segunda-feira, abril 30, 2007

Georden concorre para Selo Dourado da Semana no blogstars.com.br

Clique para votar"Informamos que este BlogStars esta concorrendo ao selo dourado do dia 30/Abril/2007 à 06/Maio/2007 - Confira no site blogstars.com.br

!Observação : O BlogStars que ficar na segunda colocação no final da votação da semana voltará a concorrer durante a próxima semana - valido apenas para 2 (duas) semanas seguidas."

blogstars.com.br


Votem no vosso preferido em http://blogstars.ig.com.br/

Festa das Cruzes em Barcelos

Por estes dias, se tiver vagar, pode dar uma saltada à Romaria mais antiga do Minho, a Festa das Cruzes a decorrer em Barcelos. Pouco, ou nada terá de "tradição", e o pituresco (MODERNO), mais que tudo predomina. Mas aquela entrada na cidade, pela ponte Românica, e um passeio no (despovoado) centro histórico, merecem panegírico.

Clique para aumentar Vidal: Barcelos, Torre de menagem,à porta nova

Mais um milagre das Cruzes seria bom por estes dias. Mas alguém se recorda da origem da Romaria?
Todo o PROGRAMA
AQUI

“30 Anos de Geografia e Ordenamento do Território em Democracia!”

Clique para aumentar

No âmbito das comemorações do 20.º Aniversário da Associação Portuguesa de Geógrafos (APG), iniciou-se no Porto, o ciclo de conferências “30 Anos de Geografia e Ordenamento do Território em Democracia!”.

Este Ciclo de conferências prevê a realização de sessões em todas as regiões do país.

Próxima Sessão:
Coimbra
12 de Maio

Veja por favor o cartaz em anexo que inclui alterações a algumas datas dos debates agendados na divulgação anterior.

Associação Portuguesa de Geógrafos - APG
ICS - Instituto de Ciências Sociais
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel. 21 780 4761
http://www.apgeo.pt apg@ics.ul.pt

domingo, abril 29, 2007

Árvores e Florestas de Portugal

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O PÚBLICO tem vindo, desde o dia 19 de Abril, a lançar uma colecção de livros sobre a floresta portuguesa. Ao que apurámos, são volumes de elevado valor histórico e científico. E os acabamentos gráficos são também de grande qualidade.

Os dois primeiros tomos estão já aí. O primeiro trata da floresta portuguesa no sentido geral e apresenta um conjunto de fotografias exemplificativas do território florestal e das práticas da silvículas. O segundo (lançado a passada quinta-feira) é sobre os Carvalhais.

Em suma, esta é uma colecção que saudamos e recomendamos vivamente.
Ler mais
aqui.

(Esta colecção foi-nos proposta por uma visitante atenta. Estamos obviamente abertos a mais propostas, que são sempre acolhidas com regozijo pela nossa parte. Contactem-nos!)

sábado, abril 28, 2007

Criaturas

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Elas andam por Braga...reis e rainhas, anões e princesas, personagens míticas, faunos (diz-se) e monstros. Eu cresci com isso, e ainda bem. O imaginário é de pequenino, caso contrário não haverá pepino nem nada para espremer. Visite-os. Os seus pequenos autores agradecem.

Clique para aumentarDeveria ser todo o ano... em boa companhia.

sexta-feira, abril 27, 2007

Tinha que ser um 25 de Abril todos os dias

Portugal (e os portugas) não aprende e merece a classe política que tem. Merece. No Público (sem link) de hoje, regozijo-me com uma crónica de Vasco Pulido Valente, com quem eu nem sempre estou de acordo, mas que neste particular, subscrevo (vai de acordo ao que tenho afirmado) e enfatizo. Cito (o sublinhado é meu):
(...) O governo publicou um "guia" para incitar o funcionalismo à denúncia. Nenhum comentou esta aberração. Que o Ministério da Justiça fabrique de repente um exército de expiões não os comove. Primeiro o dr. António Costa inventou o cartão "5 em 1", que permite a qualquer autoridade investigar comodamente a vida de qualquer pessoa. Não houve quem se ralasse com a ameaça e a indignidade da coisa. A seguir, as polícias passaram para a tutela directa de um secretário-geral(sob o eufemismo de "coordenação") e o secretário-geral ficou sob a tutela directa do primeiro-ministro. Ninguém ou quase ninguém, abriu a boca(...) O país político gosta que o povinho ande vigiado.

Não esquecer que VPV não é propriamente alguém ligado a "esquerdismos". O estranho é os "tais ditos" estarem também calados. Era necessário um 25 de Abril todos os dias, ou trocar de portugueses...

I Concurso do Arquitectura.pt - "Espaços Habitáveis"

Clique para visitarEspaços Habitáveis é o primeiro concurso da comunidade Arquitectura.pt

O Arquitectura.pt é um espaço de promoção da arquitectura nacional e internacional em português, que se tornou rapidamente uma referência para os arquitectos, designers, engenheiros e amantes do tema.


A comunidade conta com mais de 3100 membros e mais de 50.000 visitantes mensais, dado a sua afluência o Arquitectura.pt vai alargar e lançar ainda este semestre um portal sobre Arquitectura.

Para comemorar o seu sucesso e o seu primeiro aniversário, o Arquitectura.pt lança um concurso de arquitectura cujo o objectivo é lançar uma reflexão critica sobre o modo como poderá o indivíduo apropriar-se temporalmente de um espaço.

Pede-se a todos os participantes que projectem um espaço habitável temporário de 27m3 (vinte e sete metros cúbicos).

