sexta-feira, agosto 27, 2010

quinta-feira, agosto 26, 2010

Ainda o fogo (sobre diagnóstico e coragem Vs. desinteresse)

"Não somos um país florestal. Em meados do séc. XIX, o pinhal de Leiria era a mancha florestal mais extensa. Depois da monarquia, houve uma florestação. Seguiu-se uma segunda, nos anos 50, no Estado Novo. E, por mais que custe, a gestão florestal era boa, ao contrário de hoje.

Era boa porquê?

Havia espaço para florestar em zonas onde viviam pessoas. Hoje, não temos condições para o mesmo tipo de florestação. Quem quiser plantar floresta para rendimento, tem boas hipóteses de nunca lucrar nada. Alguns concelhos arderam todos num espaço de dez a 15 anos.
Hoje, como disse, o interior está deserto [despovoado, talvez quisesse ter dito...] e é mais fácil mudar a floresta de sítio do que as pessoas. E a dimensão dos fogos tem a ver com o ordenamento do território. Não podem autorizar-se casas no meio da floresta. E os Planos Directores Municipais (PDMs) permitiram a construção em zonas que têm vindo sempre a arder.
Claro que os bombeiros tentam primeiro salvar pessoas e casas. Mas isso não significa deixar a floresta arder. Há dias ouvi um governante muito contente, porque no Gerês, o único parque nacional, não arderam casas. Felizmente. Mas e a floresta, que leva 30 a 40 anos a reconstruir?
O seguro de casas contra incêndios devia ser obrigatório, com prémio proporcional ao risco. Quem não limpasse, pagava mais."



Excerto de uma mini-nano entrevista a Pedro Almeida Vieira, na Visão de 19 de Agosto de 2010 (p.16)

domingo, agosto 22, 2010

Ainda (O costume)

Como não vejo muita televisão, não sei até que ponto isto é considerado importante por quem a gere, mas penso que a abordagem não terá sido incisiva (como, aliás, não costuma ser) nem notória. Ou seja, parece ter passado ao lado, como sempre esperamos que passe um cometa em direcção à Terra...

Mas "diz-se..." que em Córdoba caíram, há uns dias, 200 litros por metro quadrado (m2) durante duas horas (2h).

200 litros.

200 litros.

200 litros.

200 litros.

200 litros.


... por metro quadrado...

...


Precipitação acumulada anual
Mapa extraído do Instituto de Meteorologia


(
...a precipitação média anual, no espaço 1961/1990, nas zonas mais pluviosas de Portugal (Nordeste montanhoso, ali na zona do Parque Nacional da Peneda-Gerês; podemos ver melhor no mapa acima, ronda os 3000 mm...............
)


Isto vai soar a muito pouco científico da minha (exclusiva) parte, e, com tal postura, "descontribuir" para o crédito junto de quem está a ler-me.
:

Ouvi, aqui há poucos anos, um climatólogo espanhol, na rádio, a falar sobre estes fenómenos de elevadas precipitações e suas consequentes cheias (rápidas).
Lembro-me de ele ter aludido a massas de ar húmido que atravessavam - sem se precipitar, portanto - zonas da Europa que têm sofrido desflorestação.

Isto é muito pouco preciso, eu sei.
Mas lembra-nos, mais uma vez, que o mundo em que vivemos é só um;

Que aquilo a que chamamos "globalização", querendo-nos referir ao processo fundamentalmente (isto é, dos fundamentos sobre os quais outros aspectos assentam) económico, é uma coisa que sempre existiu, no sentido em que as causas são longínquas (dos lugares onde suas consequências se manifestam).

O que isto cria é o sentimento de impotência,
de que estamos sempre longe,
sempre fora de jogo.
Estamos sempre onde não podemos mexer uma palha para alterar aquilo que nos afecta.
Estamos, portanto, onde aquilo que fazemos vai afectar não sabemos quem.
E, umbiguistas despreocupados nem castigados, não percebemos porque havemos parar.

Tão ilógicos somos, que não conseguimos ver as relações causais entre coisas tão afastadas...
É disso que acusam certos cientistas, "iluminados", "catastrofistas"...

