sexta-feira, julho 30, 2010

Quem te tem, WC?

O inquérito sobre as casas de banho públicas está a terminar.

Faltam apenas umas horas.

Ler mais aqui, para poder votar em maior ciência.

Participar é agora!
Sustentem esta reflexão.

quinta-feira, julho 29, 2010

40º à Sombra



Porque só nos entendemos por valores relativos, a canção dos Radar Kadafi (1987) perderá toda a leveza da inocência à medida que temperaturas destas forem sendo mais frequentes.


"Ah, nos anos 80 é que era bom..."

quarta-feira, julho 28, 2010

Heavy Metal

Paranoid, Black Sabbath (Lp; 1970)
Imagem de um dos primeiros discos de heavy metal da História retirada daqui


Os químicos estão a tomar conta da sociedade
e a capacidade da lucidez a ceder-lhe espaço.
Efeitos cumulativos que não controlamos por retro-ciência.



Em 1962, Rachel Carson publicou um livrito que nos "apeteceu" vir cá lembrar hoje. Chamava-se, Silent Spring (Primavera Silenciosa).
Confesso que ainda não li o livro, que, aliás, deverá ser difícil em Português (a não ser em linha).

Releio e cito um artigo (saído num conjunto de fascículos da colecção que dá por nome de "As Grandes Figuras do Mundo nos Últimos Cem Anos" [Visão, 1999]):

"Silent Spring, publicado em capítulos na revista New Yorker, em 1962, espicaçou os barões empresariais em todo o país. Mesmo antes da publicação, Carson foi violentamente ameaçada com processos judiciais e vítima de maledicência, incluindo de sugestões de que esta cientista meticulosa era uma "histérica" em qualificações para escrever um livro. Foi então organizado um enorme contra-ataque da indústria química - devidamente apoiado pelo Ministério da Agricultura, bem como por alguma comunicação social."

Sabemos quem eles são.
Sabemos de que lado está o poder.
O poder que nos tem governado desde há séculos.
Até hoje.
(Até hoje nos tem governado.)

Carson referia-se ao uso dos pesticidas químicos:

"Era uma vez uma cidade no coração da América, onde toda a vida parecia desenrolar-se em harmonia com o ambiente... Depois, uma estranha influência maligna atingiu a área e tudo começou a mudar... Havia uma estranha quietude... Os poucos pássaros que se viam estavam moribundos; tremiam violentamente e não conseguiam voar. Era uma Primavera sem vozes. Nas manhãs em que outrora se ouvia o coro matinal de chilreios não havia agora nenhum som; só o silêncio imperava nos campos, bosques e pântanos."


Para quem viu uma vez um documentário (penso que no segundo canal da televisão portuguesa) sobre o desastre ambiental de Minamata certamente se lembrará, como eu nunca mais esqueci, da imagem de um gato, na berma do mar, a tremer e a atirar-se descontroladamente à água.

Isto não nos faz pensar um bocadinho?

A explicação é muito simples.
A poluição é uma questão de concentração.
Anos e anos de produção industrial de venenos estão agora a manifestar-se em vários lugares deste planetazinho em que viemos pôr as patinhas...

A citação no início deste artigo era, aquando do momento em que foi escrita, já a pensar nisso mesmo.
Para quem se confrontar ou puder observar muita gente durante o dia talvez repare que há cada vez mais pessoas com comportamentos visivelmente anormais (quero referir-me a problemas do foro nervoso)

Resposta: químicos.

Não pomos em questão se são deliberada ou inconscientemente inalados. A verdade é que eles estão lá.
Mais: estão a acumular-se.
Os compostos químicos não-degradáveis e/ou bioacumuláveis (por exemplo, o mercúrio, que é um metal pesado - é aliás esta característica que distingue estes dos outros metais: não são excretados pelo organismo) é isso mesmo que fazem: nunca se destroem, só se avolumam.


E avolumam-se onde?
No ambiente e...
exacto...
nos seres vivos.

E se o Homem é omnívoro isso... quer dizer... que...
Ai!! Ai! Ai!...

