segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Capelinhos


Foto de César, Ilha do Faial (Vulcão dos Capelinos) - Açores

O Portugal moderno...

Segundo o relatório conjunto sobre a protecção social e inclusão social, que é apresentado na segunda-feira e deverá ser adoptado no dia 29 pelo Conselho de Ministros do Emprego e Segurança Social, em Portugal há mais de 20 por cento de crianças (uma em cada cinco) expostas ao risco de pobreza(…)
Neste caso, Portugal está em penúltimo lugar e é apenas ultrapassado pela Polónia - ambos com mais de 20 por cento de risco de exposição à pobreza - de uma tabela liderada pela Finlândia e Suécia, com sete por cento de risco.

Sol online

sábado, fevereiro 23, 2008

Sacudir a água do capote…

Imagem com a cortesia do Inimigo Público, suplemento do Público de 22.02.08
António Jorge Gonçalves

terça-feira, fevereiro 19, 2008

"A régua e esquadro: novas geografias", de Eric Hobsbawm

A Questão Do Nacionalismo
nações e nacionalismo desde 1780

Eric Hobsbawm
Tradução: Carlos Lains
Edição Terramar


Parece que existe mais um País. Mais uma Nação? Todavia, existem nações dentro de países e países que não fazem uma Nação. Existem Povos que não têm país e acham-se um povo ou uma nação sem terra. Aliás o termo Nação, segundo Hobsbawm é relativamente recente (assoma com o liberalismo há cerca de 200 anos).
Quem sabe um bocadinho de história, observa que antes da “costura” de Estaline e Tito, os Balcãs eram (e continuam) um pedaço de terra em constante polvorosa, polvilhados de povos, ora independentes ora pertença de Impérios (e respectivos desmembramentos e alianças). Sim, e uma manta de retalhos, com várias etnias, povos, raças e credos diferentes (veja-se a Bósnia Muçulmana, a Croácia Católica–limite do império austríaco, a Eslovénia que fora Austríaca e a Sérvia Cristã Ortodoxa, outrora pertença do império Otomano), com os seus aliados históricos e ódios de estimação (também históricos). Tudo isso se diluiu na Jugoslávia de Tito.
A “desmancha” de início da década de 1990 foi um remake (de alguns “assuntos pendentes”- Hobsbawm) do pós - primeira guerra Mundial e dos renovados traçados de régua e esquadro (países e nações), não apenas nos Balcãs, mas em larga medida por todo o Leste europeu. Aliás, a primeira grande guerra teve lá o seu despoletar e não se afigura, de todo, tarefa fácil o entendimento da região. É necessário conhecer a sua história e os seus povos. Na segunda grande guerra estes também se dividiram profundamente na barricada. No caso do Kosovo, importa não desprezar que os Sérvios o consideram berço da sua Nação.
Em tudo isto, a televisão (fala-se do caso como do da Dona Deolinda que tem um filho lá fora a lutar pela vida), e um certo relativismo e branqueamento perpetrado pela Europa, não ajudam nada. Mais a mais, com réguas e esquadros de quem não conhece (e como poderia?) a realidade europeia e a sua história: EUA.
Outros povos (Nações?) acham-se (há muitos anos) com os mesmos direitos. A saber: País Basco, Córsega, Irlanda (apenas para referir Exs. na Europa). Fala-se do tal efeito dominó na TV como quem come nozes. A Europa pacífica e adormecida, ainda há pouco mais de 50 anos se dizimou numa guerra fraticida. A maior de todas! A memória esvai-se…
E reflectir sobre a imagem da Sérvia neste retrato? E que fará a Mãe Rússia? Que repercussões na Espanha, França ou mesmo Inglaterra? Não são de desprezar as questões de geopolítica e a vontade (porque também é disso que se trata) de poder, domínio (económico ou outro) e conquista. Para outros, poucos, de história (a sua) e honra.
Do livro de Hobsbawm apenas acrescento que é preciso lê-lo. Porque nada é o que parece ser. Povos=Nações= Países?
Mais duas propostas, para melhor compreender a região, de forma mais ou menos “ligeira”. Outro livro, nesta caso um romance: “Águias Brancas sobre a Sérvia” de Lawrence Durrell (Biblioteca de Bolso Dom Quixote) e um filme: “Underground “– Era uma vez um país, de Emir Kusturica.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Água vs Arquitectura

Clica para entrar Lisbon Aqueduct - May'07 - João Morgado _ www.photo.joaomorgado.com

"Nos dias de hoje é cada vez mais importante repensar a forma como se usa e abusa dos recursos naturais… a água é um bem precioso à vida e começa a ser cada vez mais escasso. O que poderemos fazer para inverter a situação?
De que forma a arquitectura e o urbanismo poderão ter um papel activo num desenvolvimento sustentável?

