quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Semana Aberta da U. Algarve: Passeios Científicos

Ria Formosa · Praia de Faro

9h00
A importância ecológica das pradarias da Ria Formosa
Para que servem as ervas marinhas?
Duração: 120’
Nº de participantes: 20
Local de partida e chegada: Praia de Faro - Estalagem Aeromar
Monitor: Prof. Rui Santos, da FCMA/UALG
Público: Alunos, professores, público em geral
Organização: Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente

15h00
Passado, presente e futuro das ilhas da Ria Formosa
Como se movem as ilhas barreira?
Duração: 120'
Nº de participantes: 20
Local de partida e chegada: Praia de Faro - Estalagem Aeromar
Monitor: Prof. João Alveirinho Dias, da FCMA/UALG
Público: Alunos, professores, público em geral
Organização: Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente


Para mais informações http://www.ualg.pt/gre/semanaaberta2007.htm

terça-feira, fevereiro 27, 2007

ANO POLAR

Estamos a apenas dois dias da abertura oficial do ano polar. Sem provincianismos assinale-se a participação de cientistas portugueses na iniciativa, participação que aliás, não é de hoje. Começa agora a ser notícia, com o devido atraso e a pompa que se dá, hoje em dia, a quase tudo que pode causar sensação. Valha-nos a sobriedade e o verdadeiro trabalho.

Dois geógrafos estiveram
(um ainda está), entre outros investigadores, na antárctica, podem ver como foi Alexandre Trindade
e por esta altura Mário Neves
Estamos lá todos...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

"A nossa bandeira para os próximos anos"

Clique para galgarPor LEM.

Nos tempos que correm, a bandeira a hastear no nosso litoral só poderá ser uma: a bandeira da paz para com a Natureza. O braço de ferro entre a mão humana e a mão natural tende a descair a favor da Natureza.
"Proteger a costa urbanizada ameaçada é uma prioridade." Será que não devemos pensar ao contrário? Não serão as antigas zonas costeiras naturais que estão a ser ameaçadas? A Natureza ganha hoje terrenos que o Homem roubou no passado.
Será urgente resolver erros do passado.
Ao proteger a natureza, estamos a proteger o Homem.

Aproveito para deixar-vos dois artigos sobre medidas de protecção costeira e recentes áreas afectadas pelas marés vivas.

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in Jornal de Notícias, 25.02.07, p. 36 e 38.


Saiba mais nos temas "Erosão Costeira" e "Riscos".

A NÃO PERDER

Estreia no próximo dia 14 de Março, um programa viagem ao país geográfico, série de retratos (sete programas) entre o presente e o ontem (aqui ao lado), da autoria do sociólogo António Barreto e da realizadora Joana Pontes. Serviço público a horas decentes, parece que por imposição de Barreto. O país agradece? Nós sim.

Mais no caderno P2 do Público de domingo, 25 Fev.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Geografia sentimental e musical de Zeca Afonso

Faz hoje 20 anos que Zeca Afonso faleceu em Setúbal. Não podíamos esquecer da maior referência da música portuguesa. Interventivo na música e na sociedade, Zeca Afonso soube aliar a tradição musical ao combate político. Sobre ele, dizia: "alguma coisa do que sou e fui foi em viagem", "sou, no fundo, fruto de muitas gentes, de muitos lugares, de muitos dissabores". Vejam o recente artigo da revista Visão e consultem o programa de Homenagem a Zeca Afonso que decorrerá hoje e amanhã no Palácio Vila Flôr (Guimarães). A não perder!


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in Visão, n.º 729, 22.02.07, pp. 96-104.

A melhor homenagem que podemos fazer a qualquer músico é ouvi-lo
. Aqui ficam as capas dos 4 primeiros álbuns da fase Orfeu.

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Cantares do Andarilho (1968), Contos Velhos, Rumos Novos (1969)

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Traz Outro Amigo Também (1970); Cantigas do Maio (1971)



23 e 24 de Fevereiro - 21h30
Homenagem a José Afonso
Grande Auditório
Preços:
Dia 23 - 10,00 €
Dia 24 - 15,00 €


"No ano em que se evocam os 20 anos da morte de José Afonso, o Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) volta a ser palco para uma homenagem ao cantautor de Abril. Durante dois dias, a vida e obra de José Afonso serão recordadas em Guimarães à semelhança das comemorações que tiveram lugar em 2006 e que serviram como rampa de lançamento para a homenagem deste ano. O CCVF associa-se, assim, mais uma vez, a um amplo programa que irá assinalar com dignidade e relevo esta data marcante." Ler mais


Para mais informações
www.aoficina.pt

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Coimbra - No centro da vanguarda

Clique para aumentar Coimbra, bem no centro do país. Capital do Reino de 1139 a 1260, com seus conventos, seus mosteiros e igrejas. Cidade húmida, com suas cheias recorrentes e suas tragédias, com o seu Mondego e a sua alta, com grandes edifícios e a sua velha universidade. Ambos, rio e universidade, importantes factores do seu crescimento económico e demográfico.



Clique para aumentar Sua orografia característica, suas ruas envelhecidas e suas casas, esguias, cortadas e em bicos de pés, assemelham-se, por vezes, a campos de lapiás, frequentes na morfologia cársica. O carácter declivoso do terreno parece atribuir à Universidade - localizada bem no alto, erguendo-se, heráldica e monumental, ao serviço do saber e do conhecimento - um estatuto de independência e controlo sobre tudo o resto.

Qual a importância da Universidade para a vanguarda cultural e política do Portugal do Séc. XX? Muita. A resposta choca sempre com o facto de Lisboa ser a capital. Traçamos uma breve resenha através da janela que é a música popular, interessantíssimo e muitas vezes subvalorizado meio de se conhecer o tempo e o espaço.

O fado de Coimbra, expressão indissociável da cidade e dos estudantes, é o primeiro sinal de enriquecimento cultural das gentes e da vida que a habitaram. O contínuo alargamento do ensino que se verificou ao longo do século passado trouxe o afluir de jovens de várias partes do país. Desse país isolado e atrasado, em mentalidade e em infra-estruturas.

Diversos foram os nomes e os contributos para o
evoluir da canção coimbrã. Edmundo Bettencourt, por exemplo, grande figura ligada ao meio literário, que marcou muito os anos 20, era natural do Funchal. Fernando Machado Soares, o autor da imortal "Coimbra", veio dos Açores. António Portugal e o seu estilo único e revolucionário de tocar a guitarra portuguesa nem era sequer das fronteiras que hoje temos (nasceu na República Centro-Africana). Já para não falar dos centrais José Afonso, aveireinse, e Adriano Correia de Oliveira, nascido no Porto, mas de uma família de Avintes (Vila Nova de Gaia).
Outros nomes incontornáveis eram, esses sim, naturais de Coimbra. É o caso de Artur e seu filho Carlos Paredes, por quem a música portuguesa nunca mais foi a mesma. Também Luís Goes, o doutor "barítono", é natural da cidade do Mondego.

Muitos apontam a campanha do General Humberto Delgado nas presidenciais de 1958 como o "despertar" para a política. E isso foi um acontecimento que abalou consciências. Fruto das contribuições dos estudantes, com as suas tradições e hábitos culturais, o fado de Coimbra ganhara um carácter etnográfico, assimilando influências e vivências. O confronto de realidades, do país desconhecido e pobre, a coexistência da diversidade abriu horizontes e mentalidades. Assim, como continuar a cantar os amores e fados velhinhos quando pessoas eram presas e torturadas, com tanta emigração?

O fado (de Lisboa, entenda-se) tinha sido transformado em "canção nacional" pelos serviços propagandistas do regime fascismo, dado carácter inofensivo da sua temática. A década de 60, década da mudança em muitos aspectos e países, vai ver emergir um novo movimento, nascido do fado de Coimbra. Ao mesmo tempo que lá fora se ia afirmando a canção de protesto (Dylan, Guthrie, Seeger, Ochs... (EUA), Brel, Brassens (França), Ibañez, Raimon (Espanha), cá, neste país auto-ostracizado e "orgulhosamente só" o movimento da balada vai fazer-se de dentro, completamente à margem da "moda" internacional.

