quarta-feira, outubro 26, 2011

Para hoje há...



Mais previsões e ideias sobre os modelos usados em ESTOFEX.

segunda-feira, outubro 24, 2011

A Natureza é assim



Desabamento de parte de arriba na Cornualha, às 5 da tarde de 6ª feira, 23 de Setembro de 2011.

sábado, outubro 22, 2011

O que os Cepos não nos fazem saber sobre o PNB

Plano Nacional de Barragens

1. O total das 10 barragens deste Plano (duas delas já foram anuladas) produziria o equivalente a 3,2% da energia consumida em 2009 (em condições hidrológicas favoráveis), insuficiente sequer para cobrir o aumento do consumo entre 2009 e 2010 que foi de 4,7%;

2. O investimento neste Plano não vai ser Privado, mas sim PÚBLICO: o total anual de subsídios do Estado à produção de energia eléctrica vai valer às concessionárias 48 milhões de euros por ano – muito além do que estas terão de pagar pelos direitos de exploração das novas barragens – para além do que o Estado irá garantir às concessionárias 30% das receitas sobre a produção de cada barragem, tornando este Plano na 3ª Parceria Público Privada mais cara de sempre;

3. Os encargos totais a pagar pelos consumidores e contribuintes portugueses chegará aos 16 mil milhões de euros (o TGV Lisboa – Madrid, recentemente anulado, custaria 1,7 mil milhões de euros), o que significa que cada família terá de pagar € 4.800 para financiar esta loucura, ou o correspondente a um aumento contínuo da tarifa de electricidade de 10%;

4. O potencial de poupança de energia eléctrica chega aos 12,6 TW/h/ano, o que se conseguiria atingir a um custo 10 vezes menor ao deste Plano, o qual no conjunto só atinge a fasquia de 1,7 TW/h/ano de produção de energia eléctrica (sete vezes menos que o potencial de poupança de energia eléctrica);

5. O reforço de potência da barragem da Venda Nova consegue um período de funcionamento 65% maior, a um investimento comparativamente menor de 58%, e produzir o equivalente a 77% de todo o conjunto de 10 novas barragens do Plano Nacional de Barragens (existem mais barragens a receber reforços de potência em Portugal);

6. O país tem instalados 16.736 MW de potência, enquanto nos picos de procura necessita apenas de 9.000 MW;

7. A capacidade de bombagem das barragens existentes, 2507 MW, já é superior ao necessário para manter a gestão e equilíbrio da rede eléctrica nacional;

8. Considerando a relação entre bombagem reversível, perdas nas turbinas e geradores, e o consumo de energia de origem eólica, o total destas barragens irá na verdade acrescentar ZERO energia na rede;

9. O turismo ecológico e cultural (proposto já para o vale e a Linha do Tua em projectos concretos) gera 11 vezes mais postos de trabalho por milhão de euros investido, que a construção de uma barragem, sendo que a maior parte das grandes barragens de Portugal foi implantada nas regiões mais pobres, contribuindo ainda mais para o despovoamento e depressão socio-económica;

10. A navegabilidade do Douro entre a foz do Tua e a barragem da Valeira (rio Douro) será posta em causa com a barragem do Tua, o que em última análise significará a interrupção definitiva dos cruzeiros do Douro até ao Pocinho e Barca d’Alva, na fronteira espanhola. Para além disso, tanto o paredão como todos os edifícios e construções anexas à barragem e linhas de alta tensão estarão situadas dentro da área classificada pela UNESCO como Douro Vinhateiro Património da Humanidade, o que poderá levar à sua imediata desclassificação.


Mais informações no FB:

quinta-feira, outubro 20, 2011

Cepos Infiltrados. Em nome do Estado, dizem-nos

Continuamos a ser nós quem os infiltramos (vulgo pomos) a comandar o Estado.

