quarta-feira, janeiro 31, 2007

Geografia Portuguesa

Nem só de sol e futebol vive Portugal. No passado dia 12 de Janeiro de 2007 foi atribuído ao nosso colega (modestamente) e mestre Jorge Gaspar o PRÉMIO GEOCRÍTICA 2007.

ACTA DEL JURADO

El Jurado Internacional ha acordado conceder el Premio Internacional
Geocrítica 2007 al profesor Jorge B. Gaspar por su magisterio
universitario y por sus relevantes contribuciones a la ordenación del
territorio.

Barcelona 12 de enero de 2007.
todo o processo em http://www.ub.es/geocrit/pig-07.htm

Parece que "lá fora" se valoriza algo mais que o nosso pontapé na bola. Também se soube pelo Abrupto de uma petição para manter o Português na universidade de Cambridge.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Cultura?

Braga

Parece que é isto a denominada "cultura urbana"!

Bairros

Outros centros, novas periferias, centros antigos periféricos. Talvez apenas na poesia (e ainda em alguns bairros) as ruas tenham gente!

"Não tive nunca nada a ver com as
guitarras dos estudantes: eu vivia
num lento bairro da periferia
onde a chuva apagava os passos das

pessoas de regresso a suas casas
fazia compras na mercearia
e algum livro mais forte que então lia
já era para mim como um par d'asas

amigos vinham ver-me que eu servia
de ponche ou de Madeira malvasia
para soltar as línguas livremente

um que bramava um outro que dormia
eu abria a janela e só dizia
ao menos estas ruas têm gente"

[Fernando Assis Pacheco, in Louvor do Bairro dos Olivais]

O (des)ordenamento.

Pensar uma região, admitamos, é custoso, dá trabalho e provavelmente não dá votos. Vai daí, implementam-se medidas avulso, panaceias, arranjos ao gosto do freguês, para contentar uns e não chatear muito outros. Uma região, p.e a zona Sul do Tejo, eterno (outra margem) dormitório e estância balnear, já assentou o seu modelo de desenvolvimento na indústria (pesada), e não só, que se estendia desde Almada e Barreiro até Setúbal. Para o melhor e o pior, existia trabalho. Depois, como a prospectiva e o planeamento são letra morta, a aposta passa por (um qualquer) “turismo”, pau para toda a obra, sem qualquer semelhança com ordenamento, e a ordem do dia, a construção desenfreada. Quem conhece, sabe-o bem, por isso não se surpreende com notícias como a de hoje no DN. Está tudo dito: é deitar areia para cima!

Reunião em Paris


É o grande acontecimento da climatologia. Quinhentos científicos encontram-se desde hoje em Paris, após seis anos de trabalho, para discutir por uma última vez, para depois dar aos decisores e ao público o estado do globo. Reunidos na sede do GIEC (Groupe intergouvernemental sur l’évolution du climat), elaboraram o capítulo « científico » do estado das alterações climáticas. Seguem-se, no início de Abril, em Bruxelas, os capítulos sobre os impactos sócio-económicos e, um mês mais tarde, em Banguecoque (Tailândia), as possíveis soluções para lhes fazer frente.

Este relatório 2007 é o quarto. O primeiro data de 1990, dois anos após a criação do GIEC pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Programme des Nations unies pour l’environnement (PNUE). Desde a sua criação, o GIEC serve de referência para os científicos e os decisores mundiais. Do primeiro relatório saiu a convenção-quadro sobre o clima da ONU. O segundo, publicado em 1995, serviu de apoio à redacção do Protocolo de Quioto. O terceiro colocou o Homem no centro da questão, designando-o como o principal responsável pelo aquecimento. Um aquecimento entre 1,4 ºC e 5,8 ºC de hoje até 2100. Segundo algumas fontes, o quarto relatório apura estas previsões, colocando a subida entre os 2 e 4,5 ºC, e confirma que se espera uma maior frequência dos fenómenos extremos (inundações, secas...). Indica também que os efeitos das emissões com efeito de estufa irão prolongar-se pelo menos durante 1000 anos.

(Texto traduduzido por Eduardo F.)

Ler a entrevista com Jean Jouzel, no L'Humanité de 29-Jan-2007 (em francês).
Notícia-resumo no IM.

Portugal, esse país dos fenómenos!

Pedimos emprestada a divulgação da notícia ao Estrago da Nação, para continuarmos a acreditar que alguém sairá, já não do nevoeiro, mas, sim, do fumo, para salvar este país das imagens luminosas que nos afligem, dizem, na "época dos incêndios".
Deve ser por causa das alterações climáticas...

"Ah, e é verdade: em Portugal até há fogos que queimam 100 hectares de eucalipto e matos, em pleno Janeiro, com dois graus negativos. Foi ontem em Mortágua."
27-Jan-2007

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Geografia e História

Proposta para coisas boas:

Outra das ilhas propostas: as Pitcairn, no sul do Pacífico -- historicamente ligadas à revolta na Bounty. É um arquipélago composto por Ducie, Henderson, Oeno e Pitcairn. Ducie e Henderson foram descobertas em 1606 por um navegador português, Pedro Fernandes de Queirós, um homem mais querido dos americanos (este é o link para a página dos Famous Americans) e ingleses do que da memória portuguesa. Ducie foi originalmente chamada La Encarnación e Henderson recebeu primeiro o nome de São João Baptista). A Queirós é também atribuída a descoberta de Vanuatu, numa expedição que partiu do Peru em 1605, tendo navegado pelo estreito de Torres (atravessado pela primeira vez por Luiz Vaz Torres; lembram-se das Vinte Mil Léguas Submarinas?), bem como da Austrália, que designou por Australia del Espiritu Santo, nome retomado pelo próprio Thomas Cook. Queirós, que nasceu em Évora, em 1565, está demasiado esquecido por nós.
Quase todos os habitantes (46!) são membros da Igreja Adventista (mas só oito assistem à missa...). E Henderson, desabitada, tem o título de Património da Humanidade. Não admira.