O concurso distribui 28 prémios entre os vencedores e três menções, gentilmente cedidos por:

Patrocínios (ordem alfabética)
- A10 Magazine
- Actar España
- Caleidoscópio Editora
- Dafne Editora
- Evermotion
- Edições 70
- Imagine Virtual
- Zoo Publishing (3DCreative e 2DArtist)

E com o devido apoio da:
- Art Magazine Culture
- Connecty
- Joker Art Gallery

Para mais informação:
www.arquitectura.pt/concurso

quinta-feira, abril 26, 2007

Dia Aberto do Dep. Geografia, FLUL - 4 de Maio

"A Universidade de Lisboa, através do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras (FLUL), em colaboração com o Centro de Estudos Geográficos (CEG), vai realizar no dia 4 de Maio (sexta-feira) o Dia Aberto do Departamento de Geografia (DAD-Geo), na sequência do grande interesse e do sucesso das anteriores edições da iniciativa.

Este ano o DAD-Geo prevê várias sessões de curta duração de informação geral, de conhecimento directo de projectos de investigação e de visitas guiadas a áreas de trabalho (biblioteca, mapoteca, laboratório, etc.).

Os workshops sobre projectos de investigação versarão os seguintes temas:

- Programa Nacional para o Ordenamento do Território (Margarida Queirós)
- Riscos e Ordenamento do Território (José Luís Zêzere)
- Relações campo-cidade (Eduarda Marques da Costa/Nuno Costa)
- Desenvolvimento comunitário e Exclusão Social na AML (Luís Moreno/Alina Esteves)
- Experimentação em climatologia urbana (Maria João Alcoforado)
- Estratégias sociais criativas - projecto Katarsis (Isabel André)
- Sistemas de Informação Geográfica (Paulo Morgado)
- A geografia e a investigação na Antárctida (Gonçalo Vieira/Alexandre Trindade)
- Desertificação (Denise de Brum Ferreira)
- Detecção remota e clima (Marcelo Fragoso)


Face ao exposto, teríamos muito gosto em receber a visita de estudo de alunos do 9º ano ou do Ensino Secundário (12º ano incluído, naturalmente), acompanhados dos seus professores."

Melhores cumprimentos,
Gonçalo Vieira
Difundido via e-mail

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril desmistificado pelas novas gerações

Clique para aumentar


"No 25 de Abril de 74 muitas crianças foram obrigadas a lutar e houve muitos mortos, principalmente crianças."

A Antena 1, (ai dela, se vier pôr-se em bicos de pé a chamar para si o arauto do serviço público!!!), como outras, por estes dias, dá-lhes na guineta para andar a dar palavreado sobre a data de há 33 anos.
Segunda-feira, uma criança disse a frase que leram acima. E os moderadores, que deviam ser representados pela estação (atenção!! :) pública (?), nada disseram. Nem um pio. Está tudo bem. Sigamos em frente.

Fascistas de todo o mundo, agradeçam à Antena 1 pelo seu serviço de (de)missão para evocar o dia 24 de Abril.

(Claro que as crianças não têm culpa nenhuma de terem ideias como aquelas na cabeça. Salvo se resultarem da livre intrepretação, sem quaisquer outras informações adicionais, de imagens iconográficas como a que figura no topo deste artigo... Pensemos na forma como não estamos a educar.)

"25 de Abril - Liberdade ou Libertinagem Política"

Clique para se libertar
Por LEM.

"O POVO é quem mais ORDENA, dentro de ti ó CIDADE!"

terça-feira, abril 24, 2007

Mistérios e Loucuras

tinha alertado NESTE post anterior, para a loucura suicidária (embora televisionável) de ter dois estabelecimentos a funcionar num edifício em perigo iminente de derrocada. Hoje (graças à GEORDEN? duvidamos) o pronto-a-vestir já encerrou, provavelmente farto de esperar a tal derrocada e as televisões. A garagem, como se pode ver na imagem, continua a laborar, impávida e serena. Mistérios... Vidal:Braga

segunda-feira, abril 23, 2007

Mais novidades no Georden

Como podem visualizar, o Georden para além de ter novo grafismo, tem novas funcionalidades:
- "Livro do mês" (Rubrica mensal);
- "Biblioteca" (Arquivo dos livros mensais);
- "Notícias do IGP" (Através de RSS);
- "Pergunta de exame" (Para já encontra-se uma pergunta simples sobre o grafismo do Georden, mas brevemente colocaremos, mensalmente, perguntas pertinentes sobre Geografia e com hipoteses de resposta contraditórias.
- "Livro de reclamações" (Podem reclamar sempre bem entenderem, posteriormente terão uma resposta da Georden).

Saudações geográficas.

Sugestão para o dia do livro

Clique para aumentar Clique para aumentar

European Landscapes and Lifestyles: The Mediterranean and Beyond
Editado por Zoran Roca, Theo Spek, Theano Terkenli, Tobias Plieninger, Franz Höchtl
Edições Universitárias Lusófonas

para mais informações http://ceged.ulusofona.pt/Outros/BookPT.htm

Difundido por e-mail. Acabou mesmo de sair...

Os Tais Dias...

Parece que hoje é dia Mundial daquele objecto antigo, que se pode definir como um conjunto de cadernos ordenados (cosidos ou brochados), manuscritos ou impressos, formando um volume, podendo tratar-se de obra literária ou científica (ou outras que por aí andam) em verso ou prosa: O LIVRO

Duas sugestões e um conselho de amigo:
Se estiverem por Braga podem dar um salto à Feira do Livro que decorre de 14 a 29 de Abril, no Parque de Exposições. Programação aqui.

No caso de se encontrarem perto da capital, podem (seus sortudos) visitar a Casa Fernando Pessoa e ainda comprar livros em saldo (50% a 80%) hoje das 10h às 24h.

Quanto ao resto do ano do livro, para além das bibliotecas e livrarias e, como neste país o livro é luxo (caro) em todos os sentidos, podem (devem) visitar com tempo a livraria alfarrabista na imagem, à rua dos Chãos em Braga. Encontram livros antigos, usados ou quase, baratos e para outros bolsos, raridades, capas loucas, mapas, postais, atlas antigos, enciclopédias, coisas do arco-da-velha e boa disposição sem pressas.

J.L.Borges escreveu, um dia, em verso:
Eu, que outrora inventava o paraíso,
Sob a imagem de uma biblioteca.

Não sei se não estaremos no inferno!

