terça-feira, dezembro 04, 2007

Uma (ainda) criança com 11 anos.

Vidal: R. Mouzinho da Silveira, centro histórico do Porto, Nov 07

Comemora-se (comemora-se?) hoje a elevação (ou será reconhecimento?) a Património da Humanidade do centro histórico do Porto, com a cortesia UNESCO. Foi a 4 de Dezembro de 1996. Bem, na realidade, a área classificada equivale apenas a cerca de 49 hectares (correspondendo aos limites da muralha Fernandina edificada no séc XIV mais o Mosteiro de Santo Agostinho) englobados nos 102ha de Centro Histórico (cidade do Porto), e cerca de 130ha na denominada área protegida que engloba parte da zona ribeirinha de Gaia e o Mosteiro de Santo Agostinho na Serra do Pilar. Digo comemora-se, mas deveria dizer recorda-se, já que os políticos vestem traje de gala nas apresentações mediáticas e depois é o que se vê. E o que se viu o ano passado foi nada, já que a Câmara Municipal achou por bem não assinalar condignamente a data. Porque será? Este ano para não passar em claro, um movimento independente denominado “Cidadãos do Porto S.A” lançou um manifesto de discussão e mobilização para os problemas da baixa e centro histórico, como pode antever em A Cidade Surpreendente.

Em verdade, muito terá já sido feito, revestido ou não, de vã aparência, esse manto que tudo asperge, apanágio de “modernidades” discutíveis; todavia, a prática do dia a dia, alicerçada em estudos recentes demonstra, não apenas passividade, como um certo desleixo irresponsável na abordagem de tão sensível temática. Prova-o, não apenas a roupagem decadente de algum edificado, compreensível (até) à luz de difíceis relações público/privado e a uma malha urbana de traçado medieval, mas também esse esquecimento envolto em taipais envergonhados e, enfim, o despovoamento (cerca de 13.000 residentes, seriam perto de 45.000 na década de 1950) envelhecimento e empobrecimento acelerado. Embora se reconheça que esta área não padece (ainda) de Museolização celerada ou da doença da “parque tematização”, revelando apenas alguns laivos de gentrificação, normal destes espaços, o que releva dos nossos passeios é uma tristeza miudinha (até mesmo na noite IRRECONHECÍVEL da ribeira), uma decadência mansa com roupagem de turismo uniformizado. O Porto é mais que isso.

Não li ainda os jornais do dia. Não sei por isso, de comemorações “oficiais” ou oficiosas. Sei que, no ano passado o Jornal de Notícias publicava uma reportagem muito pouco abonatória, 10 anos passados, aliás, reconhecido nas palavras de um responsável da SRU (sociedade de reabilitação urbana), Porto vivo.

Uma (ainda) criança de 11 anos. Para o ano há mais…

4 comentários:

Vane disse...

Oi!!ta td bem!!então parabéns Porto!!Qualquer iniciativa a preservar o património cultural vale a pena..e mais se é no Porto uma cidade tão importante prá Portugal(sem mencionar a beleza e o interesse que os monumentos fornecem a esta cidade).

Enquanto as pessoas de fatos!!eles gostam e de mostrar, utilizar frases bonitas agora fazer com que aconteça é outra coisa mais difícil!!
Talvez com o tempo mude!!??ou talvez não??

Já votei..penso que para além de viajar sem dúvida aumenta o consumo!!as pessoas ficam malucas nesta época..só querem consumir..não importo o que nem onde nem prá quem o importante é comprar..:)
bijinhos!!vane

nuno disse...

Oi, Sou do porto e não se passou nada. A ribeira tá a cair aos pedaços e a baixa mortinha da silva. Não há apoios nem nada que se veja.

Rogeriomad disse...

Eu ouvi algo na TV...
Sobre as actividades da "movimento amigos do porto" (ou coisa do género. Peço desculpa, ouvi por alto.) para assinalarem a data...

A verdade é que a data não é oficialmente assinalada por nenhuma entidade camarária... cultural... governamental...

Não há dinheiro para nada...

Abraço

Rogeriomad

Vidal disse...

Das comemorações, certamente não reza a história. Nem é disso que se trata. Mas, das raízes profundas, Que legitimam um dado “negócio” para gáudio de televisões e entretenimento. O que fica? Sementes flácidas e cerimónias pomposas, que mais não fazem que aproveitar a onda.
No fim, quem visita o centro histórico do Porto, e a baixa, para não falar da cidade toda, acaba por apreender um vazio profundo, plasmado em pequenas intervenções fantasma. Pouco se avança. Claro, não há dinheiro, sempre no resguardo, no subsidio, na subvenção, sempre na demanda da responsabilidade alheia. Um virar de costas. As gentes do Porto já nem vão à Ribeira. Perguntem-lhes.
O orgulho, esse acrobata do património, é de todos e, certamente, não é de ninguém.