Eles não são o Estado. O Estado somos nós.
Eles são o contrário do Estado, pois só o usam para aproveitar a minorias.
Eu nunca votei nas empresas que comandam o Estado.
E enquanto assim for temos toda a legitimidade democrática - tal como aqueles que a invocam para terem ido para lá dizer que nos representam - para os derrubar. Pelo protesto. Pelo voto. Ou pela violência.

Ai a violência retira-nos a legitimidade?
Pois.... E que nome se dá ao que nos faz sofrer na pele a pobreza calculada e decidida?



Fraude no Plano Nacional de barragens, segundo o Biosfera, RTP2, de 12 de Outubro de 2011: (YouTube 22:42)
(1) A EDP, a Iberdrola e a Endesa vão receber anualmente 49 milhões de euros apesar das 10 barragens previstas irem produzir 0% de energia líquida, o que representa 16.000 milhões de euros, um aumento de 10% na factura de electricidade nos próximos anos;
(2) as barragens compram energia eólica de madrugada, tendencialmente a custo zero, e depois vendem-na ao consumidor a 9,5 cêntimos kW/h;
(3) o Governo prepara-se para subsidiar os produtores de energia em 20 milhões de euros por megawatt instalado, mesmo que nunca produzam nada, o que representa 49 milhões de euros por ano;
(4) 33,4% do valor da factura eléctrica representam apoios recebidos do Estado, sendo as energias fósseis as que comem a maior fatia deste bolo;
(5) o distrito de Bragança nada lucrou com as duas barragens que já tem, Miranda do Douro nada lucrou, o que recebe nem dá para pagar a iluminação do concelho, por isso não vai lucrar nada com as futuras barragens;
(6) as barragens servem acima de tudo para viabilizar a energia eólica;
(7) a potência instalada nas barragens já existentes ultrapassa a energia necessária para instalar o sistema de bombagem que dizem que é preciso instalar nas futuras barragens;
(8) o caderno de encargos do Plano Nacional de Barragens previa uma certa potência mas depois os valores contratados revelaram-se muito maiores do que os que constam do caderno de encargos, o que significa que as concessionárias não vão produzir mais energia porque, de facto, não precisamos de mais energia;
(9) o Plano Nacional de Barragens não passou de uma negociata para sacar o máximo de dinheiro ao Estado através do subsídio de garantia de potência.


Via Ondas3

terça-feira, outubro 18, 2011

Cepos e companhia

«Quase três vezes o défice de Portugal é quanto o Estado vai pagar à EDP e à Iberdrola, as concessionárias das futuras barragens na bacia do Douro, durante os próximos 70 anos.

Um “desastre económico, social e ambiental”, que é como define uma dezena de grupos ecologistas e locais que enviaram à ‘troika’ um estudo que demonstra por que é que o “Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) deveria ser imediatamente suspenso e revogado”.

As concessionárias das futuras barragens vão produzir “metade da energia prevista” no plano, com o dobro do investimento pedido, mediante o pagamento anual de um subsídio do Estado de 49 milhões de euros e ainda de 20 mil euros por megawatt produzido, assegurado pela lei da “Garantia de Potência”, que o ex-ministro Mira Amaral apelidou de “escandalosa” e recomendou “acabar, sob pena de ficar inviabilizada qualquer recuperação económica do país”.

“Isto é uma fraude sobre o Estado e sobre os cidadãos portugueses”, resume João Joanaz de Melo, presidente do GEOTA, um dos signatários da missiva à ‘troika’ e autores do estudo, que aguarda a sensatez vinda de fora para salvar o país.

“Positivo é o facto de ainda ninguém ter desmentido a nossa exposição, a ‘troika’ já ter começado a questionar o Governo sobre as barragens e o actual Ministério da Economia e o do Ambiente terem-nos dito que estão preocupados com este assunto e que estão a estudar o problema”, revelou a mesma fonte, apontando que “é preciso que a opinião pública reaja e faça parar as barragens, como aconteceu com Foz Coa”.