Ps: Parece que ontem foi o dia Mundial da Terra e dia Nacional dos monumentos geológicos(?)...

sábado, abril 21, 2007

Vamos ver mais além?

Clique para ler Clique para ler

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Visão de 19 de Abril, pp. 152-156

Há áreas protegidas e parques a que costumamos associar a protecção da biosfera (parte viva da natureza). Ora, o património geológico (lá está aquela maldita palavra - património...) enquadra-se perfeitamente nesse âmbito de protecção. Porque o suporte geológico está na base da parte viva, que tanto prezamos.

Já é mais que tempo de começarmos a dar o devido valor a estas coisas. A importância do reconhecimento de propostas a geomonumento não cabe nestas breves linhas. Mas estamos cá para chamar a vossa atenção para o facto.

sexta-feira, abril 20, 2007

Visões Inúteis

Não se afigura nada fácil “pensar” hoje a cidade. Todavia, admita-se uma certa linguagem simbólica e um determinado espaço cognitivo. Depois, observe-se.

Vidal: Braga, Abril 2007

Terá tido o seu fulgor na década de 1970, talvez 80. Imagem anacrónica de um espaço vivido, hoje fechado no baú das velharias (ainda lá está mas alguem o vê?). Publicidade "rupestre" ou revivel não tarda nada?

Vidal: Braga, Março 2007

Nossa Senhora apenas à janela ou a olhar o céu, quem saberá?...
Juntamente com a lotaria (e EUROMILHÕES), parte da iconoclastia e empreendorismo português.

Falarei depois da linguagem perdida das cidades. Por hoje, temo que as palavras de Lewis Mumford já não signifiquem (quase) nada: A cidade favorece a arte, é ela mesma arte.

quinta-feira, abril 19, 2007

"Não-Lugares", de Marc Augé

Clique para aumentarViu os cartazes de cem metros de comprimento no campo, à saída da cidade? Sabe que dantes tinham apenas uma dezena de metros? Mas os carros vão tão depressa agora que tiveram de prolongá-los para que a publicidade conserve ainda o seu efeito.

Fahrenheit 451, Ray Bradbury

Os meios de comunicação, a rapidez dos transportes e dos estilos de vida, a globalização económica e cultural, a mercadologia territorial e turística, o consumo massivo versus autenticidade, estandardização dos comportamentos sócio-comerciais… tudo questões e factores da sociedade contemporânea que entontecem o cidadão comum e o antropólogo que tenta analisar essa mesma sociedade.

Marc Augé oferece-nos neste pequeno ensaio um visão desconstrutiva dos mitos por que nos regemos actualmente quando vivemos o espaço. A questão é a de que, se só passamos - e não FICAMOS / ESTAMOS / VIVEMOS - pelos lugares, estes acabam por se nos tornar indiferentes. Perdem, portanto, aquilo que os distingue de outros lugares. A identidade “pública” passa a estar resumida em panfletos turísticos ou em notícias de televisão.

E isto tem implicações notórias, que o antropólogo francês diz caracterizarem um novo paradigma civilizacional - a sobremodernidade. Tal como o cartaz publicitário da epígrafe, os lugares sofrem transformações tais até que possam ser facilmente digeridos pelo “estrangeiro” (aquele que PASSA).

Não se trata já de saber para onde vamos mas sim de percebermos onde estamos: a “impossível viagem” quando o lugar não existe, quando o espaço é indefinido, quando o passado se confunde com o presente e o futuro. Só as palavras contêm e mostram o sentido. Nos não-lugares cada vez mais se cruzam os destinos irrequietos e perdidos numa experiência crua da solidão disfarçada pela aparência de uma superabundância de comunicações, afinal apenas fingidas.


MARC AUGÉ
Não-lugares - Introdução a uma Atropologia da Sobremodernidade

Tradução de Miguel Serras Pereira
90ª Graus Editora, 2005

Envie a sua sugestão de leitura para
georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

quarta-feira, abril 18, 2007

Mas de que falamos quando falamos de "Património"?

Pois é, lá vem o dia em que nos pomos todos a falar de uma mesma coisa. Hoje, dia 18 de Abril é o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
Há muitas actividades marcadas para viver o dia (para quem puder, claro).
Descarreguem o pdf (do site do IPPAR).

Salvar e proteger o património construído nunca valerá a pena se não se cuidar da sua integração, nos espaços vivido e quotidiano. Os tempos são de passar, não de estar. E o entendimento de "património" por parte dos decisores e planeadores do nosso espaço público tem contribuído para instalar a ruína, colocando os edifícios (normalmente situados nos chamados "centros históricos") num lugar "onde o tempo parou".

A propósito disto, não percam amanhã o primeiro livro da rubrica "Biblioteca"...

É possível, sim!

Em alguns diários espanhóis se diz esta quarta-feira que o nosso país vizinho inverteu, no ano passado, 2006, a tendência de emissão de CO2 que, desde 1994, vinha a subir galopantemente.
Ler mais aqui.
(Ah! O primeiro-ministro José Rodríguez Zapatero disse ontem na Bolsa de Madrid que a economia espanhola vai crescer 3,5%... Portanto, não venham cá com tretas a defender que ambiente e crescimento económico são incompatíveis!)

É possível mudarmos de paradigma de desenvolvimento e deixarmos de ser anacrónicos. (Porque é que, hoje em dia, apelidar alguém de anacrónico não é ainda considerado um insulto tamanho?)

Os gases com efeito de estufa são apenas um dos males que temos de combater. Talvez nem seja sequer o mal mais importante, mas como nos afecta mais directa e rapidamente, aqui estamos nós com um sorriso amarelo ao lado da Terra...

E nós? Como estamos neste assunto?
Ah, pois...

segunda-feira, abril 16, 2007

FESTA DA GEOGRAFIA

A Festa da Geografia

Apresentação e Programa

Em Mirandela, de 14 a 22 de Julho, vai decorrer "A Festa da Geografia".

