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segunda-feira, janeiro 30, 2017

Rede de bicicletas partilhadas chega a Lisboa em Junho

A partir de Junho, Lisboa vai ter uma rede de bicicletas partilhadas. Em Março, o projecto avança para a zona do Parque das Nações ainda num registo experimental. A novidade foi partilhada por Luís Natal Marques, presidente da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), que informou que a rede vai contar com 1410 bicicletas por toda a cidade.

Destas 1410 bicicletas, 940 serão eléctricas e 470 convencionais, e estarão distribuídas por 140 estações ao longo da cidade. 92 bicicletas estarão no planalto central da cidade, 27 na baixa e frente ribeirinha, 15 no Parque das Nações e 6 no Eixo Central, nas avenidas Fontes Pereira de Melo e da Liberdade. Em Outubro de 2015, a EMEL lançou um concurso público para “aquisição, implementação e operação do Sistema de Bicicletas Públicas Partilhadas na cidade de Lisboa”. 23 milhões de euros serão investidos nesta nova rede de bicicletas partilhadas, com a empresa Orbita a ficar responsável pela aquisição do sistema e pela manutenção nos próximos nove anos.

Via Greensavers



Finalmente Lisboa vai parecer-se mais, no domínio da mobilidade, com outras cidades europeias. Estivemos há uns meses em Madrid e o seu projecto, BiciMAD, pareceu-nos perfeitamente consolidado e eficaz, com inúmeros utilizadores. Podem saber mais aqui, mas o BiciMAD dispõe de uma rede de 2028 bicicletas eléctricas (todas) distribuídas por 163 estações.

Ao lado, foto de quando fomos a Zaragoza (junto à Estação Ferroviária de Delicias), aquando da Expo, em 2008. A cidade, magnífica, também dispõe de aluguer gratuito de bicicletas (convencionais, à data). Andámos alguns dias nelas e entregámo-las no fim do prazo.


Recordemos o vídeo que fizemos na altura:




segunda-feira, outubro 28, 2013

Um hostel onde podes dormir numa caravana vintage


"Este não é um hostel comum. Situado em Bona, na Alemanha, o BaseCamp Bonn é um armazém transformado para albergar 15 caravanas de campismo “vintage”, duas carruagens ferroviárias e quatro caravanas Airstream dos EUA. Para além disso, estão ainda disponíveis autocarros VW e os míticos Trabant, da ex-RDA. Ao todo, o hostel é composto por 120 camas e as casas de banho são partilhadas. O conceito foi criado pelo hoteleiro Michael Schlosser e é único. As caravanas foram projectadas pela designer de televisão e cinema, a alemã Marion Seul. Cada uma tem um tema diferente e os preços variam dos 22 aos 72 euros por noite."

Ler mais aqui.

terça-feira, março 26, 2013

É pra rir?

É que não me dá gozo bastante para vir aqui denunciar a anedota em que foi transformada a cidade de Braga.

Não disponho de testemunhos fotográficos para o demonstrar.

Desde que as "regenerativas" obras ficaram concluídas - assunto que está sempre pendente e subconsciente no Georden - que os resultados esperados aí estão. Para valer.

Há duas coisas, para começar e pelo menos, que enfastiam os moradores ou passadores frequentes no burgo.


Cidade onde é mais que habitual chover, e muito, é incrível que os engenheiros, os arquitectos, britaleiros e politiqueiros - olhem, vem agora aquele Vítor Sousa, corrupto (caso do caso da TUB, com mais, pelo menos, sublinhe-se, outra senhora) que não pudemos escolher para candidato pelo PS a substituir o dinossauro - ainda não tenham tido sequer a ideia de resolver o problema da falta de escoamento dos passeios e da Praça da República.

Chamemos-lhes ineptos, vendidos, dorminhocos (no mínimo!) ou estúpidos, desfasados, bonecos de gabinete, empecilhos, sorvedouros do nosso dinheiro... a questão é que eu e centenas de pessoas temos de levar com a água pluvial a dar com uns bons centímetros acima do chão.
E o problema assim não se resolve.

Aliás, esta água podia ser aproveitada.
Se esta cidade tivesse algum planeamento sustentável. Em termos ecológicos, claro.

Porque com estas obras houve uma sustentabilidade em que os "estrategas" não se esqueceram de pensar:

a redução de espaços de estacionamento livre.
Pois há que ir buscar receitas aonde se puder, que o poder central já anda chateado convosco e além disso pobretanas.
Olha, até com uma empresa ligada - pagamento de favores, só pode!, que é para isso que eles estão lá infiltrados. Quando não são as mesmas e únicas intervenientes - para controlar os parcómetros.

Parece que têm andado com pouca sorte, os senhores da ESSE.
MAS QUE AUTORIDADE têm estes senhores?
Quem lhes concedeu a tarefa sabemos bem quem foi, mas foi com o reconhecimento, provado, dos cidadãos sobre os quais incumbe a decisão e escolha?

Quando quiserem multar-me, chamem, DE IMEDIATO, um agente "oficial", da polícia, pois então. 
Que um sujeito com aparelho nas mãos a verificar se a avença que nós pedimos e que teima em não nos ser passada (um dos jornais do município, isto é, com infiltrados e financiamentos reversíveis, vulgo favores e enche-cefálicas ideias do status quo, falava há umas semanas que a Câmara não estava a emitir avenças há mais de dois meses... que curioso!) não é agente nenhum.
Eu não o reconheço com autoridade.
Porque eu não lha dou.

