sexta-feira, outubro 31, 2008

Em passeio por Braga a acumular "vistas" boas

Vidal, algures na avenida, Braga, Outubro 08

O pardal, em demanda de final de tarde pela Avenida da Liberdade, encontra (o que procurava) uma pequena necrópole, e um manifesto que já conhecia, mas com acrescentos de não duvidosa cepa. Da primeira imagem, já se sabia (ou não?), os romanos enterravam os seus mortos (entre outros) fora dos limites da cidade e, neste particular (era mais que sabido), nas imediações da (hoje em dia) arcádia e por aí fora (na avenida da liberdade e afins). No segundo caso, a mais pura das verdades, é que sempre recusei a imagem. Todavia, a situação espraiou-se e cresceu. Sem mais comentários. 

Vidal:  o manifesto, Braga, Outubro 08

É preciso ver...ver...

quinta-feira, outubro 30, 2008

O "Drugstore"

Continua a errância, em postas, pelo Livro do Mês: "A Sociedade de Consumo", de Jean Baudrillard. Este, sobre o "drugstore" observa que: 

A síntese da profusão e do cálculo é o “drugstore” (ou os novos centros comerciais), que realiza a síntese das actividades consumidoras, entre as quais a menor não é o “shopping”, o “flirt” com os objectos, a errância lúdica e as possibilidades combinatórias. A este título, o “drugstore” é mais especifico do consumo moderno que os grandes estabelecimentos (…) o “drugstore” possui outro sentido diferente; não justapõe categorias de mercadorias, pratica a “amálgama dos signos”, de todas as categorias de bens considerados como campos parciais de uma totalidade consumidora de signos. O centro cultural torna-se nele parte integrante do centro comercial. 

Não vamos pensar que a cultura se “prostitui” no seu interior; seria demasiado simples. “Culturaliza-se”. Ao mesmo tempo, a mercadoria (vestuário, especiarias, restaurantes, etc.) culturaliza-se igualmente, porque surge transformada em substancia lúdica e distintiva, em acessório de luxo, em elemento no meio de outros elementos da panóplia geral dos bens de consumo (…) pode fazer “shopping” agradável no mesmo local climatizado, comprar de um só vez as provisões alimentares, os objectos destinados ao apartamento e à casa de campo, os vestidos, as flores, o último romance ou a última quinquilharia, enquanto maridos e filhos vêem um filme ou almoçam todos ali mesmo, etc.” café, cinema, livraria, auditório, bagatelas, vestidos e muitas outras ainda nos centros comerciais: o “drugstore” consegue compendiar tudo de maneira caleidoscópica. 

Se o grande estabelecimento fornece o espectáculo feirante da mercadoria, o “drugstore” propõe, da sua parte, o recital subtil do consumo, cuja “arte” consiste toda precisamente em servir-se da ambiguidade do signo nos objectos e de sublimar o seu estatuto de utilidade e de mercadoria pelo artifício de “ambiência”: neocultura generalizada, em que cessa a diferença entre a especiaria fina e uma galeria de pintura, entre o “Play-Boy” e um “Tratado de Paleontologia”. O “drugstore” modernizar-se-á ao ponto de oferecer “matéria cinzenta”(…). No entanto, não se procura adular a clientela. Propõe-se-lhe, de facto, “alguma coisa”: No segundo andar funciona um laboratório de línguas, entre os discos e os livros encontram-se as grandes correntes que despertam a nossa sociedade. Música de vanguarda, volumes que explicam a época. É a “matéria cinzenta” que acompanha os produtos(…). O “drugstore” é capaz de transformar-se numa cidade inteira (…).

adenda: já adivinharam o ano ou a década em que esta obra foi escrita???

terça-feira, outubro 28, 2008

Das fronteiras (I)

Mapas - representações humanas, à escala, de determinado fenómeno espacial, estático ou dinâmico, presente ou passado.

Esta é a definição que aqui boto de um jorro, sem consultar o dicionário. Um Dicionário de Geografia poderia meter-nos em sarilhos (é sabido que quando vamos ter com os especialistas eles vêm sempre com as excepções e definições complicadas...).

Todo o mapa tem fronteiras. E isto é simples de concluir se pensarmos numa folha em branco: não há diferença entre um lado e outro ponto qualquer da folha. Assim seria um suposto mapa sem fronteiras. Mas isso não seria nunca um mapa. Porque não representava nada. Nem tinha escala, nem orientação, nem legenda... os quatro elementos fundamentais num mapa.


Imagem retirada de Centro de Midia Independente

Todo o mapa tem fronteiras.
E todas as fronteiras (vamos já precisar o sentido deste termo) são construções humanas. Limites políticos e administrativos

(como o muro da vergonha israelita... e se é israelita, não será também palestino? O seu a seu dono? Pois, mas um muro tem dois lados e afecta ambos os povos. Imposto por um deles, foi para ter esse efeito que foi erguido, certo? Ou errado?)

podem resultar de factores históricos, sim. Ao ponto de não nos perguntarmos porque é que nas fronteiras das Coreias, militares se confrontam em absurdas demonstrações de força em uniforme... sem atravessar a linha, o tal paralelo 38.

Fronteiras podem também ser determinadas por limites físicos, como acontece quando se mete água pelo meio (em forma de rios, mares ou oceanos) ou outros factores geográficos (cumeadas, talvegues...). Estes últimos casos ajudam-nos a estabelecer uma diferença (uma fronteira...) entre os termos "fronteira" e "limites".

Porque é que este país acaba aqui? Porque é que soe dizer-se que mal se entra em Espanha nota-se logo a diferença do piso da estrada? Isso resulta da gestão do território, da organização, da administração e do poder executivo do país vizinho.

Não espero levar este assunto a qualquer porto, mas permite-nos compreender e relacionar as diferenças de paisagem que pelo mundo podemos encontrar. Diferenças que, não estando aquela fronteira ali, porventura não se notavam, e o que veríamos seria apenas fruto do caos da Natureza. Lembremo-nos daquela imagem de "Uma Verdade Inconveniente", que nos mostra uma fronteira entre dois países africanos em que até as próprias árvores são diferentes...


(Voltaremos a este assunto)

segunda-feira, outubro 27, 2008

Viagem

Cesar - Ilha do Pico (Açores), Agosto 2008

domingo, outubro 26, 2008

"Robin dos Bancos"

Por LEM, 2006.

sábado, outubro 25, 2008

Mercado de Acções

Durante o Outono e, os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo Chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um Chefe índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo, no entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.