Ver mais em: A origem das especies

Portugal é Provisório!

A malta bem que tenta e tenta, o problema , claro está, não é bem nosso, talvez nossa senhora não esteja de feição, ou o ambiente medieval nas cabeças tugas seja uma imposição da providência. A gente bem que tenta, como podem ver aqui .

Sabedoria

Imóvel mas vivo, escrito em papel gasto,a minha (única) divisa emerge da parede: CULTIVAR-SE É RESISTIR!
Isto a propósito dos últimos posts sobre prospectiva e planeamento, mas também dos livros e da ausência deles, aqui fica um vislumbre de sabedoria, ontem como hoje:

Porque os Deuses sabem dos eventos futuros, e os homens dos eventos presentes. Mas o sábio sabe do que vai passar-se.
Filóstrato, sobre Apolónio de Tiana

Mobilidades e cidades

Aqui ficam duas medidas talvez provisórias,
para as nossas cidades provisórias,
que todos os dias recebem pessoas
com mentes e vidas consolidadas.

O Governo está a negociar com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) a introdução de portagens à entrada das principais cidades para dissuadir o uso do automóvel e reduzir as emissões de CO2.
A proposta dos secretários de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, e dos Transportes, Ana Paula Vitorino, está a ser discutida com a ANMP, que tem a última palavra na introdução de mecanismos de redução da entrada de veículos diariamente nas cidades.
A medida foi sugerida pelas comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR), em planos que estão neste momento a ser articulados com as autarquias, disse Humberto Rosa ao Jornal de Negócios.

Fonte: Portugalmail

E leiam esta entrevista, no DN de Setembro do ano passado
Estacionar em Lisboa vai ser mais caro 30 a 80%
(é uma notícia atrasada. Mas o país também o é em muita coisa...)

Depois pensaremos em questões que estão a montante destas...

domingo, janeiro 28, 2007

Lei de Protecção da Paisagem Galega

E por cá, muitas vezes passamos por zonas que nos fazem questionar:

- Será que este país está sempre em obras?

Ele é estradas, pontes, escavações e clareiras para tirar areias e terras e pedra, tijolos acumulados...
Ou então lixo, casas por acabar, ou mesmo casas acabadas...
Sem qualquer zelo pela integração, pelo património natural e humano equilibrado, pela harmonia das paisagens...

Aqui fica a lei. Leiam, que é um texto bem construído.
A ver quando chegará cá...

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Educação, Obras Públicas e ...Geógrafos-2

Apenas um comentário, para responder a um outro do meu amigo Roger.
De facto, são por vezes necessárias grandes empreitadas, devidamente "encaixadas" num plano global de desenvolvimento e definição de prioridades, onde penso, não se incluem por agora a OTA e o TGV,como não se incluiam a construção de 10 estádios. É importante em termos de trabalho, o que significa que no caso português, necessáriamente terão que se criar
AD ETERNUM mais e mais obras, por razões de emprego ( e fuga de capitais, e relações duvidosas como recentemente em Lisboa) sob a premissa do tal crescimento.

De resto,apenas referenciei o caso do Minho para salientar a dimensão da coisa. Claramente pior em outras regiões: imaginem as outras regiões!

Quanto às apostas na educação e a sua primazia sob as demais,estamos conversados.
Interessava-me sobretudo lançar o debate sobre o planeamento e o papel actual da geografia. Não é pouco.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Educação, Obras Públicas e ...Geógrafos

Nem tudo aquilo que parece é (ou quase nunca). Mas todos sabemos que não basta ser a mulher de César, é imperativo parecê-lo. Nesta ambivalência (cruel), vivemos em Portugal, e serve para praticamente tudo.

Assistimos recentemente à (nova?) aposta do governo na educação e (re)qualificação profissional, uma espécie de tratamento de choque inovador e temerário. Nada de novo (embora bem publicitado), sem discutir a politica em causa, nem interessa. Outros governos recentemente (últimos 20 anos), com maioria, ou quase, despertaram e apaixonaram-se, hasteando a bandeira da modernização, educação, qualificação. E com modelos, é sabido! Antes da Finlândia, a Irlanda (entre outros), no século XIX a Bélgica, e anteriormente, a França, que até enviou uma data de académicos para pensar e modernizar Portugal. Nada que (ainda hoje) não seja necessário.

Mas…nem tudo o que parece…embora pareça, realmente…
Afinal, ficamos a saber que o novíssimo QREN (quadro de referência estratégico nacional 2007-2013), sucessor dos “famigeradosQCA (quadros comunitários de apoio - I,II,III), onde já se programavam as transformações na educação e qualificação dos portugueses, “aponta” para a educação e qualificação (claro!), mas sobretudo, para as obras públicas, ou melhor, para as grandes obras públicas. Não podemos viver sem elas, e sem as maiores “francesinhas” do mundo, sem a maior árvore de natal da Europa…

De facto, a aposta na educação, quase nove mil milhões de Euros, fica muito aquém p.e, dos mais de onze mil milhões (previstos!?) para a OTA e o TGV. Já aqui falamos da OTA, e quem estudou e conhece o nosso país, não entende, nem em termos estratégicos, de custos, ou mesmo ambientais, esta decisão. Relativamente ao TGV, vários técnicos (entre eles muitos geógrafos) interrogam-se do porquê desta iniciativa, num país onde se encerram ligações ferroviárias todos os anos, onde na linha do Minho, ainda hoje, não é possível a circulação de Inter-cidades, e a distância – tempo de uma viagem entre Viana do Castelo e Porto praticamente não sofreu alterações significativas nos últimos 25 anos. Onde a circulação rodoviária se resume ao automóvel com as ligações de BUS a serem suprimidas por não serem “ rentáveis”. Num país onde não se aposta seriamente no transporte ferroviário de mercadorias (ao contrário do resto da Europa), onde não existe um modelo sustentado e pensado de planeamento inter modal de transportes, e uma estratégia de diminuição da circulação do automóvel. Vamos assim mesmo, optar pelo maior, pelo mais dispendioso e vistoso, obviamente o resto ficará na mesma. Isto para não falar dos custos, absolutamente incomportáveis para um país como o nosso. A isto chama-se começar o edifício pelo telhado.

