domingo, agosto 30, 2009

Mapas da Desgraça (III) - Loures

Local:
Bobadela
LOURES

Ocorrência: Aterro com 35 mil metros quadrados na margem esquerda do rio Trancão.
Suspeito / Acusado : Transai - Investimento Imobiliário, Lda.




Outras informações : ligeiramente mais abaixo, outra enorme área, que o mapa registou com muitos automóveis estacionados, onde se comete o mesmo erro: impermeabilizar espaço vital que devia ser do rio. (Queira arrastar ligeiramente o mesmo para Noroeste.)
Relembre-se que em Fevereiro deste ano, houve cheias naquelas zonas.



Ponto da situação:

- A obra não estava licenciada.
- A verdade é que apesar de embargada a obra, o aterro está concluído e ali continua. Que fazer agora? (Ah! a tal irreversibilidade dos danos...)
- Para além de depositar terra no local, a empresa terá revestido de tout-venant (uma mistura de gravilha e pó de pedra) cerca de 14 mil metros quadrados do terreno em causa.
- Por consequência, houve a alteração da topografia do terreno.


Notícia do JN de 11 de Agosto de 2009. Ler aqui.


Crime: Destruição e impermeabilização de solos em terreno que, se não está, devia estar classificado como Rede Ecológica Nacional, uma vez que se trata de uma área de infiltração. O resultado é o incremento do risco de cheias e inundações, bem como da velocidade da corrente. Qualquer criança percebe isso.

Quando houver mortes nas próximas inundações, alguém no tribunal aceitará este aterro como prova para responsabilizar pessoas? A prova faz o culpado.
E os cúmplices que permitem uma coisa destas não terão também de ir parar ao banco dos réus?

quarta-feira, agosto 26, 2009

"Psicologia Social - Ambiente e Espaço", de Carlos Barracho

Título: Psicologia Social - Ambiente e Espaço
Autor: Carlos Barracho
Edição: Lisboa, 2001
Editora: Instituto Piaget
ISBN: 972-771-419-6
Paginação: 98 páginas



Este pequeno livrinho funciona como uma breve introdução à temática da psicologia do espaço. É de alguns "conceitos, abordagens e aplicações" (como no-lo diz o subtítulo) que Carlos Barracho nos fala, citando vários estudos e autores.

Dividido em duas partes, as suas páginas são usadas sobretudo para falar de teorias sobre a relação do Homem com o Meio (1ª parte) e sobre a relação entre paisagem, espaço e turismo (2ª parte). Eis algumas, curtas e soltas, passagens que achámos interessantes:


"De notar ainda que a apropriação do espaço exige primeiramente uma identificação desse mesmo espaço, a saber, o reconhecimento entre o 'aqui' e o 'acolá'. (...) Se o local não possui identidade, essa será a primeira tarefa a fazer, dar-lhe identidade"
(2.1.3 - A Abordagem Psicossociológica, p.32)



"
A distância íntima, corresponde na fase próxima ao contacto directo entre os corpos (...). A distância pessoal corresponde a uma 'esfera fenomenológica' que nos separa dos outros e vai dos 80 cm ao metro e meio. A distância social é uma distância convencional, diferente de cultura para cultura (...). A distância pública (...) é uma fase que corresponde a cerimónias protocolares e em que é necessário muitas vezes elevarmos a voz para que a comunicação seja perceptível"
(2.2.2. - A Comunicação Homem-Meio, p.43)



"A apropriação, para Sansot, mais afectiva que activa, é um acesso aos diversos processos de identificação (...). Proshansky refere ser a apropriação um acto de domínio do espaço físico ou psicológico sobre um dado local. (...)
A apropriação consiste, então, em sistemas comportamentais ao nível das espécies gregárias, assegurando a coesão e a estabilidade dos grupos através da divisão entre indivíduos ou grupos (...)"
(2.2.3 - Apropriação e Territorialidade, p.48)



"Estes graus de apropriação dependem da criação de barreiras ou muros, que modificam a percepção e originam um 'interior' e um 'exterior', um 'dentro' e um 'fora', um 'aqui' e um 'acolá', separando definitivamente o 'eu' dos 'outros'. Importante é salientar a definição das paisagens como uma quantificação espacial da continuidade da trajectória do ser humano e da sua hierarquização em função de critérios que são estéticos (...) O indivíduo forma determinada imagem não só dele próprio, como também dos seus limites perceptivos, que irão recortar o espaço contínuo em camadas descontínuas."
(2.2.4 - A Escola de Abraham André Moles ou Escola da Comunicação e Espaço, p.56)



"Ulrich (1979) refere a descoberta de ansiedade e tristeza após a apresentação de cenários urbanos aos sujeitos, bem assim como uma diminuição do nível de ansiedade e um maior nível de respostas afectivas após a apresentação de cenários da natureza (...)
(2 - Espaço, Representações e Dimensões Psicossociais da Paisagem, p.71)



