quinta-feira, setembro 06, 2012

Os média, os interesses

Interesse = inter + est, "que está entre".
Assim lido, os conceitos de Média e de interesse querem dizer a mesmíssima coisa.


A empresa Apple desencantou - já imaginamos que altamente estimulada por uns quantos senhores poderosos - uma forma de bloquear a captação e transmissão de imagens e vídeos em manifestações e protestos. Ou - como querem que fixemos a boa nova - "eventos públicos".

Tais "eventos" são cada vez mais numerosos.
Ou, pelo menos, são cada vez mais numerosos os motivos para rebentarem nas ruas.

A notícia, avançada pelo RT


(cá está um exemplo flagrante de intermediação: no caso, informativa)

[
acontece que a página da RT, ou está a ser pirateada ou deixou de pagar o domínio. Deixou de pagar o domínio a quem?, pergunta-se, portanto.
Portanto, os domínios continuam a não ser de quem os usa.
Há sempre um terceiro envolvido, que pode - basta querer ou lhe serem dadas instruções para tal - desligar a tomada e Zás! tudo fica inútil, inoperacional, insosso, inodoro, inofensivo, invisível, impotente...
]

diz:

"Por outras palavras, estes poderes [governos e polícia] terão o controlo do que pode e não pode ser registado em aparelhos sem fios durante um evento público."


E foi assim que Deus criou o petróleo, 
porque quem controlar o petróleo controla os meios de transporte,

E foi assim que Deus criou o dinheiro,
pois quem controlar e deter o dinheiro controla aqueles que vivem para o adorar,

E foi assim que Deus criou a máquina,
pois quem controlar os maquinismos controla as acções dos seres vivos assim robotizados.

E foi assim que Deus inventou a obsolescência programada.
pois quem dominar tal arte da devastação controlará os impulsos dos consumidores e o negócio da compra e da venda de corpos e almas que todos os dias se vergam aos magotes.
Para dizerem, eu tenho, eu sou feliz, eu já não preciso.

... mas vais precisar. Vais voltar a precisar.


Para cada coisa criada, pelo Deus-Dinheiro, há o produtor e o utilizador. 
Podem nem os controladores controlar o processo de produção. Coisa rara, mas pode dar-se.


Mas o importante é o interface que liga aqueles dois elementos.
Como no processo de produção e consumo para bens alimentares (por exemplo): quem controlar a distribuição pode impor as suas regras. Temos por cá bons samaritanos a pagar impostos na Holanda a pauperizarem - e é se querem!! - os produtores. Pequenos ou grandes, vai tudo a eito. E é também para isso que existem as OMCês, as ALCAs, os MERCOSURes e demais instituições em que nunca algum daqueles a quem dizem servir foi chamado a votar ou eleger.

Assim, enquanto a tecnologia estiver a intermediar o que se passa e o sujeito que o quer dar a conhecer este último será sempre a primeira vítima. Porque ele não controla o tal aparelhinho.
Porque o aparelhinho, controlado por outro, não foi feito para seu uso, mas apenas para seu consumo.
O uso está limitado ao que "pode ou deve", segundo ditam as normas as empresas que o produziram e os poderes que as gerem.

Pagaste o teu aparelho, o dinheiro foi prò lado de lá.
Resultado: ficaste sem o dinheiro e com a sensação de poder.
Por outras palavras: o dinheiro e mais poder ficou do lado de lá.

Porque te despedes tão facilmente todos os dias?
Porque te desperdiças tão inconsciente em cada acto dito social, que não passa de troca comercial,?

É tão fácil o controlo na sociedade intermediada.
É tão óbvia a manipulação na sociedade mediatizada.
É tão fácil destruir a sociedade do espectáculo...

Com tudo aquilo que a contraria:
a luta, a lentidão, o pensamento, o amargo, o sonho, a partilha, a recusa... a emancipação! A vida, pura e simples, directa, tête-a-tête, cara-a-cara, em pé de igualdade e sem intromissão de terceiros, tanto quanto lutável sem intermediação.

Se esta luta não desse trabalho o capitalismo tal como hoje o temos não teria hipóteses de persistir.

A indústria do entretenimento não fez mais que substituir uma forma de ignorância por outra.
Anselm Jappe


O poder no poder continua o mesmo.
E continua a feder.

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