sexta-feira, janeiro 28, 2011

Portugal, O Capitalismo e Eu

Eu sou parvo, ou quê?!?
Quero ser feliz, porra!!!





Em tempos de FMI, vem à luz este relato histórico, este conto do fantástico, inédito para quem não está familiarizado com estes assuntos, para quem não anda - ainda - por dentro.
De mim.




Há um fio por dentro do indivíduo e da comunidade.
Que a ambos une e lhes devolve o sentido.
O sentido de um e outra, no sentido de todos.





(E um sorriso nasce de dentro deste último verso...)


Sinto pena e sofro na pele este cão da morte a bafejar nas nossas costas.
Deixámo-lo invadir tudo,
destruir tudo,
Tirar-nos tudo.
Até os espaços íntimos, como navalha até ao osso.


E que sobrou de nós?
Que estamos nós a ser?
Uns grandessíssimos filhos do capitalismo, é o que estamos a ser.


O sistema de troca, baseado na exploração do outro, no desrespeito pelo outro
- como os outros animais.
Na utilização do outro para fins só próprios,
como uma propriedade.


A vozearia que invade toda a praça onde estamos.
Fomos apanhados no meio da azáfama mercantil
- onde tudo se compra,
onde tudo se vende...



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Como fomos belos, aquela noite...
Naquela clara madrugada
por que tanto esperávamos...


O mundo pareceu-nos infinito
porque desapareceu nas nossas mãos
enlaçadas...


Numa ânsia de tudo fecundar...
Terra. Mar.
Mãe.


Catarse individual e colectiva,
a de quem quis tudo
por não ter nada,
a de quem andou tantos "anos"
a falar pela calada,
a de quem quis a vida cheia
quando a tinha parada...


Como no quadro do Manta,
o mundo pôs os olhos em nós,
a ver o que ia acontecer...


E o mundo éramos nós,
Éramos esta terra que habitávamos...



Passado pouco tempo...
... já estávamos divididos
E nós não queríamos isso....

Crises políticas,
cisões partidárias,
corações partidos,
cortes com o passado...

Já nada seria como antes.
Irreversível, não é?

Eu sou parvo, ou quê?!?
Quero ser feliz, porra!!!


Um dia, a História vai dar-me razão!
- pressentiu o Carvalho.


Ah!, esta constituição portuguesa,
Ah!... esta capacidade de previsão,
esta coacção contra a penitência
- Caminhar é preciso,
Porque o mar nos ensinou a sonhar alto...

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Vê o absurdo em que caímos,
o absurdo em que nos tornámos.

Se nos tirarem um pé de apoio a cada um de nós, com quantos pés de apoio ficamos?
- Bem, isso depende de quantos pés temos à partida.

Vem o riso em potencial,
levanta-se da cadeira
e dá um valente pontapé no traseiro do capitalismo.

Ah! como é bom rir...
Como é bom expulsar este peso de dentro de nós...

No meio da dor e das lágrimas,
começamos a dançar.
Somos nós que dançamos no escuro.
Somos a luz e nele sempre desenhamos o nosso futuro.

Um filho a rebentar
a clamar por nascer...
Olá, somos nós, o riso.

Reencontrei-te
e hoje é dia de festa.


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Viro novamente a página
e tenho novamente uma página em branco,
neste caderno em que escrevemos,
tu e eu.

Sim, compreendo-te:
As armas assustaram-te.
Mas lutar é sempre um acto político.

E não queríamos ser isto ou aquilo
- Não queríamos imitar ninguém.
Queríamos ser nós e...
Nós.

Porque aquilo que queríamos ainda não foi inventado.
Nem pode ter nome.


O capitalismo é que come criancinhas ao pequeno-almoço.
(E manda-nos lavar as mãos antes de ir prà mesa...!)
O sistema de troca que sempre busca o lucro.

Ele que fique bem ciente disto:

Enquanto as relações comerciais se sobrepuserem às relações humanas,
não baixaremos as armas.
Não daremos tréguas.