Mas como também era um lider prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou:
"O próximo Inverno vai ser frio?"
"Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio", respondeu o meteorologista de serviço.

O Chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico:
"Vai ser um Inverno muito frio?"
"Sim", responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".

Mais uma vez o Chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas. Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional:
"Vocês têm a certeza que este Inverno vai ser mesmo muito frio?"
"Absolutamente", respondeu o homem, "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."

"Como podem ter tanto a certeza?" perguntou o Chefe.
O meteorologista respondeu: "Os Indios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."

É assim que funciona o mercado de acções.

Difundida via e-mail

sexta-feira, outubro 24, 2008

Geógrafo e Engenheiro: Descubre as diferenças no IEFP

Já tinha dado conta que o site oficial do IEFP NETEMPREGO, de pouco ou nada serve. E estamos a falar de um site GOVERNAMENTAL. Mais um no meio de tantos. Com muita informação, mas que não funciona como deve ser:

Pesquisa por "Engenheiro"...

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Pesquisa por "Geógrafo"...

Clica para aumentar


Se já é difícil, assim mais difícil se torna...

quinta-feira, outubro 23, 2008

Tavira, patrimónios do mar

Clica para aumentar

II International Meeting in Cultural Geography

Clica para entrar

"O Departamento de Geografia da Universidade do Minho organiza o "II International Meeting in Cultural Geography" que tem como tema as Geografias Pós-Coloniais que terá lugar no dia 11 de Novembro na Universidade do Minho.

Para o efeito foi criado um Blog (cult-g.blogspot.com) com toda a informação necessária.

A II Conferência Internacional de Geografia Cultural tem como tema central as Geografias Pós-coloniais. Contando com um conjunto de investigadores nacionais e estrangeiros que desenvolvem estudos nesta área, o evento surge da necessidade de discutir as geografias emergentes num presente pós-colonial. Entendido o pós-colonialismo como uma formação político-intelectual crítica preocupada com o impacto do colonialismo e sua contestação nas culturas dos povos colonizados e colonizadores do passado, aquilo que tentará discutir-se são os modos de reprodução, e transformação das relações coloniais, representações e práticas no presente."


Difundido via e-mail

quarta-feira, outubro 22, 2008

As Cidades como um Lugar de Conhecimento

Clica para ver brochuraConferência Internacional sobre o conhecimento nas pequenas e médias cidades: "As cidades como um lugar de conhecimento e difusão"
Data: 4 e 5 de Dezembro de 2008
Local: Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, Auditório Vermelho da Faculdade de Economia, Edifício 9.

"A Conferência abordará a contribuição das cidades para o desenvolvimento rural enquanto locais de criação e de disseminação de conhecimento, de modo a evitar o declínio das zonas rurais e de promover um desenvolvimento sustentável e geograficamente equilibrado nas zonas rurais.

Uma questão importante é saber de que modo aproveitar o potencial das cidades e zonas rurais e como aumentar a sua competitividade. Entre outros, são temas importantes os desafios criados pela difusão da aprendizagem e conhecimento nas zonas rurais e urbanas."

Consultar programa e deadlines aqui.


Ficha de inscrição aqui.

+ info: cieo.ualg.pt


CIEO - Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações
Universidade do Algarve
Faculdade de Economia
Campus de Gambelas
8005-139 Faro

E-mail geral: cieo@ualg.pt (Ricardo Costa)
Maria Teresa de Noronha Vaz: mtvaz@ualg.pt
Thomas Panagopoulos: tpanago@ualg.pt
Telefone: 289 800 900

segunda-feira, outubro 20, 2008

Democracia versus Capitalismo

Acabei de ver este anúncio na televisão.
(... Não, infelizmente não foi em nenhum dos canais portugueses...)

São só 30 segundos.
Clicar na imagem abaixo
(porque a incorporação do vídeo não é possível aqui no Georden).

Ver e compreender
A ter sempre presente
www.unodc.org

domingo, outubro 19, 2008

"CYBER-BUTEKIM" 17

Clica para aumentarPor Toni Stalker, 2005.

Este é último cartoon da série "CYBER-BUTEKIM", criados por Toni Stalker em 2005. Na próxima semana haverá mais novidades artísticas: o LEM regressará, com a sua série de cartoons "A minha vida dava um cartoon". Estejam atentos!

Se és autor de BD/Cartoon e se estás interessado em publicar a tua obra no Georden, entra em contacto connosco georden@gmail.com.

sábado, outubro 18, 2008

"A Sociedade de Consumo", de Jean Baudrillard

Clica para aumentar “A Sociedade de Consumo”
Jean Baudrillard
Edições 70, 1995
Tradução de Artur Mourão


Perdoem-me a qualidade da imagem, mas como a minha impressora está de baixa, tive que recorrer à ilustríssima Internet. De qualquer forma, o exemplar que possuo (também das edições 70) é de 1995 e tem uma capa verde, com uma imagem de duas senhoras dentro de um caixote (uma com ar desafiante outra nem por isso) prontas a ser colocadas, parece-me, dentro de um camião, e pouco mais se vê, exceptuando alguma publicidade.
O destaque que esta obra merece não pode, nem deve ser, encolhido e acompanhado por comentários à priori. Dessa forma, tenta-se salvá-la (a obra) de precipitações e induções em 2º ou 3º grau, enlameadas no famoso “resumo”. Será por isso dividida em várias postas até ao final do mês, com relevo, apenas, para o que foi escrito pela pena do grande pensador e sociólogo Jean Baudrillard. Logo no inicio “A liturgia formal do objecto”,o sr. Baudrillard diz ao que vem:

À nossa volta, existe hoje uma espécie de evidência fantástica do consumo e da abundância, criada pela multiplicação dos objectos, dos serviços, dos bens materiais, originando como que uma categoria de mutação fundamental na ecologia da espécie humana. Para falar com propriedade, os homens da opulência não se encontram rodeados, como sempre acontecera por outros homens, mas mais por objectos.