A fraude eleitoral de 58, o rebentar dos movimentos de libertação em África, a ameaça da "partida" para o Ultramar pelos jovens estudantes universitários, entre outros factores, agudizaram a oposição ao regime. As manifestações estudantis em Coimbra, e em Lisboa foram responsáveis pelo germinar de algumas sementes artísticas.

Com muita força e pouca ajuda para fazer algo diferente, o chamado "novo cinema" português ficou marcado pelo filme "Verdes Anos", de Paulo Rocha, e pela música da banda-sonora, da autoria de Carlos Paredes. A história da pobreza e das migrações internas para a cidade, em busca de melhores condições de vida. Estávamos em 62, e a guitarra de Paredes emocionava-nos. Tocava-nos.

Um outro marco foi a ruptura do fado de Coimbra, através de toda uma nova abordagem estilística e estética. Já em 1960, com "Balada do Outono", havia sinais inequívocos dessa pequena grande revolução. O responsável (mas não único) era aquele que veio a tornar-se no maior renovador, criador e cantor de música popular portuguesa: José Afonso.


A canção deixava de relatar poemas inócuos e indiferentes à situação em que se viva. São de após a crise académica os discos "Baladas de Coimbra", de José Afonso, e "Trova do Vento que Passa", de Adriano. Uma nova mensagem, unindo os estudantes e, por arrastamento, todo um povo amordaçado. O primeiro foi alvo da censura e obrigado a uma segunda edição, em que a canção "problemática" apareceu sem a letra. Tratava-se de "Os Vampiros", canção actualíssima. O segundo continha o tema-título, com poema de Manuel Alegre, e tornou-se um verdadeiro hino de resistência à ditadura.


Foi através das serenatas, dos convívios nas Repúblicas, a cantar ao luar, nas escadas monumentais, pela noite fora, até ser dia, e fruto de uma profunda convivência com o mundo que o rodeava que um novo modo de cantar alterou o panorama da música popular portuguesa. Outras canções e outros cantores vieram também alimentar e desenvolver essa chama. Terminada a sua fase académica, José Afonso partiu para outras andanças, conhecendo as gentes e aprendendo a sua humanidade. Manuel Freire, José Mário Branco, Francisco Fanhais, Sérgio Godinho, Francisco Naia, Luís Cília, Fausto, Tino Flores e muitos outros engrandeceram a sua voz, cá ou no estrangeiro. E têm nas figuras de Zeca e Adriano uma fonte incontornável de inspiração.

Após o 25 de Abril, e no calor do processo, uma certa cegueira tomou conta de alguns revolucionários e, sem capacidade de discernimento, o fado foi injustamente considerado reaccionário. Ciente do ataque de que o património cultural da canção de Coimbra tinha sido alvo, José Afonso reafirmava a sua posição e independência, voltando a gravar fados e baladas. Estávamos em 1981.

Os anos 80 vão ficar também marcados pelo surgimento da Rádio Universidade de Coimbra, projecto com raízes antigas que trouxe um contributo importante para a expressão e difusão não apenas da vida académica, mas também de uma cultura que lençou sementes. Esses novos movimentos culturais, nova expressão da urbanidade, vieram somar-se ao ao papel recreativo desempenhado pelas Repúblicas. Novos espaços nocturnos, novos eventos, novos circuitos e viveres alternativos estão, certamente, na base de novas músicas. O programa de culto Santos da Casa, que há anos promove a música nacional independente, é um bom exemplo desse espírito interventivo.

À semelhança das "movidas" lisboeta (em torno do Bairro Alto, concertos no saudoso "Rock-Rendez-Vous", um fermentar de ideias e projectos - editoras musicais como a Fundação Atlântica, AmaRomanta, Dansa do Som, e grupos musicais como Pop dell'Arte, Sétima Legião, Ena Pá 2000, Linha Geral) e bracarense (concertos na "Fábrica" e no "Deslize", a editora Facadas na Noite, e bandas como Mão Morta, Rongwrong, Rua do Gin, Bailde de Baden Baden ou Humpty Dumpty), Coimbra teve também as suas "consequências" e manifestações alternativas.

Um pouco mais tardias e mais "internacionalizantes", desde o final dos anos 80, Coimbra tem sido uma boa fonte de bandas, com o punk, o blues e o rockabilly como estilos representativos. Entre elas contam-se os M'as Foice, Amantes de Maria, Ruby Ann & The Boppin' Boozers, Garbage Catz, Tédio Boys, Vicius Corruptos, Cave Canem, Tu Metes Nojo, Wraygunn, The Legendary Tiger Man, Belle Chase Hotel, Voodoo Dolls, Quinteto Tati, Bunnyranch, Parkinsons e outros.


Ora, como se explicaria o surgir destas expressões urbanas sem o fomento da RUC, dos bares, dos tascos, das Repúblicas, da Universidade, dos estudantes, das salas de espectáculo (como o TAGV)? Com certeza que seria muito difícil. O papel dos espaços de reunião, fomento e convívio é inseparável da criação de movimentos culturais e artísticos.
A cultura e o sentido democrático aliam-se.

Coimbra continua na frente do sentir alternativo português. Os programas da RUC reflectem esta força criativa. São alunos que agora nos educam. Que fazem de nós, novos alunos.

Leituras:
Rui BEBIANO e Maria Manuela CRUZEIRO (org.), Anos Inquietos, Vozes do Movimento Estudantil em Coimbra (1961-1974), Porto, Afrontamento, 2006
José Jorge LETRIA, A canção política em Portugal, Ed. A Opinião, Porto, 1978; 2ª ed.: Ulmeiro, Lisboa, 1999
Eduardo M. RAPOSO, 1960-1974 - Canto de Intervenção, Ed. Público, Lisboa, 2ª ed. revista e aumentada, 2005

Ligações:
Universidade de Coimbra
Guitarra de Coimbra (Blogue com ampla informação sobre a tradição coimbrã e a vida da cidade)
Associação José Afonso
Adriano Correia de Oliveira
Rádio Universidade de Coimbra
Centro de Documentação 25 de Abril

Cultura e Universidade

Universidade é sinónimo de Cultura? Já sabiamos que não!
Mas há mais: Praxe, vida académica e que ...futuro?

Se os estudantes Universitários não lêem, quem lê????

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

EXPOSIÇÃO PROGRAMA POLIS - VIVER AS CIDADES - Pavilhão de Portugal

"O Gabinete Coordenador do Programa Polis e a Parque Expo´98, estão a organizar uma exposição de âmbito nacional sobre o desenvolvimento das diversas intervenções do Programa Polis.
Com a aproximação da conclusão de parte significativa as intervenções Polis, no âmbito do terceiro quadro comunitário de apoio (QCA III), faz sentido a realização de uma exposição sobre as acções realizadas em 39 cidades, alertando as populações para a importância que o Programa Polis tem no reforço e consolidação de um sistema urbano equilibrado, em termos nacionais. A exposição tem por objectivo a divulgação das medidas implementadas a todos os níveis, quer aquelas que se materializaram em obras, quer as que se centraram em estudos e planeamento, deixando um legado de instrumentos de gestão territorial que promovem futuras intervenções nas vertentes urbanística e ambiental, melhorando a atractividade e competitividade dos pólos urbanos, em consonância com os pressupostos definidos no Polis.
Paralelamente à Exposição será realizado um ciclo de conferências subordinado aos grandes temas que compõem a exposição: Valorização Ambiental, Requalificação Urbana e Mobilidade.
As conferências são todas às 18h e nos seguintes dias:
21 de Fevereiro - "Cidades" _ Nuno Portas