Quanto custa ao meio ambiente construir um edifício sustentável?
"

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Urban Expo - 1.º Salão Internacional

Associação Portuguesa de Gestão de Centros Urbanos"Nos dias 7 e 8 de Março de 2008, irá decorrer em Faro a URBAN EXPO - 1º Salão Internacional da Requalificação, Modernização e Promoção dos Centros Urbanos em simultâneo com o URBAN CONGRESSO - 1º Congresso de Gestão de Centros Urbanos.

A Urban Expo vai apresentar aos gestores urbanos e autarcas das cidades e vilas portuguesas os mais recentes equipamentos, tecnologias e serviços para a requalificação, apetrechamento, modernização e promoção dos centros urbanos.

Estão abertas as inscrições para as empresas que queiram estar presentes como expositoras e/ou patrocinadoras."

Clica aqui para ver brochura.

Para mais informações contacte:
Davide Alpestana
Gestor de Centro Urbano
91 289 52 65
dalpestana@gmail.com

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Sobrevivência Global

Timothy O’Riordan, Professor Emérito de Ciências Ambientais da Universidade de East Anglia, estará em Lisboa este mês para o Ciclo de Conferências “Enfrentando a Crise Global do Ambiente”, uma iniciativa do Programa Gulbenkian Ambiente.

A conferência intitula-se "Preparando a Sociedade e o Ambiente para a Sobrevivência Global" e realiza-se às 18 horas de 19 de Fevereiro (na Sala 1 da Fundação Calouste Gulbenkian.)

As inscrições estão abertas até 16 de Fevereiro, e podem ser feitas através do endereço pgambiente@gulbenkian.pt

Mais informações
aqui.
Ler a curta mas interessante entrevista a Timothy O’Riordan.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Mutantes

Vidal: Braga, Av. Central, Fevereiro 08.

Não deixa de ser interessante como neste país se vive permanentemente num gigantesco faz de conta, com carácter vitalício, asseguramos. Quando se faz algo, previsto na lei por Ex., esse algo é realizado no estritamente necessário e, se possível, de forma aparente, imediata, “pública”. Neste caso nem interessa ser a mulher de César mas fundamentalmente, parecê-lo. Os efeitos práticos, isto é, se servirá para alguma coisa, são devaneios, apanágio de visionários ou poetas. Atente-se na imagem:

Braga. Avenida Central. Um Multibanco, apetrechado, à primeira vista (eu diria vista desarmada) com as novas “tendências” (é assim mesmo) relativas à decoração e imagem, assim como as mais modernas acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida. Debalde. Na realidade, a altura obedece às características minimais para se acessar em cadeira de rodas, por Ex., não fosse o mau jeito de, não um, mas dois, patamares de acesso. Nestes, para além da altura e da mini escadinha, observa-se (não sei se seria para o efeito) um espaço reduzido para qualquer cadeira de rodas, desde que, claro está, consiga, apesar de tudo, subir. Ainda estou para aqui a pensar se seria esse o objectivo…subir(?).

Resta a opção mutante. Se não serve para subir, se apresenta uma altura “razoável” e um desnível considerável, apenas resta o recurso a outras opções. Esticar o braço como o homem elástico, materializar-se dentro da caixa, voar, (mas neste caso não precisaria de cadeira, pois não?), ou qualquer outro poder. De resto, sempre pode pedir a alguém de confiança(?) para lhe levantar dinheiro. Gente honesta não falta…

domingo, fevereiro 10, 2008

Estes estranhos nomes... (II)

