quarta-feira, outubro 24, 2012

Repressão comercial, capitalismo demasiado banal

A repressão é um modo de vida.
 
 
 
Repressão policial,
Terrorismo oficial
Alerta Geral, Peste & Sida
 
 
Há governos que passam o tempo a lançar repressões prò ar, a ver se alguém as quer agarrar, quais pombinhas violadas a voar.
E como mais vale morrer para a vida ser mais segura, vêm mesmo a calhar uns cortezitos nos que já olham, a lamber as beiças, para a tumba ali de fronte.
Sim, - ah grande Natália profeta Correia! - "para organizarmos o enterro mais adiante".
 
Mas já não há paciência para o João Proência.
Parece um Ren apático, com aquele balbuciar chato e a precisar de umas calorias decibélicas valentes. Sempre que se anuncia uma medida que nos prejudica e se aguarda pelas suas declarações, veementes, ... quando vamos, expectantes, a ouvi-lo... parece um Vítor Gaspar a ameaçar mudar, porventura, o tom de voz se os jornalistas voltarem a insistir na mesma impertinente pergunta...
Já as montanhas são crescidinhas para parir super-ratos, ou não??
Ou não estaremos infestados de roedores?
Que sejam lémingues, ao menos!
Repressão sindical.
 
Nas igrejas clonadas, cloacadas, deste país miúdo, todos os domingos se professa, via cardeal patriarca de Lisboa, que as manifestações deviam era ficar em casa, e que não vale a pena sair à rua.
Repressão clerical.
 
Agora a repressão, no mínimo, comercial.
E laboral, claro é.
 
O presidente da Associação Comercial de Lisboa, Bruno Bonone, criticou ontem a manifestação dos estivadores.
- O que acha que devia ser feito, ou, qual a principal medida que devia ser desde já levada a cabo, senhor Bruno Bonone?
- Deviam é trabalhar, para contribuir para o desenvolvimento da economia do país.
 
Estas são palavrinhas acabadinhas de ouvir ali na telefonia.
Quer isto dizer que os estivadores não querem contribuir. Hoje dir-se-ia mais - há que usar a nomenclatura dos novos tempos e ai de nós se ficarmos para trás no livre discorrer da evolução... - hoje empregar-se-ia mais, dizíamos, "os colaboradores não querem... colaborar".
E de seguida, se fosse por ele, as metralhadoras seriam disparadas contra os sul-africanos estivadores dos portos portugueses, armados de... sei lá! contentores em miniaturas!!
Ui! que medo! Os polícias e as associações comerciais vão agir em legítima defesa e matá-los a todos. Com moedas! Ou com o Carlos Moedas!
A bem da nação!
 
Porque os estivadores não querem contribuir - nem precisam! - para o seu desenvolvimento humano.
Devem ser ratos do porão e, como tal, devem para toda a vida roer as rolhas com que os reis lhes querem tapar o ralo.
A bem do atrasão!
 
 
E no passado domingo, o tal dia da semana que Sttau Monteiro dizia ser a medida do provincianismo de um povo, houve uma manifestação contra a repressão policial... nas manifestações. Foi agendada ali para a praça do Saldanha Sanches - ah, exemplo do que deve ser um homem! -, em Lisboa.
Pelas fotografias tiradas por alguns dos cidadãos que se manifestaram, a dita dura deve ter reunido umas largas meias-dúzias de pessoas.
Já passaremos a explicar.

Atenção, isto não é negativo.
As manifestações justas (nem vamos entrar nesse jogo sujo do "legítimas", que isso careceria de toda uma discussão sobre a história do Direito) não têm de encher o olho do cu-operante cidadão mediático. As manifestações mais importantes são as que se fazem individualmente. E são-no tanto mais quanto mais numerosas forem essas acções individuais. Que nós não temos de fazer saber a milhões, basta que nós não deixemos de saber e fazer.
 