Recentemente numa conferência/workshop onde estive presente com o Eduardo, abordou-se, no âmbito da temática da “prospectiva: conceitos básicos e aplicações do global ao local”, a problemática do planeamento (ou da falta dele), e a necessidade de pensar a longo prazo, estabelecendo cenários possíveis, de forma objectiva e sustentada (tudo aquilo que NUNCA se faz). No decorrer da conversa, um dos responsáveis do “Departamento de Prospectiva e Planeamento do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional”(uf), falando da realização de estudos prévios para que se possa planear (e os políticos decidirem), referiu-se a um desafio feito ao departamento, para que se procedesse a uma análise e “prospectiva” futura para Portugal após a queda do muro de Berlim. Que caminho, ou caminhos, seguir, tendo em conta o novo mapa geopolítico e económico da Europa e a entrada de novos “actores”na cena Internacional. Projectaram-se várias possibilidades, referindo-se, desde logo, a necessidade de (re)qualificação dos quadros e das empresas, mudanças no tecido industrial tendo em conta a concorrência, aposta na qualidade e diversidade, trabalho em conjunto das regiões, bla, bla. Resposta politica: aposta nas florestas e turismo (a que acrescentarei as grandes obras públicas, auto-estradas). Não viram já este filme?

Neste sentido, qual o papel do Geógrafo e do especialista em planeamento, num país onde pura e simplesmente se pensa, apenas e só, no presente, no lucro imediato, e onde a memória, ao contrário do elefante, é efémera e condescendente? Contrariamente aos países Anglo-Saxónicos, onde o geógrafo assume não raras vezes a direcção dos gabinetes de planeamento, participando activamente na teorização da sociedade e respectivos impactes espaciais, nos novos e velhos espaços e na sobreposição de vivências e signos, reflectindo sobre um mundo onde o espaço/tempo se estilhaça a cada momento, perdemo-nos nós, num afã constante de grandes obras para grandes ruínas.

Não estamos sozinhos a dizê-lo:

Em Portugal, o que estava previsto e planeado quase nunca aconteceu, e o que aconteceu quase nunca foi previsto e muito menos planeado. Por isso, tudo aquilo que verdadeiramente se passou, desde a industrialização até à urbanização, passou-se "desordenadamente", à revelia dos planos e mesmo fora da lei. Até hoje, os governos andaram sempre a tentar mudar o país em meia dúzia de anos. Talvez fosse preferível tentarem compreendê-lo.

Rui Ramos (Historiador) in Publico 24-01-07

Olha, olha!

Isto parece um filme!
Daqueles americanos (nós não temos culpa, eles é que nos habituam com essas histórias...) com crimes, perseguições, assaltos, dinheiro, corrupção, traições, polícia...
Só faltam assassinatos, não?
Ah, mas isto não é um filme americano...

Será que isto ainda nos mantém a chama da esperança acesa?
Será que algo da justiça e da administração interna ainda funciona neste país?
(Olha, a defesa do território não parece estar a ser feita...
- Qual, estás a dizer que podemos sofrer algum ataque? De quem? Terroristas? Americanos? Os Espanhóis??
- Não, Portugal está a ficar mais pequeno a cada ano que passa.
- Isso é mais uma das tuas metáforas psicológicas?
- Não, a costa recua em média 10 metros por ano.
- ...)

Ou será que há-de cair no esquecimento, como os sobreiros, e perscrever?
Aguardam-se os próximos capítulos...

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Se não se soubesse...

Mais um estudo sobre as alterações climáticas, para mostrar o que já todos sabemos. Bem, nem todos.Pode ler-se na edição de hoje do DN

Do mesmo se falou no Jornal da noite na DOIS (22horas), em conversa com Luís Ribeiro( Instituto Superior Técnico), um dos especialistas que avaliaram o impacte das alterações, em Portugal e no mundo. Ficamos a saber que, apesar de tratarmos mal o ambiente, ainda assim pouco contribuímos, proporcionalmente, e não só, para o "abismo" final. Aliás, os países do sul da Europa, contam-se entre aqueles que mais problemas terão que enfrentar num futuro próximo( já o sentimos na pele). Os E.U.A(20% emissões a nível mundial) e Austrália, recusam-se a avançar para medidas concretas e imediatas. Que dizer depois a outros países como a China e India, p.e?
A economia dos recursos naturais não é tida em conta, pelo menos? Não sendo ecologistas radicais, ou falsos profetas, limitamo-nos a observar críticamente.
É caso para dizer, o último a sair que feche a porta...


Mais uma Estrela que se apaga

Ficam a saber: morre um poeta e algures uma estrela se apaga!

As viagens separam-nos do passado.
Se apenas viajássemos como grous,
sem reconhecer as nações debaixo da
quilha do nosso esterno,
se não trocássemos os idiomas e as
unhas
com os habitantes das novas geografias,
seríamos nós. Porque o idioma
é fechado e insondável em cada criatura,
porque cada nação é o berço de uma
língua
e os meus poemas noutra língua não são
meus.
quando viajamos no mundo não sabemos
quem fomos.

"Os grous?"
Fiama Hasse Pais Brandão,
2000

despediu-se no passado dia 19, Sexta-feira, estará com os habitantes das novas geografias?

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Notas para esquecer

"Tens de mudar a tua vida"
"Imperativo moral de quem se confronta com a perda da memória do que foi lendo ao longo da vida. O leitor deambula pelas memórias das suas leituras, em diálogo com o próprio pensamento, numa biblioteca tão virtual quanto real, que reflecte os processos da rememoração e do esquecimento"

Foi esta introdução que me levou ao teatro ontem...
Excelente encenação de Ana Soares e Tátá Regala, protagonizada por Andreia Santa Rita, Maria João Catarino e Pedro Paulino.

