domingo, maio 31, 2009

"O Fugitivo"

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Por LEM, 2007.

sábado, maio 30, 2009

Maravilhoso Mundo

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"Porque este mundo que nos acolhe é pleno de lugares incrivelmente belos, moldados por uma natureza que sendo umas vezes mãe, outras madrasta, segue sempre um equilíbrio muito próprio e apresenta-nos como resultado um panorama verdadeiramente espectacular... Este espaço pretende testemunhar a real beleza deste planeta, assim como ser mais um incentivo para a preservação das espécies que o habitam. Pretende ainda ser um registo das diferentes culturas e tradições da humanidade e do legado que os nossos antepassados nos deixaram..."

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sexta-feira, maio 29, 2009

"Desertificação - Sinais, Dinâmicas e Sociedade", de Victor Louro (Coord.)


Título: Desertificação - Sinais, Dinâmicas e Sociedade
Coordenação: Victor Louro
Edição: Lisboa, 2004
Editora: Instituto Piaget
ISBN: 972-771-731-4
Paginação: 265 páginas


Em muitos países, a luta contra a desertificação é um desígnio nacional, uma prioridade de Estado. Por cá, quanto mais sabemos e lemos, mais chocados vamos ficando com o desinteresse e o tempo que estamos a perder para lhe pôr um travão.


Está tudo a contribuir para o mesmo:

- as alterações climáticas
- o despovoamento (tendo como causa e consequência o abandono das práticas agrícolas que não dão dinheiro. Uma vez mais o confronto entre duas concepções, a da sustentabilidade e a da exploração "rápida e em força" dos recursos, abrindo buracos aqui e ali e deixando para trás rastos de destruição e degradação do espaço e da paisagem)
- as pragas que afectam as culturas (agrícolas e florestais)
- o desordenamento / a falta de ordenamento
...

Neste livro, que compila textos (escritos de propósito ou resumos de estudos) de vários quadrantes de actuação, demonstra-se que a luta, sendo desigual, não é impossível. E porque "Ninguem errou mais do que aquele que não fez nada, só porque podia fazer pouco", aqui se apresentam projectos levados a cabo por entidades municipais, empresas, associações, sempre apoiadas pela entrega do cidadão comum, que nos dão pistas e esperança para empreendermos esta batalha difícil.


Sendo uma questão transversal à sociedade, ninguém pode ficar de fora, e todos podemos dar o nosso contributo. Tem de ser um conjunto de acções concertadas e enriquecidas com o saber dos mais diversos campos do conhecimento. Daí, também, a riqueza e a importância deste livro. São co-autores, entre outros:

Ana Maria Almeida, Coordenadora do Observatório da Desertificação,

Cláudio Torres, Director do Campo Arqueológico de Mértola,

Carlos Morais, Antigo Director-Geral das Florestas,

Maria José Roxo, Professora Auxiliar do Dep. de Geografia e Planeamento Regional da Universidade Nova de Lisboa,

Lúcio do Rosário, Coordenador Nacional do DISMED (Sistema de Informação em Desertificação no Mediterrâneo),

Eugénio Sequeira, Engenheiro Agrónomo,

José Manuel Alho, (ex-)Presidente da Direcção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza,

José Reis, Professor Catedrático da Fac. de Economia da Universidade de Coimbra,

Nuno de Santos Loureiro, Professor Auxiliar da Fac. de Engenharia de Recursos Naturais da Universidade do Algarve,

Victor Louro, Presidente da Comissão Nacional de Coordenação do Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação.


Por último, não podíamos deixar de chamar a vossa especial atenção para o contributo de Cláudio Torres, cujo excelente e elucidativo texto sobre a história agrícola do Alentejo, vale, só por si, a leitura desta obra.


Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que, posteriormente, publicaremos, neste mesmo espaço.

quinta-feira, maio 28, 2009

Arte sem etiqueta



"O homem desceu na estação do metro de Washington DC vestindo jeans, camisa e boné, encostou-se próximo da entrada, tirou o violino da caixa e começou a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali passava, na hora de ponta matinal. Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam 100 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemóvel no ouvido, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

Será que apenas damos dar valor às coisas, nomeadamente à arte, quando contextualizadas?


Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo sem etiqueta. Somente uma mulher o reconheceu..."


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quarta-feira, maio 27, 2009

Festival Internacional de BD de Beja

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Festival Internacional de BD de Beja
30 de Maio a 14 de Junho
Bedeteca de Beja - Casa da Cultura

Tudo sobre os autores, programação paralela (apresentação de projectos, conversas à volta da banda desenhada, cinema, concertos, lançamentos, noites temáticas, sessões de autógrafos, workshops, etc), como chegar, onde ficar, etc... http://www.festivalbdbeja.net/

Abertura do Festival, com a presença dos autores:
Alex Gozblau, André Lemos, Andreia Rechena, Carlos Apolo Martins, Carlos Bruno, Carlos Rocha, Catarina Guerreiro, Cláudia Dias, Craig Thompson, Denis Deprez, Diogo Campos, Diogo Carvalho, Fernando Gonsales, Filipe Abranches, Gary Erskine, Hugo Teixeira, Inês Freitas, João Lam, João Maio Pinto, José Feitor, Lobato, Luís Belerique, Luís Guerreiro, Luís Henriques, Lorenzo Mattotti, Marco Mendes, Maria João Careto, Miguel Carneiro, Nelson Nunes, Paulo Monteiro, Pedro Brito, Pedro Burgos, Pedro Rocha Nogueira, Phermad, Ricardo Reis, Richard Câmara, Rosa Baptista, Rui Cardoso, Rui Ramos, Selma Pimentel, Susa Monteiro, Tânia Guita, Telma Guita, Véte e Zé Pedro (autores representados nas exposições).


Alguns destaques da programação:

30 Maio / SÁBADO
16h00 às 16h15
Lançamento do livro " Maior de Todos os Tesouros", de Carlos Rocha, e lançamento do Venham + 5 n.º 6. Apresentação de Paulo Monteiro, com a presença dos autores.