Geógrafos portugueses e espanhóis, professores e alunos de Geografia,
planeadores, urbanistas, paisagistas, cientistas naturais e sociais,
simples cidadãos, todos interessados no território e nos seus problemas,
irão encontrar-se em Mirandela, para tratar de Geografia, apresentar os
resultados dos seus trabalhos, ensinar e aprender, trocar conhecimentos
e experiências, fortalecer laços de amizade, procurar descobrir novas
realidades e discutir soluções dos novos e velhos problemas que nos
afectam enquanto indivíduos.

Num ambiente de festa e de alegria, em que se juntam os jovens e os
menos jovens, os especialistas e as pessoas comuns, irá acontecer em
Mirandela a saudável troca de experiências, aspirações e novas
descobertas dos nossos e dos outros territórios.
Como grande festa da Geografia, ciência da terra e das pessoas e,
sobretudo, dos espaços que essas pessoas ocupam e utilizam enquanto
vivem, trabalham e se divertem, Mirandela tornar-se-á num local
privilegiado de convívio, mas também de reflexão e descoberta de um
Mundo que se multiplica em diversidade de paisagens e de gentes, onde se
criam, recriam ou transformam quadros físicos e humanos em constante e
dinâmica interacção, que importa conhecer e preservar, tanto como espaço
de vida como lugar de referência.

Ponto de encontro de saberes, a Geografia é a permanente descoberta da
natureza, de nos próprios e dos outros, estabelecendo, em termos físicos
e humanos, a necessária ponte de compreensão entre territórios, povos e
culturas.
Mas sendo encontro de saberes, a Geografia é também espaço de encontro
dos geógrafos que a praticam e de todos nós, indivíduos, instituições e
sociedades que transformam os territórios da Terra. Embora a diferentes
níveis e a diferentes escalas, com diversas capacidades ou formações,
todos fazemos geografia e construímos percepções ricas e plurais acerca
do território.

Homenageando o seu conterrâneo, Luciano Cordeiro, cidadão ilustre e
fundador da Sociedade de Geografia de Lisboa, a Câmara Municipal de
Mirandela decidiu, a partir deste ano, dedicar uma parte da sua
actividade cultural à Geografia. O Centro de Estudos Geográficos da
Universidade de Lisboa desde logo se prontificou a colaborar nesta
homenagem, transformando-a numa descoberta e numa celebração do
conhecimento - "A Festa da Geografia" - em que se irá mostrar a todos,
mas principalmente aos jovens, que a investigação e o conhecimento
científico são, também, uma aventura e um prazer.

A Festa da Geografia incluirá Conferências Científicas proferidas por
personalidades relevantes da Geografia ibérica; um Encontro Científico
aberto a todos os participantes, mas dedicado especialmente a
investigadores, estudantes e jovens geógrafos, em que serão apresentadas
comunicações livres e outros resultados de investigação; Mesas Redondas,
em que serão debatidos grandes temas de interesse geográfico geral e,
ainda, um conjunto de Debates intitulados "Perspectivas e Contradições",
moderados por jornalistas, em que personalidades de relevo da cultura,
do mundo empresarial e da geografia, darão as suas visões acerca dos
desafios que, numa ampla perspectiva humanista, se irão colocar à
Península Ibérica no século XXI.

Integrados na "Festa da Geografia", decorrerão, em simultâneo, cinco
concursos escolares:
a) Este é o meu território!, concurso de desenhos e pinturas dirigido às
crianças mais jovens dos distritos de Bragança e Vila Real. Os alunos do
pré-escolar, organizados em grupos, tratarão o tema "A minha terra",
enquanto os alunos do 1º ciclo de escolaridade tratarão, de modo
individual, o tema "Portugal e a Europa". Os trabalhos resultantes serão
expostos durante toda a semana da festa;

b) Nós sabemos Geografia!, concurso de conhecimentos geográficos,
igualmente de âmbito regional, dirigido a equipas de alunos do 2º e 3º
ciclos e do secundário, cuja final será realizada em Mirandela, durante
a Festa da Geografia;

c) Um planeta, vários territórios, concurso de trabalhos escolares
individuais de nível nacional, que versará diferentes temas de acordo
com o ciclo de estudos dos alunos: 2º ciclo, "A Península Ibérica"; 3º
ciclo, "A Europa"; Secundário, "O Mundo";

d) Trás-os-Montes: Território, População e Desenvolvimento, concurso
universitário nacional, para trabalhos individuais de alunos do ensino
superior;

e) Trás-os-Montes, concurso de fotografia, dirigido a todos os jovens
até aos 25 anos, que se dividirá nas modalidades de Paisagens e de Povos.

Todos os concorrentes terão diplomas de participação e os melhores
trabalhos serão premiados, de acordo com os regulamentos dos concursos.
Os prémios serão entregues em cerimónias públicas no decurso da semana
de "A Festa da Geografia".

Ao longo da semana da Festa, a par de uma variada animação de rua, com
gaiteiros e tunas académicas, e de um cortejo escolar geográfico que
sairá nos dias 16 e 17 de Julho, haverá, espalhados pela cidade,
cartazes, outdoors, e projecções de slides, sendo promovidas também
várias formas de convivialidade e diversos acontecimentos culturais,
como exposições e visitas guiadas de estudo e divulgação do património
cultural e do património natural e paisagístico da Região.

A Organização também disponibiliza espaço e tempo para os investigadores
que desejem fazer a apresentação de obras de índole geográfica durante a
semana da festa, devendo, para tal, contactar previamente a organização.
Do mesmo modo serão acolhidas as instituições e empresas de natureza
geográfica que queiram expor ou fazer apresentações dos seus produtos.

