sexta-feira, dezembro 26, 2008

"Introdução ao Estudo da Geografia Regional", de Orlando Ribeiro

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Título: Introdução ao Estudo da Geografia Regional
Autor: Orlando Ribeiro
Ano: 1987 (2ª edição, 1995)
Editora: João Sá da Costa
ISBN: 972-9230-09-9
Paginação: 148 páginas


Enquanto os frios do Norte não passam, aproveite para pegar num livrinho. Vai ver que o aquece num instante. Pelo menos com este pode acontecer-lhe.

Deste livro do mestre Orlando Ribeiro posso dizer que já comecei a lê-lo por duas vezes. Obviamente que ainda não o li. Passo a explicar o obviamente: só de ler o prefácio e o enquadramento dos estudos regionais na ciência geográfica nasceram em mim tantas ideias fascinantes, mundos por descobrir e abordar... A escrita é simples, mas concisa, a personalidade é humilde mas apurada, o saber do autor é - sentimo-lo só pelo prefácio - muito mais vasta que a que as suas palavras deixam entrever.

Deixo-vos então com um cheirinho desse prefácio (no seu último parágrafo), que de tão delicioso nos aguça o apetite por estes assuntos. Desfrutem.


O título Introdução ao Estudo da Geografia Regional pode parecer pretensioso em relação a uma matéria cujos fundamentos científicos são discutíveis. O meu pensamento a esse respeito é claro: ciências com "objecto, método e leis", tal como são indicadas nos manuais de Lógica, não existem fora do domínio do mundo físico e orgânico. As Ciências humanas, ou as Ciências da Terra que possuem também conteúdo humano, como a Geografia, são muitas vezes hesitantes no objecto, variadas nos métodos e raramente conduzem a leis, formuláveis de maneira concisa e invariavelmente repetidas na relação dos fenómenos entre si. Deixam de ser Ciências por isso? De modo nenhum, se procurarem a objectividade, a precisão, estabelecendo aproximações e correlações entre o que é vário e mutável e se pode combinar de maneiras diversas e imprevistas. Em nome precisamente do espírito científico não se deve simplificar o que é complexo nem considerar "necessárias e previsíveis" relações contingentes e variáveis na maneira com que se exercem. A Ciência é uma atitude: partindo da observação, apurar, ordenar, aproximar factos, procurando tirar daí um nexo explicativo e construindo com eles um relato coerente, navegando com prudência no mar da variedade, tal é a maneira de trabalhar do geógrafo. Mais imprecisa do que a dum naturalista? Por certo, mas também a deste é menos precisa do que a dum astrónomo...

domingo, dezembro 21, 2008

"Bom Natal"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Inquérito

Relembramos que está a decorrer o inquérito sobre músicas que vos propomos para ouvirdes na AntenaGeo.

O prazo de votação é alargado, o que fará com que os resultados só sejam conhecidos bem após o Natal.

Mas lá diz o dito:
"Natal é quando a gente quiser".

Participem! A blogosfera é assim mesmo.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Horta Pedagógica de Guimarães

Visite, cultive e descubra o prazer do campo
Quando, recentemente, regressei a Guimarães assisti, com bom agrado, à concretização do projecto "Horta Pedagógica de Guimarães". Achei fabuloso o destino que deram àquelas terras da Veiga do Creixomil, próximas do Pavilhão Multiusos. Muito bem! Parabéns aos projectistas e mentores da ideia, uma ideia sustentável, sem dúvida. E podemos mesmo dizer que é um caso de sucesso, pois todos os seus talhões encontram-se 100% ocupados (atribuídos através de concessão).

Para terem uma ideia mais fidedigna do que se trata, transcrevo a descrição do projecto e deixo-vos algumas fotos que estão no site do Município de Guimarães:

"A Horta Pedagógica de Guimarães foi pensada com a ideia de que o espaço de habitar deve partilhar do equilíbrio com a natureza, tornando esses dois lugares complementares, parte de um mesmo imaginário. Da casa passamos ao espaço de habitar colectivo e da Horta ao continuum naturale de uso público.
A aproximação e confronto destes dois lugares com identidades próprias, posiciona-os perante um diálogo permanente com a natureza mais próxima da vida urbana, onde se transporta para a cidade a experiência do campo. A agricultura peri-urbana e urbana assume assim um papel fulcral de interesse cultural, social, recreativo e económico, na medida em que para além do abastecimento da família se foca na ocupação sadia dos tempos livres.

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A Horta Pedagógica e Social de Guimarães é um espaço de domínio público onde se possibilita a melhoria da qualidade de vida das populações e o aumento da experiência prática e sensorial na ligação com a Natureza que se traduz na possibilidade de contacto entre a população e as espécies agrícolas que utilizamos na nossa alimentação, através do seu envolvimento em diversas actividades.
A Horta Pedagógica apresenta um conjunto de actividades de educação ambiental, nomeadamente um espaço dedicado à compostagem, disponibiliza diversos serviços e promove múltiplas iniciativas, nomeadamente para festejar datas comemorativas do calendário rural/ambiental."

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terça-feira, dezembro 16, 2008

CM Guimarães disponibiliza pinheiros de Natal...

"A Câmara Municipal de Guimarães, com a colaboração da Direcção Geral de Florestas, vai disponibilizar Pinheiros de Natal a título gratuito. Os Vimaranenses interessados deverão dirigir-se ao Horto Municipal, de segunda a sexta-feira das 08h00 ás 12h00 e das 13h00 ás 16h00.

Esta iniciativa pretende contribuir
para a defesa do património florestal evitando os abates indiscriminados e mutiladores de árvores jovens, que põem em causa o equilíbrio dos ecossistemas florestais."

Se ainda não montaram a árvore de Natal e se pretendem um pinheiro verdadeiro, para manter a tradição, estejam atentos a estas iniciativas, pois é seguida por muitos outros municípios.

domingo, dezembro 14, 2008

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Imagens da cidade enquanto é tempo...

Vidal: São Vicente, Braga, Novembro 08

Esta é a senhora do(s) caminho(s) que se bifurcam. Guardiã de uma área onde se mesclam os bairros antigos, ruas e ruelas, viadutos e pontes aéreas, enclausurados entre filas de prédios. Se procurarmos bem, nichos de casas antigas prolongam edifícios enormes e, mais além, sem sabermos bem como, estamos ao lado de uma via rápida (embora fora-da-lei) e de um galinheiro ou pombal. Por vezes as deambulações simplesmente não tem um “caminho” definido. De igual modo, essas estradas que se bifurcam levar-nos-ão a algum lado? A atentar no jornal Público de 11-12-08, quer-nos parecer que não: só este ano “faliram 440 empresas no distrito de Braga”, um “aumento de 50 por cento face a 2007”. Fala-se de “sangria”, “pré-colapso” e até de “ruptura social”. Acontece que há anos a esta parte se sucedem os estudos e os planos de apoio, hoje claramente malfadados (dizem eles) por essa pantomina universal que se denomina crise, espécie de entidade etérea, sem (parece que também nos dizem) controlo, ou mão humana. Maneta, pois. Talvez seja por isso que a senhora parece estar tão zangada. Por vezes é nisto que penso enquanto vagueio tempo sem fim. 

quarta-feira, dezembro 10, 2008

O verbo derivado é bem mais forte...

(
- Desbloqueia aí os processos, compincha.
- Não te preocupes. Nem que seja no último dia antes de cessar funções, verás o teu PIN aprovado.
)


Portugal soma e seguePúblico, 09.12.08, p.18
(Clicar na imagem para ler)


E eu, tão mal informado estava, a pensar que PIN queria dizer Projecto de Interesse Nacional... Afinal, é menos que isso - o P é só de Potencial...
Mas as perdas, essas, não levam esse P. Levam um E, de Efectivas. E começam já nos pinheiros, que deixam de ser verticais para sempre.