A cadeia alimentar, desde o organismo vegetal mais invisível até chegar a nós (biólogos, uni-vos para no-lo explicardes!), está então toda à mercê da porcaria que enviamos e concentramos no ambiente.

Vem isto a propósito desta noticiazinha deliciosa (que há muito parecíamos aguardar) que não passará nos telejornais.
Muito menos quando estivermos tranquilos e abrigados pelo cimento, nem tampouco à hora das refeições. ("Isso é que não! Já nem se pode comer descansado?!...)

["O Homem é o único animal que cospe na água que bebe";
"Dig your own hole";
"Estás a fazer a cama onde te vais deitar";
e outras sentenças afins...

Isto anda tudo ligado.
A explicação é muito simples, também:

Só há um planeta Terra.
(é de propósito que o dizemos baixinho, não vá alguém andar a espalhar por aí este segredo...]


A Natureza segue o seu caminho.
Mas nós é que a levámos a empurrar-nos para este caminho.


Solução?

quarta-feira, julho 14, 2010

Andanças na minha terra 7


Vidal: Pinhel, Junho 2010


Viagens pelo Portugal esquecido. Sítio com história, esquecido quando desnecessário...

terça-feira, julho 13, 2010

Legislação do dia

Portaria n.º 485/2010. D.R. n.º 134, Série I de 2010-07-13

Ministérios das Finanças e da Administração Pública e do Ambiente e do Ordenamento do Território

Aprova o Regulamento de Gestão do Fundo de Intervenção Ambiental



Portaria n.º 486/2010. D.R. n.º 134, Série I de 2010-07-13

Ministérios das Finanças e da Administração Pública e do Ambiente e do Ordenamento do Território

Aprova o Regulamento de Gestão do Fundo de Protecção dos Recursos Hídricos




Portaria n.º 487/2010. D.R. n.º 134, Série I de 2010-07-13

Ministérios das Finanças e da Administração Pública e do Ambiente e do Ordenamento do Território

Aprova o Regulamento de Gestão do Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade

sábado, julho 10, 2010

Olha, não há - Mais um inquérito sobre a res publica

Quem vai passando pelas terras deste (ou de outro) país, por vezes apercebe-se de pequenos aspectos, similaridades e dissemelhanças com as terras (ou a) que temos como modelo de comparação.
Em Arruda dos Vinhos e em Sendim (Miranda do Douro) pensei para pensar nisto.


Há freguesias onde se vislumbra um "centro". Noutras infere-se perfeitamente o seu desenvolvimento / crescimento / expansão através de eixos viários, sem qualquer centro.
(Numa cidade, congregação de espaços e terras, é normal haver mais que um "centro")
Muitas vezes, esse suposto "centro" (terá sempre de existir um?) está onde está o monumento do credo religioso. Ao lado pode estar a Junta de Freguesia (muitas vezes, está).

Nos tempos de ignomínia actual, em que o capitalismo tomou conta das nossas aldeias, vilas e cidades, tomou conta até dos nossos sentimentos e sensibilidades, poderíamos pensar que uma "praça" foi um lapso, um esquecimento, um abandono ("não é economicamente viável...") por parte dos detentores do dinheiro, que a deixando assim, livre (LIVRE e aberta), não a puseram a render, a dar lucro, a gerar emprego, e essas tretas todas que todos aprendemos desde bem pequeninos a dizer que são necessariamente necessárias (sublinhe-se o reforço).

Dessas praças os elementos mais característicos podem ser, talvez (aceitamos outras sugestões):

- edifícios À VOLTA
- a sombra
- o espaço vazio
- bancos
- um fontanário
- um jardim ou um pequeno monumento (estátua, por exemplo...)
- a calma dos espaços reservados à locomoção pedestre (ou com locomoção automóvel restrita e em favor daquela)

Mas há um elemento que bem poderia figurar nesse então "espaço central":

- a casa de banho pública




Na minha terra
- e, para o inquérito que fazemos, vamos entender por terra a cidade ou a freguesia onde habitamos presentemente -
não há casa de banho pública.