E com isto da concessão, onde não fomos chamados a meter o bedelho, até vão mais longe que o objectivo previsto que era o das pessoas irem meter o popó nos parques dos senhores Rodrigues e Névoa. E muita gente, talvez como protesto (se a lucidez já aterrou por aqui...), tem recorrido a esse esquema. 
O que vai dar no mesmo e resulta em: "Conseguimos! O plano está a funcionar na perfeição. Bela ideia esta da "regenerar Braga"!" 


Exemplo 1 - Concavidade junto ao chafariz - Praça da República
Foto de E. Soja - 23.8.12 

Exemplo 2 - Um excelente acabamento - transição da Praça da República para via de rodagem automóvel.
Foto de E. Soja - 23.8.12

Exemplo 3 - Obra por terminar - "ad infinitum" (ler texto para mais explicações)
Frente ao Banco de Portugal
Foto de E. Soja - 23.8.12

O retratado no primeiro exemplo é um problema que permanece. E que permanecerá enquanto a balança do poder estiver inclinada para o presente lado - o dos valores privados a primarem sobre quaisquer outros. É que nem a estética parece contar, eles que gostam tanto de "deves e haveres"...

Tal como o atraso dá em insurgirmo-nos contra os adeptos do clube "inimigo" e nisso esgotarmos as energias, bem úteis são, para - se quisermos continuar na mesma linha de violência - destruir uns patrimónios privados dos que nos andam a tratar da vidinha (em seu benefício, claro) - coisa para a qual era preciso mais cabeça e menos fanatismo bacoco...

... também o panorama, ou as vistas, que temos da avenida, limpa e desobstruída de construções em altura (ali como na Praça Conde de Agrolongo), não resultam do gosto estético ou dos valores de planeamento, mas sim de não ser possível nem desejável, tal como não erguemos casas no mar, de sobrecarregar o espaço com muito peso.
Sob risco de abatimento, o que seria uma catástrofe, alguns carros esmagados, alguns mortos e tal.

Porque os túneis e os parques de estacionamento a eles associados estão a minar esta parte da cidade, impossibilitando obras. E a isto se chama o poder instalado e bem instalado, incapaz de ser removido, pois daria, além de muito trabalho, muitos problemas a quem por isso se pautasse ou isso propusesse.

Curiosamente, não é tanto pelo buraco toupêirico que há por baixo, grande galeria das térmitas do poder económico, que aquela concavidade se dá, mas sim porque, é visível e audível, há ali uma conduta de água.
Ora, se há coisa que sabemos é que os líquidos são, por natureza física, móveis. E a água, grande agente de transporte. Se as coisas não estiverem bem acauteladas e canalizadas, as pequenas areias em que se vai transformando o solo (matéria orgânica mais sais minerais e ar, não esqueçamos) serão, aos poucos, arrastadas e removidas. O resultado é um vazio que a não ser preenchido provocará um abatimento.
E, voilá, aí temos aquela concavidade. Talvez até fazer cair o mais desatento transeunte, por uma ou outra pedra mal colocada ou um erro de expectativa no andamento.

Do exemplo 2, aquele mesmo foi resolvido passados poucos dias. Pois além do desalinhamento das pedras, também houve um desnivelamento entre as pedras que separavam o passeio e via. Até isso ser corrigido algumas pessoas tropeçaram naquele mau acabamento.

O exemplo 3 serve mais como ilustrativo situante para vos vir falar da anedota de hoje.

Como podemos ver, há uma diferença de piso entre a pedra da - novamente ali posicionada, e tudo bem - passadeira e a pedra geral por onde os carros passam. Vulgo paralelo. Que não sei se serve para infiltração, estudo a ser feito (e coisa que duvido), mas serviu muito bem para aumentar o ruído emitido. Talvez tenha conduzido a uma redução da velocidade dos senhores automobilistas que se esquecem da adequação e regra imposta dentro das zonas urbanas. Ainda por cima, com tantos transeuntes em movimento.

Esta diferença de piso serve para indicar aos automobilistas e aos peões que, além da lomba (fixem esta palavra), há ali algo a apelar a uma mudança de comportamento. No caso dos peões, que é por ali que se atravessa. No caso dos automobilistas, que é por ali que os peões poderão atravessar-se. Mesmo no vermelho do semáforo, os incívicos!

Mas não só.
Esta pedra, ao longo da Avenida Central (que é dela que estamos a falar) e da Rua dos Cãos ocorre pelo cinco vezes. Quatrs lombas/passadeiras e uma não-lomba, à entrada do túnel que vai sair na Avenida da Liberdade.

Ora, se estamos bem atentos, desde que as obras foram concluídas, houve cerca de seis problemas a elas associados. Estas lombas têm pedras, todas do mesmo tamanho, muito grandes. E a pedra, já se sabe, não verga. A inclinação inicial e final de cada uma das três não estava bem segura e houve o partimento das mesmas. Do levantamento de hoje já vamos falar.

E toca os operários a substituir ou a pôr areia por baixo, para as mesmas não ficarem a balouçar. Lajes partidas vimo-las já à entrada do túnel, na lomba em frente ao Banco, na lomba / passadeira junto à entrada lateral do Centro Comercial Avenida / BragaShopping e - primeira a partir-se - no Largo dos Penedos (junto à Regina Doce e à paragem dos autocarros).

Põem umas vergas com uma fitinha vermelha e branca a sinalizar "Cuidado", não chegar perto, obra a reparar, parece dizer.
Assim, esta é a obra que nunca acaba. Como estava na legenda da foto. Pois que a estrutura está mal feita, os problemas serão recorrentes.

E tal como a mudança recorrente dos amores-perfeitos nos cântaros que escorrem areia para o fundo na Avenida da Liberdade, este é mais um tachito assegurado à fornecedora da pedra retirada do sítio onde os adeptos se inspiram para violentar pessoas, camionetas e sedes de clubes "inimigos" pelas redondezas.