Destruam o coberto vegetal, desestruturem o solo. E depois abandonem a região por falta de água com qualidade. Prever, planear... verbos que implicam visão de futuro. Prever as fases é já estruturar o calendário das nossas acções. Agora destróis, amanhã constróis, depois de amanhã foges do que construíste. Talvez para lugares onde ainda não tenhas feito nada disso.

Numa fuga prà frente, sem fim à vista? Sim, porque ciclos destes não se renovam, não são sustentáveis.
(Ah! as Cidades Invisíveis, do Calvino, sempre a virem à baila....)


Que andam os governos - nacionais e europeu - a fazer a Portugal?
(Vá lá, uma ajuda: é um verbo...)


Do título deste artigo de jornal extrai-se a errada dicotomia em que querem pôr-nos a ver o mundo: o da coexistência das actividades humanas com os espaços naturais, saudáveis, desabitados pelo Homem, com funções ecológicas...

Importa ressalvar que o que está uma vez mais em questão é o facto de que - e com projectos destes o corroboram - CRESCIMENTO é incompatível com DESENVOLVIMENTO.

Não, amigos. O que é incompatível são as visões mesquinhas e o umbiguismo fatídico da nossa curta duração por esta Terra. Só porque os filhos continuarão a viver lá porque deixou de haver uns hectares de pinhal, quer dizer que não eram necessários? E a viver, sim, mas com mais qualidade de vida? Só se for para os turistas e endinheirados desmiolados que lá forem alimentar estas ilusões.

Pelo menos, a haver uma subida do nível médio do mar, eles serão dos privilegiados, para assistir ao desmoronar da sua cara qualidade de vida. Que pena não ser selectivo um hipotético tsunami...
Que pena...

terça-feira, dezembro 09, 2008

AntenaGeo - inquérito

Caros visitantes,

Chamamos à atenção para o novo inquérito ali ao lado. Desta vez sobre o nosso serviço de divulgação musical AntenaGeo (na barra lateral do blogue).

O Georden dá-vos prendas imateriais.

Sugestões para especificar o que quereis ouvir são bem-vindas. O espaço deste ecoponto (caixa de comentários) serve para isso mesmo. Participem!

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Vícios hollywoodescos

Há um não escrito ditado estadunidense - ou pelo menos difundido pelos meios da Madeira Sagrada (sob prescrições governamentais, acreditamos) - que caracteriza o conflito dos poderes.

O dito não-ditado, mas praticado, aparece nos moldes seguintes: um polícia (símbolo do poder militar do Estado) não deixa passar o actor principal àquela hora da noite; ou por aquela porta (que é só para pessoas "não estranhas ao serviço"). No entanto, a estrela do filme, com o seu sorriso sedutor virado para a câmara, saca uma nota do bolso (aqui, símbolo do poder económico sobre tudo o resto), e faz o polícia retroceder na sua firmeza e pensar na decisão que estava prontinho para dar: só lhe faltava a senha.

Estais a imaginar a estrela do filme a acenar com a nota na mão, e o polícia (ou qualquer personificação do poder na circunstância em caus), qual criança a lutar por chegar ao seu chupa-chupa, a ter que ceder algo em troca?

Quantas vezes não vimos já isto passar-se. A chamada "mundialização" (um nome então novo para encapotar o já por demais conhecido "capitalismo") veio espalhar hábitos, costumes e não-ditados da mesma família.


Ver a beleza projectadaLer o discurso vazio dos vereadoresPovo de Guimarães, 5.12.08, pp. 1-2
(Clicar para detectar, além dos erros ortográficos da jornalista, os vícios do discurso do vereador: as redundâncias, o vazio e as promessas)


No caso, o que se costuma ver por estas bandas, à força da nossa pequenez geográfica, económica e mental, é essas notinhas estarem revestidas sob a forma de empregos. Não sei se estais a ver o filme, mas aqui os papeis invertem-se: o poder económico assume-se numa "persona" do poder político e administrativo (normalmente um vereador de uma Câmara Municipal) e aqueles que vão ser comprados não pertencem a poder nenhum (pelo menos, enquanto não reconhecerem o poder de que dispõem).

Então, o poder acena para o público, desesperadamente ansiando pelos doces que lhe serve de sustento. E o público reza, na sua negligência atrasada:

"Amén! Salvai-nos dos nossos desempregos. O dinheiro estará no meio de nós"

Esta é a solução final para um país que foi destruindo a sua economia produtiva e que se limita a vender. Mais valem empregos precários que empregos nenhuns.

Não duvidamos que haverá camisolinhas de lã suficientes para manter a corte muito frequentada, a julgar pelas confusões, a evitar a todo o custo, que convergem aos fins-de-semana para a catedral do consumo e de contemplação já existente (Guimarães Shopping).

Os poderes representados já sabem.
Mas do nosso lado, já nos perguntámos realmente:

- Será que é isto que queremos?

?

domingo, dezembro 07, 2008

sábado, dezembro 06, 2008

Acabaram-se as palavras

Já não sei mais o que dizer.
Nem sei como é que ainda conseguimos falar.

"Vivemos tempos de ignomínia", alguém escreveu uma vez.

Simplesmente não compreendo porquê tantas dúvidas, tantas reticências, tanta vontade em saber as respostas, em entender as explicações, em analisar os argumentos.
Simplesmente não compreendo.

Sinto.
Simplesmente sinto e não consigo escapar às tragédias que nos preparam para a hora de jantar.


Não. As palavras já não servem.

Lixo - já não tem o mesmo significado.
Podridão - já não tem o mesmo significado.
As palavras não podem transmitir o que significam as palavras "fedor nauseabundo".

As palavras estão gastas e já ninguém parece comunicar.
O grande silêncio da incomunicação.


"O público é a retrete", disse alguém uma vez.

Toda a gente tem as suas dúvidas, manifesta a sua indignação, expõe as suas reticências, quer saber porquê...

MAS PARA QUÊ????

Há um governo, mascarado de Estado, que vai a correr salvar os coitadinhos dos jogadores do casino que, no jogo da sorte, ficaram sem os seus trocados.

Como é que é possível HAVER PESSOAS a tentar perceber o que levou o Estado a fazer isso?

Simplesmente não compreendo.
Não compreendo essas pessoas.
Nem o Estado compreende...

Nem o Estado sabe já o que mais dizer.



(Ainda não percebemos que estamos em tempos de acções?)

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Mercadinho de Natal

Clica para aumentarCacela Velha, Vila Real de Santo António (Algarve)
14 Dezembro (Domingo)
das 10h30 às 17h00

"A Associação de Defesa, Reabilitação, Investigação e Promoção do Património Natural e Cultural de Cacela (ADRIP), em colaboração com o Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / CMVRSA, está a organizar um Mercadinho de Natal, a decorrer em Cacela Velha, no dia 14 de Dezembro de 2008, das 10h30 às 17h00. Neste dia será possível encontrar à venda toda uma variedade de produtos tradicionais, artesanato, bijutaria, sabonetes naturais e produtos de design a par de diversas actividades de animação de rua (teatro, marionetas, música, jogos tradicionais).
Para além da animação natalícia que se pretende promover no núcleo histórico de Cacela Velha, é também objectivo deste mercadinho estabelecer a ponte entre as produções mais tradicionais e as novas propostas criativas de jovens artesãos, procurando oferecer à comunidade toda uma diversidade daquilo que poderão vir a ser os presentes neste Natal."

APAREÇA!

+ info
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Tel./Fax: 281 952 600
Email: ciipcacela@gmail.com

domingo, novembro 30, 2008

"O Casanova"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

sábado, novembro 29, 2008

Oferta de emprego...