31 Maio / DOMINGO
15h00 às 15h15
Salvar o Albatroz - Apresentação do Projecto Celacanto, por Marc Figueiredo.

15h45 às 16h00
O Menino Triste, por João Mascarenhas.

17h45 às 18h00
Apresentação do fanzine All-Girlz Galore, por Daniel Maia, com a presença das autoras.

Das 16h00 às 17h00 - sala de ateliers
Workshop de Mangá
Com as autoras do colectivo Luminus Box.

13 Junho / SÁBADO
15h00
Cerimónia de Entrega dos VII TROFÉUS CENTRAL COMICS


...tudo isto e muitos mais!!... Não faltes!



Núcleos do Festival:
Casa da Cultura
Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago
Museu Regional de Beja
Contactos:
bedetecadebeja@yahoo.com
Tel.: 284 313 312
Morada:
Bedeteca de Beja
Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
http://www.festivalbdbeja.net/

terça-feira, maio 26, 2009

Petição "Salvar a Ria Formosa"

Petição ao Parlamento Europeu "Salvar a Ria Formosa"
Somos Olhão! – Projecto de Cidadania Activa
http://somosolhao.blogs.sapo.pt/16624.html

A Ria Formosa
Localização e Enquadramento
"A Ria Formosa situa-se no Algarve na região mais a sul de Portugal.
A Ria Formosa corresponde a um sistema lagunar que se estende por cerca de 60 km na margem norte, terrestre por cinco concelhos com cerca de 200 000 habitantes, dos quais mais de vinte milhares são directamente dela, economicamente dependentes, e 48 km na margem sul, constituída por duas penínsulas e cinco ilhas barreira, formando um labirinto de canais, esteiros, sapais, zonas de vasa e ilhotes; tem na sua largura máxima 6 km e durante a baixa-mar de marés vivas cerca de 80% do seu fundo fica a descoberto. A margem norte é entrecortada por pelo menos cinco ribeiros que devido ao clima mediterrânico em que praticamente não chove no Verão na região e só ocasionalmente regista volumes de água apreciáveis, contribuindo assim para o equilíbrio do ecossistema. A fraca renovação de águas oceânicas, a dragagem apenas dos canais de navegação que não dos demais é insuficiente para a oxigenação das águas e para manter a naturalidade dos sistemas ecológicos."

Ler mais.

segunda-feira, maio 25, 2009

Petição em defesa do Sitio Sicó

"O Sitio Sicó- – Alvaiázere Rede Natura 2000 (PTCON0045), está uma vez mais à beira de que seja aprovado outro atentado ao seu Património Ambiental, contrariando os acordos Comunitários sobre Ambiente e a Resolução do Conselho de Ministros nº 76/2000 5 de Julho.
Terminou no dia 27 de Abril de 2009 o prazo de consulta do processo de avaliação pública sobre a avaliação de impacte ambiental do projecto “Ampliação da área de exploração da pedreira nº 5257 – Penedos altos nº 4”.
Como cidadãos livres, informados e imparciais, longe de quaisquer interesses obscuros e de instrumentalização política, vimos através desta petição pedir a todos aqueles, residentes ou não, que gostam ou se interessam por esta bela região, que assinem e divulguem esta petição no sentido de impedir que o bem comum seja perdido a desfavor do bem privado."

Ler
mais.

domingo, maio 24, 2009

sábado, maio 23, 2009

Formação SIG Open Source

A Faunalia.pt organiza até ao final de 2009, um conjunto de acções de formação, em temáticas diversas na sua maioria Sistemas de Informação Geográfica (SIG), exclusivamente em Software "Open Source".

Faunalia.pt é uma empresa especializada em Ambiente, SIG e Web, exclusivamente Open Source e afiliada de Faunalia.it, uma empresa italiana com 8 anos de experiência que opera activamente na área dos Sistemas de Informação Geográfica e da Ecologia.

Até ao fim do ano estão agendados cursos de:
- Introdução aos SIG Livres (imagem em anexo)
- WebMapping (imagem em anexo)
- Linux: Utilização Desktop
- Bases de Dados Geográficas
- Integrado de QGIS/GRASS

Introdução aos SIG Livres WebMapping

Consulte o calendário de formação em:
http://www.faunalia.pt/formacao

Para inscrições utilize:
http://www.faunalia.pt/inscricao

Mais informação acerca das opções formativas da Faunalia.pt em:
http://www.faunalia.pt/cursos

Contactos:

E-Mail:
info@faunalia.pt
Web:
http://www.faunalia.pt/

Telemóveis: +351 939320104, +351 919957102, +351 967058216

sexta-feira, maio 22, 2009

Está tudo controlado...

Vidal: São Vicente, Braga, 22-05-09

Parece que em Braga existem cerca de 50 imóveis em risco. Diz-se que tal se verifica no centro. Centro da cidade ou centro histórico? Isto sem contar com os prédios da zona do Feira Nova e Lamaçães, que metem água literalmente por todos os lados. Mas isso é outra história. Entretanto já se deram duas derrocadas com vítimas. No espaço entre as duas, já alguns dos imóveis começaram a ser recuperados (a segunda derrocada ocorreu num destes últimos). O nosso preferido, situado perto do mercado, já por aqui e aqui várias vezes exposto, lá continua, no seu perigo de derrocada com uma garagem aberta ao público.
Na imagem, as costas da rua de São Vicente mostram o estado em que estão algumas das casas, coisa difícil de vislumbrar da parte da frente, e aliás, só possível, devido ao desbravamento e limpeza proporcionados por outras obras em curso numa rua perpendicular àquela.
Já agora, a pergunta impõe-se: e se ocorre, por exemplo um sismo, ou uma qualquer catástrofe natural? Não, não, isso apenas acontece aos outros.

Novo portal Naturlink

Clica para entrar"Associado ao Dia Internacional da Diversidade Biológica, que se assinala hoje dia 22 de Maio, lançámos uma nova versão do portal Naturlink http://www.naturlink.pt/ / http://naturlink.sapo.pt/ , com uma nova imagem, numa nova plataforma tecnológica e com novas funcionalidades multimédia. Cremos que estas inovações tornarão mais fácil, útil e agradável a navegação pelo largo repositório de informação e serviços que o portal vem acumulando desde o seu arranque inicial em Março de 2000.