O défice nacional era de 6.687 milhões de euros, em Agosto passado. Durante as concessões das barragens, um total de 16 mil milhões de euros serão pagos às empresas de electricidade, que produzirão apenas 0,5% da energia consumida em Portugal, representam só 2% do potencial de energia que poderia ser obtida através de um programa de eficiência energética e respondem por 3% do aumento das necessidades energéticas do país.

“Se fossem feitos investimentos para obter uma eficiência energética equivalente ao que as novas barragens vão produzir, as contas de electricidade baixariam 10%. Mas, se fossem feitos investimentos com vista a obter o potencial máximo de eficiência energética, as contas dos consumidores baixariam 30%”, explica o estudo enviado à ‘troika’. Os investimentos em causa, na versão mais intensiva e dispendiosa, rondariam os 410 milhões de euros e teriam retorno em menos de três anos.

Além dos efeitos económicos, as barragens têm demonstrados prejuízos para o património natural e cultural e para a economia da região. “Ao contrário do que diz a propaganda oficial, as barragens geralmente não geram desenvolvimento local. Criam empregos na construção, mas muito menos do que noutros tipo de investimento, e apenas temporariamente. Por exemplo, projectos de eficiência energética ou de renovação urbana beneficiam toda a economia (famílias, Estado e instituições privadas, pequenas e grandes empresas) e geram cerca do dobro de empregos por milhão de euros investidos, em comparação com barragens ou outras grandes obras públicas”, argumentam.

"A quem é que aproveita o crime?”, questiona Joanaz de Melo. “Estas decisões não foram tomadas no interesse público, mas é do interesse público parar o programa nacional de barragens. Temos de parar este desastre”, concluiu.

A Comissão Europeia alertou o Governo português para os “sérios impactos ambientais”, no caso dos estudos efectuados no âmbito das barragens do Baixo Vouga e de Foz Tua, que “violam a legislação europeia, incluindo a Directiva dos Habitats e a Directiva da Qualidade da Água”. O Governo invocou o interesse nacional para anular a lei comunitária.

O parecer do Instituto Marítimo-Portuário, invocando ameaças reais à navegabilidade do Douro, andou “desaparecido” no estudo de impacto ambiental, pelo que, segundo Manuela Cunha, do Partido Os Verdes, “não ficaram acauteladas responsabilidades e ficou a EDP isenta de pagar as obras que venham a ser necessárias para garantir a navegabilidade”.»

sacado daqui.

Portugal - Sempre a superar marcas

Pelo que ouvi ontem de manhã (17.10.11), já não foi quinta-feira, dia 14.10.11, o dia com mais fogos este ano.


Foi anteontem, domingo, 16 de Outubro.

Olhemos para longe para não vermos o que se passa aos nossos pés.
Somos o particular, extensão do mundo e exemplo do que nele está a acontecer.

Alguém disse já que a crise ambiental vai apanhar-nos na pior altura: depauperados e nus.
Assim, nem tratamos da crise social e de valores - queimar todo o dinheiro e os seus produtores e aduladores num vulcão -, nem nos vamos resolvendo a mudar os nossos comportamentos e inacções.

Nem vamos precisar de guerras.
A fome e a destruição do ambiente à nossa volta causam muito mais mortes.

sábado, outubro 15, 2011

"Decepar", por Cepos

Barragem da Foz do Tua
Governo autoriza abate de milhares de sobreiros e azinheiras
O Governo, para viabilizar a construção da barragem da Foz do Tua, vem agora emitir um Despacho para autorização do abate de milhares de sobreiros e azinheiras no Vale do Tua, afectando de modo irremediável o património natural do Vale do Tua, um dos melhores conservados de Portugal.

A barragem estará situada dentro da Paisagem Cultural do Douro Vinhateiro, classificada como Património Mundial. Após um controverso processo de Avaliação de Impacte Ambiental, foi efectuada uma queixa à UNESCO, alertando para a desactivação da linha do Tua e para a afectação negativa da paisagem com a construção da barragem.