Mas se há motivo para rir foi o de hoje.
E que pena não haver foto!
Não era tão digna como aquele engolimento junto ao Aqueduto das Águas Livres em Campolide daqui há uns tempos, mas também foi muito giro.
Conta quem passou.


A TUrBa que passou...

Uma destas pedras estava levantada a tal ponto que um autocarro da TUB... 

(daqueles que a empresa promove com a cara de uma jovem toda gira e com um sorriso de quem vai alheada de que, na realidade, os TUBs só andam, lentamente, com idosos ou crianças que outro meio não têm para se deslocar pela cidade e para irem para a escola ou dela voltarem) 

...lá ficou preso.

Isto terá sido pela manhã, talvez pelas 9h e tal, a julgar pelos apitos dos automobilistas assim imobilizados e em tensão para chegar ao trabalho escravizante ou à escolinha encaixotante do filhinho.

Na azáfama e indignação, até veio uma jornalista entrevistar os "transeuntes"...

Ah, que pena...
Não haver foto.

Mas...

Ah!, que pena esta cidade não funcionar para os cidadãos e não oferecer uma melhor qualidade de vida aos que nela vivem.

E ficar com a nítida impressão de que esta cidade só funciona para os que dela vivem e fazem negócio.

(Nota: só tivemos oportunidade de falar de alguns aspectos)

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

São valores... cotados na bolsa que não é TUA






Caros amigos do Tua,

Está disponível uma nova petição/manifesto em defesa da Linha e do Vale do Tua, para que todos possam manifestar o seu desagrado pela construção da barragem de Foz Tua.

Esta petição está endereçada às habituais instituições nacionais, Unesco e Parlamento Europeu:






A esta causa, juntaram-se recentemente vários artistas entre os quais se destaca o papel activo da Márcia e da Luísa Sobral que gravaram duas canções durante a sua visita ao Vale do Tua, em Dezembro passado! Ouçam e divulguem, pelo nosso Tua!


É importante a participação de todos e a divulgação da mensagem pelos vossos amigos e contactos. Esta é mais uma oportunidade e um importante contributo para a defesa da Linha e do Vale do Tua. Obrigada a TODOS!

Atentamente,

Célia Quintas 
Pela Linha do Tua

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Meus amigos, já tivemos as malas de cartão, apresento-vos agora: a bicicleta de cartão!



Creada en Israel por Izhar Gafni, tiene como punto fuerte sus bajísimos costos de producción (menos de 10£), ligereza (9Kgs la versión de adultos) y que además, a pesar de ser de cartón reciclado, repele el agua, lo que nos da una bici duradera, barata, ecológica y resistente.

(mais informação AQUI)

[sacado daqui]

sábado, janeiro 19, 2013

A metafísica da agregação das freguesias

Vem sempre tarde ou a más horas.
A discussão não é pertinente, a coisa mais premente, "há questões bem mais importantes a tratar, por exemplo, o desemprego."

O despropósito da reforma administrativa manifesta-se em manifestações, associações e solidariedade, reivindicações identitárias, apelos à história.
Bem mais grave que isso, é - claro está, que é disso que se trata - a transferência dos poderes e dos órgãos de decisão ou, melhor, dos institutos e centros de apoio às populações.
Que vivem ali.
E não noutro sítio.

Por exemplo, por haver zonas demograficamente pouco densas,

(aquilo a que os nossos jornalistas e os nossos governantes, quais deles os primeiros papagaios: isto é, quem reproduz a imprecisão geográfica: desertificação difere, e muito, de despovoamento...pronto, esta não íamos deixar passar no branqueamento habitual da estupidificação)

- um tribunal, 
- um centro de saúde, 
- uma repartição de finanças, 
- um centro de dia

e outros instrumentos de apoio social que não dependem - nem necessariamente, nem devem, de todo - do intuito lucrativo que está a destruir tudo o que é colectivo

fecham e transferem-se, em nome da racionalização de recursos, ou da chamada reorganização austera e sinistra (mas, no caso, feita pela direita) em tempos de escassez de meios (e excesso de cabeças bem-pensantes), para áreas...
(aha! lá está!)
... mais povoadas.

Em suma, quando estes organismos passam 
- sim, adivinharam! - 
a ter um comportamento de implantação ou de organização geográfica idêntica a empresas.
Pois, com o lucro.
Em nome da poupança, que é disso que se trata, no fim de todas as contas orçamentais.

Isso são as implicações directas.
Isto são as dificuldades acrescidas que as agregações de freguesias trazem para quem vive nelas.
E não é pouco.

Os hiper-nomes (em tempos de já tudo dito, feito, misturado e deslavado) das paróquias assim daí paridas são mais um folclore de pouca ou nenhuma montaria.
Por exemplo, o concelho com mais freguesias no país, Barcelos, (89 freguesias) dará à luz a linda menina de nome "União das Freguesias de Barcelos, Vila Boa e Vila Frescainha (São Pedro e São Martinho), como podemos ver nesta proposta.
Barcelos já teve mais que aquelas 89.
Não é engraçado?

Vá, deixemos isso para depois.


