sexta-feira, dezembro 26, 2008

"Introdução ao Estudo da Geografia Regional", de Orlando Ribeiro

Ver capa em tamanho maior

Título: Introdução ao Estudo da Geografia Regional
Autor: Orlando Ribeiro
Ano: 1987 (2ª edição, 1995)
Editora: João Sá da Costa
ISBN: 972-9230-09-9
Paginação: 148 páginas


Enquanto os frios do Norte não passam, aproveite para pegar num livrinho. Vai ver que o aquece num instante. Pelo menos com este pode acontecer-lhe.

Deste livro do mestre Orlando Ribeiro posso dizer que já comecei a lê-lo por duas vezes. Obviamente que ainda não o li. Passo a explicar o obviamente: só de ler o prefácio e o enquadramento dos estudos regionais na ciência geográfica nasceram em mim tantas ideias fascinantes, mundos por descobrir e abordar... A escrita é simples, mas concisa, a personalidade é humilde mas apurada, o saber do autor é - sentimo-lo só pelo prefácio - muito mais vasta que a que as suas palavras deixam entrever.

Deixo-vos então com um cheirinho desse prefácio (no seu último parágrafo), que de tão delicioso nos aguça o apetite por estes assuntos. Desfrutem.


O título Introdução ao Estudo da Geografia Regional pode parecer pretensioso em relação a uma matéria cujos fundamentos científicos são discutíveis. O meu pensamento a esse respeito é claro: ciências com "objecto, método e leis", tal como são indicadas nos manuais de Lógica, não existem fora do domínio do mundo físico e orgânico. As Ciências humanas, ou as Ciências da Terra que possuem também conteúdo humano, como a Geografia, são muitas vezes hesitantes no objecto, variadas nos métodos e raramente conduzem a leis, formuláveis de maneira concisa e invariavelmente repetidas na relação dos fenómenos entre si. Deixam de ser Ciências por isso? De modo nenhum, se procurarem a objectividade, a precisão, estabelecendo aproximações e correlações entre o que é vário e mutável e se pode combinar de maneiras diversas e imprevistas. Em nome precisamente do espírito científico não se deve simplificar o que é complexo nem considerar "necessárias e previsíveis" relações contingentes e variáveis na maneira com que se exercem. A Ciência é uma atitude: partindo da observação, apurar, ordenar, aproximar factos, procurando tirar daí um nexo explicativo e construindo com eles um relato coerente, navegando com prudência no mar da variedade, tal é a maneira de trabalhar do geógrafo. Mais imprecisa do que a dum naturalista? Por certo, mas também a deste é menos precisa do que a dum astrónomo...

domingo, dezembro 21, 2008

"Bom Natal"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Inquérito

Relembramos que está a decorrer o inquérito sobre músicas que vos propomos para ouvirdes na AntenaGeo.

O prazo de votação é alargado, o que fará com que os resultados só sejam conhecidos bem após o Natal.

Mas lá diz o dito:
"Natal é quando a gente quiser".

Participem! A blogosfera é assim mesmo.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Horta Pedagógica de Guimarães

Visite, cultive e descubra o prazer do campo
Quando, recentemente, regressei a Guimarães assisti, com bom agrado, à concretização do projecto "Horta Pedagógica de Guimarães". Achei fabuloso o destino que deram àquelas terras da Veiga do Creixomil, próximas do Pavilhão Multiusos. Muito bem! Parabéns aos projectistas e mentores da ideia, uma ideia sustentável, sem dúvida. E podemos mesmo dizer que é um caso de sucesso, pois todos os seus talhões encontram-se 100% ocupados (atribuídos através de concessão).