Este lançamento está associado igualmente ao estabelecimento de uma parceria entre a Naturlink S.A. e a PT Comunicações, que torna o portal Naturlink no novo canal ambiental do portal Sapo (acessível também através do endereço http://naturlink.sapo.pt/ ), o qual garante a partir de agora o seu alojamento e promoção, continuando a Naturlink a garantir a produção, actualização e gestão dos seus conteúdos.

Ao tornar-se no canal ambiental do Sapo.pt, que é um dos 500 sites com mais tráfego no Mundo, o portal Naturlink adquire uma visibilidade acrescida, apostando a sua equipa editorial também numa actualização contínua dos seus conteúdos e destaques. A partir de agora, será dada uma maior ênfase ao longo do dia à actualidade ambiental e actualidade científica, continuando-se a dar a importância anterior à divulgação técnica e didáctica de temas ambientais. Também os canais de serviços, como a bolsa de emprego e a divulgação de eventos, terão uma actualização constante, aconselhando uma visita frequente ao portal.

Esperamos que apreciem esta renovação e contamos com a comunidade de utilizadores do portal para nos ajudar a tornar cada vez mais útil e agradável a experiência de navegação no Naturlink. Associado ao dia de hoje, sugerimos em particular a consulta do dossier temático sobre Biodiversidade, acessível directamente em http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=41&exmenuid=0 , composto por artigos de divulgação técnica e didácticos, artigos de opinião e entrevistas, acesso a documentos técnicos, conteúdos de bricolage ambiental, curiosidades sobre animais e plantas, galerias multimédia de vídeos, fotografias e sons da natureza."



Rui Borralho
NATURLINK
Rua Robalo Gouveia, nº 1-1A
1900-392 Lisboa
Portugal
tel: +351 21 7991100; fax: +351 21 7991119
http://www.naturlink.pt/
http://www.pluridoc.com/

Acção online de iniciação ao software SIG SuperMap Deskpro

"A GEOSFERA Lda. em parceria com a SuperMap está a organizar uma acção online de demonstração de algumas das principais funcionalidades de análise do programa SIG SuperMap Deskpro, intitulada “Acção Online de Iniciação ao software SIG SuperMap Deskpro” e convida todos os interessados a inscreverem-se para assistir à sua realização. A referida acção terá por data de realização os dias 2, 3 e 4 de Junho, com o início previsto para as 9 horas da manhã e terá a duração de 3 horas por dia. Esta será realizada numa plataforma e-learning (à distância), bastando para tal que assista à apresentação em tempo real dos exercícios demonstrativos das capacidades do software.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas a título pessoal ou em nome de instituições, sendo que no final da mesma serão passados certificados de presença. Para se inscrever envie um email para geosfera.comercial@geosfera.pt com os seus dados pessoais (nome, morada, actividade, instituição, contacto telefónico e email) ou preencha a ficha em anexo com os mesmos dados e remeta para geosfera.comercial@geosfera.pt.
Esta acção online foi concebida tanto para pessoas individuais como para instituições, sendo que todas as instruções pertinentes constam da ficha em anexo.

A GEOSFERA deseja que esta acção vá ao encontro das necessidades da comunidade que utiliza os sistemas de informação geográfica e aconselha que as inscrições sejam feitas o mais breve possível (até à data limite de dia 27 de Maio), dado que esta acção terá um máximo de 25 participantes.

Nota: Caso pretenda testar o SuperMap Deskpro ou inclusive repetir os exercícios de demonstração posteriormente à acção online, poderá fazer o download do programa na secção relativa à linha de produtos da SuperMap na página da GEOSFERA (http://www.geosfera.pt/) e instalá-lo posteriormente no seu computador. Deverá também descarregar a ficha de requisição de licença “trial” na mesma página, preenchê-la e remetê-la para geosfera.comercial@geosfera.pt, por forma a que possamos gerar uma licença de avaliação “trial” (com a duração de 30 dias) que lhe será posteriormente remetida por email."

GEOSFERA Lda

Drawing the future in GIS
geosfera.pt
Rua General Ferreira Martins, nº10, 8ºA
1495-137 Algés (Portugal)
Tel. 00351 211502004

quarta-feira, maio 20, 2009

"Todos juntos é que vamos mandar na terra"

Caros amigos,

Tendo tido conhecimento da iniciativa do Luis Avelar, de protestar em frente às instalações da EDP, em Lisboa, contra a campanha publicitária e enganosa [ler aqui] desta empresa, o Movimento Civico pela Linha do Tua não podia deixar de se solidarizar com esta acção e apelar a todos que tenham disponibilidade para o fazer, que se desloquem também para a Praça do Marquês de Pombal, amanhã, quarta-feira, dia 20 de Maio. Agradecemos, no entanto, que contactem previamente o Luis Avelar. Mais informações e contacto, seguem abaixo.

Em defesa da Linha do Tua, agradecemos a participação e a divulgação desta acção de protesto.

Atentamente,

Movimento Cívico pela Linha do Tua



NOTA DE IMPRENSA
(Embargo até às 00.00 de dia 20 de Maio (Quarta-feira)

Acção de protesto contra campanha EDP-Barragens
20 de Maio 9.00h às 13.00h

Procurando dar seguimento ao profundo descontentamento para com a inqualificável campanha da EDP-Barragens, irei, em nome individual, exercendo o meu dever de cidadania em defesa da conservação da Natureza, do meio Ambiente, realizar uma acção de protesto (com faixa) no dia 20 de Maio junto à entrada do "pólo de Sustentabilidade" da EDP na Praça Marquês de Pombal entre as 09.00 e as 13.00h.

"Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco"
Edmund Burke

Luis Cunha Avelar
961122437

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terça-feira, maio 19, 2009

Música das regiões - Mediterrâneo (cont.)

E, recompensando-vos pela espera do inquérito (ler ou reler aqui), prosseguimos com o nosso périplo musical pelo Mediterrâneo.
Hoje trazemos mais três propostas. Para vos enriquecer e surpreender.