As armas que levam cravos são feitas para lutar.
E quando essa luz se retirou
Foi para essa força que apontou...

As armas de que brotaram cravos
foram feitas para lutar. Por eles.
Vermelho vivo
a renascer de novo.

E de novo.

E de novo.

E enquanto estivermos vivos
É por eles que lutaremos,
Que não merecem menos de nós
que nós mesmos.

Aquela madrugada,
- dádiva tão grande...
em que entendemos o mundo da mesma maneira,
em que todos os planetas se alinharam,
em que os nossos corações nos ergueram acima das nossas cabeças...



E se nós não escolhemos a terra que nos encontra
(- está aquém de nós,
está para além de nós...),
podemos ainda escolher acolher
a terra que nos encontrou e viu nascer.

E eu honro essa terra
jurando fidelidade a mim mesmo:

A disponibilidade e a clareza,
a vontade e a paixão,
o alimento e a companhia...

A ternura de um amor tão grande,
filha,
para a ternura de um amor tão grande,
mãe.

Vale a pena a travessia?
Vale, pois!

Não tem nome aquilo que nos une.


E tu, Portugal
(De que é que estás à espera?)
Temos de pôr FIM ao FMI!


Ah, but in such an ugly time,
the true protest is beauty.

Que o amor é de quem o trabalha.


quarta-feira, janeiro 26, 2011

O blogue do tio em viagem

Em Barcelos, por exemplo, o Tio, não é um desses panfletos encalhados em folhetins de devassa jet7 ou coisa parecida. O tio, talvez seja um bar, um amigo, ou esse ressoar de latas que terminavam as nossas noites junto a máquinas obsoletas de cerveja. Ou a viagem, como aqui:





terça-feira, janeiro 18, 2011

O vício e a responsabilidade diluída



Vamos lá tautologiar um bocadinho?
Vamos.


Dispomos de meios (tecnológicos) avançados para resolvermos os nossos problemas terrestres. Ou terrenos, se preferirem.

Mas.

Há várias formas de resolver os problemas.
Dentro de cada forma de os resolver, os problemas e as soluções são encarados e orientadas mais neste ou naquele sentido.

Não, não importa apenas que os problemas sejam resolvidos.
Importa, em primeiro, que a resolução dos problemas não ponha em causa a própria resolução dos problemas.
Importa, depois
(- isto parece um politicamente correcto, vazio e bacoco a falar...)
que a resolução dos problemas não crie outros problemas. E nem outros, nem mais problemas.

A forma como olhamos para os problemas depende do nosso ponto de vista.
O nosso ponto de vista depende do lugar que ocupamos na problemática.

Quer isto dizer que as pessoas mais indicadas para resolverem os problemas são aquelas que por ele são afectadas?
Talvez.

Mas não se costuma dizer que...
os que podem, não querem
e
os que querem, não podem
?

Então continuemos virados
cada um para seu lado
e os problemas por resolver
e, não só por resolver mas,
a crescer.
Em número e magnitude.


Dispomos de meios tão avançados que parece absurdo não os resolvermos.
Mas vamos lá esmiuçar um bocadinho este absurdo:

"Esta m.... não anda, pá, porque a gente não quer qu'esta m.... ande.
Tenho dito!
A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém.
Não é isto verdade?:
Quer dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular..."

Etc., etc., etc.*


Mas
- só mais uma coisinha -
...

as nossas acções e vontades dependem dos nossos interesses.



E é nestas rodinhas que a Humanidade tem andado.
E para a frente, julga ela.



* - trata-se, pela enésima e sempre recorrente vez, de uma passagem do "FMI", de José Mário Branco.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Quando os cães uivam (Ecologia Humana)

Imagem retirada daqui, retirada doutro lado...


Ouço uivar um cão.

Por entre os vários ruídos que se ouvem pelo dia, como pela paisagem, ouço uivar um cão. Mas não vejo esse cão.

