sábado, fevereiro 26, 2011

Quem ouve o homem?

Um ano depois, em entrevista à RTP, Raimundo Quintal fala-nos do que esteve e continua a estar errado (na Madeira, mas não só).

E também fala do que pode estar certo.

Basta seguir esta ligação e vale a pena.

(a ver quanto tempo fica disponível...)

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

A taxa de lucro é historicamente decrescente

Se o fundamentalismo do crescimento
que dirige actualmente o mundo continuar nesta via,
justificará um fundamentalismo naturalista
que considera a
indústria como o Mal.” *
Bernard Charbonneau


Isso cumpriu-se assim, ainda que tenha havido fenómenos que o foram ocultando ou contornando, como o processo de internacionalização do capital, o fenómeno das multinacionais e o aproveitamento do desenvolvimento desigual entre espaços sociais e económicos diversos do planeta, tudo isso abençoado pelo fenómeno recente da globalização... mas quando se estudam os dados descobre-se que a lei de ferro da tendência constante à queda da taxa de lucro funcionou inexoravelmente como tal.**


Novo paradigma económico e civilizacional.
Não o do decrescimento intencionado ou racional ou planificado (isso é que era bom: era o Homem e as sociedades humanas a assumirem o controlo...), mas, sim, obrigado pelas circunstâncias.
Sendo a mais premente a do esgotamento dos recursos naturais.


Título: Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno
Edição Original: Petit Traité de la Décroissance Sereine (2007)
Autor: Serge Latouche
Tradução: Víctor Silva
Edição: Janeiro de 2011
Editora: Edições 70
ISBN: 978-972-44-1646-5
Paginação: 160 páginas


A ideia**, sintetizada aqui, vai a par (o que é diferente de "ir ao encontro") do recente ensaio de Serge Latouche que hoje vos trazemos e do qual reproduzimos a epígrafe* acima.

Diversidade cultural como pão prà boca



O filme promocional da Capital Europeia da Cultura, apresentado no domingo, na sessão de apresentação da primeira versão do programa do evento em 2012.
Ao longo de pouco mais de três minutos é aberto o livro sobre aquilo que a Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura vai mostrar aos vimaranenses e aos milhares de visitantes que são esperados na Cidade Berço.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

As ribeiras são corpos vivos

"Numa primeira fase, concordei que se tivesse escolhido a praia para fazer o depósito provisório da pedra e da areia transportada pelas ribeiras. Simplesmente, esses inertes foram ficando. Continua a destruir-se a paisagem lindíssima da Madeira para extrair mais pedra, quando se podia usar a que está ali. Foi por isso que aderi ao cordão humano. Esta foi a primeira vez que os madeirenses vieram para a rua sem haver um artista convidado ou espetadas - vieram em defesa da baía do Funchal."


Raimundo Quintal, numa curta (curtíssima) entrevista à Visão, que aparece na edição de hoje, dia 24.2.11, p.88

Ouvir também uma entrevista que o geógrafo deu à Antena 1, há dias, a propósito da passagem da data que afectou muitos madeirenses. Aqui.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Andarilho e Cantor



Bendito sejas tu.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Da revolta sopra o vento

A Visão do dia 3 de Fevereiro apresentava uma infografia com os países em conflito.

Tunísia (o rastilho, em forma humana, a 17 de Dezembro, pela revolta de Mohamed Bouazizi contra a corrupção de funcionários - vejam... não é preciso haver uma máquina de corruptos, bastam umas quantos sujeitos sem escrúpulos...), Egipto (desemprego, corrupção), Iémen (custo de vida), Sudão (razões económicas, i.e., idem), Síria (idem), Argélia (também o preço dos alimentos baixado após ameaças), Jordânia (idem) (abolição dos impostos sobre os alimentos), Líbia (igual), Marrocos (desemprego...), Arábia Saudita (condições de vida), Mauritânia, Barein, Omã (corrupção, custo de vida...)...


"Bah, - dizemos - estes árabes (sim, todos com profecia árabe numa importante parte da sua população) não sabem o que querem... sempre insatisfeitos..."

É não vermos que as aspirações humanas mais básicas se resumem a viver em paz.
Temos o direito de viver em paz. Com dignidade, trabalho, liberdade e sem fome.

E a maior parte dos conflitos massivos que ao longo da história se têm dado resultam de nos serem retiradas as esperanças (ou as coisas mesmo) dessas aspirações.

Para a forca ia um homem.
Alguém perguntou ao condenado:
Para onde vais?
Eu não vou - eles é que me levam.

(era mais ou menos assim uma das epígrafes de um romance de Saramago)


Não nos obriguem a vir prà rua gritar...
Tirem-nos o pão da boca.
Atrevei-vos...



Será preciso sermos árabes para sermos o poder que nos controla?
Não. Não será.
Nós temos isto cá. Temos desemprego, temos fome, temos corrupção...
Temos liberdade como esses países não têm.
Mas... vai dar no mesmo. É para isto que queremos a liberdade? Para termos desemprego, fome, corrupção...?
Há aqui algo que não está a bater certo.