Mas...
não será o "globalismo" (preferimos assim) da Terra, uma excelente oportunidade (obrigação) para sermos também "unos", unirmos esforços em prol da...

sobrevivência
?


Continuemos a olhar para o umbigo.
Pode ser que descubramos a causa do mal colectivo.
(o próprio o umbigo, evidentemente)...

quinta-feira, agosto 19, 2010

Visto de cima...

...donde a vista não possa ser enganada...





Os intensos incêndios que recentemente destruíram milhares de hectares de florestas na Rússia e no Canadá contaminaram a atmosfera. Essa contaminação afecta pessoas, animais, plantas e a atmosfera em geral. A Agência Espacial Norte-americana NASA recompilou, por isso, imagens a partir das quais se consegue perceber o alcance mundial destas contaminações.

Um dos elementos contaminantes mais perigosos é o monóxido de carbono que, ao ficar na atmosfera como consequência dos incêndios provoca numerosos problemas respiratórios.

Nas imagens da NASA, este gás altamente tóxico é mostrado nas suas concentrações mais altas com as cores amarelas e vermelhas. O gás foi medido com uma sonda atmosférica de infravermelhos.

Retirado de CiênciaHoje

quarta-feira, agosto 18, 2010

Et aussi les arbres

É todos os anos a mesma coisa: chega o verão e começam os incêndios, os jornalistas fazem reportagens em direto à frente das chamas, os bombeiros queixam-se da falta de meios, os comentadores perguntam como é possível que ninguém se tenha lembrado de limpar as florestas e há sempre um parvo que assinala que é todos os anos a mesma coisa.

RAP, Visão de 12.08.2010

O parvo que assinala que "é todos os anos a mesma coisa" tem a memória, pelo menos, do ano anterior. O que, com o ano que vai passando, perfaz dois anos. Por isso, "é todos os anos a mesma coisa", que a tanto chega a nossa memória...
Aqui, alguns ainda se apercebem.

O desordenamento... sim, claro. E depois?
Portas arrombadas, trancas à porta.
Os incêndios à porta, as pessoas a limparem os perímetros das suas vidas...

Já no terreno das eleições legislativas...
(- Ui!, mas aí estamos a falar em algo COMPLETAMENTE diferente, uma outra escala.... são, se tudo corre bem, 4 anos... QUATRO. Quem tem memória para 8 anos? Quem é que já teve o desplante de ter memória para REPARAR que praticamente apenas dois, ou seja, sempre os mesmos, partidos estão a revezar-se no Governo há mais de 30 anos??? Desopila o fígado!. Não há memória que aguente!!
Mas continuamos nisto.
E vamos continuar.
E continuar.
Vamos.
E.
Até ver, indefinidamente...)


Com o terreno gasto,
com o terreno minado,
com o terreno esterilizado...

... um dia quererás plantar uma árvore e vais perguntar-te

"Onde?"


Na memória dos anos que já levamos a viver na mesma terra, na nossa terra cada vez mais pequenina, vamos notando as diferenças (isto só acontece se, pelos dias, criarmos memória e, ao longo dos dias, exercitarmos memória) que ela foi sofrendo, as alterações que lhe fomos infligindo.

Os tempos dominados pela rentabilidade do espaço, pela funcionalidade do espaço, pela eliminação (sem olhar a outra escala temporal) do aparentemente inútil, do desnecessário ou do que estorva.

Por falar em árvores,
as árvores que não choram, que se chorassem não podíamos suportar a gritaria horrível que o nosso desleixo e o nosso desordenamento andaram (têm andado, e continuam) a semear por este país cada vez menos país e mais fósforo,
lembrarmo-nos de que
ali, havia uma,
ali, havia uma outra,
ali já houve uma árvore...

(o nosso desrespeito soa sempre maior, se de desrespeito falamos, que a idade que cada uma dessas árvores durou a crescer... até ter sido abatida, cortada, derrubada, arrancada... desaparecida.)

Ficou a memória, volátil, do ser vivo, físico, tocável.
Ficou a memória... em quem pôde criá-la, alimentá-la, partilhá-la.

Para que comunicamos, afinal?
Para, impotentes, assistirmos às vontades de uma maioria silenciosa com força de lei (e a lei é a de no-las roubarem, que é isso que fica, é isso que vale... uma vez cortada, não há volta atrás) ?