Na era das comunicações virtualizadas,
- a mãe a chamar o filho pelo feicebuque para ir jantar,
- o amigo a enviar uma mensagem à moça da fila da frente, 
- o amante de futebol a ler as estatísticas da época da equipa húngara de Zalaergeszeg, 
- acordar às 7h da manhã e ler as notícias no La Vanguardia, no Deutsche Zeitung, no Herald Tribune ou no Monde Diplomatique, para não perder pitada do que se passa lá fora, "que a coisa aqui tá preta...", como cantava, ao meu amigo, o Chico),
- o comentário "lol" à fotografia daquele moço que foi apanhado a fugir, nu, à frente de uma galinha em fúria,
-

Na era da desestruturação social, laboral, familiar, associativa,
- muros de estradas pagáveis que separam pessoas que tiveram que ir trabalhar, sob ameaça de despedimento, para uma sucursal no extremo do país, com as excelentes condições psíquicas e de integração social,
- casais que não têm filhos (sei lá, estéreis por causa dos químicos na porcaria de janquefude que conseguem pagar para comer, que é a mais barata e que serve para aniquilar as "classes inferiores"), que não podem ter filhos (que a vida está cara), a juntarem-se cada vez mais tarde (que não há condições para suportar uma renda, quanto mais pedir crédito a um banco para ficar agarrado o resto da vida a pagar a estúpida da casa em que vais morrer enjaulado), com pouco tempo para socializar, sair à noite (que há consumo mínimo),
- o abandono dos pais depois das férias. Não, o abandono dos pais no HOSPITAL, não no canil,
- o despedimento fácil, barato e a dar milhões a quem não pode perder um bocadinho de tempo a olhar para o outro, que "taime ij mónei", dizem os padres do só funcional mundo utilitário moderno,
- o entretenimento imposto e sorrateiro a criar divisões, desinteresse, a esvaziar ideias e a desestruturar, pela base, qualquer possibilidade de agregação de esforços em prole para lá da limpeza do cotão teu do umbigo. Ah!, viva a a liberdade de associação! Viva a Democracia!
- as horas tão infrutíferas e mal-pagas de vida que perdemos a trabalhar para ganhar a vida. Para trabalhar. E as horas escassas do dito descanso-rentabilização-das-forças-para-amanhã-vergares-de-novo-e-bem, produtivamente-a-mola-que-serve-para-a-máquina-em-que-nunca-te-revês-e-onde-te-perdes-todos-os-dias, que te não deixam espaço senão para dizeres que estás farto e que só queres estar sozinho e que os amigos e os familiares e as viagens e os passeios nos parques que tu não tens na tua cidade podem ficar para outra altura, ok? depois ligo-te, sim?.

Na era da mobilização autocrática
- a da obrigação de deixar o apartamento
- a da obrigação de não permanecer no local
- a da ordem para sair do bairro, que vai ser demolido, a do campo, que vão começar as obras para o futuro e novo aeroporto de Notre-Dame-des-Landes, 
- a da obrigação de sobreviver noutra terra, "plena de oportunidades"
- a da transferência de pessoal para serviços para os quais não estavas preparado e se não te adaptares vais prà rua.

Na era dos fluxos instantâneos
- do dinheiro virtual à pressão de um "enter"
- do lixo humano escravo e emigrante à pressão de um "out!" (por xenofobia ou ordem dos serviços de estrangeiros e fronteiras.. bah!, fronteiras...!)
- dos objectos de consumo que mandas vir pela net do outro lado do mundo, mas que vieram da China, sempre da China, ou de um outro país onde fica sempre mais fácil produzir e é mais fácil poluir, que ninguém vai saber e todos lucramos com isso: eles, porque lhes damos trabalho, tu, porque tens a coisa a sair-te mais mais barata, e eu, que tive a brilhante ideia de congregar esforços virtuais e liguei uma coisa à outra, aqui sentado em frente a este computador brilhante e cheio de cristais líquidos,
- do lixo que antes não o era e só agora que já usaste e desembrulhaste o objecto é que te apercebeste que é... lixo, que envias - chamando as forças de limpeza, 24 horas por dia, sempre ao teu dispor, em nome da saúde pública - para longe dos teus olhos cada vez mais mirrados


Nestas eras todas, em que, devido à liquidez, não consegues formalizar uma teoria, pois quando terminas a frase já tudo parece ter mudado e o que querias dizer já aí vem contradito pelo que agora se te apresenta;
nestas eras todas, em que devido à comunicação, física ou informacional, os efeitos já não se restringem a este ou àquele sítio, lugar, zona, região, país...

nós observamos que...

a fusão das freguesias é uma decorrência normal da perda de fronteiras que figuram apenas como ideias ou traços num mapa, também ele desenhado com base em ideias.

A agregação de freguesias é a materialização da enxurrada do capitalismo e dos valores da economia a sobreporem-se a tudo o que possa ser expropriado, esvaziado, explorado, transformado, vendido e transferido.

Na era dos assaltos que ficaram por fazer ninguém sairá seco deste planeta azul de cores misturadas.
Viva a riqueza cultural: enquanto eu profito, (fico com o graveto, 'tás a ver?) tu ficas a ver navios.
Pois, pá, é para isso que...Viva a riqueza cultural e coloral do planeta das notas verdes e do fitoplâncton em redução abismal.

Globalização é o mundo a rodar tão rápido quanto uma batedeira: para misturar bem.
Para desorientar bem.
E envolver tudo.
Mas... sempre a bater no mesmo lado.
E sempre o mesmo a bater bem.
Às claras.
Sem interrupção que nos valha.

A metafísica da agregação das freguesias acaba mesmo aqui: nas fronteiras, vistas, agora sim também aí, como um anacronismo. Barreira finalmente derrubada pela racionalização económica sob a capa do bem comum que fica sempre para depois.

A reformulação de fronteiras e a renomeação ocorrem quando o poder é outro, sendo outro porque assim impõe mudanças, assim se afirmando como novo poder. Numa pescadinha-falácia de rabo-na-boca que não conseguirás comer.

Trata-se, simplística e kuhnianamente, de mudança de paradigma.
A meta deixa de ser física, passou a ser objectivo. 
But, em francês, goal, em inglês, understand silly oldman?

Ou talvez não seja outro paradigma.