Para terem uma ideia mais fidedigna do que se trata, transcrevo a descrição do projecto e deixo-vos algumas fotos que estão no site do Município de Guimarães:

"A Horta Pedagógica de Guimarães foi pensada com a ideia de que o espaço de habitar deve partilhar do equilíbrio com a natureza, tornando esses dois lugares complementares, parte de um mesmo imaginário. Da casa passamos ao espaço de habitar colectivo e da Horta ao continuum naturale de uso público.
A aproximação e confronto destes dois lugares com identidades próprias, posiciona-os perante um diálogo permanente com a natureza mais próxima da vida urbana, onde se transporta para a cidade a experiência do campo. A agricultura peri-urbana e urbana assume assim um papel fulcral de interesse cultural, social, recreativo e económico, na medida em que para além do abastecimento da família se foca na ocupação sadia dos tempos livres.

Clica para aumentar Clica para aumentar
Clica para aumentar Clica para aumentar

A Horta Pedagógica e Social de Guimarães é um espaço de domínio público onde se possibilita a melhoria da qualidade de vida das populações e o aumento da experiência prática e sensorial na ligação com a Natureza que se traduz na possibilidade de contacto entre a população e as espécies agrícolas que utilizamos na nossa alimentação, através do seu envolvimento em diversas actividades.
A Horta Pedagógica apresenta um conjunto de actividades de educação ambiental, nomeadamente um espaço dedicado à compostagem, disponibiliza diversos serviços e promove múltiplas iniciativas, nomeadamente para festejar datas comemorativas do calendário rural/ambiental."

+ info

terça-feira, dezembro 16, 2008

CM Guimarães disponibiliza pinheiros de Natal...

"A Câmara Municipal de Guimarães, com a colaboração da Direcção Geral de Florestas, vai disponibilizar Pinheiros de Natal a título gratuito. Os Vimaranenses interessados deverão dirigir-se ao Horto Municipal, de segunda a sexta-feira das 08h00 ás 12h00 e das 13h00 ás 16h00.

Esta iniciativa pretende contribuir
para a defesa do património florestal evitando os abates indiscriminados e mutiladores de árvores jovens, que põem em causa o equilíbrio dos ecossistemas florestais."

Se ainda não montaram a árvore de Natal e se pretendem um pinheiro verdadeiro, para manter a tradição, estejam atentos a estas iniciativas, pois é seguida por muitos outros municípios.

domingo, dezembro 14, 2008

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Imagens da cidade enquanto é tempo...

Vidal: São Vicente, Braga, Novembro 08

Esta é a senhora do(s) caminho(s) que se bifurcam. Guardiã de uma área onde se mesclam os bairros antigos, ruas e ruelas, viadutos e pontes aéreas, enclausurados entre filas de prédios. Se procurarmos bem, nichos de casas antigas prolongam edifícios enormes e, mais além, sem sabermos bem como, estamos ao lado de uma via rápida (embora fora-da-lei) e de um galinheiro ou pombal. Por vezes as deambulações simplesmente não tem um “caminho” definido. De igual modo, essas estradas que se bifurcam levar-nos-ão a algum lado? A atentar no jornal Público de 11-12-08, quer-nos parecer que não: só este ano “faliram 440 empresas no distrito de Braga”, um “aumento de 50 por cento face a 2007”. Fala-se de “sangria”, “pré-colapso” e até de “ruptura social”. Acontece que há anos a esta parte se sucedem os estudos e os planos de apoio, hoje claramente malfadados (dizem eles) por essa pantomina universal que se denomina crise, espécie de entidade etérea, sem (parece que também nos dizem) controlo, ou mão humana. Maneta, pois. Talvez seja por isso que a senhora parece estar tão zangada. Por vezes é nisto que penso enquanto vagueio tempo sem fim. 

quarta-feira, dezembro 10, 2008

O verbo derivado é bem mais forte...

(
- Desbloqueia aí os processos, compincha.
- Não te preocupes. Nem que seja no último dia antes de cessar funções, verás o teu PIN aprovado.
)


Portugal soma e seguePúblico, 09.12.08, p.18
(Clicar na imagem para ler)


E eu, tão mal informado estava, a pensar que PIN queria dizer Projecto de Interesse Nacional... Afinal, é menos que isso - o P é só de Potencial...
Mas as perdas, essas, não levam esse P. Levam um E, de Efectivas. E começam já nos pinheiros, que deixam de ser verticais para sempre.