Podemos perguntar-nos:

- E justifica-se?
- Com que condições? (Com a possibilidade de se tomar um banho?, por exemplo)
- Com que modelo de gestão, ou - mais concretamente -, com zelo da parte de quem?

(Porque é que o que é de todos acaba parece que invariavelmente por não ser de ninguém? Quem precisa, respeita? Sim. Portanto, que direito tem de usar um bem público quem o danifica ou lhe retira qualidade de próximas utilizações?
Etc., etc.
Colocai também as vossas questões, por favor.)

Há pessoas que não têm tecto, nem o conforto da privacidade, nem o do amor.
São seres humanos. Que lutam, com maiores dificuldades que os outros, pela sua dignidade em existir, em se alimentar, em estar, em sobreviver. Em viver.

Onde vai um sem-abrigo tomar um banho, hoje?
Tem de ir necessariamente a uma instituição dita de solidariedade social?
As cidades que dispõem de casas de banho públicas criaram-nas recentemente?
De quem partiu a ideia da sua criação? De entidades privadas? Do governo local? De cidadãos mobilizados democraticamente unidos?


Na cidade de Braga, a realidade mais aqui à mão, há - tanto quanto sabemos - apenas uma casa de banho pública (mas indicai-nos, se mais houver). Fica em frente ao edifício onde funciona a Sede do Município, num largo onde há uma Igreja e onde figura a estátua de um senhor que foi por aí abaixo para ajudar a trazer-nos um regime que se soube e ainda nos volta à boca, vacas humanas que somos.
Desce-se uns "míseros" degraus e, se estiver aberta, lá está uma pessoa.
E...
uns míseros degraus bastam para impedir alguns de aceder ao que devia ser-lhes garantido.


Casas de banho públicas? Humm... pensemos bem nisto.

Quais usamos nós quando estamos "aflitinhos" (e não por tomar um banho...) que não fazem parte de um edifício comercial, ou de um espaço que pertence ou é gerido por uma empresa?
Pensemos bem nisto.

Analisemos e conheçamos melhor o que é realmente
- público,
- privado,
- privado com uso / para usufruto público, e
- público com uso privatizado (apropriado)


Se repararmos bem, à luz dos valores democráticos (por exemplo, o do "acesso gratuito" ou tendencialmente gratuito e universal) poderemos concluir que esta questão não cheira nada bem...

Até ao fim de Julho estamos a perguntar-nos:

Na minha terra há casa de banho pública?
Sim?
Não?

O inquérito está ali do lado esquerdo.
Participem.

terça-feira, julho 06, 2010

As crises do capitalismo, por David Harvey

"O capitalismo não resolve as suas crises - transfere-as de umas regiões para outras."

segunda-feira, julho 05, 2010

Cidades Imaginárias - Maycomb

Mapa possível do centro da acção, em Maycomb
Retirado daqui


Maycomb era uma cidade antiga.
Situava-se a trinta quilómetros a leste da Plantação Finch e ficava demasiado para o interior, o que era uma localização bastante estranha para uma cidade tão velha. Se não fosse a esperteza saloia de um tal Sinkfield, Maycomb estaria mais perto do rio. Este, nos primórdios da história, teve uma estalagem onde se cruzavam dois caminhos de gado, aliás, a única do território. Não era patriota, servia e fornecia munições de igual modo aos índios e aos colonos, sem saber, nem sequer se importar, se fazia parte do território de Alabama ou da tribo dos Creek, desde que o seu negócio fosse de vento em popa.
O negócio prosperava quando o governador William Wyatt Bibb, com vista a promover a tranquilidade doméstica do seu recém-criado condado, decide enviar uma equipa de topógrafos para localizar o seu centro exacto e aí estabelecer a sede de governo.
Os topógrafos, hóspedes de Sinkfield, disseram ao seu anfitrião que ele estava nos limites territoriais de Maycomb County e mostraram-lhe a localização provável da futura sede de governo. Se Sinkfield não tivesse feito uma manobra destemida para proteger os seus bens, Maycomb estaria hoje bem no meio do Pântano Winston, um local totalmente desprovido de interesse. Em vez disso, Maycomb cresceu e expandiu-se para além do seu centro nevrálgico, a taberna de Sinkfield, porque certa noite Sinkfield reduziu os seus hóspedes a um estado de completa miopia alcoólica, induzindo-os a mostrarem os seus mapas e cartas topográficas, tirando um bocado aqui, juntando outro ali e tendo ajustado o centro do condado de acordo com as suas necessidades.
(...)
Ele acabou por colocar a jovem cidade muito afastada do único tipo de transporte público da época - o barco fluvial - pelo que se demorava dois dias de viagem do extremo norte do condado até às lojas de bens essenciais em Maycomb. Como consequência, a cidade permaneceu com o mesmo tamanho durante uma centena de anos, uma verdadeira ilhota num mar de retalhos de campos de algodão e bosques.