O conjunto das suas relações sociais já não é tanto o laço com os seus semelhantes quanto, no plano estatístico segundo uma curva ascendente, a recepção e a manipulação de bens e de mensagens, desde a organização doméstica muito complexa e com as suas dezenas de escravos técnicos, até ao “mobiliário urbano”e toda a maquinaria material das comunicações e das actividades profissionais, até ao espectáculo permanente da celebração do objecto na publicidade e as centenas de mensagens diárias emitidas pelos "mass média"; desde o formigueiro mais reduzido de quinquilharias vagamente obsessivas até aos psicodramas simbólicos alimentados pelos objectos nocturnos, que vêm invadir-nos nos próprios sonhos.
Os conceitos de “ambiente” e de “ambiência” só se divulgaram a partir do momento em que, no fundo, começámos a viver menos na proximidade dos outros homens, na sua presença e no seu discurso; e mais sob o olhar mudo de objectos obedientes e alucinantes que nos repetem sempre o mesmo discurso – isto é, o do nosso poder medusado, da nossa abundância virtual, da ausência mútua de uns aos outros. Como a criança-lobo se torna lobo à força de com eles viver, também nós, pouco a pouco, nos tornamos funcionais. Vivemos o tempo dos objectos(…).


Chega por hoje. Fica o repto da leitura e de muitas leituras mais. E já agora o prazer de pensar. E uma questão: imaginam em que ano o livro foi escrito (ou a década) já agora? A graçola está aí…

sexta-feira, outubro 17, 2008

As cidades que tornamos invisíveis*

Não pude resistir a partilhar convosco um texto incrível da obra de Italo Calvino "As Cidades Invisíveis". Foi uma óptima sugestão do Rogeriomad, publicada em Junho passado, que em muito boa hora acolhi.

Na verdade, este artigo mereceria a divisão em dois: um para notas e comentários mais ou menos interpretativos do texto em questão; o outro para a transcrição integral do mesmo. Ou seja, mais um estrato delicioso (podiam ser muitos outros...), como aqueles que faz dias que não trazemos ao
Georden.

Sendo o estrato que se segue muito mais eloquente que quaisquer notas que possamos adicionar-lhe, aqui o deixamos, sem mais delongas ou máculas. E optámos por pôr essas mesmas notas (os * do título deste artigo) na reciclagem. Bem! Mas mais palavras para quê? Intitula-se "As cidades contínuas. 1" e diz assim:



A cidade de Leónia refaz-se a si própria cada dia que passa: todas as manhãs a população acorda no meio de lençóis frescos, lava-se com sabonetes acabados de tirar da embalagem, veste roupas novinhas em folha, extrai do mais aperfeiçoado frigorífico frascos e latas ainda intactos, ouvindo as últimas canções no último modelo de aparelho de rádio.

Nos passeios, embrulhados em rígidos sacos de plástico, os restos de Leónia de ontem esperam o carro do lixo. Não só tubos de pasta dentífrica bem apertados, lâmpadas fundidas, jornais, contentores, restos de embalagens, mas também esquentadores, enciclopédias, pianos, serviços de porcelana: mais do que pelas coisas que dia a dia são fabricadas vendidas compradas, a opulência de Leónia mede-se pelas coisas que dia a dia se deitam fora para dar lugar às novas. De tal modo que há quem se interrogue se a verdadeira paixão de Leónia é realmente como dizem o gozar as coisas novas e diferentes, ou antes o rejeitar, o afastar de si, o limpar-se de uma constante impureza. A verdade é que os varredores são recebidos como anjos, e a sua tarefa de remover os restos da existência de ontem está rodeada de um respeito silencioso, como um ritual que inspira devoção, ou talvez porque uma vez deitadas fora já ninguém quer tornar a pensar nessas coisas.

Para onde levam todos os dias a sua carga os varredores, ninguém quer saber: para fora da cidade, claro; mas cada ano que passa a cidade vai-se expandindo, e os depósitos do lixo têm de ir parar mais longe; a imponência dos desperdícios aumenta e as pilhas erguem-se, estratificam-se, cobrem um perímetro cada vez mais vasto. Acrescente-se que quanto mais se aperfeiçoa a arte de Leónia no fabricar novos materiais, mais o lixo melhora a sua substância, resiste ao tempo, às intempéries, a fermentações e combustões. É uma fortaleza de resíduos indestrutíveis que rodeia Leónia, que a domina como um maciço de montanhas.
O resultado é este: que quanto mais Leónia deita fora, mais coisas acumula; as escamas do seu passado fundem-se numa couraça que não se pode tirar; renovando-se dia a dia a cidade conserva-se toda na única forma definitiva: a dos lixos de ontem que se amontoam nas lixeiras de anteontem e de todos os seus dias e anos e lustros.

O lixo de Leónia pouco a pouco invadiria o mundo, se sobre a interminável lixeira não estivessem a fazer pressão, para lá do seu extremo confim, as imundícies de outras cidades, que também mandam para longe de si montanhas e montanhas de lixo. Talvez o mundo inteiro, para além dos limites de Leónia, esteja coberto de crateras de lixo, tendo cada uma ao centro uma metrópole em erupção ininterrupta. Os confins entre as cidades estranhas e inimigas são bastiões infectos em que os detritos de ambas se escoram uns aos outros, se sobrepõem e se misturam.

Quanto mais cresce a sua altura, mais paira o perigo das derrocadas: basta que uma lata, um velho pneu, um garrafão desempalhado rebole para o lado de Leónia e uma avalancha de sapatos rotos, calendários de anos anteriores e flores secas submergirá a cidade no seu próprio passado que em vão tentava expulsar, misturado como o da cidade limítrofe, finalmente purificado, um cataclismo arrasará a sórdida cadeia montuosa, apagará todos os vestígios da metrópole sempre vestida de novo. Das cidades vizinhas já estão prontos com rolos compressores para alisarem o solo e alargarem-se para o novo território, para aumentarem e afastar de si as novas lixeiras.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Olha! Não me apetecia... mas tem de ser!

Quer, quer...O Alentejo quer Um Homem que Saiba Mandar / Deixei de Ser Ganhão
Single (provavelmente de 1975, na euforia revoluccionária que nem o próprio Paco Bandeira deixou de fora.)



Não, amigo. Isso foi apenas cegueira temporária. O que o Alentejo quer é árvores e que lhe recuperem o solo. (O solo que continua a perder a cada dia que passa...)

Terá sido culpa da Reforma Agrária?
Ou
Do completo abandono aos ricos?
Ou
Da maximização do lucro agrícola?
Ou
Foi tudo devido a razões históricas?
Ou...
Foi tudo culpa dos latifúndios?