Em resumo, procuram-se novas formas de colocar e debater os velhos e
novos problemas que o desenvolvimento das sociedades actuais coloca aos
territórios.
Queremos que todos possam dar um contributo válido para a resolução dos
muitos problemas do Mundo, pois, na senda de Luciano Cordeiro, a Festa
da Geografia pretende constituir um espaço de construção do progresso e
do desenvolvimento sustentável. Homenageando esta figura cimeira do
século XIX e da Geografia portuguesa, a Festa da Geografia procura
discutir temas de vanguarda sobre a evolução dos territórios e da
sociedade portuguesa e ibérica e o seu enquadramento na Europa e no Mundo.
Difundido via E-mail

"Classificados da saúde"

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Por LEM.

domingo, abril 15, 2007

TERRITÓRIO: Um património plural

Dia mundial dos Monumentos e Sítios - 18 de Abril - Faro

Manhã (10h00)
Actividade educativa nas Ruínas da Villa Romana de Milreu – Estoi, destinada aos alunos das escolas daquela aldeia histórica.

Tarde (15h00)
Conferência pelo Sr. Arqt.º Paisagista João Cerejeiro – responsável pelo projecto de recuperação e valorização dos Jardins históricos do Palácio de Estoi, seguida de visita guiada pelo conferencista, aos Jardins.

quinta-feira, abril 12, 2007

FOTO DO MÊS: As torres de Babel

Os grandes prédios fecham-nos a vista à chave.
Fernando Pessoa
Vidal - Março 2007

Na década de 1970, do século passado, Leonardo Benevolo na sua obra “As origens da urbanística moderna” (Editorial Presença, 1981), afirmava em jeito de advertência que Ainda hoje a técnica urbanística se encontra normalmente atrasada relativamente aos acontecimentos que deveria controlar e conserva o carácter de um remédio aplicado à posteriori.
Mais tarde, notando os novos espaços suburbanos das cidades, Baudrillard observava que normalmente (desde os anos 1960) os hipermercados PRECEDEM as urbanizações. Criam a necessidade, sendo a oportunidade. Tudo isto será verdade no caso português pós-25 de Abril. Mas não chega. Recorramos a Nuno Portas quando este atesta que os problemas estão em começarmos pelas casas e só depois pensarmos na rua, se for possível, claro. Isto verificou-se no país de uma ponta a outra, nas casas e construções clandestinas, nos bairros sociais e nas novas (sub)urbanizações. Irei mais longe ao afirmar que começamos pelas casas e logo pelo…telhado.

Observe-se o caso de Braga. A imagem situa-nos na zona da Feira Nova ou Braga Parque, como é (re)conhecida. Trata-se, no entanto, de uma antiga área de quintas anexadas à cidade, entre as quais a Quinta da Armada. Antiga não será o termo. Esta história de (sub)urbanização dentro da própria cidade (estamos a não mais de 15 min do centro histórico a pé), terá cerca de 15 anos.

Três notas apenas:

Já aqui o referi. Esta área não resulta de qualquer plano sustentado, ou não, de urbanização, basta atentarmos nas sucessivas mudanças e atentados ao PDM. Nada de definição de células habitacionais, hierarquia de vias de comunicação, espaço público, espaços verdes, praças, centralidades ou mesmo de passeios ou bermas. Os prédios foram simplesmente aparecendo sem ordem aparente, sem relação de espaços e muitas vezes oprimindo os prédios vizinhos, privando-os de luz solar e privacidade. Existem casos de pessoas enganadas relativamente à construção de áreas verdes em redor das suas habitações ou a não existência de prédios na proximidade da sua habitação.

No entanto continua-se a construir. Lei da oferta e procura? Não é verdade, caros economistas. Neste particular não é a procura que suscita a oferta, mas a oferta que condiciona (ou tenta condicionar) a procura. Constrói-se.
Sei-o porque, por lá vivi (na área) e trabalhei, os imóveis, nomeadamente as torres de 15 andares da imagem, nunca tiveram uma taxa de ocupação significativa, sendo que a população residente é extremamente flutuante (nas torres). Desta ocupação saliente-se o aluguer informal e a ausência de recibos. Acresce referir a “IMAGEM” negativa da área construída à “luz” de estaleiros permanentes, segregação social e humana, degradação dos espaços e dos imóveis, entre outros. Refira-se, aliás, que alguns dos prédios de construção recente apresentam problemas de canalização, ruído, humidade e infiltrações de água, sendo constantes as inundações nas garagens mesmo ocorrendo pouca precipitação (construções em leito de cheia de ribeiros ou através da mudança de curso destes), etc.
Não existe o SENTIDO DE LUGAR.

Constrói-se ainda assim mais, como se pode verificar na imagem. Segunda nota. Por obra não sabemos de quem, a última torre (a quarta na imagem) está em construção há mais de …QUATRO ANOS, e a primeira praticamente três anos de empreitada e estaleiro, ambas sem fim à vistaçta que condiciona (ou tenta) a procurarolar e conserva o caracter. Mais 15 pisos. Procura? Deve ser.

Por fim, o quadro completa-se com o Outlet já construído (não se vê bem na imagem) numa grande área atrás das referidas torres. Um exemplo de planeamento. Só depois de finalizado se reparou na ausência, quase total, de acessos, o único existente será a Avenida Antero de Quental. Numa área congestionada até ao pesadelo, foi, sem sombra de dúvida uma boa opção. Vai resolver-se, é claro, não era esse o objectivo???

Como se diz na minha terra: o último a sair que apague a luz e feche a porta.

quarta-feira, abril 11, 2007

Não Há Milagres


Parece que houve mais uma descarga poluente na ribeira dos Milagres, concelho de Leiria. Parece que mais uma vez se trata de efluentes suinícolas. O caso foi denunciado pela comissão de ambiente e defesa do curso de água. A GNR dirigiu-se, claro, ao local. A coisa vê-se e “CHEIRA-SE” à distância, não sabemos se foram tomadas diligências no sentido de apurar responsabilidades. Sabe-se, no entanto, que o estado já no passado apoiou uma empresa para criar (não tinha) um sistema de saneamento e limpeza. O estado pagou a quem poluía. A coisa deve estar demorada. Entretanto…

Depois dos rios assassinados por empresas têxteis e outras (em nome do deixem-nos trabalhar em prol de um tal de progresso que ninguém vislumbra), ironia suprema das ironias, hoje a fecharem as portas, ou em fuga (talvez com isso alguns cursos de água sobrevivam), caminhamos inexoravelmente de ribeira em ribeira para o extermínio total. Não é defeito, deve ser feitio.

