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sábado, março 18, 2017

Passado e Presente, com Aquilino

"A árvore, além de condensador ideal, é um repartidor exímio, almotacé chamam em certos municípios da serra ao homem encarregado de distribuir a tancada de água pelos paroquianos. Ora, estes derradeiros tempos tem-se desarborizado desalmadamente sem rei nem roque. Oiteiros, outrora vestidos do verde movediço e espumoso dos bosques, estão hoje hediondamente nus. A façta de combustíveis por um lado, a construção intensiva por outro, levaram ao despovoamento das matas. Em breve os castanheiros serão tão raros como na fauna marítima o é a baleia (...)

p.91

"Ora os rios já não se vêem correr como dantes, e decerto não são culpados apenas os governos que tem havido desde D. Afonso Henriques para cá. São culpados todos os membros da família portuguesa que desalmadamente despiram os cerros dos soutos de castanheiros, os ossos de Portugal, dos carvalhos, a árvore tersa dos fabulistas, dos amieiros, dos teixos, das faias e tantas espécies indígenas que na sazão estival purificavam os ares e, povoados de pássaros, alegravam a terra."


p.97

"Não obstante a eira estar discriminada nos cadastros da matriz deste e daquele vizinho, conserva ainda o seu quê de comunal. (...)
Também havia em regime comunal as lameiras ou campos de pastio, para onde soltavam vacas e cevados, no tempo em que se guardavam «pelos usos» e a bola da fornada. O porqueiro erguia-se cedo, tocava o chifre, parecido com olifante de Roldão, e os leitões começavam a sair das pocilgas. Recolhia a merenda que lhe traziam as donas, e toca com a vara para o pastio, tendo cuidado especial com os bacorinhos de leite e os mamotos. À noite entrava na povoação ao som da buzina, com aparato igual, cada um se encarregando de apartar para o seu chiqueiro as reses que lhe pertenciam. Nada se pode imaginar mais patriarcal ou pelo menos mais entranhadamente Idade Média.
Com o andar dos tempos, a paróquia alienou as lameiras para reconstruir a igreja em ruínas, tapar com parede de quintal o logradouro que se ficou a chamar cemitério, arranjar as calçadas. O domínio comum passou a mãos particulares, às vezes por uma tuta-e-meia depois de mascambilhas a que nem sempre ficaram estranhos os zagalotes dos bacamartes e os padrinhos de má morte da política."

p.160-161

"Não é com a pulverização da propriedade que se desenvolve o instinto da mesma dado que haja virtude ou proveito social em cultiva-lo. A propriedade que desde longa data se vem retalhando em alíquotas tão miserandas é a causa evidente de grandes ruindades e abusões."

p.263

Passagens de "Aldeia: Terra, Gente e Bichos", de Aquilino Ribeiro, escrito em 1946.
Reed. de 2010, ed. Bertrand.

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Quanto custará (a havê-la) a anulação da prospecção de Petróleo no Algarve?

É o que se pergunta a Associação Zero.


Prospeção de petróleo frente a Aljezur.


A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, em carta enviada ao Sr. Secretário de Estado da Energia, pergunta ao Governo quanto custa o cancelamento do contrato com o consórcio formado pela Eni e pela Galp associado à prospeção e exploração de petróleo em zona profunda da Bacia do Alentejo, a cerca de 45 quilómetros no Oceano Atlântico frente a Aljezur.

Este elemento é essencial para fundamentar uma decisão e que a ZERO considera dever ser apresentado publicamente pelo Governo, depois de ter sido desperdiçada uma clara oportunidade, com argumentos suficientes, para rescindir o contrato, não atribuindo o Título de Utilização Privada do Espaço Marítimo (TUPEM). Efetivamente, a ZERO considera que a autorização conhecida na passada semana que permite realizar a sondagem de pesquisa ao largo da Costa Vicentina é inaceitável, não apenas pela opinião de dezenas milhares de portugueses que o expressaram no Verão passado, em consulta pública, mas por diversos pareceres com conteúdos e argumentos detalhados e consistentes contra a atribuição do TUPEM com razões mais do que suficientes para a administração/Governo recusarem o seu prosseguimento.

O Governo deve atuar em consonância com o que defende, assumindo politicamente que a exploração de hidrocarbonetos não é o caminho a seguir. Este é o único caminho de um país que defende uma estratégia de baixo carbono, como foi afirmado publicamente na COP de Marraquexe, em novembro passado. Se o processo do ponto de vista jurídico pode não parecer tão fácil para inviabilizar o prosseguimento do contrato como foi no caso da Bacia do Algarve (em terra, da responsabilidade da Portfuel e no mar da responsabilidade da Repsol/Partex), o Governo já perdeu uma oportunidade de bloquear o processo inviabilizando o Título de Utilização, e arrisca a tornar cada vez mais irreversível uma situação futura de eventual exploração. Custos elevados da prospeção inviabilizarão futura decisão política Tendo a operação de furo de pesquisa um custo aproximado de 60 milhões de euros ao longo de dois meses, é possível que no quadro de um tribunal arbitral, o montante de indemnização seja bem mais elevado, do que se o contrato em causa for desde já cancelado. Estudos públicos e consultados são claramente insuficientes.