A maior distopia do nosso tempo é termos condições para acabarmos com a fome no mundo... e não o fazermos.
Uma parte quer, outra não quer.
Essoutra que não quer, quer manter a situação, para ter a outra parte na mão.

E andamos a brincar com a História,
entre conservadores e renovadores, que alternam entre si na luta pelo poder.

(Será isto a dialéctica hegeliana?)

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Enterrar o aterro

A intenção de deixar estar e,

"Já agora aproveitamos e transferimos mais umas massas dos contribuintes a uns determinados privados, que é para isso que cá estamos, que é quem representamos, que é para isso que cá viemos e temos ficado."

PIOR,
usar o aterro de materiais acumulados pelas cheias de há um ano para fazer uma tal obra supostamente bonita e bem-intencionada (ler penúltimo artigo do Georden, aqui), juntou ontem, domingo, 20 de Fevereiro, cerca de 2000 cidadãos que se expressaram formando um cordão humano.

Unidos contra mais um retrocesso em matéria ambiental.
Nenhum destes retrocessos é um retrocesso qualquer.
É um retrocesso mais no desrespeito pelo que deve voltar a ser e temos contínua e estupidamente impedido.

A intenção de fazê-la bonita nada tem que ver com desrespeito pelas pessoas que perderam a vida na enxurrada.
Mas tem que ver com desrespeito pelas vítimas futuras, porque aterrar uma praia não vai no sentido de evitar mais (é mais uma forma de interferir no processo natural).

Tem que ver com desrespeito pelos cidadãos que querem a praia como estava.

E tem que ver com - menos relevante - com o facto de esta intenção e esse projecto ser pago com o dinheiro da Lei de Meios [verba que o Governo português deu à Madeira para ajudar as vítimas da catástrofe e reconstruir as zonas afectadas], segundo o geógrafo Raimundo Quintal, um dos mobilizadores desta iniciativa cívica.
(excerto da notícia da VisãoOnline)

Ler mais na notícia do Público.

domingo, fevereiro 20, 2011

Cast a stone

Comunicado via Quercus



A primeira pedra da barragem da Foz do Tua simboliza a pedra que se quer colocar em cima de um defunto aquando do seu enterro. Simboliza o desejo pela morte do Turismo do Tua, da biodiversidade do Vale, do Desenvolvimento Sustentável, do Património Humano, Cultural e Arquitectónico e da Linha do Tua com mais de 123 anos de História. Demonstra ainda o desrespeito pelo passado e o “não querer saber” do futuro. O desrespeito pela identidade da região.

A Quercus lembra que a futura barragem, a ser construída, produzirá o equivalente a 0,07% da energia eléctrica consumida em Portugal em 2006 (Dados da Rede Eléctrica Nacional).

Esta barragem afectará de modo irremediável o Património Natural do Vale do Tua, um dos mais bem conservados de Portugal. Afectará também de forma irreversível a paisagem Património Mundial do Douro Vinhateiro.

A construção desta barragem:

- viola a Directiva Quadro da Água, por destruição da qualidade da água
- acaba com a linha do Tua e com a acessibilidade ferroviária ao nordeste
- irá afectar muito negativamente os últimos dois pilares de desenvolvimento da Região de Trás-os-Montes e Alto Douro: a Agricultura e o Turismo. Recorde-se que estas duas actividades não são deslocalizáveis e de alto valor acrescentado.

Se barragens fossem sinónimo de riqueza e emprego, esta região seria uma das mais ricas e teria taxas de desemprego mais baixas da Europa. Contudo, tal não se verifica, bem pelo contrário.

A região de Trás-os-Montes e Alto Douro está a ficar cada mais pobre e despovoada, sendo que a concretização deste empreendimento só irá agravar a situação.

A estimativa do custo do Plano Nacional de Barragens é de 7.000 milhões de euros a ser pagos pelos consumidores - em vez de um investimento em alternativas energéticas que custariam somente 360 milhões de euros para obter os mesmos benefícios em termos de protecção da clima e de independência energética [1].


Ver intervenção na RTP: aqui

Vila Real, 18 de Fevereiro de 2011

O Núcleo Regional de Vila Real da
Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza


[1] - As novas grandes barragens requerem um investimento de 3600 M€, implicando custos futuros com horizontes de concessão até 75 (setenta e cinco) anos. Somando ao investimento inicial os encargos financeiros, manutenção e lucro das empresas eléctricas, dentro de três quartos de século as nove barragens terão custado aos consumidores e contribuintes portugueses não menos de 7000 M€ – mais um encargo brutal em cima dos que já se anunciam por força da crise e em cima dos custos de deficit tarifário eléctrico que neste momento atinge cerca de 1800 M€.