Destruam o coberto vegetal, desestruturem o solo. E depois abandonem a região por falta de água com qualidade. Prever, planear... verbos que implicam visão de futuro. Prever as fases é já estruturar o calendário das nossas acções. Agora destróis, amanhã constróis, depois de amanhã foges do que construíste. Talvez para lugares onde ainda não tenhas feito nada disso.

Numa fuga prà frente, sem fim à vista? Sim, porque ciclos destes não se renovam, não são sustentáveis.
(Ah! as Cidades Invisíveis, do Calvino, sempre a virem à baila....)


Que andam os governos - nacionais e europeu - a fazer a Portugal?
(Vá lá, uma ajuda: é um verbo...)


Do título deste artigo de jornal extrai-se a errada dicotomia em que querem pôr-nos a ver o mundo: o da coexistência das actividades humanas com os espaços naturais, saudáveis, desabitados pelo Homem, com funções ecológicas...

Importa ressalvar que o que está uma vez mais em questão é o facto de que - e com projectos destes o corroboram - CRESCIMENTO é incompatível com DESENVOLVIMENTO.

Não, amigos. O que é incompatível são as visões mesquinhas e o umbiguismo fatídico da nossa curta duração por esta Terra. Só porque os filhos continuarão a viver lá porque deixou de haver uns hectares de pinhal, quer dizer que não eram necessários? E a viver, sim, mas com mais qualidade de vida? Só se for para os turistas e endinheirados desmiolados que lá forem alimentar estas ilusões.

Pelo menos, a haver uma subida do nível médio do mar, eles serão dos privilegiados, para assistir ao desmoronar da sua cara qualidade de vida. Que pena não ser selectivo um hipotético tsunami...
Que pena...

terça-feira, dezembro 09, 2008

AntenaGeo - inquérito

Caros visitantes,

Chamamos à atenção para o novo inquérito ali ao lado. Desta vez sobre o nosso serviço de divulgação musical AntenaGeo (na barra lateral do blogue).

O Georden dá-vos prendas imateriais.

Sugestões para especificar o que quereis ouvir são bem-vindas. O espaço deste ecoponto (caixa de comentários) serve para isso mesmo. Participem!

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Vícios hollywoodescos

Há um não escrito ditado estadunidense - ou pelo menos difundido pelos meios da Madeira Sagrada (sob prescrições governamentais, acreditamos) - que caracteriza o conflito dos poderes.

O dito não-ditado, mas praticado, aparece nos moldes seguintes: um polícia (símbolo do poder militar do Estado) não deixa passar o actor principal àquela hora da noite; ou por aquela porta (que é só para pessoas "não estranhas ao serviço"). No entanto, a estrela do filme, com o seu sorriso sedutor virado para a câmara, saca uma nota do bolso (aqui, símbolo do poder económico sobre tudo o resto), e faz o polícia retroceder na sua firmeza e pensar na decisão que estava prontinho para dar: só lhe faltava a senha.

Estais a imaginar a estrela do filme a acenar com a nota na mão, e o polícia (ou qualquer personificação do poder na circunstância em caus), qual criança a lutar por chegar ao seu chupa-chupa, a ter que ceder algo em troca?

Quantas vezes não vimos já isto passar-se. A chamada "mundialização" (um nome então novo para encapotar o já por demais conhecido "capitalismo") veio espalhar hábitos, costumes e não-ditados da mesma família.