A ZERO reitera que, de acordo com a documentação disponibilizada na altura da consulta pública relativa ao TUPEM, a ENI/Galp propõe-se avançar com o furo de pesquisa num local a cerca de 45 km da Costa Vicentina que tem sempre riscos evitáveis de diferente natureza. No “Relatório de caracterização ambiental para as atividades de exploração na Bacia do Alentejo”, denota-se que não existe um plano de monitorização e gestão ambiental para cada uma das três fases de mobilização e posicionamento, perfuração e desmobilização; não se apresentam resultados de modelação de um risco óbvio, mesmo que de natureza improvável, de um derrame de pequena ou grande dimensão; não se apresenta em detalhe a área a ser afetada pelos resíduos da perfuração em volta do furo e não se apresenta um plano de contingência detalhado conhecido pelo público.


Isto acontece tantas vezes - e era bom que voltasse a acontecer (a anulação da concessão) - que chegamos a pensar que faz parte da jogatana...

sexta-feira, julho 01, 2016

Afinal não

Afinal o Roundup vai continuar à venda.
Por mais 18 meses.
Pelo menos.
Para já.

Não importa a desculpa.
Será sempre esfarrapada.

terça-feira, março 15, 2016

"Escotismo para Rapazes", de Robert Baden-Powell


Escotismo para Rapazes
Scouting for Boys
Robert Baden-Powel [*]

Tradução: Rosário Morais da Silva
2.ª edição: Janeiro 2012
Editora: Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP)

Escotismo para Rapazes é um livro de fácil leitura que cativa o leitor a imaginar-se um zulu, um guerreiro, um sobrevivente, um batedor, um patrulheiro, um verdadeiro Escoteiro em vários ambientes reais, de cidade, de campo, de floresta. Durante a sua leitura:
- Sonhei que estava na Serra da Arrábida a seguir rasto de uma galinha d'água perdida...
- Sonhei que estava perdido em Lisboa, com mil pessoas apontar-me o dedo e a dizer "IH! Está perdido em Lisboa! Não se orienta no trânsito..."
- Recordei as aventuras no Algarve, com os manos e amigos, as partidas e a proteção que sempre existiu entre nós e entre todos...
- Recordei as vivências vividas no el camiño... turigrinos fabulosos que me fizeram crescer por tudo o que me contaram e que passei com eles...
- Recordei os tempos que estive a seguir o meu caminho nos Açores... a beber água em ribeiros, a analisar as condições meteorológicas e a observar as "Cagarras" com o seus voos rasantes... e o coração a bater forte de medo, de cansaço, de paixão por tudo o que contemplava...
- Sonhei, recordei, sonhei, recordei...
Este é um livro delicioso, apaixonante e muito geográfico, portanto...
Mesmo que não sejas Escoteiro, durante a sua leitura, perceberás o que estou a escrever. E nunca se sabe, se após a sua leitura, te tornarás num...


Podes ouvi-lo aqui.


Transcrevo parte da introdução da edição portuguesa, realizada por Nélson Raimundo:
"O Escotismo é hoje um movimento global e plural, que junta mais de 28 milhões de jovens e adultos, rapazes e raparigas, homens e mulheres, de todos os pontos do globo, sem descriminação religiosa, de género, socioculturais ou étnicas. O objetivo do Movimento Escotista é, desde a sua fundação, o de ajudar a construir um mundo melhor e para todos. Para isso o Escotismo aposta nos jovens e na sua formação, fazendo de cada Escoteiro uma força capaz de contribuir para transformar a sociedade e o mundo."

E finalizo com BP:
"...Pus neste livro tudo aquilo que precisam para serem bons Escoteiros. Por isso, vão em frente, leiam o livro, ponham em prática o que ele vos ensina e espero que se divirtam tanto ou mais do que eu enquanto Escoteiros.
" Baden-Powell of Gilwell

Boas leituras geográficas.

[*] Robert Stephenson Smyth Baden-Powell (Londres22 de Fevereiro de 1857 — Nyeri8 de Janeiro de 1941) foi um tenente-general do Exército Britânico, fundador do Escotismo.


Envie a sua sugestão de leitura para
georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

quarta-feira, agosto 26, 2015

Maravilhar-se, por Rachel Carson

Título: Maravilhar-se - Reaproximar a Criança da Natureza
Edição Original: The Sense of Wonder (1956)
Autor: Rachel Carson
Tradução: J. C. Costa Marques
Edição: Novembro de 2012
Editora: Campo Aberto / Edições Sempre-em-Pé
ISBN: 9789728870362
Paginação: 104 páginas

Esta é uma co-edição da associação de defesa do ambiente Campo Aberto e das Edições Sempre-em-Pé e, para além daquele belo texto de Rachel Carson, contém fotos ilustrativas, uma análise da actualidade do legado e uma pequena biografia sobre a escritora bióloga estadunidense. O que, face à extrema dificuldade de encontrar o seu seminal "Primavera Silenciosa" - sim, houve uma edição por cá, na editora Pórtico, em 1964 - constitui um acrescento valioso, face à singeleza e pequenez do texto originalmente publicado num jornal.

Inspirada pelo seu sobrinho-neto, com quem passava os dias a descobrir a natureza em torno do local onde morava, no Maine (costa este, junto ao Canadá), descreve as razões e as maneiras do porquê empreender tal tarefa, pedagógica, se assim podemos dizer.