A mesma quantidade de electricidade que as barragens viriam a gerar pode ser poupada com medidas de uso eficiente da energia, na indústria e nos edifícios, com investimentos 10 (dez) vezes mais baixos, na casa dos 360 M€, com períodos de retorno até três anos, portanto economicamente positivas para as famílias e as empresas. Estas estimativas foram feitas por :

- Madeira A, Melo JJ (2003). Caracterização do potencial de conservação de energia eléctrica em Portugal. VII Congresso Nacional de Engenharia do Ambiente. APEA, Lisboa, 6-7 Novembro 2003

- Melo JJ, Rodrigues AC (2010). O PNBEPH numa perspectiva de avaliação estratégica, política energética e gestão da água. 4ª Conferência Nacional de Avaliação de Impactes (CNAI´10). APAI/UTAD, Vila Real, 20-22 Outubro 2010.


Ver também Movimento Cívico pela Linha do Tua

sábado, fevereiro 19, 2011

Ai ele é isso? (caso ainda não soubéssemos...)

"Não é coisa que se veja muito no arquipélago: está marcado um protesto público contra uma decisão de Alberto João Jardim. No domingo, 20 - dia em que se marca o primeiro aniversário da tragédia que matou 50 pessoas na Madeira -, espera-se que mil pessoas formem um cordão humano junto ao aterro que serviu de depósito de emergência para o entulho das enxurradas (e que se supunha provisório). O objectivo é lutar contra a intenção do Governo Regional de aproveitar o entulho para construir um cais e uma zona de lazer, em vez de limpar a zona e devolver à ilha a praia de areia preta que lá estava."



Podemos entender esta intenção como, à partida, duas coisas:

* Por um lado, é uma atitude de atropelamento ao que prometera. Coisa a que estamos irritantemente cada vez mais habituados em quem tem deveres para connosco.

* Por outro, isto corrobora a demissão das responsabilidades e demonstra que os projectos que se idealizam após uma manifestação natural de disfunções introduzidas não são necessariamente para evitá-las, diminuí-las ou corrigi-las.
É a visão que vamos tendo. Ou querendo ter.

À catástrofe do ano passado ripostamos com... mesquinhez e compadrios.
Para não dizer mais.

Amanhã lá estaremos.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Orlando Ribeiro, o documentário

Através da notícia via Ciência Hoje foi-nos lembrado (lembraram-nos; lembramo-nos) que o documentário do passado domingo está disponível na página da RTP.

A ligação é esta.
Uma hora de honra, prazer e conhecimento da Geografia e de Portugal.
A não perder (outra vez, se for o caso).

Sustentemos o que nos sustenta.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

100 Anos: 2 Rupturas, Um Repto

Auto-retrato (cerca de 1940)
Extraído da página sobre O Geógrafo


Galopim de Carvalho, obviamente (já lá iremos a este obviamente), não se esqueceu do mestre.

A propósito dos 100 anos do nascimento de Orlando Ribeiro (sim, 16 de Fevereiro de 1911), achámos por bem aproveitar a deixa amarga (ameixa amarga) com que ficámos depois de assistirmos ao documentário do último domingo.

Ah,
só por acaso,
(Primeira Ruptura):
Para a Geografia em Portugal existe um antes de Orlando Ribeiro e um depois de Orlando Ribeiro.


A deixa amarga (pêra agridoce) foi ouvirmos o sociólogo-fotógrafo-ex-ministro-da-agricultura(-e-da-reforma-agrária...) Álvaro Barreto dizer com muita paixão e serenidade que (mais ou menos de cor e ouvido o cito):


"«Portugal, o Mediterrâneo e O Atlântico» é um livro fascinante que nos diz muito daquilo que somos. Um dos grandes livros de literatura - científica, obviamente, mas - da literatura portuguesa. Devia ser obrigatório [exceptuando a verdade, nesta última frase a nossa memória já deve estar a enfiar-nos um barrete, sr. Barreto...] nas escolas."


É tão bom ouvirmos e sentirmos a paixão
("Como são duras as pessoas felizes", não é?)
quando não se conhece a crua e triste realidade...


Ide à procura.
Ide.
Buscai, como o pau vai atrás dum cão.
...
Depois ficamos a saber um bocadinho mais e é aqui que as coisas se tornam azedas.
O dito livro, editado originalmente em 1945, pela Coimbra Editora, teve a sua mais recente reedição em... - adivinhem lá, conquanto imaginem o que estes escassos anos significam em termos editoriais neste país... - 1998 (a sétima edição). Reeditado por uma editora, Sá da Costa, que - ao que parece - já não existe.

Título: Portugal, O Mediterrâneo e o Atlântico
Autor: Orlando Ribeiro
Edição: 1989 (4ª ed.)
Paginação: 186 pp.
Editora: Sá da Costa


Sim, obras artísticas e culturais, que enformam a história das regiões e dos povos, estão... inacessíveis às pessoas.
Mas... Sim, a verdade é que, quem quiser, por muito pouco (a ElectricidadeDestePaís bate palminhas), podemos ler este livro - gratuitamente - nesta ligação da Biblioteca Nacional (notem bem, "Cópia Pública").

Só que - não aproveitemos subterfúgios - sabemos bem...
ler um livro nas mãos continua a ser substancialmente diferente de o ler num suporte electrónico.