O que queremos do mundo?
Que queremos da vida?
Com que direito?
Com que direito?

- Ah, esta árvore está a tapar a vista e é perigosa para a segurança dos automobilistas.
(o reino do automóvel, esse ser vivo que em vez de produzir oxigénio, no-lo consome)

- Ah, esta árvore está a estragar o alcatrão e a pôr em perigo este muro, os automobilistas, esta casa
(o reino do betão, a que estamos rendidinhos da silva, e do qual todos extraímos sustento do nosso corpo...
- Bah!! não é do betão, seu estúpido!, mas da tijoleira dos hipermercados que retiramos o pão nosso de cada dia... ... Antiquado!)

- Ah, estas árvores estão a ocupar espaço muito apto... (veja-se só!!) a construção de moradias...
(depois, algumas sobrevivem, por arrogante "tolerância" (passe o pleonasmo) dos mestres construtores, e ficam... (veja-se só novamente) a pôr em perigo as casas, por causa do risco de incêndio...)

Que respeito pelos espaços?
Pelas árvores?
Que distância?

Acautelar as distâncias e proteger os espaços implica ter respeito pela diferença, consciência das necessidades.

As nossas terras estão a ficar deslavadas, descoloridas, deserdadas, destapadas, desgarradas.
Nunca um B52 encontrou terreno de "jogo" tão apto a matar peões e "inimigos". Lá do alto, as casas estão à vista. E as pessoas já não podem ocultar-se à sombra... das árvores.

...

Nestes Verões Quentes em que se travam as reais batalhas pela sobrevivência das espécies, os noticiários
(Coitados, eles não sabem ler...
Coitados, eles não percebem nada de biologia
- nem têm que perceber! Têm de falar com especialistas e serem veículo de transmissão dessas sabedorias.
Coitados de nós, que quase tudo o que vamos sabendo é por eles que o vamos sabendo... coitados de nós...!)
falam da área ardida
mas
não
falam
de que espécies arderam
nem
dos seres vivos, não domésticos!, que nelas habitam.

(já poucos restam...)
As aves e os insectos...
tudo destruído após um incêndio.
O chão, em vários centímetros abaixo da superfície, calcinado,
as rochas, até, metamorfizadas pela intensidade do calor (sim, é verdade),

- Terreno fértil! - argumentamos nós, armados em ovelhas
(ou em pastores de vistas curtas)
Sim, é fértil, mas a cada fogo, a cada destruição, cada vez mais pobre: em nutrientes, em vida, em capacidade regenerativa...

A resiliência tem limites, não sabíamos?

E, a propósito, após um fogo, por cá, os únicos que gostam disso são os eucaliptos e os seus exploradores.
(Brisas e Portucéis... ide plantar desgovernos para as VOSSAS tumbas!)

É isto que queremos?
E claro que queremos, também, as árvores, em pinhais de Leiria espalhados pelo país, e mais vezes.

b


Mas voltando ao mundo...
Que queremos nós, afinal?

Não deve ser isto...

- Ah, mas 90 e tal por cento dos incêndios, suspeita-se, têm origem criminosa...

Olhai! Decidi vós se é realmente isto que queremos ou não!!

Porra, estou farto.

terça-feira, agosto 17, 2010

As florestas...


Por Toni Stalker, 2003.
[Cartoon publicado originalmente no jornal Barlavento]

segunda-feira, agosto 16, 2010

As Cidades




Fotos de Rogério Madeira, FIESA - Pêra, 11.08.2010.

sexta-feira, agosto 13, 2010

"Eu disse." - disse Gaia

Por causa disto




E por causa disto.

E por causa de muitas asneiras acumuladas.

O que ainda nos custa a entrar na cabeça é que estas catástrofes
(e quem quiser contra-argumentar que "o Homem não tem assim tantos impactos nas alterações climáticas, aliás normais à escala geológica" e tal e tal", esteja à vontade, que neste momento estou a falar da poluição, não de aquecimento)
que vemos à nossa volta
- indissociavelmente ligadas à forma como a dita "Humanidade" tem explorado e gerido os recursos e ocupado o território -
são o resultado de muitos anos de asneiras.