Em primeiro, trata-se de redescobrir - mesmo que em tenras idades - os sentidos, exercitando-os com detenção e paixão. Isto implica arrancar da anestesia geral o sentido do olfacto, reaprender a escutar atentamente para discernir os pequenos sons do espaço à nossa volta. A visão será talvez aquele, hegemónico, que a sociedade do espectáculo nos ensina a usar mais vezes. O que não quer dizer usar necessariamente bem. A cada realidade suas necessidades.

Em segundo lugar, e o mais importante doravante, não será tanto inundar-nos de informações ligadas àquilo que vemos, ouvimos e cheiramos, mas sim respeitar, junto dos seres vivos (fauna e flora) e dos restantes elementos da natureza, os ritmos da contemplação e da fruição. O mistério e o descobrimento serão os pêndulos donde nascerá a paixão e o sentimento que, estes sim, ficam gravados desde cedo e não cessarão de dar frutos pelo futuro.
No futuro, então, sim, os nomes e a compreensão, científica ou de senso comum, que ligamos àquilo que presenciamos e vivemos ajudarão a completar o gosto e o respeito pela natureza.


Numa análise crítica - sendo uma auto-crítica, antes de mais - devemos dizer que este ensinamento ficará cerceado se não pudermos conviver com a natureza. Ela está por todo o lado, argumenta Rachel Carson: nos jardins, no vento, nas estrelas, na chuva, nos pequenos animais.
Sendo isto certo e ela passível de fruição, todos conhecemos quantos obstáculos o homem citadino que maioritariamente somos sentiu necessidade de criar para assim - diz, sussurrando - se sentir mais seguro: dentro de paredes (casa, supermercado, centro comercial genericamente falando, que só parecemos saber consumir...) não chove, impedimos o vento de nos bater na cara e à chuva de nos molhar; as luzes que iluminam as cidades poluem a escuridão do universo estelar e impedem-nos de vislumbrar as bolas de fogo.
Resta pouco, sóis e luas para os que não inventámos ainda fuga eficaz.

Ah, também há admiráveis mundos novos que nos transformam em robôs (é para isso que serve o trabalho, que em várias línguas eslavas é o que quer dizer) e em pessoas desprovidas de sentimento. O que é a ocultação da morte senão uma tentativa de anestesia mental e psicossomática profunda? Vai na mesma linha da destruição do que é ser-se Homem. Começa por coagir e limitar as manifestações animais que há em nós. A ver se nos "civilizam" por inteiro...

E, como capitel, a rarefacção do silêncio impede-nos da intimidade connosco mesmos. Mesmo se tiveres tempo, a ausência do silêncio manter-te-á distraído de ti mesmo até ao fim dos teus tempos.

A desumanização que a nossa domesticação proporcionou ao Homem (os animais e as plantas não no-lo pediram, mas também não interessa...) deveria dar lugar a uma selvajaria que não se sentisse tão bem com as sombras dos cemitérios do cimento.

Já seria um começo de algo diferente.


Terminámos com duas últimas notas, imprescindíveis a pretexto: 

- os tóxicos bioacumuláveis que "semeamos" com os pesticidas lembram-nos que a única dose segura é a dose zero. Pois - se é necessário explicá-lo - ao longo da cadeia alimentar, se eles não são elimináveis... é uma questão de tempo. As bombas relógio das doenças inexplicáveis como o cancro já têm explodido há alguns anos, mas isso é porque as bombas, essas, começámos a produzi-las há muito mais tempo atrás. É disto que fala o livro Primavera Silenciosa, das primaveras em que não haverá pássaros.
E numa sociedade sacarínea, sacana e gordurosa (é nos tecidos gordos que se acumulam os metais pesados) é por aí que continuamos a trilhar o rastro de destruição.
Ah, como nota ou curiosidade para os mais distraídos, refira-se que um dos grandes produtores de pesticidas é também um dos papás-papões dos transgénicos. Sim, a fantástica, tentacular e calcinante Monsanto.
- Rachel Carson viu também o que amiúde esquecemos, de tão óbvio:
"As criaturas selvagens, como os seres humanos, precisam de um lugar para viver. À medida que a civilização cria cidades, constrói estradas e seca pântanos, ela ocupa, pouco a pouco, a terra favorável à vida selvagem. E à medida que diminui os seus espaços de vida, as próprias populações da vida selvagem declinam."

E isto já foi dito há muito tempo...

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

domingo, fevereiro 16, 2014

Não propriamente a discussão sobre o sexo dos anjos...

La distincion... 
(Ou la la!... ma ouais!)




Retomamos a foto do mês de Setembro passado para frisar duas coisas.

Primeira, que entre uma coisa e outra existe ainda uma terceira (a síntese, a contradição, a soma, a anulação, e ainda, importante, o desconhecido, com o qual devemos contar sempre em cada equação). Mas esta, no presente caso, não será definitivamente uma seta que esteja entre as duas representadas...

Segundo, que, levando-nos ambos os caminhos ao mesmo ponto do percurso (e já dissemos que cada ponto de chegada é mais um ponto numa recta, que continuaremos nós ou nós-outros, parafraseando, vá, talvez, o eterno retorno nietzschiano) temos uma escolha fulcral a fazer na nossa postura de vida:

(porque o espaço e o caminho, tal como a forma e os meios, não são alheios nem indiferentes ao estar-ser e ao como caminhar, nem ao conteúdo ou aos objectivos, respectivamente)

Ou seguimos pelo caminho da esquerda, que poderíamos apelidar de Ecológico (malgrat o cimento, não é?)