Ou... ou...

Não sei. Não gosto muito de absolutos.

Aceitam-se contribuições, para nos in+formar sobre esta questão.

segunda-feira, outubro 13, 2008

A Bicicleta e a Cidade

Clica para aumentarVII CONGRESSO IBÉRICO “A BICICLETA E A CIDADE”
VII CONGRESO “LA BICICLETA Y LA CIUDAD”
1 e 2 / Novembro/Noviembre / 2008
VILAMOURA
– Escola E.B. 2,3 D. Dinis/Quarteira

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) organiza nos dias 1 e 2 de Novembro, em VILAMOURA/Algarve, o VII Congresso Ibérico “A Bicicleta e a Cidade”.
La Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta organiza días 1 y 2 de Noviembre, en VILAMOURA, o VII Congreso "LA BICICLETA Y LA CIUDAD".

O valor da inscrição (25,00€) inclui 3 refeições: um almoço ligeiro e jantar no Sábado e almoço no Domingo bem como acesso a todas as comunicações em papel, CD ou e-mail. As inscrições são gratuitas para sócios da FPCUB.
El valor de la inscripción (25,00€) incluí 3 comidas: un almuerzo ligero y cena en el Sábado y el almuerzo en el Domingo y también acceso a todas las comunicaciones en papel, CD o correo electrónico. La inscripción para miembros CONBICI es GRATUITA

Os temas do Congresso serão organizados em função das comunicações a apresentar e das sugestões. No Sábado terá lugar a sessão de abertura e depois serão organizadas reuniões de trabalho temáticas.
Los temas del Congreso será organizado en función de las comunicaciones y de las sugerencias. En el sábado sucederá la sesión de apertura y después las reuniones del trabajo temático.

SÁBADO (01/11/08)
09H00 - -Recepção/Recepción dos participantes
09H30 – Sessão/Sesión de abertura
10H30 – Cocktail/Cóctel
11H00 – Apresentação de comunicações/presentación del comunicaciones
13H00 – Almoço/Almuerzo
14H00 – Passeio de bicicleta/Passeo en bici
14H00 - Reinício dos trabalhos/Reinício de los trabajos
20H00 – Final dos trabalhos/ Final de los trabajos
20H30 – Jantar/Cena


DOMINGO (02/11/08)
09H30 – Reinício dos trabalhos/ Reinício de los trabajos
13H00 – Sessão de Encerramento/Sesión Final
14H00 – Almoço/Almuerzo


+ info
Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB)
Apartado 4031 1501-001 Lisboa - Portugal
Telefone: +351 21 315 96 48
Fax: +351 21 356 12 53
E-mail: fpcub@fpcub.pt
Web: fpcub.pt
Secretariado: Rua Bernardo Lima, 35, 2º B - 1150-075 Lisboa

Em Democracias assim notícias assim ainda são notícia

O título que demos a este artigo, saído a 9 de Outubro último, é para chamar à atenção do aturado caminho que temos a percorrer.
Já agora, recomendo a leitura dos comentários à mesma, que o corroboram e complementam.


Lisboa
Munícipes vão decidir destino de cinco milhões em projectos camarários


Em comunicado hoje enviado, a autarquia explicou que decorre a primeira fase do Orçamento Participativo da Câmara até 24 de Outubro, convidando os munícipes a apresentarem no seu site «propostas sobre quais devem ser as prioridades da autarquia em matéria de investimento».

«Cinco milhões de euros é o valor destinado aos projectos escolhidos pelos munícipes, que poderão ser aplicados nas áreas que considerem ser prioritárias» entre os vários pelouros de actuação da autarquia, desde a Educação à Habitação, passando pelo Desporto, Turismo, Segurança e Protecção Civil ou Espaços Verdes, entre várias áreas.

As propostas serão depois analisadas pelos serviços municipais, que seleccionarão quais as escolhidas para a segunda fase do processo, uma fase de votação que decorre entre 8 e 14 de Novembro.

«Nesta segunda fase, que terá um carácter deliberativo», serão votadas as propostas apresentadas, cabendo aos cidadãos «votar num máximo de três projectos, por ordem de prioridade».

«Os projectos mais votados serão integrados na proposta de plano de actividades e orçamento municipal até ao valor de cinco milhões de euros», que depois serão «formalmente aprovados pela Câmara e pela Assembleia Municipal».

No final, será elaborado «um relatório que indicará todos os contributos recebidos e o destino dos mesmos» e no caso das propostas «não serem contempladas em orçamento, será apresentada uma justificação», acrescenta a autarquia no comunicado.

Lusa / Sol

domingo, outubro 12, 2008

sábado, outubro 11, 2008

Qualificações - Novas Oportunidades

- Especialista de Fluxos de Distribuição (paquete)
- Supervisora Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde (mulher da limpeza)
- Coordenador de Fluxos de Entradas e Saídas (porteiro)
- Coordenador de Movimentações e Vigilância Nocturna (segurança)
- Distribuidor de Recursos Humanos (motorista de autocarro)
- Especialista em Logística de Combustíveis (empregado da bomba de gasolina)
- Assessor de Engenharia Civil (trolha)
- Consultor Especialista em Logística Alimentar (empregado de mesa)
- Técnico de Limpeza e Saneamento de Vias Públicas (varredor)
- Técnica Conselheira de Assuntos Gerais (cartomante/taróloga)
- Técnica Especialista em Terapia Masculina (prostituta)
- Técnica Especialista em Terapia Masculina Sénior (prostituta de luxo)
- Especialista em Logística de Produtos Químico-Farmacêuticos (traficante de droga)
- Técnico de Marketing Direccionado (vigarista)
- Coordenador de Fluxos de Artigos (receptor de artigos roubados)
- Técnico Superior de Distribuição de Artigos Pessoais (carteirista).
- Técnico de Redistribuição de Rendimentos (ladrão).
- Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados (político)


Autor desconhecido, difundido via e-mail.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Braga: centro comercial com 2000 anos e não fica por aí...