Pararmos agora (isto é, se parássemos de infligir danos...) é muito mais rápido que a resposta do sistema Terra.
E é isto que nos custa a entrar, esta discordância de escalas temporais de acção e necessidade.

(Ainda nenhuma religião digna que fosse veio apregoar a fidelidade à Terra como urge.
Algumas sugerem o sacrifício de animais...
Nada de anormal quando se tem a morte como valor. Para atemorizar os seres humanos...)

E reparem que engraçado:
"Os especialistas recomendam, a quem tem mais dificuldades respiratórias, ficar mais tempo em casa. Os grupos de maior risco são os idosos, os doentes crónicos, sobretudo os com dificuldades respiratórias, e as crianças. "

Reparem na pirâmide etária a ser limada por cima e por baixo...
Ela sabe bem o que faz...

Cuidadinho, raça "superior"...!

quinta-feira, agosto 12, 2010

PROTA aprovado


Decreto Legislativo Regional n.º 26/2010/A. D.R. n.º 156, Série I de 2010-08-12

Região Autónoma dos Açores - Assembleia Legislativa

Aprova o Plano Regional de Ordenamento do Território dos Açores (PROTA)

segunda-feira, agosto 09, 2010

Eu já tinha pensado nisto, caramba!



Para reduzir os engarrafamentos na estrada, a China decidiu desenvolver um novo tipo de transporte público – o 'Straddling bus' – e já poderá estar a circular em Pequim no final deste ano. A capital chinesa já se encontra em preparativos para receber o autocarro futurista e, para isso, várias linhas de carris já foram instaladas nas estradas para testá-lo.

O número de automobilistas explode a cada ano e mais de dez milhões de carros particulares foram vendidos em 2009 – tornando este país no maior mercado automobilista do planeta. Contudo, existe uma enorme consequência: os engarrafamentos acumulam-se nas maiores cidades, que apesar do desenvolvimento do metro, não se conseguem adaptar com rapidez.

A empresa chinesa Shenzhen Hashi Future Parking Equipment Co decidiu responder a este problema, promovendo maior fluidez no trânsito com a criação deste inédito autocarro, já apresentado na Expo Internacional de «High-Tech», em Pequim. O meio de transporte, semelhante a um gigante eléctrico, anda sobre carris que enquadram a estrada e está dois metros elevado sobre os veículos que passam debaixo, como se este funcionasse como um túnel. Desta forma, o autocarro não bloqueará a circulação.

As estações também serão construídas em altura, já que o 'Straddling bus' terá 4,5 metros. Poderá circular a 60 quilómetros por hora e transportar entre 1200 e 1400 passageiros de uma só vez. Estima-se que possa contribuir para a redução de engarrafamentos até 30 por cento e será amigo do ambiente – foi concebido para funcionar a energia solar.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Fazer para desfazer

Cinco investigadores da Universidade do Minho (UM), em Braga, criaram um reactor “único a nível mundial”, que permite o tratamento de águas residuais com elevado teor de gordura.
Notícia via CiênciaHoje


Esta importante notícia parece o processo de produção de energia através do hidrogénio, (de que já viemos aqui falar um dia...):

O absurdo de andar a contaminar,
sabe-se lá em quão poucos segundos,
a água,
a água que queremos potável,
a água de que os seres vivos dependem para viver,
para depois estudiosos investirem mundos e fundos
e,
num árduo e moroso esforço
(económico, energético, material e humano),
andarem a descontaminá-la....


Já vos indagastes sobre este absurdo?


E quem diz gordura diz outras porcarias que lançamos à água,
todos contentinhos,
ignaros do beco,
vulgo insustentável,
isto é, sem tempo de renovação,
(com tempo, sim, mas desfasado das nossas necessidades)...


E soluções assim,
mitigações assim,
- palmas! Claro que é de louvar! -
não servirão para nos desculpar
o erro que vamos continuar
- agora, talvez mais tranquilos -
a cometer?

(porque as estruturas,
materiais e mentais...
as estruturas persistem...)

Como dizia um avô meu:
- Ah!, não me preocupo com o colesterol
porque tomo o comprimido...!


Bonito!
Inteligência tacanha,
ciência estranha...
(- Vamos viver pra Espanha?)