Foto: António J. M. Correia
Cortesia
Registos Geográficos


Portugal não pode considerar-se inteiramente moderno enquanto ainda tiver lugares chamados Má Vontade (Faro). Qualquer belga sente-se ridículo quando as forças das circunstâncias o obrigam a escrever num envelope, só porque quer mandar um cartão de Natal ao amigo que tem no Machico, “João Madeira, Vivenda Porto da Cruz, Ribeira Tem-te Não Cais”. Ribeira Tem-te Não Cais, tal como o anterior Fonte do Bebe e Vai-te, não é, muito simplesmente, admissível.
Os Portugueses adoram estas coisas, mas elas não podem continuar. Aliás, a própria CEE certamente não irá permitir.
No Ano Europeu do Ambiente, há pelo menos um sítio onde seria indispensável realizar uma conferência internacional - é em Sujeira, no concelho de Coimbra. Para não falar do absurdo que é ter dez Infestas, o que já ultrapassa qualquer infestação, sem contar com os São Mamedes e os São Raimundos da mesma. Como se tudo isto não bastasse, há ainda uma indesculpável aldeola no concelho de Ferreira do Zêzere chamada Infestinos.
Claro que há algumas hipóteses mais positivas. Por exemplo, seria um êxito organizar um concerto da Tina Turner em Pretarouca, no concelho de Lamego. Há terras com nomes que parecem títulos de livros de Eugénio de Andrade, como Ferido de Água (concelho de Paredes). Há saldos de todas as espécies. Toda a gente conhece o Vale de Pegas (Albufeira) e a Venda das Raparigas (Alcobaça), mas há lugares mais especializados como a Venda da Luísa (Condeixa-a-Nova) ou a Venda da Gaiata (duas em Tomar, uma em Pedrógrão Grande) e ainda lugares lamentavelmente racistas, como seja a infame Venda dos Pretos, em Leiria. Com nomes destes, nunca haveremos de ir a lado nenhum.
O desenvolvimento não se compadece com estes barbarismo e idiotismos. Não haverá fundos regionais para sítios chamados Fofim de Além e Fofim de Aquém (Vila Nova de Gaia), Fonte do Judeu Morto ou Marmelar? Mesmo as terras com formas verbais (as minhas predilectas) como “Farto” (Arcos de Valdevez) e “Gostei” (Bragança) não têm a mínima graça quando são traduzidas.
Para minimizar os estragos injustos que provocam os nomes dos lugares, para deixar de marcar as vidas e as carreiras de todos aqueles infelizes da Sarnada (Paredes), de Porca, de Porcas, de Porquetra e de Porquetras, de Porrais e de Porreira, de Pocilgas (Vila do Porto) e da Porcalhota, é necessário adoptar o esquema norte-americano e começar a dar nomes de cidades estrangeiras às centenas de terras com nomes horríveis. Sarilhos Grandes passaria a ser Paris (não Paris, Texas, mas Paris, Montijo), Sarilhos Pequenos seria Versalhes, a Costa da Ervilha seria Istambul-a-Nova, e o Cabeço do Cão Morto seria Viena. Sejamos civilizados.
Três Figos de Baixo (concelho de Monchique) passaria a ser Walton-on-Thames. Saca Bolos, nome absurdo, poderia ser o Luxemburgo. O Fogueteiro seria Leningrado. E por aí fora, no verdadeiro espírito universalista que nos caracteriza. Assim é que não. Temos a corografia mais ridícula da Europa.



Este é o segundo extracto de uma crónica de Miguel Esteves Cardoso, "Nomes da nossa terra que urgiria esquecer", que vem incluída na compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Estes estranhos nomes... (I)

Ler melhor

Foto: António J. M. Correia

Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por exemplo. Há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide. Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide. Nunca mais ninguém o viu. Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia.
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide. Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço. Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola. Para não falar na Cova da Piedade, no Fogueteiro e na Cruz de Pau.

Um dos mais notáveis documentos da nossa cultura é o Dicionário Corográfico de Portugal, de A.C. Amaral Frazão (Domingos Bandeira, Porto, I981). Contém cerca de 1000 nomes de lugares, aldeias, vilas e cidades portuguesas. Ao ler os nomes de alguns sítios, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na CEE. De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer integrar?
Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses. Imagine-se o impacte de dizer «Eu sou da Margalha» (Gavião) no meio de um jantar. Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente «E a menina, de onde é?», e a menina diz: «Eu sou da Fonte da Rata» (Espinho). E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando «E onde mora, presentemente?», só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).
É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro? Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda. Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso? Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Tarouca, de uma Vergadelas?

