quarta-feira, abril 27, 2016
terça-feira, março 15, 2016
"Escotismo para Rapazes", de Robert Baden-Powell
Tradução: Rosário Morais da Silva
Editora: Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP)
Escotismo para Rapazes é um livro de fácil leitura que cativa o leitor a imaginar-se um zulu, um guerreiro, um sobrevivente, um batedor, um patrulheiro, um verdadeiro Escoteiro em vários ambientes reais, de cidade, de campo, de floresta. Durante a sua leitura:
- Sonhei que estava na Serra da Arrábida a seguir rasto de uma galinha d'água perdida...
- Sonhei que estava perdido em Lisboa, com mil pessoas apontar-me o dedo e a dizer "IH! Está perdido em Lisboa! Não se orienta no trânsito..."
- Recordei as aventuras no Algarve, com os manos e amigos, as partidas e a proteção que sempre existiu entre nós e entre todos...
- Recordei as vivências vividas no el camiño... turigrinos fabulosos que me fizeram crescer por tudo o que me contaram e que passei com eles...
- Recordei os tempos que estive a seguir o meu caminho nos Açores... a beber água em ribeiros, a analisar as condições meteorológicas e a observar as "Cagarras" com o seus voos rasantes... e o coração a bater forte de medo, de cansaço, de paixão por tudo o que contemplava...
- Sonhei, recordei, sonhei, recordei...
Este é um livro delicioso, apaixonante e muito geográfico, portanto...
Mesmo que não sejas Escoteiro, durante a sua leitura, perceberás o que estou a escrever. E nunca se sabe, se após a sua leitura, te tornarás num...
Podes ouvi-lo aqui.
Transcrevo parte da introdução da edição portuguesa, realizada por Nélson Raimundo:
"O Escotismo é hoje um movimento global e plural, que junta mais de 28 milhões de jovens e adultos, rapazes e raparigas, homens e mulheres, de todos os pontos do globo, sem descriminação religiosa, de género, socioculturais ou étnicas. O objetivo do Movimento Escotista é, desde a sua fundação, o de ajudar a construir um mundo melhor e para todos. Para isso o Escotismo aposta nos jovens e na sua formação, fazendo de cada Escoteiro uma força capaz de contribuir para transformar a sociedade e o mundo."
E finalizo com BP:
"...Pus neste livro tudo aquilo que precisam para serem bons Escoteiros. Por isso, vão em frente, leiam o livro, ponham em prática o que ele vos ensina e espero que se divirtam tanto ou mais do que eu enquanto Escoteiros." Baden-Powell of Gilwell
[*] Robert Stephenson Smyth Baden-Powell (Londres, 22 de Fevereiro de 1857 — Nyeri, 8 de Janeiro de 1941) foi um tenente-general do Exército Britânico, fundador do Escotismo.
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Rogeriomad
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terça-feira, março 15, 2016
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quarta-feira, setembro 02, 2015
Visões de génio
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Edward Soja
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quarta-feira, agosto 26, 2015
Maravilhar-se, por Rachel Carson
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Edward Soja
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quarta-feira, março 18, 2015
Alegoria do Património, por Françoise Choay (1/3)
Penetrava pela janela
Toda a estância balnear
Esmagada pela quentura
Parecia estar deserta
Concentrados à beira mar
Muitos corpos escaldados
Estendidos uns sobre os outros
Como nacos de vianda
Nos balcões dos supermercados
Mais um dia sem demanda
Neste enfado
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Edward Soja
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quarta-feira, março 18, 2015
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sábado, fevereiro 15, 2014
Edward W. Soja - A Perspectiva Postmoderna de Un Geógrafo Radical (IV)
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Edward Soja
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sábado, fevereiro 15, 2014
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terça-feira, setembro 24, 2013
O Direito À Cidade, por Henri Lefebvre
2 - Estes dois conjuntos de problemas foram e continuam a ser colocados pelo crescimento económico. A experiência prática demonstra que pode haver crescimento sem desenvolvimento social (crescimento quantitativo sem desenvolvimento qualitativo). Nestas condições, as mudanças na sociedade são mais aparentes que reais. O fetichismo e a ideologia da mudança (dita de outro modo: a ideologia da modernidade) encobrem a estagnação das relações sociais essenciais.
(p.139)
O esvaziamento dos poderes das comunidades, distraídas com os restos dos prazeres (ou impaladas pela cruz da propaganda), vai a par da perda dos espaços de convívio e de outras formas de fazer cidade que não a de consubstanciar e reforçar as práticas... despojadoras do poder. Mediante o servilismo mercantil e suas dependências ocupacionais.
A cidade, tal como ela for e nos aparecer, revela o conjunto dos poderes organizados, espacializados em instituições ou sedes, colonizados em áreas (maiores ou menores) do seu espaço vital visível.
Não existe nenhuma sociedade sem ordem, sem um significado, perceptível e legível no terreno. (p.32)
A materialização do poder organiza-se hierarquicamente, em lógicas que traduzem (convencionámos) a rentabilidade e eficácia da sua acção e pressupostos.
Urge a inversão das práticas que construíram o inferno para a maioria e o céu para os "deuses do Olimpo".
O processo vem desenhando-se desde longe e aparece-nos hoje como dado adquirido, inquestionável e dogmático, e - pior - como se não fosse analisável e desconstrutível.
A transformação do espaço (qualquer espaço) em espaço urbano, na voragem industrial, acarreta externalidades (reparemos na palavra: externalidades, como sugerindo algo que afecta os que estão fora. No caso, fora dos espaços urbanos...) Mas a crise surge quando tais "danos colaterais" assumiram tal dimensão que se anunciam já DENTRO do espaço urbano. É o caso da sustentabilidade alimentar, caucionada pela praxis betonizante dos modos de vida até então óbvios ou intocáveis.