Um desempregado compareceu no Centro de Emprego, em Lisboa, para ver se havia alguma coisa. Ao chegar, viu um cartaz que dizia 'Precisa-se de assistente de ginecologista'. Foi ao balcão e perguntou:
- Pode dar-me mais informações sobre este trabalho?
E o funcionário:
- Com todo o gosto. O trabalho consiste em preparar as pacientes para o exame. Você deve ajudá-las a despir-se e lavar cuidadosamente as suas partes genitais. Depois faz a depilação dos pêlos púbicos com creme de barbear e uma 'Gillete' novinha. A seguir esfrega gentilmente óleo de amêndoas doces, para que elas estejam prontas para ser observadas pelo ginecologista. O salário mensal é de 2.500 Euros. Mas o senhor tem de ir até ao Carregado.
- Mas isso ainda fica a 40 km de Lisboa! O emprego é lá?
– Não, é lá que está o fim da fila!

quarta-feira, novembro 26, 2008

A vida normalmente...


Não sei se viram ontem a Tia Preta? Foi no programa “A Vida Normalmente” (último episódio de 10 que passa(va) antes do City Folks perto da meia-noite), este sobre o Bairro da Quinta da Flamenga em Chelas, Lisboa. O bairro em questão é a coisa mais parecida com uma prisão (curiosamente americana) que já vi. Pela sua arquitectura e organização, pelas pessoas  e  de parecer ter caído do espaço no nada. A impressão não foi apenas minha. Seria interessante reflectir-se sobre a insistência nestas ilhas e, já agora, na questão de saber o que pensam aqueles tipos sobre os outros…lá fora.

A não perder, sobre biclas (em Lisboa), esta posta que foi resposta a esta (embora a coisa já se prolongue…)

terça-feira, novembro 25, 2008

"Fundamentos de Informação Geográfica", de João Matos

"Fundamentos de Informação Geográfica"
5º Edição Actualizada e Aumentada

João Matos

LIDEL, 2008

segunda-feira, novembro 24, 2008

Empreender viagens

 W. G. Sebald na paisagem Inglesa (retirado de "Os Anéis de Saturno")


Quer voemos sobre a Terra Nova ou ao anoitecer sobre a profusão de luzes que vai de Boston até Filadélfia, sobre os desertos nacarados da Arábia, sobre a região do Ruhr ou a cidade de Frankfurt, é sempre como se não houvesse pessoas, como se houvesse só o que as pessoas criaram e aquilo onde se escondem. Vemos as casas e os caminhos que as ligam, vemos o fumo que sai das suas habitações e instalações industriais, vemos os veículos em que vão sentadas, mas as próprias pessoas não as vemos. E no entanto há-as na terra inteira, são cada vez mais a cada hora que passa, movem-se nos alvéolos das altas torres e estão metidas em redes de complexidade que ultrapassa a compreensão de cada indivíduo, desde os milhares de cabos e roldanas de outrora nas minas de diamantes da África do Sul até à rede de informação que circula hoje incessantemente à volta do globo terrestre através dos escritórios das bolsas e agências. Quando nos vemos lá de cima, é terrível perceber quão pouco sabemos de nós próprios, do nosso propósito e do nosso fim, pensava eu enquanto íamos deixando a costa para trás e sobrevoávamos o mar de um verde gelatinoso.

“Os Anéis de Saturno”, W.G. Sebald, Teorema, 2006, pp 92/93

Em breve seguirão, dentro das limitações, algumas postas sobre/com literatura de viagens (eu prefiro a designação literatura de lugares mas concedo que nem toda a literatura de viagens seja efectivamente de lugares), alguns romances históricos, sendo sempre estes (e são-no normalmente) necessariamente geográficos. Pelo meio, ou em sequência, algumas obras de cariz “inclassificável”, onde, arriscamos, navega a obra de Sebald, e algumas surpresas agarradas.

domingo, novembro 23, 2008

sexta-feira, novembro 21, 2008

Dinheiro honesto

Não sei se entre os caros habituais leitores do Georden se encontram ex- ou ainda actuais leitores de banda desenhada da Disney. Bem, quem isto escreve pertence ao grupo dos que foram (e já não são).

E a propósito deste pequeno texto lembrei-me de uma história dessas, em que a figura principal era um dos Metralhas. Tomado por uma espécie de cegueira (para desenfastiar; e para mostrar aos pequenos de que lado está o bem e o mal) que nos leva a desviar-nos do normal caminho, um dos Metralhas foi interpelado por um miúdo (um patinho...) a pedir dinheiro para um fim caridoso. E o Metralha lá lhe deu, com todo o desafogo do momento, a notinha (verde, como se ainda estivesse coberta de clorofila...).

O miúdo então logo lhe perguntou:
- Sr. Este dinheiro é dinheiro honesto?
É que se não for, não quero.

A memória não é a que sempre desejamos quando a invocamos, por isso já não me lembro do que o ladrão disse. Mas voltou a ficar com a nota e prometeu a si mesmo que iria resolver aquela situação.

Ponto.

Cada nota ou moeda devia conter um chip com todo o seu currículo. Já temos uns carolas que se dedicam a detectar as notas de euro pelo mundo. E isso é um bom começo para percebermos em que mãos anda o dinheiro que nos chega às mãos.

Mas o dinheiro é dos objectos mais despersonalizados que existem. Isto, apesar do número de série de cada nota, que a torna única (sem falar das falsas, claro).

Diz-se que o dinheiro faz o mundo girar. Mas é o mundo humano, relembremo-lo. Porque o mundo gira sem haver dinheiro (pareceu-nos bem ir ao bê-á-bá da coisa...). E é por isso que se sucedem os dias e as noites num dado lugar. Em ciclos mais ou menos longos e dependendo da região, da inclinação do eixo terrestre e da época do ano (que é, por conseguinte, consequência destas alterações astronómicas. E não o contrário...).

O dinheiro é o motor deste mundo que criámos e vamos destruindo.

Como peças do mercado, a maquinação do mundo que só não nos esmaga para a mantermos a funcionar, damos atenção ao que imediatamente se nos segue. É por esse motivo que tanto nos fascinamos e cegamos com as luzes publicitárias; é por esse motivo que compramos lixo (sim, vimos bater sempre na mesma tecla, porque o mercado é o cerne da questão) sem ter noção disso. Sem termos noção do lixo, pois importa-nos o que vem dentro do lixo. E as embalagens, por assim dizer (quando não a totalidade do que compramos), são os "danos colaterais" do fantástico e existencializador acto de comprar.

Viramos a cara aos enormes buracos que deformam serras e montanhas do nosso país?

Em busca do granito para as bancas das nossas cozinhas, e da sílica para o cimento das nossas vivendas, cada vez maiores...

Viramos a cara à desflorestação das regiões equatoriais?

Porque adoramos aquele móvel fantástico feito de madeira tropical, raríssima, valiosíssima...

Aprendemos a viver a vida que o mercado nos destinou.
O dinheiro sujo, já se sabe, basta ir parar a pessoas honestas, e torna-se dinheiro honesto, por um qualquer toque de Midas que torna a criação semelhante ao criador.

É daí que vem a expressão "lavagem de dinheiro". Todas as máculas e cadastro que lhes ficariam a pesar no currículo, de repente, soltam-se, ganham asas e voam para o buraco do esquecimento.

O petróleo; a escravatura sexual, laboral, infantil; as armas, importante sector produtivo de vários países (como a Espanha, a França, os EUA... "se eles são bons, nós também podemos - se a produção de armas cria postos de trabalho, isso é bom. Se a matança de uns permite a sobrevivência de outros, isso é bom. Tudo depende de que lado estão uns e outros. Nós, somos os honestos. Matai-vos uns aos outros, que - QUANTA ARROGÂNCIA! - não temos nada a ver com isso: sois livres e povos soberanos e não vamos imiscuir-nos na vossa vida"); o desordenamento, as indústrias poluidoras do ar, da terra, da água, a energia nuclear e os seus imortais e mortíferos resíduos radioactivos...

Quanta vergonha! E pensar que são as mãos dos homens, honestos, que mexem nisso tudo.

O direito de expressão e a liberdade de informação são para não encher as panelas de pressão que somos em potencial para rebentar com isto tudo. Criar um mundo novo. Onde o consumismo seja consciente e não tenhamos vergonha (só falaremos verdadeiramente de vergonha quando houver consciência) daquilo que usamos, daquilo que compramos, daquilo que desperdiçamos, daquilo que queremos comprar.