É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma de «terra». Ninguém é do Porto ou de Lisboa. Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir.
Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro),
É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros («I am from the Fountain of Drink and Go Away...»).

Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa (Torres Vedras). Verá que não é bem atendido. Toda a gente levará a mal o passageiro que provier de um A-do-Cavalo (Trancoso) ou de um A dos Caos (Sintra), que nem sequer é capaz de ser A dos Cães, só para embirrar e soar mal. Como se isto não bastasse, há muitos compatriotas nossos que nasceram com o handicap de serem de A do Barbas (Leiria) ou de A de Loucos (Vila Franca de Xira). E injusto. E é muito pouco europeu.

Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima. Fica perto da aldeola de Sacripanta, e da lendária vila Sacana (estes dois últimos são mentira). Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros. Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo Não sei, A Mousse é Caseira, ou Vai Mais um Rissol.
É certo que já há algumas terrinhas com nomes pós-modernos. Há s terras chamadas Formal, onde toda a gente anda de smoking e lê os formalistas russos — uma em Ovar, outra em Vila Nova de Gaia e uma em Espinho. Há, nas Caldas da Rainha, um moderníssimo Imaginário, terra natal de muitos dos nossos grandes intelectuais sem imaginação nenhuma. Existe uma Invenções (concelho de Resende). No concelho de Santana, lá está uma Diferença. Há, em Vila Nova de Ourém, uma Memória. Imagine-se só o que um poeta rasca era capaz de fazer com esta informação (exemplo de um primeiro verso: «Lembro-me da Memória como se inda ontem lá estivesse...»). Para os nossos cineastas e encenadores há uma terra santa, um Jerusalém dos Subsídios, que se chama Verba (em Aveiro). Há uma aldeia ultramoderna que até se refere a si mesma - chama-se Própria (concelho da Feira). Por último, como convém, só há uma Verdade — a de Melgaço, e mais nenhuma.

Há dois casos do mais puro e acintoso dadaísmo. Como se não fosse já difícil suportar a vergonha de haver um Isqueiro no mapa, Portugal tem logo quatro. Quatro Isqueiros! Dois em Barcelos e dois em Caminha. Ou seja, quatro isqueiros todos juntinhos uns aos outros, criando a grande confusão nos turistas e demais excursionistas da Ronson, e isto sem um único Fósforo no resto do país.

No que toca à Política, nota-se que a Esquerda não vai bem. Só existe um Cunhal, no concelho de Alvaiázere. (Onde é que fica Alvaiázere, por amor de Deus?) Constâncio, não há. Há uma Constância e um Constance, o que não é a mesma coisa. Eanes também não há, isto apesar de um Martinho e de dois Medeiros, nos concelhos de Castelo de Vide, de Montalegre e de Vila Nova de Gaia, respectivamente. A Direita, em gloriosa contrapartida, arranca logo com uma dúzia inteira de Moreiras, 7 Freitas, 3 Cavacos e 1 Pires. Quanto ao presidente da República, não se registam, infelizmente, Mários nem Soares. O que há é uma Mariola de Cima, em Monchique, e um fabuloso Maroques, em Tavira. Toda a Campanha presidencial esperei ver o cabeçalho “Mário conquista Maroques” ou “Freitas visita Freitas, Freitas, Freitas, Freitas e Freitas”. Mas em vão.
Na política internacional, deve haver mouro na costa porque apesar de uma Espanha (Lousada) e de uma França (Bragança) e de um Brasil (Barcelos), e na ausência vergonhosa de uma Inglaterra, de uns Estados Unidos da América, de uma Argentina e de uma Suécia, há nada mais nada menos que cinco Marrocos! Só nos apazigua o facto de haver uma terreola no concelho de Tábua chamada Meda de Mouros ou, como se diz maliciosamente em Tábua, deixando cair os érres, a Meda de Mouos.