Levamo-los para um descampado.
Ou para o meio de campos que ainda vão sendo agrícolas.
Mas poderão vir a ser campos de jogos.
...
Levamo-los para longe de nós.
Longe da vista, longe do coração?


Assim chegados, procuramos um cão assim-assim.
Procuramos já com uma ideia do cão que procuramos ou vamos simplesmente à procura de um cão. Do cão que uiva.


Somos bem recebidos.
"Querem é restituí-los aos donos." (O seu a seu dono; vai maomé à montanha...e demais invenções sociais seculares do estilo, negadas ou que ficam pelo caminho das esperanças...)

Todos os cães encontram uma casa.
Para não andarem a vaguear.
Como um vagamundo.

Que todos os seres vivos têm direito a um lar.
Todos os seres vivos têm direito a acolhimento...
Princípio fundamental da felicidade.
Princípio que não vem na Constituição dos povos organizados
Que tão-pouco vem na Constituição dos povos desorganizados.


Dizia a canção ocultada e esquecida, uma canção não mais aprendida na vida:

"Mas já basta de miséria
Isto agora vai ser diferente
Não haja gente sem casa
Enquanto houver casas sem gente."


Sim, "Casas, sim! Barracas, Não!", canta o Grupo de Acção Cultural.
Canta o GAC todas as vezes que pudermos e quisermos.
Todas as vezes que ouvirmos e cantarmos.
...

"Não me obriguem a vir prà rua gritar!"


Que tem um canil que ver com a SPA - Sociedade Protectora dos Animais ?
Que têm este acolhimento e atendimento ao público que ver com o desaparecimento dos nossos fieis e queridos amigos?

Mas ouvimos vozes que nos dizem:

"Surgem de noite.
Trazem o medo.
Batem à porta.
Roubam-nos o conforto...

... o conforto de um afago,
de uma companhia,
de tantos momentos partilhados,
... a ternura
de uma cumplicidade na solidão...

Vêm sem avisar.
Actuam de noite.

E levam-nos para os canis.
Levam o cão que uiva."

...

Queixas, barulhos, incómodos - denúncias.
O homem contra o homem.
Vizinhos, uns contra os outros.
(O que é a sociedade?)

Quando todos eles, uns e outros, o que querem é ser felizes...

(Novamente o divórcio...)


Que tem um canil que ver com a SPA - Sociedade Protectora dos Animais ?
Que têm este acolhimento e atendimento ao público que ver com o desaparecimento dos nossos fieis e queridos amigos?


Amigo que uivas, que sejas bem acolhido.
Não és meu. Nem eu te pertenço.
Amigo que uivas, que sejas acarinhado e tenhas aquilo que realmente mereces.
Sei que não partiste por falta de carinho.
Quero acreditar que partiste, ou que te levaram, porque alguém mais uivava.
Que alguém uivava mais.
E que precisava da tua companhia.

(Novamente o divórcio.)

Estamos a ficar cada vez mais sozinhos.
Estamos, cada vez mais, a ficar sozinhos.
E eu não consigo compreender este absurdo.

Se todos, o que queremos é... ser felizes.


Não consigo compreender este absurdo.
E uivo.

Falha desconhecida pode ter estado na origem de sismo no Haiti

Sismo do Haiti deriva de deslocação das placas das Caraíbas e norte-americana


Os geólogos procuram uma explicação para aquilo que aconteceu faz precisamente hoje um ano no Haiti. A questão do cenário é importante para prever a frequência e intensidade de próximos sismos.

Quando a terra tremeu, os geofísicos não ficaram surpreendidos, tendo em conta que Port-au-Prince se encontra numa zona sísmica activa, próxima da falha Enriquillo-Plantain Garden (EPG), mas a origem precisa do terramoto permanece um mistério. Uma falha setentrional, a fronteira entre a placa das caraíbas e a norte-americana, faz com que estas escorreguem uma contra a outra a uma velocidade de dois centímetros por ano.
Segundo um estudo publicado na «Nature Geoscience», o cenário não é totalmente inofensivo. Aliás, uma boa compreensão do fenómeno permitirá prevenir sobre novos sismos, saber a sua frequência e estimar a probabilidade da intensidade.