28 de Fevereiro - "Cidade e o Campo" _ Graça Saraiva
7 de Março - "Requalificação Urbana" _ Manuel Salgado
14 de Março - "Valorização Ambiental"_ Teresa Andersen
21 de Março - "Mobilidade" _ Fernando Nunes da Silva
28 de Março - " Histórias da Cidade" _ Ana Tostões
4 de Abril - " Cultura de Cidades, Cultura de Cidadania" _ Jorge Gaspar
11 de Abril - " PolisXXI" _ João Ferrão

Para além da exposição e das conferências realizar-se-à O Dia da Cidade Polis. Este dia pretende assinalar a participação de cada uma das cidades que viram o seu território alterar-se com a intervenção do Programa Polis e funcionar como uma acção de divulgação do que melhor se faz localmente.
Esta iniciativa, que constitui a oportunidade ideal para a deslocação das forças vivas do Concelho à exposição Viver as Cidades/Programa Polis, terão lugar às Sextas, Sábados e Domingos, ao longo do período em que decorre a Exposição.
Num espaço próprio e durante o horário normal de exposição decorrerão iniciativas da responsabilidade das diversas cidades aderentes, que pretendem promover os elementos mais característicos dos respectivos concelhos, e incluem conferências, mostras culturais e gastronómicas.
Paralelamente, está prevista a itinerância da exposição que irá procurar levar às cidades que receberam as intervenções, o conceito que agora se oferece em Lisboa.
O lema do Programa Polis é Viver as Cidades. O Dia das Cidades pretende fazer Viver cada uma delas!
"

Para mais informações vejam o site do evento: www.polis.maotdr.gov.pt/Ou contacte o Gabinete Coordenador do Programa Polis

http://www.polis.maotdr.gov.pt/index2.html
Rua de "O Século", n.º 53 - 3º
1200-433 Lisboa
tel: 213231591
fax: 213231597
Difundido via e-mail

Ministro chumba "Ilha do Entulho"

No dia 9 de Fevereiro de 2007 publiquei, no Georden, um artigo sobre "O Projecto Nautilus Island em Vale do Lobo".
Hoje publico a notícia que saiu na última edição do jornal Barlavento. Esperamos que o chumbo do projecto "Ilha do Entulho" seja mesmo para cumprir.
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Aproveito e deixo, também, um artigo do mesmo jornal: O Empreendimento Vila Sol quer proteger a Praia do Garrão através do sistema Ecoplage. O Ecoplage foi criado na Dinamarca em 1981. "Consiste em drenar água da areia da praia para obsorver a energia das ondas." Criadores e Investigadores afirmam que "o sistema pode ser aplicado em 70% das praias do mundo inteiro com resultados bastante positivos." No entanto, o nosso bem conhecido, Prof. Alveirinho Dias, considera que o Sistema não se aplica ao perfil da praia do Algarve. As praias algarvias são diferentes das do Mar do Norte. "No Algarve as praias são muito inclinadas, quando o sistema só poderá ter resultados nas que são muito planas e dissipativas." Sempre que justificar, acompanharei o desenrolar de mais outro projecto de protecção costeira, aqui no Georden.

Clique para aumentarin Barlavento, 15.02.07, p. 15 e 17.

Relacionado com este artigo, está outro do Açoriano Oriental (14.02.2007), difundido via e-mail:

"Novo sistema pode contrariar erosão costeira
14-02-2007
Açoriano Oriental

O ‘ecoplage’, sistema ecológico para controlar a erosão das praias em risco, poderá solucionar o problema da destruição dunar na Costa da Caparica, mas só hoje será feita uma primeira apreciação.
Em Dezembro, o mar destruiu cerca de 16 metros de cordão dunar na Costa da Caparica e desde essa altura estão a decorrer obras de emergência nas dunas.

A primeira fase consistiu numa reposição de areia no sentido de prevenir a ruptura iminente das dunas, e a segunda, que decorre actualmente, pretende consolidar essas mesmas dunas e dar-lhes o perfil que tinham antes da sua destruição.

As obras de alimentação artificial das praias da Costa da Caparica com areia estão previstas para arrancar em Abril, mas o sistema ‘ecoplage’, um método dinamarquês descoberto em 1983 que tem como objectivo controlar a erosão marítima e reconstituir e alargar as praias em risco, pode ser uma alternativa, caso o município esteja interessado.

O responsável pela empresa que veio apresentar os sucessos obtidos em zonas costeiras de França, Dinamarca e Espanha observou, contudo, que é necessário realizar vários estudos e reunir várias condições, nomeadamente averiguar o terreno para se saber se existem rochas debaixo das areias, facto que anula a possibilidade de implementar o sistema ‘ecoplage’.

O método, que utiliza canais de drenagem subterrâneos tornando-se invisível e silencioso, reage à acção dinâmica das ondas, absorvendo a parte da energia da vaga que provoca o fenómeno de erosão. A água das ondas estende-se no areal, infiltra-se na frente da praia, é filtrada pelas areias e é absorvida para os canais de drenagem, levada até um poço recolector e conduzida depois para uma estação de bombagem que a retira.
A água pode ser aproveitada para piscinas com água do mar, aquários, viveiros, talassoterapia ou salinas, explica o director-geral da ‘Ecoplage’, Jean Yves Audrian, salientando que está demonstrado cientificamente que o ‘ecoplage’ não tem impactes negativos na flora e fauna.


A água pode ser aproveitada para piscinas com água do mar, aquários, viveiros, talassoterapia ou salinas, explica o director-geral da ‘Ecoplage’, Jean Yves Audrian, salientando que está demonstrado cientificamente que o ‘ecoplage’ não tem impactes negativos na flora e fauna
"

Biocombustíveis...

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in Notícias Magazine, 18.02.07, pp. 34-39.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

O CARNAVAL ou o entrudo de Portugal na Europa

Hoje (e ontem) é um bom dia para Portugal se disfarçar de Europa e sair à rua. Sempre me interroguei sobre a razão pela qual nem se pensa em fazer referendos sobre a questão Europeia, p.e relativamente à constituição. Será porque ninguém faz a mais pequena ideia do que seja e onde fica essa Europa? Onde fica?

Portugal enquistado no cantinho mais a ocidente da Europa, sempre viu o mar. Do outro lado Espanha. Nem pensar. Afonso Henriques, esse grande Franciú, perdão, português, após uma porrada de chatisses com a família só teve olhinhos para sul. Mais tarde, nas descobertas nem com o novo mundo quisemos alguma coisa com a Espanha ou essa tal de… Europa. As famosas viagens de conhecimento que qualquer europeu nobre ou erudito tinha que fazer no sécXVII e XVIII, eram para vadios como esse Lord Byron que ficou embasbacado com o exotismo e os bigodes femininos aqui do cantinho.
Já no sécXIX, quando Teodora, esposa de Calisto Elói( A queda de um Anjo de Camilo), vai a Lisboa à procura do marido e lhe dizem que foi em viagem à Europa, ela pergunta, colérica: Onde é a Europa?
Edmund White, a páginas tantas, na sua obra Paris, os passeios de um Flâneur, refere relativamente aos direitos das mulheres em França em comparação com outros países isto:E, ainda hoje (ano 1999/2000), a percentagem de mulheres em altos cargos governamentais ou posições executivas é menor que qualquer pais Europeu, incluindo Portugal. Estão e ver a coisa: incluindo Portugal!!!!

Dados recentes do EUROSTAT , com direito a exposição nos média, revelam que a Europa fica longe, mais longe do que se pensa. Parece que estamos em 18º lugar (dados de 2004) no PIB per capita, atrás de… Chipre, R.Checa, p.e. Membros recentes. Em termos regionais, tendo em conta a média Europeia, a região Norte apresenta um PIB per capita de cerca 58% desse valor médio e, a única região acima é Lisboa com 105,8%. Londres apresenta 303%. O desemprego aumentou e 14% dos que trabalham vivem abaixo do limiar de pobreza.

Como diria AL CAPONE: em que rua fica a EUROPA?