Depois, há um monte melhor do que a Montanha Mágica de Mann, onde se concentram todos os heroinómanos deste país - é o Monte das Picadurinhas, no concelho de Iaméu (não é nada, é no de Ourique). Não fica muito longe de outro notório hippy - o Monte da Má Coisa, em Montemor-o-Novo. Aliás, no capítulo psicadélico, o lugar mais estranho deve ser Helenos ou Raso (Pombal). Diz um frique ao outro: “Vamos fumar uma broca a Helenos ou Raso?”. O outro, zonzo de droga, pensa um bocadinho e responde: “A Raso”. O primeiro, aturdido de estúpido, não compreende e indaga: “Mas arrasas o quê, meu?”.


Este é o primeiro extracto de uma crónica de Miguel Esteves Cardoso, "Nomes da nossa terra que urgiria esquecer", publicada em data não referida (mas Mário Soares era presidente, na altura, e - parece - Vítor Constâncio era de esquerda...) e vem incluído na compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.
Achei que valia a pena partilhá-la com todos os que nos visitam. A não perder os próximos "estratos".

terça-feira, fevereiro 05, 2008

É só fumaça!

Chamamos a vossa atenção para o inquérito deste mês, o qual tem como pergunta:

És a favor da nova "Lei do Tabaco"?

As respostas têm sido muitas, mas julgamos que a questão ainda mal começou a ser colocada...

Para citar uma personagem da nossa história recente (Jaime Neves):
- É só fumaça!

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Que fazer aos espaços centrais?

Ler em caracteres maiores
Povo de Guimarães - 01.02.08, p.3

(Como costumam pintar bem as imagens do que será o futuro das coisas após uma intervenção requalificadora... E "requalificadora" também é passível de discussão...)

domingo, fevereiro 03, 2008

Do bairrismo: um exemplo prático

Na cidade de Braga, sair à noite costuma significar, além de entrar em estabelecimentos fechados, repletos (a culpa é nossa, porque, à partida, eles estão vazios...), exíguos e onde se respira mil vezes e mal o mesmo ar (refiro-me aos locais onde é permitido - vá-se lá saber como - fumar), sair com um papelinho onde nos carimbaram, ou não, com preços daquilo que consumimos.

Na cidade de Guimarães, sair à noite costuma significar ir para o centro histórico da cidade, onde a mesma fervilha de vida e liberdade. Liberdade é a palavra-chave neste meu protesto que aqui deixo. Já o discuti muitas vezes com amigos e pareceu-me que o copo se encheu a tal ponto para o partilhar.

Na cidade de Guimarães as pessoas entram e saem sem qualquer preocupação. O que tem um efeito altamente benéfico para quem - como penso que é o objectivo - quer divertir-se e estar bem com os amigos: é que o ar é muito menos pesado.

Porque não nos sentimos obrigados a ficar,
porque se sairmos vamos ter de pagar
e isto de andar a entrar
e sair de bar em bar
não está a dar
para quem ainda não começou a trabalhar


Pergunto-me sobre os porquês de tão opostas estratégias. Serão directivas camarárias?

Seja como for, o bairrismo, quanto a mim, só significa uma coisa, ou antes de outras coisas: atraso mental. Repito: atraso mental.

O futebol, esse desporto maravilhoso e bonito que, como qualquer desporto, devia promover a saúde a convivência sã entre os povos, tem - julgo eu - um papel importante para alimentar (senão a criar!!!) esse efeito perverso que é o bairrismo. Pois bem. Entre aqueles a que os bracarenses chamam de espanhóis e os assistentes, que apenas querem ver um bom jogo, fica o bairrismo de ambos, que ambos divide mas que ambos une na estupidez.

Claro que há estabelecimentos onde se paga o dito "consumo obrigatório" que muitos dizem "ser proibido", mas que nós vamos pagando onde é "obrigatório". Mas eu - que não sou muito dado a esses espaços e ambientes decadentes onde corpos dançam inconscientes ao som do álcool - manifesto a minha liberdade em preferir os espaços onde não há "consumo obrigatório".

É óbvio que depois se diga que Braga não tem vida à noite e os seus sitiados não queiram ver o que se passa na sua congénere vizinha...

Enfim, cada um queixa-se daquilo que o afecta. Deixo-vos com uma citação fenomenal que descobri estar disponível há poucos dias. (Não, não é bairrismo, juro...)