Serviço Público

A nossa querida RTP (salvo seja!), por vezes, não muitas, lá faz serviço público, informa e propõe reflexões. A hora tardia, pois claro, não vá muita gente ver. Foi o que aconteceu na passada terça-feira, dia 16, e logo em dose dupla, praticamente à mesma hora (não é de propósito?). Na RTP 1, na sequência do programa PORTUGAL DE… Nuno Portas (arquitecto e urbanista), foi entrevistado, ou melhor, discorreu com Rui Ramos e todos nós, sobre Portugal, o desenvolvimento e transformação das cidades e do mundo rural, arquitectura (entre outros), nos últimos 50 anos. Falou-se muito e depressa que o tempo corria, mas reteve-se, entre muitos outros que “o que fica(perdura) é o espaço colectivo” a importância da rua e da projecção sustentada e pensada. Soubemos que realizou inquéritos de opinião relativamente a novas urbanizações(nos anos 1960), coisa que nunca mais se fez, nem se faz, digo eu. Ficamos a saber, que sustenta, à nossa imagem, a ideia da escrita e da…sintaxe, na arquitectura e urbanismo, isto é (como eu próprio denominei em trabalho recente), a linguagem das cidades, que se perdeu algures e se tenta a todo o custo(nem sempre da melhor forma) recuperar. Foi muitíssimo interessante, à imagem aliás, de programas anteriores, e se não viram deveriam ter visto. Pena começar às 23h45m!

Pouco antes, A DOIS (23h30), começou um programa, que é muito mais que "de entrevistas", e que de longa data nos “delícia”, na penumbra da TV portuguesa; refiro-me a POR OUTRO LADO, da autoria de Ana Sousa, cujo convidado para conversar foi Alexandre Delijaicov, 43 anos, arquitecto, nascido e formado em São Paulo. Falou-se dos CEU, centros Educacionais unificados, da criação e desenvolvimento de espaços públicos e de vários equipamentos dividindo a cidade por “municípios”, instalação de infra-estruturas de proximidade, criação de “centros”, em suma, devolvendo a “PRAÇA”às pessoas. Também se falou de praças na RTP 1. É significativo. Ainda podem, nas numerosas repetições da DOIS, apanhar o programa.

E o Geógrafo foi dormir descansado…

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Jornadas sobre habitação e corrupção imobiliária

E, como em "Felizmente há luar" falaremos de outra realidade querendo, com isso, aludir a coisas que nos tocam de perto.

Que dizer de 3 milhões de novas casas ao longo de todo o litoral mediterrânico quando confrontado com os mais de 1 milhão de pessoas que não têm um lar onde viver com um mínimo de dignidade?

A corrupção, as decisões administrativas, as políticas do dinheiro... repercutem-se no espaço e na paisagem. Enquanto as pessoas, para quem as cidades são pensadas, ficam a ver navios...


Jornadas sobre vivienda y corrupción inmobiliaria
20 y 21 de enero de 2007 Madrid
CMU San Juan Evangelista, Avda. Gregorio del Amo, 428040 Madrid

Metro: Metropolitano (Línea 6), Salida Gregorio del Amo

Algo se perdeu no caminho -2

A sombra do abismo

Se há coisa que me parece que normalmente as pessoas esquecem é que vivemos todos alimentados pela energia do sol - que faz o clima e a fotossíntese e a vida - e é gratuita. Este postulado deveria fazer-nos desconfiar da legitimidade ética das formas de apropriação da energia. Porque é de apropriação de energia que se trata na guerra do Iraque.

Na interpretação do professor Said Barbosa Dib a guerra é antes do mais uma guerra do dólar contra o euro, a partir do momento em que em Novembro de 2000 o ditador Saddam tomou a decisão de indexar as exportações petrolíferas do Iraque ao euro, abandonando o padrão-dólar e assim criando um facto e abrindo um precedente. Se a OPEP adoptasse essa política a desvalorização (já nítida) do dólar criaria um buraco enorme na economia dos EUA a que se seguiria um período de caos e depressão. Esse é o pânico da administração e da Reserva Federal e o sr. Bush faz o que pode para alimentar um sistema viciado em adrenalina e serotoninas: promete um grandioso espectáculo de guerra onde os EUA serão os maiores. E além disso promete substituir Saddam por outro que revogue aquela decisão, restituindo a soberania do dólar nas transacções petrolíferas e na economia do mundo.

Triste civilização esta que afinal não ultrapassou a barbárie. A tecno-barbárie, variando entre o cirúrgico e a mãe de todas as bombas, aí está. Quantos milhares de civis serão vítimas da guerra?

Já faz mais de 20 anos que li a trilogia da Fundação de Isaac Asimov. Relata o livro que, no auge do esplendor do Império, o psico-historiador Hari Seldom descobre que se está à beira do abismo; com as suas projecções matemáticas calcula nuvens de probabilidades que indiciem as sequências prováveis de acontecimentos. E assim conclui que é necessário construir duas fundações secretas que reúnam o conhecimento da humanidade, para que pelo menos uma sobreviva ao longo período de trevas que adviria da guerra.

Na década de sessenta, o professor René Thom lança as bases para um novo paradigma que veio a chamar-se a Teoria das Catástrofes. Nessa teoria, as catástrofes acontecem de súbito, quando ocorre uma dobra no campo potencial. Só na estrita vizinhança do abismo é que se pode vê-lo, para quem esteja dentro do campo. Fora dele, sim, sempre se poderá ver à distância a sombra do abismo.

F.Venâncio in Aspirina B


Tirando alguns erros ortográficos(no original), por nós corrigidos, o artigo, para além de pertinente, observa, para quem quiser pensar, que tudo ou quase, se resume a lutas pelo poder e supremacia, com evidentes reflexos e reorganizações espaciais. Andamos sempre ao mesmo.


Exposição Afro-Brasileirando

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Em pano de fundo...

Nas minhas deambulações noctívagas pela caixa colorida, vulgo zapping, pude enriquecer-me com notícias deste mundo mundano em que vivemos.
Comecei pela Aljezeera, que, coisas da globalização, está, para gáudio de quase todos, acessível em inglês, o imposto esperanto.