- que demora mais tempo e que - para quem reconhece kavafiamente que é mais importante a riqueza que colhes pelo caminho que a que esperas encontrar no destino - te faz viver mais tempo (e tampouco isto é indiferente);

- que nesse tempo a mais ele te oferece uma probabilidade mais alta e uma apetência maior a deteres-te nas coisas que te rodeiam e assim as inspirando seres mais rico e consciente;

(...)

Ou seguimos pelo caminho da direita, que poderíamos apelidar, entre os antónimos existentes e imaginários, de Económico

- que, por oposição - já se percebeu, basta ver - é mais curto e menos demorado face ao destino e te educa para o finalismo e para o desrespeito pelos meios (é isso a primeira consequência visível: voltemos a olhar para o resultado que lá está);

- que nesse tempo a menos ele te permite pensares noutras coisas (foi por exemplo para isso que se criaram os relógios e se aceleraram os processos produtivos, mediante as máquinas e a seriação

(Donde, talvez como lemos do postulado de Jane Jacobs, subscrito por Soja, de que o desenvolvimento intelectual e da técnica é filho do crescimento composto pela economia e a intensificação dos processos...)

(...)

Isto pode ter que ver com tudo, o que sendo impressionante não deve deixar de nos merecer atenção: somos ou não somos homens??

São duas vias: e dizemos que preferimos uma a outra, porque preferimos.
Porque, mesmo sem intelecto, já que somos bebés a pensar com a cabeça estragada dos adultos, salta à vista que um deles estraga o caminho e o outro não estraga o caminho.
Os fins não justificam os meios, e embora os fins sejam um produto dos meios, os meios também podem alterar a natureza dos fins que queremos encontrar.

Eis aqui os caminhos do vive e deixa viver e o do não penses no amanhã, que só tu contas (já se entrevêem mais oposições: colectivo/individual, público/privado, presente-futuro/futuro-e-fim, etc...)

Com base neste exemplo da geografia física (dimensões, pontos, linhas e seus percursos e possibilidades), convidamo-vos a reflectir um bocadinho sobre a forma de fazer geografia humana (filosofia no espaço).


É a entrar, meninos e meninas
a ver o que por aí se lavra.

quarta-feira, julho 24, 2013

Dos sacrifícios (e) dos sacrificados (e da destruição, esperançosa, da tua casa)

Eu cresci aqui e agora tenho de partir.

Anónimo de muitos tempos e muitos lugares, sem lugar


Parece que há oportunidades que esperam por ti, não sejas palerma.

Correcção, piegas: não sejas piegas.

Mas eu quero morrer aqui.
Aceito que me subtraiam uma parte da minha terra para poder continuar a viver aqui.
Sim, aceito que instalem perfuradoras nos meus terrenos para fazerem prospecção de petróleo por fracturação hidráulica.

Pois, o horizonte não fica lá muito bonito, não.
E o barulho...

E as minhas vacas e os meus pastos, doentes.
E tudo aquilo de que me alimento.

Qual é o meu problema?
Ninguém me diz o que é que eu tenho??

Tenho de pagar do meu bolso (a Saúde é um direito, amigo...) (uma garantia de dinheiro que sai do teu para o bolso do conglomerado farmacêutico-industrial-saúdico com seguradoras à mistura...) para todos estes exames, para tentar perceber o que se passa comigo, o porquê destas cascas por todo o meu corpo.

Porque o negócio envolve milhões.
Correcção, milhões de corpos e almas.
E ninguém poderá, quererá, ousará demonstrar a mais pequena relação entre o teu estado de saúde deplorável com os danos da coisa que lá tens no teu quintal.

Os derramamentos e as infiltrações de petróleo e de água salinizada que tudo hão-de comer, depois de te comer a ti.
Afastado o problema, tu!, não há mais contas a prestar.

Mas até dizes:
- Sim, eu sacrifico uma parte da minha terra para continuar a viver no sítio onde nasci.
Sim, eu aceito sacrificar uma mão para continuar vivo.

Diz aquele outro:
Sim, eu também aceito sacrificar uma parte da minha terra para continuar a viver onde nasci.

E vamos recuando, recuando.
Sacrificando o quê?

Sacrificando as pernas para continuarmos vivos.
Sacrificando o corpo para nos mantermos ligados à máquina.

Sacrificando a saúde já, imediata, pura, viva da silva, em troca da morte lenta, quiçá, não é certo, os estudos não comprovam, nem desmentem...


Não, não importa a terreola onde estas histórias de vida se passam.
Tanto faz. É metáfora.

Mas os danos são reais.
As vidas são reais.

(Mas também temos boas clínicas privadas que vos asseguram uma boa esperança de vida.
Mas isso terá um preço. Tudo tem um preço, não é?
E, pode crer, vale bem a pena...!)

Estamos a sacrificar partes para... assegurar cada vez menos nada.

Estas são as massas que já pouco têm a perder.

Estes são

"os que descem cada vez mais
para subir cada vez menos"

porque

"quando mais o mal se expande
mais acham que ser grande
é lixar os mais pequenos."


E lixar é a instabilidade.
Hordas de desempregados começam a pensar em tomar o poder, de sachola, metafórica, e de picareta, metafórica, nas mãos.
Em busca do derramamento do sangue verdadeiro.
Mas dos carrascos.

terça-feira, julho 16, 2013

Contra a Terra Queimada

The spectres scratch on window-slits, 
the hollowed faces and mindless grins 
are only intent on destroying what they've lost. 

