sexta-feira, setembro 19, 2008

Apenas uma questão de tempo.

Clique para ver ainda melhorFoto de Eduardo F., Nazaré, 29.04.08.


A foto que vemos foi tirada na famosa falésia (ou, para fugir ao galicismo, a arriba) da Nazaré. Apesar do aviso, e de aquela parte do miradouro estar vedada (de forma ineficaz, é bem fácil de ver), as pessoas continuam a ignorar o que não se vê (o futuro). Através desta foto, o risco de derrocada está mais que escancarado...

Poderíamos versar sobre
+ a fragilidade dos calcários, margas e arenitos,
+ a subida do nível médio do mar (expansão térmica nele incluída)
+ a direcção da corrente marítima que banha o país (devido à orientação da costa, NNE-SSW, do Douro até à Nazaré),
+ a dinâmica sedimentar,
+ as obras humanas que facilitam a erosão (molhes, paredões, esporões, portos, barragens...)
+ os agentes de meteorização (e da reacção do que a água contém sobre o carbonato de cálcio)
+ os agentes erosivos,
+ a assustadora (bem... para alguns) taxa de recuo da linha de costa portuguesa (por se tratar de rocha e não de areia, trata-se de comer a costa a grandes pedaços)
e, em suma, podíamos tentar avaliar qual
= o grau de risco em que esta escarpa se encontra...

...mas quedamo-nos, feitos espectadores-co-autores dos acontecimentos.

Porque um dia
- as pontes ruem,
- os comboios descarrilam,
- os prédios desabam,
- os bancos abrem falência,
- as aerotransportadoras ficam em terra,
- as seguradoras fecham as portas,
- os aviões aterram mal,
- o vulcão entra em erupção,
- a vaga inesperada chega,
- o chão abre-se em fendas,
- o solo deixa de produzir,
- a fonte seca,
- o petróleo acaba,
e então,
= o mundo colapsa!


E os catastrofistas são remetidos ao silêncio.
Porque na urgência do tempo não conseguem comunicar de maneira convincente,
nem são, por conseguinte, capazes de demonstrar a validade do que aprenderam e daquilo em que acreditam...

Porque isso demoraria tempo
e requer entendimento.
E se nem uma mensagem a dizer:
"Proibida a passagem"
sabemos ler,
então perguntamo-nos,
Que fazer?


A propósito disto, acho pertinente propor a leitura do artigo "Estudo Sintético de Diagnóstico da Geomorfologia e da Dinâmica Sedimentar dos Troços Costeiros entre Espinho e Nazaré" (1994, disponível aqui.

E mais três textos relacionados:
Recuo da costa em Aveiro (2005)
Riscos de erosão na costa alentejana
Cromos do litoral (2005)

2 comentários:

Rogeriomad disse...

E porque um dia
- as arribas caem.

Não é verdade? ;)

Caro amigo
Um bom reparo, já estive para fazê-lo no Georden, mas esqueci-me. Ainda bem, pois não conseguiria fazê-lo tão bem como tu.


Não sei se conheces a Lenda da Nazaré que está associada a esse sítio, ao "Sítio da Nazaré"?
Pois bem, passo a contar muito resumidamente:
Reza a história que um cavaleiro andava à caça, num certo dia denso de nevoeiro, dirigindo-se a esse precipício apercebeu-se do perigo de morte e implorou à virgem Maria: MARIA SALVAI-ME!!!
O milagre aconteceu!
Esta apareceu-lhe de pronto e fez com que o cavalo parasse a tempo, salvando o jovem cavaleiro!

Até hoje as marcas das ferraduras das patas traseiras do cavalo estão cravadas na rocha!
(Não as viste? ahah)

Esta lenda conta-nos algo que nos pode servir para futuro.
Eu ajudo a interpretá-la com apenas 3 palavras-chave:
- Precipício;
- Queda;
- Morte.


Podem ler a lenda do Sítio da Nazaré na Wikipédia ou no blog tonsdeazul:
http://tonsdeazul.blogspot.com/2008/04/stio-da-nazar.html

Aconselho-vos a lerem os meus comentários ridículos sobre o assunto... eheh

Rogeriomad disse...

Ah! Infelizmente o Sítio da Nazaré, em especial, essa falésia (arriba, encosta, precipício, o que quiserem chamar) continua a ser local de paragem de muitos turistas/visitantes que procuram ali desfrutar da bela paisagem sobre a cidade e o mar da Nazaré.
Podem ver uma foto ilustrativa disso aqui:
http://bp1.blogger.com/_bd7JAbNRKS4/R__hJkP6aSI/AAAAAAAAAlE/Hs8w7Hd-XzI/s1600-h/SM_Nazare.jpg

Apesar do aviso que lá se encontra, será necessário tomar outro tipo de medidas de prevenção.

Pois a Virgem Maria não aparece para todos, nem todos os dias...

Abraço