Uma reportagem sobre um vulcão de lama na Indonésia. Ao que parece, tudo começou com a prospecção de gás por parte de uma multinacional. Resultado: as perfurações libertaram a pressão e agora a lama vai saindo. Em pouco tempo, casas foram ficando submersas na lama. E as pessoas, assim despojadas, tentam sobreviver. O material não é tóxico, mas, dada a sua quantidade, os ecologistas temem pelos impactos no ecossistema. Porque estão a escoar a lama directamente para o oceano. Alguns prevêem que a “fonte” brote durante uns 30 anos. Outros, defendem que pode continuar por 10 vezes esse período.

Outra reportagem, sobre os campos de ópio no Afeganistão. O ministro Armid Kharzai prometeu condições de vida, casas e saúde, mas muita gente tem de viver da cultura do ópio, cultura que, aliás, a sua religião proíbe. “Se encontrarem um militar da ONU ou da OTAN, dir-lhe-á imediatamente que ali reside todo o problema, pois as receitas financiam os Taliban”. Mas é uma situação de desespero que leva as populações a isso.
O Afeganistão é, nestas coisas do global, o responsável por cerca de 80 % da produção mundial.

Outra, em Moçambique, no vale do Zambeze. Sobre uma fábrica de açúcar. Sobre populações que, por trabalharem nessa actividade, podem comprar roupas, livros e enviar os seus filhos para a escola. Mas, atenção, que, daqui a 3 anos, a tão democrática e “mundial” OMC, a milhares de quilómetros de distância, vai fazer triplicar o preço do açúcar, para impedir que ele chegue aos mercados europeus. É também por razões como estas que vemos vagas de milhares de imigrantes a “invadirem” os países ricos. Mais um factor a corroborar a concentração da população mundial nas zonas urbanas.

(Continua…)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Pois...

Existem verdadeiramente Geografias de exclusão e de tristeza, se quisermos. Nascer e viver em determinado sítio, desafia e muito, as leis, as oportunidades e a paciência. Existe, há muito, uma Geografia da Saúde, que pouco ou nada é levada em linha de conta. De onde vêm os famosos ESTUDOS que possibilitam fechar urgências e maternidades, escolas e afins, ninguém sabe. Existem. Não se pensa, p.e, na articulação das instituições e respectivas competências, nas vias de comunicação e meios de transporte, nos tempos e planos B. Se a tudo juntarmos a incompetência, as rivalidades mesquinhas e os...azares, que nunca vêm só, obtemos o quadro perfeito.

Faço minhas, sentidas, as mesmas palavras:

O que se há-de fazer!?"

Um cidadão, residente no concelho de Odemira, foi "colhido por um automóvel" quando seguia - na sua vida - de bicicleta. O seu nome, António José Oliveira. Eram 7.30 da manhã, tinha 57 anos e muitos de trabalho e, sem sorte nenhuma, estava no local errado e na hora errada. Era, do mesmo modo, um cidadão obscuro. Não tinha cunhas, não era conhecido dos jornais, não era doutor nem escrevia em blogs e consta que nunca foi ao Plateau, ou ao Lux. Nada o poderia salvar, portanto. E assim foi. Há momentos, fatais, na nossa vida. Inimagináveis.
O nosso cidadão, foi levado para o SAP de Odemira, que não "dispõe", esclarece, de meios assistenciais, para tamanha gravidade. Passavam 3 horas, entretanto, desde o incidente
Ao António José Oliveira, cidadão residente no concelho de Odemira, foi-lhe concedido uma "viatura de emergência e reanimação do INEM", vinda de Beja. Mais 1 hora na espera. Outra, ainda, para "estabilizar a vítima". O padecente era, evidentemente, o próprio cidadão e a putativa "estabilização" - 5 horas passadas - era para "evacuar o ferido por helicóptero", para o Santa Maria. Em Lisboa, capital do império.

Não chegou em vida, o nosso cidadão, ao Hospital de todos os enfermos. 7 horas se passaram. Azar, como se percebe, existir uma única viatura "com apoio médico" em todo o distrito. Infelicidade chamar-se António ... José Oliveira. Infortúnio habitar no distrito de Beja. Viver em Portugal. Ser cidadão europeu.

in Almocreve das petas

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Obras no Georden

Informamos que o GEORDEN encontra-se numa fase de remodelação.
Pedimos desculpa a todos pelo incómodo.
Para reclamações/sugestões: georden@gmail.com
Saudações geográficas

Pensamento tíbio

A expressão da “portugalidade” em geral e da política em particular, com aplicação (prática) na cidade actual, ou melhor, na forma de a pensar, (Ah!) e nos famosos estudos, encontra-se condensada nesta frase enorme:

Saiu a terreiro para apalpar terreno…

Gabriel P. de Belos Ares

Portugueses...Grandes!

"GRANDES PORTUGUESES"

"Quer se goste, quer não, "a lista dos 100" não deixa de ser um bom retrato do Portugal de hoje: analfabeto, pretensioso e, saloiamente, "modernizado". "

Vasco Pulido Valente in Público
Via portugal dos pequeninos



sábado, janeiro 13, 2007

Temos de ser como as moscas…

O polémico empreendimento da Pescanova, após ter visto ser negada a sua implementação na costa galega, por a zona pensada, o cabo Touriñán, fazer parte integrante da Rede Natura 2000, veio parar a Portugal. Numa zona também ela integrada na Rede Natura 2000.

Conseguem distinguir “Rede Natura 2000” de “Rede Natura 2000”?
Isto, num projecto que prevê produzir mais que a totalidade da pesca portuguesa num ano!! Vamos lá com isto! Ninguém os pára!