Vidal: à sucapa no estaleiro do Braga Parque-Feira Nova, Braga, Set. 08

O Braga Parque cresce. Alarga. Alastra. Um ano atrás, como foi aqui referido, também se arremeteu na direcção contrária à obra deste ano, a qual aliás ninguém sabe muito bem no que consiste (já agora se alguém souber de alguma coisa?). A dita obra, sussurra-se, é uma resposta ao Dolce Vita, a construir a Norte da cidade, enquanto se espera um Fórum Braga e abre um outro (que nem sei o nome) em Maximinos. 
Quanto a esta (obviamente licenciada) obra cumpre reflectir na sua “premência”, necessidade e já agora se a dita estaria “prevista” (já sei que a resposta é fácil) no plano inicial, PDM, ou plano de pormenor da zona. No caso, mais que possível, de não haver plano, resta-nos o assombro de baixar a bolinha perante as luminárias que nos encerram à chave dentro da cidade. “Não se consegue circular” diz-se. “Como?”- Pergunto. A propósito, o túnel da avenida (um ratito afinal parido pela montanha (ou) imposto pelos dinamizadores do antigo quarteirão dos correios, não?) já parou. Parece que se encontrou algo. Esperavam não encontrar nada? “É um muro”, “é um poço”, “é um convento”- diz-se por aí. Se calhar é o “super-homem”. A publicidade nunca foi tão "real". 

quinta-feira, outubro 09, 2008

"Corrupção e os Portugueses" de Luís de Sousa e João Triães

Clica para aumentarCorrupção e os Portugueses: Atitudes, Práticas e Valores
Luís de Sousa [1] e João Triães [2]
(org.)

Participação: António Pedro Dores, Carlos Jalali e José M. Magone
Prefácio: Maria José Morgado

Edição: Outubro/2008
Colecção: MAIS ACTUAL
Editora: RCP Edições

P.V.P.: Aprox. 16.50€
Páginas: 220



"O que pensam os cidadãos sobre a corrupção? Que avaliações fazem do combate à corrupção e do seu próprio desempenho nessa luta? Quais os factores que fazem aumentar ou diminuir as percep-ções de corrupção? Qual o impacto da educação nas percepções dos indivíduos sobre corrupção? Qual o grau de importância da cor-rupção em relação a outros temas?
Estas são algumas das questões tratadas por cinco investigadores universitários a partir das respostas dos portugueses no âmbito de um trabalho científico de longo fôlego, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, denominado de “Corrupção e Ética em Democracia: O Caso de Portugal”.
A análise de um dos mais importantes fenómenos da actualidade, ilustrada com exemplos e resultados de estudos nacionais e inter-nacionais, inclui ainda uma reflexão sobre o papel e os efeitos dos media no combate à corrupção.
Os portugueses condenam a corrupção enquanto suborno ou extor-são, mas toleram as suas manifestações mais cinzentas. Somos o país do ‘puxar os cordelinhos’?"

O seu lançamento será no dia 16 de Outubro de 2008 (Quinta-feira), pelas 15h30, no Auditório Afonso de Barros - Ala Autónoma do ISCTE (Av. das Forças Armadas, Lisboa).
Luís de Sousa e João Triães organizaram a Obra, em que também participam António Pedro Dores, Carlos Jalali e José M. Magone.
A Obra será apresentada por Maria José Morgado.

Clica para aumentar
[1] Luís de Sousa
Politólogo e Investigador do ISCTE. Doutorado em Ciências Sociais e Políticas pelo Instituto Universitário Europeu de Florença. Fundou a Ancorage-Net e criou o Observatório de Ética na Vida Pública. Foi orador convidado em várias universidades estrangeiras e tem várias publicações sobre corrupção, políticas de controlo à corrupção e financiamen-to político.

[2] João Triães
Licenciado em Sociologia e Pós-Graduado em Economia e Políticas Públicas pelo ISCTE. Foi investigador da Ancora-ge-Net e do Observatório de Ética na Vida Pública e de projectos sobre financiamento político e de controlo da cor-rupção realizados pelo CIES-ISCTE junto da Entidade das Contas e dos Financiamentos Políticos e do DCIAP.


Notas
Esta sugestão de leitura e convite foi-nos enviado por Rui Costa Pinto.
Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Coimbra – geografia humana: a festa? II

Vidal: Praça da república  (o possível entre carros) - Chamavam-se café Académico e Tropical, agora vazios . Maio 08

Última paragem: Estação de Coimbra A. Onde está o centro? Perto. Coimbra não tem um centro: tem uma baixa, uma baixinha e uma alta. Para além do(s) centro(s)… Mas onde? À entrada da estação o Mondego espreita-se à nossa direita e continua por ali à medida que descemos em direcção a uma paragem de Bus. Os TAXIS também se amam? Eu costumava apanhar o 46 que subia em direcção à Praça da República e depois ainda a subir rumo, creio, a Celas. Saia numa paragem perto do Liceu José falcão e encaixava mais uma subida para a Henriques Seco rumo à Real República dos Pyn-Guins.

Mas antes disso parava: tascos, tasquisses, montadas e cumprimentos amigos amontoavam-se nas redondezas. Tínhamos que “fazer” cuidado para chegar a casa ilesos e, de preferência, antes de terça ou quarta-feira (chegava-se ao domingo). Às vezes um lombinho matreiro cozinhado pela manhã moçambicana da mãe do sr. Zé “fire water” desencantava um vinho “frisante” e bingo: a morte do artista. Mas podia ser uma penumbra imaculada em paragem no Jardim da Sereia, já a descer, e o castigo, mais abaixo, sem casa por perto. Onde fica a casa? Ou então, não se encontra a casa , era sempre a estação de Kurst em Moscovo (já leram a "Lucidez de um Alcoólico Genial"?)… e depois acordar.

As manhãs eram aguarelas adormecidas na penumbra do sono. Mas normalmente já seriam tardes noites. A ribanceira despejava-nos na Praça da República. Por ali assomavam as “novidades” e os parceiros atropelavam-se nos cafés. A fauna era diversificada e alegre - estudantes e nativos nas mais variadas poses: punks de trazer por casa e outros verdadeiros e anacrónicos, rockabillies e psichobillies (em portuga: rocabili) góticos, freaks, inclassificáveis, vampiros, académicos, mascarados, normalecos, pimbas e atrasados mentais, disputavam num rebuliço crónico o “espaço vital”. Dá-se o caso que ficaram esquecidos, outra vez, os músicos, os poetas e os bandos organizados literários, todos de costas curvadinhas nos cafés à pinha. Acresce os comunas, os PSRs, os lenços palestinianos, os pós-modernos e os country boys. Ia agora dizer “um regabofe” mas ainda é cedo. Estava tudo sóbrio, ou quase, no quartier latin coimbrão, pelas 22horas.