"Paisagem é uma porção de espaço visível que podemos ver, sentir, absorver e finalmente 'consumir'. (...) Nos dias de hoje, o Homem, para as contemplar e absorver, percorre grandes distâncias e gasta uma parte das suas energias e dos seus recursos, pois esta actividade dá-lhe prazer e sugere-lhe qualidade de vida: são os paraísos bem idealizados através das viagens turísticas e difundidas por todo o tipo de meios de comunicação de massa. (...)
Os responsáveis, embriagados pelos benefícios obtidos através da visita dos 'curiosos', tentam maximizar o produto desta exportação invisível onde o turista gastará a sua energia, o seu tempo e o seu dinheiro: sobretudo o seu dinheiro. Estas acções original um ciclo irredutível do consumo das paisagens: a ideia intuitiva de paisagem inalterável aos olhos e vagas sucessivas de consumidores é indirectamente destruída por aqueles que a estimam ("Poluição visual", Moles, 1986; Covarrubias, 1989). Ora, a concentração massiva de visitantes origina determinados efeitos que nós apelidaremos de poluição social, transformando ao fim de certo tempo, uma paisagem bela e célebre num lugar povoado e descaracterizado. A capacidade de atracção diminui e instala-se uma motivação negativa originando um custo psicológico elevado. O turista sentir-se-á incomodado pelo tráfego excessivo, pelas urbanizações selvagens, pelo comércio crescente e pela falta de higiene. Mais do que isso: ele, que quis fugir à rotina, encontrar-se-á num ambiente semelhante ao que acabou de deixar antes de partir para férias."
(3 - Paisagem e Turismo: Abordagem Psicossociológica, pp.75 e 77)


Para além disto, no que concerne à Geografia, pouco mais quisemos ou conseguimos extrair. É de referir ainda que o autor comete alguns erros de sintaxe, que lamentamos e não gostaríamos de ter encontrado neste livro de leitura bastante acessível.


Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

terça-feira, agosto 25, 2009

Música das Regiões - Mediterrâneo (recta final)

Nesta recta final em torno do Mediterrâneo, centramo-nos em terrenos das proximidades, com canções das terras "de parla catalana". Mas apenas em questões de idioma. Porque a música e quem a canta, esses, são de todo o lado.

Relembramos a quem nos visita que as músicas podem ser escutadas na AntenaGEO, na barra da esquerda, um pouco mais abaixo.


Intérprete: María del Mar Bonet
Origem: Espanha (Maiorca)
Tema: Sa Núvia d'Aljandar
Extraído do epê "Cançons de Menorca", de 1967

Ora cá trazemos novamente María del Mar Bonet. Maiorquina a cantar canções da ilha vizinha das Baleares. "Sa Núvia d'Aljandar" é a primeira canção do seu primeiríssimo disco. Estávamos em 1967 e já mais de 42 anos são passados desde que começou a sua enriquecedora viagem a dar-nos música.



Intérprete: Lluís Llach
Origem: Espanha (Catalunha)
Tema: Vaixell de Grècia
Extraído do álbum "Camp del Barça, 6 de Juliol de 1985", de 1986

Já tínhamos mencionado o nome de Lluís Llach antes. Há em Llach uma suavidade, uma fluidez, um sentido melódico muito difícil de encontrar na vastidão da canção popular. Originalmente gravada no álbum "I Si Canto Trist", de 1974, esta interpretação ao vivo, no inesquecível e grandioso concerto que encheu o Camp Nou de sonho (procurem no YouTube, que há vídeos de outras canções, como a nossa tão querida "Abril 74" ou o hino "L'Estaca"), é bem mais suave. Com "Vaixell de Grècia" Llach parece pôr todo o Mediterrâneo no mesmo barco, a navegar ao sabor das ondas, tranquilamente, "que anem al mateix port".


Intérprete: Arianna Savall
Origem: Suíça
Tema: El Mariner
Extraído do álbum "Bella Terra", de 2003

O apelido não engana: Arianna é filha de Jordi Savall e Montserrat Figueras. Harpista com voz de soprano, nascida em 1972, em Basel, interpreta esta canção tradicional catalã que é também conhecida como "A la vora de la mar".

domingo, agosto 23, 2009

Mapas da Desgraça (II) - Castelo Branco

Local:
Alcains
CASTELO BRANCO

Ocorrência: Descarga poluente na ribeira da Líria.
Suspeito / Acusado : Oviger - Produção, Transformação e Comércio de Carnes e Derivados, S.A.

Ponto da situação:

- Desde Março de 2008 que o SEPNA tem recebido várias denúncias.
- “A vegetação existente no leito da ribeira e nas margens são o espelho da ausência de actuação por parte das entidades”.


Informações extraídas do Jornal Reconquista online, de 30 de Julho de 2009. Ler aqui.


Crime: poluição das águas.

O princípio do poluidor pagador é caro para o poluidor? E para nós? O poluidor tem de tratar os produtos do desempenho da sua actividade. Só depois, em condições verificadas pelas autoridades competentes (ligadas à Saúde e ao Ambiente), poderão estes ser repostos no meio.


quarta-feira, agosto 19, 2009

Comunicação ao país e passeio pedestre pela linha do Tua - 22AGO09

Caros(as) amigos(as),

Para conhecimento de todos os interessados, segue abaixo informação relativa a uma iniciativa organizada pela Coagret-Portugal, a ter lugar no próximo dia 22 de Agosto, na qual o MCLT estará também presente.

Atentamente,

Movimento Cívico pela Linha do Tua
www.linhadotua.net


.....................................................


A COAGRET-Portugal propõe a todas as organizações idóneas da sociedade civíl, em particular aquelas que já tiveram intervenção no caso da linha do Tua que se unam em torno desta acção, a realizar no próximo sábado, dia 22 de Agosto de 2009.


Comunicação ao país e passeio pedestre pela linha do Tua
09h30 - concentração junto a estação de comboio de Mirandela, rumo à estação de Abreiro/Vieiro
09h37 - partida em transporte próprio ou em transporte público (Metropolitano para o Cachão onde se embarca no transporte complementar)
10h30 - conferência de imprensa em jeito de denúncia dos responsáveis pela actual situação da linha do Tua. Intervenção breve de todos os colectivos representados, segundo estrutura definida
11h00 - início da marcha rumo a estação da Brunheda e romagem simbólica ao local do último acidente ocorrido na linha do Tua
13h00 - almoço volante


Para mais informações, contactar:
Pedro Felgar Couteiro
COAGRET-Portugal
https://coagret.wordpress.com
coagret.pt@gmail.com
Estação de Caminhos de Ferro de Mirandela, 4
5370-408 MIRANDELA
PORTUGAL
telm.COAGRET: (+351) 969761301

terça-feira, agosto 18, 2009

Música das regiões - Mediterrâneo (cont.)

