terça-feira, janeiro 15, 2013

Depardieuvsky foi aquele que realizou o "Paris-Bamako", não foi?

Enquanto andamos enchufados, quais bonecos de palha, com as porcarias-foles que nos chegam - e nós comemos - via impérios vis, há que saber separar o trigo do joio.
 
Para isso, convém evitar pesticidas e - sobretudo - as multinacionais do sector agro-industrial.
E prosseguindo no paralelismo agrícola, vamos ter a Bamako, vindos directamente de Texas. Ou Paris, dá no mesmo.
 
A paisagem é desoladoramente monocromática, cansativa, homeofóbica, fascista e - pasme-se - até engraçada e gira, que disso se encarregam os verdugos da informação nossa de cada puto de dia.
 
Aqui há uns meses, os tuaregues reclamaram a independência de parte do território maliano.
Parece que
- o chamado "diz que..." anónimo e que dá para todas as partidas à partida já perdidas (quando não podemos verificar por nós mesmos e apenas acreditamos. Juntando-nos, assim, à enorme massa obediente dos fiéis mandados contra as paredes das traseiras do mundo dos pobres ricos) -
 
agora há para lá uns fundamentalistas, assim apelidados pelos ocidentalistas de islamistas, que foram mexer - claro está! - numa ferida sensível e
 
AI!!!
 
aí não podes!, se fazes favor.
 
E o senhor ministro, com o beneplácito da população a quem ele deve responder, que foi muito auditada - fizeram referendos e consultas apuradas por trabalhosos inquéritos estatísticos veiculados pelos média oficiais e não reconhecidos ("estamos nisto, juntos", parecem querer dizer)* - decidiu:
 
- para o Mali e em força!
 
E lá foram eles.
 
Nas televisões fala-se em guerra.
Tal como na Somália se falava em pirataria e afinal até eram bons moços, aqueles criminosos valentes que tentam afrontar o poder do complexo agro-mediático-bélico europeu (o leitor chegou mesmo a ver este vídeo?).
 
Ou seja, se lhes for pedido - MAS SÓ SE LHES FOR PEDIDO, ouviste bem, ó Miguel Relvas lá do sítio? - invocam um motivo estapafúrdio qualquer, assim, daqueles muito bem enquadrados na problemática do terrorismo global, que parece que está muito na moda e está a vender muito bem
 
- Veja só, consegue tirar nódoas do Iraque, do Irão, no Afeganistão...
- e então aqueles tecidos da Síria e do Paquistão, tem-se falado muito deles, como é que está aquilo?
- Sim, repare, estamos ainda a trabalhar nisso com o maior afinco. Não tem de se preocupar com nada. Não tem, isto é, se não for você a nódoa que caíu naqueles maus lençóis...
 
(agora a metáfora virou para as lavagens. Melhor que ainda nada têm que ver com as Ilhas Caimão, que, essas, coitadas, estão ameaçadas pelo aquecimento anti-global que vai acabar com todos os paraísos fiscais deste mundo e dos que mais vierem a ser processados por computador...!)
 
e que os rebeldes (os rebeldes são sempre os inimigos, tal como os inimigos são sempre os que estão do outro lado, o que os faz ter interesses divergentes e até inconciliáveis... ou será o contrário?) estão a oprimir as populações;
 
b) estão a perpetrar-se crimes horrendos contra a Humanidade (sim, toda ela ali concentrada no Mali)
c) foram presos cidadãos ocidentais em missões de paz e ajudas humanitárias
d) "causaram" um golpe militar e a destituição do governo DEMOCRATICAMENTE eleito
e) ... (é pá! inventem lá mais chorradas que isto já cansa de tantas omissões e mentiras; vós já sabeis como isto do Poder funciona, etc, etc.)
 
 
Blá, blá, blá.
 
A quase nota de rodapé

- sei que não foi descuido, porque, lá está outra vez a fé!, acho credível o canal -
com que adornaram a reportagem foi bem mais esclarecedora que a porcaria de horas e horas - se horas houvesse (aquilo é só prar encher a hora nobre dos nossos jantares de fome) dedicadas pela televisão cá do Portugal dos pequeninos - com que temos levado em cima sobre o assunto.
 
Há quem se desvie (e mude de canal).
 
Dizia algo como isto, tal rodapé:
 
"a região centro do Mali é rica em urânio e tem fábricas exploradas pela França e pela China"
 
E já está.
Era só isto que queríamos dizer.
 
 
Isto enquanto víamos imagens, gentilmente cedidas pelo ministério da defesa respectivo - de balas para canhão a rebolar no chão e a manusear armas da pesada, que eles não produziram, que talvez tenham tido que comprar ao amigo espanhol, ao amigo israelita, ao amigo russo, ao amigo inglês, ao amigo estadunidense - sim, que lá parece que eles têm uma indústria militar muito bem desenvolvida...
 
Tomara a nós não termos que importar!, diriam os nacionalistas, os austeros e tripartidos gauleses.
 
E depois vêm mais países e nações - também elas consultando os seus povos, como é normal nos Estados democráticos - apoiar e juntar as suas tropas para intervenções consertadas e com o baptismo da nobelizada ONU.
 
Pois, que o urânio é o futuro.
 
 
Para haver equilíbrio no mundo em de haver paz num hemisfério e guerra no outro.
(O mundo é o teu umbigo e o mundo é tanto mais mundo quanto maior for a tua capacidade de impores o teu umbigo aos umbigos dos outros.)
 
Onde foi que lemos isto?
Terá sido no "1984", do Orwell?
 
Ah, não, foi na marca d'água da nota que trago no bolso...



* - foi só uma piada: nenhum governo decide intervir num país longínquo baseado na vontade do seu povo. A não ser quando já lhe trataram da saúde e fizeram a habitual lavagem emocional e cerebral perpetrada pelo... ai!! completo complexo de inferioridade... não, pelo complexo militar e mediático nacional.

1 comentário:

Edward Soja disse...

Adenda:

Diz assim na notícia:

"En effet, le Mali, ancienne colonie française, héberge encore des milliers de résidents français. Huit d'entre eux ont été pris en otage depuis 2010. Le pays est également devenu un partenaire économique important en ce qui concerne les ressources énergétiques de la France. Areva y extrait beaucoup d'uranium. Au Niger, pays voisin du Mali, l'uranium extrait du sol alimente un tiers des centrales nucléaires de l'Hexagone. Pas question donc pour Paris de laisser l’immense pays, enclavé dans la région sensible du Sahel, tomber sous le joug d'Aqmi."

Para ler mais, aqui (enquanto estiver no ar):

http://www.metrofrance.com/info/mali-pourquoi-la-france-est-entree-en-guerre/mman!ZusrpiYVUqM/

Bonne nuit, et bonne chance!