Se fosse o início de primavera, poderia dar-se o caso de termos janta e celebração celta na rua da matemática (festa da primavera) com feijoada à borla na rua, “fabricada” nas repúblicas da área (e algum vinho a fazer de cidra). Poderia acontecer também, pese o acordo com a polícia e restantes habitantes, acabar-se, pois então, na carrocinha a caminho da esquadra, numa madrugada inesquecível.

Em noite de normalidades efémeras, a coisa desaguaria na Cave das Químicas, lugar de celebrações intermináveis, concertos, borlas de cerveja em final de Semana das Repúblicas; ou, na States, ou quem sabe, nas tascas da "Rua do Brasil", ou ainda (em 1992) no Abismo, ou talvez num jogo de bola às tantas decorrido febrilmente na Praça da Republica, ou ainda…

Continuará com: livros, cinema, teatro, livros, espreitadelas e a… Faculdade de Letras.



terça-feira, outubro 07, 2008

POORTUGAL: Experiências que faltam...

ARTADENTRO - Arte Contemporânea - Associação
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PoortugalPOORTUGAL
experiências não faltam


"Para quem trabalha na área cultural, o que ressalta do fenómeno Allgarvio, é a inequívoca certeza de haver dois países: um, que abrange a região de Lisboa e Porto, onde se concentram as instituições de referência — museus, fundações, galerias, escolas de arte, apoios estatais e, claro está, os artistas; outro, POORTUGAL, o restante país (de onde se emigra para a capital ou ao estrangeiro) e onde o interesse pela acção cultural/artística é negligenciada e/ou desencorajada, todo ele palco apenas da produção autorizada, se ou quando por benesse surge — e que, supostamente, se deve aplaudir com entusiasmo e, agradecendo de forma humilde, pedir por mais com ansiedade.

No Algarve agora, a cada ano, durante a época balnear, as associações culturais, para as quais o estado e as Câmaras Municipais se mostram, por tradição, pobres e indisponíveis, assistem da berma da rua à sumptuosidade posta à disposição da iniciativa do Ministério da Economia e Inovação, vincando a diferença entre um Allgarve de Verão, abastado, e esse outro, mais a bastardo, de Outono/Inverno, o POORTUGAL do costume.

Com efeito, ao reflectirmos sobre o Allgarve, salta ao olhar um denominador comum — a pobreza. É a económica pobreza do país que motiva a iniciativa; é a da falta de consideração pelo Algarve que lhe dá o nome; é a pobreza de espírito, que se propõe trazer a esta região um life-style de duvidosa qualidade; é a mirrada escassez de espírito democrático, que descrimina o associativismo local e promove a 'sovietização' cultural na região; e é, finalmente, uma miséria, o que resulta da falta de rigor com o que se gasta em projectos de alcance tão curto como as vistas e, além disso, sem qualquer fruto futuro. Mas é, também, a indigência do espectáculo das vaidades pessoais, mais ou menos carreiristas, dos bacocos protagonismos em gravata, das inclusões e exclusões, das apropriações e das inviabilizações.

De facto, a miséria da abordagem Allgarvia é tão notória, que aquilo que tem de melhor é o modo como realça o astigmatismo oficial sobre as questões culturais. Para quem por isso se interessa verdadeiramente não deixa de ser um momento apoteótico do apocalipse poortuguês; aí, no Allgarve, através da desconsideração implícita, se desvela a efectiva pobreza do tecido cultural local — escondida pela demagogia política, estatal e autárquica —, ao ignorar as instituições existentes ou relegá-las a um papel de, quanto muito, meros amparos laterais (naquele que é o maior atestado de incapacidade, de que há memória, lavrado aos agentes culturais do Algarve); aí, também, se manifesta a miséria do 'conceito oficial' que o gerou, ao referir-se a cultura como factor de crescimento, como convém à cartilha economicista, porém, misturando eventos artísticos num programa de entretenimento/promoção turística — e a turistas exclusivamente destinado! —, visando o interesse dos melhor localizados, em vez de a todos acrescentar em humanidade; aí se revela, para mais, outro mau exemplo dado à política localcom a chancela da autoridade governamental e o selo da nobre casa de Serralves —, ao conferir força de referência à recente intuição institucionalizada de que cultura é coisa clean, de bouffet, preferencialmente de curto prazo, pop mix pronto a servir, em 'clima festivo' ou 'convidativo'; aí se confirma, enfim, a existência de uma paupérrima cultura de regime, em que estado e autarquias (detentores únicos dos meios públicos, financeiros e logísticos) têm também a exclusividade de decisão, segundo critérios nada claros e/ou em permanente mutação, sobre quem/o quê deve ser apoiado, impossibilitando, regra geral, quaisquer actividades livres do estigma da subserviência.

A costumeira agitação estival, ora enriquecida pelo glamouroso Allgarve — com suas vernissages e os inevitáveis magustos de haute cuisine, agora avant-gardemente miscigenada com a gastronomia tradicional, mais as vínicas degustações, o sport, as stars, as sasha sessions, o dinâmico kitsch-chique de governantes e políticos agitados dentro de leves fatos, atraídos pelo 'espírito cosmopolita' —, quase nos distraía de uma ausência altissonante, a do Ministério da Cultura. Os indulgentes pensarão talvez ser um modo, modesto e discreto, de reconhecer que nunca se tratou, afinal e de facto, de cultura… ou que, simplesmente, é mais poor do que se quer fazer passar.

Embora compreendendo o melindre da situação (pois não é simpático cortar a onda ao empreendedor Manuel de Pinho), o caso é que, quando se constata que Allgarve tem meios financeiros, públicos, muito superiores aos anualmente dedicados à cultura do Algarve — superiores aos destinados a "Faro, Capital Nacional da Cultura 2005", negativamente apreciada pela Lisboa que a sabotou — e que, já em 2008, a arte contemporânea — um dos componentes do programa Allgarvio —, não merece um único tostão (!) de apoio, para toda (all) a região, o que se sente é a falta de real interesse do Ministério da Cultura por todos (all) os que quotidianamente operam no terreno. A própria Universidade do Algarve, que forma agora os primeiros alunos em Artes Visuais, encontra-se na iminência de, por falta de condições para potenciar os talentos aí formados, ver todos (all) os seus licenciados compelidos à secular migração, contribuindo assim, involuntariamente e em evidente contra-natura, para a perpetuação do empobrecimento cultural e económico. Será que à gente da região não é outorgada vocação para a criação artística e cultural?