O meu telemóvel, o meu ordenador portátil, o meu sistema de alta-fidelidade, o meu aipode... fontes de liberdade pessoal, esquecida a liberdade colectiva... remetidos a um canto, onde não incomodemos nem nos incomodemos com o canto em que nos pusemos...

Guerras, matanças e atrocidades da mais infindável imaginação não passam de notícias de telejornal. Nos países dos homens honestos.

Nos países dos homens honestos, os mesmos homens-palhaços que saem sempre pela porta dos fundos, carregados com a massa e as matérias-primas para irem fazer o seu negócio, justo e honesto... rasto de destruição nas suas costas... atravessadas as fronteiras da barbárie física e militar, não se pensa mais nisso... o que passou, passou. Vamos lá vender. Ninguém distingue duas notas de mesmo valor. Como as paredes, não podem falar.

- Sabeis por que eu já passei? - perguntar-nos-ia essa nota.

- Quanto sangue, quantos mortos, quantos deslocados, quantos refugiados estão dentro desta nota? - perguntar-nos-ia a nossa consciência.

Os nossos aparelhos tecnológicos, que nos chegaram às mãos, são limpinhos. Vêm embalados e imaculados. De onde vêm as matérias-primas? Quem as transformou? De que forma foram tratados esses transformadores?

Os nossos aparelhos tecnológicos são como as paredes. E aqueles que no-los vendem não se chegarão à frente a falar por eles. Revelar essas respostas é mau para o negócio. E manter empregos é bom para a economia. Tudo a favor da economia, nada contra a economia. Para as casas dos consumidores, e em força!

Coitadinhos dos primatas da floresta congolesa. Com sorte, a BBC ainda consegue fazer mais uns documentários, antes que desapareçam. Com sorte, muitas ONG's têm mais argumentos para conseguir fundos para a protecção dos primatas da floresta congolesa. E para a criação de parques nacionais e reservas de protecção especial. E com sorte a UNESCO virá com as suas certificações e prémios. Para continuar a lutar por um mundo melhor. Até aí chega a sua mão. Interferir nas empresas sem rosto é que não. Isso, nunca! Cruzes, credo, que blasfémia.

Somos os justos e os honestos que financiamos a extracção do tântalo para os nossos portáteis, aipodes, aifais... a destruição dos habitats não passa de danos colaterais.

E a tudo isto se chama globalização da corrupção. Ou simplesmente o normal funcionamento do capitalismo.

Depois não nos venham perguntar se as notas são verdes.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Em sentido...

Clica para aumentarFoto de Rogério Madeira, Faro, 26.10.2008.

domingo, novembro 16, 2008

"Clube de Combate"

Por LEM, 2007.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Como construir / destruir uma sociedade

Ciclos viciosos num sistema de reprodução diária e chocantemente absurdo como o da acumulação da riqueza são dos pratos que temos de comer.

O sociólogo diria, para nos calar, que
"Tudo tem que ver com tudo"
e daí não sairia nada, que é como quem diz, na gíria popular
"Muita parra, pouca uva".

Este breve pensamento anárquico começa com as razões que levam os populações a fixarem-se num dado espaço (ora aqui está a disciplina - a biogeografia ou a geografia - numa das suas questões basilares).

Sim, há as razões históricas que todos evocam. Mas convém desmontar este item, vazio se tomado só por si. A História é o pano de fundo: são os outros factores que a explicam e lhe dão sentido. Depois, sim, a História já pode condicionar - e não pode deixar de fazê-lo - a própria História.

Mas há, em primeiro lugar, os "suportes físicos": a geologia e o clima, que permitem os solos aráveis, e estes permitem, à custa de séculos de esforço pela sobrevivência, a comidinha que temos de ingerir para cá continuar.

Depois, assegurada a necessidade básica que é a alimentação, virá talvez uma panóplia de factores com os quais a sociedade É, e pelos quais se rege (ou devia). Como por exemplo as dependências mútuas entre as pessoas. A divisão do trabalho, dir-nos-ia quem anda mais por dentro, é o cimento dos laços sociais, da própria sociedade e do progresso, ou não, desta.

Assim, e começando pelo fim,

- o coveiro (e suas empresas) é necessário para que os vivos não se misturem com os mortos;
- o alfaiate, necessário para não andarmos ao frio a envergonhar a moral que construímos;
- o professor, para nos ensinar a aprender e a questionar os professores que nos ensinam sem nos fazer pensar;
- o construtor, para termos infra-estruturas que nos protejam das adversidades naturais (ai era para isso que se devia construir? Nos primeiros tempos, sim.);
...
- o comerciante, o grande cimentador (ou demolidor, se analisarmos a questão por outro prisma - aquele que nos conduz à razão última da acumulação do capital) para distribuir aos que não têm certos produtos, mas têm algo com o qual adquiri-lo. (Tomara que não fosse uma coisa tão desprovida de valor como o dinheiro... Porque utilidade, acabamos de relembrá-lo, tem... e demasiada!)

Falta uma profissão básica, não falta?
Sim, faltam imensas. Mas além desta que falta, não serão elas derivadas do desenvolvimento e da especialização da sociedade?

Essa profissão é a do médico. A Saúde, necessidade básica que antes ainda do estadunisticamente apelidado "Estado do bem-estar" se tentava administrar às pessoas. Isso de usar os corpos, vivos ou mortos, para fins medicinais e científicos, só deve ter "renascido", como prática industrial, aí nos fins da Idade Média (sei lá, que digo eu?). Depois é que lá se percebeu que, pronto, quem traz o dinheiro de volta ao dono são as pessoas e lá se convencionou que era dever dos Estados mantê-las vivas para assim irem consumindo. Nem que seja comprimidos para adiar a vinda da decisiva parca. (A indústria farmacêutica é bem lucrativa, di-lo-nos a bolsa de valores.)

Ora bem, o médico, o que faz?
Trata da saúde das pessoas. Resposta mais simples que esta não pode ser dada. E nem queremos ir por segundos sentidos.

E voltamos ao início. Onde estão os médicos? Numa aldeia ideal, em que houvesse solidariedade, como nos filmes quando acontece algo que intervala ou desestabiliza o funcionamento de um organismo, sempre saltaria de uma fila ou de um magote de pessoas alguém a dizer
"Eu sou médico".

E nessa "aldeia ideal" haveria sempre um médico para valer às pessoas.
Logo, uma sociedade de "aldeias ideais" teria sempre um médico por perto (atente o leitor neste termo geográfico, em si relativo).
Portanto, a conclusão última deste raciocínio válido (mas não verdadeiro) é que onde há pessoas, há um médico. Faltaria calcular quantos médicos per capita haveria nessa "sociedade ideal".

Indo mais atrás. São do domínio público e do senso comum os contrastes deste país: não se trata só de meros antónimos (litoral-interior, norte-sul, cidade-campo...), que, como aludimos acima, podem posteriormente gerar mais desequilíbrios. As desigualdades existem realmente, e gritantes. Na população, na distribuição, nos recursos naturais e transformados, no rendimento per capita, na densidade de construção...

Há menos população nas montanhas. Há menos população nas zonas rurais. Há menos população onde não há solo arável (haverá? E então as cidades, verdadeiros desertos ocultos pelo alcatrão e o cimento? ah... pois... então há aqui alguma coisa que não bate certo...). Há, em suma, menos gente onde há menos gente.

"Como? Desculpe, não percebi. Podia repetir?"

O que queríamos dizer é que há menos possibilidade de vida social onde há menos interdependência entre as pessoas. Uma outra forma de dizer aquilo, rebuscando a historinha do professor, do coveiro, do agricultor, do alfaiate, do construtor... e do médico, não esqueçamos o médico.

