quarta-feira, março 13, 2013

"O papa que resignou não deixa saudades"

Foi com esta frase que o jornalista passou a palavra a uma comerciante (ou vários) de artigos religiosos em Fátima.

Isto quer dizer que Ratzinger rendeu pouco, fez vender pouco, ou, foi pouco lucrativo para quem vende artigos religiosos. Desculpai lá, longe de mim estar a irreconhecer a vossa inteligência para concluírdes isto.

Todo este processo é tão asqueroso que as televisões e noticiários de todo o mundo tratam de o acompanhar, "ao minuto", como anuncia uma, o que se vai passando no Vaticano e no Conclave (meter à pressão, como quem tira com saca-rolhas, uma palavra nas bocas dos papalvos que somos é tão estranho como

- não conhecermos o próximo de lado nenhum e, uma vez escolhido, ele passar a ser adorado, quais novos Beatles (olha, Lennon, tenho mesmo muita pena, o Papa voltou a ser maior que vós... a irreverência, a energia e a alegria da juventude voltou a ser ultrapassada pelo imobilismo e pela doença), por milhões.

- estarmos sempre todos a falar do mesmo que os meios de enquadradamento, vulgo encaixotamento, em massa (para as massas) nos vão propondo e renovando.

termino aqui o parêntesis. Ai não tínheis reparado que havia ali um?
)


quando um fumo preto ou branco é tão rápido como a morte

"Estavas e de repente já não estás", como diz o Saramago

e portanto não faz sentido andar a engonhar e a ludibriar com os acompanhamentos "ao minuto".

Não vou deter-me mais sobre esta porcaria de abordagem que os chupa-cabras das noticiárias arranjam para nós.
Estamos transformados em vampiros e em ovelhas e vamos alternando.
Estamos transformados em actores que nos dizem nada podermos fazer quando se trata de decidir (e ainda não reparamos bem quando é essa a hora ou o acto) e em espectadores da decadência e podridão dos valores morais que tanto dizemos defender.

Olhem, por cá, o papa que resignou não deixar saudades é como as comitivas de empresários que vão com o ministro dos negócios estrangeiros ver se exploram outras terras, outros recursos e outros corpos e almas.

Porque é que cada vez mais detesto empresas e empresários e bancos, que cada vez mais se me assemelham a assassinos e gente sem escrúpulos?

Ide todos prà prisão!
A prisão que eu proporia era a reconversão do ramo de actividade.
Mas para isso, primeiramente, seria necessário reeducar e inculcar outros valores que não o de fazer negócio com os corpos e almas e o que elas trazem nos bolsos e nas bolsas de valores.

Cada um aproveita para chupar cada um, não importa como.
E assim vai o hominídeo para o curral das bestas todas as manhãs.
Os que tiverem trabalho assalariado, destruidor, alienante e produtor de escravos (incluindo os que escravizam os chamados "subalternos").

Olhai como estas religiões e estas instituições são sempre um poder que emperra, que, está na sua natureza, é conservador, porque se quer conservar, e não agita águas nem, como já o foi mais o bispo Torgal, incitam à insubmissão e à ao enfraquecimento, pela base (alto, está a falar das massas), dos poderes que nos governam.


Pormo-nos de joelhos, baixarmos o olhar, por vergonha e por fome, e alombarmos com o peso de trabalhos que só nos tiram saúde significam apenas a subserviência.

Seja para que for.

Esta religião, este sistema económico e este tipo de trabalho não estão a deixar saudades.
Este é que é o Homem do Eterno retorno: está continuamente a querer ser sempre outra coisa, mas / porque vai sempre adiando ser outra coisa.

Inevitabilidade, dizem os economistas.
Irreversívelzinho, diz o Zé Mário.

Enredado e a funcionar muito bem, diz o poder mediático-plutocrático-financeiro-militar capitalista.

Vêde os lucros que alguns (sempre só alguns) estão a fazer com esta tríade de misérias nomeadas acima e aí tendes o facto contra o qual só actos urgem.

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