E não venham cá com tretas nem alijamento do dever da exigência:
O menosprezo pelo esforço e pelas expressões científicas e/ou artístico-culturais (discos e livros...) que grassa nos principais zeladores da sua autonomia (sim, o Estado, como nosso representante, pulsão e propulsionador das nossas vontades) é

- "A minha pátria é a língua Portuguesa" -

ponto de ruptura para a perda da identidade e da existência de um povo.
Quereis destruir um povo?
Começai pela sua língua.
(Esta é a SREC: Segunda Ruptura, Em Curso)

Como se pode amar alguma coisa sem a conhecer? (nem odiar nos é permitido...)
Partilhar o que é bom é um dever de todos os que têm a sorte de tomarem contacto com o bom.
São valores. Que nos fazem e aos quais devemos emprestar o nosso empenho e paixão.
A cultura, como o amor, é de enorme responsabilidade para com o outro.
Responsabilidade individual e colectiva. E uma porque a outra e vice-versa.

Galopim de Carvalho, tendo tais valores e prezando tais valores, obviamente pratica-os: exprimindo-se, lembrando-se, partilhando as suas impressões, memórias.
Com o outro: nós, que o lemos.


(O Repto)

O senhor António Barreto, que, quase de igual forma óbvia, estimamos,
gere uma equipa de fantásticos senhores cujo trabalho (que o Georden já mencionou aqui) é imprescindível para mais bem nos conhecermos enquanto pessoas, sociedade e pessoas e sociedade entre sociedades e outras pessoas,
é responsável por uma fundação que tem lançado uns ensaios (guias-de-sobrevivência: lucidez) de também imprescindível valor...

bem podia promover - defendendo publicamente - a edição - de tal interesse nacional (não é só o cimento que é de interesse nacional...) - levada a cabo pelo Ministério da Cultura - do dito livrinho.


Amigo Barreto, faça isso por nós.
Para partilharmos dessa paixão que tanta água na boca sedenta nos deixou.


Aos sedentos, felizmente, não lhes falta a sede:
partilhemos Orlando Ribeiro e muitos outros que reflectem sobre o mundo que nos rodeia e nos faz.
Somos mais nós.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Comboios parados, trancas no alcatrão

As notícias bem o disseram: com a greve da CP mais pessoas escolheram o automóvel para irem trabalhar (para Lisboa, no caso retratado). Por isso, a somar à chuva, no IC19 o trânsito foi lento.

Este exemplo pertence ao diagnóstico já demasiadamente bem conhecido.
Viemos só dar esta achega. Porque fica sempre bem depois do artigo anterior.

O estacionamento é um ladrão...

Vazio para visitante poder ficar e para local ficar a perder
Junto às Cataratas do Niagara, retirado daqui


Normalmente as pessoas preferem arriscar chegar tarde ao trabalho, pelo trânsito ou falta de estacionamento, do que prescindir de utilizar veículo privado. O relatório refere que este comportamento é a principal causa dos problemas de trânsito na cidade. As políticas antigas que disponibilizavam mais estacionamento gratuito nas cidades tornaram o carro a opção mais conveniente, no entanto, estas políticas apenas serviram para aumentar o tráfico dentro das cidades.

A implementação de políticas que apostam na limitação do número de lugares disponíveis para estacionamento numa cidade ou o aumento de taxas foram fundamentais para levar os cidadãos a utilizarem outros meios de transporte.

A diminuição do número de carros possibilitou a revitalização dos centros urbanos. Copenhaga, por exemplo, passou as últimas duas décadas a transformar inúmeras zonas de estacionamento em espaços públicos ou outros locais para o movimento de peões. Em Londres, os seus bairros utilizam os fundos gerados pelo pagamento do estacionamento para permitir aos cidadãos sénior e deficientes o uso gratuito de transportes públicos.



As cidades analisadas foram Amesterdão, Antuérpia, Barcelona, Copenhaga, Londres, Munique, Paris, Estocolmo, Estrasburgo e Zurique.


+ Info
* Notícia aqui (da qual extraímos as passagens acima)
(via Naturlink).
* Relatório do ITDP (Instituto dos Transportes e Políticas de Desenvolvimento)
(PDF em Inglês aqui)

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Os peixinhos já sabem, os peixões não ouvem

O jornal Público deu conta de um estudo, "Classes Sociais e a Desigualdade na Saúde", em que Ricardo Antunes, o autor, compara processos clínicos de pessoas que morreram num mesmo ano (2004) mas em diferentes lugares de Portugal.

Os lugares (com um hospital, claro), que se quiseram diferentes, foram Lisboa e Beja.

Sem apresentarmos aqui quaisquer ilações (das quais a notícia apenas fornece um cheirinho), pensemos em como será o historial da vida dos miúdos em idade escolar para os quais, face a dificuldades económicas, sai muito mais em conta comer alimentos enlatados, empacotados, conservados, com altos teores de açúcares, sal e conservantes.