Onde é que íamos?... Ah! Quantos médicos per capita é preciso haver na sociedade portuguesa? Isso é tarefa de estudiosos, especialistas e decisores com poder executivo. Mas não um poder executivo qualquer! É preciso que a lei que valha seja concordante com as necessidades que os estudos apurariam / apurarão. Senão, pouco nos vale algo que não nos ajuda. De uma coisa já sabemos: as estatísticas dizem-nos que estamos muito mal.

Não estamos a insinuar que há médicos a mais. Longe disso: (e vem sempre a bela frase que se segue) estão é mal distribuídos. Em questões de distribuição há várias formas de resolver o problema. Uma delas consiste em dividir um dado território em parcelas iguais. Geometrica e matematicamente falando, essas pequenas parcelas só podem ser quadrículas. Isto, obviamente, para abranger a totalidade do território. (Com círculos, ficavam muitos "cantinhos" de fora...). E, além do factor orográfico, que complica as contas, ainda temos de nos lembrar que, devido à irregularidade desse mesmo território (por causa dos recortes dos limites e das fronteiras), algumas regiões teriam que ficar com umas quadrículas um bocado esquisitas e nada parecidas com quadrados.
E também teríamos de decidir quanto de lado teria cada um desses quadrados.

Bem, esta era uma forma. Atribuir uma malha quadriculada ao país e fazer com que em cada quadrícula houvesse um x número de médicos.
Mas isto não podia ser assim. Pois haveria quadradinhos com mais pessoas que noutros, motivo do qual resultaria uma menor densidade de médicos por pessoa.

Há uma outra forma, muito usada em economia (a disciplina que não é ciência...), que se baseia no conceito de "raio de influência" ou "raio de acção". Aqui, a tal malha, mais condizente com a realidade, assumiria formas mais... "arredondadas": há um centro, prestador de serviços, de onde "saem" linhas rectas, "em busca" das pessoas que precisam ou das pessoas que deles podem usufruir.

Imagem retirada daqui

Num território orograficamente desigual e urbanisticamente desorganizado, as manchas encontradas seriam talvez parecidas com estrelas do mar (o centro corresponderia ao "coração" da estrela e as ramificações, gordas, à concentração das pessoas ao longo dos eixos viários... sei lá, digo eu!) Um maior raio de influência achado pesaria na escolha dos decisores.

Entre os tais decisores figuram sempre economistas. E quando se trata de instalar empresas, bem sabem eles se será rentável instalá-las naquele ou noutro sítio. Sim, muitas vezes os resultados são um desastre. Mas baseiam-se sempre na existência de consumidores. Logo, de mercado.

E aqui é que está o busílis da questão: duas concepções opostas sobre o que deve ser o Estado. Se o Estado age à maneira de empresas, que apenas se procupam com a sustentabilidade económica (e já nem falamos no lucro, que está acima disso), então não serve de nada. A palavra Estado, em regimes democráticos, tem de ser sinónima de "bem comum". E se a economia pesa mais que as pessoas isoladas que não têm sequer um médico de família, então esqueçamos esse "Estadozinho" que pretende representar-nos.

Como costuma acontecer (isto está tudo ligado, dizia o sociólogo, não é?), é em regiões com população envelhecida e longe dos centros (note uma vez mais o emprego destes termos geográficos), que falham serviços básicos de dependência de outrem. Como os da saúde. (Pesquise o leitor pelas palavras "sem médico de família", por exemplo, e verá quantos resultados se encontram escritos na rede). E muitos outros serviços, claro. Porque as pessoas "da terceira idade" figuram entre os mais pobres (como não produzem, e se não o tiverem acumulado, não têm dinheiro. Logo, não tendo dinheiro não atraem as empresas...).

Nessas regiões, talvez nem os coveiros se safem. Mas se não fizerem o seu trabalho, mais cedo precisarão do trabalhinho de um seu colega de profissão.

Sem funções sociais essenciais se vai erodindo e carcomendo, apodrecendo isso a que chamamos "sociedade".

Conjuguemos formas de administrar o território. Façamos o que fizermos, não nos esqueçamos NUNCA das pessoas. Onde houver pessoas temos de estar lá. Que não seja preciso fazer quilómetros e perder minutos vitais. E a Saúde como os transportes públicos, a Educação, e muitas outras necessidades humanas.

Vamos pensar nisto?
Ou já não podemos contar contigo, Estado,?

domingo, novembro 09, 2008

quarta-feira, novembro 05, 2008

Já não é mistério é burrice

Vidal, Braga, Outubro 08: a garagem está fechada ao sábado

Da primeira vez, o mistério, estávamos em 2006. A segunda, em Abril de 2007, o mistério era já loucura: a lojinha de pronto-a-vestir tinha encerrado e a garagem, o último reduto gaulês, parecia que, ao contrário da tradição, não tinha medo que o céu lhe caísse em cima. Estamos a terminar 2008, o cartaz já velhinho, ainda anuncia o perigo de desabamento. A garagem, intrépida lá continua, a observar o quartel da GNR do outro lado da rua.

domingo, novembro 02, 2008

"E tudo o Governo levou"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

sábado, novembro 01, 2008

Entrevistas tendenciosas...

Um candidato está numa entrevista para emprego. O psicólogo dirige-se ao candidato e diz:
- Vou fazer-lhe o teste final para a sua admissão.
- Perfeito!
– diz o candidato.

O psicólogo pergunta:
- Você está numa estrada escura e vê ao longe dois faróis emparelhados a virem na sua direcção. O que acha que é?
- Um carro.
– diz o candidato.
- Um carro é muito vago. Que tipo de carro? Um BMW, um Audi, um Volkswagen?
- Não dá para saber, não é?

- Hum...
Vou fazer-lhe outra pergunta: Você está na mesma estrada escura e vê só um farol a vir na sua direcção. O que é?
- Uma mota
– diz o candidato.
- Sim, mas que tipo de mota? Uma Yamaha, uma Honda, uma Suzuki?
- Sei lá, numa estrada escura, não dá para saber…
(já meio nervoso)

- Hum..., diz o psicólogo. Aqui vai a última pergunta:
- Na mesma estrada escura você vê novamente um só farol, menor que o anterior, e você apercebe-se que vem mais lento. O que é?
- Uma bicicleta.
- Sim, mas que tipo de bicicleta? BTT, estrada, passeio…?

- Não sei.
- Lamento, mas reprovou no teste!
– diz o psicólogo.

Aí o candidato dirige-se ao psicólogo e fala:
- Interessante esse teste. Posso fazer-lhe uma pergunta também?
- Claro que pode. Pergunte.
- Você está à noite numa rua iluminada. Vê uma mulher com maquilhagem carregada, vestidinho vermelho bem curto, a girar uma bolsinha… o que é?
- Ah!
- diz o psicólogo - é uma **ta.
- Sim, mas que **ta? A sua irmã? A sua mulher? Ou a **ta que o pariu?

Difundido via e-mail

Nota:
Estava para não publicá-la, mas espero que os leitores percebam o lado humorístico da questão.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Em passeio por Braga a acumular "vistas" boas

Vidal, algures na avenida, Braga, Outubro 08

O pardal, em demanda de final de tarde pela Avenida da Liberdade, encontra (o que procurava) uma pequena necrópole, e um manifesto que já conhecia, mas com acrescentos de não duvidosa cepa. Da primeira imagem, já se sabia (ou não?), os romanos enterravam os seus mortos (entre outros) fora dos limites da cidade e, neste particular (era mais que sabido), nas imediações da (hoje em dia) arcádia e por aí fora (na avenida da liberdade e afins). No segundo caso, a mais pura das verdades, é que sempre recusei a imagem. Todavia, a situação espraiou-se e cresceu. Sem mais comentários. 