A publicação do Despacho n.º 13491/2011, de 10 de Outubro do Ministério da Economia e Emprego e do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, com a necessária Declaração de Imprescindível Utilidade Pública, vem viabilizar à EDP S.A., o abate de mais de 1104 sobreiros e 4134 azinheiras em povoamentos e núcleos de valor ecológico elevado no Vale do Tua.

Questionamos a consideração da inexistência de alternativas válidas para a construção do empreendimento, quando as mesmas não foram estudadas ao nível da Avaliação de Impacte Ambiental.

Lamentamos o avanço do processo de construção da barragem, a qual a ser construída, produzirá o equivalente apenas a 0,07% da energia eléctrica consumida em Portugal em 2006 (Dados da Rede Eléctrica Nacional). Mais uma vez andamos em contraciclo, construindo barragens irrelevantes quando os países mais avançados já iniciaram a demolição das barragens com pouca utilidade.

Num momento em que cada vez mais vozes se levantam contra o desperdício e o buraco económico que representa a construção de novas barragens, este despacho representa uma inaceitável subserviência à política de publicidade enganosa e facto consumado promovida pela EDP. É também um desrespeito vergonhoso às promessas feitas pelo Governo de reavaliar o programa nacional de barragens.

Lisboa, 11 de Outubro de 2011

QUERCUS, GEOTA, CAMPO ABERTO, ALDEIA, LPN, FAPAS, COAGRET, MCLT, ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO VALE DO RIO TUA



A Georden junta-se àquelas associações.

quinta-feira, outubro 13, 2011

Deixar arder


Estou FARTO!

Depois dos grandes incêndios de há dois anos da Galiza, pude testemunhar, não in loco, mas pela televisão, nos noticiários da televisão regional (TVG), como as pessoas, organizadas, foram capazes de se mobilizar para reflorestar as enormes áreas perdidas (vulgo ardidas).

Depois dos incêndios da Madeira, vamos recebendo boas novas de uns quantos - não são super, mas simplesmente - bons homens, a quem boicotam os trabalhos em prol da defesa do ambiente (ver aqui e ler aqui), que é mais de todos nós que apenas de uns poucos.

A Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal vai lutando para repor o que o fogo destruiu em curtos esfreganços de olhos.

Com certeza que as associações florestais por este país fora devem lutar também.
Não quero falar desses casos. E cada um saberá de si, excluindo-se do grupo.
Sem alibis e com segurança.


A verdade é que, ciclicamente, os montes deste deserto que estamos a plantar à beira-mar, vão ardendo.
O abandono continua a ter consequências escaldantes. Arrasadoras.

Modos de vida alterados. Abandono da agricultura. Falta de limpeza do mato. Afastamento da terra. Natureza meramente explorada. Utilitária.
Aceleramos o processo dessa utilidade (todos gostamos do nosso papel. Literalmente! Que seria de nós sem ele?) aumentando árvores mais aptas a essa negociata.

Em cada eucalipto - rai's parta!! - que arde, novos eucaliptos florescem.
Por cada incêndio de eucaliptais, novos incêndios se reproduzem.

Cabe ao homem intervir.

A ciclicidade dos incêndios decorre do desordenamento e da não-intervenção.
Tal como na economia, para haver justiça e justeza, não haverá nenhuma mão invisível que nos venha resolver o problema dos incêndios.
Será que este sistema serve alguém?
Será que esta postura está a servir alguém?

E se sim, quem?

Não culpem os bombeiros, por favor, quando eles decidem, nas suas estratégias, deixar arder.
Falta muito pouco, na nossa incúria e desleixo, para os apontarmos como os culpados do que acontece.

Porque "Se não tivermos cuidado, a ignorância, a propaganda far-nos-ão odiar os inocentes e louvar os carrascos." (Malcom X, sempre reciclado, sempre válido...).

Lembramo-nos dos incêndios quando os vemos na noite.
Quando eles nos batem à porta, lamentamo-los.
Quando os vemos pela televisão, é um espectáculo triste. Às vezes também assustador e desolador.

