quinta-feira, junho 17, 2010

Virtual e Real - III: Análise

"Não sabendo a verdade do problema colocado
Não se pode definir a estratégia a seguir."
O Fim da História, Mão Morta


Para esta 3ª incursão sobre a "virtualidade" e "realidade" do mundo contemporâneo, optámos por atribuir-lhe o termo "Análise". Carece de uma explicação. Talvez não queira dizer o que se pretende. Mas o seguinte "estrato" do livro "Amor Líquido" demonstra a desorientação que estas duas esferas estão a causar na percepção do cidadão dito "do mundo".


Em recente viagem a Copenhaga, Michael Peter Smith registou que, em apenas uma hora de caminhada, passou "por pequenos grupos de imigrantes turcos, africanos e do Médio Oriente", observou "diversas mulheres árabes com e sem véu", leu "anúncios em várias línguas não europeias" e teve "uma conversa interessante com um barman irlandês, num pub inglês, em frente ao jardim Tivoli". Essas experiências de campo mostraram-se valiosas, diz Smith, na palestra sobre conexões transnacionais que apresentou naquela cidade na mesma semana, "quando um participante insistiu em afirmar que o transnacionalismo era um fenómeno que podia ser aplicado a «cidades globais», como Nova Iorque ou Londres, mas tinha pouca importância em lugares mais isolados como Copenhaga".

Zygmunt Bauman,
p.132


Não há acção com direcção sem uma prévia capacidade de discernimento. A acção contra as forças globais está cerceada pela ausência das fontes das consequências que cada um, localmente, sente. Mas, por algum estranho fenómeno ainda não identificado, também a nossa capacidade de análise parece estar a ser abortada.

Por omissão, por demissão, inconsciente ou não, vamos sendo levados. Para onde? Não sabemos, mas não parece que a cidadania global, os valores de liberdade, solidariedade, igualdade e justiça estejam a ser uma realidade efectiva e local.

Falar de "globalidade" é bem distinto de falar de "globalização".
Tal é quase tão paralelo como falar de "realidade" e de "virtualidade". Por exemplo, a globalização da comunicação não é para todos, pois os povos sem aqueles meios de se ligarem ao mundo, estão excluídos dele. Um outro exemplo é que, através deles, uma mesma distância física - entre dois países com diferente poder económico - pode ser muito fácil numa direcção e muito difícil na outra direcção (um exemplo? a capacidade de penetração da língua inglesa em Portugal e a capacidade de penetração da língua portuguesa nos Estados Unidos...)

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