Vidal:  o manifesto, Braga, Outubro 08

É preciso ver...ver...

quinta-feira, outubro 30, 2008

O "Drugstore"

Continua a errância, em postas, pelo Livro do Mês: "A Sociedade de Consumo", de Jean Baudrillard. Este, sobre o "drugstore" observa que: 

A síntese da profusão e do cálculo é o “drugstore” (ou os novos centros comerciais), que realiza a síntese das actividades consumidoras, entre as quais a menor não é o “shopping”, o “flirt” com os objectos, a errância lúdica e as possibilidades combinatórias. A este título, o “drugstore” é mais especifico do consumo moderno que os grandes estabelecimentos (…) o “drugstore” possui outro sentido diferente; não justapõe categorias de mercadorias, pratica a “amálgama dos signos”, de todas as categorias de bens considerados como campos parciais de uma totalidade consumidora de signos. O centro cultural torna-se nele parte integrante do centro comercial. 

Não vamos pensar que a cultura se “prostitui” no seu interior; seria demasiado simples. “Culturaliza-se”. Ao mesmo tempo, a mercadoria (vestuário, especiarias, restaurantes, etc.) culturaliza-se igualmente, porque surge transformada em substancia lúdica e distintiva, em acessório de luxo, em elemento no meio de outros elementos da panóplia geral dos bens de consumo (…) pode fazer “shopping” agradável no mesmo local climatizado, comprar de um só vez as provisões alimentares, os objectos destinados ao apartamento e à casa de campo, os vestidos, as flores, o último romance ou a última quinquilharia, enquanto maridos e filhos vêem um filme ou almoçam todos ali mesmo, etc.” café, cinema, livraria, auditório, bagatelas, vestidos e muitas outras ainda nos centros comerciais: o “drugstore” consegue compendiar tudo de maneira caleidoscópica. 

Se o grande estabelecimento fornece o espectáculo feirante da mercadoria, o “drugstore” propõe, da sua parte, o recital subtil do consumo, cuja “arte” consiste toda precisamente em servir-se da ambiguidade do signo nos objectos e de sublimar o seu estatuto de utilidade e de mercadoria pelo artifício de “ambiência”: neocultura generalizada, em que cessa a diferença entre a especiaria fina e uma galeria de pintura, entre o “Play-Boy” e um “Tratado de Paleontologia”. O “drugstore” modernizar-se-á ao ponto de oferecer “matéria cinzenta”(…). No entanto, não se procura adular a clientela. Propõe-se-lhe, de facto, “alguma coisa”: No segundo andar funciona um laboratório de línguas, entre os discos e os livros encontram-se as grandes correntes que despertam a nossa sociedade. Música de vanguarda, volumes que explicam a época. É a “matéria cinzenta” que acompanha os produtos(…). O “drugstore” é capaz de transformar-se numa cidade inteira (…).

adenda: já adivinharam o ano ou a década em que esta obra foi escrita???

terça-feira, outubro 28, 2008

Das fronteiras (I)

Mapas - representações humanas, à escala, de determinado fenómeno espacial, estático ou dinâmico, presente ou passado.

Esta é a definição que aqui boto de um jorro, sem consultar o dicionário. Um Dicionário de Geografia poderia meter-nos em sarilhos (é sabido que quando vamos ter com os especialistas eles vêm sempre com as excepções e definições complicadas...).

Todo o mapa tem fronteiras. E isto é simples de concluir se pensarmos numa folha em branco: não há diferença entre um lado e outro ponto qualquer da folha. Assim seria um suposto mapa sem fronteiras. Mas isso não seria nunca um mapa. Porque não representava nada. Nem tinha escala, nem orientação, nem legenda... os quatro elementos fundamentais num mapa.


Imagem retirada de Centro de Midia Independente

Todo o mapa tem fronteiras.
E todas as fronteiras (vamos já precisar o sentido deste termo) são construções humanas. Limites políticos e administrativos

(como o muro da vergonha israelita... e se é israelita, não será também palestino? O seu a seu dono? Pois, mas um muro tem dois lados e afecta ambos os povos. Imposto por um deles, foi para ter esse efeito que foi erguido, certo? Ou errado?)

podem resultar de factores históricos, sim. Ao ponto de não nos perguntarmos porque é que nas fronteiras das Coreias, militares se confrontam em absurdas demonstrações de força em uniforme... sem atravessar a linha, o tal paralelo 38.

Fronteiras podem também ser determinadas por limites físicos, como acontece quando se mete água pelo meio (em forma de rios, mares ou oceanos) ou outros factores geográficos (cumeadas, talvegues...). Estes últimos casos ajudam-nos a estabelecer uma diferença (uma fronteira...) entre os termos "fronteira" e "limites".

Porque é que este país acaba aqui? Porque é que soe dizer-se que mal se entra em Espanha nota-se logo a diferença do piso da estrada? Isso resulta da gestão do território, da organização, da administração e do poder executivo do país vizinho.

Não espero levar este assunto a qualquer porto, mas permite-nos compreender e relacionar as diferenças de paisagem que pelo mundo podemos encontrar. Diferenças que, não estando aquela fronteira ali, porventura não se notavam, e o que veríamos seria apenas fruto do caos da Natureza. Lembremo-nos daquela imagem de "Uma Verdade Inconveniente", que nos mostra uma fronteira entre dois países africanos em que até as próprias árvores são diferentes...


(Voltaremos a este assunto)

segunda-feira, outubro 27, 2008

Viagem

Cesar - Ilha do Pico (Açores), Agosto 2008

domingo, outubro 26, 2008

"Robin dos Bancos"

Por LEM, 2006.

sábado, outubro 25, 2008

Mercado de Acções

Durante o Outono e, os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo Chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um Chefe índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo, no entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.

Mas como também era um lider prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou:
"O próximo Inverno vai ser frio?"
"Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio", respondeu o meteorologista de serviço.

O Chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico:
"Vai ser um Inverno muito frio?"
"Sim", responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".

Mais uma vez o Chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas. Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional:
"Vocês têm a certeza que este Inverno vai ser mesmo muito frio?"
"Absolutamente", respondeu o homem, "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."

"Como podem ter tanto a certeza?" perguntou o Chefe.
O meteorologista respondeu: "Os Indios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."

É assim que funciona o mercado de acções.

Difundida via e-mail

sexta-feira, outubro 24, 2008

Geógrafo e Engenheiro: Descubre as diferenças no IEFP

Já tinha dado conta que o site oficial do IEFP NETEMPREGO, de pouco ou nada serve. E estamos a falar de um site GOVERNAMENTAL. Mais um no meio de tantos. Com muita informação, mas que não funciona como deve ser:

Pesquisa por "Engenheiro"...

Clica para aumentar

Pesquisa por "Geógrafo"...

Clica para aumentar


Se já é difícil, assim mais difícil se torna...

quinta-feira, outubro 23, 2008

Tavira, patrimónios do mar

Clica para aumentar

II International Meeting in Cultural Geography

Clica para entrar

"O Departamento de Geografia da Universidade do Minho organiza o "II International Meeting in Cultural Geography" que tem como tema as Geografias Pós-Coloniais que terá lugar no dia 11 de Novembro na Universidade do Minho.

Para o efeito foi criado um Blog (cult-g.blogspot.com) com toda a informação necessária.

A II Conferência Internacional de Geografia Cultural tem como tema central as Geografias Pós-coloniais. Contando com um conjunto de investigadores nacionais e estrangeiros que desenvolvem estudos nesta área, o evento surge da necessidade de discutir as geografias emergentes num presente pós-colonial. Entendido o pós-colonialismo como uma formação político-intelectual crítica preocupada com o impacto do colonialismo e sua contestação nas culturas dos povos colonizados e colonizadores do passado, aquilo que tentará discutir-se são os modos de reprodução, e transformação das relações coloniais, representações e práticas no presente."


Difundido via e-mail

quarta-feira, outubro 22, 2008

As Cidades como um Lugar de Conhecimento

Clica para ver brochuraConferência Internacional sobre o conhecimento nas pequenas e médias cidades: "As cidades como um lugar de conhecimento e difusão"
Data: 4 e 5 de Dezembro de 2008
Local: Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, Auditório Vermelho da Faculdade de Economia, Edifício 9.