Lembramo-vos que para ouvir as músicas basta pô-las a reproduzir na AntenaGEO, a caixa de música do Georden, que podeis encontrar à esquerda, um pouco mais abaixo.


Intérprete: Souad Massi
Origem: Argélia
Tema: Ghir Enta
Extraído do álbum "Deb", de 2003

Souad Massi é uma jovem argelina (nascida a 23 de Agosto de 1972) que cresceu a ouvir música, uma escola recebida no ambiente familiar. A própria cita a veterana cantora estadunidense Emmylou Harris como uma das suas maiores influências. Mas é mais com uma fusão do flamenco andaluz e da chanson francesa moderna que Souad nos traz os ares da música tradicional do seu país. Ouçam-na.


Intérprete: Orphaned Land
Origem: Israel
Tema: El Meod Na'Ala
Extraído do álbum "El Norra Alila", de 1996

Ao trazermos cá os israelitas Orphaned Land queremos demonstrar que os estilos musicais internacionalizados e exportados - o metal, neste caso - não têm necessariamente que apagar ou fazer tábua rasa das características musicais locais. Essa simbiose é, aliás, o que lhe faz ganhar interesse e sentido. Esta pequena amostra do seu death metal folclórico vai concerteza surpreender-vos.


Intérprete: Selda Bağcan
Origem: Turquia
Tema: Bundan Sonra
Extraído do álbum "Vurulduk Ey Halkim Unutma Bizi", de 1975

Selda Bağcan vai já com quase 40 anos de gravações (o seu álbum mais recente data de 2008). Nome incontornável na canção turca, (basta dizer que os seus primeiros dois singles, editados em 1971, venderam um milhão de cópias), desde cedo Selda fundiu o carácter vincadamente tradicional da sua música com uma instrumentação mais ocidentalizada (guitarra eléctrica, teclados, bateria). Isso confere ainda mais força e expressividade à sua voz trémula, comovente e já de si poderosa. Para os que lhe ficarem rendidos acrescentamos que este seu primeiro álbum e o segundo, do ano seguinte, foram reeditados por editoras não-turcas (em 2005 e 2006, respectivamente).

quinta-feira, maio 14, 2009

Eles é que mandam (I)



Vêde como nos manipulam a cabeça dos milhões de telespectadores portugueses com a construção de uma peça idílica, suave, com musiquinha a condizer com a vida que os altos gestores gostam de ouvir.

"Na EDP, cuidar do meio-ambiente (1), proteger as espécies em extinção (2) e melhorar a qualidade de vida das pessoas (3) faz parte da nossa missão."

Legenda:

(1) - Mentira sem vergonha.
(2) - Estão a brincar, não?.
(3) - Enorme treta (ou "carece de especificação").


O Movimento Cívico pela Linha do Tua emitiu ontem o seu comunicado (clique para ler) em resposta à publicação da Declaração de Impacto Ambiental da Barragem do Tua.

Segundo o mesmo, "O Estudo de Impacte Ambiental, que conclui da forma mais categórica possível que a barragem trará “impactes muito negativos ao nível da economia local, em particular para agricultura e agro-indústria, com repercussões também muito negativas ao nível do emprego e dos movimentos e estrutura da população”, numa região que “não facilita o estabelecimento de percursos tradicionais de transporte colectivo rodoviário".

Mais, com a barragem "vai-se destruir um património ferroviário e paisagístico único que tem um contributo fundamental para a economia de uma região já muito marginalizada. (...) São estas paisagens, e não as associadas a mais uma albufeira como tantas outras, que têm a capacidade de potenciar o turismo e o emprego na região." (do comunicado do BE)

Como é da natureza intrínseca do modelo de "desenvolvimento" capitalista, que apenas cresce baseado nas desigualdades (económicas, em primeiro lugar; depois tudo o resto vem por arrasto, até cadáveres), é tudo a remar prò mesmo lado, esvaziando de poder de decisão, de fixação e de atracção as regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos do litoral.

Portanto, a enorme mentira (3) cai por terra. A não ser que com "pessoas" estejam a referir-se aos accionistas da empresa. Os que não contam seriam, por conseguinte, mais umas bestas que nem já carga sabem levar.

Mas há mais, o tal desenvolvimento que professam, tal como já o dissemos em relação à barragem do Sabor (recorde-o aqui), com a contribuição que dá à produção energética nacional - um ridículo número de 0,5%! - estou mesmo a ver que vai chegar às populações directamente afectadas.

"Que desenvolvimento advirá para a região, quando edis como o de Montalegre e de Miranda do Douro, com 5 e 2 barragens respectivamente, não recebem da EDP nem o suficiente para pagar a iluminação pública dos seus concelhos? Como poderá o Turismo sair beneficiado com mais outro espelho de água e com a perda de valores genuínos e únicos?"

Portanto, o ponto (3) é indefensável.

Mas também as mentiras vergonhosas, grosseiras e ofensivas dos pontos (1) e (2) (protecção do meio-ambiente e das espécies em extinção) não têm qualquer sustentação:

"Que medidas poderão proteger da extinção os 19% de espécies de vertebrados e as 14 espécies de aves presentes no Tua com estatuto de ameaçados, e da destruição os habitats de leito de cheia, que agregam 20% das espécies RELAPE de Trás-os-Montes?

Uma das mais basilares opções de desenvolvimento sustentável é a da defesa dos habitats. É lá que os seres vivem. Sim, e isso inclui-nos. Sem habitats - como não perceber este argumento gritantemente óbvio?? - não há possibilidade de vida.

Com as barragens e grandes extensões de habitats submersos há destruição de tudo isso. Sim, pode haver adaptação de alguns seres vivos. Mas não queiramos comparar uma adaptação biológica obrigatoriamente repentina com o tempo de evolução que as espécies tiveram de percorrer para chegarem ali - ao seu estádio de desenvolvimento - e até aos nossos dias.

Arrumados que ficam os pontos (1) e (2) pergunto-me ainda porque se referem a "espécies em extinção"? Haverá alguma relação entre as obras da EDP e o triste "estatuto" dessas espécies?