Para o Poder, desde há um século, qual é a essência da cidade? ela fervilha de actividades suspeitas, de delinquências: é um centro de agitação. O poder de Estado e os grandes interesses económicos só podem conceber uma estratégia: desvalorizar, degradar, destruir a sociedade urbana. (p.87)
A crise espacial entrelaça-se / é produto da crise da organização, com a sobreposição dos interesses da maioria pelos interesses da minoria capitalista ou institucional (não necessariamente económica, mas visando uma certa racionalidade que pretende atingir a eficácia, o domínio através da acumulação):
Esta crise da cidade é acompanhada, um pouco por todo o lado, de uma crise das instituições urbanas (municipais) devida à dupla pressão do Estado e da iniciativa industrial. Tanto o Estado, como a empresa, como os dois (rivais ou concorrentes, mas frequentemente associados) tendem a apoderar-se das funções, atributos e prerrogativas da sociedade urbana. Em certos países capitalistas, deixa a iniciativa "privada" ao Estado, às instituições e organismos públicos, algo mais do que aquilo que recusa encarregar-se por ser demasiado oneroso? (p.88)
O mundo da mercadoria tem a sua lógica imanente, a do dinheiro e do valor de troca generalizado sem limites. Uma tal forma, a da troca e da equivalência, mantém apenas indiferença em relação à forma urbana; ela reduz a simultaneidade e os encontros aos que praticam trocas, e o lugar do encontro reduz-se ao lugar onde se firmam contratos ou quase-contratos de troca equivalente: ao mercado. (p.91)
O cerco aperta-se, as fugas, dêem por onde derem, vislumbram-se na loucura e na alienação ao virar da esquina. Seja no património, seja no turismo, seja em qualquer aspecto, transformado, kitchizado, para consumo dos ávidos carentes do real.
De forma muito estranha, o direito à natureza (ao campo e à «natureza pura») entra na prática social desde há alguns anos através do lazer. Esse direito fez o seu caminho através de protestos que se foram tornando banais contra o ruído, a fadiga, o universo «concentracionário» das cidades (enquanto a cidade apodrece ou explode). Estranho encaminhamento, dizemos nós: a natureza entra no valor de troca e na mercadoria. (p.118)
A materialização mais evidente deste conflito de visões do mundo e de valores (públicos e privados) tem, como vimos na primeira citação (que é das últimas passagens do livro), na sua base a discrepância e mútua necessidade (mão-de-obra para escravizar, caixotes para a enfiar, por um lado, e actividades económicas para acumular e reprodução e colonização espacial para crescer e se afirmar, por outro) entre desenvolvimento (social) e crescimento (económico):
As massas, pressionadas por múltiplos constrangimentos, alojam-se espontaneamente em cidades-satélite, em subúrbios programados, em guetos mais ou menos «residenciais», possuindo apenas para si um espaço cuidadosamente medido, enquanto o tempo lhes foge. As massas conduzem a sua vida quotidiana de forma subordinada (sem o saberem) às exigências da concentração dos poderes. Mas não se trata aqui de um universo concentracionário. Tudo isto pode suceder na ideologia da liberdade e sob a capa da racionalidade, da organização e do planeamento. Estas massas que não merecem o nome de povo, de popular, de classe operária, vivem «relativamente bem», tirando o facto de a sua vida quotidiana ser telecomandada, e sobre elas pesar a ameaça permanente do desemprego, o que contribui para um terror latente e generalizado. (p.123)
A materialização conceptual que de tudo isto se releva pode ser lida como paralela à globalização, pois parece ignorar fronteiras e obstáculos. Porque a globalização vigente é a da economia capitalista, não a da cultura da diversidade e da transformação (para melhor) das condições de vida das massas disformes (disformadas) do planeta (cada vez mais cinzento), Lefebvre vê no automóvel o "objecto-piloto no mundo das mercadorias, que tende a levantar [suprimir] esta última barreira: a cidade." (p.129):
Os habitantes do Olimpo, como a nova aristocracia burguesa (quem o ignora?) já não habitam. Eles andam de palácio em palácio ou de castelo em castelo; eles comandam uma frota ou um país a partir de um iate; eles estão em toda a parte e em nenhuma. Exercem assim fascínio sobre as pessoas mergulhadas no quotidiano, eles que transcendem a quotidianidade; possuem a natureza e deixam os seus esbirros fabricar a cultura. (p.119)
Agora não é só a corrosão física das fronteiras jurisdicionais (pelos transportes) que praticam o poder, mas também a das institucionais e mentais, mediante o fluxo de dados e informação via meios de comunicação para as massas. Detidos pelas minorias, claro está.
A salvaguarda da sociedade urbana (da cidade, como o autor a entende) não é (ou nem é, de todo) a mera protecção da memória dos monumentos, ou a organização saudável dos "bairros residenciais", ou a racionalidade (económica) dos comportamentos (visem eles, até, a ecologia), mas sim a prática de valores que contrariem, em todos os domínios da vida social, o valor imperante: o de troca. A apropriação da cidade pelos cidadãos é caminho que desbrava e destrói a privatização da cidade (dos corpos e das almas) pelas empresas e instituições.
É essa a crise basilar que está a inquinar e destruir o mundo.
E Lefebvre, já em 1968, o sabia bem.
* Rurbano refere-se à interpenetração ou hibridização do rural e do urbano, que representa, aliás, uma grande extensão actual do mundo, quer em materialização espacial, quer comportamental. Esta é também a crítica / análise feita por Álvaro Domingues, em "Vida no Campo".
Reciclado por
Edward Soja
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terça-feira, setembro 24, 2013
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