Ano Polar

Cientistas propõem ao Governo o primeiro Programa Polar português.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

OTA mais uma vez.

Já aqui reafirmei, com vários argumentos, meus e de muitos outros, a estranheza relativamente à OTA, localização e construção. Basta. Hoje soubemos que também os engenheiros (também estes)"apelam" ao governo para estudar alternativas... Mais?

Novas antiquíssimas Geografias

Francisco José Viegas das arábias, viaja por esses países hoje tão longe de nós, ontem algures tão perto...
Esperemos que escreva um diário de viagem, com cheiros, estórias, aventuras e cartografias humanas. Ou talvez, quem pode saber, uma obra romanceada, um novo mapa labiríntico... para nos perdermos e encontrarmos Borges. A literatura agradece.
De qualquer forma, já o reparte connosco!

Um passeio com varanda

Será que existem passeios com Varanda?
Aqui está a prova de que existem!
Neste nosso Portugal Provisório há de tudo!
A cidade de Quarteira tem coisas destas e, ao que parece, não são poucas.
(...)
Quem autorizou a construção deste anexo/varanda, não viu o que estava a fazer.
Com marquise e tudo! Boa!
(...)
Ou será que o passeio foi feito depois?
Se calhar, é melhor acreditar nesta última hipótese!

Nota:
Podem enviar as vossas fotos para
georden@gmail.com acompanhada com título, breve texto, localidade, autor e data. Posteriormente, todas serão publicadas no GEORDEN - Sustentar o Sustentável.

domingo, fevereiro 18, 2007

Descida ao Rio Sabor


A plataforma Sabor Livre e a associação Aldeia irão realizar um encontro nos próximos dias 10 e 11 de Março, no Mogadouro (distrito de Bragança). Todos os interessados deverão inscrever-se até ao dia 2 de Março.
Dedicaremos outras chamadas de atenção à medida que a data se for aproximando.

Mais informações:
http://www.aldeia.org/
http://www.saborlivre.org/

sábado, fevereiro 17, 2007

Ecologia por um leigo

Dentre as inúmeras e preciosas cartas que têm endereçado para a Georden, não pudemos deixar passar esta em branco. É de um leitor assíduo que pediu para manter o anonimato. Daqui prà frente vamos chamar-lhe X. O leitor X escreveu-nos, explica ele no início da sua carta, porque deu por si a pensar nas relações entre a cadeia alimentar e os seres vivos e algumas dúvidas lhe surgiram. Vamos partilhá-las aqui convosco.

“Já pensaram qual é a relação entre o tamanho dos seres vivos e o sítio onde vivem? Eu pus-me a pensar e concluí que o tamanho de um animal, ou de uma planta, está relacionado com a disponibilidade de biomassa no ecossistema em que ele vive.
Pois se os elefantes são grandes é porque têm alimento para comer. Ou por exemplo os dinossauros: eram grandes, não eram? Isso era porque havia muita comida.

Bem, depois, ultrapassada esta minha descoberta, inferi que, na falta de alimento, animais e plantas começam a ficar mais pequenos. Isto, ao longo das gerações e do tempo, claro. Não é lógico este raciocínio?

Outra coisa que me preocupa é a questão da cadeia alimentar. Ora, se andamos a comer-nos uns aos outros, como posso eu deixar de comer toda a porcaria que eu dou de comer aos meus animais? Acho que isto faz sentido, mas dir-me-ão algo sobre o assunto.

E mais. A relação entre o tamanho e a quantidade dos seres vivos. Lembrei-me da extinção dos dinossauros. Haveria hoje espaço para eles andarem por cá? Ora, se a disponibilidade em alimento vai decrescendo, e se os animais grandes precisam de comer mais, então a tendência é para haver animais cada vez mais pequenos. Os grandes extinguem-se. Não será assim? Quantas baleias há no mundo? De certeza que há menos que vacas. Ou moscas… Ei! Moscas é que deve haver!!! São tão pequeninas. Eu acho que tenho razão no que estou a dizer. Ora, vejam este quadro.

Vêem a relação entre o tamanho, ou o peso, é a mesma coisa, dos seres vivos e a quantidade em que eles coexistem num dado ecossistema? Respondam-me a isto.
(…)”



Retirado de "Biologia do Meio Ambiente", de Jorge Lima e Mário Freitas (Ed. Asa)

Bem, caro X, gostámos muito das suas questões.
Mas esses não são os assuntos em que costumamos deter a nossa atenção aqui no blogue. Isso deve ser tratado em sede própria.
Ora, é óbvio que as questões da alimentação e da biodiversidade são matéria exclusiva da Biologia, ou da Ecologia, da Agricultura, da Economia e da Política. Pelo que, não tendo nunca a Geografia sido chamada a pronunciar-se, não é agora a altura de dissertarmos sobre isso.

A Georden esclarece que a capacidade científica que tenta imprimir nas matérias não sai beliscada com este artigo.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Cartografia Patrimonial

O IPPAR apresenta hoje em Braga a cartografia patrimonial dos Centros Históricos de Braga e Guimarães, enquadrada num projecto de geo-referenciação do território Nacional, disponível no futuro para consulta de todos, no SITE: http://www.ippar.pt/patrimonio/patrim_georeferenciado.html

Acidentes e outros acidentes!

Acidentes acontecem, já o dissemos. Vertemos as palavras do Sr. tal responsável, que relativamente ao acidente do Tua, reafirmou a “fiscalização” da linha anteriormente, pela CP e REFER. Depois lá tivemos que levar com um relatório, mais um, da REFER, em que após apurado estudo geotécnico (ABRIL 2001!) e respectivas propostas, ficou tudo na mesma. Hoje, afirmações de um dos sobreviventes contrariam a tese do pedregulho. Parece que afinal se tratou de uma derrocada dos carris e presença de pedras na linha. Parece que a tragédia, nesse caso, poderia ter sido evitada se estivesse instalado um sistema preventivo à imagem da linha da Beira baixa. Parece. Já se sabe como tudo isto vai terminar…

Na Câmara Municipal de Lisboa, um dos vereadores, não parece, escondeu mesmo, que era arguido no caso dos prémios ilegais dados aos administradores da EPUL. Alegou que a coisa nada têm a ver com a NÉVOA que paira na cidade, e por isso não quis chatear ninguém. Compreende-se. Em apenas dez anos a cidade quase, quase cosmopolita arreou em provincianismos de folhetim. Só precisamos de mais um Eça.

Portugal ambiental melhorou em 2006 lê-se em destaque no Público. Vejam as razões.

Estratos do Tempo: Paredes



Viajante da nossa alma, percorreu o mundo, tocando as pessoas com o seu terceiro braço, a sua guitarra. Diz-se que não sabia o que fazer com as mãos quando não estava com ela. E disse ele, em segredo, ao poeta e jornalista José Carlos Vasconcelos, que, quando dela se viu privado, durante a sua "estadia" na prisão (que tiranos podem prender um homem assim?), pensou mesmo em suicidar-se.

O Georden não se associa ao silêncio. O Georden não esquece pessoas assim. Carlos Paredes faria hoje 82 anos.

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

José Afonso, Traz Outro Amigo Também

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Ensaio: A GEOGRAFIA EM PORTUGAL

Não se pretende historiar o ensino e o desenvolvimento da ciência geográfica em Portugal. É por demais sabido o atraso e o tormento da sistematização da geografia no caso português que, aliás, esteve sempre na “roda” de outras ciências, a história e as ditas naturalistas, passando pelo paradigma regional. Não esquecemos, no entanto, a obra de Silva Teles (e seu papel na imposição da “ciência geográfica" na Universidade) e Orlando Ribeiro, para apenas referir dois, muito grandes.

