sexta-feira, junho 29, 2012

Imagem emprestada daqui

A elevada pressão construtiva a que o concelho de Braga foi sujeito ao longo da década de 2001 a 2010 não pode ser desligada do forte crescimento da população residente e do número de famílias na capital minhota. Esta é uma das principais conclusões de um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) intitulado "Pressão Construtiva 2001-2010".
O trabalho elaborado na sequência do Census 2011 coloca a capital minhota entre os concelhos do país que mais foram sujeitos à pressão da construção e apresenta o município sede do distrito como o líder do ranking da pressão construtiva na sub-região do Cávado.
Os valores avançados pelo INE atribuem ao concelho de Braga uma pressão construtiva de 17,35 % (percentagem de novos fogos licenciados face aos existentes no ano 2000), valor que supera em 5 pontos a média nacional, já que o país registou uma pressão da construção na ordem dos 12,5 pontos percentuais. Mas enquanto a população portuguesa cresceu 1,9% na década e o número de famílias aumentou 11,6%, Braga viu a sua população crescer 10,7% e o número de famílias residentes disparar 26,5 pontos percentuais no mesmo período de tempo.
Descendo à escala da sub-região, o estudo do INE faz saber que "o município de Braga apresenta o indicador de pressão construtiva mais elevado, quer em área quer em altura, situando-se em primeiro lugar no ranking dos municípios mais dinâmicos, no que respeita ao número de fogos licenciados face ao stock existente.

A atracção do litoral

O trabalho recentemente publicado pelo INE coloca Esposende em segundo lugar na lista sub-regional da pressão construtiva, com uma taxa de 16,9%, seguindo-se o município de Amares, onde a construção de novas habitações e demais edifícios foi de quase 16% face ao existente no final de 2000.
Embora salientando "a dinâmica construtiva, avaliada pela taxa de crescimento do número de fogos licenciados, foi expressiva em todos os municípios do Cávado", o estudo sublinha que o maior crescimento verificado em Braga e Esposende "seguiu a evolução populacional" ocorrida entre 2001 e 2010. Concretiza o trabalho que, ao longo desses 10 anos, tanto Braga como Esposende "registaram um elevado crescimento não só da população residente como do número de famílias, aumento esse que tem reflexo directo ao nível da procura e da construção de novos fogos."
Estas alterações demográficas explicam em parte que, por oposição, o município de Terras de Bouro tenha registado o menor dinamismo nesta variável, dado que nesse período viu a sua população e o número de famílias diminuírem 12,8% e 4,9%, respectivamente, continua o estudo, fazendo saber que Terras de Bouro "apresenta os mais baixos indicadores de pressão construtiva em ambas as vertentes (área e altura), o que se traduz no seu posicionamento como município menos dinâmico em termos de fogos licenciados, na região do Cávado.
Ainda no âmbito da pressão construtiva confirmada para a sub-região do Cávado, o trabalho do INE dá conta de que o concelho de Vila Verde "apresenta o segundo maior indicador em altura", enquanto que o município de Barcelos se posicionou no segundo lugar no item da pressão construtiva em área.

Cávado supera média nacional

À semelhança do que aconteceu com Braga, também o valor médio da pressão construtiva da sub-região do Cávado ficou acima da média nacional. Mas o estudo do INE não desliga a pressão de 16,04% - o valor do país foi de 12,5% - do acréscimo populacional de 4,5%, valor que o INE considera "significativamente mais elevado" que o total da região Norte, que cresceu 0,1% e que o crescimento do território nacional, que registou um aumento populacional inferior a 2%.
"O município que mais contribui para esse aumento foi Braga (10,7%)", revela o INE, fazendo saber que "todos os municípios, com excepção de Terras de Bouro, viram o número de famílias aumentar de forma expressiva, entre 2001 e 2011".
Neste particular, a capital minhota destacou-se novamente da média da sub-região, da região Norte e do país, ao registar uma subida dos agregados familiares próxima dos 27 por cento.
Esposende e Vila Verde foram os outros concelhos onde as famílias mais aumentaram, registando taxas de crescimento de 17,7% e 14,3%, respectivamente.

Notícia da p.2 do Diário do Minho de 20.06.2012.



A tira do El Roto encaixa bem aqui.

Aqui há uns anos, quando a RTP dava documentários sobre o país e as regiões (será que as pessoas que os não viram acreditam nisto?) ouvimos uma frase que, desde então (talvez princípios dos anos 90), vai e volta. Um certo espírito crítico, ou melhor, analista, que expõe as coisas vistas de outro prisma, disse, além de que a EDP estava a privatizar os rios, que as vias de comunicação (estradas) com as quais se pretendia romper o isolamento das municípios do "interior" eram, melhor dizendo, uma forma de as populações desses mesmos municípios mais facilmente virem / fugirem para o litoral.