Há algum tempo que o Georden não vos dava música. Continuamos pelo berço do Mediterrâneo. Agora, mais próximos de casa, fechado um périplo possível pelas suas margens. Quem diz próximos diz com nomes que nos dizem muito e que muitos reconhecerão. Por isso, e também para redimir esta longa ausência, desta vez trazemos não 3 canções mas 4. Para nos encantar e enriquecer.

Relembramos a quem nos visita que as músicas podem ser escutadas na AntenaGEO, na barra da esquerda, um pouco mais abaixo.

Intérprete: Marina Rossell
Origem: Espanha (Catalunha)
Tema: Els Contrabandistes
Extraído do álbum "Si Volieu Escoltar", de 1977

Marina possui uma voz belíssima, aguda e cortante. Um timbre nos toca. Do disco onde está esta música desconhecemos edição em Cd, o que é uma verdadeira machadada na memória colectiva. Produzido por essoutro gigante da canção chamado Lluís Llach, nele participa também a sua acompanhante inseparável, Laura Almerich (guitarra clássica).


Intérprete: Joan Manuel Serrat
Origem: Espanha (Catalunha)
Tema: Cançó de Batre
Extraído do álbum "Cançons Tradicionals", de 1968

Depois de Serrat ter surgido a cantar as suas canções de uma sensibilidade até então desconhecida, tornou-se um fenómeno com "Paraules d'Amor", incluída num disco que vendeu mais de 120 mil exemplares. Um autêntico estrondo para a época e por uma outra coisa: era cantado em Catalão, sinal de desconformidade com a pretensão unitária do franquismo, mas ouvido em toda a Espanha. Depois do festival da Eurovisão o cantor do Poble Sec (Barcelona), formado em Agronomia, internacionalizou-se, sendo ainda hoje um dos cantores mais populares em muitos países sul-americanos (Argentina e Uruguai à cabeça). Mas muita gente desconhece o seu segundo álbum. Ir ao fundo da memória será sempre, como urgia então, lutar contra as ditaduras. Por isso, Serrat criou um disco completamente impressionante e inesperado. Inesperado pelos arranjos, clássicos, que caracterizaram "Cançons Tradicionals". E impressionante porquê? Bastava a sua voz. Ouçam-no nesta interpretação "a capella" de uma canção tradicional maiorquina.


Intérprete: María del Mar Bonet
Origem: Espanha (Maiorca)
Tema: Alenar
Extraído do álbum "Alenar", de 1977

María del Mar é caso singular na música popular mediterrânica. Não só pelo seu longo percurso, mas porque, na sua sólida e inteligente busca da autenticidade, tem sido a súmula de todas as suas influências. Cantora incontornável para quem ama a música popular e tradicional, aqui com uma canção de fortes marcas andaluzas. Extraída de um dos melhores álbuns que a canção europeia já pôde conhecer.


Intérprete: Paco Ibañez
Origem: Espanha (Valência)
Tema: Romance de la Luna, Luna
Extraído do álbum "Paco 1", de 1964

Em muitas das canções que Paco Ibañez gravou (esta é do seu primeiro álbum) há o que há em Carlos Paredes. Em Paredes, o sentimento de Portugalidade, em Ibañez as raízes profundas da Espanha trovadoresca. E se juntarmos uma voz inconfundível e a mestria da guitarra espanhola à poesia do andaluz Federico García Lorca, (que amanhã faz anos que foi fuzilado pelo Franquismo) então o resultado é de inestimável valor cultural. A grandeza dos cantores também se vê na sua forma como conseguem criar todo um ar que respira no ar que a poesia inspirou quando foi criada. (Outro exemplo é "Endechas a Bárbara Escrava", de José Afonso, com poema de Camões.)

segunda-feira, agosto 17, 2009

Seremos muitos. Seremos alguém?

O número de habitantes do planeta Terra irá atingir os sete biliões no final do ano 2011, apenas 12 anos depois de ter atingido os seis biliões. A maior parte do crescimento demográfico regista-se nos países em desenvolvimento, sendo que os mais pobres irão acolher a maioria da população jovem do mundo.


Os dados foram apresentados no relatório de 2009 da população mundial (2009 World Population Data Sheet) efectuado pelo Population Reference Bureau (PRB), que demonstra quão acentuados são os contrastes entre países ricos e países pobres. A projecção do crescimento nos países em desenvolvimento assume que a fertilidade nesses países irá decair até aos actuais baixos níveis dos desenvolvidos, que se situam nos cerca de dois filhos por mulher. Actualmente, a maior taxa de fertilidade encontra-se no Níger com 7,4 crianças por mulher. A menor está em Taiwan, com 1 filho.



África e Ásia com maioria da população em 2050

O relatório apresenta ainda outros dados demográficos sobre a população mundial e apresenta quadros comparativos entre os Estados Unidos, o Canada e o Uganda. Apesar de estes dois últimos países terem actualmente o mesmo número de habitantes, em 2050 o Uganda terá mais do dobro.

Mais uma vez, a causa desta disparidade de números é a taxa de fertilidade de cada País. Enquanto no Uganda as mulheres têm 6,7 filhos, no Canadá ficam-se pelo 1,6.