Mas também não se pode ignorar a postura da C. M. de Faro. Em indigência financeira crónica, este município mostrou, pela segunda vez (enquanto negligencia o dever de apoiar os seus agentes culturais), uma sua outra pobre faceta — a do mendicante provincianismo perante a iniciativa do Ministério das Inovações. De facto, a falta de sensibilidade cultural mais a ânsia de a mascarar, a urgência de mostrar trabalho, não havendo vontade de o fazer de forma séria e informada, e a aparente ocasião de protagonismo, fácil e grátis — mais à boleia do prestígio que a Fundação do Porto traz —, levaram o actual executivo camarário a aderir sem piscar olho. Em boa hora, dir-se-ia… E, de facto, negociou, disponibilizou espaços e meios que não cede aos agentes culturais do concelho; comprometeu pessoal autárquico e fundos que diz não poder atribuir às instituições locais; enviou convites para a inauguração e, porém, de súbdito indignada, demarcou-se do evento, numa demonstração cabal da penúria política da actual gestão, afinal, paradigmática representante do Poortugal em que vivemos e da 'cultura' que nos servem (*)."

Vasco Vidigal
& Artadentro, Associação
Difundido via e-mail.

(*) Este pequeno manifesto pontual não quer ser exaustivo na apreciação do Allgarve, uma vez que, destinando-se a lançar o debate sobre a matriz do evento — cuja terceira edição já foi prometida —, deverá ser complementado pela contribuição dos que se interessam pela vida da cultura, local, nacional e internacional. Também não pretende apreciar a allgarviada do ponto de vista da sua eficácia, enquanto motivo de atração turística ou de melhoria económica da região — área em que sérias dúvidas subsistem, pese embora as triunfantes declarações de Pinho. Mas também não pode ser interpretado como um mero exercício de mal-dizer, vazio de vias alternativas, até porque, pelo que fica dito, fácil é de perceber que basta algum senso crítico para evitar e inverter as actuais práticas, e encontrar uma justa fórmula que torne esta, ou qualquer outra iniciativa, verdadeiramente proveitosa para todo o Algarve, para o país e até para quem a promove — fazendo jus ao sentido que levou a acrescentar o simbólico "l" e concorrendo para apagar o extra "o" do nosso, infelizmente mais extenso e bem mais realista, Poortugal. De facto, de experiências que marcam está já ele cheio.



Por LEMEm Março de 2007, com o título "ALLgarve CameLION", escrevi um artigo no Georden sobre o projecto ALLgarve, do qual transcrevo parte aqui:

"(...) Se cada uma destas marcas investisse 3 milhões de euros para promover eventos culturais, ao logo de todo o ano, na região, seria óptimo. Quando há “cultura” no Algarve é sempre sazonal. Os apoios estatais na “cultura algarvia” surgem apenas no Verão, para inglês ver.
Vejo muito dinheiro investido em grandes eventos (muitos que pouco interessam ou passam ao lado dos algarvios), mas não vejo nada quando se trata em apoiar pequenos grupos/associações culturais da região. São eles que mostram o que é o Algarve e a cultura algarvia.

Devíamos fazer o seguinte inquérito à população algarvia:
- Sabe o que foi o Algarve Summer?
- Presenciou algum evento sob o desígnio Algarve Summer?
- Vai assistir a algum evento programado no Allgarve – Experiências que marcam?
As respostas seriam óbvias, pois o público-alvo destes investimentos foi/é, essencialmente, estrangeiro.

Mas compreendo que devemos pensar em termos económicos/políticos:
“Organizar eventos para encher hotéis. Hotéis cheios, geram dinheiro. Se há dinheiro, há emprego. Se há emprego, não há desemprego. O governo pode ficar descansado.”


Naquela altura, apesar de aceitar o termo "ALLgarve" e que até seria bom para a região a vinda daqueles fundos governamentais, cheguei a uma conclusão que muitos algarvios chegam...

O ALLgarve não é para os algarvios!

Mas algures noutro artigo, perguntei: "há algarvios no Algarve?
"

Estou com os azuis

(Crónica do quotidiano)

She calls across the sea
Through autumn rains
She screams
She howls in ecstasy

She calls
She calls through wind and rain

"She Calls", Slowdive



As manhãs luminosas lembram-me o perfume que se pressentia quando chegava à escola. Subíamos a Rua da Devesa e o cimento dos prédios rosa dava - sinto-o agora - a cor que não estava lá. Desmaiada por entre os crescentes ruídos do tráfego de uma via lateral e que para nós, enquanto peões, pouco existia.

Sentir esse cheiro da manhã brilhante é lembrar a flor de laranjeira que secou.

Hoje, passo por outras ruas, que se tornaram sempre as mesmas. Num espaço fechado e anti-comercial um papel à entrada sugere-nos que circulemos. E no absurdo de fugir ao estarmos parados, caímos na subversão dos que por contemplarem ordens não as cumprem. Acaso seremos marginais?

Vejo os espaços ocupados, tenho de fazer desvios, porque o caminho está barrado, porque é privado, ou porque tem carros. Ou porque vivemos em becos que se multiplicam. Se for preciso piso a relva. Não teria sido o único. Nesse canteiro-oásis de caniches não se cultivará nunca o espelho das nossas aspirações.

(Quando as cidades perderem de vez o carácter lúdico, cívico e habitacional, mandará a ASAE encerrá-las por nelas não dispormos de silêncio, ar puro e espaços verdes?)

Passo por entre crianças que não têm espaço para brincar.
E detenho-me a pensar onde se namora nos dias e nos lugares que correm.

Escondidos numas escadas do Campo Novo, sentados num muro de mármore dos Granjinhos, a meio do estreito e alvo corredor do Braga Parque, numa esplanada de café. Ou então, num banco de uma qualquer praça de empedrado junto à igreja, capela ou museu, sobre húmidos frios graníticos de outonos que despontam.