"O tempo vai passando, vai passando..."
mas não vemos nenhum incêndio a lavrar quando as marcas do fogo vão ficando tapadas pelo verde mentolado dos eucaliptos.

Que estamos a fazer nesse intervalo?
Porque se trata, de facto, de um intervalo.
Enquanto não interviermos, inconsciente e desleixada, estúpida e culpadamente, estamos a aguardar o fim do intervalo.

E lá vem novo incêndio.
A cena repete-se.
Talvez até lá construam uns loteamentozitos
(e perguntamo-nos, talvez, se o fogo "Ah e tal, será que...?")
e então aquela área - temos a certeza - não arderá mais.

Ai é?? Então, olha, plantem casas por todos os eucaliptais deste país e temos o assunto resolvido!
- Não, não, não... porque eu, eu é que s'... eu, eu é que sou o persedente da portucel...

E não pode ser.
Sim, porque as grandes "urbanizações ortogonais" de eucaliptos para produção de pasta do papel - que cheira tão bem ao longe e brilha tão bem ao perto (sobretudo quando porta uns números, umas instituições que fingem representar-nos e quando está no nosso bolso) - ao longo das nossas belas auto-estradas não ardem. Essas manchas - vejam lá como lhes chamam os jornalistas - florestais (!) estão controladas, vigiadas, protegidas se for preciso. O dinheiro pode muito, não pode?

PORRA!
Estou farto da inacção e da desmemória renovada.
FARTO dos incêndios.

Não é com deixar estar que as coisas vão ao sítio.
Mas se calhar é esta a ideologia que grassa até à ponta dos nossos cabelos queimados.
Portanto, é deixar andar.

A ver aonde é que vamos parar.
Palpita-me que não vamos nem sair daqui, nem vamos muito longe.

Estais fartinhos também, não é? mas é do teor das minhas mensagens!
Que aborrecido estou, que aborrecido sou.
Também estou farto de ser chato.
Mandem-me à fava.
Que para eucaliptal não vou...

quarta-feira, outubro 12, 2011

terça-feira, outubro 11, 2011

A estrada como individualismo legal

Imagem extraída daqui

Enjaulados nos cubículos vamos.
Com muito cuidado para não tocarmos.
Nem deixarmos que nos toquem.

Porque tememos a solidariedade.

As nossas vidas passam demasiado tempo nas linhas rodoviárias.
De tanto lá consumirmos as nossas vidas, tornamo-nos uma extensão dessas sensibilidades.
Transpomos as estradas para os outros caminhos quotidianos.

Quando o que importa é bater.
(sim, às vezes há mortes, se o desequilíbrio é notório...)

Parar, tomar contacto. Observar a paisagem que apenas está lá e cuja presença apenas sentimos se no-la tirarem. Tarde de mais, insensível...

Importa não já reconhecer, nem apenas, a pessoa do outro lado dos vidros
- o que temos perante nós, o que ela tem perante ela -
mas conhecer a pessoa que nos está vedada enquanto apenas passamos.
Ignóbeis, ignaros, eternos estranhos.

Alimentamos esta roda que nos atropela aos poucos.
Até termos um acidente.

Já vivemos cem mil anos neste sistema.
Parecemos estar a dar-nos bem.

Mas se o afastamento matasse,
quantos não teríamos já morrido?

segunda-feira, outubro 10, 2011

Ainda havemos de ir à Monção

Um dia, a comunicação será melhor e ajudar-nos-á a perceber melhor as coisas que se vão passando por aqui e por ali.


#PrayforAyutthaya #ThaiFlood on Twitpic

Como é possível dizer-se que vivemos - há anos! - na era da informação e tão pouco termos ouvido falar das cheias daqui, dos terramotos dali, dos desastres dacolá, das manifestações de além e nunca aquém-mar...?

Será - ups... - que informação é diferente de... comunicação?
Hum...