Quanto à evolução da população jovem, também em 2050 a grande maioria dos 1,2 biliões de jovens (com idades entre os 15 e os 24) em todo o mundo irá encontrar-se em países em desenvolvimento, sendo que oito em cada 10 estarão em África ou na Ásia.

“Durante as próximas décadas, estes jovens irão continuar a tendência actual de mudar da zona rural para as cidades, onde há maiores oportunidades de educação, emprego e cuidados de saúde”, salientou Carl Haub, co-autor do relatório do PRB.

Este grande grupo chegará à idade adulta com a expectativa de obter um emprego rentável, serviços de saúde e possibilidade de criar uma família em boas condições. Porém, uma das maiores dúvidas das próximas décadas será precisamente se o país destes jovens irá ter condições económicas para garantir respostas estas expectativas. Para 2050 prevê-se ainda que a população de África ultrapasse o bilião, já que a população daquele continente cresce a um ritmo de 24 milhões por ano.


Fonte: Ciência Hoje

domingo, agosto 16, 2009

Mapas da Desgraça (I) - Carregal do Sal

Local:
Parque Industrial do Sampaio, Lote B,
Oliveirinha,
3430-000 Carregal do Sal
VISEU

Ocorrência: Bidões com matérias corrosivas e inflamáveis (diluentes, tintas, solventes e vernizes) a céu aberto, sem protecção, sem as necessárias condições de armazenamento.
Suspeito / Acusado : Basmold - Molduras e Componentes de Madeira, Lda

Outras informações: A Basmold foi dada pelo Tribunal Judicial de Santa Comba Dão como falida no dia 10-09-2008.


Ponto da situação:

- Os produtos estão desde Fevereiro ao abandono.
- Expostos às elevadas temperaturas, muitos bidões rebentaram e escorrem pelos campos e direcção a um pequeno regato.
- Para além do parque industrial, onde está situada a lixeira, a zona é utilizada pelos moradores como campo de cultivo.
- A volatização dos produtos pode provocar um problema de saúde pública.

Informações extraídas do JN de 14 de Agosto de 2009, p. 13.


Crime: poluição das águas e dos solos.

sábado, agosto 15, 2009

Que canções para 40 anos depois?

Pouca gente sabia ao que ia. Era apenas um concerto.
Mas as mais de 500 mil almas que ali acorreram tornaram o Woodstock num fenómeno sociológico.


Passavam-se 25 anos da II Grande Guerra, com a prosperidade e a paz, a demografia conheceu outros valores, os países destruídos estavam praticamente de costas direitas, a produção industrial dava grandes passos para o consumo em massa, as cidades expandiam-se e com elas a burguesia, as gerações (jovens e adultos, filhos e pais) dividiam-se: uns deixavam de ter a suposta superioridade moral sobre outros, e estes autonomizavam-se daqueles, buscando, então e sempre, a identidade e um sentido.

Capa de Lp com canções do Festival

O aumento do poder de compra por parte dos jovens, os fenómenos da moda e da mudança dos costumes do início da década de sessenta (que tantas canções ié-ié francesas descrevem: ouçam Françoise Hardy, France Gall ou a Stella), o desenvolvimento das filosofias de libertação (vide Huxley e Leary), a abertura das mentalidades, a noção da história e as lições dos erros bem aprendidas... muitos factores a confluir para nos sussurrar que a revolução estava em curso e que os tempos estavam a mudar.

As lutas entre as duas grandes potências militares da altura, grandes combates ideológicos e no terreno, sangrentos de um sangue absurdo, cego e telecomandado espalhado pelos povos que nunca estiveram na ribalta...

Por trás de tudo, as canções, banda-sonora relato dessas grandes pequenas revoluções: as danças "obscenas" do Elvis e aquela música barulhenta, e vinda dos negros! (finais dos anos 50, EUA), a poesia anarquista de Léo Ferré, antiburguesa de Brel, interventiva de Ferrat (via Aragon), sarcástica de Brassens (50/60, França)...


Já repararam numa coisa?
Num mesmo ano, 1963, foram gravadas "Os Vampiros", do Zeca Afonso, a "Trova do Vento que Passa", do Adriano Correia de Oliveira" e a "Blowin' in the Wind", do Bob Dylan.
Penso que já por mais de uma vez li que as canções folk de protesto estadunidenses (Joan Baez, Pete Seeger, Woody Guthrie, Phil Ochs...) influenciaram e despoletaram em muitos países o surgimento das chamadas "Novas canções"...

Bem, pelo que aprendi até hoje não me abstenho de contra-argumentar, pois no nosso país, orgulhosamente fechado e, talvez mais importante que isso, ainda virado para a Europa (França, entenda-se...), duvido muito que a influência do outro lado do Atlântico tivesse feito sentir-se a esse ponto.

E para quem é pela tese de que foi o Dylan que catapultou a canção de protesto e espalhou as sementes pela Europa, eis um argumento mais:
aqui ao lado, vindo de Valência para Barcelona, surgiu um homem a cantar versos existencialistas. Esse homem chama-se Raimon e o seu primeiro grito foi "Al Vent", canção escrita em 1959, mas apenas editada em... 1963 (coincidência, não é?). Foi essa canção, e mais nenhuma outra, com que em Espanha - primeiro na Catalunha )e demais países de fala catalã), depois no País Basco, depois na Galiza, na Comunidade de Madrid e em todo o resto do país - a canção de intervenção começou. Dylan? Não, Raimon ouvia canções norte-americanas, mas o jazz, os espirituais negros e estava mais virado para França (com Brassens como a maior influência) e para Itália.

Isto foi só um parêntesis da geografia da mudança.
Mas também houve os Beatles, que explodiram em Inglaterra em... 1963 (mais uma vez) e arrastando a multidão de jovens em delírio, ao mesmo tempo que lhes deram inconscientemente a noção do poder que tinham, viraram o curso da história (a meu ver, a passagem do paradigma francês para o anglófono, em termos de capitalização dos valores culturais).