Não há milagres…

terça-feira, abril 10, 2007

Incêndios apagados, dormir descansados

Lê-se no Público de Hoje (sem link directo à notícia) que o(passo a citar) Combate aos incêndios terá pela primeira vez apoio de peritos.

Quase refeito do choque observo que: Entre as novidades destaca-se a criação de uma dezena de Equipas de Analistas de Incêndios, constituídas por três especialistas e accionadas pelo Comando Nacional de Operações de Socorro. O objectivo é que estes analistas, que deverão avaliar a evolução do fogo com base nos dados meteorológicos e topográficos, apoiem o comando nos incêndios mais complicados. Serão ainda constituídas seis ou sete Equipas de Fogos Tácticos de Supressão, que integram peritos no uso do fogo para combater os incêndios, estando legalmente habilitados a usar técnicas como o contrafogo.
Público

Eu pensava, na minha ingenuidade (pelos vistos) crónica que já seria assim. A primeira vez com o apoio de peritos? Criação de equipas de analistas? Cooperação entre entidades? Huum, agora é que vai ser…

Podemos dormir descansados.

segunda-feira, abril 09, 2007

Estratos do Tempo: Adriano


"Amigo, maior que o pensamento,
que tens sido silenciado por todos,
porque os outros se calam, mas tu não,
porque os outros se mascaram, mas tu não.

É de bocas ocupadas o tempo,
e vamos nadando no lodo, todos.
Mas cantar-te e lembrar-te é não
pactuarmos com a opressão.

Por isso, aqui te lembramos.
Porque perder a memória é perder a identidade,
Porque esquecer é ceder liberdade e consciência.

Hoje, mas não só hoje, cantamos
E meditamos no que fizeste pela liberdade.
Meditamos na nossa inocência."

Altair, 2007



Adriano Correia de Oliveira, cantor da emigração das almas e dos corpos, (não passa nas rádios - salvo na digna RUC) nasceu num dia assim, há 65 anos, em Santo Ildefonso, no Porto.

sábado, abril 07, 2007

Diga Não!!!

Diário de Notícias
E esta?
Turismo não é tudo, muito menos aquele turismo das latas e fraldas deixados para trás, da coxinha de frango a voar e dos pensinhos femininos dissimulados no arbusto, fazendo justiça ao país do frigorífico na bouça e do panadinho religioso. Diga não!

Mais no DN aqui.

quinta-feira, abril 05, 2007

Portugal é Provisório!

Há coisas que nem a propaganda...

Lê-se no Público de hoje (sem link directo à notícia), e cito: As piores classificações do país abarcam indicadores como o recurso às novas tecnologias na escola, as competências dos trabalhadores, e o uso de serviços de Internet. Por exemplo, Portugal fica em 24.º lugar quando se avalia a percentagem da população que envia e-mails. Apenas 28 por cento dos portugueses o fazem, contra a média europeia de 43 por cento. Atinge o mesmo lugar no que diz respeito à percentagem de pessoas que usa regularmente a Internet. Portugal atinge a sua pior classificação comparativa num outro indicador: fica em 26.º na percentagem de locais de acesso à net em casa.
Mau também nas escolas
Na escola, os números não são melhores. Fica em 25.º lugar no número de computadores conectados por cada 100 alunos. A mesma classificação para a percentagem de pessoas empregadas com competências em TIC.

Depois da decapitação da filosofia, que é o mesmo que cortar no "pensar". Depois do português e matemática nas horas da morte, restavam-nos as TIC (tecnologias de informação e comunicação), qual D. Sebastião . Só quem não conhece o país e algumas regiões não percebe. Lembram-se dos telemóveis aos pastores?...


Dez Anos de Blogues...

Estamos todos de parabéns: Blogues fazem 10 anos mas ainda não são um media:

Dez anos depois do nascimento do primeiro blogue, esta já é uma ferramenta popular que faz parte da rotina de muitos portugueses. No entanto, o blogue não pode ser considerado um meio de comunicação, como jornais, rádio ou televisão, pois "ainda não tem consistência como tal", defende Paulo Querido, jornalista e criador do domínio weblog.com.pt.

Toda a notícia do DN aqui.

Para nós É um meio de comunicação. Conversar (embora cada vez seja mais difícil) é comunicar. Jornais, rádio e televisão...é para rir? se isso fosse o pretendido, melhor ficar como estava, não acham?

Somos uns "chatos" é o que é...

quarta-feira, abril 04, 2007

Nós Merecemos

Parece, e passo a citar o DN de hoje, que as Câmaras querem mais poder no ambiente e no ordenamento. Ao lermos o restante, ficamos a saber que a reivindicação antiga de mais descentralização (em várias áreas) vai(?) finalmente avançar. Na esteira de “ordenamentos” anteriores protagonizados pelas Câmaras Municipais, será caso para dizer que podemos dormir, mais uma vez, descansados…
Quanto ao “ambiente”, essa palavra que, como a famosa pasta medicinal Couto, anda na boca de toda a gente, podemos também dormir para o melhor lado. À imagem de uma outra, “Património”, serve para tudo, o mesmo que para …nada.

Nós merecemos.

Património Mundial da Humanidade

Foto: Eduardo F.


Em pleno centro histórico da cidade de Guimarães, na zona de Couros, este era um aspecto de uma habitação. Apenas um sinal mais do abandono a que o modelo de reprodução capitalista nos vem habituando.

Inciativas de recuperação, requalificação (ou revalorização) dos centros históricos, nas quais a iniciativa da UNESCO se inclui, vêm dar um ar um bocadinho mais humano. Mas, atendendo às forças contrárias, não deixa de parecer um pouco artificial.

O Centro Histórico de Guimarães foi classificado Património Mundial pela UNESCO, a 13 de Dezembro de 2001. A fotografia foi tirada em Maio de 2005.