Um tremor de terra deriva do efeito de uma manifestação brutal de um movimento tectónico progressivo. Quando duas placas se deslocam, ficam soldadas pelas forças de fricção ao nível das falhas. Acabam por se deformar tal como uma pastilha elástica muito dura. Passado algum tempo, a contracção torna-se maior e toda a energia acumulada ao longo dos anos é lançada de uma vez só: a falha rompe-se e dá o tremor de terra.

O sismo do Haiti está ligado à deslocação das placas das Caraíbas e norte-americana, mas a crosta não se rompeu na superfície tal como pensavam os investigadores e, por isso, continuam a analisar imagens de satélites de “antes” e “após” a medições de GPS de pequenas deformações que seguiram o tremor. A partir daqui, formularam-se três cenários distintos.

A ausência de desnível poderia ser explicada pela ruptura de uma falha, até agora desconhecida e situada nas profundezas da EPG. Outra hipótese é o sismo ser resultado de pequenas falhas na superfície. Os especialistas sugerem ainda que pequenas deformações observadas sejam compatíveis com a ruptura gigantesca da EPG, mas sem ligação a pequenas falhas secundárias.

Até agora, nenhuma das três possibilidades foi comprovada e os geólogos temem um novo tremor de terra devastador a curto prazo.



Informação via CiênciaHoje, 12.01.2011

segunda-feira, janeiro 10, 2011

sábado, janeiro 01, 2011

"A Cultura-Mundo: Resposta a Uma Sociedade Desorientada", de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy



Título
: A Cultura-Mundo: Resposta a Uma Sociedade Desorientada

Edição Original: La Culture-Monde: Réponse à une Société Désorientée (2008)
Autores: Gilles Lipovetsky e Jean Serroy
Tradução: Victor Silva
Edição: Janeiro de 2010
Editora: Edições 70
ISBN: 978-972-44-1586-4

Paginação: 243 páginas

Excerto (transcrição quase integral, pp. 66-70) do subcapítulo "A Desestabilização dos Mundos Privados":


"A desorientação hiperindividualista ultrapassa em muito a esfera política, como se pode ver nas relações com a família e entre os sexos. A família contemporânea regista baixa taxa de nupcialidade, aumento de divórcios, coabitação pré-nupcial, aumento significativo dos nascimentos fora do casamento e baixa de fecundidade.
À ordem constrangedora do passado sucedeu a família diversificada, que cada um escolhe, sem modelo nem norma absolutos, em função da sua ideia de felicidade.
Ao mesmo tempo que se multiplicam as famílias recompostas e se fala no casamento dos homossexuais, a família é arrastada para um processo de privatização e de desinstitucionalização radical: tornou-se um assunto estritamente afectivo e psicológico, um instrumento de realização pessoal, liberto das exigências de grupo. A dinâmica de individualização destruiu a ordem tradicional, que fazia prevalecer as tradições e os interesses de grupo sobre os desejos pessoais.
(...)

No último século, a condição feminina alterou-se mais do que em todos os milénios precedentes. Pela primeira vez na história, o lugar do feminino deixou de ser pré-ordenado e totalmente orquestrado pela ordem social e natural: agora é um princípio de indeterminação e de livre governo de si mesma que comanda a condição feminina. É claro que este processo é acompanhado pela manutenção de todo um conjunto de traços e de funções herdados da história. Apesar dum forte impulso da cultura democrática, não assistimos a qualquer intermutabilidade real dos papéis sexuais. A mulher hipermoderna conjuga a revolução moderna da autonomia individualisa e a persistência da herança histórica, a dinâmica da igualdade e a perpetuação da dissimetria social masculino / feminino.
(...)

