terça-feira, fevereiro 22, 2011

Da revolta sopra o vento

A Visão do dia 3 de Fevereiro apresentava uma infografia com os países em conflito.

Tunísia (o rastilho, em forma humana, a 17 de Dezembro, pela revolta de Mohamed Bouazizi contra a corrupção de funcionários - vejam... não é preciso haver uma máquina de corruptos, bastam umas quantos sujeitos sem escrúpulos...), Egipto (desemprego, corrupção), Iémen (custo de vida), Sudão (razões económicas, i.e., idem), Síria (idem), Argélia (também o preço dos alimentos baixado após ameaças), Jordânia (idem) (abolição dos impostos sobre os alimentos), Líbia (igual), Marrocos (desemprego...), Arábia Saudita (condições de vida), Mauritânia, Barein, Omã (corrupção, custo de vida...)...


"Bah, - dizemos - estes árabes (sim, todos com profecia árabe numa importante parte da sua população) não sabem o que querem... sempre insatisfeitos..."

É não vermos que as aspirações humanas mais básicas se resumem a viver em paz.
Temos o direito de viver em paz. Com dignidade, trabalho, liberdade e sem fome.

E a maior parte dos conflitos massivos que ao longo da história se têm dado resultam de nos serem retiradas as esperanças (ou as coisas mesmo) dessas aspirações.

Para a forca ia um homem.
Alguém perguntou ao condenado:
Para onde vais?
Eu não vou - eles é que me levam.

(era mais ou menos assim uma das epígrafes de um romance de Saramago)


Não nos obriguem a vir prà rua gritar...
Tirem-nos o pão da boca.
Atrevei-vos...



Será preciso sermos árabes para sermos o poder que nos controla?
Não. Não será.
Nós temos isto cá. Temos desemprego, temos fome, temos corrupção...
Temos liberdade como esses países não têm.
Mas... vai dar no mesmo. É para isto que queremos a liberdade? Para termos desemprego, fome, corrupção...?
Há aqui algo que não está a bater certo.

A maior distopia do nosso tempo é termos condições para acabarmos com a fome no mundo... e não o fazermos.
Uma parte quer, outra não quer.
Essoutra que não quer, quer manter a situação, para ter a outra parte na mão.

E andamos a brincar com a História,
entre conservadores e renovadores, que alternam entre si na luta pelo poder.

(Será isto a dialéctica hegeliana?)

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