Uma última anedota é a que sempre vem associada a estas opressões: o número de 75 anos de gestão das reservas da água por parte da EDP. 75 anos...

Sem mais comentários.

Eles (a minoria) é que mandam
e nós (a maioria) é que temos de suportar.

quarta-feira, maio 13, 2009

VII Congresso da Geografia Portuguesa



Caro(a) Associado(a):


VII CONGRESSO DA GEOGRAFIA PORTUGUESA - TRUNFOS DE UMA GEOGRAFIA ACTIVA - Desenvolvimento local, ambiente, ordenamento e tecnologia

Coimbra | Auditório da Reitoria | 26 a 28 de Novembro de 2009|


Está disponível no nosso site, informação actualizada sobre submissão de Resumos | Poster | Comunicações

Chamamos a atenção para a alteração do prazo de envio dos resumos que termina a 30 de Maio.


Ver formulário para envio de resumos
Ver Datas Importantes

Lembramos também que poderá proceder à sua inscrição online.

Participe!

Associação Portuguesa de Geógrafos - APG
Instituto de Ciências Sociais - Universidade de Lisboa - ICS
Av. Professor Aníbal Bettencourt, n.º 9
1600-189 Lisboa
http://www.apgeo.pt/

Difundido via correio-e

sábado, maio 09, 2009

Deixemo-nos de hipocrisia!

O Parlamento Europeu aprovou na passada terça-feira, dia 5 de Maio, a proibição de comercialização de produtos e subprodutos de foca.

Com excepções, a nova legislação proíbe já a partir de 2010, a importação das matérias-primas provenientes das focas, usadas na indústria farmacêutica, dos cosméticos e sobretudo do vestuário.
(Em 1972 (!), os EUA interditaram todos os produtos de foca.
Em 2009, a Europa ainda hesita!)


O governo canadiano entende esta medida como uma "declaração de guerra" à sua economia.

Quantos milhares de vezes esta foto ficou por tirar?
Retirada daqui.


E lá vêm eles queixar-se com as mordaças do costume (não é propriedade nossa, este argumento...):

"Isto vai afectar sobretudo os Inuïts e criar muito desemprego"

A mesma entrevistada disse também (ouvi e vi num telejornal da TV5):

"Isto só revela uma profunda ignorância..."

Mas - salvaguardadas as excepções mencionadas - quanta lata!!!
Ler aqui o sem-pejo...

Espécie em extinção, massacrada e morta aos milhares, de forma bárbara, romana ou nazi, como preferirem... e ainda vêm dizer aquilo??


É isto que nos temos recusado a aprender.
E voltamos a insistir:

Se está errado o que fazemos, e face à concepção de desenvolvimento que defendemos, sustentável e com respeito pela Natureza, não temos dúvidas nenhumas de que a mortandade de focas da qual apenas temos vaga ideia está errada, então... temos de mudar.
Temos de mudar.


Mudar!


Se sabemos qual o caminho a seguir, muito bem: encaixemos no caminho e poupemos tempo.
Se não soubermos, vamos, sem outra hipótese que não continuarmos reduzidos a ratinhos de laboratório, agindo às cegas, sem consciência, por tentativa e erro, até encontrarmos o melhor caminho rumo a um queijo mais saudável.


Tem que ver com a relação que mantemos com o que nos mantém.
Tem que ver com a concepção da vida que queremos levar.



É um grande passo para os valores que sempre foram do futuro, a vitória de uma luta com décadas.

sexta-feira, maio 08, 2009

Por falar em oceanos II




Sobre a proposta de alargamento da soberania náutica de Portugal.


A cartografia ia, ou ainda vai ser, apresentada por um destes dias.
Apesar de ter sido notícia ontem e hoje, são muito escassas, ou difíceis de achar, as referências ao assunto. Temos por exemplo esta, do ano passado.

Bem, a relevância a estas coisas nos média é sempre enorme, como a notícia, já aqui trazida, sobre o perdão das multas aos poluidores: é uma caixinha com meia-dúzia de palavras na imprensa, ou um rodapé no telejornal... e é mais que suficiente!
...
Adiante.

Imagem: GoogleMaps + Legenda do famoso mapa.
Adaptada por Eduardo F.



Acabo de ouvir na Sic Notícias o Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, João António da Costa Mira Gomes, dizer que a área que supostamente "nos cabe" equivale a 40 vezes a do território nacional.
40 vezes!!

Entre outras coisas que disse (reclamando a "nossa autoridade no cumprimento dos prazos para apresentar esta proposta nas Nações Unidas - a Austrália, para uma área idêntica, precisou de dez anos" (!!); e que muitos medicamentos provêm de animais e plantas do fundo do mar), e a que não damos interesse nenhum, porque devemos ter já a cabeça nos petróleos e nas massas que então imediatamente passarão a estar em nossa posse, os velhinhos do Restelo, tão sossegadinhos, logo sobem ao palco.
Eis o tom do que parecem estar a papaguear:

"Boa! Assim Portugal vai ter mais espécies em extinção que era sua responsabilidade ter protegido."

ou

"Porreiro, pá! Da maneira como temos gerido os recursos naturais, Portugal poderá almejar chegar aos calcanhares de um Brasil ou um qualquer país com floresta tropical."

--------

Achamos óptimo retomar a questão da importância dos oceanos e também que essa gigantesca área de todos e de ninguém seja administrada. No entanto, devemos encará-los como recurso comum, sem fronteiras, cuja boa ou má gestão implica com todos os seres do planeta. E porque a Natureza, parafraseando o poeta, "quis que o mar unisse, já não separasse", assim deve ser gerido. Desta forma, e não devendo ser doutra, é pertinente a reflexão:

Será que Portugal pode fazer melhor que a Autoridade Internacional dos Fundos Marítimos?


Também relacionado, propomos a (re)leitura deste artigo.

quinta-feira, maio 07, 2009

Catástrofe gota a gota

Aos pouquinhos. Ou não.
Por aqui e por ali. Ou um pouco por todo o lado...

Noticiado hoje (e transcrevemos):

"Bogotá
A época das chuvas na Colômbia, que começou em Março, causou até agora 45 mortos, 45 feridos, três desaparecidos e 104 mil desalojados.