Sim, entre poder comer muito e poder comer (pouco, já se vê) vai uma diferença económica, que a classe ajuda a caracterizar, no seu poder de engavetamento e imobilização - real - das pessoas. (Na chamada Pirâmide social...)

Entre poder comer bem e comer outra diferença substancial vai.
E outra ainda entre poder aceder a (comer!) alimentos de agricultura sustentável e alimentos produzidos em série e sem quaisquer medidas de salvaguarda (da vida, ambiental, animal e humana).

Peixão com o peixinho na mão...
Imagem retirada daqui

Pela boca morre o peixe.
Ninguém lhe aponta uma arma, ilibando-nos a todos do seu assassinato.
Mas temos que compreender que o indivíduo é também um produto da sociedade.
E esse corpo humano, intergeracional, multiclassificado (isto é, com várias classes), vai definhando mais aqui que ali, mais neste momento que noutros.

Os resultados e as consequências é hoje que se jogam.
E se nós já vemos os problemas de comunicação que os novos mal-ensinados, não-ensinados têm para connosco (na comunicação oral e na escrita; na capacidade de produzir discursos articulados e com sentido, em frases com princípio, meio e fim...) estamos à espera das análises que este sistema destruidor está a engendrar há anos e anos. Como para nos dizer que, sim, nós tínhamos razão: isto não é vida que se aguente.
Porque o Capitalismo é contra-natura.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Casa 8

Impressionante projecto - Impressionante conceito.


São 14 minutos que valem mesmo a pena.
Pensando uma construção pensamos o mundo.

domingo, fevereiro 13, 2011

Cidades Visíveis

Recentemente tive a oportunidade de visionar um programa (Cidades Visíveis).
Sim, não é para todos.
Para quem tem tempo, casa, dinheiro para energia, para a televisão e para o canal (Q).

Não está disponível na íntegra, mas os convidados, mentores de associações e projectos e ideias, falaram sobre como as suas actividades desempenham um papel interventivo na cidade de Lisboa. Todos os processos da escolha do lugar, dos apoios da autarquia, o tipo de público que frequenta esses espaços culturo-económicos e/ou associativos, as implicações e manifestações na vida, na reflexão e na economia do espaço público...



Fiquei com a sensação nítida de que, sim, a cidade mexe.

De outras cidades esperamos o mesmo.
Por exemplo, ao lado de Braga, cidade invisível, há uma cidade que mexe mais que a capital de distrito. Que mexe há bem mais tempo, e bem!:
Capital Europeia da Cultura em 2012 e berço também do Georden:




É deste envolvimentos, destes esforços, de actores comprometidos e com vontades e ideias, é destes investimentos que precisamos para fazermos da cidade... Cidade.
Vivível. Visível, portanto.

sábado, fevereiro 12, 2011

Preferirmos uma forma a outra (Política)


Caso 1.
A observação foi feita pela Visão da semana passada (edição de 3 de Fevereiro, p.15):

"O site da Direcção-Geral de Energia e Combustíveis revela que a circulação média diária na Ponte 25 de Abril desceu de 141611 veículos em Dezembro de 2009 para 137032 em Dezembro passado."

- a causa, acusam (ou apontam...), é a subida dos preços da gasolina.


Caso 2.
Na notícia avançada aqui pelo Ciência Hoje, diz-se que há cidades mais pequenas a poluir mais que cidades maiores.

- a explicação, notam, prende-se também com a rede de transportes públicos:

"As emissões da cidade de Denver, no oeste dos Estados Unidos, equivalem ao dobro das de Nova Iorque, onde há um sistema de metro amplamente utilizado, e são superiores às de Xangai, Paris ou Atenas. De acordo com o estudo, isto pode dever-se ao facto de as populações destas cidades usarem menos o automóvel para se deslocarem."


Se queremos reduzir as emissões de CO2 venham ambas, mas temos de reforçar as causas do caso 2 (desculpem as assonâncias...).

E porquê, perguntamos nós?

Porque da mesma forma que demonstra muito mais activamente o nosso desinteresse pelas ideias a voto irmos votar em branco, o que acontece no primeiro caso é uma decorrência, um exemplo que requer muito menos envolvimento da nossa parte. É, dito de outra forma, muito mais inconsciente.

E tendo sido a inconsciência o que nos levou a esta necessidade de invertermos a tendência, o nosso envolvimento - consciente, claro está - é imprescindível.


(Imagem retirada daqui)

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

A Praça da Discórdia - III

A Praça da Discórdia contém em si mesma a Praça da Concórdia.
Em qualquer dos momentos, algo não está bem.

Anti-Praças


Uma Praça é o uso que dela vamos fazendo.
Os espaços abandonados das nossas cidades abundam. Temos de compreender porquê.

Sabemos da gentrificação das zonas mais antigas (- não vamos chamar-lhes lugares centrais, tal como tentámos explicar aqui): o envelhecimento dos habitantes, as rendas por actualizar (que não podem ser, que a sua capacidade económica não lhes permite), os prédios que já suportaram tantas agressividades humanas e ambientais, degradados.