Quando atingiu a mais numerosa expressão, as largas meias-dúzias de pessoas (a rondar uns vinte anónymos) junto à estátua da mulher de ferro, foram - para grande espanto de fiscalistas do despesismo e do surripiamento do erário privatizado - escoltados e "protegidos" por, vejam lá:
 
- 8 carrinhas da polícia,
- 1 ambulância,
- várias viaturas descaracterizadas de onde saíam uns cavalheiros vestidos à civil que ora confraternizavam com os de divisa ora se encostavam ociosos à parede. Alguns tiravam fotos com ar de “paparazzi” saídos de uma telenovela mexicana de escassa qualidade. Lentamente começaram a chegar mais pessoas, tranquílas, alguém trouxe mesmo o cadela a passear…
E começaram a chegar mais carrinhas até serem
- catorze,
- mais uma ambulância,
- mais viaturas descaracterizadas,
- motas e
- aqueles senhores com estranhas perversões que insistem em vestir-se entre o que seria de esperar num clube de masoquistas e os figurantes de um vídeo de uma cover manhosa dos “Village People”.
 
(citado do relato com ligação acima)
 
A manifestação, pacífica, foi comunicada ao Governo Civil e agendada por volta das 17h. Das largas meias-dúzias de pessoas presentes, parece que, afinal, aí uns 80% eram da PSP (nem queremos admitir que o exército estivesse presente, pois também têm motivos para se reunirem JUNTO e não À VOLTA da estátua) e puseram cones no meio da estrada para "ordenar" e "proteger" os cidadãos. Incluindo aqueles que se manifestavam.
Sim, senhor.
Eu acho que, com muito boa antecipação e preparação, se deviam agendar manifestações destas por todas as cidades. Pois ficariam assim demonstradas ao menos duas coisas. Gritantes e que ninguém, aliás, quer ver:
 
1- Que a polícia não reprime os manifestantes. Bem como outras pessoas que por ali estejam a passar.
 
(pausa para propaganda.
Voltamos já.)
 
(Lisboa, 22.03.12, da rede)
 
(voltando à programação em vigor)

 
Para acabar de uma vez por todas com os burburinhos e imagens falsas como estas, ou esta. E também aquela do moço lá em Génova, como é que ele se chamava? Carlo Giuliani, não era? (Vejam a que ponto a manipulação chegou! O próprio Guardian, na altura, jornal de referência (na altura) deixou-se de levar por imagens como esta...)
 
2- Que a polícia beckettiana, godotiana, nos traz cultura, mas que nós não queremos ir comprar, e tudo porque somos mal-agradecidos e não fomos educados para reconhecer o valor do teatro.
 
Qualquer governo democrático deve primar pela elevação dos seus cidadãos e é por isso que uma fatia importantíssima do seu orçamento geral ou local vai sempre para a cultura.
Para que o teatro e o circo sejam livres e acessíveis, na praça pública.
Aliás, de fazer parar o trânsito.
(Saudável, que a gasolina parece, dizem os mercados, estar prò cara...)
 
Como dizíamos supra (é super dizer supra, não é? Supimpa!), deviam ser agendadas manifestações destas.
Bem preparadinhas e atempadas.
E nunca aparecer ninguém a não ser os zelosos do poder do costume.
Mas - atenção - para não aparecer absolutamente ninguém.
Nada de sair de casa!
Depois veremos as anti-manifestações pela televisão.
Ou nas redes sociais.
E, juntos, cada um por si, poderemos rir dos demais.
 
Dia 14 de Novembro vai haver novo arraial, não vai?
Vejam só que grupinho de más companhias já anunciou, ameaçou, estar presente. (Tony e os seus supermercadores vão roer-se, quais ratos, de inveja)
 
Talvez com isto os presidentes das repúblicas comerciais, de Portugal e de alguns dos outros ORCOS, tenham de pedir umas aulinhas de urgência aos polícias sul-africanos para saber como proceder no palco que se está a montar.
 
Não queremos ser todos mineiros de platina.
Exigimos, alguns, ser mineiros de ouro.
Para com a sua venda podermos pagar as tão-nossas dividazinhas.
 
A bem de algumas nações comerciais.
 
(Trazei mais pesticida para alimentar os ratos, que estão com üa fome de tédio...)

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