Depois, com os Rolling Stones, os Who e os Kinks o rock ficou mais agressivo. Sintomático e sintético disso e do tempo é a canção "My Generation", (The Who), em que Roger Daltrey canta "You're talking about my generation" e "I hope I die before I get old". Foi também com os Who (Pete e, depois, o Keith) que a violência passou a exercer-se em palco (nos instrumentos). Aqui estávamos já em 1965. As tensões cresciam.

Em 1967 houve o Festival de Monterrey, organizado, entre outros, por Paul Simon. Mítico festival, livre e pacífico como Woodstock não conseguiu ser. Livre teve que ser, porque os milhares de pessoas assim o quiseram (a grande mole humana tem muita força quando vai toda numa direcção), mas houve uma agressão de Pete (sim, aquele mesmo) durante o concerto dos Who. Claro, isso não manchou o evento. Aliás, hoje nem é lembrado.

Como não é lembrado que o Woodstock tinha outros valores além do de paz e amor. O movimento hippie, e o festival muito lhe devia, preconizava a paz com a natureza, contra a produção industrial, pela agricultura biológica, contra a guerra, a nuclear e todas as outras...
Isso hoje não é lembrado. Caiu em desuso.

Em 1971 era fundada a Greenpeace. Processos cumulativos típicos do avanço e da evolução da História humana.

Em 1973, a crise do Petróleo e a afirmação das energias alternativas.

Décadas de 70 e 80: primeiro o poder da raiva punk, depois o grande vazio que ficou após essa força libertada [vazio sentimental: gótico; vazio mental: neo-românticos e pops sintetizados de discotecas onde se ia (ah! dantes era assim) para ouvir música...]

A revolução digital, a suposta democratização da informação, a terciarização da economia, o esvaziamento da praça e do poder públicos, a deterioração da cidade e da cidadania (a abstenção luta contra o voto em branco e vence...), a degradação ambiental e dos recursos, as lutas contra os gigantes económicos (empresas e países), as migrações dos deserdados, a força do gigante que constrói todo um sistema para nos impor uma nova ordem que ainda não percebemos bem no que nos transformou ... e que mais?


Reciclar. Sempre.

Quais são as revoluções que temos estado a fazer em nós, mentalmente, indo ao fundo das questões essenciais? Ah! A reciclagem...
Mas falta a poupança, a recusa do consumismo, o tomarmos o poder nas nossas mãos, nas pequenas coisas do dia-a-dia, falta-nos a energia que perdemos e nos desmobiliza e demite de nós próprios e daqueles que nos são semelhantes. Falta-nos a "recusa deste mundo que nos usa".


As guerras pelos instrumentos de poder prosseguem.
Sinal disso é o estimularem-nos tanto e as vezes que forem precisas a termos as notícias no nosso telemóvel. Informação, propaganda, poder, controlo.

Lá em cima, os senhores que sempre lá estiveram, agora com mais dinheiro que nunca, reproduzem-se na própria cadeira. Não vêm cá abaixo, conspurcar-se na ralé - têm medo de serem como nós. Têm armas, polícias e generais e governos inteiros, bolsas de valores, a inflação, o desemprego colectivo, canhões de água e balas de borracha perdidas para se protegerem. Têm a fome e a guerra para no-las atirarem para cima de nós se se virem apertados...




Com o Woodstock pode-se dizer que começou o consumo em massa de música ao vivo. E, com tanta gente, tantos consumidores, fecharam-se as portas. Para termos que pagar bilhete, pois então!

Vêde quantos festivais há por aí de renome. No nosso país, (houve uma altura em que os países olhavam para nós para ver que tipo de socialismo íamos criar e fazer sair daqui...), excelente aluno e incubadora do capitalismo, é vê-los arrastar os nossos pés por aí. Mas atenção, pois exceptuando o Andanças e o Intercéltico de Sendim, continuamos confinados ao litoral, ou seja, reproduzimos a estrutura do mau ordenamento do território.

E que canções para o nosso tempo? Toques polifónicos?

Também a nós, cidadãos do mundo, (não fales agora, Manu Chao...) nos faltam as grandes canções de hoje.
Para hoje.
Porque o amanhã só interessa se conseguirmos sobreviver hoje.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Batalha de Aljubarrota

Clique para aumentar

"A Batalha de Aljubarrota decorreu no final da tarde de 14 de Agosto de 1385 entre tropas portuguesas, comandadas por D. João I de Portugal e o seu condestável D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano de D. Juan I de Castela. A batalha deu-se no campo de São Jorge, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre as localidades de Leiria e Alcobaça, no centro de Portugal. O resultado foi uma derrota definitiva dos castelhanos, o fim da crise de 1383-1385 e a consolidação de D. João I como rei de Portugal, o primeiro da dinastia de Avis. A aliança de Portugal com os seus aliados ingleses saiu reforçada e seria selada em 1386, no Tratado de Windsor, o mais antigo tratado activo no mundo. A paz com Castela só veio a estabelecer-se em 1411."

Ler mais aqui.

Sendo D. Nuno Álvares Pereira o Patrono da Infantaria, é neste dia que se comemora o Dia da Infantaria Portuguesa...

Código de Honra do Infante

Ser Infante!
É ser soldado... e como poucos,
É ter a audácia precisa nos lances decisivos,
A resignação estóica nas mais dolorosas crises
A presença de espírito nas situações mais difíceis.

Ser Infante!
É ser justo, simples e verdadeiro.
É renunciar ao capricho, ao egoísmo, à indolência,
Ter por único enlevo a glória
Por único móbil a honra e a dignidade.