"A Conferência abordará a contribuição das cidades para o desenvolvimento rural enquanto locais de criação e de disseminação de conhecimento, de modo a evitar o declínio das zonas rurais e de promover um desenvolvimento sustentável e geograficamente equilibrado nas zonas rurais.

Uma questão importante é saber de que modo aproveitar o potencial das cidades e zonas rurais e como aumentar a sua competitividade. Entre outros, são temas importantes os desafios criados pela difusão da aprendizagem e conhecimento nas zonas rurais e urbanas."

Consultar programa e deadlines aqui.


Ficha de inscrição aqui.

+ info: cieo.ualg.pt


CIEO - Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações
Universidade do Algarve
Faculdade de Economia
Campus de Gambelas
8005-139 Faro

E-mail geral: cieo@ualg.pt (Ricardo Costa)
Maria Teresa de Noronha Vaz: mtvaz@ualg.pt
Thomas Panagopoulos: tpanago@ualg.pt
Telefone: 289 800 900

segunda-feira, outubro 20, 2008

Democracia versus Capitalismo

Acabei de ver este anúncio na televisão.
(... Não, infelizmente não foi em nenhum dos canais portugueses...)

São só 30 segundos.
Clicar na imagem abaixo
(porque a incorporação do vídeo não é possível aqui no Georden).

Ver e compreender
A ter sempre presente
www.unodc.org

domingo, outubro 19, 2008

"CYBER-BUTEKIM" 17

Clica para aumentarPor Toni Stalker, 2005.

Este é último cartoon da série "CYBER-BUTEKIM", criados por Toni Stalker em 2005. Na próxima semana haverá mais novidades artísticas: o LEM regressará, com a sua série de cartoons "A minha vida dava um cartoon". Estejam atentos!

Se és autor de BD/Cartoon e se estás interessado em publicar a tua obra no Georden, entra em contacto connosco georden@gmail.com.

sábado, outubro 18, 2008

"A Sociedade de Consumo", de Jean Baudrillard

Clica para aumentar “A Sociedade de Consumo”
Jean Baudrillard
Edições 70, 1995
Tradução de Artur Mourão


Perdoem-me a qualidade da imagem, mas como a minha impressora está de baixa, tive que recorrer à ilustríssima Internet. De qualquer forma, o exemplar que possuo (também das edições 70) é de 1995 e tem uma capa verde, com uma imagem de duas senhoras dentro de um caixote (uma com ar desafiante outra nem por isso) prontas a ser colocadas, parece-me, dentro de um camião, e pouco mais se vê, exceptuando alguma publicidade.
O destaque que esta obra merece não pode, nem deve ser, encolhido e acompanhado por comentários à priori. Dessa forma, tenta-se salvá-la (a obra) de precipitações e induções em 2º ou 3º grau, enlameadas no famoso “resumo”. Será por isso dividida em várias postas até ao final do mês, com relevo, apenas, para o que foi escrito pela pena do grande pensador e sociólogo Jean Baudrillard. Logo no inicio “A liturgia formal do objecto”,o sr. Baudrillard diz ao que vem:

À nossa volta, existe hoje uma espécie de evidência fantástica do consumo e da abundância, criada pela multiplicação dos objectos, dos serviços, dos bens materiais, originando como que uma categoria de mutação fundamental na ecologia da espécie humana. Para falar com propriedade, os homens da opulência não se encontram rodeados, como sempre acontecera por outros homens, mas mais por objectos.

O conjunto das suas relações sociais já não é tanto o laço com os seus semelhantes quanto, no plano estatístico segundo uma curva ascendente, a recepção e a manipulação de bens e de mensagens, desde a organização doméstica muito complexa e com as suas dezenas de escravos técnicos, até ao “mobiliário urbano”e toda a maquinaria material das comunicações e das actividades profissionais, até ao espectáculo permanente da celebração do objecto na publicidade e as centenas de mensagens diárias emitidas pelos "mass média"; desde o formigueiro mais reduzido de quinquilharias vagamente obsessivas até aos psicodramas simbólicos alimentados pelos objectos nocturnos, que vêm invadir-nos nos próprios sonhos.
Os conceitos de “ambiente” e de “ambiência” só se divulgaram a partir do momento em que, no fundo, começámos a viver menos na proximidade dos outros homens, na sua presença e no seu discurso; e mais sob o olhar mudo de objectos obedientes e alucinantes que nos repetem sempre o mesmo discurso – isto é, o do nosso poder medusado, da nossa abundância virtual, da ausência mútua de uns aos outros. Como a criança-lobo se torna lobo à força de com eles viver, também nós, pouco a pouco, nos tornamos funcionais. Vivemos o tempo dos objectos(…).


Chega por hoje. Fica o repto da leitura e de muitas leituras mais. E já agora o prazer de pensar. E uma questão: imaginam em que ano o livro foi escrito (ou a década) já agora? A graçola está aí…

sexta-feira, outubro 17, 2008

As cidades que tornamos invisíveis*

Não pude resistir a partilhar convosco um texto incrível da obra de Italo Calvino "As Cidades Invisíveis". Foi uma óptima sugestão do Rogeriomad, publicada em Junho passado, que em muito boa hora acolhi.

Na verdade, este artigo mereceria a divisão em dois: um para notas e comentários mais ou menos interpretativos do texto em questão; o outro para a transcrição integral do mesmo. Ou seja, mais um estrato delicioso (podiam ser muitos outros...), como aqueles que faz dias que não trazemos ao
Georden.

Sendo o estrato que se segue muito mais eloquente que quaisquer notas que possamos adicionar-lhe, aqui o deixamos, sem mais delongas ou máculas. E optámos por pôr essas mesmas notas (os * do título deste artigo) na reciclagem. Bem! Mas mais palavras para quê? Intitula-se "As cidades contínuas. 1" e diz assim:



A cidade de Leónia refaz-se a si própria cada dia que passa: todas as manhãs a população acorda no meio de lençóis frescos, lava-se com sabonetes acabados de tirar da embalagem, veste roupas novinhas em folha, extrai do mais aperfeiçoado frigorífico frascos e latas ainda intactos, ouvindo as últimas canções no último modelo de aparelho de rádio.

Nos passeios, embrulhados em rígidos sacos de plástico, os restos de Leónia de ontem esperam o carro do lixo. Não só tubos de pasta dentífrica bem apertados, lâmpadas fundidas, jornais, contentores, restos de embalagens, mas também esquentadores, enciclopédias, pianos, serviços de porcelana: mais do que pelas coisas que dia a dia são fabricadas vendidas compradas, a opulência de Leónia mede-se pelas coisas que dia a dia se deitam fora para dar lugar às novas. De tal modo que há quem se interrogue se a verdadeira paixão de Leónia é realmente como dizem o gozar as coisas novas e diferentes, ou antes o rejeitar, o afastar de si, o limpar-se de uma constante impureza. A verdade é que os varredores são recebidos como anjos, e a sua tarefa de remover os restos da existência de ontem está rodeada de um respeito silencioso, como um ritual que inspira devoção, ou talvez porque uma vez deitadas fora já ninguém quer tornar a pensar nessas coisas.

Para onde levam todos os dias a sua carga os varredores, ninguém quer saber: para fora da cidade, claro; mas cada ano que passa a cidade vai-se expandindo, e os depósitos do lixo têm de ir parar mais longe; a imponência dos desperdícios aumenta e as pilhas erguem-se, estratificam-se, cobrem um perímetro cada vez mais vasto. Acrescente-se que quanto mais se aperfeiçoa a arte de Leónia no fabricar novos materiais, mais o lixo melhora a sua substância, resiste ao tempo, às intempéries, a fermentações e combustões. É uma fortaleza de resíduos indestrutíveis que rodeia Leónia, que a domina como um maciço de montanhas.
O resultado é este: que quanto mais Leónia deita fora, mais coisas acumula; as escamas do seu passado fundem-se numa couraça que não se pode tirar; renovando-se dia a dia a cidade conserva-se toda na única forma definitiva: a dos lixos de ontem que se amontoam nas lixeiras de anteontem e de todos os seus dias e anos e lustros.