Conheço muito bem, duas Universidades e respectivos cursos de geografia, mais ou menos técnicos, ou vocacionados para o ensino, Coimbra e Minho, por ordem cronológica. Menos bem, por colegas e influências, Porto e Nova de Lisboa. Dentro destes, não faço distinções semânticas, entre planeamento, ordenamento, ramo científico, ensino, etc. São cursos de ciência geográfica, de geografia e ponto final. Outra coisa será, sem desprimor, claro, a licenciatura em planeamento regional e urbano de Aveiro ou Engenharia geográfica.

Não obstante, as tentativas de distinção, e não me refiro a docentes, departamentos ou antiguidade e tradição (porque nestes, existem diferenças), esbarram numa génese comum e num substrato científico semelhante. Basicamente partimos dos mesmos paradigmas, discutimos o objecto, analisámos e racionalizamos em torno da dialéctica “física e Humana”, abordamos a evolução e a respectiva actualidade (?), esta num quadro ambíguo, visto o papel do geógrafo e da geografia colidirem com uma realidade absolutamente ignorante e imitativa, e por último, salvo as excepções do costume, avançamos muito pouco cientificamente, e perdemos o comboio da discussão teórica.

Castells escreveu em 1983 que o espaço não é um reflexo da sociedade, é a sociedade. Penso que Soja e Harvey concordaram à época, e todos os geógrafos hoje, de uma forma ou outra, partem desse “pressuposto”. Em Coimbra, nos anos 1990, a geografia ainda era abordada praticamente como seria nos idos 1960…em Portugal, claro. Com alterações óbvias, mas o método, a discussão, o estudo, tudo isso, era de ontem. Os próprios instrumentos e a ausência total de discussão teórica e abordagem social remetiam-nos para um mundo de mapas, história e o famoso trabalho inconsequente de campo. Não admira a opinião generalizada sobre a geografia se ela no seu (imposto) guetto partilha e realça (muitas vezes sem razão) esse trajecto mumificado.
Em Guimarães, mais tarde, a coisa era muito melhor, mas com a mesma base e dependência, embora com ritmos e expectativas diferentes. Chegávamos invariavelmente à famosa interdisciplinaridade! Mas mesmo esta era no papel, isto é, na relação (blá, blá) da geografia com outras ciências, a ciência “charneira”, o papel do geógrafo como mediador, etc, etc e tal. Na realidade a vida da Universidade, em princípio, era até contrária a isso. Explico.

Em Coimbra, nas “Letras” podemos frequentar (ou melhor, assistir porque não existe fiscalização e ninguém conhece ninguém), se quisermos, a outras aulas de outros cursos. Em Guimarães nem isso. Quando cheguei pensava que não, que existia um conjunto de temáticas e disciplinas paralelas, de forma a dar corpo a diferentes formações. Nada disto seria novo. Em Inglaterra, E.U.A, Alemanha e Áustria, por exemplo, qualquer formação inicial e complementar permite a diversificação de temáticas e estudos.

Não estou a referir-me a um conjunto de disciplinas, normalmente a partir do 3ºano, denominadas de OPÇÃO, que normalmente, ou por problemas burocráticos, ou entre departamentos, secções, tradição e outros, nem se realizam, ou se praticam por critérios de especialidade (Física ou geografia humana), em outros casos de complementaridade, mas poucos. Refiro-me a poder optar realmente, entre cadeiras do mesmo curso e de outros, mesmo sem qualquer ligação definida à partida. Parece que com BOLONHA a coisa vai!? Sabemos que dado o conservadorismo vigente e o facilitismo de docentes e alunos, a questão não vai evoluir, para, digamos, não complicar. Já para não falar da burocracia. Ora, este é o grande problema da geografia e do geógrafo. Deve evoluir, traçando o seu próprio caminho, definindo regras e etapas, comunicando e lendo outras matérias, observando, discutindo a base teórica e filosófica se o desejar, ou manuseando instrumentos e novas tecnologias directamente. Por isso, deve ser aberto a algumas disciplinas de história, filosofia, sociologia, mas também, porque não, engenharia e informática, arquitectura e turismo.

Hermínio Martins, conceituado Sociólogo, professor durante 40 anos em Oxford, Leeds e Essex com várias obras e ensaios publicados, quando na Pública de Domingo passado (11 FEV) o questionaram relativamente à sua formação e se não tinha ido para Inglaterra com o objectivo de estudar Economia, respondeu: A licenciatura que fiz era INTERDISCIPLINAR: baseava-se na ciência económica, mas era aberta às outras ciências sociais. Uma das minhas optativas foi a cadeira de lógica e Método cientifico, regida por Karl Popper. Podia-se fazer ciência política, ciência económica, história, sociologia, história do pensamento político (…) e filosofia da ciência (…). Curiosamente, nem acabou o Doutoramento, afirmando que há muitos sociólogos eminentes que não o fizeram e que na altura, na sua altura, só faziam o Doutoramento os mais fracos, Tinham de ter um grau académico para provar que de facto não eram fracos. Exactamente como cá!?....

Para a geografia não ser menosprezada e ninguém saber para o que serve, necessita ela própria de se respeitar e fazer-se respeitar. É todo um caminho, não obstante, se copiamos amorosamente tudo o que é mau vindo de fora porque não também uma ou outra coisita boa???

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Tecnologias da Informação

Fonte: Google Earth; www.eurobsdmall.com

Num mundo onde o virtual é cada vez mais uma realidade, as tecnologias de informação assumem um papel de importância indiscutível na sociedade ao nível da organização, sistema de produção, informação ou simplesmente como meio de distracção.

As novas tecnologias são cada vez mais uma ferramenta indispensável no ordenamento do território, através da inventariação e localização dos mais variados objectos e na criação de modelos dinâmicos que poderão ajudar a compreender ou a prever eventos da superfície terrestre.

Assim, as Tecnologias de Informação são, cada vez mais, uma ferramenta indispensável para o trabalho do geógrafo, assumindo-se como uma das melhores formas de demonstrar de forma clara e simples o trabalho teórico.

Nesta ultima afirmação refiro-me às Tecnologias de Informação como uma ferramenta, mas no entanto há uma questão que surge:

Na vida profissional, estará o geógrafo dependente das novas tecnologias?

Será que há lugar para o geógrafo, por si só, dissociado das Tecnologias de Informação?

ACIDENTES ACONTECEM

Acidentes acontecem. Talvez por isso, ontem (dia 13) tenha me furtado a escrever sobre. A despeito da minha tentativa de me espraiar no sofá, ouvi na TV um Sr. qualquer coisa responsável, afirmar sobre o acidente na linha do Tua que, a CP, a Refer e outros organismos (Câmaras?) tinham procedido, ao contrário de outras situações (note-se!), à fiscalização (?) e visualizações, penso eu, da linha. Como se isso não fosse da sua total RESPONSABILIDADE! Mais disse o Sr. que talvez faltasse uma rede de protecção (talvez) como as que protegem as auto-estradas, ou, digo eu, as que os hiper e centro comerciais introduzem nos acessos com declive ou escarpas. É o mínimo. Mas, neste particular, afirmou ainda o Sr. tal, dado a volumetria das rochas não haveria nada a fazer…

Acidentes acontecem. Hoje, para meu pasmo (só meu, provavelmente!), no fim da notícia referente à tentativa de encontrar os corpos desaparecidos, entre vários directos e entrevistas, lá se afirmou, que afinal existia um relatório. Um estudo!
Parece que em Abril de 2001 a (própria) Refer realizou um levantamento geotécnico, com análise de alterações, referenciação de pontos críticos, nomeadamente ao nível de escarpas (como a do acidente), entre outros. Alertou (as entidades competentes, quais?), em relatório posterior para a necessidade de vigilância e outros procedimentos preventivos. Afinal, estava ou não estava tudo controlado na linha? Quem são as entidades competentes que, após análise do relatório terão de tomar medidas? Não são as autarquias, a própria Refer e CP? Não!? Hoje estão lá todos a desdobrar-se em entrevistas. Quiçá algum sabe as respostas…

Não se fez nada e, neste caso especifico talvez, digo talvez, não houvesse nada a fazer. Afinal, acidentes acontecem!