Ser Infante!
É no ardor da luta, ver o inimigo cara a cara,
É viver, sofrer, combater na lama, no pó e no sangue,
Enfrentar privações, fadigas e dificuldades de toda a espécie.

Ser Infante!
É usar a inteligência, a vontade e a razão,
A coragem fria e disciplinada,
A sã camaradagem,
A subordinação consciente,
É contribuir para o bem-estar e liberdade do Povo Português,
É ser soldado de Portugal

Ser Infante!
É gritar do coração e com alma, até ao último:
Hora H.
Ao ataque.
Granada de mão.
Ao assalto.
Baioneta calada.
Corpo a corpo.

Infantaria!
Infantaria!
Infantaria!

quinta-feira, agosto 13, 2009

Novas luzes ao fundo do túnel

Portugal a dar passos em frente.


"Torres Vedras foi o primeiro concelho a inaugurar uma rua LED, ou seja iluminada com gasto de menos energia e com menos emissões de dióxido de carbono. A rua LED resulta do projecto PRO-EE (Public Procurement boots Energy Efficiency) que é coordenado pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) e que impulsionou, no início deste mês, a rua pioneira, em Santa Cruz, Torres Vedras.

Espera-se que até ao final do ano apareçam mais duas ruas LED, em Beja e em Cascais, bem como o desenvolvimento de outros projectos inovadores na área da energia."

Notícia retirada daqui.


Ainda mais à frente dos LED (Díodos Emissores de Luz) estão os OLED (LEDs orgânicos):
Cliquem na imagem para depois verem o vídeo (8:30 de duração).


O atraso na industrialização nos finais do século XIX e o regime opressor, atrasado, solitário, pequenino e agrícola que dominou grande parte do séc. XX acabaram por constituir uma espécie de paraíso para os turistas, que viram em Portugal quer a falta da confusão das grandes cidades, quer um meio natural quase intacto.

Depois, percebemos que o turismo até dava umas massas e toca a construir Algarves por esse litoral continental fora (e a Madeira não escapa). O processo está em curso e de boa saúde, apesar da crise na habitação.

Depois, um dia, com tudo ou quase tudo perdido, com o território desfigurado, com os recursos ambientais e paisagísticos irreversivelmente em crise, aperceber-nos-emos (não é uma questão de se, mas uma questão de quando - e aí é que está o busílis) que o turismo sustentável é que é o futuro. E teremos que destruir todo o mal que orgulhosamente continuamos a erguer. Novamente ou ainda pequeninos.

Mas nós ainda estamos no paradigma do crescimento e não no do desenvolvimento sustentável. Chamemos-lhe turismo mas queremos é chamar-lhe ordenamento do território. Sempre.


Portanto, no caso das energias, Portugal parece dar mais um salto em frente. Mas, no caso particular da iluminação pública, a obsolescência criada pelo desenvolvimento da tecnologia não tardará a repor o país na sua situação de atraso crónico em relação ao que já é possível fazer. Daí que Portugal seja sempre provisório. Ou anacrónico.

É nesse limbo que temos morrido.
E é nesse túnel que parecemos sentir-nos bem.

Um pormenor de geopolítica

Talvez haja uma explicação para certos pormenorzinhos surgirem mesmo, mesmo no fim de um texto... Melhor seria escondê-los lá no meio...
E no fim de contas, relativizemos: há alguma novidade nesta história?

Mas vou abster-me de tirar ilações sobre este (nem sei o que ou como dizer... Haverá algum comentário que consiga dizer alguma coisa melhor que o que o comentado já diz?).
Acho, contudo, interessante fazer ressaltar certas palavritas da notícia...
São tão interessantes...!

Imagem retirada daqui

Transcrevo na íntegra o texto aparece na página 53 da Visão de hoje, 13 de Agosto de 2009:


"A mulher de 64 anos que há duas décadas desafia a junta militar da antiga Birmânia [Suu Kyi], vai passar mais 18 meses presa na sua residência, tendo sido condenada pela violação da pena de prisão domiciliária que cumpria, ao ter deixado entrar em casa um cidadão norte-americano (o qual terá de cumprir sete anos de trabalhos forçados). A prémio Nobel da Paz é assim impedida de fazer campanha e de participar nas eleições de 2010. A Amnistia Internacional, a presidência sueca da União Europeia e os EUA manifestaram a sua revolta contra a sentença, e ameaçaram um novo pacote de sanções contra Myanmar, inclusive a imposição de um embargo de armas ao regime."

quarta-feira, agosto 12, 2009

A lenga-lenga que não destrava línguas mas deixa sabor agridoce na boca dos subalternos

Em certos países produtores de petróleo, o único caminho disponível para o enriquecimento pessoal é a apropriação privada de rendas petrolíferas; quem controla a emissão de alvarás de concessão de poços, controla quase absolutamente as fortunas e o destino do país. De Portugal poderia traçar-se uma descrição semelhante: nas últimas décadas, o caminho mais eficaz para o enriquecimento pessoal tem sido, além da especulação com fogos habitacionais, a apropriação privada de rendas (mais-valias) urbanísticas: por isso, quem controla a emissão de alvarás de loteamento controla as fortunas e o destino do país — com efeito, reina sobre os portugueses quem gozar o poder de alterar ou suspender Planos Directores Municipais (PDM), de desafectar terrenos à Reserva Ecológica Nacional (REN) ou à Reserva Agrícola Nacional (RAN), ou de autorizar urbanizações de “Potencial Interesse Nacional” (PIN).