Porque este último assalto era um dos assaltos que faltavam depois do despojamento que tem vindo a ser praticado pela rapina secular dos bancos.
Agora que se proporcionou e todos estamos com a corda no pescoço, incluindo os porcos capitalistas dos banqueiros de todo mundo, unidos e divididos, eis o momento.
Vem tarde e a más horas!!!

domingo, outubro 07, 2012

O último a sair que feche a porta, por favor



Já aqui escrevi inúmeras vezes sobre a destruição metódica dos caminhos-de-ferro em Portugal, designadamente, nos últimos 20 anos. Com efeito, o modelo de desenvolvimento (vamos denominar a coisa assim), relativamente à mobilidade e transportes, num quadro de (des)ordenamento do território, assentou desde o início da década de 1990 não apenas na construção de auto-estradas, mas na asfaltonização e betonização total do país.  Aos poucos fomos percebendo o porquê.
Os resultados, relativamente à ferrovia, estão bem à vista, pese todas as tretas megalómanas de projectos para inglês ver e português, de uma forma ou de outra, pagar. Deixo-vos com este apontamento:

Especialista diz que ferrovia em Portugal ficou ao nível da Serra Leoa:

“A evolução dos caminhos-de-ferro portugueses nos últimos 25 anos é a da perda de passageiros. Somos o único país da Europa que acusa perda consecutiva de passageiros: 44%. Estamos ao mesmo nível de tráfego de 1970”, diz este professor da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, num balanço do Plano Estratégico dos Transportes (PET), anunciado há um ano.

Logo no início do ano, a 1 de Janeiro, o Governo encerrou cerca de metade desses 622 quilómetros. Foi desactivada a linha do Corgo, a do Tâmega e a do Ramal da Figueira da Foz (que já estavam sem funcionar e à espera de obras). A isto somou-se o fim do serviço de passageiros na linha do Leste e na ligação Beja-Funcheira, num total de 301,6 km.

Em Agosto foi encerrado o Ramal de Cáceres, passando o Lusitânia Expresso – o único comboio de passageiros que usava aquela linha – a circular pela linha da Beira Alta. Por encerrar estão as linhas do Vouga (95,8 km), do Oeste entre as Caldas da Rainha e a Figueira da Foz (55,7 km) e do Tua (54,1 km).

Manuel Tão refere que a ligação Beja- Funcheira era “parte importante da Linha do Alentejo” e uma ligação importante ao Porto de Sines.
“O Governo não tem qualquer estratégia concreta para os portos. O Porto de Sines é de uma acessibilidade global e depende de uma só linha, basta uma avaria para que o porto deixe de ter acessibilidade ferroviária. Beja é o elo fundamental para que haja uma segunda alternativa. Não podemos ter o Porto de Sines dependente de apenas uma linha ferroviária”, argumenta.
Para este especialista, “insistir em fechar linhas é deixar de ter um sistema em rede e passar a ter esquema esquelético”, pelo que não se pode “pensar no comboio como alternativa, quer para passageiros, quer para mercadorias”.

Manuel Tão considera que Portugal caminha para ter apenas “restos de caminho-de-ferro à volta das grandes cidades: Lisboa-Porto, Lisboa-Algarve, Porto-Minho e Porto-Espanha”.
“Quando o sistema em rede começa a definhar, a questão não é fechar a linha A ou B, mas fechar o todo. Isso só aconteceu na América Latina e na África Subsariana, na Europa nunca”, destaca, explicando que em qualquer outro país europeu esta situação não existe: “Este cenário só aconteceu no Equador, na Colômbia e na Serra Leoa. Hoje têm toda uma logística de mercadorias entregue à estrada”.
Por isso, “perante políticas destas, Portugal afunda-se ainda mais na dependência do petróleo”.

Ler tudo no Público online (sublinhados meus)

[imagem: estação de Beja]

sexta-feira, outubro 05, 2012

"Está a nascer um negócio na tua cabeça, Zé / Está, sim, está, sim"


"...Corta o mal antes que cresça, Zé..."
 
 
(Povinho)



(Reportagem com propaganda associada, no início:
recomendo calar o som ir ali e só voltar daqui a um minuto)

 
 
É tão engraçado que - honra lhe seja feita, que fala muito bem e tal - o analista chamado a comentar estas alterações demográficas e deslocações geográficas seja, não um geógrafo - coitados deles! onde estão eles? - mas, sim, e mais uma vez - incrível não terem ido bater ao peito de um arquitecto... - um sociólogo.
O erro fica mais ou menos mitigado, contrabalançado, com a intervenção de um ambientalista?
 
(Reparem que enquanto o sociólogo é meramente descritivo e informativo) deve ter sido o que lhe foi pedido...), o ambientalista toma posição. Nem de outra forma poderia ser! O que podia era o sociólogo... sê-lo: fornecer pistas de leitura, semear perguntas e inquietações. Isso era negar a sua demissão de analista do status quo.)
 
Muito bem. Adiante.
 
Esta reportagem destina-se a quem, afinal??

Sim, há pessoas que, mesmo que tivessem, nem teriam tempo para ver televisão...
Algumas pessoas - algumas famílias, vêm eles chamar as coisas bonitinhas pelos seus nomes atractivos - puderam dar-se ao luxo de ir viver para concelhos periféricos ao de Lisboa (são indicados Palmela, Alcochete e Mafra). Com os seus carrinhos e os seus meninos-bem, optaram "por uma vida mais tranquila" e "longe do bulício da cidade". Em moradias, pois então. Isso, ficai amarrados pela corda para o resto da vida. Há uma ideologia por trás disso, que vós seguistes...
(Como é que propalam tanto a "flexibilidade" e defendem tanto o "agarrar de oportunidades" quando o que vemos sempre é as pessoas a procurarem a estabilidade e o "sossego"? Destas duas vontades, qual dela quer, qual delas vai vencer neste jogo do gato e do rato?)

