quinta-feira, agosto 16, 2012

Imprensa do dia (4): depois logo se vê

Grandes eventos desportivos espalham estádios-fantasma pelo mundo forain Público Online


Comentário:

Dos elefantes brancos desportivos vai continuando a oficiar a história. Não sendo um atributo de exclusividade portuguesa, longe disso, convém reflectir sobre o facto de que, apenas após a sua conclusão, estes são verdadeiramente questionados relativamente às suas valências, estruturas e futura serventia, e nem sempre devidamente avaliados. Para além do marketing agressivo, da falácia patriótica, da legitimação internacional (caso da China), dos supostos dividendos turísticos, o mínimo factor comum é que há muito dinheiro em jogo, mas muito dinheiro mesmo, e alguém lucra com isso.


No caso específico da construção dos estádios em Portugal (EURO 2004), nenhum estudo prévio sério foi concretizado, quer dizer, um estudo abrangente, tendo em conta factores de vária ordem, a saber:


desportivos: média habitual de espectadores e nº de associados do clube que vai utilizar o equipamento; em que divisão se encontra; a ligação dos adeptos aos denominados clubes grandes; potencial de crescimento; proximidade dos jogos dos clubes grandes (seja em casa ou fora); impacto das transmissões televisivas (praticamente todos os jogos) , etc...


Outros: nº de habitantes da cidade, concelho, região; ligação da comunidade ao clube da terra (onde se localiza o equipamento); proximidade de outros locais onde se realizam normalmente eventos (musicais, culturais, sociais) mais atractivos e enraizados; PIB da região; capacidade para atrair patrocínios; capacidade/potencial para atrair espectadores de outras regiões; localização excêntrica relativamente ao local de jogos anterior (muitas vezes central e com ligações afectivas profundas); capacidade para receber elevado nº de visitantes extra EURO 2004; o que fazer com o estádio depois do evento (manter a lotação?) …entre outros.


Estamos a falar de estádios com capacidade para cerca de 30.000 espectadores (por imposição da UEFA), localizados em cidades/concelhos com indicadores demográficos totalmente desproporcionados para a lotação, já para não falar de todos os outros factores. Pergunta-se que indicadores desportivos (ou quaisquer outros, já agora) foram tidos em conta para a construção dos estádios de Leiria, Aveiro e do Algarve, dando de barato a reconstrução do velhinho Calhabé em Coimbra, ou a ampliação faraónica do Bessa. Basta atentar na sua situação actual.

Voltaremos a este assunto em profundidade.

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