terça-feira, julho 16, 2013

Contra a Terra Queimada

The spectres scratch on window-slits, 
the hollowed faces and mindless grins 
are only intent on destroying what they've lost. 

"A Plague of Lighthouse-keepers" (SHM), Peter Hammill 

Diz-de da política da terra queimada como da doutrina do choque capitalista: arrasar tudo.
Há quem prediga Portugal a renascer da destruição: há que alimentar não a ele, mas a ela! 

Os mercenários quotidianos, caseiros e foráneos, do capital estão sempre lá, nos bastidores, pois criaram e mantêm, com a nossa cumplicidade, a economia do desperdício e da destruição para dela serem reis e senhores e amestrarem e produzirem, assim, os seus inferiores. 

Há uma cadeira afogada num rio que não é um rio. 
E ninguém vai lá sentar-se. 
Mesmo sem sofrer de rouquidão ou padecer de afonia. 
Será do frio? 

E a água que não é bem água, umas vezes tem peixinhos a querer crescer, outras leva-os, mortos, sem saberem bem o que foi que os matou. 

A saúde de uma cidade pode ver-se pela saúde das suas águas, o desenvolvimento de uma sociedade pela protecção e pelo respeito que confere aos mais velhos e o progresso duma economia aferir-se pelo grau de igualdade entre os rendimentos. 
Mas tudo isso é outra história. Na qual, nos dizem, que não podemos tocar: é inevitavelzinho. 

A política da terra queimada é para ficarmos a sorrir, já sem razão nenhuma, para os destroços que ficarão, se formos nós os assassinos incendiários e destruidores. 
Já que tudo se perdeu, para ninguém mais ficará, diz a inveja depredadora que tudo pretende esterilizar pelo caminho. Deixando para trás caminhos todos por recomeçar. 

E é com tal cinza em pedra que nos vamos confrontando pelos recantos dum país ainda com tanto encanto para cantar. A terra despida, a terra despojada de solo, sulcada e ferida, arrasada pelas chuvas tão úteis mas tão inutilizáveis. Sem estrutura, nada fica. 

Foi para combater isso que o Movimento Terra Queimada surgiu. 
Precisa das mãos de todos os que quiserem ajudar na batalha.





No âmbito de um concurso europeu, o projecto Semear a Vida em Sítios Desertificados aguarda pelo nosso apoio. Neste momento faltam 34 dias para votar os dez melhores e - adivinhem - a proposta deste movimento de Vila Nova de Gaia encontra-se em primeiro lugar. 
Será muito bom - e é bem simples - se tal posição se mantiver. 
Basta votar! 

Neste preciso momento, o Movimento Terra Queimada está a procurar voluntários para vigilância e prevenção de fogos florestais e outros danos na Serra da Freita (distrito de Aveiro), no tão pouco conhecido, pleno de potencialidades, e tão mal protegido Geoparque de Arouca (as parideiras e a Frecha da Mizarela e tal... mas há muito mais neste espaço fantástico!)

Será durante a época de Verão. 
Voluntários precisam-se! 

O Movimento Terra Queimada está no Feicebuque e espera pelo vosso contacto. 
Quem estiver interessado em ajudar no que diz respeito a todos, pode fazê-lo inscrevendo-se aqui

Bem-haja a movimentos como este, apaixonantes e congregadores de fogos criativos e boas energias. Renováveis.
O Georden associa-se-lhe e cá viremos depois dar-vos as nossas impressões da acção.

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