De qualquer forma aqui fica a ligação para alguns mapas das inundações mais recentes (porque vai haver mais: não ouvimos já falar no termo "refugiados ambientais"?) na Tailândia.


domingo, outubro 09, 2011

Quando virarmos as costas às costas, é tarde. Como sempre.

Porque as coisas se passam nas nossas costas.
E não é que não tenhamos interesse ou preocupação por estas matérias.
A questão é que...
(desculpas...

desculpas...

desculpas...)

- E tu, que fizeste para evitar?
- Eu?... nada.
- E tu, fizeste alguma coisa? Estás aí com essa basófia, sim, diz lá, e tu?, fizeste alguma coisa? Porque não me avisaste??
- ...
- Sei lá, podíamos ter feito alguma coisa...

Etc. etc...


O Projecto Hidroeléctrico do Sistema Electroprodutor do Tâmega (SET) compreende as infra-estruturas hidráulicas dos Aproveitamentos Hidroeléctricos de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões, cuja construção está prevista no Plano Nacional de Barragens, que contempla um total de 10 barragens (8 das quais encontram-se já adjudicadas).

Este projecto apresenta impactes ambientais muito significativos, entre os quais a transformação, fragmentação e degradação dos ecossistemas na bacia do rio Tâmega, incluindo a criação de barreiras incontornáveis para espécies migradoras como a enguia (já dizimada nas bacias do Douro e do Tâmega) e a degradação dos habitats de algumas das últimas alcateias do lobo – espécie classificada em Portugal como “Em Perigo”.A Quercus considera pois que o Projecto Hidroeléctrico do SET apresenta um balanço negativo de interesse público em termos ambientais e sociais – devido em parte aos impactes negativos, como as perdas irreversíveis de habitats de espécies ameaçadas ou a retenção dos sedimentos, com graves consequências na erosão costeira, para os quais não foi ainda realizado um verdadeiro estudo do balanço custo/benefício. A base de argumentação para o benefício de interesse público (geração de renováveis e redução da dependência energética externa) não está devidamente comprovada e carece de um estudo de alternativas para estes efeitos, que não foi efectuado. Será colocado em causa, de forma permanente e irreversível, o cumprimento dos objectivos de bom estado ecológico noutras sub-bacias das bacias do Tâmega e do Douro devido aos impactes cumulativos sobre a qualidade ecológica das águas.

Via Quercus.

Continuar a ler aqui.


Enquanto uns senhores tratam da sua vida, vamos ficando divididos e com os ambientes destruídos.
Será que há uma relação (entre os ambientes destruídos e o andarmos cada vez mais divididos) ?

sábado, outubro 08, 2011

A Rua da Parede como antonomásia



And a man is working steady, it’s good money he receives
But he’s thrown out of work for the wrong things he believes.
He didn’t have the thoughts most everybody shares.
I know that couldn’t happen here,
So it must have been another country --
Yes, it must have been another land.
That couldn’t happen in the u.s.a.
We’d never treat a man that way.

Another Country, Phil Ochs


As maiorias abandonaram as redomas,
e, cada vez mais expurgadas pelos papás bancos,
desencaixotam-se do lucro, da desmemória e da estupidez.

As ruas são casa dos injustiçados.
E onde se constroem casas, ruas emergem por dentro delas.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Um buraco na cabeça (lá dentro...)

Este ano, a camada de ozono sobre o Ártico ficou tão rarefeita que, pela primeira vez, se pode considerar um novo buraco, a juntar ao da Antártida. Na faixa dos 20 km de altitude, a perda do gás chegou aos 80%, garante um estudo publicado na revista Nature. Os culpados foram os ventos de alta altitude, que baixaram as temperaturas na estratosfera, durante vários meses. A camada de ozono protege a superfície da Terra de raios ultra-violeta - e, ao contrário do buraco da Antártida, que não tem uma população residente, o do Ártico deixa muita gente vulnerável.

Visão, 6.10.2011, p.85


1 - Com que então os culpados foram os ventos... Muito bem. Continuemos, então, a deixá-los ser, coitado...