Agora, os Projectos de Interesse Nacional são como as notas de dinheiro que vemos nos filmes americanos a comprarem todas as autoridades, sejam elas polícia, sejam governos.
Olhemos para eles a acenarem, com os empregos na mão…
E a fazerem de nós reféns do desenvolvimento…
Como se para aumentar a qualidade de vida dos cidadãos tivessem primeiro que destruir um espaço de elevada fragilidade e importância ecológica.

Que sentido é que isto faz?
Depois não venham gritar que Portugal vai ao fundo e que perde costa a cada maré que passa…

- Não, não. Não vês que é “fogo amigo”? Não poderá causar-nos qualquer dano….

Entretanto, o alcalde da junta da freguesia onde estava prevista a primeira opção, juntamente com o PPdeG, pelo qual foi eleito, recolheu 3000 assinaturas a pedir que a Xunta reconsiderasse a decisão. Argumenta ele (numa reportagem na TVG, a 12-1-07):


- Não percebemos porque é que o presidente da Xunta, Emilio Pérez Touriño, impede um empreendimento deste género, bom para a nossa região, permitindo que a empresa se desloque para um país vizinho, onde a zona de instalação está também integrada na Rede Natura e o governo local não hesitou em aprovar o projecto...

Milhões de moscas comem merda.
Se calhar nós é que estamos errados...



Leiam mais, consoante as vossas ideologias (se conseguirem...):

Jornal de Notícias, ADEGA, Quercus, TSF, Público

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Portugal é Provisório!

Em crónica antiga, Vasco Pulido Valente, comentando o endémico atraso português, referiu-se-lhe, mais ou menos nestes termos(cito de memória): Portugal não está atrasado.Portugal É atrasado. Como se pode ver na edição de hoje do DN http://dn.sapo.pt/2007/01/11/cidades/index.html, existe uma tradição de mal-fazer,associada ao mal planear. Existe legislação? É cumprida?

Na energia, a nossa e a dos outros, e emissões de dióxido de carbono, vem aí uma ...revolução.Ver: http://www.publico.clix.pt
Parece que é desta. Mas o quê? Ficamos, por outro lado, a saber, que pagamos o gás mais caro da Europa(UE). Se estivesse cá o Fernando Pessa, diria:E esta, hem?...

Do blog Corta-Fitas,http://www.corta-fitas.blogspot.com,chegam-nos estas pérolas:
1. Um empresa jornalística anuncia o lançamento de um jornal “gratuíto” – assim mesmo, com o disparatado acentozinho no i. A coisa promete...
2. O Jardim Zoológico de Lisboa espalha pela capital uma série de vistosos cartazes com um leão dizendo que se trata de um gato “muitaa grande”.
3. Um dos mais prósperos bancos portugueses lança uma campanha publicitária grafando keres em vez de “queres” – mostrando-se assim mais ignorante do que modernaço.
4. Um movimento que se opõe à despenalização do aborto adopta como grito de guerra “não obrigada”, esquecendo que a omissão da indispensável vírgula destinada a assinalar o vocativo transforma a expressão em sinónimo de voluntária – ou seja, invertendo o sentido do que se pretendia transmitir.

Sem comentários...






Coisas da noite e do dia do Geógrafo

Do descanso e dos prazeres do Geógrafo, que acima de tudo é homem, não serão este(s) divinos, mas pelo menos, sagrados. Para amenizar as diabruras e as negociatas do real, para melhor as compreender e sanar(?), os bálsamos. Coisas da noite e do dia.

No romance, viaja-se no Memorial de Aires, pena de Machado de Assis, no início do séculoXX. Grande literatura, trato finíssimo da língua portuguesa com sotaque Brasileiro. Nem só de Novelas… Edição antiguinha, colecção livros RTP.


Volta-se sempre, por desejo pessoal e profissional, às Geografias Pós-Modernas-A reafirmação do espaço na teoria social crítica, Edward W. Soja, edições Jorge Zahar , Rio de Janeiro, 1993. Originalmente publicado nos E.U.A, em 1989. Por cá ainda nada de traduções, deste e muitos outros. Nem só de novelas…
Voltarei à Geografia Pós-Moderna, em crónica alargada.

Do Brasil ainda, geografia afectiva nossa: Fim de Século e Globalização, Organização de (grande geógrafo) Milton Santos, Maria Adélia de Sousa, Francisco Capuano Scarlato e Mónica Arroyo, Editora Hucitec, São Paulo, 1994.


Na música, o ritmo é outro: Scott Walker. Qualquer coisa do moço é boa. Aqui não há volta a dar. Nada de Brasil,mas…

Recomenda-se uma série: Re Génesis – Ameaça Invisível, passa no cabo (SIC RADICAL). Em Toronto, laboratório NORBAC, um conjunto de cientistas, bate-se contra várias ameaças invisíveis(vírus,bactérias, doenças), e outras mais visíveis, ou talvez não, as grandes empresas farmacêuticas, os negócios da paz armada, as criações a bem da humanidade. Geografias de pobreza e exclusão. Ou a nossa(Ocidental), muito nossa, forma de ver as coisas. E muito mais. Talvez por isso, esteja relegada para a TV Cabo e a horas, enfim, pouco…visíveis.
Ps- Em Toronto, a malta da ciência, passeia e come nos parques(aquilo tem parques, vão ao Google earth) e,pasme-se, vai para o trabalho de bicicleta. São loucos!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Algo se perdeu no caminho...



Simular é fingir aquilo que não é
Jean Baudrillard



Neste caso particular, vamos além, não sei bem para onde. Já não basta simular os espaços, cada vez de maiores dimensões (ilhas que simulam penínsulas e continentes, no Dubai), encaixotá-los, prensá-los e servir; é necessário complementar, adornar e simplificar a coisa ao máximo que é o mínimo, a papa. Vamos ter mais, não a ilha de próspero, mas a ilha da/com cultura(?), hotéis e o mar ao lado, por todo lado, como lhe aprouver, sem ninguém a chatear, no seu próprio espaço (re)recriado. Não acreditam? Leiam então isto (os sublinhados são meus):

"Expansão do Louvre a Abu Dhabi"








Já há um milhar de assinaturas contra o projecto e os conservadores do museu admitem mesmo a demissão colectiva. A criação de uma extensão do Louvre na ilha de Saadiyat, em Abu Dhabi, está a agitar o meio cultural francês, que critica o uso do património pelo Estado, a troco de concessões políticas, diplomáticas e comerciais.