Ligações

terça-feira, abril 03, 2007

E Agora ?

Deambulações também se fazem a ver televisão. De preferência à noite, quando a clarividência mental se encontra descansada do bulício diurno.

O programa, às tantas da madrugada, era uma chamada "reposição". Mas que estava a ver pela primeira vez. Era o programa dos bombeiros, na RTP 2.

Destas coisas não fazem notícia nos telejornais. Mas podiam. Aliás, deviam.
O caso é que em Sines, grande pólo industrial, caso ocorra um acidente tecnológico que envolva a petroquímica, os bombeiros não têm meios de resposta. Referiu-se que uma maré negra (e não poderemos contar com Nossas Senhoras...) é um risco provável. Mais, a unidade mais próxima capacitada para respostas deste tipo encontra-se em Setúbal, a cerca de 100 kms.

Uma proposta foi feita à Câmara de Sines para criar uma nova corporação de bombeiros, pois, dizia-se, Sines tem-se desenvolvido muito (leia-se "crescido muito") e a existente já tem dificuldades para as ocorrências habituais. A nova unidade procederia - como acontece para outras operações - a simulações periódicas de modo a enfrentar o potencial problema com preparação.

O planeamento parece vir sempre depois. Como os prognósticos...

domingo, abril 01, 2007

Tertúlia: Nova Lei da Docência

A tarde ia ser longa...

O Prof. Baptista colocara algumas questões à Georden e os seus membros reuniram-se à mesa para discutir sobre a matéria, da qual não estavam a par. E a conversa iria começar mesmo por aí:

Vidal - Ei pessoal, ouviram falar da nova lei da docência?
Eduardo F. - Existe uma nova lei? Boa…
Rogériomad - A anterior não servia?
Eduardo F. - Que sabes tu da anterior?
Rogériomad – (…)
Vidal - Este país está a saque! Ninguém sabe de nada, ninguém se interessa por nada!
César - Ei, ei! Calma aí! Vamos lá ver de que é que trata isso, então…
Vidal - Bem, o professor Baptista começa por perguntar “se um candidato no final do Secundário que queira ser professor de Geografia para o 3ºCiclo e Secundário terá obrigatoriamente de ser professor de História e de Geografia?”
Vá, toca a ler isso!

E ficaram algum tempo ensimesmados na lei em questão (o Decreto-Lei nº 43/2007, de 22 de Fevereiro). Passada quase uma hora de silêncio (inexplicável para outros frequentadores daquele bar…), o Rogériomad afirmou repentinamente: - Qual era a pergunta?

