sexta-feira, julho 01, 2016

Afinal não

Afinal o Roundup vai continuar à venda.
Por mais 18 meses.
Pelo menos.
Para já.

Não importa a desculpa.
Será sempre esfarrapada.

sexta-feira, junho 24, 2016

ÚLTIMA HORA!

A votação na Comissão Europeia para o prolongamento da licença do uso do Roundup foi hoje e os Estados-membros não chegaram a acordo. Pelo que, em princípio, o famoso herbicida deverá ser retirado dos mercados até ao final deste ano.

Vamos ver qual o "presente" do 4 de Julho...
Ler mais aqui.

quarta-feira, abril 27, 2016

"A Rua - Espaço, Tempo, Sociabilidade"

Título: A Rua - Espaço, Tempo, Sociabilidade
Organizadores: Graça Índias Cordeiro e Frédéric Vidal
Edição: 2008
Editora: Livros Horizonte
ISBN: 9789722416085
Paginação: 172 páginas


Tinha este livro há anos na prateleira...

Oscilando entre a sociologia, o urbanismo, a história e a antropologia, trata-se de um conjunto de textos (a maioria, resumos de teses) que procuram perceber como é que a rua (conceito, palco de eventos, conjugação de vontades, objecto estruturador do urbanismo...) acaba por influenciar a vida dos citadinos.
Isto inclui a forma como a vivemos, convivemos e como sentimos e idealizamos o que vemos através dela, como criamos laços com os outros e com os espaços à nossa volta entre outras implicações.

Alguns textos são bem pertinentes, problematizando concepções e questionando os valores que estão por trás delas e dos actores-autores políticos. 

No primeiro, "O «Acampamento», a Cidade e o Começo da Política", Michel Agier dá-nos o exemplo dos acampamentos de refugiados, traçados ortogonalmente (é uma regra?) e colocados, como pára-quedas, no meio de nada (como as lixeiras, que não queremos nem ver...):

Actualmente, coloca-se questão de pensar o lugar como espaço considerado como "liminar, entre-dois, provisórios, transitórios, incertos, intermediários, associados a circulações" necessárias ou forçadas. "Estes espaços formam-se, então, como etapas nessas circulações, ou como refúgios (...).
Que espaços são esses? São de vários tipos: de acampamento de trabalhadores itinerantes, precários; centros de trânsito para agrupamentos de longa duração de estrangeiros com pedidos de asilo; hotéis que são prisões ao mesmo tempo e campos de detenção para imigrantes que esperam regularização ou expulsão perto dos portos ou dos aeroportos; prédios abandonados; antigos espaços industriais abandonados; ruínas vazias que são invadidas; terrenos de acampamento que são ocupados por pessoas que se instalam na periferia das cidades e cujos espaços vazios de acampamento podem ser lugares de moradia duradoura; campos de refugiados; aldeias de refugiados ou sítios em geral das organizações humanitárias, ou do ACNUR, por exemplo, onde as pessoas vivem sob a assistência e controlo humanitário e das organizações internacionais. (...)
Eu tenho pesquisado durante 20 anos em lugares que parece que não são cidades, são lugares de barracas, lugares de acampamentos, lugares onde há um mínimo de materialidade; às vezes não têm materialidade, e são as próprias pessoas que fazem essa materialidade, e ao mesmo tempo elas fazem as relações que vão com a materialidade. E então a gente encontra-se em zonas onde, de forma muito concreta, material, e de forma muito social, as pessoas fazem a cidade. São citadinos sem a cidade." (...)

Onde as pessoas são ajudadas mas também controladas, emergem líderes ou porta-vozes cujas capacidades e estatuto (cultural e educativo), fazem com que as Organizações não os reconheçam como representativos dos pobres refugiados. E eles emergem para reivindicar melhores condições materiais na cidade das tendas... Esta emergência de líderes é já, em si, o início de processo de criação de cidade e identidade, porque configura a convivência entre estranhos que compartem situações.

No segundo texto, "Vestígios de uma Modernidade Apagada: A Paris Popular da Primeira Metade do Século XIX", de Maurizio Gribaudi, o autor desmonta a ideia que perdurou e sobreviveu pelo tempo da Paris que então emergia: a cidade das luzes e dos boulevards.
Acontece, diz o autor, que os espaços esconsos, bairros sujos, mal-frequentados, com população pobre e doente, eram espaços de legibilidade difícil para a nova concepção de cidade (pós-haussmaniana, etc.) e cujos planeadores, políticos, arquitectos e estrategas não se preocupavam realmente em tentar compreender.
Gribaudi fez análise de uma dessas ruas e zonas e demonstra claramente que as funções e profissões que nele se encontram são, além de diversas e numerosas (pequenos artífices e fabricantes de tudo. Mas realmente de tudo, desde relojoeiros, a chapeiros, alfaiates, fabricantes de espelhos, torneiras, envernizadores, e até um médico, um dentista, um farmacêutico ervanário...), um substrato representativo das várias camadas sociais e que, criando uma verdadeira interdependência e organização de necessidades, são a "fábrica das traseiras", a "cloaca a céu aberto" que os habitantes das classes aristocratas e liberais dos boulevards precisam para manter os seus fatos e hábitos imaculados...