"É um movimento sem precedentes num mundo de silêncio", escrevia este sábado o Libération, recordando o "dever de reserva" a que estão sujeitos os funcionários da Cultura. A polémica começou com um artigo de opinião publicado pelo Le Monde, a 13 de Dezembro, intitulado "Os museus não estão à venda".

Assinado por Françoise Cachin (ex-directora do organismo que tutela os museus públicos franceses), Jean Clair (ex-director do Museu Picasso) e Roland Recht (historiador de arte), o texto denunciava o "negócio espectáculo", na senda do exemplo "desastroso" do Guggenheim (ver caixa), de ceder a marca Louvre a um museu "num sítio turístico e balneário, num país de 700 mil habitantes".

O site La Tribune de l'Art lançou uma petição para a "preservação da integridade das colecções dos museus franceses", que reuniu cerca de mil assinaturas, entre as quais as de 70 conservadores ou directores de museus e de 200 historiadores de arte. Francine Mariani-Ducray (directora dos Museus de França) e Jack Lang (ex-ministro da Cultura) vieram a terreiro defender o plano, O Ministério da Cultura não comenta.

Lideradas pelo próprio Palácio do Eliseu - a cooperação com o Oriente ocupa lugar de destaque na agenda do Presidente Jacques Chirac -, as negociações com Abu Dabhi, capital dos Emirados Árabes Unidos, decorrem há mais de um ano. Especulando-se que o director do Louvre, Henri Loyrette, estaria contra. Se tivesse sido consultado.

A propósito dos negócios por detrás desta decisão, o The Guardian lembra que a Emirates Airline encomendou 43 novos aviões franceses Airbus A380. O The New York Times, por seu lado, cita um relatório entregue ao parlamento gaulês, que refere que, de 1996 a 2005, os Emirados Árabes adquiriram armamento de valor superior a dez mil milhões de dólares, incluindo caças Mirage. Segundo o jornal, em De- zembro, um relatório encomendado pelo ministro da Economia aconselhava a França a abandonar "vários tabus" da sua política cultural e a permitir que os museus emprestassem ou vendessem obras de arte.

750 milhões mas nada de nus

A capital dos Emirados Árabes estaria disposta a pagar mais de 750 milhões de euros pela "marca" e Jean Nouvel, avança o The Guardian, seria o arquitecto do futuro Louvre de Abu Dhabi. Mas, tal como o Guggenheim, o museu francês não poderá exibir obras de arte que contenham nus ou cenas religiosas. E duvida-se de que as verbas entrem nos seus cofres. O Louvre pretende abrir, em 2009, mais uma ala, dedicada à arte islâmica (um príncipe saudita doou 17,3 milhões de euros).

A política expansionista do Louvre começou com o plano para abrir, em 2008, uma sucursal na cidade francesa de Lens. O passo seguinte foi o acordo com o High Museum de Atlanta, válido por três anos e iniciado em 2006, para empréstimo de obras de arte em troca de 6,4 milhões de dólares - destinados a renovar galerias de artes decorativas.

A internacionalização das instituições francesas também passa pelo Pompidou (Chirac acordou com a China abrir uma filial em Xangai) e pelo Museu Rodin (que terá uma extensão em São Paulo, Brasil). E a própria Sorbonne, facto inédito em 750 anos de história, inaugurou em Novembro um pólo no estrangeiro. Em Abu Dhabi.


Diário de Noticias -8 Janeiro 2007-Paula Lobo

Afinal tudo se resume a dinheiro? Não, ou melhor, nim! Mesmo o negócio finge. A liberdade, a sua, a nossa, é total, basta não expor nus,cenas religiosas. Basta não falar de direitos do homem ou das condições de trabalho dos homens que ergueram as infra-estruturas. Basta não olhar, ou pelo menos, não ver. Será isto cultura? É isto civilização?


Mais uma vez o Eça quando afirmou mais ou menos isto(de memória): Vimos de onde vocês vêm, vamos para onde vós não estiverdes.


"A longo prazo..."

"A longo prazo, estaremos todos mortos", dizia ali ao lado o senhor John Keynes, no citador...
Bem, eu não podia deixar passar esta citação assim, sem mais nem menos. Não.

Mas que é esta coisa do tempo?
É uma coisa para se usar ao máximo?
Tipo pastilha elástica, que se cospe quando se lhe acaba o sabor?
Esta nova maneira de encarar o tempo, nascida de hedonistas sem razão, da produtividade e do materialismo histórico, anda a dar cabo de nós.

Se me pautasse por esta ideologia que colhe muito nos tempos que passam, então:
1- Os meus dentes apodreciam, porque não os lavava a cada dia que passa.
2- Morria ao fim de alguns dias, porque não comia a cada dia que passa.
3- Deixava de fazer o que quer que fosse, porque "a longo prazo, estaria morto" e por isso não valia a pena fazer o que quer que fosse.

...

Mas, como eu me pauto por esta ideologia, e como também sou por ela colhido, então:
1- Consumo os recursos naturais com a maior rapidez possível, porque "a longo prazo...".
2- Extingo espécies, destruo habitats, sugo até ao tutano as entranhas da Terra, poluo ao máximo e crio tantas catástrofes como as que não me interessam,... porque "a longo prazo..."
Enfim... Abrevio o longo prazo, porque vivo a curto.

Não reencontremos o ritmo sustentável, não...

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Não me diga?

