terça-feira, março 19, 2013

Agora o Chipre

Então foi o seguinte

e atentem bem nos últimos acontecimentos surpreendentes:

A propósito - invocam... - do resgate financeiro ao Chipre, decidiram taxar os depósitos bancários abaixo dos 100 mil euros. Acho que não estou a dizer nenhuma desconformidade.

Resultado talvez sereno, talvez racional, tido como espontâneo por parte de quem tem dinheiro no banco:

Muitas e muitas pessoas foram vistas a levantar dinheiro nas caixas de multibanco! - anunciaríamos, espantados, em tom jornalístico.

O caos, o medo e a sensação de injustiça e roubo instalaram-se nos cipriotas.

(Notícia de domingo.
Segunda os bancos estiveram fechados pois era feriado nacional.)

Resposta ao resultado:

(notícia ouvida há pouquinho na Antena 1 (tanto faz, não é?)

"O Eurogrupo recuou na aplicação de imposto aos depósitos bancários abaixo dos 100 mil euros."
Seguimento da notícia:
"Com esta decisão, o clima ficará menos tenso. Continuará a haver possibilidade de tumultos, mas..."

Análise: 
O que importa aqui verificar é a palavra/expressão-chave "menos tenso", dita, com a boca do poder mas cuja verborreia propagandística sai pela voz dos média (ditos legítimos e confiáveis e representantes e garantes da Democracia e blá blá blá...) e sentida em tons de alívio.
É isso que quem sente?: o Eurogrupo, que é o único sujeito naquele comunicado.
Não, não venhais querer baralhar-nos e afirmar que o sujeito é o povo cipriota que tem dinheiro (uma certa soma) no banco.

A análise não fica por aqui, que agora é que vem o mais importante. Portanto:

Análise à resposta ao resultado:

As pessoas correm a tirar dinheiro do banco, ui! temos de mudar de atitude.
Mudam de atitude.
As pessoas podem, mesmo assim, não recuar na criação de tensão social e física nas so-cidades cipriotas.
Não faz mal.

Vistes o que aconteceu?

A violência não é o problema. A violência contra o poder é a perda de razão (ui!, não menciones essa palavra...) perdão, a perda de legitimidade de quem quer viver num Estado democrático blá, blá, blá.

O problema é atingir o poder racionalmente: levantar o dinheiro em massa é retirar o poder ao poder, pois, em si, signfica o instrumento com que nos abanam e convencem os olhos e nos fazem a cabeça e nos compram.

O problema, para o Poder Económico e financeiro, seria - depois desse (convém impedi-lo a todo o custo!) seria ficarem a descoberto, como as contas bancárias, sim, COM as contas bancárias vazias.

Esvaziadas de sentido e reenchidas do absurdo que seria a demonstração material de que o dinheiro que as pessoas pensam ter não existe na realidade.
E, por conseguinte, o escancaramento de que o dinheiro - tão esquecidos estamos disso, não é? - é uma convenção que nos obrigam a subscrevermos para nos mantermos e nos manterem amestrados.

O Chipre espirra amarelo por sobre o papel verde.
Alerta no vermelho.

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