O lixo de Leónia pouco a pouco invadiria o mundo, se sobre a interminável lixeira não estivessem a fazer pressão, para lá do seu extremo confim, as imundícies de outras cidades, que também mandam para longe de si montanhas e montanhas de lixo. Talvez o mundo inteiro, para além dos limites de Leónia, esteja coberto de crateras de lixo, tendo cada uma ao centro uma metrópole em erupção ininterrupta. Os confins entre as cidades estranhas e inimigas são bastiões infectos em que os detritos de ambas se escoram uns aos outros, se sobrepõem e se misturam.

Quanto mais cresce a sua altura, mais paira o perigo das derrocadas: basta que uma lata, um velho pneu, um garrafão desempalhado rebole para o lado de Leónia e uma avalancha de sapatos rotos, calendários de anos anteriores e flores secas submergirá a cidade no seu próprio passado que em vão tentava expulsar, misturado como o da cidade limítrofe, finalmente purificado, um cataclismo arrasará a sórdida cadeia montuosa, apagará todos os vestígios da metrópole sempre vestida de novo. Das cidades vizinhas já estão prontos com rolos compressores para alisarem o solo e alargarem-se para o novo território, para aumentarem e afastar de si as novas lixeiras.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Olha! Não me apetecia... mas tem de ser!

Quer, quer...O Alentejo quer Um Homem que Saiba Mandar / Deixei de Ser Ganhão
Single (provavelmente de 1975, na euforia revoluccionária que nem o próprio Paco Bandeira deixou de fora.)



Não, amigo. Isso foi apenas cegueira temporária. O que o Alentejo quer é árvores e que lhe recuperem o solo. (O solo que continua a perder a cada dia que passa...)

Terá sido culpa da Reforma Agrária?
Ou
Do completo abandono aos ricos?
Ou
Da maximização do lucro agrícola?
Ou
Foi tudo devido a razões históricas?
Ou...
Foi tudo culpa dos latifúndios?

Ou... ou...

Não sei. Não gosto muito de absolutos.

Aceitam-se contribuições, para nos in+formar sobre esta questão.

segunda-feira, outubro 13, 2008

A Bicicleta e a Cidade

Clica para aumentarVII CONGRESSO IBÉRICO “A BICICLETA E A CIDADE”
VII CONGRESO “LA BICICLETA Y LA CIUDAD”
1 e 2 / Novembro/Noviembre / 2008
VILAMOURA
– Escola E.B. 2,3 D. Dinis/Quarteira

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) organiza nos dias 1 e 2 de Novembro, em VILAMOURA/Algarve, o VII Congresso Ibérico “A Bicicleta e a Cidade”.
La Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta organiza días 1 y 2 de Noviembre, en VILAMOURA, o VII Congreso "LA BICICLETA Y LA CIUDAD".

O valor da inscrição (25,00€) inclui 3 refeições: um almoço ligeiro e jantar no Sábado e almoço no Domingo bem como acesso a todas as comunicações em papel, CD ou e-mail. As inscrições são gratuitas para sócios da FPCUB.
El valor de la inscripción (25,00€) incluí 3 comidas: un almuerzo ligero y cena en el Sábado y el almuerzo en el Domingo y también acceso a todas las comunicaciones en papel, CD o correo electrónico. La inscripción para miembros CONBICI es GRATUITA

Os temas do Congresso serão organizados em função das comunicações a apresentar e das sugestões. No Sábado terá lugar a sessão de abertura e depois serão organizadas reuniões de trabalho temáticas.
Los temas del Congreso será organizado en función de las comunicaciones y de las sugerencias. En el sábado sucederá la sesión de apertura y después las reuniones del trabajo temático.

SÁBADO (01/11/08)
09H00 - -Recepção/Recepción dos participantes
09H30 – Sessão/Sesión de abertura
10H30 – Cocktail/Cóctel
11H00 – Apresentação de comunicações/presentación del comunicaciones
13H00 – Almoço/Almuerzo
14H00 – Passeio de bicicleta/Passeo en bici
14H00 - Reinício dos trabalhos/Reinício de los trabajos
20H00 – Final dos trabalhos/ Final de los trabajos
20H30 – Jantar/Cena


DOMINGO (02/11/08)
09H30 – Reinício dos trabalhos/ Reinício de los trabajos
13H00 – Sessão de Encerramento/Sesión Final
14H00 – Almoço/Almuerzo


+ info
Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB)
Apartado 4031 1501-001 Lisboa - Portugal
Telefone: +351 21 315 96 48
Fax: +351 21 356 12 53
E-mail: fpcub@fpcub.pt
Web: fpcub.pt
Secretariado: Rua Bernardo Lima, 35, 2º B - 1150-075 Lisboa

Em Democracias assim notícias assim ainda são notícia

O título que demos a este artigo, saído a 9 de Outubro último, é para chamar à atenção do aturado caminho que temos a percorrer.
Já agora, recomendo a leitura dos comentários à mesma, que o corroboram e complementam.


Lisboa
Munícipes vão decidir destino de cinco milhões em projectos camarários


Em comunicado hoje enviado, a autarquia explicou que decorre a primeira fase do Orçamento Participativo da Câmara até 24 de Outubro, convidando os munícipes a apresentarem no seu site «propostas sobre quais devem ser as prioridades da autarquia em matéria de investimento».

«Cinco milhões de euros é o valor destinado aos projectos escolhidos pelos munícipes, que poderão ser aplicados nas áreas que considerem ser prioritárias» entre os vários pelouros de actuação da autarquia, desde a Educação à Habitação, passando pelo Desporto, Turismo, Segurança e Protecção Civil ou Espaços Verdes, entre várias áreas.

As propostas serão depois analisadas pelos serviços municipais, que seleccionarão quais as escolhidas para a segunda fase do processo, uma fase de votação que decorre entre 8 e 14 de Novembro.

«Nesta segunda fase, que terá um carácter deliberativo», serão votadas as propostas apresentadas, cabendo aos cidadãos «votar num máximo de três projectos, por ordem de prioridade».

«Os projectos mais votados serão integrados na proposta de plano de actividades e orçamento municipal até ao valor de cinco milhões de euros», que depois serão «formalmente aprovados pela Câmara e pela Assembleia Municipal».

No final, será elaborado «um relatório que indicará todos os contributos recebidos e o destino dos mesmos» e no caso das propostas «não serem contempladas em orçamento, será apresentada uma justificação», acrescenta a autarquia no comunicado.

Lusa / Sol

domingo, outubro 12, 2008

sábado, outubro 11, 2008

Qualificações - Novas Oportunidades

- Especialista de Fluxos de Distribuição (paquete)
- Supervisora Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde (mulher da limpeza)
- Coordenador de Fluxos de Entradas e Saídas (porteiro)
- Coordenador de Movimentações e Vigilância Nocturna (segurança)
- Distribuidor de Recursos Humanos (motorista de autocarro)
- Especialista em Logística de Combustíveis (empregado da bomba de gasolina)
- Assessor de Engenharia Civil (trolha)
- Consultor Especialista em Logística Alimentar (empregado de mesa)
- Técnico de Limpeza e Saneamento de Vias Públicas (varredor)
- Técnica Conselheira de Assuntos Gerais (cartomante/taróloga)
- Técnica Especialista em Terapia Masculina (prostituta)
- Técnica Especialista em Terapia Masculina Sénior (prostituta de luxo)
- Especialista em Logística de Produtos Químico-Farmacêuticos (traficante de droga)
- Técnico de Marketing Direccionado (vigarista)
- Coordenador de Fluxos de Artigos (receptor de artigos roubados)
- Técnico Superior de Distribuição de Artigos Pessoais (carteirista).
- Técnico de Redistribuição de Rendimentos (ladrão).
- Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados (político)


Autor desconhecido, difundido via e-mail.