Recentemente, com a naturalidade das coisas simples e óbvias, os rapazes (inocentes e independentes?) das Nações Unidas, apresentaram ao mundo um relatório em que se declara, digamos assim, o carácter definitivo e inexorável das alterações climáticas. Não há volta a dar. O dito enfatiza, mesmo com acções e medidas imediatas e concertadas (necessárias, dizemos nós) entre vários Estados (em sonhos), mesmo assim, repita-se, seria, de todo, impossível resolver ou minorar significativamente o problema.
Como os gases emitidos se mantêm na atmosfera por várias décadas (só agora descobriram?) o aquecimento global e a subida do nível médio das águas, havendo ou não reduções sistemáticas, será uma realidade incontornável. Pergunta: e quais as consequências? Pergunta: a deterioração do ambiente não representa um gravíssimo retrocesso na qualidade de vida das populações? O que pensam fazer, ou já tem alguma solução milagrosa? Nossa Senhora das Dores ou a lotaria, como diria o Eça?
Factos: existem obviamente responsáveis directamente e por omissão!

A revista DIA D parte integrante do jornal Público de sexta-feira 5 de Janeiro, que reflecte (nas suas próprias palavras) A economia que lhe interessa, por isso não podendo ser acusada à priori de fundamentalismo ecológico/ambiental; publica uma entrevista com Bertrand Badie (especialista em relações internacionais), onde este, quando questionado acerca da evolução de questões como o ambiente refere apenas isto, e cito: Enganámo-nos completamente em relação ao ambiente. Nos anos 1960 foi ignorado, quando já era uma grande questão no final da industrialização. Depois pensou-se que seria um problema apenas para o Norte, quando é algo ao nível do planeta e os mais pobres são os mais afectados. A seguir vieram manobras de bricolage, para evitar medidas internacionais constrangedoras. Realizou-se um número incrível de conferências sem medidas de coerção ou sanções. Esta política de cavalheiro é suicidária.

Só não concordamos com a política de cavalheiro(?), quanto ao resto reflictam os nossos leitores…

E claro, ninguém sabe, sabia, podia imaginar…Não me diga?

sábado, janeiro 06, 2007

O teu mundo é o nosso mundo

"É Natal, é Natal...", pronto. A nossa cabeça feita preenche o resto...
Rua do Souto, Braga, 13-12-06

Não seria tão bom se nas ciências ditas não-exactas a probabilidade fosse extinta? Assim, como quem extingue um Ministério. Não seria bom?
Nestas guerras epistemológico-filosóficas entre racionalismos vs. emprismos e determinismos vs. possibilismos, escolhemos o nosso partido. E roemos o osso se alguém vem para no-lo tirar.

Esqueçamos, então e por momentos, ad hoc, a probabilidade e o seu Sancho Pança, o dom falsificacionismo. E pensemos nas relações afectivas e/ou emocionais que os espaços nos fazem experimentar. A vivência, o percurso pelos espaços, ou a simples “estadia” em lugares. Seguem-se alguns exemplos que se pretendem elucidativos:

Que sentimos quando vamos subindo, a pé, obviamente, a serra mais alta de Portugal e vamos olhando para baixo?
Que sentimos quando nos deparamos com uma parede branca? E se essa parede estiver repleta de papel de parede propagandístico de todas as crenças, cores e interesses?
Que sente o automobilista ao aproximar-se de uma curva apertada? Ou enquanto passa no piso vermelho da rodovia António Macedo, em Braga?
Que sente o viandante ao passar pelas vielas e ruas mais estreitas das cidades? E se o fizer de noite? E se então lhe surgir uma ameaça em forma de ponta e mola?

Sabemos que as ruas que repentinamente se alargam nos condicionam a estugar o passo.
E que ambiência associamos a uma loja de jogos de vídeo?
Que sons quase começamos a ouvir quando se nos é estendido um tapete vermelho à entrada de uma sala de concertos? As suas paredes alcochoadas e ornamentadas a dourado.
Uma praça vazia, centenas de pombos a comerem, pessoas imóveis (imobilizadas) nos bancos de jardim, o ruído não de fundo nessas “praças de restauração” e as televisões a vomitarem o costume, a Avenida da nossa Liberdade bracarense a encherem-se de operárias e estudantes nas horas de ponta…
… ai, e nós, num barquinho parado junto às paredes frias dos rochedos do Alto Douro…

Os espaços condicionam o que sentimos, apreendemos, fazemos. E reparo as cidades serem cada vez menos os espaços de reunião e convívio. Espaços onde algo acontece, espaços de participação, de prática cívica. Cada vez mais se nos apresentam como espaços de consumo. Vamos, portanto, transformar o espaço até ao mais ínfimo pormenor, e a racionalidade terá certamente os seus ataques epilépticos imprevisíveis cortados à nascença. Abortados.

Ah!... a razão é inimiga do determinismo…

Felizmente que os espaços urbanos estão cá para nos livrar dessa faculdade anacrónica!


quarta-feira, janeiro 03, 2007

É Janeiro e tudo na mesma...

O escriba de volta, para o Eduardo não se sentir sozinho!


De volta… lembra-se o calendário, que isto das datas tem que se lhe diga. Aliás, a igreja mais não fez do que aproveitar as datas antigas, ditas pagãs, mas muito convenientes. Temos assim o natal e passagem de ano, personificadas na dita renovação, no recomeçar, coisa que também se dirá lá mais para a primavera. Se ainda não sabem (pode acontecer) a origem e evolução do calendário até aos nossos dias, sugere-se a leitura de um instrutivo livrinho (cerca de 640 páginas) denominado Os Descobridores- de como o homem procurou conhecer-se a si mesmo e ao mundo, de Daniel J. Boorstin, editado pela Gradiva. É de fácil leitura e sempre dá para brilhar, no café, com os amigos.


Respeitando o sentir da época, embora eu pense que por esta altura os tugas já caíram na real (sendo certo que não vão aprender nada), alinhavam-se, desta forma, algumas ideias para escritos próximos:

-Deambulações recentes por Tomar e Barcelos, terras velhíssimas e misteriosas.

-Uma critica não encapuçada à cultura(ou ausência dela) de Braga, não apenas a oficial mas também aos seus detractores, que, claro, assobiam a sua (própria!) cultura.

-Espaços novos e novas Geografias.

-Alguns livros e anátemas.