"A Plague of Lighthouse-keepers" (SHM), Peter Hammill 

Diz-de da política da terra queimada como da doutrina do choque capitalista: arrasar tudo.
Há quem prediga Portugal a renascer da destruição: há que alimentar não a ele, mas a ela! 

Os mercenários quotidianos, caseiros e foráneos, do capital estão sempre lá, nos bastidores, pois criaram e mantêm, com a nossa cumplicidade, a economia do desperdício e da destruição para dela serem reis e senhores e amestrarem e produzirem, assim, os seus inferiores. 

Há uma cadeira afogada num rio que não é um rio. 
E ninguém vai lá sentar-se. 
Mesmo sem sofrer de rouquidão ou padecer de afonia. 
Será do frio? 

E a água que não é bem água, umas vezes tem peixinhos a querer crescer, outras leva-os, mortos, sem saberem bem o que foi que os matou. 

A saúde de uma cidade pode ver-se pela saúde das suas águas, o desenvolvimento de uma sociedade pela protecção e pelo respeito que confere aos mais velhos e o progresso duma economia aferir-se pelo grau de igualdade entre os rendimentos. 
Mas tudo isso é outra história. Na qual, nos dizem, que não podemos tocar: é inevitavelzinho. 

A política da terra queimada é para ficarmos a sorrir, já sem razão nenhuma, para os destroços que ficarão, se formos nós os assassinos incendiários e destruidores. 
Já que tudo se perdeu, para ninguém mais ficará, diz a inveja depredadora que tudo pretende esterilizar pelo caminho. Deixando para trás caminhos todos por recomeçar. 

E é com tal cinza em pedra que nos vamos confrontando pelos recantos dum país ainda com tanto encanto para cantar. A terra despida, a terra despojada de solo, sulcada e ferida, arrasada pelas chuvas tão úteis mas tão inutilizáveis. Sem estrutura, nada fica. 

Foi para combater isso que o Movimento Terra Queimada surgiu. 
Precisa das mãos de todos os que quiserem ajudar na batalha.





No âmbito de um concurso europeu, o projecto Semear a Vida em Sítios Desertificados aguarda pelo nosso apoio. Neste momento faltam 34 dias para votar os dez melhores e - adivinhem - a proposta deste movimento de Vila Nova de Gaia encontra-se em primeiro lugar. 
Será muito bom - e é bem simples - se tal posição se mantiver. 
Basta votar! 

Neste preciso momento, o Movimento Terra Queimada está a procurar voluntários para vigilância e prevenção de fogos florestais e outros danos na Serra da Freita (distrito de Aveiro), no tão pouco conhecido, pleno de potencialidades, e tão mal protegido Geoparque de Arouca (as parideiras e a Frecha da Mizarela e tal... mas há muito mais neste espaço fantástico!)

Será durante a época de Verão. 
Voluntários precisam-se! 

O Movimento Terra Queimada está no Feicebuque e espera pelo vosso contacto. 
Quem estiver interessado em ajudar no que diz respeito a todos, pode fazê-lo inscrevendo-se aqui

Bem-haja a movimentos como este, apaixonantes e congregadores de fogos criativos e boas energias. Renováveis.
O Georden associa-se-lhe e cá viremos depois dar-vos as nossas impressões da acção.

sexta-feira, julho 12, 2013

Ó Mái Góde (OMG - Organismos Manipulados Geneticamente)

Como congrega muitos crentes, os lóbis dos trangénicos já trataram de fazer a cabeça (para não empregarmos outro verbo) à Igreja Católica. Alega a santa instituição, a parte espiritual imperante do sistema materialista imperante, vejam lá, que as culturas transgénicas podem ajudar a acabar com a fome no mundo.
Ler mais aqui.

Contradição implícita, não na frase (e por isso, de bem estão com o seu argumentário), mas no que um mínimo de atenção nos demonstra: o que as empresas precisam é de lucro. E a julgar pelos dados que não param de nos conspurcar (a nós também) é de que o sistema está a funcionar muito bem (acumulação de capital nunca visto na História).

Se realmente quisessem acabar com a fome, já o teriam praticado.
Ao invés, os organismos geneticamente modificados são mais um teste, levado à escala global, e em humanos, para a erradicação dos "não economicamente viáveis", os "subalternos", os "desprotegidos, frágeis e pobrezinhos" do mundo, os "excluídos do bem-estar" dos países "desenvolvidos".

Não é que tanto se lhes dê que, durante os testes, morram milhares pelo mundo fora (desde que não morram onde está o poder que controla o mundo), em testes não controlados, forjados, com corrupção como prática efectiva ou regulamentar. O que se lhes dá é isso mesmo: que morram os que não têm direito a consumir mediante pagamento. A redução da população mundial está silenciosamente em curso. Pois os efeitos, sem poderem ser directamente associados, estão pulverizados pelo espaço e pelo tempo.

Vá, ainda abrem excepções para açambarcarem mais propriedade, corpos e almas pelo mundo que, coitado, não se regula pelos mais altos padrões de legalidade internacional (o dinheiro e o capitalismo).

Mas são os ratinhos de laboratório.
A terem tomado todos os recantos da Terra.