Neste mesmo encalço,


A elevada pressão construtiva a que o concelho de Braga foi sujeito ao longo da década de 2001 a 2010 não pode ser desligada do forte crescimento da população residente e do número de famílias na capital minhota. 

os analistas já parecem, um bocado timidamente, querer sugerir que é o crescimento populacional que impulsiona o construtivo. Não será mentira, mas  a realidade palpável nestas redondezas é a de que, primeiro constrói-se e depois vê-se, há-de alguém ir para lá morar.

Obras em que os chacais do betão investem e com as quais almejam, sem mais nem menos - expropriados já os terrenos, muitas vezes mais aptos para a produção agrícola, e destruídas áreas húmidas - reaver o seu dinheirinho...

- Pois é, sabes, ninguém anda aqui a brincar

(a fazer dinheiro a destruir... com que direito??)

Vêde, se puderdes, em que estado (de conservação?, sim, também) de OCUPAÇÃO estão aqueles três prédios junto à av. Padre Júlio Fragata e à av. João Paulo II (junto a umas bombas da gasolina que apelidamos de portuguesa, mais concretamente estes aqui).

Isto deriva de maus estudos de mercado?
Nem nos passa pelas ideias que não se precavejam com eles.
Mas se nem os fizeram, como é que é?

(Pois, são caros... Os estudos? ou os apartamentos? 
Olha!, deixai-vos de vos armardes em lambões, e em vez de os venderdes, arrendai-os.)

Assim é que concluímos. Dizei-nos do contrário, mas achamos que ninguém quer perder dinheiro (ter edifícios às moscas e sem compradores). Daí que... "primeiro constrói-se e depois se verá.

Pelo caminho, lá deixaram a porcaria feita, acabada e a cair ou, em certos casos que também conhecemos, por acabar ou por começar.

E por todo o lado por que vamos passando onde ainda resistam (simplesmente, onde ainda existam) campos agrícolas ou monte com árvores, se vêem as plaquinhas anunciando, ameaçando:

"Vende-se terreno. Com projecto aprovado"
(esta é que é espectacular. Diremos melhor, estas é que são escancaradamente especulativas / especulares!)

ou

"Licença de construção. Obra adjudicada a (etc.)
Prazo de conclusão da obra (de x) e (não sei quantos milhares de euros. No caso de ser uma obra de cariz dito público)"

A área urbana tem alastrado em mancha de óleo, usa-se, mas essa mancha, em tempos de economicismo como nunca antes houve (o capitalismo no seu auge e esplendor), vai atrás das vias de comunicação.

Se queremos destruir algum espaço, construamos um caminho.
Porque temos a impressão de ser difícil construir um caminho sem ele, com o tempo, ser alargado e dar azo a outras ocupações?

Os campos ou os montes, que antes, simplesmente, eram / existiam, passam a ser olhados, especulativa e lambosamente, como espaços a potencializar, a lucratizar, a pôr a render nas mãos deste ou daquele novo terratenente (termo caído em absurdo, que o terreno perde o aspecto de terreno cultivável, no qual antes se empregava). Ou seja, tudo o que existe tem de ter um fim, no caso, uma finalidade, humana, pois. Ao serviço do capital.

O oxigénio ainda abunda, mas um dia também plantaremos árvores para controlarmos a sua produção e o vendermos engarrafadinho a troco de uns patacos.

E o que feito está, não parece ter solução nem volta atrás.
Este carácter irreversível das construções humanas (aliado à memória e a uma concepção da vida cíclica, e não linear) está a ser ruinoso.

Dantes, as portagens da A4 em Celeirós eram noutro sítio. Acontece que a ligação, alcatroada, lá continua, desactivada.
De quem é a responsabilidade?
Uma barragem também vai ficar naquele sítio ad aeternum?

Que sentido é que isto faz?

Uma cidade que se vai esvaziando, envelhecendo, encarecendo no centro, por dentro, não pode desenvolver-se e manter-se. Viva.
Apodrece por dentro, como que a justificar o crescimento e alastramento do betão nas suas periferias.
E assim se vai destruindo um país.
Ou construindo, segundo o outro ponto de vista.

O negócio da recuperação vai valer mesmo a pena quando todo o país estiver alcatroado e ocupado com construções de betão e cimento.

A taxa de construção acompanha a taxa de crescimento da população?
Qual a relação óptima?
Constrói-se uma casa para uma pessoa?

Braga viu a sua população crescer 10,7% e o número de famílias residentes disparar 26,5 pontos percentuais no mesmo período de tempo.
Os valores avançados pelo INE atribuem ao concelho de Braga uma pressão construtiva de 17,35 %

E quanto às taxas de ocupação?

Mas afinal o que é que nós queremos viver??

Ui, está a discussão inquinada e já todos se foram embora...

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