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Com tranquilidade

Um dos poucos programas que ainda fazem qualquer coisa parecida com serviço público televisivo, passa todos os dias úteis na DOIS, a horas (APENAS) para velhinhos e donas de casa ver, embora, já se sabe, ninguém corre esse risco, preferindo a saloiice do Portugal no coração, ou a ficção noveleira. Referimo-nos a Sociedade Civil, magazine de debate em directo que vai para o ar cerca das 14h.

Hoje, a temática passava pelo Futuro do mundo rural. A primeira questão no meu entender é se ainda existe um mundo rural, aquilo a que grande parte das pessoas associa a agricultura, “parolice”, ou ainda a visão romântica, herdada do Séc. XIX, de campo. Pensamos que a visão terá forçosamente de ser global, no sentido sócio/cultural, mas também económico e ao nível dos serviços. P.e. Nuno portas defendia recentemente que o mundo rural não fará sentido se não o analisarmos como um prolongamento do espaço urbano e da cultura urbana (telemóvel, roupa, música). É de realçar, no entanto, que o contrário também será válido, muito do rural no bom e mau sentido refugiou-se no espaço urbano, nos subúrbios, reflectindo-se na forma como se vive e convive nos apartamentos e num conjunto de comportamentos ditos “rurais” na cidade, característicos de uma certa modernice saloia, deslumbramento e, não raras vezes, um desenraizamento sociológico.

Voltando ao programa, falou-se muito de agricultura, do novo quadro de apoio ao desenvolvimento rural, da transferência de população do interior para o litoral, entre outros. Um dos pontos fulcrais da conversa prendeu-se com um tema, hoje por hoje, já esquecido na esquizofrenia das notícias: O Alqueva. Este projecto faraónico, amplamente discutido (?), alicerçado em estudos internacionais e que abrangiam o desenvolvimento agrícola, ambiente, turismo, blá, blá, tem mais de dez anos e ainda hoje, já num quadro comunitário diferente, se discute o famigerado “para quê” e “como”??

Afinal, o que está subjacente ao Alqueva é um plano agrícola, sustentado social e economicamente, assente numa (pensada) dimensão ecológica ao nível da política (desgaste) dos solos, da gestão dos consumos e das competências?
Ou o objectivo deste imbróglio esgotante estará relacionado com o número de camas, hotelaria, turismo de luxo para velhinhos do Norte da Europa praticarem golfe?
Existe uma política turística direccionada para o desenvolvimento da região devidamente sustentado no (necessário) marketing territorial e reais interesses da população? O objectivo não passa por fixar populações, atrair investimento e emprego? Estas questões ficam para o debate sobre este e outros assuntos relacionados com grandes obras (estádios, OTA; TGV).

Acresce que no caso particular do Alqueva saltam às vistinhas os custos. Os custos da obra, infra-estruturas, planos, expropriações, blá, blá. Mas também os custos futuros da UTILIZAÇÂO da ÁGUA para a agricultura e regadios. E os custos AMBIENTAIS, a montante e a jusante, para não falar do gigantesco espelho de água, fosso de proliferação de espécies infestante e outros problemas.

Quem vai poder pagar a água para a agricultura? Segundo alguns dos intervenientes do programa, muito poucos. Hum, que vos parece ser o destino?

Mais, quem garante a qualidade das águas, principalmente a montante, e nomeadamente em território Espanhol (conhecemos o seu sistema intensivo e consequências)?
Curiosamente (ou talvez não) são precisamente os Espanhóis os mais interessados (e com dinheiro) no projecto. Os nossos agricultores e investidores têm pouca cultura de risco, dirão. Mesmo que tivessem, e alguns terão (noutras actividades, há dinheiro, como se verá), mas os pequenos e médios agricultores Alentejanos…ou a coisa não é para eles?
São estas políticas (des)norteadas, demagógicas e populistas, com estudos e mais estudos que se perdem na memoria (curta) e na profundidade do tempo sem rosto.
Ademais, já pouco se fala do assunto.

Num último espasmo, a agricultura ligada à máquina dos subsídios e à implantação experimental (!) de modelos (como em tudo, em Portugal) estrangeiros, ainda os seus melhores e mais férteis solos situados em zonas urbanas e peri-urbanas, tragados com uma violência raivosa em nome de um suposto desenvolvimento bacoco e de um urbanismo desbocado ao serviço da retro escavadora. Com tranquililidade.

Isto anda tudo ao contrário!

Uma notícia a propósito do PENDR. (Apesar da clonagem, fazemo-lhe uns apêndices que o presidente da LPN acaba de dizer no programa Sociedade Civil, de Fernanda Freitas, na 2:).

Portugal é o país da Europa com solos de pior qualidade e aquele que tem a maior área "betonizada" por habitante, mas apesar desta realidade, Eugénio Sequeira disse que os grandes projectos dos últimos governos têm agravado esta situação.
"Temos os casos de partes do traçado do TGV e das plataformas logísticas da Margem Sul do Tejo e de Castanheira do Ribatejo que vão ser construídas em solos de qualidade, quando existem outros locais alternativos", afirmou o especialista em entrevista à Lusa, admitindo, no entanto, que as alternativas seriam mais dispendiosas.
Como exemplos de solos férteis refere o Algarve, Península de Setúbal, costa norte de Lisboa e o interior de Coimbra.
Eugénio Sequeira defendeu que o Governo deve ponderar quais são as suas prioridades e avaliar se vale a pena gastar mais dinheiro para Portugal manter disponíveis alguns solos ricos para uma emergência.
"Sessenta por cento da nossa comida é importada. Se um dia temos um problema com os transportes, ou com o preço dos combustíveis, não seria útil ter solos férteis para assegurar a nossa sobrevivência?", questionou.
O especialista defendeu que os solos mais férteis devem ser usados como espaços verdes ou de lazer, ou usados para fins agrícolas, e lembrou que a Inglaterra usou o Hyde Park para cultivar batatas quando esteve em guerra.
"Existe por todo o país um problema de falta de espaços verdes. Devia haver pelo menos 30 metros quadrados (m2) de estrutura verde nas zonas urbanas por cada habitante. Londres tem 50 m2, enquanto por exemplo, o concelho de Cascais tem entre três a sete m2".
Quando analisada a qualidade, em Portugal apenas quatro por cento dos solos são competitivos em termos agrícolas, enquanto na Alemanha a percentagem sobe para 20 por cento e em França para 30 por cento.
Eugénio Sequeira, que é também presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), diz que a Comissão Europeia tem alertado para que os solos de boa qualidade não sejam "betonizados", mas "os projectos de construção não chegam a ser travados porque o projecto da directiva solos é fraco".
Por isso, propõe que seja introduzido na directiva que os melhores solos têm de ser salvos da "betonização", o que o projecto da lei europeia não contempla, dado que "para os países do Norte este não é o principal problema dos solos".

Fonte: Confagri - Lusa

Frases (ainda frescas na memória):

"A política do trigo deu resultados, durante cerca de 20 anos. Mas a diferença é visível de satélite, com a fronteira. Por causa dessa exigência que lhe foi feita, perderam-se 30 cm de solo. Isso demora 7500 anos a formar-se."

Referindo-se à cultura do regadio (com financiamentos gritantemente desequilibrados)
"O desenvolvimento rural continua a apoiar-se na degradação dos recursos. Ora, isso não pode ser. Porque depois acabou. Não há mais. Esta estratégia tem que mudar. - Nos anos 30, para a indústria, o que era bom eram chaminés a deitar fumo. Ora, essa moda passou. Hoje já ninguém quer isso!"

Comportamo-nos como extra-terrestres...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Jornal Público

Apareceu hoje renovado o Público. Mais cor, um toque Anglo-Saxónico, coisas da modernidade e resultado do (bom) trabalho dos blogs. De resto, o conteúdo mantém-se. Gostei: como diria Pessoa, primeiro estranha-se depois entranha-se!