Gostava que analisassem connosco o seguinte gráfico
(quadro adaptado e traduzido por E. Soja e publicado originalmente aqui)
(clicai para aumentar)

Mesmo leigos em química, sabemos distinguir números. E os números são muito diferentes entre um milho manipulado e outro não manipulado geneticamente.

Este gráfico é gritante e o que nos espeta na cara é demasiado grave para passar despercebido.

Vede por exemplo o teor em cálcio (ai a osteoporosezinha que afecta os habitantes do mundo rico...), em sódio (ai a hipertensãozita que afecta os habitantes do mundo rico...), o ferro, o zinco, o cobre...

E vêde também a nota número 6, referente à presença de formaldeído (o milho GM tem, o milho normal não tem). O formaldeído é, se bem se lembram e puderam ver na trapaça gigante que foi a introdução do aspartamo nos alimentos processados (tudo porque vamos todos atrás dos produtos "light", sem açúcar...) (vêde este documentário e não passareis mais a olhar os produtos da prateleira com olhos tão desatentos)

Tirai as vossas conclusões.

Uma delas, que vamos nós tirar, é que a comer daquela porcaria andamos, nutricionalmente, a fingir que comemos. É o simulacro braudillardiano ou o fingimento de vida débordiano na sua base: a alimentação.

Sobre a Capacidade de Troca Catiónica, podemos ler mais, por exemplo, aqui, mas parece-nos (alguém pode ajudar-nos?) que, aplicado à alimentação, tal CTC estará ligada à capacidade de absorção dos nutrientes por parte do organismo.

Andam, portanto, a mangar co' a tropa.

E concluímos, no final, que os Organismos Manipulados Geneticamente...
... somos nós.

sexta-feira, julho 05, 2013

Os Anjos de Pureza

"- Quem foi o responsável por isto??
Quem é que o deixou entrar?
Vamos abrir um inquérito e iremos punir os culpados!
É tudo por agora.
Não haverá lugar a perguntas."


Imagem daqui

Assim falou, em conferência de imprensa, irado e furioso, inquiridor, acusador e inquisidor, o maior cego dos tempos calcinados.

O louco acabara de descobrir, coitado, acolitado e empalado, que deixaram entrar o sol na terra.


(Sim, claro, mas, obviamente, mais do que o habitual.
E sabemos do que estamos a falar...)

Ai o purista!!
Nem admite dúvidas.


(Ah, só para informar os caríssimos cegos de que os culpados irão ser punidos sem necessidade daquele inqueritozinho persecutório.)


O purismo é igual a nada: pois todas as concepções mentais separatistas acabarão a morrer na praia a debater-se entre os dualismos. Sejam os do corpo e da alma ou, primordial, o da forma e do conteúdo.

Mesmo assim, admitem, hipocritamente, quais pregadores da mortífera religião católica, que uma coisa nada tem que ver com a outra e que a independência é um facto.

Só à custa de muita propaganda é que lá chegam.

E se esta julgam necessária é já sinal de que tal ideia não decorre de cada um a descobrir.

Os sistemas fechados, física e geofisicamente, não ocorrem na Natureza. Há sempre algo que escapa, sempre algo que, mesmo que em quantidades diminutas, entra nele.

A água da Terra interage com a biosfera, ela própria tendo-a como constituinte.
E se tudo fosse fechado, sem intervenção do exterior, a luz nem sequer entrava, amigo de óculos escuros e bengala a dar a dar.


Imagina o teu ser, já que podes, antes de ser ser capaz de pensar. Pois seria isso o que serias se não interagisses com o meio, que - já nem vou falar de "ingerires" as coisinhas suculentas e sucurrápidas do meio - a luz não entrava, que o oxigénio não entrava, nem o dióxido de carbono saía...


Tu não existes, ó purista!
E eu aqui te denuncio de uma vez por todas!

As fronteiras são arbitrárias e existem apenas para não perdermos a consciência de que elas são transponíveis. E que é NECESSÁRIO que assim seja.

Para seres o que és e para sermos o que somos.

És um ideólogo quase perfeito da manipulação.
O tal da mão invisível.

Dos mercados.

Sem quaisquer intevencionismo - MANTENHAM OS ESTADOS FORA DA ECONOMIA! - assim gritou o senhor Friedman e seus sequazes petizes boys chicaganos a borrar o mundo.



Mas algo falhou, estúpido.

E não foi a economia.
Foste tu e a tua besta criada teoria.
A dita abertura, a ditadura dos mercados, da economia livre e todas as balelas que nos tens feito engolir, qual merda em vez de pão, desde a década de 50.

E vou passar a explicar-te porquê.


A economia não levou as coisas ao sítio, normalmente: apenas acelerou a transferência da riqueza para o poder. Não está na normalidade, económica ou o raio que a parta mais for, a insustentabilidade dos ciclos com becos ocultos, mas segurados, securitizados.


Imagem daqui


Essa seria a primeira explicação. Mas ainda não te chega, sei que não. 

Crente sou, a querer fazer ver o cego pior, o cego que não quer.
Mas alguém mais - tu nem me interessas, que nada és sem os que se te submetem - há-de ver as razões.