2 - A nossa preocupação para com o buraco do ozono mede-se com a existência de seres humanos que podem sofrer com ele. ... Se nós pudéssemos, fazíamos uma permuta e colocávamos o buraco todo lá em baixo, então. Assim, já não deixaria ninguém vulnerável.


... Ah... mas que interesse tem isto tudo, quando, num canal de economia, 4 pessoas em torno de uma mesa discutem quanto vai custar a reconstrução da Líbia e do dinheirinho, vampiros, que poderão ganhar com isso?

quinta-feira, outubro 06, 2011

Geografia das Revoltas


A "violência" é o receio de qualquer governo.
Porque estão já ultrapassadas as tentativas de diálogo da parte dos violentados.

Há já muito que nesta latrina o ar anda irrespirável...


Situações relatadas (por alguma imprensa) a 28 de Setembro de 2011
Retirado da página Worldatprotest.com


O antropólogo francês Alain Bertho tem dedicado anos a documentar e analisar as revoltas que vão acontecendo pelo mundo. O seu blogue não é muito complexo, (http://berthoalain.wordpress.com/), mas nele reúne-se uma base de dados de artigos de imprensa sobre manifestações e protestos de todo o género (estudantis, laborais, cívicas), rebeliões e tumultos sociais diversos, incluindo os que tiveram lugar na costa mediterrânica espanhola neste Verão.

Antes deste ano, Bertho já documentar as insurreições e manifestações ocorridas entre 2007 e 2009, e constatou que, de facto, assistíamos a um aumento na quantidade, e com diferente intensidade, das formas de protesto e de revolta. Escreveu um livro e elaborou um mapa (clicar para ampliar):

http://berthoalain.files.wordpress.com/2007/04/mappemonde-carte-generale.png

Destacam-se as chamadas "rebeliões da fome" de 2008 pelas subidas dos preços dos cereais em África, nas Caraíbas e noutras regiões, e a quantidade de mobilizações que se deram na Europa durante esse período. Como Bertho se baseia principalmente em fontes jornalísticas, é possível que haja uma sub-representação do que acontece nesse continente, mas mesmo assim não podemos deixar de notar o fervilhar europeu num momento em que muitos se perguntavam porque é que as pessoas não saíam à rua. Mas na Europa verifica-se uma grande densidade de organizações e movimentos sociais, nas quais a manifestação ou a folga não deixa de ser uma forma de acção habitual e até rotineira. A classificação de Bertho não faz grande distinção entre as formas de acção, mas é um bom ponto de partida. Compare-se, por exemplo, com a escassez de mobilizações nos Estados Unidos (onde os protestos talvez sejam mais registadas pela imprensa local que pela imprensa nacional) ou na Austrália. Outro elemento a destacar são os pontos vermelhos, que indicam que "assassínio de jovem" e que estão na origem de muitos distúrbios. Na Europa aparecem bastantes pontos vermelhos. Muitos deles correspondem a imigrantes ou a nacionalidades de ascendência imigrante, o que explicaria a relativa invisibilidade mediática, excepto quando se dão distúrbios de uma determinada entidade.

Tanto na Europa como em África e na Ásia, Alain Bertho atribui a muitos conflitos uma forte componente identitária e há temas que são recorrentes, apesar das diferenças geográficas e culturais:
- contra o aumento do custo de vida,
- a corrupção dos governos,
- as fraudes eleitorais,
- a violência policial,
- a deficiência dos serviços públicos básicos (electricidade, habitação, água),
- as "deslocalizações" dos mais pobres,
- as condições de escolarização e a educação...


Continuar a ler (Castelhano)

+ Info:

quarta-feira, outubro 05, 2011

Novos Edifícios em Colapso



À medida que os edifícios crescem erguem paredes.
Perdida a dimensão humana, uns ficam de fora e querem entrar.
Ou ultrapassar.
Porque para cada vez mais os edifícios se transformam em obstáculos para atingir aquilo que eles tentam meter lá dentro: as pessoas.