SISMO

Um sismo de amplitude 5.8 na escala de Richter com epicentro 160Km a sudoeste do cabo de São vicente, ocorreu hoje de manhã em portugal continental. Sentiu-se no Sul do país e (menos) na zona centro.
Ver mais em
http://www.meteo.pt/pt/sismologia/sismObservGeral.jsp

"Arca de Noé vegetal" e "Sucata do Futuro"

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in Jornal de Notícias, 11.02.07, pp. 12-13.

O primeiro artigo: relata-nos sobre a construção de uma "caixa forte" (que resistirá às alterações climáticas) para o armazenamento de sementes, de todas as variedades, de espécies vegetais, existentes no Planeta. Um projecto a cargo da Direcção das Obras Públicas da Noruega e orçado em cerca de 2,3 milhões de euros.

O segundo artigo: a sucata do futuro pretende reciclar automóveis em fim de vida. Com 6mil m2 assemelha-se a uma moderna linha de montagem (neste caso, desmontagem) do que a uma sucata. Todos "os carros são desmontados de acordo com um verdadeiro processo de produção industrial".

Em portugal já começaram abrir centros para reciclagem de electrodomésticos, mas para automóveis ainda não ouvi falar. Pelo menos, com estas características. As sucatas reciclam materiais, mas são espaços/locais que poluem o ambiente, para além do aspecto visual negativo que dão à paisagem. Com tanto carro abandonado, o caminho a seguir será mesmo este: criar centros para desmontar/reciclar/reaproveitar os materiais de automóveis em fim de vida.


domingo, fevereiro 11, 2007

AEPGA - Actividades para Fevereiro e Março

A AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino é uma associação sem fins lucrativos que foi fundada a 9 de Maio de 2001 e tem por objecto social a protecção e promoção do Gado Asinino, em particular a raça autóctone de asininos das Terras de Miranda – Burro de Miranda. Fiquem algumas das próximas actividades e participem.

1. Passeio Temático em BTT - Março
Neste terceiro passeio da primeira edição dos "Passeios Temáticos em BTT", a temática será a valor genético e cultural dos Burros de Miranda
Juntamente com um guia especializado, que nos irá conduzir através de alguns destes magníficos locais, tentaremos observar igualmente águias, abutres, indícios do lobo e das raposas e muitos outros sinais oferecidos por esta natureza espectacular.
Se queres participar e não tens bicicleta, não há problema! Nós alugamos bicicletas a 15 euros/dia. Se estiveres interessado, contacta o Joeri através do e-mail aepgadventurra@hotmail.com para alugar a bicicleta pois são limitadas.
Para mais informações, consulte o site http://www.aepga.pt/ ou contacte-nos pelo e-mail aepgadventurra@hotmail.com .

2. Por Tierras d l Rei – de 30 de Março a 2 de Abril
Passeio de Burro por entre montes e vales do Nordeste Transmontano

A AEPGA vai realizar entre os dias 30 de Março e 2 de Abril a IV Edição do passeio de burro "Por Tierras de l Rei" que terá início em Campo de Víboras, passará por diversas aldeias dos concelhos de Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro. Em honra da Nossa Senhora da Engrácia, no dia 31 de Março, a noite será animada pelo grupo de música tradicional Roncos do Diabo. Os músicos acompanharão a caminhada desde Campo de Víboras a Vale de Algoso, Algoso e os participantes mais aventureiros podem seguir caminho até à aldeia de Atenor para noite final de animação com gaiteiros.

É com enorme prazer que convidamos sócios e amigos a participarem nesta actividade, devendo proceder ao envio da ficha de inscrição por via postal ou via email para a AEPGA, onde deve indicar as opções de participação pretendidas (alojamento).
Contamos consigo neste passeio por bonitas paisagens de Trás-os-Montes!
RONCOS DO DIABO, o grupo que outrora fora Gaitafolia, apresenta-se hoje ainda com a mesma formação. Um grupo cúmplice de muitas festas e romarias, representante de diferentes gerações com um gosto comum - a música tradicional portuguesa. Tocadores de gaitas-de-fole transmontanas construídas por Vitor Félix e Mário Estanislau, os gaiteiros de Roncos do Diabo, fazem questão de montar o baile por onde passam, transformando espaços de silêncio em verdadeiros palcos de folia!

3. Festival: Sons e Ruralidades , 2ª Edição
Vimioso, 28 de Abril a 1 de Maio de 2007
Mais um ano levar-se-à a cabo a produção do Festival Sons e Ruralidades, um encontro multicultural realizado numa região onde sobrevivem alguns dos mais bem conservados valores naturais de Portugal e onde as tradições e as artes rurais ainda permanecem bem vivas no quotidiano de quem lá vive e no imaginário de quem a visita.
Este ano, durante cinco dias de actividades, serão realizadas actividades para todos os gostos, desde palestras e debates, oficinas de dança, musica e artes rurais, jogos tradicionais, concertos, teatro, animação e exposições, complementando-se estas actividades com uma feira e exibição de artesãos e associações.

Se pretender colaborar como voluntário na organização do evento, ou se fizer parte de associações/grupos que pretendam ter um espaço na mostra de artesãos e associações que decorrerá no festival, por favor contacte: burranco@gmail.com ; Tel: 966151131

A Georden apoia a www.aepga.pt


sábado, fevereiro 10, 2007

Que é isso de dia de reflexão???

A coisa passa-se assim: como neste país ninguém é muito dado ao pensamento, hoje ninguém sabe muito bem o que fazer, já que é dia de reflexão…

Por outro lado, como existem dias “mundiais” para tudo seria interessante criar, por iniciativa portuguesa, o dia “internacional da reflexão”, o que, à imagem do dia internacional da cidade sem carros deixaria toda a gente de consciência tranquila quanto ao facto de não reflectir durante o resto do ano. Slogan do dia: Não deixe o seu cérebro em casa. Acredite que é capaz.

Cigarradas

Também me recordo do Post de VPV no ano passado, que hoje no Publico é retomado e comentado no Portugal dos Pequeninos. Passamos de um Estado-providência para um estado asséptico e “desportivo”. Cheira-me a dinheiro. E talvez a mais qualquer coisa. Aliás, só para dar um exemplo, se a preocupação fosse apenas a fumarada do cigarro, não se deveria começar a pensar seriamente na redução, para não dizer mais, das emissões de gases na cidade pelos automóveis?...

Não se discutem as virtudes do desporto e de uma vida saudável… mas porra, nem ao Salazar lembrou proibir (PROIBIR!) o cigarro. Há qualquer coisa que não bate certo!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

SIM no dia 11

O Georden não está cá para não estar.
O Georden associa-se ao movimento pelo sim à despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

O silogismo é muito simples:

Segundo a lei presente, e salvaguardando os casos que ela prevê, as mulheres que não pretendam o filho que têm dentro delas, são obrigadas a tê-lo.
Certo?
Segundo a lei que se pretende, as mulheres que não quiserem o filho que têm dentro delas, são obrigadas a abortar.
ERRADO.

A lei não pode servir para impedir a escolha. A lei não pode ser contra a liberdade.

Nós riscaremos o boletim,
na cruz que diz SIM.

Cor da adolescência...

Clique para aumentarMais uma escapadinha ao Teatro que, agora aqui, promovo:

Lilás
de Jon Fosse
por Artistas Unidos

"É difícil ter 16 anos,
O tempo nunca mais passa...?"


"Sinopse: Lilás é uma peça adulta para adolescentes, para ser vista em grupo escolar, grupo de amigos, com a família.É uma peça grave sobre questões que os adolescentes conhecem – não se trata de fugirmos pela fantasia, aqui o Mundo da adolescência é tratado olhos nos olhos, de igual para igual.A este projecto de 3 anos associam-se a Culturgest, a DeVir, o Teatro Municipal de Faro, a Casa das Mudas, o Teatro Viriato e o Centro Cultural de Belém."

Será o futuro da Georreferenciação?