18.205 famílias afectadas, 998 casas destruídas e 18.205 habitações danificadas, acrescentam fontes governamentais.

Os casos mais trágicos foram causados por inundações, deslizamentos e vendavais.
Segundo o Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais, este período de chuvas prolonga-se até meados de Junho.

No vizinho Brasil, as chuvas já mataram 32 pessoas e deixaram cerca de 200 mil pessoas sem casa."


Longe de H1N1, de CR7's, de Taxas de Juro em 1%, etc. e sem outra hipótese, somemos, pois, as vítimas mortais e continuemos a dar de comer à catástrofe.
Gota a gota, migalha a migalha.

terça-feira, maio 05, 2009

Aperta, aperta com eles?

Segundo um canal televisivo (notícia muito rápida), parece que o governo se apresta para diminuir as multas por danos ambientais (creio que foi assim dito), em alguns casos em 85%. Mais, os senhores e senhoras que se “mostrem” profundamente arrependidos poderão mesmo obter o perdão. Perdão, diga lá outra vez?

Música das regiões - Inquérito

Pois é, acabou por demorar bem mais que o esperado.

O último inquérito que o Georden vos propôs, Que prendas musicais querem ouvir na AntenaGeo?, obteve poucas votações.
Mas quem votou merece as ditas prendas.
E iremos compensar-vos pela demora.

A opção vencedora foi Música por regiões, com 45% dos votos.

Portanto, a partir de hoje partiremos à descoberta dos sons que fazem a nossa riqueza musical comum.
As 3 primeiras canções, a vaguear em torno do Mediterrâneo, estão já na AntenaGeo.


Intérprete: Miquela Lladó
Origem: Espanha (Mallorca)
Tema: El Cant dels Ocells
Extraído do álbum "Com un Ventall", de 2004

O percurso de Miquela Lladó começou nos anos 60, tendo gravado um (belíssimo!) Ep em 67. Andou um bocado afastada da música (é professora de Inglês), mas teve alguns projectos durante os anos 80. Com um deles, os Música Nostra, esteve em Guimarães em meados dos anos 90 (nos Encontros Musicais de Tradição Europeia, iniciativa valiosa que, por falta de fundos, nos roubou muita boa música...). Em 2004, Miquela voltou a gravar em nome próprio. Ou seja, 37 anos depois o seu segundo disco. Um regresso muito feliz. Para ouvir, temos uma canção popular, não da sua Maiorca natal, mas da Catalunha.


Intérprete: Haris Alexiou
Origem: Grécia
Tema: Ta Stafulakia
Extraído do álbum "Vussino kai Nerantzi", de 2006

Praticamente desconhecida fora de portas, Haris Alexiou é uma das cantoras gregas mais importantes da chamada "Rembetika", estilo popular "notado" a partir da década de 1930 e que nos anos 80 recebeu novo impulso. Alexiou, voz de fogo detentora de uma já extensa discografia, em muito contribuiu para a popularidade do género. Com o primeiro álbum a solo em 1975, tem colaborado com os maiores músicos e cantores helénicos. E continua.


Intérprete: Amina Alaoui
Origem: Marrocos
Tema: Ya man Lahou
Extraído do álbum "Alcantara", de 1998

Apesar de o seu primeiro disco em nome próprio ser relativamente recente, Amina Alaoui leva já uma longa carreira na música, tendo-se iniciado no canto desde os seis anos de idade.
O álbum Alcantara, em que nos traz repertório árabo-andaluz, foi considerado o melhor disco de folk de 1998 pelo site da Amazon.com. Ler mais


Desfrutem.
Haverá mais.

segunda-feira, maio 04, 2009

A aritmética da catástrofe (II)

Desconheço se hoje chove menos que há 100 anos. Ou, tanto quanto os climatologistas poderão dizer-nos, se chove hoje menos que desde os primeiros registos meteorológicos.

Mas o que quer dizer chover menos?
Antes de mais, tenho de precisar que me refiro à quantidade de precipitação total, isto é, no mundo inteiro. Se é que é possível calculá-la.

Ora, as abcissas estão definidas: tempo (os dois momentos: início dos registos e registos de hoje) e espaço (mundo inteiro).

Grande empresa sabê-lo, certo?
Pois o que nos têm dito é que aqui chove menos que o que chovia, que ali já não neva há tantos dias ou anos, que acolá o bioma mudou, ou etc., etc.

(Desculpem estar a maçar-vos com esta epistemologia da treta. Trata-se de reflectir em termos puramente filosóficos. E perceberão que de mais aritméticas não precisamos para chegar à catástrofe.)

Ora, mas suponho que o tamanho da nossa hidrosfera (mares, lençóis, glaciares, rios, nuvens) se tem mantido igual. Pelo menos desde a formação dos oceanos. Espero não estar a dizer uma asneira gigantesca, mas corrijam-me para eu saber quão errada é a minha suposição.

Portanto, se aceitarmos esta premissa, a quantidade de água tem sido sempre a mesma.

Atenção: não estou a deter-me no espaço (volume) que essa água ocupa no globo, pois sabemos do devir climático ao longo da história da Terra. E sabemos que o gelo ocupa mais volume que a mesma quantidade de água que pode originá-lo.

Simplisticamente, a equação desse devir resume-se a isto:
Climas mais frios = mais gelo = menos água (no estado líquido, entenda-se).
Tal implicou uma maior área continental descoberta que a que hoje temos.

E é aqui que quero chegar: a área continental.

Se enchêssemos um copo com água, estranho seria se ela se sumisse. Podia estar furado, sim.
Bem, em condições normais, a água acumulava-se até cima (óbvio: falou-se em encher o copo...).

Isto, simplesmente, porque "os átomos da substância de que é feito o copo têm uma estrutura mais unida que os da molécula água". Vulgo, (o copo, de vidro, de plástico...) é impermeável. É assim que eles são feitos, para desempenharem essa função.

Já um pedaço de terra pode comportar-se de maneira distinta. Tal como quando regamos um vaso (com plantas...), a água vai-se sumindo. Importante é não deitar demasiada água de uma vez - temos de dar tempo para que ela se infiltre.

