segunda-feira, setembro 19, 2011

Representação etnográfico-musical de Portugal

"Miradouro", de Júlio Pereira
Editado originalmente em Lp em 1987
Reeditado em Cd pela CNM em 1994 (cuja capa aqui reproduzimos)

A capa deste notável disco de música popular portuguesa (aqui só vemos um sexto dela...) contém um mapa etno-musical que compila e representa as tradições das mulheres e homens de Portugal (continental...).

São actividades de carácter lúdico enraizadas na vida, no trabalho e na terra. Com a transformação das paisagens, das apropriações que vamos fazendo do espaço e com as consequentes mudanças no uso do solo, as relações que o homem estabelece com o meio altera-se também. Certas funções, certos hábitos e costumes alteram-se, perdem-se, surgem outros...
Enquanto houver vida, assim foi, é e será.

Júlio Pereira e o Instituto Camões passaram esta representação para o ecrã virtual e, com os meios à disposição, enriqueceram as nossas possibilidades de conhecer melhor o país. Incluindo ilhas. Assim é que é.

Com breves descrições, explicações e exemplos das sonoridades praticadas nas distintas regiões (as diferenças etnológicas "in-formam" / "enformam" / contribuem para - a distinção mesma das regiões...), este mapa pode ser consultado aqui:



Na representação de qualquer mapa, uma das problemáticas por que começar é aquilo que vamos representar (o objecto) e, claro está, como vamos fazê-lo. É que divisões (uma di-visão é sempre uma hierarquização, mesmo que não vertical; é sempre uma parcelização, uma visão parcial. No fundo, é uma questão ontológica do raciocínio, incontornável (?): para apreendermos o grande, amiúde o dividimos e decompomos) há muitas.
Mas há que adoptar uma, explicá-la, e com base nisso, seguir em frente. Sabendo que ela (a forma) terá, necessariamente, implicações na apreensão do conteúdo (o objecto de conhecimento).

Assim no-lo dizem:

"O critério de divisão geográfica por já desusadas províncias, ainda que discutível (como tudo…), pareceu-nos o mais adequado e eficaz, atendendo às particularidades geográficas e sociais de cada região e à permanência dos seus nomes na nossa memória."

E pronto. Disfrutemos e conheçamo-nos melhor.
Ouçamos sempre mais e variado: o enriquecimento é nosso.

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