segunda-feira, novembro 05, 2007

Fronteiras Brancas

Running Fence, Sonoma and Marin Counties, California 1972-76
de Christo e Jeanne-Claude
Fonte: ChristoJeanneClaude.net

Uma vez, numa aula de Expressão Gráfica, disciplina que, pela orientação que a docente lhe deu poderia ter tido o nome de Educação Visual (o que eu agradeço), vi uma foto parecida com esta. É da autoria do famoso artista de origem búlgara Christo.

Educação Visual porquê? Ora, o nome di-lo claramente. E para não estarmos a dizer asneiras (quando não se sabe, procura-se saber), consultámos a página da Associação Nacional de Professores de Educação Visual e Tecnológica onde podemos ler que um dos objectivos da dita é desenvolver o sentido crítico. E passo a citar:

Estruturar uma posição de receptor consciente e crítico no sistema de comunicação em que está inserido, designadamente perante as solicitações visuais da publicidade. (do documento da Organização Curricular e Programas, p. 6)

O que Christo quis dizer com aquela sua obra foi denunciar a construção de fronteiras (representadas pelo seu querido celofane) convencionadas pela população colonialista (presente na cor do celofane). As fronteiras impostas pelo homem não passam de convenções - e mesmo assim, não aceites unanimemente. Os exemplos mais demonstrativos desse carácter estão na África "desenhada" pelos europeus que nela iniciaram o saque e a escravatura desde o tempo dos descobrimentos.
Outras fronteiras há que não são tão invisíveis, ou seja, que se materializam nos elementos do espaço, que trazem decorrências sociais ou históricas. São obstáculos que mudam vidas e modos de vida:
- uma parede em Berlim,
- uma rede de arame farpado virado para o México,
- um muro da vergonha na faixa de Gaza
- um oceano
- um deserto
- uma montanha
...


No meio de tudo (não literalmente...) estão as distâncias e tudo o que isso implica. Por vezes, é possível contornar essa condicionante, tornando-as virtuais. A virtualidade (lá vem outra vez essa questão) em pouco se identifica com a realidade. E seguem-se dois exemplos:

1 - Se a distância entre Portugal e os Estados Unidos é igual à que separa os Estados Unidos de Portugal, então os estadunidenses deveriam ver tantos filmes portugueses como nós vemos os filmes deles (e já não falo da língua, pois temos a terra-mãe ali mais em cima...)

2 - Os meios de comunicação (isto é, os que nos põem em contacto físico e linguístico) encurtam as distâncias. Claro. Mas, por outro lado, exclui e afasta aqueles que não dispõem deles.

Enfim, virtualidades do mundo moderno e da globalização.
Estas são implicações que não parecemos muito preocupados em combater. Consequências já não palpáveis, que possamos agarrar, com a nossa força braçal.

Há poucos meses, numa entrevista ao DN (de que podemos ler um excerto), José Saramago, profetizou a integração dos povos de Espanha com os de Portugal, nascendo daí a Ibéria, nome que não é novo para ninguém.
Que consequências adviriam dessa união?
A manter-se o clima de paz, que ameaças representaria tal feito histórico (e cartográfico, já agora)?

Depois de ler a notícia e reflectir sobre este assunto, convidamos o leitor a participar no inquérito que temos ali do lado esquerdo. As votações estão abertas!
Alguém tem medo do debate?

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