 
Essas pessoas ficaram a ganhar.
Com a população flutuante, em movimentos pendulares, a cidade ficou a perder.

Ao haver um decréscimo dos preços por m2 por ter havido uma explosão imobiliária o sistema económico continua a amordaçar a Terra. Connosco, sem outra hipótese / sem outra visão, a alimentar o monstro que tudo vai tragando.
Significarão as moradias e querer viver nelas que estamos a perder a capacidade de viver encaixotados? Quem, aliás, no-lo foi ensinando senão aquela mesma economia?
Que qualidade de vida? O Homem bem-pensante, quando pensante, estará a tornar-se anti-social? Misantropo?
Para que serve a sociedade?
Usamos a sociedade como papel higiénico?
Quem fica a cheirar mal?
Será que, nestes lugares superpovoados e densificados (pessoas e ruídos sem amortecedores possíveis) apenas temos, fomos ganhando necessidade urgente de "privacidade"?
Como se conjuga a defesa e o direito à privacidade, mais à sacrossanta "propriedade privada", ao "espaço só nosso", com a devassa da vida pública e privada nos média que tudo vão querendo devorar?
 
No entanto, por esta mesma centrifugação, as grandes cidades vão crescendo, alastrando e manchando as periferias, invadindo os campos produtivos (os que) e destruindo equilíbrios e espaços que são necessários como vazios de habitantes e pegada da besta do Homo consumericus.
E, assim, aquilo de que nos vamos queixando, é precisamente aquilo que, por uma qualquer cegueira umbiguista de que ainda não nos apercebemos, vamos alimentando.
 
As imobiliárias e os bancos estão a ganhar.
Nós, enquanto seres sociais, estamos a perder.
Saúde e poder.
 
"Estar longe da confusão e viver às portas de Lisboa".
 
Será que as cidades já não são lugares para habitar?
Lugares aonde vamos apenas fazer "confusão" e que passamos o dia desesperados por deixar?
Lugares aonde vamos apenas fazer "o nosso trabalhinho", dar o nosso "contributo" para a sociedade e que depois, exigimo-lo, temos o direito de abandonar,?
Que sanidade terá então esse "trabalhinho", essa "troca económica e social" que lá vamos "obrar"?
Quem fica para trás, na "confusão"?
Quem foge? Quem pode.
 
 
Mais custos ambientais nas deslocações.
E - pasme-se, para completar o rol e tudo estar em perfeita sintonia (falaremos de que sin...fonia se trata, a musiquinha com que vamos adormecendo, embaladinhos, vitorgasparadinhos) - "os transportes públicos não são opção para muitos dos novos aldeãos".
Paga, povo-bem e não tão-bem, o combustível, já que não pagamos convenientemente a poluição-
Paga, povo-cada-vez-menos-bem, a velha salazarenta portagem sorvedora de dinheiro.

Como? O carro é mais usado em Lisboa que na maioria das metrópoles?
Com um sistema intermodal daqueles??, com metro, eléctricos, comboio, autocarros e quiçá bicla?
Que dizem que funciona tão bem... afinal!
Qual a percentagem do uso destes outros transportes, ditos colectivos (que o são mais, sim)?
Significará que apenas funcionam localmente, dentro do espaço urbano?
Mas... qual é o espaço urbano de Lisboa?
 
"Lisboa tem uma área metropolitana três vezes maior que a área metropolitana de Nova Iorque, mas SÓ a cidade de Nova Iorque tem o triplo de habitantes da área metropolitana de Lisboa"
 
Por causa do mesmo princípio económico da rapidez e ... da "economia", a construção alastra para onde forem sendo traçadas as auto-estradas e grandes alcatrões alinhados. E uma vez que não fugimos a este diktat, os agentes económicos infiltrados nas decisões que afectam a todos e enriquecem alguns já sabem como nos atacar. E sabem-no muitíssimo bem.
A paisagem, ou o que vai ficando dela, é um dano colateral, "necessário" para haver o tão prezado e dêusico "crescimento económico".
 
O ordenamento do território ri-se de nós e diz-nos que não tem nada a fazer aqui.
Portugal provisório que não invertemos e, por omissão de intervenção, vamos tornando definitivo.
Atravessando o tempo, por entre os despojos humanos empilhados que ficam para trás.
Por entre os destroços e as brumas da memória sempre cantada mas nunca entoada pelos que vivem aqui e agora.
 
No meio de toda esta confusão, quem se salva?
Quem se pode salvar?
Que mancha de óleo estamos a tentar limpar? Com petróleo??
Dizem que o petróleo - refinadinho e cor-de-rosinha, claro está, que é bem mais atractivo e vendável (O quê? derrames de petróleo?? aquela coisa com cor tão bonita??) - remove muito bem as nódoas.
Mas, once again, folks, lá estamos nós a alimentar um sistema de desenvolvimento industrial que nos trouxe até este beco populacional, ecológico e económico.
 
"Insanidade é insistir nas mesmas acções e esperar resultados diferentes."
Albert Einstein
 
E esta reconfiguração demográfica configura alguma mudança do sistema de poder até aqui empurrado a seguir?
Quantas moscas podem mudar-se para a esterqueira poder perdurar?
 
Os ditos centros deslocalizam-se, pois o bulício será replicado, tanto quanto possível, nas periferias, reproduzindo novos centros, criando, com o tempo, se o sistema reprodutivo permanece idêntico, os mesmos problemas criados lá longe, longe aonda agora só fantasmas e edifícios vazios (200 mil, em Lisboa) se erguem como cadáveres para dar nome e vida à sociedade.
 