Imaginem agora este simples gesto feito num vaso sem plantas e que, em vez de terra (solo: matéria orgânica + ar + matéria mineral), tenha areia.
Normalmente os vasos dispõem de um buraco, para o excesso de água não ficar a apodrecer as raízes. Ora, sem estar muito calor, será apenas uma questão de tempo para que a água que desaparece da nossa vista atravesse a areia e saia pelo orifício.

Frustrante, não é?
Conclusão: a areia não retém a água.

O que é que melhor retêm a água?
Os seres vivos. As árvores, por exemplo. Das quais costumo dizer, a brincar, que são concentrações de água na vertical. Com grande utilidade. Para todos.
(Esqueçamos por ora as guerrinhas dos agricultores aos sorvedouros de água que são os eucaliptos, etc.)

...

Mas afinal de que catástrofe é que estamos a falar?

Recuperemos as "obras" listadas na primeira parte deste artigo.
Atribuamos a cada uma delas uma medida de superfície. Pode até ser um centímetro quadrado. Não interessa. E o pior é que cada caso corresponde a bem mais que essa medida. Depois basta-nos multiplicar cada caso pela frequência com que os vemos acontecer à nossa volta.

Cada "obra" por um lado, retira e reduz áreas de infiltração e/ou, por outro, aumenta áreas de escorrência.
Cada árvore derrubada é menos um certo volume de água retida.
Cada incêndio ocorrido é mais um certo volume de água perdida.

A água que cai no telhado não fica no telhado.
A água que cai nas estradas não fica nas estradas.
E por aí fora...

"Oh! Mas estamos a falar de coisas insignificantes!"

Sim, mas quem poderá negar que uma pedra atirada ao mar não o obriga a dilatar a sua área?

Bem sabemos de certas dificuldades do nosso pensamento para certos raciocínios (como por exemplo pensar em termos geométricos). Mas este parece-me um bê-á-bá grosseiro. É lógico.

Conclusão das conclusões:
A tal mesma água que existe tem menos área onde ficar. Cada vez menos área. E isto é quantificável. Cada país que calcule as suas perdas.

Para onde vai a água então?
Resposta: vai para onde puder.

Consequência necessária:
Acumula-se. Seja nos rios, seja no mar, seja nas nuvens, seja nas barragens...
E, por conseguinte, quando algo está acumulado, não está distribuído.

Daí as monções e as cheias catastróficas, nuns lados, e os desertos, noutros.

"Ah! As coisas não são assim tão simples!"

Pois não. Claro que não.
Talvez por isso continuemos a "atirar pedras ao mar".

domingo, maio 03, 2009

Em Mangualde

O Movimento Cívico "Filhos da Terra" é constituído por indivíduos nascidos e crescidos no concelho de Mangualde que por motivos profissionais se encontram mais ou menos ausentes - condição que lhes permite ver com outros olhos a cidade e o seu desenvolvimento - mas que possuem uma experiência profissional e uma perspectiva pessoal e sectorial que querem colocar ao serviço da comunidade. O movimento pretende afirmar-se como um contributo de cidadania e tem por objectivo despertar o interesse da comunidade local através das suas acções pela procura de alternativas e soluções para os problemas locais. É um movimento apartidário, não apoia o poder nem pretende fazer oposição e encontra-se aberto a todos os mangualdenses que queiram participar.

Na sequência do primeiro evento realizado já em 2005 este movimento está preparar o 2.º colóquio "Contributos para o Diálogo" que irá decorrer no próximo dia 9 de Maio, pelas 14:30 na Biblioteca Municipal de Mangualde, tendo como oradores os seguintes convidados:

4 Diamantino Costa - Filho da Terra, Mestre em Engenharia Informática e Arquitectura de Sistemas de Computadores, Vice-Presidente Executivo da Critical Software: "A importância da educação no ecossistema das empresas de base tecnológica";

4 Paulo Peixoto - Filho da Terra, Doutorado em Sociologia, Professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais: "Ciclos políticos e económicos do desenvolvimento local";

4 Rui Gama - Doutorado em Geografia, Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Investigador do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território: "Transformações sócio-económicas e territoriais num contexto de globalização - Mangualde: dos anos oitenta à actualidade";

4 Ricardo Fernandes -Doutorando em Geografia, investigador no Instituto de Estudos Geográficos: "Territórios inteligentes e criatividade: Estratégias de desenvolvimento e marketing territorial em territórios urbanos de baixa densidade".

Objectivamente, pretende-se mostrar através desta iniciativa, vias alternativas de pensamento e de acção, apoiadas em testemunhos de quem possui outras experiências, que nos ajudem a traçar os caminhos do futuro da nossa terra. O debate que se seguirá apresenta-se como um meio de aumentar a participação dos cidadãos locais que terão a oportunidade de expor os seus pontos de vista e dialogar com os oradores intervenientes. Nesse sentido, é com imenso gosto que vimos deste modo convidar V. Exa. a participar no evento.

Desta forma pensamos estar garantida a nossa contribuição para a inscrição de determinadas temáticas e preocupações nas estratégias de quem nos vier a governar e incentivar a sociedade civil a participar activamente em prol do desenvolvimento e da melhoria da qualidade de vida na nossa cidade.

Difundido via correio-e.

sábado, maio 02, 2009

Olhos maduros



Há muitas vezes, no discurso publicado, entre a rigidez e a missão de nos "in-formar" (de nos manipular), certos erros que prendem a nossa atenção. Deliberados, para nos condicionar o pensamento, ou por desleixo, o comunicador (texto, pessoa, locutor) continua a falar para nós mas... ALTO! já lá não estamos.

Aquela palavrinha levou-nos para outras paragens.

Costuma acontecer-me quando nos telejornais se põem a falar, como é hábito, de assuntos cuja captação não é da sua responsabilidade (por exemplo, aqueles "diversos" que sempre acabam por vir das grandes cadeias de televisão. E nós, pequeninos, sem correspondentes nem repórters, e com escassos meios de fazermos esse trabalho por nós, limitamo-nos a ser correias de transmissão do que veio lá dos "altos poderes"). Ora, nesse processo de "adaptação / transição" costuma haver uma palavrinha que... humm... não soou lá muito bem. Sim, estou a falar de erros de tradução, de palavras que, na mesma frase, não costumamos empregar (substituimo-la por outra), ou de erros de concordância - e pensamos...