Já em "Ruas da Cidade e Sociabilidade Pública: Um Olhar a Partir de Lisboa", de Tim Sieber, temos um autêntico regalo.
Como antropólogo urbano estado-unidense que veio viver para Lisboa custava-lhe perceber a importância que a rua adquire para os povos mediterrânicos, uma vez que a tradição anglo-saxónica "instituiu" o conceito de rua como associado à marginalidade, à classe dos negros, os loosers, os vadios, os falhados e desenraizados, por oposição à classe-média, à gente "decente" que, "cuidando da família e com trabalho, não tem tempo para estar à porta de casa e andar metida em bares ou a deambular pelas ruas". E este conceito vigora e envenena outras formas de ver as relações dos urbanitas com a urbe.
O turista parece andar preocupado em admirar mais as fachadas, monumentos e arquitecturas do que contemplar, viver a rua e contactar com as pessoas que ali vivem. "Parece ser irrelevante quem são as pessoas e quem está na rua - desde que as ruas estejam apinhadas de gente."

O autor viveu largos anos por trás da Casa dos Bicos, na Rua Afonso de Albuquerque, "uma rua popular, de classe operária, com oito prédios, uma residencial de cinco andares que hospedava sobretudo imigrantes das ex-colónias em busca de uma vida melhor, bem como migrantes internos. A rua "Tem apenas 75 metros de comprimento e é bastante estreita..."
"Um dia em que regressei tarde a casa - aí por volta das 4 da manhã - apanhei os padeiros, os almeidas e os lavadores de rua todos em amena cavaqueira, em frente à padaria, cada um envergando o respectivo uniforme de trabalho. Tratava-se de um ajuntamento informal, de conversa espontânea, entre pessoas que nem sequer viviam na rua, sendo na sua maioria simples transeuntes nocturnos, visitantes de passagem. Passageiros do escuro que se apoderam momentaneamente  da rua, enquanto os residentes dormem despreocupados, ou até mesmo satisfeitos por estes trabalhadores aparecerem à noite, sem causar qualquer perturbação às rotinas diárias na vizinhança".

Depois fala como na Expo 98 não houve verdadeira representatividade da cultura portuguesa a exibir, tendo considerado, por exemplo, a música pimba e os desfiles das marchas de Lisboa como cultura menor. Por insistência, as associações de marchas impuseram a sua força e desfilaram na avenida central do espaço do Parque das Nações, mas à margem da programação. Isto é, se a rua nos está vedada, somos nós que fazemos uma nova.

Outros textos interessantes, um mais sobre arquitectura e como ela condiciona a convivência dos moradores, outro mais sobre o lugar da rua nas manifestações e encenações do Poder no século XIX português, outro ainda sobre as práticas religiosas colectivas num bairro perto da Bela Vista... fazem deste livro uma boa e interessante paragem para reflectirmos sobre a Geografia.

Boas leituras geográficas.

Envie a sua sugestão de leitura para
georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

segunda-feira, abril 18, 2016

quinta-feira, abril 07, 2016

O oportunismo dos "PRA"

"O Vale de Santo António, onde irão nascer centenas de habitações, será uma das maiores áreas de intervenção do programa", in publico.pt

Na sequência deste artigo no público...

É o momento certo para lançar este programa. As rendas em Lisboa estão elevadíssimas, o senhor Presidente da Câmara de Lisboa arranja um bom motivo para desbloquear e promover o seu investimento imobiliário...

Bota construção!
E depois falam em reabilitação e construção. Agora está na moda usar estes dois termos para falar de construção!
E a CMLisboa não foge a isto.
Do que vejo no infográfico, dos 15 projetos, 12 são para CONSTRUÇÃO e apenas 3 para REABILITAÇÃO.
E depois anda um Governo (o de Portugal? ou de Alguns...) a dizer que prioridade nesta área é a reabilitação (se é prioridade, o rácio deve ser invertido!)
Muda-se o discurso mantêm-se as políticas.
Estou mesmo a ver o Bairro das Laranjeiras, perto do Parque das Nações a rendas baixas para a classe média.
O que realmente acontecerá?
"Rendas baixas para a classe Alta, não é o mesmo que renda baixa para a classe média."