Reconheço os tempos de recolhimento e sei que algumas memórias hibernam. Porque, às vezes, quando paramos, sentimo-nos a retroceder.
E em entardeceres azuis sinto o cheiro de manhãs que não voltam.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Centro de Música Tradicional Sons da Terra

Ver maiorFoto: Eduardo F., 03.07.07

O Centro de Música Tradicional Sons da Terra está sediado em Sendim, uma das terras quentes do planalto mirandês, "capital das arribas do Douro".
É um centro cultural que se dedica à recolha, recuperação e revivificação do património etnográfico (sobretudo musical) das terras e das gentes.
As recolhas são efectuadas maioritariamente na região transmontana de aquém e além fronteira política. Porque esse risco invisível não faz qualquer sentido - a cultura está nas pessoas, testemunhos vivos e repositórios da herança que a terra ajuda a lavrar.

Ver maiorFoto: Eduardo F., 03.07.07

A casa está de portas abertas a quem se interessar pela investigação etnomusicológica, dispondo de uma sala de estudo, de um rico espólio de documentos escritos, sonoros, fotográficos, espécimes de instrumentos musicais, bem como outras fontes de informação.

O Centro Sons da Terra, e o seu director-mentor, Mário Correia, é também responsável pela edição de discos e livros, bem como pela realização de eventos, entre os quais o já incontornável Festival Intercéltico de Sendim (FIS), ao qual, no primeiro fim-de-semana de Agosto de cada ano, têm rumado gente de várias proveniências e nacionalidades.

Marquem já na vossa agenda e não faltem à 10º edição do FIS, que promete ser (uma vez mais) uma grande festa.

Este centro é motivo de auto-estima e valorização da região onde se insere. E o Georden está cá para o apoiar e divulgar, em prol dos valores da sustentabilidade e do respeito para com a história, a cultura e o meio.

domingo, outubro 05, 2008

"O regresso às aulas"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.

No Dia Mundial do Professor interrompemos a publicação semanal da série de cartoon "CYBER-BUTEKIM" para publicar um cartoon de LEM, da série "A minha vida dava um cartoon" (próxima série a ser publicada no Georden), que retrata o regresso às aulas dos nossos professores. Na próxima semana o "CYBER-BUTEKIM" estará de regresso.

sábado, outubro 04, 2008

Ser jurista em Portugal...

Um professor, da Faculdade de Direito de Lisboa, perguntou a um dos seus alunos:
- Laurentino, se você quiser dar uma laranja a uma pessoa chamada Sebastião, o que deverá dizer?

O estudante respondeu:
- Aqui está, Sebastião, uma laranja para si.

O professor gritou, furioso:
- Não! Não! Pense como um Profissional de Direito!

O estudante pensou um pouco e então respondeu:
- Está bem, eu refaço o que diria:

"Eu, Laurentino Marcos Rosa Sentado, Advogado, por meio desta dou e concedo a você, Sebastião Lingrinhas, BI6543254, NIF50829092, morador na Rua do Alecrim, 32, A, do concelho de Vila Nova de Gaia, casado, com dois filhos e um enteado, e somente a você, a propriedade plena e exclusiva,inclusive benefícios futuros, direitos, reivindicações e outros títulos,obrigações e vantagens no que concerne à fruta denominada laranja, juntamente com sua casca, sumo, polpa e sementes transferindo-lhe todos os direitos e vantagens necessários para espremer, morder, cortar, congelar, triturar ou descascar com a utilização de quaisquer objectos ou de outra forma comer, tomar ou ingerir a referida laranja, ou cedê-la com ou sem casca, sumo, polpa ou sementes, e qualquer decisão contrária, passada ou futura, em qualquer petição, ou petições, ou em instrumentos de qualquer outra natureza ou tipo, fiscal ou comercial, fica assim sem nenhum efeito no mundo cítrico e jurídico, valendo este acto entre as partes, seus herdeiros e sucessores, com carácter irrevogável, declarando Sebastião Lingrinhas que o aceita em todos os seus termos e condições conhecendo perfeitamente o sabor da laranja, não se aplicando, neste caso, o disposto no Código do Consumidor, cláusula 28, alínea b, com a modificação dada pelo DL 342/08 de 1979".

E o professor então comenta:
- Melhorou bastante, mas não seja tão sucinto.

Autor desconhecido, difundida via e-mail.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Fórum Fantástico 2008

Clica para aumentarOlá a todos.


Deixo-vos aqui uma sugestão para uma escapadinha a Lisboa:

Fórum Fantástico 2008
Auditório da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa
2 a 5 de Outubro em Lisboa.

Com a presença de autores do colectivo Dr. Makete que colaboram, regularmente, no Georden, na rubrica BD/Cartoon, este evento será uma mostra do melhor que se vai fazendo em Portugal na área do Fantástico.

+info

Palestra e Curso Intensivo de Geobiologia

Clica para entraresA Universidade do Minho, o DEC e DAA, e a Habitarmonia organizarão uma Palestra de entrada livre e um Curso Intensivo de Geobiologia (20horas) que será orientado pelo Geobiólogo Allan Lopes Pires do Instituto Brasileiro de Geobiologia.

Consultar programa [.pdf].

"A Geobiologia, ou Biologia da Construção, é uma ciência que nos ensina a criar lares e locais de trabalho saudáveis, através da escolha correcta da localização das edificações, escolha de materiais e práticas saudáveis de construção, aplicação de formas e proporções harmónicas e hábitos benéficos para manter um dia a dia harmonioso dentro de nosso habitat. Além disso estuda ainda as influências electromagnéticas terrestres no habitat.
A Geobiologia, em outros países europeus, faz parte das disciplinas leccionadas na Licenciatura ou Mestrado em Arquitectura e tem vindo a ser cada vez mais procurada pelos arquitectos e pela população em geral."


+ info

quarta-feira, outubro 01, 2008

Manifesto Animal

Clica para aumentar

NÃO FALTE às Manifestações Nacionais em Lisboa pelos Direitos dos Animais:

Nesta 5.ª Feira (2 de Outubro), PARTICIPE na Manifestação Nacional Contra as Touradas – A partir das 19h30m, em frente à Praça de Touros do Campo Pequeno

No próximo Sábado (4 de Outubro – Dia Mundial do Animal), NÃO FALTE à Marcha Nacional Por Um Código de Protecção dos Animais – Concentração Inicial às 15h, em frente ao Campo Pequeno

Para download e consulta
"Manifesto Animal: Proposta Orientadora para um Código de Protecção dos Animais", Associação Animal, 2007. [894kb, 110 páginas]