domingo, janeiro 20, 2013

Braga a retalho



Prédio é calvário para moradores:
"Ninguém quer saber disto", lamenta Aurora Barbosa. A mulher, nascida e criada na Rua Cruz de Pedra, uma metade em Maximinos e outra na Sé, em Braga, e que vê, de dia para dia, um edifício a ameaçar ruir às portas da mercearia. (Jornal de Notícias).

Por cá no burgo já se falava disto e não apenas como resultado das condições climatéricas dos últimos dias. Queiram, todavia, acompanhar-nos nisto:

Por entre tribunais e limitação de território - por ali se cruzam as fronteiras das freguesias urbanas de Maximinos e da Sé, no Centro Histórico de Braga, os moradores continuam a transportar a cruz do medo de que uma pedra lhes caia em cima. (Jornal de Notícias)

Mais uma situação reveladora do verdadeiro afecto ao poder nas bordas do jogo de interesses, manipulado(s) pelo clube político a que se pertence a um dado momento, alicerçado(s) numa delimitação rígida de fronteiras e de competências, à escala surrealista de uma rua urbana. A manutenção do feudo prevalece, assim, sobre qualquer bom senso ou, bem pior, sobre o bem comum, não raro, mascarado de bairrismo serôdio e folclore publicitário, designadamente, na pegadilha sobre a famigerada agregação das freguesias. Pois se não se entendem sequer em acontecimentos limite e em circunstâncias trágicas, isto é, nas verdadeiras necessidades da população, afinal quais serão as razões que os movem?...

Já vimos este filme em estradas que fronteiam entre Braga e Guimarães e entre Braga e Barcelos – quem é responsável pela manutenção e qual a delimitação?, com histórias que envolvem, inclusive, corporações de bombeiros, para além das autarquias, num lavar de mãos onde se fareja sempre a sujidade. Parece a velha história dos muros e da água, onde irmão guerreia irmão, por este país fora. As fronteiras, meus amigos, são obra humana. Não inaugurem, por favor, a delimitação da fronteira das nossas dores. Talvez a partir daí se possa começar uma discussão séria sobre agregação, seja lá do que for.   

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