segunda-feira, julho 04, 2011

DESTRUIR, de cima a baixo, a cadeira que nos vai derrubar


Me llamarán, nos llamarán a todos.
Tú, y tú, y yo, nos turnaremos,
en tornos de cristal, ante la muerte.
Y te expondrán, nos expondremos todos
a ser trizados ¡zas! por una bala.

Bien lo sabéis. Vendrán
por ti, por mí, por todos.
Y también
por ti.

(Aquí no se salva ni dios, lo asesinaron.)

Escrito está. Tu nombre está ya listo,
temblando en un papel. Aquél que dice:
Abel, Abel, Abel...o yo, tú, él...


Blas de Otero,
"Me llamarán", 1955



Comunidades inteiras estão a ser expulsas das suas terras no delta do Tana, no Quénia, para permitir investimentos da canadiana Bedford Biofuels e da britânica G4 Industries Ltd em culturas de cana do açúcar e de jatrofa para produzir biocombustíveis. The Guardian.

Notícia via Ondas3


E assim vamos, cúmplices da destruição que dizemos ser nefasta para o ambiente e para as pessoas.

A economia... sempre aquela máquina bem oleadinha que nos troca as voltas, nos dá o que nos tira, baralhado e revirado, nos tira o que nos dá, sempre em prejuízo da sustentabilidade.

Quando não sabemos o que as nossas simples acções de consumo implicam:

- de quem é a culpa?
- porque continuamos?
- face ao desconhecimento, porque não evitamos?

Mais uma vez, o dizemos:

no ciclo do consumo (extracção dos recursos, produção / transformação, distribuição, consumo propriamente dito e deposição das "externalidades"...), ao consumidor que queremos cada vez menos ignorante, apenas costuma ser mostrada a parte da venda.

Não nos questionamos:

De onde vem?
Quem produziu?
Como produziu?
O que implicou essa produção / transformação?
Quem trouxe?

Nós, os consumidores, temos duas fases, de todo este processo, que conhecemos bem.
TODAVIA....!!!
... ainda a última ali mencionada (deposição das "externalidades", vulgo "lixo", que não tem de ser o fim em si: é, e pode ser, o recomeço de outros ciclos de consumo...) costuma ser depreciada, desprezada, ocultada, esquecida, desvalorizada...

E porquê?

- Porque o "lixo" cheira mal.
Porque é desagradável, insustentável e eticamente reprovável.

blá blá blá....

Ai é?

Se cheira mal e é desagradável... não te sentes mal e desagradável por teres de o fazer?
Se te sentes mal e desagradável por teres de o fazer, porque não tentas reduzi-lo?

- Ah, porque quero continuar a ... ah... eh... ah,.. produzi-lo... Não, espera, não é bem isto: porque quero - é isso! - porque quero continuar a consumir o que produz o "lixo" que eu não quero produzir com o que consumo... Ui...
Que é que eu disse?

...

E há forma de reduzir o "lixo"?
Primeira forma: reduzir o consumo.
Segunda forma: escolher o que consumimos.

Sabendo mais, mesmo que as escolhas não aumentem com isso, aumentam as formas de sabermos escolher.
Em vez de paparmos qualquer porcaria que nos ponham na prateleira.
Qualquer prateleira.

Quereis mais uma?
Olhemos, então:

Dois estudantes do Scripps Institution of Oceanography da Universidade de San Diego encontraram resíduos de plástico em mais de 9% dos estômagos dos peixes capturados durante a sua viagem ao Giro Subtropical do Pacífico Norte. Science Daily.


Quantas pessoas estão a ler isto e a pensar?

1 comentário:

OLima disse...

Eduardo, obrigado pelas referências a tópicos lançados pelo Ondas3. Bem haja, em nome das boas consciências, do Ambiente e de uma melhor qualidade de vida