A tão propalada e defendida não intervenção do Estado, em nome da justiça e da liberdade - ECONÓMICA, claro, seu carecedor de definições, apto às manipulações nas omissões - :


a) "flexibilização" laboral [para despedir melhor, para pagar menos, para reduzir as férias, para impedir liberdade de associação, reivindicação (sim, quem reivindica também está a empurrar-se para a posição de submissão, pois mantém-se na situação de pedir...)... para tomar consciência de que as coisas são ordenadas e que, se assim são ordenadas, de outra forma o podem ser]


e (basicamente)


b) concessão dos serviços aos privados (dizes ser em nome da eficiência económica, mas sua besta, com ou sem ela eu já te descobri a careca!),


e tal inclui tudo o que diz respeito a todos


- a Saúde
- a Educação e o direito à diversidade de opiniões
- a Segurança Social
- a Habitação
- a alimentação
- a água
- os transportes públicos
- as estatísticas
- o DIREITO ao trabalho
- a manutenção dos espaços públicos
- a gestão dos parques florestais e reservas e recursos naturais (detesto o emprego da palavra "recursos", em "recursos naturais", pois faz depender o entendimento de os mesmos são para usarmos... ou que estão ao nosso serviço... económico, até, claro!)
- o poder de decidir sobre estes assuntos
...


Com o cerceamento exacerbado destes direitos, decorre

não o direito de fazer a guerra, que o monopólio, reparámos, está do teu lado, mas o direito de sofrer com ela...


A concessão é a delegação e esta é o princípio da não-representatividade, e, por sinédoque, do funcionamento sempre cambaleante da injustiça. Seja esta praticada em Capitalismocracia, em Comunismo, ou no que mais te apetecer chamar-lhes.


A concessão dos serviços de todos às empresas de alguns (sob as quais se escondem, vermes protegidos, os "accionistas") não é para garantir, necessariamente a sustentabilidade económica, mas - A RAZÃO ESTÁ MESMO À FRENTE DO NARIZ E É POR ISSO, A PROCURAR RESPOSTAS MAIS LONGE, QUE A NÃO VEMOS - para garantir - de imediato e na própria prática presente, sem esperar de resultados futuros - a transferência dos dinheiros públicos para o bolso dos privados.


O que distingue ambos os interesses, não queres perguntar?

É que um, simplesmente, zela pelo interesse da maioria e outro pelo interesse da minoria. Como não se podem confundir, ambos inventaram uma sua correspondente materialização: o lucro para eles, os danos para todos os outros.


O capitalismo é verme por natureza.

Por isso é que nunca deixará de ser injusto, de manter e amplificar as injustiças e as desigualdades.


Vêde bem, como Portugal é dos países onde a desigualdade económica mais tem crescido nos últimos anos.

O Junqueira explicava há dias, que, apesar da crise e da pobreza, os bilhetes dos festivais eram muito caros mas que isso se deve à capacidade para muitos poderem suportá-los, pois que a diferença de rendimentos assim lhos permite. E assim os grandes festivais vão parar às capitais, que são as capitais do capitalismo. Portanto, das maiores disparidades de rendimentos.


E, conclui, é por Portugal ser um país pobre (tratemos de redefinir que a riqueza ou pobreza de um país não é o valor da média dos rendimentos, mas a, respectivamente, menor ou maior desigualdade entre eles) que os festivais campeiam e estão cheios.

E que é por isso que tem tanto sucesso o Rock in Rio, festival exportado, mera coincidência?, de um dos países mais pobres (i.e. injustos) do mundo. O Brasil.

(Vêde como o sobrinho do Cavaco e a sua terratenente-pavilhão-atlanticizada privada empresa nos vai enojando até à exaustão com a publicidade ao maior cartaz de sempre do festival de Oeiras. É um privado a inundar a televisão e a rádio do Estado... são parasitas, como sempre foram e não PIDEm deixar de ser - está na sua natureza imperial).

Imagem daqui

O capitalismo é uma festa, mas a maior parte são convidados que não têm para onde ir, inebriados pelo espírito que não lhes resolve a pobreza, a eles, com a opulência ali escancarada à frente...


E é assim que podemos dizer que a promessa da mão invisível só resultou se este acelerar das desigualdades fosse o primeiro ou o único propalado benefício da desregulação e do esvaziamento dos Estados enquanto moderadores da economia.


Assim, sim. E a economia livre está a funcionar bem e bem de mais!

O problema (e já lá vou) é que isto equivale a dizer que economia livre é contrário de democracia.
Tal como, a par e passo, o desenvolvimento (tido como crescimento, para uns, e destruidor, para todos) é incompatível e contrário da ecologia.
Tal como, qual espelho, o exercício da democracia directa representa uma ameaça ao "normal" funcionamento depradatório e assassino dos mercados.
E é por isso que eles reagem quando algo os pode pôr em causa.
É a censura dos mercados.
Tão livre que ela é...!


Esta perversão deve-se, dizes, a que ainda não houve suficiente desregulação e privatização.

Por isso o pequeno deus caseiro Gaspar dizia que o pior erro era aquele que ainda não tinha cometido, mas que estava prestes a cometer. ("inevitavelzinho a dar c'um pau...") Porque a ideologia do mercado não permite desvios nem intromissões e se o caminho está errado então é porque tem de ser levado até às últimas consequências. Errado para todos os outros, certo para os iluminados da mão invisível. (Mão invisível? A quererem tanta desregulação??)


Mas esta foi a única perversão quiseste iluminar para nós.


Pois o tal purismo que defendes, tu e os teus mal paridos filhos, não deu prò torto só aí: a questão é que nunca o quiseste praticar.