Tornam-se espaços abandonados e vazios: as pessoas que lá continuam, lá continuam porque não têm mais para onde ir; e os que passam por lá, por lá têm que passar - para ir para outro lado.

Tornam-se espaços "desatractivos" (eram / foram, já não são / deixaram de o ser).


As políticas urbanas.

Apercebendo-se destes desequilíbrios, destas - chamadas e identificadas como tal - disfunções urbanas, lá vêm as Instituições, Públicas (qual é o objectivo destas?) ou Privadas (destas já sabemos que é sacar, cedo ou tarde, directa ou indirectamente, algum proveito económico...), tentar inverter a situação.
Fazem-se estudos para identificar as causas do problema.

Uma coisa a que gostamos muito de enunciar e aplicar é:

A VALORIZAÇÃO DOS ESPAÇOS

Calma aí!
Valorização dos espaços??
Então,... deixamos a pobreza (mental e humana) instalar-se nos lugares e depois, quais bons samaritanos, vimos propor medidas e investimentos (nos edifícios, no mobiliário, nas actividades económicas e/ou lúdicas...) para que os espaços voltem a resplandecer de vitalidade?

Humm... parece-me que há aqui mais uma disfuncionalidade.
Na forma como agimos.
Talvez não tenhamos outra, mas acho que há aqui qualquer coisa que não bate certo.
...
Há 2
tendências /
opções /
estratégias /
modelos /
perspectivas
principais
(que talvez correspondam, pouco mais ou menos, às orientações filosófico-políticas que têm atravessado a história das sociedades humanas: conservadora ou progressista, visando o presente ou visando mais o futuro):


As grandes intervenções urbanas, dependendo do poder que conferimos a quem as leva a cabo (é isso a Instituição pierrebourdiana), consistem, portanto, em:

arrasar tudo o que existe e construir de raíz
- apagando os traços da acumulação histórica
ou
construir no que existe, acrescentando e renovando
- mantendo os traços da acumulação histórica


Ao primeiro caso costuma-se associar o poder prepotente (lamentamos a eventual redundância...) e ao segundo um outro poder, digamos que mais moderado, refreado, controlado, com possibilidade de escrutínio.


Foto retirada do blogue Guedelhudos


E assim, como ondas erguendo e destruindo incessantemente, voltamos ao outro lado do mesmo:

A Praça da Concórdia contém em si mesma a Praça da Discórdia.
Em qualquer dos momentos, algo não está bem.


As colossais Praças...

Tiananmen (gigantesca e, sim, com espaço para o Homem, mas apenas para o fazer sentir-se pequeno...), São Pedro (parece que os seus edifícios circundantes cuidam e embalam as massas que lá cabem...), Vermelha (estamos sempre a projectar nela os veículos militares milimetricamente dispostos em posição de força e obediência...)

...mesmo que mais pequenas,
que fazem com tal tamanho?

Fazem uma coisa muito simples:
São marcas do Poder, elas próprias Instituições do Poder: os grandes edifícios, políticos ou religiosos, marcam momentos históricos e apresentam valores que esse mesmo Poder quer fazer perdurar - pelo tempo, pelo espaço, por dentro das leis dentro das quais as pessoas agem e pensam.
Sim, porque aquilo que a Instituição faz é isso mesmo: institui.



Instituir é fazer valer no próprio acto em que se manifesta.
O que se passa aqui, tendo como análise a Praça, é que nela (talvez sobretudo nela) há uma inequívoca

ESPACIALIZAÇÃO DOS VALORES


Mas... quais valores? Isto é... de quem?

Quem comanda?
e,
se há quem comanda,
Quem é comandado?

E é por isso que, da concórdia, submissa ou incorporada temporariamente, e da ordem espacializada emergirá a própria discórdia. Enquanto formos vida.
Porque a instituição é uma forma de violência simbólica.


Aquilo que lá pusermos... - temos de ser nós a pô-lo.
O nome que lhe dermos... - tem de nos dizer muito.
Aquilo em que a transformarmos... - temos de ser nós a transformá-la.

Porque essa violência / violação simbólica é tanto maior quanto menos for assumida pelas pessoas, quanto menos lhes pertencer, quanto menos apropriada o for pelas pessoas.
Pelas pessoas que decidem em consciência.
Pelas pessoas que um dia acordam e percebem que esse Poder não está a servi-las, mas tão-só a servir-se ou a servir tão-só uma minoria.
A minoria que vamos deixando - crentes - que nos represente.

E a vigilância faz lei.
E da lei da vigilância nasce a suspeita de todos contra todos.
Rumo aos combates que urgem.
Não nos obriguem a vir para a rua gritar.

A Praça é o uso que dela vamos deixando fazer, quando não dela vamos fazendo. Nós.
Nós mesmos e só nós.
Por isso, a Praça não utilizada, não valorizada ou temporariamente menosprezada (tal como nas últimas eleições presidenciais, em que a maioria optou pela "não inscrição" joségiliana), é um espelho da vitalidade: da Sociedade, da Democracia e do Homem.