 
Pero, que es la sociedad?...

quinta-feira, setembro 06, 2012

Imprensa do dia (18): andar de bicicleta é fixe?

As câmaras municipais deviam dar uma bicicleta a cada aluno do 1º ao 9º ano de escolaridade em vez de financiar o seu passe escolar de autocarro, defende a professora catedrática Beatriz Pereira, do Instituto de Educação da Universidade do Minho - in Correio do Minho




Algumas considerações. Ficamos a saber que professora Beatriz Pereira (supostamente) conhecerá a realidade nórdica, isto é, a sua estrutura urbana e respectiva subestrutura (rodo)viária, a possibilidade de transportar as bicicletas nos transportes públicos e de as estacionar facilmente, e enfim, o facto relevante de a bicicleta ser um meio de transporte efectivo, válido como qualquer outro, e como tal considerado, há muitos anos. E não só nos países nórdicos.


Ficamos, no entanto, sem saber se a professora Beatriz Pereira é uma utilizadora da bicicleta, como meio de transporte nas suas deslocações habituais para o trabalho ou outras, ou se o faz por lazer ou para fazer exercício. E já agora, ficamos sem saber, se o faz de forma frequente, por exemplo, na cidade de Braga, já que afirma que “onde circula um automóvel pode circular uma mota ou uma bicicleta, basta haver uma cultura de respeito pelo outro”.


Faço aqui uma declaração de interesses: sou um utilizador da bicicleta como (mais um) meio de deslocação/transporte, de forma mais ou menos regular, na cidade de Braga. Compreendendo a perspectiva e a importância da actividade física nas rotinas diárias de alunos ou de quaisquer outros, aliás, eu próprio sempre me desloquei para a escola a pé, teremos que enquadrar esta situação no espaço geográfico e sociológico em que ocorre.


Deslocar-se de bicicleta na cidade Braga não é, de todo, coisa fácil, ou mesmo aconselhável. Não apenas por falta de “trajetos velocipédicos ou acessos especiais”, que de facto não existem, a não ser a famosa pista em Lamaçães (que apenas serve para umas passeatas e algum exercício, nem sempre em bicicleta), mas porque a estrutura urbana de Braga não está, de forma alguma, pensada para outra coisa que não seja o automóvel (nem sequer para o transporte público), e mesmo para o automóvel é questionável.


A não ser que o passeio se resuma ao centro pedonal, e mesmo nesse caso particular, passível de algumas surpresas desagradáveis com peões, todo o resto é um exercício de destreza e coragem: circular nos passeios (quando não estão automóveis estacionados); superar viadutos e passagens áreas; passar nos interstícios dos prédios e por atalhos; circular no meio dos automóveis com a cabeça a prémio; andar em contramão (isso não existe em Braga para bicicletas); carregar a bicla às costas e subir e descer escadarias; estacionar a dita com cadeado agarrado a uma calha; tentar imaginar o que pensa o peão ou o automobilista em cada situação (a bicicleta pode ser encarada de diversas maneiras e (des)respeitada de outras tantas); já para não falar de tentar circular…na circular urbana. Enfim, o problema é o papel da bicicleta, os direitos e deveres do ciclista na estrada, a ausência de sinalização específica, etc. Um indivíduo de bicicleta não é olhado nunca (ou é muito raramente) como um motociclista, quando muito como um ciclista a passear. E verdade seja dita, não se comporta em conformidade. Agora imaginem com miúdos?


A bicicleta tem que ser encarada por todos como um meio de transporte (não esquecendo o lazer e o exercício), como mais uma alternativa, não apenas porque é fixe ou especial, mas simplesmente…normal. E para isso…


imagem

[voltaremos ao assunto bicicletas x transportes públicos + automóveis]


terça-feira, setembro 04, 2012

imprensa do dia (16): numerologias

A Europa do Sul tem medo da crise, a do Norte teme mais a doença in Público


Prejuízos das empresas públicas quase duplicam em seis meses:

(…) Nos transportes, continua a existir um défice operacional de 103,3 milhões. Isto apesar das medidas já tomadas pelo Governo (aumentos tarifários, corte de serviços e de pessoal) para cumprir as exigências feitas pela troika: reequilibrar as contas das transportadoras públicas ainda em 2012. – in Público



É preciso medo. Tenham medo, medo do medo, como canta a Capicua. Uma sociedade balofa e vazia entretém-se nas contas, nas estatísticas, nas diferenças castiças entre regiões.


Entretanto, nos transportes, após os imperiosos aumentos e cortes, as empresas continuam a sua caminhada para a gangrena e para (adivinha-se) a privatização, ou concessão, nunca se sabe. O que se sabe é isto:

Portugueses usam cada vez menos os transportes públicos: Todos perderam passageiros: comboios, metro e barcos. Queda foi generalizada nos meios analisados pelo Instituto Nacional de Estatística. Só o aeroporto de Lisboa contrariou a tendência.


Num período de crise profunda e de dificuldades acrescidas, cada vez menos pessoas utilizam os transportes públicos, supostamente mais acessíveis. Os aumentos, obviamente, contribuíram, e muito, para o efeito, mas também o fim de alguns descontos/reduções nas tarifas, a que agora se junta o propósito de corte dos 25% de desconto para os estudantes, arrecadando-se mais uns míseros euros, como se aí estivesse a solução.

Mesmo em Braga (notícia da RUM), registou-se uma diminuição na utilização dos transportes públicos. E já se sabe, menos passageiros, menos dinheiro, igual a cortes em algumas linhas e serviços, a história da bola de neve.