"Este programa dirige-se às verdadeiras classes médias"

Ainda estou para perceber o que são as verdadeiras classes médias? Aqueles que recebem 650€ mensais e pagam 400€ de renda são classe média para muitos...

"Dar-lhes oportunidades para que possam viver na cidade de Lisboa"

É este o objetivo principal?

Temos um presidente... "O salvador" ou será "O oportunista"?

Surge a oportunidade... logo é "O oportunista"...

Finalmente ele vai dar a mão a todos aqueles que querem viver em Lisboa.

Finalmente ele resolverá os problemas de Lisboa.
Pontes, viadutos e estações de metro Lisboa tem muitos e pelo que vejo a sua taxa de ocupação está aumentar.
Vamos lá acordar para a vida... deixem-se de papos!
É uma vergonha fazerem a vossa promoção imobiliária desta forma...

quarta-feira, abril 06, 2016

"E se fosse eu?", por Rogério Madeira

Tive conhecimento deste desafio #esefosseeu através da Associação dos Escoteiros de Portugal #esefosseeuaep e achei na hora um desafio interessante e com uma questão pertinente: “E se fosse eu?” Realmente só nos colocando no lugar dos outros, poderemos tentar responder a tal questão. E hoje, por vezes, tenho assistido a cada comentário infeliz de muitas pessoas que parecem que não conseguem colocar esta mesma questão: “E se fosse eu?” Em tempo de paz, muito dificilmente sentiremos e saberemos como será partir da nossa terra, por esta se encontrar em guerra, em total colapso.

Ter que partir e deixar tudo para trás, com apenas uma mochila?

Ao tentar pensar nisso, não cheguei a nenhuma conclusão a não ser pegar nas minhas duas mochilas que estão sempre prontas para mochilar, por motivos da minha vida pessoal atualmente.

Felizmente, a minha Terra ainda é o meu País e o meu País ainda é a minha Terra...


... e como tal percorro-o de Norte a Sul com regularidade. Fico em casa de família, de amigos, em hostels, na sede dos escoteiros, em parques de campismo e até em praias, em jardins, em pinhais, etc. Tudo em tempo de paz. Com conforto ou desconforto... tudo em tempo de paz! A minha cama e almofada começam a ser uns estranhos para mim. Sendo assim, se tivesse que partir iria provavelmente pegar nas minhas duas mochilas que se convertem numa, quando meto a pequena dentro da grande. A pequena está preparada para 24 horas. É uma mochila que está pronta para as minhas caminhadas e retiros de fim de semana, para me orientar pessoalmente e ao mesmo tempo para dar apoio à formação no Grupo 250 de Mafra.


Que contém (no sentido dos ponteiros do relógio):
  • Mochila com elásticos/mosquetões e com a minha identificação com grupo sanguíneo;
  • Marmita com talheres de campanha.
  • Enlatados e bolachas/barritas energéticas (normalmente tenho apenas 1 ou 2);
  • Telemóvel não iria na mochila, provavelmente no bolso, mas quando ficasse sem rede ou sem bateria iria para a mochila. Também não é fundamental numa situação de refugiado, mas hoje não consigo viver sem ele. Até consigo! Mas quando não o tenho, sinto falta...
  • Carteira com todos os meus documentos e algum dinheiro (tenho fotos da família e também selos postais, para quando quiser matar saudades e enviar notícias à família);
  • Relógio também não iria na mochila, iria no pulso;
  • Panamá. Sempre me acompanha quando prevejo uma jornada de caminhada.
  • Água (ando com água e quando termina serve sempre de recipiente para voltar e encher de água de uma fonte, torneira ou até ribeiro desde com água límpida);
  • Abafo. Serve para proteger o pescoço, boca e nariz do vento e frio. Para mim é útil;
  • Apito com conta passos. Poderá servir para muita coisa: Chamar atenção! Alertar perigo! Informar localização! E quem sabe arbitrar um jogo… :P
  • Caneta e bloco de apontamentos. Sempre andam comigo, para apontar tudo o que achar necessário e/ou partilhar info escrita com alguém;
  • Aspirinas. As que estão na foto eram 4, só foi usada uma porque dei ao meu pai. Podem ajudar-nos a nós próprios e aliviar a quem nos solicita ajuda.
  • Canivete multifunções tipo Suiço. Para tudo e mais alguma coisa.
  • Isqueiro. Para fazer fogo;
  • Produtos de higiene (normalmente apenas escova e pasta dentes pequena e papel higiénico);
  • kit 1.º socorros (que neste momento até está incompleto).

Caso soubesse que teria que partir por muito mais tempo, como é o caso que se verifica neste desafio. Levaria então também a mochila grande.