Eu prefiro uma Praça com dimensão humana.
Com árvores e música como vida.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Um Cubo Mágico

Conheçam o TEK3, (abreviatura de Technology, Entertainment & Knowledge Centre) um Cubo com 57 metros de lado, feito em placas de betão, da autoria da companhia dinamarquesa de Design Tecnológico Bjarke Ingels.
Projectado para Taipé (Taiwan).

Aqui fica um cheirinho para aguçar o olhar:




Mais informações e imagens aqui.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

A Praça da Discórdia - II

A Praça da Discórdia contém em si mesma a Praça da Concórdia.
Em qualquer dos momentos, algo não está bem.


A não-Praça

(Estava para lhe chamar Praça Anónima, Praça Lda., ou Praça S.A., mas nunca Praça Anarquista (o Anarquismo tem leis, que mania...!!) nem Praça da Anomia (porque a ausência de Lei traduz, em si mesmo, uma tendência, uma vontade e um objectivo...)


Nas construções humanas não há neutralidade possível.
Como aquando da formação das rochas, nelas ficam gravadas as polarizações magnéticas (nos seus minerais): no lugar e no tempo em que lhes damos existência (forma e conteúdo).



Este vídeo e a escolha deste, e não outro, não são por acaso.
Desengane-se quem não nos vai conhecendo (e é para que nos conheça melhor que o dizemos...), quem pensa que as coisas caem do céu: em todas as construções humanas (um livro, um filme, uma escultura, uma pintura, uma canção... este espaço) há propósitos e valores, significados e alusões, vontades e partilhas, estéticas e éticas.

Estarmos bem onde não estamos traduz a inquietação que pode ser energia que faz girar a roda da vida.
E também nós somos vida.

Este vídeo retrata um espectáculo musical de fim de ano.
Local: Terreiro do Paço, Lisboa.

A música pode ser como as árvores: para todos.

Perguntemo-nos há quanto tempo uma Praça não é tomada pelas pessoas.
Sim, organizada pelo Município, é certo (e já lá iremos).
Mas para as pessoas.

Os usos que fazemos das Praças determinam a Praças ou Não-Praças que vamos tendo.

É frequente no largo do chafariz (talvez a mais calcorreada Praça da cidade de Braga) ser ocupada por espaços - quais palanques mais ou menos dignos - com fins comerciais: seja através das tendinhas do bem-dito "Comércio tradicional" ("Compro o que é nosso", etc, etc.), seja através da exposição de automóveis de uma dada marca ou dado vendedor das redondezas.

Porque o Público é bem mais modesto e bem menos exibicionista que os Privados: passa por lá e vai usando-o à sua vontade. Mesmo que, em última análise, à sombra do bastão repressivo (Lei e Instituições): os miúdos andam de monopatim (mais conhecido por skate, ou squeite) ou bicicleta, pessoas reflexivas caminham de um lado para o outro, turistas contemplativos tiram as suas fotos, os mendigos pedem as suas esmolas, os artistas (se os há...) exibem a sua arte...

Deixem-no ser!
Deixem-nos ser!
Deixem-nos existir, deixem exprimir-nos.

Não me venham com gritarias nem propagandas visando o lucro.
Nem o lucro das vossas ideias, nem o lucro directamente comercial.

A Praça não será nunca um ente privado: nesse dia, estaremos mortos.
A Praça não pode ser Privada: não será Praça: apenas poderá ser sonegada, abandonada, cercada.



Em qualquer caso, mais cedo ou mais tarde, e talvez mais tarde que cedo, a Praça será questionada: será Praça.

Os campos de concentração (anti-Praças renascentes da História) dos corpos maquinais e formatados existem espalhados em cada canto de nós, se somos um mero produto de consumo.

Em qualquer caso, a Praça será transferida.
E se no-la negarem, rebentará por todos os lados.
E a Praça sairá à Rua num dia assim.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

A Praça da Discórdia - I

A Praça da Discórdia contém em si mesma a Praça da Concórdia.
Em qualquer dos momentos, algo não está bem.


A Praça da Concórdia


Como Tú, León Felipe


A Praça, tal como a Cidade, a Pólis, é uma construção.
E uma construção humana.

Todos os seus elementos, vejamo-los, entrevejamo-los, invejemo-lo ou não, têm (pelo menos) um significado, uma função, um propósito ou uma decorrência.
Porque a Praça é uma construção os seus elementos são também um produto.

A diversidade de elementos numa Praça pode traduzir a incorporação de vários eventos a que assistiu, de que foi palco, de que foi actriz.
Pelo contrário, a rarefacção de elementos numa Praça pode, pela ausência deles,
(e na consciência e na memória de quem vê o que nela devia estar, podia estar, e não está -porque dela foi retirado ou nela não quisemos colocar),
traduzir a não incorporação (o não interesse, o menosprezo, a indiferença, a desmemória... a neutralidade?) desses mesmos eventos de que foi palco e actriz.

Uma Praça é o uso que dela vamos fazendo.
E uma Praça é de quem a usa.

Portanto, QUEM
(A
Usa
?)