"Estrato" de "To Kill a Mockingbird" (1960), de Harper Lee.
"Por Favor, Não Matem a Cotovia", Edições Difel, tradução [com falhas irritantes de Português!] de Fernando Ferreira-Alves, 2ª ed., Outubro de 2007

sábado, julho 03, 2010

Plano de Pormenor da Baixa Pombalina

Petição «pela alteração Proposta de Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina », em http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N2511


Mais informação em



De olhos em bico

Imagem retirada daqui manipulada por Eduardo F.


Sabia que...

...o arroz é o alimento mais importante do mundo?

...que cada português consome, em média, 17 quilos de arroz por ano?



...a empresa Bayer pretende que a União Europeia aprove em 2010 a importação e consumo do arroz LL62, um arroz transgénico que é muito diferente do arroz convencional tanto em termos de vitaminas (B5 e E), como em cálcio, ferro e ácidos gordos?

...o arroz transgénico LL62, da empresa Bayer, foi manipulado para se tornar resistente a grandes doses do herbicida glufosinato, também da Bayer? Isso significa que cada bago de arroz transgénico vai ter mais resíduos desse poluente do que qualquer outro tipo de arroz - e o glufosinato foi avaliado como sendo de «alto risco» para o ser humano e outros mamíferos.

...na verdade, esse herbicida glufosinato é tão tóxico que já foi decidida a sua proibição na União Europeia a partir de 2017?

...os resíduos do herbicida não desaparecem quando se coze o arroz?

...Nos Estados Unidos em 2006 uma das suas variedades de arroz transgénico, apenas autorizado para testes experimentais, contaminou extensas áreas de arroz agulha e o resultado foi um prejuízo superior a 1,2 mil milhões de dólares para toda a indústria arrozeira daquele país. E a Bayer, o que fez? Descartou-se de todas as responsabilidades afirmando simplesmente em tribunal que esse acidente tinha sido «um acto de Deus»!



Como classificar isto?

quinta-feira, julho 01, 2010

O Tempo e O Modo

Sendo notícia o homem morder o cão, eis então uma não-notícia.
Como as efemérides, vamos remexer no caixote das memórias e lembrar...

- Ah, no meu tempo é que era...!

Narra o locutor, com a sua voz imponente e grave:

- Em 2008, o mundo era assim...


Sinais do tempo a partir dos quais lemos a História da Humanidade.
Nós, animais fora do tempo e do lugar, quais extra-terrestres a ver algo que já não nos pertence, distanciados.

Isto é um assunto caro a todos.
Demasiado caro.

Tem, portanto, que ver com o consumo.

Que cabe na palavra consumo?
Muito, sabemos.
Mas pensemos bem.
Tal como a palavra Justiça engloba a justiça e a injustiça, a palavra Consumo contém em si - QUANDO É QUE APRENDEMOS? - , muito sucintamente, os processos de produção, consumo e destruição.

Transmutemo-los nos termos equivalentes ou variáveis que quisermos (por ex. destruição - desperdício) (por ex. a produção, quando significa extracção dos recursos, implica também destruição, já não do objecto a consumir, mas do entorno em que ele se encontra...), mas toda a verdade não se conta em 60 minutos.


Visão de 15 de Maio de 2008, p.112


Vamos cantando e rindo, alegremente...
Que (uma das partes d)o consumo sempre nos põe assim.
A tresver, a trespensar, estrabizados.