de pés, fazer parte da face criminosa do mundo) comprovam isso. Porque os maus são os manifestantes, não as forças militarizadas que reprimem as ideias que os movem. Já não há guerras no mundo rico. Essas foram também transferidas. Para os países que tenham recursos que nos interessam, recentemente descobertos, ou porque agora a sua exploração compensa e dá lucro. Transferimo-las, se ainda as não tinham.

Perdemos os direitos. Já não podemos exercê-los. E nada trazemos (os tais haveres, da canção em epígrafe) senão o mimetismo do acto de consumir. Aqui está a nossa última esperança. E é aqui que venho falar de política. A verdadeira política. Pelo menos enquanto os poderosos conseguirem controlá-la. Depois arranjam outra "linguagem" que não possamos entender e, por consequência, dominar.

No processo de produção, e falo de tudo aquilo que consumimos, necessário à vida ou perfeitamente dispensável à sobrevivência, estão envolvidas muitas organizações e concepções da sociedade. Assim, lentamente, com o desenvolvimento da tecnologia, o crescimento demográfico e o das cidades, fomos transferindo a produção daquilo que comíamos. Passaram dos nossos campos, para os campos d'além muralhas urbanas. Dos nossos quintais para as fábricas e plantações, lá longe da poluição e dos solos alcatroados e estéreis das cidades.

Mais uma vez, um processo de troca. Demos isso, perder o poder e a consciência da produção, em troca da facilidade e da rentabilidade. Porque na cidade não há espaço, nem temos tempo para isso e é muito mais fácil (leia-se barato) apenas comprar que produzir.

(A transferência é o contra-argumento aos que acusam que o poder se perdeu. Não. Nós é que o deixamos escapar e voltar para as mãos dos carrascos que decidem sobre as nossas vidas.)

Da mesma forma, como "o que verdadeiramente importa se mantém secreto", e não podemos averiguar as condições de produção, vamos engolindo e calando. Calando-NOS, porque não se deve falar quando se engole, ou corremos o risco de nos engasgarmos. E morrer, até. (também podia funcionar como metáfora, sim...).

Vêm as instituições, no sistema democrático (sim, sabemos bem o que significa a democracia: pode significar pena de morte, a decisão de ir para a guerra, a coexistência de tetramilionários com milhões de crianças e idosos na miséria, a auto-flagelação para ter pretexto para fazer o que se quer, coitadinhos deles e tal...), e criam algo como o Rótulo Ecológico. Está bem. Não negamos a sua importância. É aliás com isso que temos de jogar. Mas depois vem a parte da informação. E quem no meio desta confusão pode averiguar a veracidade daquilo que lhe dizem ser desta e ou daquela maneira?

De alguma forma, teremos de sair daqui.
Tem de haver uma saída.

E "a erva daninha deve ser arrancada de novo e de cada vez que nasce sobre a fronteira" que nos divide entre cidadãos da democracia participativa e cidadãos da democracia virtual. Agora no campo económico. Porque tudo é economia. E não há mais campos em que batalhar. Não com facas, que é proibido, mas com a consciência.

Em tempo de compras, será que apelos anti conseguem fazer-se ouvir?
E no dia 25, mesmo que as lojas estejam abertas até às 19 horas, nós já teremos saído à rua. Com o nosso silêncio e a nossa força da negação.
De cotovelos e olhares fechados.

domingo, dezembro 02, 2007

"Num conto de fadas sem reis nem rainhas"

Clica para naufragar Por LEM, 2005.

Inquérito

Pois é, caros amigos. Aqui há tempos falámos de fronteiras.
Com isso quisemos lançar o debate, entre nós, sobre ideia - para uns visionária, para outros com algum sentido - da união dos povos da Ibéria numa única pátria.

O inquérito que lançámos foi, infelizemente, pouco participado, como podeis constatar aí ao lado.
Daí podermos tirar poucas ou nenhumas conclusões.

Assim, e para que fique registado no Georden (que não se junta à volatilidade da memória), à pergunta

És a favor da criação da Ibéria de J. Saramago?

14 pessoas responderam, das quais:
7 a favor
6 contra
e
1 sem opinião


Interprete quem puder. Novas perguntas se seguirão.
Estejam atentos ao Georden, sustentando o sustentável.