E esta contém:
  • Tenda. Não é importante, mas em tempo de chuva e frio, pode dar jeito;
  • Esteira de campismo. Coloquei na foto, mas nunca vai nas minhas viagens!
  • Saco-cama. Um bem quentinho é fundamental!
  • Camisola e roupa interior. Normalmente só levo uma muda. Quando tenho que mudar, lavo e vai a secar na mochila.
  • Toalha. Não é fundamental, mas serve como toalha de praia, de toalha de banho, de toalha de mesa, de saia, de cachecol, de chapéu/gorro viking e aconchegar um bébé, etc.



Esta seria a minha mochila!

Normalmente pesa até 10kg. Ficaria a faltar muita coisa... roupa, calçado e comida... Ficaria a faltar provavelmente objetos de valor sentimental e material... mas que não são importantes nestas situações...

Provavelmente esperaria que poderia contar com ajuda de outras pessoas... voluntárias e anónimas... que me dariam a mão... e eu em jeito de gratidão aceitaria sem hesitar...

Gostaria de enaltecer a organização deste desafio #esefosseeu, à Plataforma de Apoio aos Refugiados. Que pelo que vejo nos OCS e acompanho na internet têm feito um trabalho imenso/enorme, mesmo contra a hipocrisia que se ouve nas nossas praças e ruas. Têm sempre feito um papel de educação/sensibilização da nossa Comunidade. Um bem haja a todos vós. Força nisso! Sustentem sempre o Sustentável. À Associação dos Escoteiros de Portugal #esefosseuaep, por se ter associado a este projeto, muito bem. Sempre prontos! A nossa missão também é esta mesmo... Canhota!


terça-feira, março 15, 2016

"Escotismo para Rapazes", de Robert Baden-Powell


Escotismo para Rapazes
Scouting for Boys
Robert Baden-Powel [*]

Tradução: Rosário Morais da Silva
2.ª edição: Janeiro 2012
Editora: Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP)

Escotismo para Rapazes é um livro de fácil leitura que cativa o leitor a imaginar-se um zulu, um guerreiro, um sobrevivente, um batedor, um patrulheiro, um verdadeiro Escoteiro em vários ambientes reais, de cidade, de campo, de floresta. Durante a sua leitura:
- Sonhei que estava na Serra da Arrábida a seguir rasto de uma galinha d'água perdida...
- Sonhei que estava perdido em Lisboa, com mil pessoas apontar-me o dedo e a dizer "IH! Está perdido em Lisboa! Não se orienta no trânsito..."
- Recordei as aventuras no Algarve, com os manos e amigos, as partidas e a proteção que sempre existiu entre nós e entre todos...
- Recordei as vivências vividas no el camiño... turigrinos fabulosos que me fizeram crescer por tudo o que me contaram e que passei com eles...
- Recordei os tempos que estive a seguir o meu caminho nos Açores... a beber água em ribeiros, a analisar as condições meteorológicas e a observar as "Cagarras" com o seus voos rasantes... e o coração a bater forte de medo, de cansaço, de paixão por tudo o que contemplava...
- Sonhei, recordei, sonhei, recordei...
Este é um livro delicioso, apaixonante e muito geográfico, portanto...
Mesmo que não sejas Escoteiro, durante a sua leitura, perceberás o que estou a escrever. E nunca se sabe, se após a sua leitura, te tornarás num...


Podes ouvi-lo aqui.


Transcrevo parte da introdução da edição portuguesa, realizada por Nélson Raimundo:
"O Escotismo é hoje um movimento global e plural, que junta mais de 28 milhões de jovens e adultos, rapazes e raparigas, homens e mulheres, de todos os pontos do globo, sem descriminação religiosa, de género, socioculturais ou étnicas. O objetivo do Movimento Escotista é, desde a sua fundação, o de ajudar a construir um mundo melhor e para todos. Para isso o Escotismo aposta nos jovens e na sua formação, fazendo de cada Escoteiro uma força capaz de contribuir para transformar a sociedade e o mundo."

E finalizo com BP:
"...Pus neste livro tudo aquilo que precisam para serem bons Escoteiros. Por isso, vão em frente, leiam o livro, ponham em prática o que ele vos ensina e espero que se divirtam tanto ou mais do que eu enquanto Escoteiros.
" Baden-Powell of Gilwell

Boas leituras geográficas.

[*] Robert Stephenson Smyth Baden-Powell (Londres22 de Fevereiro de 1857 — Nyeri8 de Janeiro de 1941) foi um tenente-general do Exército Britânico, fundador do Escotismo.


Envie a sua sugestão de leitura para
georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

segunda-feira, março 14, 2016

FOTO DO MÊS: "Clipes Urbanos"


Foto de Rogério Madeira. Palmela, 21.02.2016.