Uma Praça tem uma dimensão.
Imaginamos praças com as suas paredes e limites (edifícios e/ou fronteiras) lá longe, muito ao fundo. É isso uma Praça? Pode ser.

Imaginamos concentrações perigosas (atribuímo-lhes significado e valências) de uniformes, maquinalmente orquestrados e alinhados, já não numa mole humana surpreendente mas numa quantidade de carne para canhão.
Disposta, portanto, a morrer sem Razão, como canta o Vandré.

Imagem passada daqui

Há soldados armados,
armados ou não.
Quase todos perdidos
de armas na mão.
Nos quartéis lhes ensinam
uma velha lição
De morrer pela pátria
e viver sem razão.

Para não dizer que não falei das flores, Geraldo Vandré


Por outro lado, imaginamos o vazio urbano do espaço desaproveitado da Praça.
Mas ela está lá. Disponível. Potencial. Pronta a rebentar em vida e abraços.
Se a soubermos habitar de sorrisos e flores.
Se nos soubermos habitar, uns nos outros.

A Praça da Concórdia é construirmos aquilo que é nosso: a entre-ajuda na diferença.
Amar é um acto político irrenunciável.
A política é a luta de valores, por valores.

A Praça é o símbolo da Partilha, não da Bastilha.
Praça é confrontação, é discussão, é devir.
Praça é um lugar onde temos de plantar árvores para que uma criança corra à sua volta, se esconda atrás dela. Para que uma criança, cansada de brincar com a bola que é o seu mundo, descanse a cabeça e veja o sol, se aqueça ao sol.

A árvore é o paradigma anti-privatização.
Da vida.

A Lei da Terra é onde renascemos, enraizados àquilo que somos e àquilo que nos faz sermos o que somos: vida.

As Praças da Canção é onde nos afirmamos e onde, lutando, descansamos do cansaço de não nos cansarmos do descanso.

Há-as por aí, em muitos lugares: basta procurarmo-las juntos, tu e eu.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Sim, nós podemos

«Temos 39 anos para "electrificar" o planeta e desfazermo-nos dos combustíveis fósseis. O relatório sobre energia da associação ambientalista WWF, publicado esta quinta-feira, 3, conclui que é possível chegar-se a 2050 praticamente sem gastar petróleo e carvão, satisfazendo a procura com fontes renováveis. Não completamente, mas quase - 95% da energia pode ser limpa.

O estudo aponta para uma necessidade de mudança do paradigma energético, transformando a electricidade na energia-base do mundo e apostando nas redes inteligentes e na eficiência para evitar desperdícios (do que resultará uma redução de 15% de procura de energia). O passo não ficará barato: a transição custará 1% a 2% do PIB mundial, mas começará a compensar a partir de 2035, com retornos de 2% ao ano.

A secção portuguesa da WWF adianta que estamos no bom caminho, com as renováveis, as redes inteligentes e o carro eléctrico, embora avise que há, ainda, um longo caminho a percorrer na eficiência, nos transportes e nos edifícios.»


Fonte: Visão de 3.Fev.2011, p. 75

domingo, fevereiro 06, 2011

Orlando Ribeiro na RTP2


É já no próximo domingo, dia 13 de Fevereiro.

Não percamos.

sábado, fevereiro 05, 2011

Promover a utilização sustentável dos solos rurais

Descansa, não penses em mais nada,
que até neste país de pelintras se acha normal haver mãos desempregadas
e se acha inevitável haver terras por cultivar! ...
(FMI, José Mário Branco)


Fotografia retirada do blogue O Tio Foi Em Viagem




A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:

1 — Promova a utilização sustentável dos solos rurais com potencial de utilização agrícola, contrariando o abandono das terras por via do desenvolvimento do quadro legislativo da estruturação fundiária, em consonância com o previsto na Lei de Bases do Desenvolvimento
Agrário.

2 — No âmbito do desenvolvimento desse quadro legislativo:
a) Aprofunde o regime de emparcelamento rural, sobretudo nas zonas de minifúndio, criando incentivos à realização dessas acções que resultem da iniciativa dos particulares, das organizações agrícolas, das autarquias locais ou do Estado;

b) Crie um regime jurídico dissuasor do fraccionamento de prédios rústicos, criando incentivos à aquisição de terrenos contíguos ou de quotas ideais nos casos de copropriedade ou comunhão de bens que permitam quer o redimensionamento da exploração agrícola quer a manutenção de áreas contíguas mínimas susceptíveis de comportarem uma exploração agrícola economicamente viável;

c) Constitua bancos de terras para utilização nas acções de estruturação fundiária, nomeadamente para a instalação de jovens agricultores, afectando-lhes em primeiro lugar as terras propriedade do Estado que não estejam a ser exploradas para finalidades agrícolas e
disponíveis para as acções de estruturação e adquirindo, pelas formas previstas na lei, terrenos destinados à constituição de bancos de terras disponibilizados pelos respectivos proprietários.

Aprovada em 22 de Dezembro de 2010.
O Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.