O projecto Nautilus Island em Vale do Lobo

Quando o assunto em debate é “Erosão Costeira”, por diversas vezes, dou como exemplo, a praia de Vale do Lobo. No entanto, nunca dei especial atenção aos projectos de protecção costeira que estão a ser defendidos para aquele aldeamento turístico algarvio, pois pensava que eram “projectos de brincadeira”. A minha forma de pensar, se calhar, estava errada, mas se calhar, era melhor que todos “pensassem como eu” e não tentassem levar avante projectos como o de Nautilus Island.

Ontem, na última edição do jornal Barlavento (08.02.07), este projecto foi notícia de primeira capa: LNEC e Instituto de Hidráulica avaliam projecto de ilha de Vale do Lobo que ‘não existe’. (Consultar p. 16 e 17 do artigo em anexo).

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O projecto, no qual apelido de “Ilha do Entulho” (será preciso bastante deste, para levar projecto avante), irá roubar cerca de 100 hectares ao mar e ficará localizado a 500 metros da costa.
Longe vão os tempos em que se encontravam grandes conchas e búzios nas praias algarvias, então o projecto imobiliário tem a solução, pois a sua arquitectura dá a ideia que são duas enormes conchas que se encontram ao largo da praia de Vale do Lobo.
A ilha será acessível por ponte, teleférico, túnel subquático (para os praticantes de golfe deslocarem-se nos seus buggies), um heliporto (obra muito importante, devido ao intenso trânsito que se irá registar na ponte e no túnel) e um ancoradouro para quem chegar de barco. (O transporte ferroviário foi pensado, mas depois alguém se lembrou que era um transporte demasiado poluente).
À superfície do “entulho”, estão projectadas entre 700 e 1000 moradias. Prevê-se que os seus moradores sejam todos jogadores/apostadores, adeptos de casinos e de golfe, e por isso, no projecto está prevista a construção de um luxuoso Casino e de um campo de golfe de 18 buracos (espero que não metam água), desenhado pelo famoso arquitecto Rocky Roquemore.
A área submersa, ou seja, para “peixe ver”, será construído um Hotel (um Humanário para os peixinhos) e um Restaurante (uma óptima decisão para quando na ementa for Peixe).
O investimento total será de 1,5 mil milhões de euros (depende do preço da pedra e do entulho. Se for em época de saldos pode ficar por metade!).

O projecto, o sonho, a loucura, a utopia, está assim apresentada! (Ver figuras em anexo)
Imagens retiradas do Mapa de Vale do Lobo

Imagens retiradas do Mapa de Vale do Lobo Imagens retiradas do Mapa de Vale do Lobo

Quando penso na “Ilha do Entulho”, penso:
-O Homem vive da imaginação para atingir a criação!
-Dos sonhos surgem realidades! (neste caso esperamos que não)

Devem ter sido pensamentos como estes que o empresário holandês Sander Van Gelder (ex-patrono de Vale do Lobo) pensou quando apresentou a sua ideia de investimento para Vale do Lobo. E o melhor de tudo, é ele defender este projecto como a única solução para a protecção da costa. Se fosse para proteger a costa, o aldeamento turístico de Vale do Lobo nunca devia ter avançado!

RM, 11.04.03 RM, 04.02.07

Antes e após as obras de assoreamento.

(Ah! Na década de 60/70 mal ouviam falar de erosão costeira).
É bem verdade que o planeamento e o ordenamento da orla costeira não se fez como deve ser. A construção de uma Marina (Vilamoura) e a construção dos esporões de Quarteira, a poente, vieram interromper o normal funcionamento da deriva litoral, no que resultou, na diminuição do balanço sedimentar nas praias, a nascente, como Forte Novo, Almargem, Trafal, Vale do Lobo, Ancão, Quinta do Lago.
Sabendo desta realidade, os novos responsáveis do Empreendimento Vale do Lobo afirmam que o Estado errou, e querem que este não se esqueça deles. Promovem o projecto, “Ilha do Entulho”, em tudo o que é imprensa, junto de entidades públicas e privadas. Fazem verdadeiras “operações de charme” (digo eu) para exercer pressão junto dos governantes, e quem sabe, o projecto se torne um PIN (Projecto de Interesse Nacional).*

“A natureza não criou nenhuma ilha frente a Vale do Lobo (...) Agora querem introduzir um novo elemento artificial no mar, que não deixa de ser um obstáculo, só para gerar lucros momentâneos, sem se conhecer os efeitos futuros desta construção? O presidente da Câmara de Faro já se manifestou contra. Outras entidades devem pronunciar-se rapidamente, para que não haja pressão em Lisboa e ainda sejamos confrontados com mais um PIN. Com a natureza não se brinca.”

In Barlavento, 08.02.07, p. 3.

Mesmo conhecendo factos passados e dados científicos, querem construir em pleno mar uma ilha artificial, sabendo que irá afectar toda a costa a sotamar do projecto. A ilha de Faro, certamente, via a sua situação agravar-se, e restantes ilhas da Ria Formosa iriam desaparecer.
A praia de Vale do Lobo já por duas vezes (que me lembro) recebeu obras de assoreamento: a primeira, em 1998 (comparticipada pelo Estado), a última, em 2006 (sem ajuda do Estado).
RM, Março de 2006Em 2006 (ainda na memória) assisti, ao vivo, ao avanço das obras de reposição do areal. Fiquei surpreso com o que vi. Para se proteger uma praia (a de Vale do Lobo), destruíram a praia ao lado (a do Trafal). A empresa encarregada das obras montou o seu “pequeno estaleiro” em cima de cordões dunares (bastante fragilizados), e todo o processo de montagem da tubagem, que iria bombear a areia do "alto mar" para a praia de Vale do Lobo, foi realizado ao longo da praia do Trafal. Lá andava a maquinaria pesada, para um lado e para o outro, sem se aperceberem do que estavam a fazer. O CCDR “nada viu” e nada fez.
RM, Março de 2006A praia do Trafal tem sofrido, nos últimos anos, de erosão costeira. Os cordões dunares estão a desaparecer, devido aos constantes galgamentos registados durante as marés vivas de Inverno e ao constante pisoteio de transeuntes. Esta praia e outras (como as de Almargem e Forte Novo) não recebem qualquer tipo de medidas de protecção.
Porque não, colocar paliçadas nas dunas fragilizadas? Porque não repor o areal nestas praias? Faria mais sentido, pois estas encontram-se a poente de Vale do Lobo. Se a corrente marítima é de Poente para Nascente, estaríamos a repor o areal para toda aquela zona costeira, entre Forte Novo e Vale do Lobo. Tal como nos diz, no artigo do Barlavento, o Prof. Alveirinho Dias: “O assoreamento deveria ser feito em Forte Novo e não em Vale do Lobo, e se todos beneficiavam com isso, então todos deveriam pagar, públicos e privados”.
Será por estas não terem população rica a morar em mansões ameaçadas pela erosão? Ou será mais importante proteger campos de golfe do que zonas públicas (para já) de pinhal e zonas húmidas, como a da Almargem?
O que faz a CCDRAlgarve? O POOC avança ou não avança?

RM, Dezembro 2005 RM, Dezembro 2005

Em Dezembro de 2005, no âmbito do POOC, na praia da Almargem, demoliram o Restaurante Cavalo Preto. Foi um aparato de entidades: CCDR, Junta, CMLoulé, Empresa Dias Verdes, etc. Pensei: Será que é desta que o POOC avança? Que ideia a minha... até parece que não sou português e não conheço o país e a região em que vivo! Hoje, já não penso em nada...

Para finalizar, e voltando ao projecto “Ilha do Entulho”, penso que será muito mau para o Algarve um projecto destas características, por tudo aquilo que mencionei e que é sabido por todos.

* Já uma vez aqui disse que, por vezes, os PIN se confundem com os CONES.
PIN – Projecto de Interesse Nacional
CONES – Projecto de CONstrução ESpecial