Ver a beleza projectadaLer o discurso vazio dos vereadoresPovo de Guimarães, 5.12.08, pp. 1-2
(Clicar para detectar, além dos erros ortográficos da jornalista, os vícios do discurso do vereador: as redundâncias, o vazio e as promessas)


No caso, o que se costuma ver por estas bandas, à força da nossa pequenez geográfica, económica e mental, é essas notinhas estarem revestidas sob a forma de empregos. Não sei se estais a ver o filme, mas aqui os papeis invertem-se: o poder económico assume-se numa "persona" do poder político e administrativo (normalmente um vereador de uma Câmara Municipal) e aqueles que vão ser comprados não pertencem a poder nenhum (pelo menos, enquanto não reconhecerem o poder de que dispõem).

Então, o poder acena para o público, desesperadamente ansiando pelos doces que lhe serve de sustento. E o público reza, na sua negligência atrasada:

"Amén! Salvai-nos dos nossos desempregos. O dinheiro estará no meio de nós"

Esta é a solução final para um país que foi destruindo a sua economia produtiva e que se limita a vender. Mais valem empregos precários que empregos nenhuns.

Não duvidamos que haverá camisolinhas de lã suficientes para manter a corte muito frequentada, a julgar pelas confusões, a evitar a todo o custo, que convergem aos fins-de-semana para a catedral do consumo e de contemplação já existente (Guimarães Shopping).

Os poderes representados já sabem.
Mas do nosso lado, já nos perguntámos realmente:

- Será que é isto que queremos?

?

domingo, dezembro 07, 2008

sábado, dezembro 06, 2008

Acabaram-se as palavras

Já não sei mais o que dizer.
Nem sei como é que ainda conseguimos falar.

"Vivemos tempos de ignomínia", alguém escreveu uma vez.

Simplesmente não compreendo porquê tantas dúvidas, tantas reticências, tanta vontade em saber as respostas, em entender as explicações, em analisar os argumentos.
Simplesmente não compreendo.

Sinto.
Simplesmente sinto e não consigo escapar às tragédias que nos preparam para a hora de jantar.


Não. As palavras já não servem.

Lixo - já não tem o mesmo significado.
Podridão - já não tem o mesmo significado.
As palavras não podem transmitir o que significam as palavras "fedor nauseabundo".

As palavras estão gastas e já ninguém parece comunicar.
O grande silêncio da incomunicação.


"O público é a retrete", disse alguém uma vez.

Toda a gente tem as suas dúvidas, manifesta a sua indignação, expõe as suas reticências, quer saber porquê...

MAS PARA QUÊ????

Há um governo, mascarado de Estado, que vai a correr salvar os coitadinhos dos jogadores do casino que, no jogo da sorte, ficaram sem os seus trocados.

Como é que é possível HAVER PESSOAS a tentar perceber o que levou o Estado a fazer isso?

Simplesmente não compreendo.
Não compreendo essas pessoas.
Nem o Estado compreende...

Nem o Estado sabe já o que mais dizer.



(Ainda não percebemos que estamos em tempos de acções?)

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Mercadinho de Natal

Clica para aumentarCacela Velha, Vila Real de Santo António (Algarve)
14 Dezembro (Domingo)
das 10h30 às 17h00

"A Associação de Defesa, Reabilitação, Investigação e Promoção do Património Natural e Cultural de Cacela (ADRIP), em colaboração com o Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / CMVRSA, está a organizar um Mercadinho de Natal, a decorrer em Cacela Velha, no dia 14 de Dezembro de 2008, das 10h30 às 17h00. Neste dia será possível encontrar à venda toda uma variedade de produtos tradicionais, artesanato, bijutaria, sabonetes naturais e produtos de design a par de diversas actividades de animação de rua (teatro, marionetas, música, jogos tradicionais).
Para além da animação natalícia que se pretende promover no núcleo histórico de Cacela Velha, é também objectivo deste mercadinho estabelecer a ponte entre as produções mais tradicionais e as novas propostas criativas de jovens artesãos, procurando oferecer à comunidade toda uma diversidade daquilo que poderão vir a ser os presentes neste Natal."

APAREÇA!

+ info
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Tel./Fax: 281 952 600
Email: ciipcacela@gmail.com