Eduardo F. - Está escrita ali, vê-la?
Rogériomad - Ah, ok. Com uma letra destas não chegava lá…
Eduardo F. – (...)
César - Pessoal, acho que o que o Prof. Baptista pergunta está escrito aqui. Reparem. Se alguém pretender ser professor de Geografia terá de concluir os 120 créditos no conjunto das duas áreas disciplinares (História e Geografia) e nenhuma com menos de 50 créditos. Os recém Mestres ficam habilitados a leccionar Geografia e História, no 3º ciclo do ensino básico e ensino secundário. Não ficam obrigados a leccionar ambas as disciplinas, apesar de estarem habilitados para tal. Poderão optar por uma das disciplinas. Pelo menos é como eu interpreto isto…
Eduardo F. - É, também fiquei com essa ideia…
Vidal - Está assente? Mesmo? Então passemos à pergunta seguinte. Vou ler: “Se assim for, teremos daqui a 5 anos alunos que saem da Faculdade com o grau de Mestrado (Processo de Bolonha) com 120 créditos no conjunto das duas áreas disciplinares que lhes irá permitir leccionar nos dois grupos disciplinares.”
Eduardo F. - Sim, correcto. Faço a mesma interpretação. Estarão habilitados a leccionar Geografia e História.
Rogériomad - O que me parece bem.
Vidal - Isto estaria cada vez pior se cada um só percebesse da sua área, aliás, nem faz sentido! Quer dizer, já é tão difícil manter uma boa conversa…! E depois isso passa para os alunos. Cada vez mais, se não soubermos onde estamos e de onde vimos, então não andamos cá a fazer nada de jeito…
César - Sim, concordo contigo. Tu sabes o que andas cá a fazer?
Vidal – (...)
Eduardo F. – Próxima: “Como tal não será descabido dizer que no Ministério de Educação já terá pensado que num futuro próximo o destino da disciplina de Geografia no 3º Ciclo e Secundário será o de desaparecer para dar lugar a uma nova disciplina de História e Geografia, ou seja, uma possível fusão das duas disciplinas agora separadas.”
Eduardo F. - Calma aí! Não sei onde isso esteja escrito. Talvez seja uma suposição do professor. Através do Decreto-Lei em questão, não se percebe se essa será uma intenção do Ministério. Não temos informações para julgar o mesmo, ou para termos a certeza de que isso vá ocorrer….
Rogériomad - Eu acho que tal nunca devia acontecer (pelo menos, assim o espero). Desconheço a intenção do Ministério, mas é totalmente descabido fundir as duas disciplinas. A Geografia e a História complementam-se. O mesmo acontece nas referências 6, 7, 12 e 13. Será que a Biologia irá fundir-se com a Geologia?
Por outro lado, uma possível fusão da Geografia com a História, no 3º Ciclo e Secundário, devia ser feita, não através de juntar matérias numa só disciplina, mas sim em criar um grupo de trabalho de Geografia/História. Os professores dessas disciplinas deviam trabalhar em sintonia, e certas matérias deveriam ser leccionadas em conjunto. A Geografia seria enriquecida com a História, e vice-versa.
Um exemplo, a História necessita de cartografia para localizar acontecimentos. A Geografia necessita de dados/factos históricos para assinalar avanços temporais dos fenómenos físicos, biológicos e humanos na superfície terrestre.
Os professores resumem-se a "devorar manuais pré-concebidos". O lema é: "O programa está estipulado, vamos cumpri-lo com o menos trabalho possível".
Dá a sensação que não têm formação universitária, ou então, perdem-na rápido. Perdem rápido a noção do academismo, da investigação, do debate, da troca de ideias que tiverem durante largos anos da Universidade/Faculdade.
A docência arrefece e adormece. As matérias rotineiras ajudam a isso.
No ensino básico e secundário, os professores apenas convivem na "sala/bar deles".
Debater temas em conjunto com os alunos é raro. Cativar os alunos com aulas dinâmicas/inovadoras, também é raro.
Óbvio que há excepções, mas são raras.
No secundário onde estão as tertúlias? Conferências? Palestras? Saídas de campo?
Todos nós sabemos que as Universidades abrem as suas portas às secundárias. No entanto, por haver determinado professor carrancudo ou um director de turma pouco organizado e mal informado, os seus alunos não entram nessas portas. O que é péssimo para todos.
Talvez tenha fugido um pouco do centro da questão, mas o que me incomoda não é a fusão das disciplinas, mas sim a incapacidade dos professores de as tornar "disciplinas vivas (acordadas) e não mortas (adormecidas)". Talvez seja trauma do passado.
Vidal - Concordo contigo. Muitas vezes não fazem ideia, ou têm uma imagem distorcida e redutora da geografia, desde muito jovens. Isto afasta-os, reduz a disciplina a um "isto não serve para nada" ou a um facilitismo exagerado. A solução passará pela abordagem inicial e pelo contacto. Na realidade esconde uma das facetas mais típicas de alguns professores: O deixa andar, a matéria está dada... não acompanha, a mais das vezes, a realidade actual nem compara (ou complementa) as outras disciplinas. Por isso atrevo-me a dizer que grande parte dos alunos do secundário não faz grande ideia do que será essa tal de "geografia", nem os caminhos e as possibilidades desta. Logicamente isto terá efeitos no futuro da disciplina, porque existe uma "imagem" no espaço cognitivo dos cidadãos distorcida e "irreal". Mesmo em IDES (12ºano) cujas matérias são muito interessantes e pertinentes existem desvios que quando bem esclarecidos e debatidos com o aluno, este parece que fica fascinado e interroga "não sabia que isto era ou podia ser assim"?
César – O que estão a falar descai já para a última questão que ele nos coloca: “Se assim for, eu pergunto qual vai ser o destino de todos os professores de Geografia que, assim como eu, têm somente habilitações académicas para leccionar Geografia? Será que teremos que fazer num futuro próximo os restantes 60 créditos relativos à disciplina de História? Ou, o Professor de Geografia, num possível cenário de fusão dos grupos disciplinares, continuará somente a leccionar Geografia e assim sendo apesar dos professores de História e Geografia fazerem parte do mesmo grupo de recrutamento cada um dará as aulas na sua disciplina (fusão dos professores num só grupo mas não nas disciplinas, tal com aconteceu com os colegas do 6º e 7º grupos).”
Eduardo F. - Na minha opinião, a ocorrer essa tal fusão, será obrigatório para os professores obterem esses créditos. Mas atenção, pois essa obrigatoriedade decorre, somente (como está disposto no nº. 1 do artº 26º - "Aqueles que adquiriram habilitação profissional para a docência no âmbito de legislação anterior à entrada em vigor do presente decreto-lei mantêm essa habilitação para a docência no domínio em que a obtiveram "), para os candidatos a mestre já no ano de 2007-2008. Foi este o meu entendimento.
Rogériomad - Sem dúvida que esse tal n.º 1 do art.º 26, responde às duas questões. Quanto ao destino, "um professor de Geografia hoje continuará a sê-lo amanhã." E na minha opinião, "o professor de Geografia deve ser reciclado para ser reutilizado". Quero com isto dizer que a Geografia como ciência evolui logo os professores de Geografia devem acompanhar essa evolução.
E, seria assim tão mau para um professor de Geografia fazer 60 créditos relativos à disciplina de História?
Vidal – Fazer créditos para fazer História? Por que não? O professor de Geografia e o Geógrafo deve reciclar, deve complementar a sua formação o melhor possível e adaptar-se, não ser "monocultura". Aliás, como professor, em essência, não poderia ser outra coisa.
E aproveito, desde já, para lançar outras questões:
Qual o futuro de se apresentar a concurso com "habilitação própria"? É o nosso caso. Pessoalmente concorro há dois anos sem problema algum, e este ano já verifiquei a minha password para o concurso e funciona. Concorro com a média final de curso e sem tempo de serviço. O ano transacto não entrei na fase de contratação por muito pouco. Qual o futuro do concurso com habilitação própria? Temos apenas que fazer os dois anos dos 2ºciclo? Ou as respectivas cadeiras pedagógicas, como anteriormente?
César – Bem, Posso mandar vir mais uma rodada? Ei! Aonde vais?
Vidal – Vou ver se apanho as canas dos foguetes que acabei de lançar...
Eduardo F. e Rogériomad – Mas volta...

Passado um bom quarto de hora, Vidal chega chega esbaforido mas com a resposta na ponta da língua:

Vidal – O despacho do gabinete do secretário de estado da educação de 20.04.04, alude a um regime especial (não obstante o exposto no decreto lei 20/2006 de 31 janeiro) aplicável apenas até 2007/2008 (este ano lectivo) em que será possível a candidatura dos docentes com a habilitação própria, mas que não observam o período de tempo de serviço requisitado. Este último equivale a um mínimo de 6 anos, sendo que estes docentes com habilitação própria podem aceder à profissionalização. Em última instância trata-se do último ano em que o pessoal com habilitação própria mas experiência inferior a 6 anos pode concorrer.

E dito isto, avançou:

Vidal – Vamos aos finos, que isto de apanhar canas cansa...


Afinal, a tarde foi curta para tão longo debate...
Como narrador resta-me ir beber com eles...

“Venham mais cinco de uma assentada que eu pago já...”

Saudações geográficas