Desperdiçou-se uma oportunidade de promover a utilização do transporte público, não apenas como alternativa, mas como uma opção funcional e acessível financeiramente a todos, ao mesmo tempo que se reduzia a dependência automóvel, o tráfego e respectivos efeitos ambientais, entre outros. Fez-se exactamente o contrário, conseguindo a proeza da diminuição do número de utentes, mesmo com os aumentos nos combustíveis e mesmo com o país a saque. Alguém, com toda a certeza, ganha com isso.

terça-feira, agosto 14, 2012

Imprensa do dia (2)

A bicicleta chic rivaliza no Algarve com os carros topo de gama - in Público




Comentários:


Falam-nos de terapia de choque, não de paliativos, justificando os meios com os fins. Ora, nem o hipotético tratamento (com que nunca concordamos) se revela eficaz, como o corpo ainda definha mais, e pouco tarda para se estatelar. Mas não para todos. O desemprego segue de vento em popa, e agora até um dos notáveis da economia nos revela que com austeridade não vamos lá. Mais um bocadinho da terapia, e já está.


Sabemos da importância do status no nosso país. Da aparência. Agora temos a bicicleta chiq, a qual, em breve, chegará aos meandros cá de baixo. Não tarda e iremos todos de burro, ajaezado à andaluza, como no poema do Mário de Sá-Carneiro. Ao morto nada se recusa.


Entretanto, no exterior do cantinho ocidental também acontecem coisas. Nem sempre boas. Sismos, por exemplo. Mas já se sabe, para esses lados nada nos interessa (apenas o petróleo) e os sismos (supostamente) não chegam aqui.


Hoje, pouco depois do acordar, soubemos pela rádio Universitária do Minho que Braga encharcava por todos os lados. As primeiras chuvas. Nos sites dos jornais regionais (ainda) nada. Talvez amanhã, quando o staff político ditar as tendências. Da parte da tarde, o caos era (mais uma vez) completo. Já temos piscina(s), pela certa.


domingo, agosto 12, 2012

Mobilidade controlada (entretanto a CP vai desactivando as linhas e depois levas a jinga no TGV)


Viajar de comboio com uma bicicleta é cada vez mais difícil nas linhas da CP:

Catarina Ventura quis levar a bicicleta no comboio de Lisboa para o Porto. O objectivo era regressar, pedalando, do Porto para Lisboa, o que viria a fazer, numa viagem que demorou seis dias. Mas para a Invicta não foi sobre carris. Alugou um carro porque a CP não lhe garantiu que pudesse levar a bicicleta nos comboios regionais - a última palavra tem-na o revisor, que é também quem vende os bilhetes para os passageiros que se fazem acompanhar por veículos com duas rodas.

Ler tudo no Público.


CP: comboios de portugal não gostam de bicicletas: mais AQUI (imagem incluída)

quarta-feira, junho 27, 2012

Cidade de gatunos (enciclopédias inteiras deles...)

Ficámos a saber hoje que os administradores da TUB, EM. ganham mensalmente mais de 2 mil euros por mês, mas que ao fim do ano, em vez dos cerca de 20 e tal mil tinham auferido o dobro.

Gastam em mordomias, metendo ao bolso tanto quanto puderem, até quando der.

Será que estes abusos,

porque se trata sempre de dinheiro, que é a forma mais corrente do poder que se adquire, rouba ou chupa às massas para o concentrar nuns quantos que tudo, titeriteiramente, possam manipular as coisas do poder.

Uma das características do Poder é, também, o Poder de escolher os sucessores e o Poder. Se percebermos bem, aqui está o que se verifica há anos nesta porcaria de Município, com o Jornal, o Clube, a Congregação religiosa, os empreiteiros e uns poucos bufos mais estrategicamente colocados na urbe.


E, como ninguém quer deitar o Poder a... perder, aqui reside a razão pela qual o Poder elitista é sempre conservador.
Além de reaccionário e prepotente.

.... Será que estes abusos e sacanços de dinheiro se relacionam, de alguma maneira, com a ineficácia e o imobilismo, empedernido, do sistema de transportes, se de sistema se pode falar, na cidade de Braga?

Não, não estamos a entender bem a coisa: nós não estamos a ligar uma coisa à outra.
A verdade é que uma (meter dinheiro, roubado, claro, ao bolso impunemente) funciona muito bem e a outra (o uso dos autocarros por quem tenha carro) continua a ser anedótica.

E a notícia prossegue, no conservador e reaccionário Diário do Minho de ontem (26.06.12), a dizer que terá que ser injectado mais dinheiro na empresa municipal. Nada de escandalosamente novo.

Entranto, aqui há uns dois meses a notícia (via Correio do Minho) era, só pra citar, "Maioria socialista na Câmara de Braga aprovou contas das empresas municipais Transportes Urbanos de Braga, Bragahabit e Parque de Exposições. Resultados que foram considerados satisfatórios." (O negrito é nosso.)

Obviamente que os resultados devem ter sido considerados satisfatórios (gostava de saber que idoneidade terão os votantes que assim... votaram), mas a eficácia e o serviço de tais empresas nem parece vir à discussão...
Nada de estupuradamente novo.



O dinheiro existe para ser roubado. Com Estados, Bancos e demais instituições não e muito mal eleitas como sorvedouros, nalgum lado há-de ele se concentrar. Afrontantemente.

Aí, teremos o alvo.

E venham com o paninho manso chamado Justiça que, com direito a recurso, só funciona para o arco do Poder, mas a verdade é que já estamos a ficar fartinhos desta piolheira.
Porque estamos a perder as estribeiras - já perdemos as carteiras - e a nobreza de espírito que ainda resta(va)...


Nota: teríamos apresentado hiperligações se as tivéssemos achado pela rede. Daí...