Pois como os sistemas puros, fechados não existem, tu sempre fizeste o teu necessitar do que pretendias combater

- Para impores a ditadura dos mercados, precisaste, helás!, da ditadura militar. 

E o EXÉRCITO é, olha, olha... uma instituição do Estado.
Sim, tens resolvido esse assunto, cortando financiamentos à Defesa e profissionalizando as Forças Armadas, mas só porque começaste a criar mercenários privados. Acaba-se com um serviço estatal e os dividendos ficam todos do teu lado.


- Para garantires os seguros de saúde, as reformas para quem trabalhou e trabalha, criaste empresas e bancos de investimento, enquanto ias depauperando o sistema de segurança social. Mas só se o ESTADO, lá está permitisse que essas tuas empresas pudessem fazê-lo e, MAIS, te pagassem para o fazeres. De que pagamento falo eu então? Não te chega esse dinheiro de todos passar a estar nas tuas mãos??

Assim, acaba-se com um serviço estatal e os dividendos ficam todos do teu lado.


Para forneceres - só a quem pagar, e BEM (leia-se MUITO)! - água, habitação, saúde e alimentação às massas, à ralé, coisas que tu é que decides e classificas e produzes e instituis, crias empresas para o efeito. Delegadas, por despacho administrativo, local e nacional, nunca internacional, que este é o somatório dos grãos a grãos de areia daqui e dali. 

E, para acelerares este processo de transferência, destruíste esses bens enquanto não estivessem ao teu serviço.
Mais uma vez, deu-se a transferência dos dinheiros. Do público para ti.
Por um punhado de milhões.
Que por só estares nisto pelo dinheiro é que te distingue do público.
E assim dita a lei do mercado.
E assim, dita ela, acaba-se com os serviços estatais e os... DIVIDENDOS ficam todos do teu lado.

PERCEBESTE???
SEU ESTÚPIDO...


O Mercado só existe se o Estado existir.

Pois que ainda não acabaste com ele de vez para continuares a chupá-lo.
A nós.


Porque és de natureza injusta, não representativa, e a tua legitimidade nunca foi referendada...


(NÃO SE ABREM INQUÉRITOS, POIS SE SE ABRISSEM DESCOBRIRIAM A RESPOSTA...
E a resposta seria oficializada: NÃO TENDES LEGITIMIDADE PARA CONTINUARDES A EXISTIR E A "funcionar normalmente".)


... é que precisas do Estado: escondes-te atrás dele para fazeres o teu trabalho sujo que é EXISTIRES.

E queres, via propaganda mil vezes repetida, fazer-nos à tua imagem e semelhança, deus vil e estuporado!
Queres reproduzir o teu sistema de pensamento dentro de nós e por todos os países, terras, povos e sociedades.


O buraco financeiro dos países é uma forma anódina e antónima de falar do dinheiro que os privados sugaram aos Estados. Sim, bancos e empresas chupam tudo e depois vêm com reacções dos mercados e sermões de agências de notificação financeira para imporem o seu pagamento.

E os juros da dívida é para os manterem para sempre acorrentados e garantirem a sua sustentabilidade. Sim, a dos bancos, que as pessoas já não querem ter nada a ver com eles. 
Por isso apelam ao Estado, o Estado de que eles sempre dizem ter querido ver-se livres, para salvar a economia. Pois a economia, tal como ela está e existe, é A DELES

Imagem daqui

Para que o Estado apenas continue a transferir o dinheirinho e o poder para os privados. 

Que o capitalismo tem de crescer e crescer, indefinidamente, sem volta atrás e sem interferências. A ritmo constante, senão... crise!!!!

A crise é o estado permanente, nos que comem muito e nos que não comem ou comem mal (de menos e de mais), por isso, não nos venhas falar que o Capitalismo é o melhor sistema com excepção de todos os outros, seu encurralador NATO implacável que tudo esterilizas...

Se não és puro
se não podes ser puro,
se não consegues ser puro,
se não queres ser puro,
Só podes ser corrupto.
E é corrompendo que te exercitas.



Mas, olha, vê lá:

é que isto está tão mau, tão mau, tão desequilibrado, levaste a um agravamento tal das desigualdades, corrompeste as relações sociais de tal forma, fodeste de tal forma o Estado que, imagina tu, é o próprio ESTADO que está agora a ser posto em causa.


E as instabilidades nos Governos não são senão a antecâmara do que pode chegar a ti. São os Governos e os ESTADOS a linha da frente, a carne de canhão que te protege a rectaguarda enquanto tentas dar à sola.


Mas nós vamos cercar-te.

Tal como nos tens feito durante estas décadas todas.
E, lamento, mas também não vamos ter piedade de ti.

domingo, maio 12, 2013

Aí está ela.

Aprovada na Comissão Europeia.



Agora, "quem cultivar, reproduzir ou trocar sementes que não tenham sido registadas, testadas e aprovadas pela nova agência* incorre em 

acto ilegal".


Pronto.
É tão-só isto.
Vamos ver o que é que vai acontecer agora.





* uma nova agência a criar: algo como Agência de [e não Para a] Variedade de Plantas da União Europeia.


Saber mais aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui...



"O capitalismo generalizado não pode deixar de destruir o planeta tal como destruiu a sociedade e tudo o que é colectivo.


Serge Latouche