sexta-feira, março 02, 2007

TRÊS VIAGENS

Elaborei três princípios de viagem, sendo que A VIAGEM, em si mesma, é interminável, e “ o princípio é mais de metade das coisas” (Aristóteles).
Entre as três, o denominador comum é apenas o viajante, que sou eu e, talvez alguma imaginação.

A primeira: Braga ao acaso
Ao deixarmos Máximinos e, talvez com desatenção a cidade Romana; por impulso, quem o sabe, dirigimo-nos para a cidade Medieval, o ego religioso, podendo optar por vários caminhos (não trajectos). Dei por mim na rua direita, antiga, hoje velha, e estava nesse dia assim:












Mas também assim:

Algumas das casas, poucas, estão recuperadas ou em recuperação, no entanto, o estado geral da rua é no mínimo deplorável (e não será apenas por causa das obras, mas do inevitável esquecimento), o edificado, eufemísticamente falando, é pouco menos que destroço, o comércio(?) muito longe do centro… A imagem global é morte.




Seguimos à direita e subimos a rua de S. Sebastião, pensando na Cividade ou na Sé; por descuido, não nosso, mas da rua (pouco interessante), espreitamos sem pudor os recantos e as sombras da cidade, talvez a sonhar outra rua, quem o pode saber?


Com alguma hesitação seguiu-se pela Rua do Matadouro, em pleno centro, se não demarcado pelos técnicos, histórico pelas vivências, mas com vestígios de maus-tratos e indefinição.






Chegados ao belíssimo campo das Carvalheiras foi tempo de parar e sentar na pedra merecida, observando…

Ainda se espreitou (ou tentou-se) a Magnifica Sé, vislumbrando-a de soslaio, em boa companhia, lá bem ao fundo. Não fomos por aí. Na verdade continuamos em frente ou descemos, bem entendido.







De seguida, com muito vagar, enfrentamos essa frontaria típica, uma das caras da freguesia da Sé, (antes da gentrificação e Yupificação da zona?) espraiada pela avenida de São Miguel o Anjo até ao arco da porta nova. Ora, o trajecto é mais ou menos esse…












O arco e a porta são de épocas diferentes. A porta, uma das da antiga muralha, está voltada a Oeste e foi aberta em 1512. O arco que a ornamenta é posterior, de 1773, mescla de Barroco e estilo neoclássico, projectada por André Soares.

Entramos na Praça velha, recentemente “reabilitada” e turística, mas por nós sempre vivida e, aliás, ainda assim diferenciada funcionalmente. Um dos restaurantes que por lá proliferam (hoje não para todas as bolsas) fazia umas maravilhosas pataniscas de bacalhau…

Depois começa a Braga mais conhecida, que compreende uma área razoável e de delimitação, a meu ver, postulada por critério pessoais. De várias, percorri entre muita gente, a Rua D. Diogo de Sousa, amostra do comércio diversificado que se expande escoando pela rua do Souto, sempre a fervilhar. Não cheguei aí. Passei o largo do Paço e a Reitoria, virando para a esquerda à procura, mais uma vez sem pudor, das suas traseiras e…

Chegando a este jardim soberbo, aqui registado lembrando a (sinistra) ausência de espaço verde nesta Cidade.


Por aqui fiquei a na companhia de um dos edifícios que mais me intrigam em Braga. Decrépito e mesclado de estilos. A cor resplende e atrai com a luz, conjugando-se com o verde dos jardins.





Percorremos alguns lugares comuns, obviamente. Em futura viagem se saberá...
Não podia finalizar este périplo desconexo sem uma homenagem aos céus, ou não estivéssemos em Braga…

até uma próxima viagem...


1 comentário:

Diana disse...

Adorei o passeio.
Uma espécie de "Viagens à Cidade de Braga".
Vou ficar mais atenta e passear mais por Braga, mas Braga toda!