Em princípio, tudo é negociável e susceptível de ser revisto, já nada é evidente, já nada na vida do casal se impõe "naturalmente". Em que altura ter filhos? Quantos filhos? Quem se ocupa deles e quando? Quem vai às compras? Quem realiza esta ou aquela tarefa doméstica? Trabalhar ou cuidar das crianças? Com a dinâmica da individualização, multiplicam-se inevitavelmente os contornos e os temas dos diferendos que opõem os homens e as mulheres que vivem juntos. Assistimos, por um lado, à generalização da norma amorosa como norma do casal e, por outro, ao desenvolvimento de conflitos que se alargam a cada vez mais questões, tendo ambos dificuldade em fazer concessões, querendo cada um realizar-se, reivindicando ambos autonomia e igualdade. Nestas condições, a esfera íntima suscita tanta insegurança, ou mais ainda, que a vida pública. As nossas grandes desilusões ou frustrações são muito mais afectivas que políticas ou de consumo. Quem não viveu esta experiência corrosiva? A relação estreita entre o amor e a desilusão não tem, evidentemente, nada de novo. O que mudou foi a multiplicação das experiências amorosas ao longo da vida.

Apagamento das culturas de classe, recuo dos sentimentos de pertença a uma colectividade, fragilização da vida profissional e afectiva, desestabilização dos papéis e das identidades sexuais, afrouxamento dos laços familiares e sociais, enfraquecimento dos enquadramentos religiosos: todos estes factores acentuaram fortemente o sentimento de isolamento dos seres humanos, a sua segurança interior, as experiências de fracasso pessoal e as crises subjectivas e intersubjectivas. Quanto mais o indivíduo é livre e senhor de si, mais parece vulnerável, frágil e desarmado interiormente. São disso prova a multiplicação dos suicídios e das tentativas de suicídio, a espiral da ansiedade e da depressão, o crescimento das toxicodependências, dos psicotrópicos e das consultas psiquiátricas (*).

É uma fragilização que se desenvolve num quadro de cada vez maior de solidão. O sentimento de solidão é vivido "de tempos a tempos" ou "frequentemente" por mais de um terço de europeus. É como se o desaparecimento de todas as barreiras que restringiam a liberdade individual provocasse apenas o encerramento do indivíduo numa concha pessoal. As cidades tentaculares são como o símbolo desta solidão individual colectivamente partilhada. Desde o início dos anos 60 que a proporção das pessoas sozinhas duplicou, atingindo cerca de 14% em 2004. Há 8,3 milhões de Franceses que vivem sozinhos, sendo cerca de 5 milhões mulheres. Em Paris, uma em cada duas habitações é ocupada por uma pessoa sozinha. Em 30 anos, o número de famílias monoparentais mais que duplicou, representando 20% do total. As pessoas idosas vivem mais de que as outras a provação do isolamento e ficam sozinhas cada vez mais tempo. São muitos os estudos que sublinham o drama do isolamento afectivo e ficam sozinhas cada vez mais tempo. É por isso que proliferam os clubes de solteiros, os sítios de encontros na internet e a dedicação aos animais - em França, há mais de 56 milhões. Mais de 50% das famílias possuem pelo menos um animal de estimação. Nunca na história da humanidade os seres humanos tiveram tantas possibilidades de estar conectados uns com os outros, utilizando redes de comunicação, e nunca tiveram um sentimento de isolamento tão forte. Ora, é este estado de solidão e de infelicidade subjectiva que está subjacente, em parte, ao aumento do consumismo que permite estas pequenas felicidades que compensam a ausência de amor, de laços ou de reconhecimento.
(...)


* - Em França, a taxa de pessoas que sofrem de depressão aumentou sete vezes entre 1970 e 1996. 11% dos Franceses registaram recentemente um episódio depressivo e 12% declararam ter sofrido de ansiedade generalizada nos últimos seis meses. O suicídio é a segunda causa de morte entre os 15 e os 24 anos e a primeira entre os 25 e os 40 anos. Um inquérito recente revela que 15% dos estudantes pensaram no suicídio durante os 12 últimos meses e que 5% fizeram uma tentativa ao longo da sua vida.