- Pronto, já te descobri a careca:
estás a ler um texto traduzido.

É aí que deixamos de prestar atenção ao embalo e à musiquinha que estavam a dar-nos e o pensamento se desprende, descola do plano.

Estes são os casos de desleixo. E por oposição vemos que todos os esforços se concentravam em fazer-nos engolir o bolo, de princípio ao fim, sem o notarmos. Mas... aquela palavrinha fez falhar todo o processo.

Outros casos há que são deliberados e dependem muito da inteligência de quem comunica. Faz parte da intenção do comunicador pôr ali aquele perlimpimpim, aquele adjectivo, aquela entoação... para nos fazer pensar. É deliberada a intenção de nos fazer reflectir.

Ora, como já deveis ter percebido, é destes casos que me interessam. São posturas extremamente didácticas que furam o esquema dos média, com e através dos próprios média. E com isto espero não estar a deixar cair esta estratégia nas mãos do inimigo, ao ponto de um dia nos inquirirem sobre a palavra mais insignificante que tenhamos proferido. Assim, à maneira de um "1984".

Daqui o vídeo que vos trouxemos.
Faz-nos pensar. Isso já é muito.

Para o mundo de consumir, muitos mundos estão a montante. Sobre os quais raramente reflectimos.

Podemos perguntar-nos, com atitude patriota ou não ("consumo o que é nosso"), de onde vem aquilo que vamos comer. Mas pouco mais podemos saber, no imediato, sobre "o que está por trás".

Mas o mais importante da pergunta "de onde vem?" é, não necessariamente o lugar, mas o "como chegou até aqui?", o "o que foi preciso, quantos custos ambientais e sociais, para isto chegar até aqui".

É possível ver mais além do reduzido ponto de vista que necessariamente temos. É possível, e estas formas amadurecem-nos o olhar.


A propósito de tomate, uma vez vi um documentário italiano a falar de um dos rios mais poluídos da Europa. Não me lembro agora de qual, mas esse rio, todos os dias levava com toneladas de águas de lavagens de tomate para conservar em lata. E que esses detritos até se viam na foz, nas profundezas do mar.

Fica a reflexão.

(Ah, se alguém souber de que rio italiano (drenava para o Mediterrâneo) se trata, por favor, que "nos informe". Obrigado.)

sexta-feira, maio 01, 2009

No 1º de Maio em Braga: procura-se trabalho e vende-se baratinho

Vidal: Braga: Abril, Maio, Junho...

Dia do Trabalhador?

A aritmética da catástrofe (I)

Uma das ilusões criadas pela globalização económico-mediático-cultural-blá-blá-blá é pôr-nos a olhar para longe e descurar o que está aqui ao pé, que é, pese a nossa megalomania, onde podemos actuar com mais controlo e onde há maior possibilidade de resultados.

Não espanta, por isso, que os que conduzem essa mesma globalização se empenhem tanto em nos chatear a cabeça com "o longínquo". Sabem muito bem que só instigarão em nós o sentimento de impotência, fracasso e resignação. No fundo, as anti-forças do nivelamento universal que insistem em puxar-nos sempre para baixo, para o fundo, para que tudo continue a ser e estar como sempre tem sido e estado: nas mesmas mãos.


Um desses exemplos é quando se põem a gritar, quais cabeças de altifalantes, sobre a destruição da Amazónia. Que por dia não sei quantos campos de futebol são arrasados. Ou que em não sei que período vai à vida uma área do tamanho da Bélgica etc. e tal.

E nós, armados em JFKs de altifalantes sem pilhas, dizemos, solidariamente:
"Nós também somos amazónicos".

No entanto, na nossa pequenez, na nossa pequenez de grãos de milho, grão a grão vamos alimentando a congestão da galinha estéril.

Foto de Eduardo F., Braga, 23.03.2008

Basta olhar à nossa volta, no nosso dia-a-dia. Estando ou não nós em tempo de autárquicas (sintoma péssimo do estado da nossa democraciazinha é associarmos imeadiatamente tempo de eleições a intervenções nos nossos burgos - e com intervenções, entendam-se obras a que costumam apelidar públicas (mais as autarquias) ou ainda de interesse público (mais o governo central), é ir vendo como, aos poucos, o nosso espaço mais próximo vai sendo alterado.

Uma coisa é sabida (mas raramente sistematizada): como a água do lavatório após retirarmos o ralo, 99,9% das obras que se fazem conduzem sempre ao mesmo de que viemos hoje aqui falar.

Proponho um exercício que muito divertirá o caro leitor. Mesmo sem dados concretos (que a matemática dá-nos cabo do juízo), pense então em:

cada parque de estacionamento alcatroado,
cada linha férrea construída,
cada auto-estrada alargada,
cada estrada rasgada,
cada incêndio ocorrido,
cada solo esgotado e tornado areia,
cada estufa montada,
cada átrio de igreja calcetado,
cada loteamento que aguarda,
cada campo de futebol coberto,
cada campo de golfe jogável,
cada telhado pronto,
cada centro comercial aberto,
cada árvore cortada,
cada bloco de pedra extraída,
cada área agrícola convertida em temos sabido bem o quê,
cada heliporto à espera,
cada prédio erguido,
cada retrocesso da linha de costa,
cada deposição de inertes,
cada aterro hermeticamente selado,
cada cidade que se expande,
cada margem de rio artificializada,
cada jardim público que se perde,
...

Pense nestes e em muitos mais exemplos.
Não sei se já nos apercebemos, qual exercício infantil para desenvolver as nossas capacidades cognitivas, no que têm todos eles em comum.


Vá lá, pensemos mais um bocadinho.
Pense na / numa consequência que todos eles têm...

Aceitam-se palpites e sugestões (nos comentários).

Segunda-feira voltaremos a esta aritmética da catástrofe.