Quem controla esta produção e distribuição de mais-valias urbanísticas tem nas mãos o verdadeiro poder político e económico de Portugal, e goza privilegiadamente das suas riquezas. Tudo o resto — incluindo os rendimentos da indústria, da agricultura e dos serviços, enfim, da genuína produção — são bagatelas comparadas com o valor dos alvarás urbanísticos nos anos de bolha imobiliária.

Se não houver uma tributação do património imobiliário que iniba o subaproveitamento dos imóveis, e uma ampla oferta de imobiliário público para arrendamento (tanto habitações como solos rústicos para cultivo), resulta fatalmente que uma grande parte da terra e dos edifícios são mantidos desocupados pelos proprietários que nem os utilizam, nem os alienam por preço justo a terceiros que desejem aproveitá-los. Um anti-mercado cujos preços são controlados unicamente pelos ofertantes, que os colocam muito acima do custo de produção e os alçam até ao limiar máximo da capacidade de pagamento dos demandantes, deixando-lhes apenas os rendimentos mínimos para subsistir.

Tanto o Estado como os cidadãos acumulam hoje dívidas de montantes raramente vistos na História. Os contribuintes são chamados a nacionalizar bancos falidos pela morosidade imobiliária; cidadãos carregam hipotecas perpétuas muito superiores ao custo real dos imóveis que compraram. Todo este oceano de dívida destina-se, em última análise, a um só fim: pagar a crédito a fortuna desta nova aristocracia — um pequeno grupo social que além de ter ascendido por via da captura política de rendas fundiárias, passou a reter centenas de milhar de imóveis vazios nas nossas cidades e outras tantas centenas de milhar de terrenos devolutos e expectantes em redor delas.

O mapa mais antigo?


Arqueólogos da Universidade de Zaragoza encontraram, em 1993, um mapa gravado em pedra na gruta de Abauntz, em Navarra, Espanha. Após 15 anos de investigações e mediante a datação por carbono 14 concluíram que terá cerca de 13660 anos, tornando-se, até agora, no achado mais antigo do género na Europa Ocidental.


Noticiado aqui.

terça-feira, agosto 11, 2009

A uma Imobiliária???




Portaria n.º 854/2009
de 11 de Agosto

Pela Portaria n.º 529/2008, de 26 de Junho, foi concessionada
a Maria Madalena Luisello Câncio Santarém Matos Gil
a zona de caça turística de Franguins e Vale de Gaio (processo
n.º 4852 -AFN), situada no município de Alcácer do Sal.
Vem agora a LSMG Imobiliária, S. A., requerer a transmissão
da concessão da zona de caça supracitada.

Assim:
Com fundamento no disposto no artigo 45.º do Decreto-Lei
n.º 202/2004, de 18 de Agosto, com a actual redacção:
Manda o Governo, pelo Ministro da Agricultura, do
Desenvolvimento Rural e das Pescas, o seguinte:

Artigo único

Pela presente portaria a zona de caça turística de Franguins
e Vale de Gaio (processo n.º 4852 -AFN) é transferida
para a LSMG Imobiliária, S. A., com o número de identificação
fiscal 504174894 e sede na Rua da Granja, 656,
Quinta da Granja, 4825 -310 Refojos de Riba d’Ave.

Pelo Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural
e das Pescas, Ascenso Luís Seixas Simões, Secretário de
Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, em 30
de Julho de 2009.

Fotografia a arder

Nos primeiros sete meses do ano, arderam cerca de 21 mil hectares de floresta, três vezes mais do que em igual período do ano passado, revelam os dados provisórios da Autoridade Florestal Nacional. Na Europa, o panorama é idêntico.

Notícia de ontem, 10/08/09, aqui.


Com a perda do equilíbrio (é certo que a máquina da Gaia consiste num equilíbrio sempre precário que origina, por si, todas as transformações do dia-a-dia...), é normal uma maior frequência dos extremos. Enormes cheias pós-períodos de pouca pluviosidade e incêndios de grande magnitude são dois sinais (e riscos, também) desse desequilíbrio.

Ontem, nas notícias das 17h na Antena 2, a notícia foi dada de maneira um bocado diferente. Pelo que a ideia com que fiquei foi outra. Disseram que a área ardida na Europa até ao momento era já superior à área total do ano passado. Primeiro ponto, que este extracto não contradiz.

Mas ao referir-se à situação interna a jornalista disse que até ao momento Portugal não estava mal na fotografia. Ora, uma das duas informações não é verdadeira.

Mas assumindo esta notícia como verdadeira, logo pensei:

Estão a escamotear a verdade.
Porque é que não precisam que "esse sorriso na foto" se deve às condições climáticas que, até ontem (a esta hora, 15h, o IM regista 35º em Braga e 37º em Lisboa), não nos têm incomodado a pele? Ou porque não têm em conta que há cada vez menor área por arder (a alteração do uso de solo, a construção controlada e prevista pelos poucos que vão decidindo, os incêndios do passado... reduzem em grande escala o que aguarda as chamas)?


Se estamos bem, pensamos que é por levarmos a cabo um esforço pela limpeza, manutenção das matas, pelo ordenamento das florestas, pela recuperação de espécies e das áreas ardidas?

Humm... faltam-me informações que façam pensar que é por isso.

Deixemos que nos entretenham assim!
Há demasiado tempo que estamos mudos e quedos.
E com um sorriso estúpido na fotografia.

domingo, agosto 09, 2009

PIN

Os PIN são, apenas e só, o reconhecimento de que o país tem duas políticas urbanísticas para a mesma parte do território: uma para os cidadãos comuns, arrogantemente implacável e restritiva para a mais comezinha melhoria das condições de habitabilidade, e outra para os promotores dotados de elevada capacidade financeira, que permite a ultrapassagem de todas as restrições impostas pelas políticas públicas de conservação da natureza ou pela simples legislação urbanística, tout court.

