sábado, outubro 31, 2009

Mais um pormenor, um pormenorzito... de geopolítica

"A Amnistia Internacional divulgou esta semana um relatório onde acusa Israel de monopolizar os recursos hídricos do Rio Jordão, racionando indevidamente o abastecimento de água aos palestinianos. Segundo o documento, os 450 mil colonos israelitas da Cisjordânia, por exemplo, consomem tanto ou mais água do que 2,3 milhões de palestinianos do território.
Em Gaza a situação é ainda pior pois os aquíferos estão esgotados."

De um pequeno artigo da Visão de ontem, 29 de Outubro, intitulado "As Guerras da Água", referente à situação que se vive em Israel e na Palestina. (p.78)

E perguntamo-nos: é necessário que povos de países, só por se dizerem desenvolvidos ou mais desenvolvidos, consumam mais que outros povos?
Como é que é possível, com um meio tão contrário (ou seja, onde a água não abunda) e com um factor a favor (população menor)?

Onde é que essa "obrigatoriedade" está escrita?
É óbvio que no plano do desenvolvimento sustentável (certo, não podemos sequer falar de sustentabilidade quando a situação é de pobreza), os países menos desenvolvidos estão bem mais evoluídos.
Claro, podemos contra-argumentar, se eles pudessem bem que consumiam mais. Talvez.
Mas... tem de ser assim?

Olharíamos para as necessidades, passe a redundância, realmente necessárias e só depois avaliaríamos.

Claro, com o desenvolvimento insustentável (que não tem sabido respeitar os limites do meio) logo crescem outras necessidades, ditas não básicas. É sobre essas que devemos reflectir.
Porque considerar o desenvolvimento que temos, construímos e queremos como fatalismo significa que, no fundo, não temos poder nenhum de o comandar.

Fatalismo é o beco sem saída que o meio, coitado, não é elástico e não cede às pressões, aproxima cada vez mais de nós.

Mas bem antes dessas questões tão básicas, das relações directas do Meio com o Homem, outros problemas nos entretêm. Desde há muito.

1 comentário:

Eduardo F. disse...

Ou seja, somos insustentáveis por podemos.

As questões são:
Enquanto pudermos, seremos insustentáveis?
Não mudaremos sem sermos obrigados?