José Carlos Guinote.

Ler artigo completo aqui.

sábado, agosto 08, 2009

MCLT - Comunicado

Caros amigos,

Estando o Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT) a receber ainda mensagens e manifestações de solidariedade, resultantes do impacto e do interesse que a Reportagem Especial "Fim de Linha" suscitou, enviamos agora, para conhecimento de todos os interessados, o extracto do Diário da Assembleia da Republica do dia 22 de Julho, sobre a discussão da Petição pela Linha do Tua Viva, apresentada pelo Movimento Cívico pela Linha do Tua em 2008.


http://www.linhadotua.net/3w/index.php?option=com_content&task=view&id=489&Itemid=37


O MCLT congratula-se com o largo consenso verificado durante a discussão da Petição pela Linha do Tua Viva e agradece todas as palavras de simpatia que nos foram dirigidas, por vários deputados e bancadas parlamentares.

Mas, por outro lado, o MCLT não pode deixar de lamentar as afirmações do deputado do Partido Socialista, Luis Vaz, que apesar da sua experiência como autarca (Macedo de Cavaleiros) ou como deputado eleito pelo circulo de Bragança há já alguns anos, revelam uma impressionante ausência de responsabilidade cultural, cívica e politica no parlamento, ao não ter capacidade para reconhecer um modelo de desenvolvimento e de futuro sustentavel para Trás-os-Montes, capaz de gerar emprego e riqueza, fixar populações, promover a mobilidade e o turismo.

A Linha do Tua como fio condutor deste desenvolvimento é essencial e evidente!


Atentamente,

Movimento Cívico pela Linha do Tua
www.linhadotua.net

quarta-feira, agosto 05, 2009

Fim de linha

Caros amigos,

A Reportagem Especial "Fim de Linha", apresentada na passada quinta-feira pela SIC, está disponível na web para poder ser vista por quem ainda não teve oportunidade:


Clique para descarregar e ver o vídeo


O Movimento Cívico pela Linha do Tua não pode deixar de felicitar a equipa de reportagem pelo trabalho realizado nem de agradecer as inumeras mensagens de apoio recebidas nos últimos dias, na sequência desta reportagem. A Linha do Tua continua a angariar apoios, todos os dias!

Atentamente,
Movimento Cívico pela Linha do Tua



Algo não se compreende neste país.

Quebrar o ciclo vicioso implica sempre uma petição de princípio. E se um conjunto de factores funcionam para um lado, não vejo dificuldades em perceber que o inverso funcionam para o outro. Não quebrar o ciclo vicioso leva, como as extinções das espécies, ao fim da linha.

Se todas as actividades de atracção de uma região fogem (ou desaparecem), não resta nada a fazer senão observar impotentemente o abandono, o envelhecimento e a degradação das estruturas humanas. Das quais, as vias de comunicação são uma, fundamental para tudo o resto.

Às vias férreas podem acusar de serem (estarem) estruturas antiquadas. Mas importa compreender que aquando da sua implementação, a concepção do mundo era outra. E talvez por isso elas se integrem tão bem e com tão poucos impactos (visuais, pelo menos) na paisagem.

Uma vez abandonadas estas, depois não faltam argumentos válidos para tipos de "desenvolvimento" (como a construção de barragens - limpando liminarmente quaisquer hipóteses de se ir pela recuperação do património ferroviário).

Algo não se compreende neste país.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Legislação do MAOTDR

Eis a legislação do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional referente à criação de dois fundos:


> Decreto-Lei n.º 171/2009. D.R. n.º 148, Série I de 2009-08-03
Cria o Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade


> Decreto-Lei n.º 172/2009. D.R. n.º 148, Série I de 2009-08-03
Cria o Fundo de Protecção dos Recursos Hídricos


Saber mais em MAOTDR

domingo, agosto 02, 2009

Satélite vai fotografar evolução de cheias e incêndios

"O primeiro satélite de Observação da Terra desenvolvido com a ajuda de uma empresa portuguesa é lançado hoje [29-7-2009] para o espaço. O DEIMOS-1 vai “fotografar” todo o país, permitindo detectar e acompanhar a evolução de incêndios florestais e cheias.

Construído com a ajuda de engenheiros portugueses da empresa Deimos Engenharia, o DEIMOS1 pesa cerca de 100 quilos e ficará no espaço durante os próximos cinco ou seis anos.

Equipado com três câmaras ópticas, que se assemelham às vulgares máquinas fotográficas digitais, o satélite vai armazenar e transmitir dados essenciais para desenvolver aplicações e serviços nas áreas da monitorização do ambiente e recursos naturais.

Nuno Ávila, da empresa portuguesa Deimos Engenheria, apontou algumas das funcionalidades do satélite: “Permite saber qual a taxa de crescimento das plantas, controlar pragas, conhecer o teor de nutrientes no solo, fazer inventários florestais, conhecer a regeneração de uma zona vítima de uma catástrofe natural, entre muitas outras coisas”.

Ao cobrir todo o território português fornecendo imagens actualizadas de três em três dias, o satélite vai permitir ainda “detectar e seguir a evolução de umas cheias ou de um incêndio”, acrescentou o director da empresa.

Mas o grosso do trabalho da equipa de engenheiros portugueses vai começar quando se iniciar o processamento das imagens que chegam do satélite a uma altura de 686 quilómetros.

Segundo a empresa portuguesa o primeiro centro DEIMOS para processamento, arquivo e distribuição de dados vai ser criado na Universidade de Valladolid, ao qual se seguirão outros, nomeadamente na Deimos Engenharia, em Portugal."


Fonte: CiênciaHoje